CUT NACIONAL
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PONTO DE VISTA
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SEM ESSA DE AUMENTAR JUROS E DIMINUIR O ESTADO
Sem essa de aumentar juros e diminuir o Estado
24/02/2010
Nem
a crise que abalou os Estados Unidos e Europa e que se alastrou pelo mundo, com
impactos diferenciados entre países e regiões, faz com que os defensores das
políticas neoliberais desistam de atacar as conquistas do processo brasileiro
de retomada do Estado como indutor do crescimento.
Há
duas notícias que vêm ganhando espaço em parte da imprensa, esta que em grande
parte é sustentada por esses sanguessugas do mercado.
A
primeira dessas notícias é a velha cantilena de que é preciso aumentar os juros
para controlar a inflação, como se nós estivéssemos vivendo uma conjuntura de
inflação de demanda - o que evidentemente não é o caso - e de que o único
instrumento de política macroeconômica para coibir o suposto aumento da
inflação seria a elevação da taxa básica de juros.
Devemos
lembrar que as previsões do próprio Banco Central e até mesmo dos consultores
de mercado para a inflação 2010 são de que ela deve ficar dentro da margem
prevista pela meta oficial.
Outro
detalhe importante é que se há algum tipo de pressão inflacionária, isso se dá
por intermédio dos preços não controlados, como planos de saúde, mensalidades
escolares e tarifas de transporte público, o que mostra, isso sim, a
necessidade de estabelecermos mecanismos para coibir a ganância dos empresários
pelo lucro fácil e rápido.
Além
disso, o que as aves de rapina do mercado querem mesmo é lucrar com o aumento
da dívida pública. Não podemos esquecer que os títulos dessa dívida pertencem a
apenas 0,04% das famílias brasileiras. Cada aumento da taxa básica de juros
eleva a remuneração desses títulos.
A
outra cantilena que quer voltar ao noticiário é a velha e cansada,
irresponsável, campanha que vem sendo realizada por jornais e a revista Veja,
que querem a redução dos investimentos na reconstrução do Estado brasileiro,
que foi destruído ao longo dos anos 1990.
Frases
como "aumento absurdo de gastos com servidores", ou "inchaço da
máquina" contrastam com qualquer análise séria e responsável de quem
defende o papel do Estado como indutor do desenvolvimento.
O
número de servidores por habitante no Brasil está abaixo dos países que compõem
o G-20 - atenção para o detalhe de que o G-20 é um bastião do capitalismo - e
também não acompanhou o crescimento demográfico do País nos últimos 30 anos.
Temos
um longo caminho a percorrer para a necessária construção do Estado e do
serviço público que os neoliberais destruíram.
E
aqui vai um alerta a alguns integrantes do governo Lula que teimam em querer
aprovar um projeto que limita os investimentos públicos com a folha de
pagamento dos servidores, na intenção de sinalizar ao mercado que há
preocupação com responsabilidade fiscal. Exigimos é responsabilidade social.
Artur é presidente da CUT, e Pedro Armengol, um dos coordenadores do Escritório de Brasília