CUT NACIONAL > PUNTO DE VISTA > COVARDIA DUPLA
28/01/2012
A desocupação da comunidade do Pinheirinho, que na última segunda-feira, 23, ainda resultava em ações violentas da PM e GCM de São José dos Campos, é resultado de mais uma covardia do governo de São Paulo, um governo marcado pela intransigência e violência. Assim é o governo Alckmin. Da mesma forma que fez com os professores – descumprindo a lei 11.738/08 que trata da composição da jornada de trabalho e até mesmo a liminar concedida à Apeoesp –, o governador tucano também havia feito acordo para buscar, nos próximos quinze dias, um entendimento no caso de Pinheirinho e evitar a ação policial. Não cumpriu.
A existência do acordo foi revelada pelo senador Eduardo Suplicy e o deputado federal Paulo Teixeira, líder do PT na Câmara Federal à revista Fórum. Segundo eles, havia uma negociação em curso tanto com o governador quanto com o prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury, que também é do PSDB. Alckmin teria dito que enviara muitos assistentes sociais para o local e que a ocupação seria “absolutamente pacífica”. Mas, às 6h de domingo, a área onde vivem cerca de 10 mil pessoas desde 2004 foi cercada pelos policiais, tendo início um confronto que já havia resultado em 30 prisões até a madrugada de segunda e pelo menos uma pessoa ferida a bala. Moradores do local também falam em desaparecidos, pessoas feridas com balas de borracha e um bebê que teria morrido em consequência da aspiração dos gases tóxicos. Além de armas a Polícia usou bombas de gás lacrimogêneo, gás pimenta, helicópteros e carros blindados.
A área do Pinheirinho pertence à massa falida da Selecta, de Naji Nahas, um empresário acusado, entre outras coisas, de manipular a valorização de seus bens realizando negócios consigo mesmo, via laranjas ou corretores e a partir de dinheiro obtido em grandes instituições financeiras. A violência consentida teve repercussão imediata: na mesma tarde de domingo em que a polícia forçava a reintegração de posse, manifestantes reuniam-se no vão do Masp da avenida Paulista para protestar contra a ação. Afinal, expulsar pessoas pobres de suas casas de forma tão truculenta é uma imensa covardia. Tanto pior, porém, é a atitude covarde dos que poderiam ter evitado o confronto e, por omissão, desinteresse ou sabe-se lá quais interesses, não o fizeram.
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