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Artigo

O que o Brasil pode aprender com a quebra da Argentina?

Publicado: 18 Abril, 2019 - 00h00 | Última modificação: 18 Abril, 2019 - 12h05

Um presidente é eleito com uma falsa espontaneidade, um discurso de mudança radical. A plataforma é de direita e os anúncios são na linha da desconstrução o do extermínio do legado da esquerda. Orgulhosamente se anuncia de direita.

As mudanças vêm acompanhadas dos argumentos de sempre: as reformas vão "modernizar" o Estado, gerar empregos e sanear a máquina pública. Acabar com tudo isso que tá aí é o lema. A falácia da austeridade, nomeação de empresários no governo para acabar com a velha política é a fórmula mágica.

Por outro lado, as benesses para familiares e amigos são escandalosas e vão desde o perdão de dívidas a cargos no governo.

Ao fundo deste cenário, a política profissionalizada, os robôs virtuais que cuidaram da eleição na rede, tudo cuidadosamente montado para cada aparição "espontânea" do presidente.

Esse é retrato do governo argentino de Maurício Macri.

A volta da direita ao governo do país ‘hermano’ trouxe consigo as reformas. A da Previdência, que foi aprovada em meio a uma verdadeira batalha campal em Buenos Aires, diminuiu o valor dos benéficos em nome do combate aos privilégios.

Na economia, Macri faz um governo neoliberal ao máximo, trazendo de volta o FMI e adotando as fórmulas de contenção da economia para frear a inflação. A Argentina agora anuncia o congelamento de preços de alimentos e serviços para deter essa inflação que já chega aos 54% ao ano, resultado da política anticrise imposta pelo FMI a quem Macri recorreu para renegociar um empréstimo no ano passado. .

Lembro nesse momento que, quando uma crise abalou o mundo em 2008, o presidente Lula mandou os bancos públicos baixarem os juros, zerou o IPI da linha branca e foi pra televisão incentivar o consumo.

Enquanto isso, o José Serra, que se diz um excelente economista, dizia em reunião secreta que essas medidas seriam uma tragédia, e o certo seria o oposto, ou seja, a receita seria a que Macri adotou na Argentina.

Resultado da política do Lula: a indústria brasileira cresceu em meio à crise mundial, o emprego formal aumentou e o Brasil simplesmente não sentiu a crise que balançava a economia no mundo, ou, no mínimo, foi o último a sentir os efeitos e o primeiro a sair dela, como dizem especialistas. E a receita foi simples: enquanto o mundo capitalista geria sua economia baseado no poder especulativo do capital, Lula geria o país baseado em pessoas.

Nesse momento, é só olharmos para o lado que veremos a campanha do Macri, seus discursos e promessas, sua reforma da Previdência aprovada embaixo de cassetete e o resultado hoje, a absoluta bancarrota Argentina.

Precisaremos chegar ao fundo do poço onde estão nossos vizinhos ou conseguiremos aprender com os erros aqui do lado e fazer algo antes que seja tarde?