Realizado em São Paulo, encontro de comunicação trouxe comunicadores da CUT de todo o país para fortalecer a rede nacional de comunicação, alinhar estratégias e ampliar o diálogo com a classe trabalhadora.
Após três dias de debates, chegou ao fim o 10º Encontro Nacional de Comunicação da CUT (Enacom). Realizado entre os dias 12 e 14 de março em São Paulo, o encontro reuniu dirigentes, assessores e jornalistas de estaduais e confederações da CUT de todo o país para definir estratégias, compartilhar experiências e fortalecer uma comunicação com a classe trabalhadora que se mantenha comprometida com a verdade, o respeito e a ética.
Ao longo dos três dias, os participantes discutiram desafios contemporâneos da comunicação, compartilharam experiências e mapearam necessidades concretas de ajustes e incrementos nas práticas de comunicação da Central. A partir desse diagnóstico coletivo, foram apontados caminhos para ampliar o alcance das mensagens da CUT e potencializar a capacidade de diálogo com a classe trabalhadora.
De acordo com a secretária de Comunicação da CUT, Maria Aparecida Faria, o encontro ocorreu em um momento em que é fundamental revisar métodos e linguagens diante das mudanças constantes na forma como a sociedade recebe informação.
O Enacom ocorre em um momento em que é essencial, como tudo na vida, rever a forma de se fazer comunicação. Os sentimentos das pessoas vão mudando conforme a vida acontece e a forma com que elas recebem a informação também muda. Por isso a comunicação tem de ser dinâmica e evoluir a cada instante. Isso é o que estamos fazendo: evoluindo- Maria FariaSacudindo a comunicação
O encontro também ocorreu em um contexto político importante. Por ser um ano eleitoral, muitas atividades sindicais nos estados dificultaram o deslocamento de parte dos integrantes da rede de comunicação da CUT. Ainda assim, quem pôde fez esforço para participar presencialmente.
O resultado, segundo Maria Faria, foi “um encontro produtivo, com mesas que trouxeram reflexões importantes para orientar a comunicação cutista nos próximos períodos”.
“A comunicação da CUT, que já é aguerrida, ativa, vai ficar ainda mais depois desse encontro. É enriquecedor ter pessoas dos estados trazendo suas demandas, cada um com suas especificidades”, disse.
Para ela, o Enacom também teve o papel de “sacudir” a comunicação da Central, trazendo conteúdos atualizados e temas que contribuem para ampliar a formação política e técnica de quem atua na comunicação sindical.
O objetivo foi permitir que comunicadores e comunicadoras atualizem critérios, métodos e conhecimentos, fortalecendo uma comunicação cada vez mais eficiente e conectada com a realidade da classe trabalhadora.
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Construção democrática
Um dos aspectos mais destacados pelos participantes foi o caráter democrático do encontro. Comunicadores de diferentes regiões do país tiveram espaço para apresentar demandas, relatar experiências e apontar desafios específicos de suas realidades.
Esse processo de escuta coletiva permitiu construir diagnósticos mais completos sobre a comunicação da CUT, levando em consideração as especificidades regionais e as diferentes condições de atuação das CUTs estaduais e dos ramos.
Ao reunir visões diversas, o Enacom fortaleceu a construção de estratégias comuns, garantindo que as decisões sobre o futuro da comunicação cutista reflitam as necessidades reais de quem está na linha de frente da produção de conteúdo e da relação com a base trabalhadora.
Diretrizes para o futuro
Como resultado do encontro, foi elaborada uma resolução que estabelece diretrizes para orientar a comunicação da CUT nos próximos períodos.
Entre os pontos centrais está o fortalecimento da integração nacional entre a CUT Nacional e as CUTs estaduais, com maior articulação de estratégias e compartilhamento de conteúdos. A proposta é avançar na produção de informação em tempo real, especialmente para redes sociais, ampliando a capacidade de resposta da comunicação da Central e garantindo maior presença nos ambientes digitais onde ocorre a disputa de narrativas.
A resolução também prevê a realização de oficinas on-line voltadas à formação continuada dos comunicadores da CUT. As atividades abordarão temas como o uso da inteligência artificial na comunicação sindical, aplicativos e novos recursos digitais, entre outros conteúdos destinados a desenvolver ou aprofundar o conhecimento da rede de comunicação sobre essas ferramentas.
“O pessoal dos estados demonstra muito interesse, disposição e muita gente já mergulhou nessas tecnologias. O que faremos é nos aprofundarmos nos recursos que podemos usar para incrementar nossa comunicação”, afirmou Maria Faria.
Outra iniciativa prevista é a atualização do site da CUT, além de outros encaminhamentos voltados ao aperfeiçoamento e à otimização da comunicação cutista no próximo período.
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Reconhecimento coletivo
Ao avaliar o encontro, Maria Faria também destacou o trabalho da equipe da Secretaria de Comunicação da CUT, que esteve diretamente envolvida na organização do evento.
Segundo ela, o sucesso do Enacom foi resultado do engajamento coletivo de toda a equipe durante o processo de preparação e realização das atividades.
A dirigente também agradeceu ao Departamento Sindical de Estatíticas e estudos Socieconômicos (Dieese) por ceder seu auditório para a realização do encontro e à Casa do Professor (Apeoesp), que acolheu os participantes com hospedagem e infraestrutura durante os dias do evento.
Comunicação no centro da disputa
O 10º Enacom consolidou a comunicação como o terreno estratégico central da disputa política contemporânea. As mesas discutiram como a inteligência artificial e os algoritmos têm sido usados para controle laboral e gamificação, exigindo que a classe trabalhadora se aproprie dessas ferramentas para fortalecer sua própria organização e enfrentar vieses discriminatórios.
No ambiente digital, as redes sociais deixaram de ser ferramentas complementares para se tornarem essenciais. O desafio atual é romper bolhas através de uma linguagem simples, direta e autêntica, focando no público não polarizado e em respostas rápidas para neutralizar a desinformação profissionalizada. Destacou-se que a comunicação digital deve ser aliada à formação política constante, traduzindo temas complexos para o cotidiano da sociedade.
Com foco em 2026, a estratégia central é a repolitização dos territórios e a transformação de pautas técnicas em sentimento social. Exemplos como a mobilização pelo fim da escala 6x1 demonstram que conectar a política à qualidade de vida é o caminho para gerar mobilização real. A vitória dependerá de aliar a força da militância organizada e recursos estratégicos ao combate do “colonialismo digital”, garantindo que a tecnologia sirva à democracia e não apenas ao lucro das plataformas.
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