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Artigo

Dia mundial do meio ambiente: um dia de luta e denúncia

Publicado: 05 Junho, 2019 - 00h00 | Última modificação: 06 Junho, 2019 - 12h15

Cada vez com menos motivos para comemorar, falar na defesa do meio ambiente no Brasil tem se tornado uma denúncia constante de ataques e retrocessos desde o golpe em 2016, situação que se torna mais preocupante assim que inicia o governo Bolsonaro. Este intensificou os ataques usando de um discurso ultraconservador em contra de uma suposta “ideologia do marxismo cultural” que está fazendo o país caminhar para o atraso.

Ataque aos direitos de brasileiros é a definição de um mandato que em seis meses concentrou suas ações, em todas as áreas, na redução da proteção e garantias de direitos duramente conquistados na democracia, tendo foco ainda maior na desestruturação das políticas de educação, saúde, trabalho e o meio ambiente.

Todas elas se conectam de alguma forma e estão sendo desmanteladas com o fim de beneficiar setores econômicos e financeiros que buscam a obtenção de lucro a partir da mercantilização dos nossos direitos. Os principais favorecidos são o setor da mineração, responsável pelos maiores crimes ambientais da história do país, o agronegócio que envenena nossas águas, adoece trabalhadores e trabalhadoras e acaba com a rica biodiversidade do território, as empresas de “gestão” e mercantilização da água que avançam no controle privado de nossos recursos hídricos. Não podemos esquecer dos benefícios fiscais que estes setores ganham apesar de provocar perdas econômicas, ambientais e sociais.

Na área ambiental a lista de flexibilização de normas para favorecer a impunidade tem ficado longa desde o início do ano. O apequenamento do Ministério de Meio Ambiente que impede a formulação de políticas e fiscalização por parte da pasta, a flexibilização de processos de multas ambientais que favorecem infratores, disputa por privatizar o serviço público de saneamento e a nossas águas, assim como a aprovação de mais de 197 novos agrotóxicos nos apontam um Brasil cada vez mais adoecido e empobrecido.

Dentro desse contexto a Amazônia ganha especial foco de interesse do capital internacional. Muitas destas flexibilizações buscam facilitar a apropriação de bens naturais, ricos em biodiversidade presentes nestes territórios que têm sido historicamente protegidos por povos e populações tradicionais, agricultores(as) familiares, indígenas, quilombolas, pescadores artesanais e ribeirinhos, que vivem na Amazônia, assim como viveram seus antepassados.

Num momento que o mundo sofre transformações referentes às formas do trabalho e se adapta para enfrentar os impactos de um modelo insustentável de desenvolvimento, o Brasil regride, e se encontra cada vez menos preparado para enfrentar os desafios dessa nova conjuntura, sem educação que prepare novas gerações, trabalhadores cada vez mais desprotegidos e destruição do meio ambiente.

A resistência e luta contra o retrocesso continua, pela defesa das terras, das florestas, das águas e da vida, contra as medidas retrógradas do governo brasileiro de ataque aos bens comuns e a destruição dos direitos da classe trabalhadora.