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Anhanguera Educacional S/A: Multinacional do ensino demite em massa

Escrito por: José Jorge Maggio, presidente do Sinpro-ABC

02/02/2012

 


Após a aquisição de universidades, Anhanguera demite 384 professores somente no ABC. A situação é a mesma em todas as regiões e estados onde o grupo se instalou isto é demissões em massa.

Desde que adquiriu universidades na região do ABC, a Anhanguera iniciou um verdadeiro ataque e desrespeito aos professores do grupo. Em dezembro, cerca  de 384 demissões foram realizadas nas cinco instituições que compõem a  Anhanguera Educacional S/A na região: Faculdade Anchieta, Faenac, Uni A, Uni ABC e Uniban.

De  acordo com a Federação  dos Professores de São Paulo, a Fepesp, o  cenário é o mesmo em todas as cidades do estado de São Paulo onde a Anhanguera fez aquisições, totalizando cerca de 1500 professores. Nos demais Estados como RS, MT onde o grupo fez aquisições, o cenário se repete.

A prática mais equivocada e desrespeitosa foi desligar mestres e doutores,  que após buscarem aprimoramento profissional para melhorar a qualidade do trabalho, não receberam em troca o reconhecimento, mas, sim, a demissão. No lugar desses professores com títulos, a Anhanguera pretende substituí-los por professores graduados  por um valor de hora/aula bem inferior. Segundo a Fepesp, do total  de demitidos, entre 70 e 80% eram mestres ou doutores.

No modelo Anhanguera, há aulas de segunda a quarta- feira com a presença do professor  nas três primeiras aulas e, a quarta aula é apenas aplicação de exercícios, que são preparados por professores e aplicados por monitores de sala. Na quinta feira não há obrigatoriedade de presença na faculdade e, na sexta feira o curso é complementado  pelo modelo EAD (20% do curso à distância). Assim, no modelo desta multinacional, uma faculdade que tem  20 aulas por semana com a presença do professor,  após ser comprada pelo grupo Anhanguera, passa a ter apenas nove aulas e isso explica as demissões em massa, com recontratação quase nula.

É dessa forma que a Anhanguera Educacional S/A consegue oferecer seus cursos a preços muito baixos, quando comparados com as demais instituições de ensino superior, lembrando que muitos alunos têm financiamento de seus curso com verba publica (FIES e PROUNI). Outra prática desse grupo é a utilização das bolsas de valores para comercializar sua ações que rendem milhões ao ano, constituindo-se assim no maior grupo educacional da América Latina e o segundo maior do mundo.

Em artigo publicado pelo jornal Le Monde Diplomatique Brasil, a presidente do SINPRO Guarulhos, Andrea Harada Souza, sintetiza: “Enquanto não houver uma mudança radical, o próprio sentido de educação estará comprometido, posto que seu fim mais elementar não é atingido: em vez de promover a emancipação humana, produz lucro para o capital que só enxerga as camadas sociais C, D e E quando estas se apresentam como potencial mercado consumidor”.

EDUCAÇÃO NÃO PODE SER MERCADORIA!

"A Educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tão pouco a sociedade muda"   Paulo Freire

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