CUT NACIONAL > PONTO DE VISTA > DESENVOLVIMENTO E TAXA DE JUROS
17/03/2010
É necessário enfrentar a taxa de juros para podermos estabelecer um padrão de desenvolvimento baseado no investimento que gera trabalho, produção, consumo, distribuição de renda e equilíbrio social.
Vivemos em um período inédito, em termos históricos. O país cresce e a inflação está relativamente baixa para nossos padrões passados. Nesse quadro, estamos tendo a oportunidade histórica de deixarmos de ser o país dos rentistas (que ganham com a especulação financeira), trazendo os juros para patamares internacionais de 1% a 2%, contra os 8,75% atuais da taxa Selic, para sermos um dos países que mais crescem com investimento na produção.
O impacto da taxa Selic sobre a economia brasileira é devastador. Se analisarmos que cada ponto reduzido da Selic representa uma economia de R$ 15 bilhões na dívida pública a cada ano e multiplicarmos pelos atuais 8,75%, poderíamos ter uma economia de R$ 131 bilhões ano. Recursos esses que poderiam ser dirigidos ao investimento produtivo, à pesquisa, inovação tecnológica, agricultura, saúde, educação, entre tantas outras necessidades e prioridades.
As elevadas taxas de juros em nosso país desvirtuam a atividade econômica, com os bancos passando a ser corretores da dívida pública, em detrimento do investimento produtivo. A retórica das autoridades monetárias de que a taxa de juros é instrumento de controle da inflação precisa ser superada.
Uma maior taxa de juros desanimaria o agente econômico ao investimento produtivo pelo incentivo do ganho financeiro fácil e sem risco. Os limites da capacidade de produção industrial próximos aos da capacidade de consumo precisam ser encarados como desafios e metas de crescimento equilibrado e sustentável de longo prazo e não como ameaça inflacionária.
Perseguir o desenvolvimento é gerar maior capacidade de ação para o Estado. Um dos aspectos essenciais é enfrentar com determinação a dívida pública e a taxa básica de juros que a remunera. Uma redução da atual taxa de juros para padrões internacionais liberaria o correspondente a 2% do PIB de folga fiscal no orçamento público.
Combater a inflação é um imperativo macroeconômico. Entretanto, são necessárias outras políticas econômicas na medida em que os juros, em vez de remédio, podem representar um veneno contra o desenvolvimento.
Portanto, trata-se de uma luta central para a perspectiva de crescimento e do desenvolvimento, para uma mudança radical de uma economia assentada na especulação financeira, no rentismo para uma economia assentada na produção, geração de trabalho e na distribuição de renda e riqueza.
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