Artur, no Conselho de Desenvolvimento

CUT cobra manutenção do crédito e investimentos em políticas públicas para garantir emprego e renda

Artur HenriqueEm sua intervenção durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social,  quinta-feira (6 de novembro), o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores, Artur Henrique sublinhou que devem ser prioridades neste momento a manutenção do crédito e dos investimentos em políticas públicas para garantir emprego e renda.

O presidente cutista falou após os ministros Guido Mantega, da Fazenda; Henrique Meirelles, do Banco Central e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef apresentarem aos conselheiros as medidas tomadas em relação à crise da especulação internacional. Apesar da preocupação com os reflexos da crise nos setores exportadores e no crédito, os ministros avaliam que os números são positivos e permitem ao país continuar crescendo.

No Conselho, Artur aproveitou para fazer um registro sobre "o desmonte do modelo neoliberal, calcado na perspectiva de auto-regulação do mercado", lembrando que "enquanto o PIB mundial é de US$ 65 trilhões, representando a economia real  do que é produzido em todo o mundo, contra US$ 650 trilhões que não produzem nada a não ser especulação financeira, sem controle, sem regulamentação". "Registramos também que fomos nós os trabalhadores que nos últimos anos, principalmente ao longo da década de 90, éramos chamados diariamente pela mídia de dinossauros e atrasados por defender o papel do Estado como indutor da economia.

Naquele momento, de pensamento único, nos atacavam diariamente pelos meios de comunicação dizendo que era necessário um estado mínimo. Vendiam a imagem de um Estado pesado, de um elefante, lento e sem agilidade, e que era preciso privatizar a saúde, a educação, as empresas e tudo o mais. Este registro foi importante fazer porque agora as pessoas avaliam a crise, falam dos investimentos especulativos feitos de forma irresponsável, mas ninguém fala sobre a raiz disso tudo. Não falo isso por revanchismo, mas porque é o momento de debater a questão ideológica, da diferenciação entre dois projetos", ressaltou.

Para a CUT, frisou, "o projeto neoliberal faliu, caiu o muro desse projeto, para usar um exemplo deles. Quando caiu o Muro de Berlim a linha deles era de que só existiria um único modelo de sistema de produção, que era o capitalista, e que o modelo socialista tinha caído. Estamos nesta fase, de discussão de modelos e vimos que o que ruiu, caiu por terra, foi o modelo deles".

"Apresentei no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social a visão da classe trabalhadora diante da crise e as propostas frente a essa situação. Afirmamos que os trabalhadores não são os responsáveis pela crise, que não podem portanto pagar o preço de algo que pode diminuir o consumo e o desenvolvimento, que os trabalhadores não podem pagar com seus empregos, seus postos de trabalho, uma crise que foi conseqüência dessa irresponsabilidade do chamado mercado", acrescentou.

 

Como membro do "Conselhão", Artur conclamou a todos os conselheiros para refletirem sobre a necessidade de que se adotem medidas emergenciais contra a crise, priorizando o salário e o emprego para garantir o fortalecimento do mercado interno como escudo diante dos impactos negativos de uma retração do mercado externo.

"O primeiro ponto que defendemos é o emprego. Nós não podemos aceitar que seja utilizado dinheiro público para socorrer empresas ou instituições financeiras que não tenha como contrapartida, obrigatoriamente, a preservação e ampliação dos postos de trabalho. O segundo é a manutenção dos investimentos nas políticas públicas, como saúde, educação,segurança e também em infra-estrutura. Até porque ainda tem gente falando em diminuição de gastos públicos, quando precisamos é de mais investimentos para fazer girar o círculo positivo, virtuoso da economia. O terceiro é a manutenção de todos os programas sociais, que também geram renda e, portanto geram emprego, consumo, produção e desenvolvimento, como o Bolsa Família, territórios da cidadania, política de valorização do salário mínimo. O quarto são propostas relacionadas com o Congresso Nacional, ou seja, a necessidade de regulamentação do artigo 192 da Constituição, que garante controle social sobre as instituições financeiras; a retirada de todos os projetos que buscam flexibilizar ou retirar direitos dos trabalhadores e a imediata ratificação das Convenções 151 e 158 da OIT (que dispõem, respectivamente, sobre a garantia de negociação coletiva no serviço público e sobre o fim das demissões imotivadas). O quinto, que foi mais extensamente debatido na oportunidade, é a necessidade da liberação do crédito para investimento em produção e emprego", relatou.

O silêncio sepulcral da mídia em relação à visão e à posição dos trabalhadores, declarou Artur, aumenta a importância e a responsabilidade dos meios de comunicação do meio sindical, para que dêem visibilidade às nossas propostas. O líder cutista também cobrou do ministro Guido Mantega uma audiência com as centrais, "já que vem se reunindo constantemente com o conjunto dos setores econômicos, sendo necessário, portanto, ouvir as lideranças dos trabalhadores". O ministro reconheceu a importância de realizar esta reunião rapidamente

Artur ironizou a fala do presidente da Febraban (Federação dos Bancos), Flávio Barbosa, de que o fluxo de liberação de crédito já está voltando à normalidade e que a demora às vezes é por conta da análise de risco que está sendo feita pelas instituições financeiras. "O governo liberou o compulsório para garantir o crédito à população e os banqueiros estão guardando dinheiro público para comprar a carteira de outros bancos. Isso é inaceitável, não é assim que o sistema financeiro vai retomar um certo nível de confiança. Nossa agenda é a da produção, do desenvolvimento, por isso vamos às ruas defender a nossa pauta, nossa agenda e nossas bandeiras", concluiu Artur.