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Bolsonaro e a ideologia fascista: duas faces da mesma moeda!

Escrito por: José Celestino Lourenço, secretário Nacional de Formação e Maria Julia Reis Nogueira, secretária Nacional de Combate ao Racismo

31/03/2011

Uma das características do regime fascista que, infelizmente marcou a história da humanidade no Séc. XX era a obsessão por construir uma sociedade branca, constituída por pessoas “extremamente cultas” a partir da qual se pudesse comprovar cientificamente a crença na existência de uma raça superior, pura, a denominada raça ariana.

Essa estúpida crença levou Hitler e seus seguidores a perseguir na Alemanha e em grande parte do território europeu, todos aqueles que, na avaliação do regime fascista, representavam uma ameaça a constituição da pura raça ariana: Judeus, Negros, e até pessoas (entre elas crianças) que apresentavam alguma deficiência. Tudo em nome da louca obsessão do homem e da mulher perfeitos: brancos, olhos claros, bem educados, para os quais o Estado deveria garantir as melhores condições de desenvolvimento econômico e social.

Infelizmente, em pleno Séc. XXI, a humanidade não está livre dessa tamanha estupidez, que alimenta o preconceito, o ódio e a intolerância na sociedade. Como se não bastasse à onda de manifestações dessa natureza durante o último pleito eleitoral, aonde uma jovem chegou a pregar “morte aos nordestinos”; os atos de violência a que são submetidas mulheres, negros e homossexuais, eis que surge um tal de Deputado Bolsonaro (cujas posições já são bem conhecidas) e declara ao vivo em um programa de TV, quando perguntado o que faria se um de seus filhos se apaixonasse por uma mulher negra: "Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu."

Expressão de preconceito e racismo extremo cuja intenção foi deixar bem claro que ele não tolera diferenças e opções. Pior, é saber que ele educou seus filhos com tal ideologia! Mais grave ainda, é perceber entre as manifestações nos fóruns de debates virtuais, o número de pessoas que, por ingenuidade ou crença mesmo, apóiam a posição deste indivíduo, que não esconde a sua simpatia pelo regime militar que perdurou no Brasil por mais de 20 anos e em nome da “defesa dos interesses nacionais” torturou, matou, perseguiu aqueles que lutavam em defesa da justiça social e da democracia.

Bolsonaro é a expressão mais acabada de uma camada privilegiada da sociedade que desfrutou das benesses da ditadura militar e por esta razão morre de saudade dos seus generais. Um indivíduo que deve ter sido criado em uma redoma de vidro, isento do sofrimento de milhões de brasileiros/as que clamavam por justiça, comida, igualdade, condições dignas de vida, respeito às diferenças, democracia e, sobretudo liberdade de expressão. Tudo para o qual o fascismo também dava as costas e combatia com a intenção de exterminar.

O preconceito e o racismo expresso por Bolsonaro, não é somente contra os negros, as mulheres e os homossexuais. Revela uma posição de classe, uma concepção contra os pobres já que relaciona “promiscuidade” com o “ambiente lamentavelmente” em que vivem de onde a protagonista desta história – Preta Gil- é oriunda.

Aí reside a relação orgânica do pensamento de Bolsonaro com o fascismo. Esta postura de Bolsonaro, somada as atitudes preconceituosas também no esporte, cujo caso mais recente foi a casca de banana que a torcida da Escócia jogou em ofensa ao jogador Neymar no último domingo (27/04), dão a dimensão da relevância da agenda prevista neste ano em alusão ao Ano Internacional dos Afrodescentes proposto pelas Nações Unidas.

Devemos estar alertas e intensificar nossa luta contra a propalada teoria da democracia racial, que orienta os que se colocam contra todas as políticas públicas que têm como perspectiva promover a igualdade. Neste contexto, ganha relevância também, as ações em parceria entre Governo e Sociedade Civil Organizada no desenvolvimento de ações de combate ao racismo, ao preconceito e a intolerância, características fascistas que podem contaminar a nossa juventude. Neste sentido, combater as concepções e posturas de Bolsonaro é como combater um vírus. Não se pode dar trégua, pois quando parece estar eliminado, ressurge com mais intensidade. É só vermos a sua petulância em continuar afirmando que está “se lixando para os gays”.

Bolsonaro, como parlamentar que é, tem consciência que racismo é crime inafiançável e imprescritível. Por isso, é que exigimos que a Câmara dos Deputados abra de imediato um processo contra este vírus Bolsonaro, por quebra de decoro, desrespeito a Constituição e estímulo ao racismo e ao preconceito.

Tal medida deve ter por objetivo demonstrar à sociedade que o parlamento brasileiro, se constitui efetivamente em um espaço de expressão e do respeito à igualdade, à diversidade e da observação da justiça. Caso contrário, outros parlamentares podem se achar no direito de expressarem também suas concepções preconceituosas em relação às mulheres, negros e homossexuais. Basta lembrarmos o senador Demóstenes do DEM/GO, que em abril do ano passado durante a audiência pública no Supremo Tribunal Federal, afirmou que no período da escravidão no Brasil não houve estupro das negras escravas pelos senhores brancos e sim relações consentidas. A omissão da Câmara nestes casos pode colocar em xeque o papel do parlamento e dos parlamentares no combate ao racismo e a xenofobia no país.

Que todos àqueles que lutam pela democracia, por uma sociedade com justiça social, liberdade de expressão e respeito às diferenças se mobilizem e demonstrem a sua indignação contra a persistência do pensamento fascista na sociedade brasileira.

 

 

 

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