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Seca no nordeste: Fetape solicitará ao governo federal anistia das dívidas de agricultores

Federação também pleiteará que o Executivo facilite o acesso a novos créditos

Escrito por: Kleber Nunes - Folha de Pernambuco • Publicado em: 14/01/2013 - 15:07 Escrito por: Kleber Nunes - Folha de Pernambuco Publicado em: 14/01/2013 - 15:07

Como se já não bastasse o sofrimento com a falta de água, perda da produção e morte dos animais, o trabalhador rural ainda é martirizado pelo acúmulo de dívidas. Muitos contraíram financiamentos bancários que foram perdidos com a pior estiagem dos últimos 40 anos. Por não terem de onde tirar o sustento, e muito menos o dinheiro para honrar as dívidas, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Pernambuco (Fetape) vai entrar com um pedido de anistia de todos os débitos junto ao Governo Federal.

De acordo com o presidente da Fetape, Doriel Barros, no próximo mês a federação vai entregar um plano de ações que deverá ser tomado pelos executivos municipais, estaduais e também pela União, para garantir a retomada da produção, principalmente, dos trabalhadores da agricultura familiar. Dentro desse documento, que será enviado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, constará o pedido de perdão das dívidas. Os débitos variam de R$ 8 mil a R$ 15 mil por produtor rural.

“Todo financiamento adquirido pelos trabalhadores e aplicado na produção deste ano foi perdido. Ninguém tem condições de pagar. Além de o Governo Federal assegurar a liquidação e o perdão dessas dívidas, vamos pleitear também que o Executivo facilite o acesso a novos créditos”, declarou Barros.

Na opinião do professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e pós doutor em Economia Agrícola, Tales Vital, a anistia das dívidas é o mínimo que o Governo tem que fazer. “A economia da agricultura familiar ou empresarial é muito frágil. A atividade agrícola se dá uma ou duas vezes por ano, ou seja, tem um retorno muito baixo em comparação com outras atividades econômicas. Justamente por ser tão frágil em todo o mundo, a agricultura é subsidiada”, explicou.

O professor salientou ainda a baixa renda proveniente da agricultura familiar. Segundo Vital, um produtor tem um faturamento médio de R$ 350 por mês. “Isso se nós somarmos a renda obtida da produção com a decorrente de políticas compensatórias, como o Bolsa Família. Em casos como esse de seca, o trabalhador rural perde tudo, inclusive a sua poupança, que são os animais”, argumentou Vital.

Em 2008, o Governo Federal perdoou a dívida dos produtores de frutas devido à forte crise que atingiu o setor. “Nesse período tivemos uma queda grande na exportação de frutas. A União deu todo o apoio necessário, incluindo anistia de dívidas e outras ações, para que os trabalhadores ao menos voltassem a produzir”, relembrou Vital.

Diante do cenário trágico e contando com o retrospecto, o presidente da Fetape, Doriel Barros, acredita que o Governo não vá se negar a conceder o perdão das dívidas dos agricultores. “A permanência do trabalhador no campo depende desse gesto generoso e justo do Ministério de Desenvolvimento Agrário, e os estados dependem da produção do agricultor”, disse.

Título: Seca no nordeste: Fetape solicitará ao governo federal anistia das dívidas de agricultores, Conteúdo: Como se já não bastasse o sofrimento com a falta de água, perda da produção e morte dos animais, o trabalhador rural ainda é martirizado pelo acúmulo de dívidas. Muitos contraíram financiamentos bancários que foram perdidos com a pior estiagem dos últimos 40 anos. Por não terem de onde tirar o sustento, e muito menos o dinheiro para honrar as dívidas, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Pernambuco (Fetape) vai entrar com um pedido de anistia de todos os débitos junto ao Governo Federal. De acordo com o presidente da Fetape, Doriel Barros, no próximo mês a federação vai entregar um plano de ações que deverá ser tomado pelos executivos municipais, estaduais e também pela União, para garantir a retomada da produção, principalmente, dos trabalhadores da agricultura familiar. Dentro desse documento, que será enviado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, constará o pedido de perdão das dívidas. Os débitos variam de R$ 8 mil a R$ 15 mil por produtor rural. “Todo financiamento adquirido pelos trabalhadores e aplicado na produção deste ano foi perdido. Ninguém tem condições de pagar. Além de o Governo Federal assegurar a liquidação e o perdão dessas dívidas, vamos pleitear também que o Executivo facilite o acesso a novos créditos”, declarou Barros. Na opinião do professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e pós doutor em Economia Agrícola, Tales Vital, a anistia das dívidas é o mínimo que o Governo tem que fazer. “A economia da agricultura familiar ou empresarial é muito frágil. A atividade agrícola se dá uma ou duas vezes por ano, ou seja, tem um retorno muito baixo em comparação com outras atividades econômicas. Justamente por ser tão frágil em todo o mundo, a agricultura é subsidiada”, explicou. O professor salientou ainda a baixa renda proveniente da agricultura familiar. Segundo Vital, um produtor tem um faturamento médio de R$ 350 por mês. “Isso se nós somarmos a renda obtida da produção com a decorrente de políticas compensatórias, como o Bolsa Família. Em casos como esse de seca, o trabalhador rural perde tudo, inclusive a sua poupança, que são os animais”, argumentou Vital. Em 2008, o Governo Federal perdoou a dívida dos produtores de frutas devido à forte crise que atingiu o setor. “Nesse período tivemos uma queda grande na exportação de frutas. A União deu todo o apoio necessário, incluindo anistia de dívidas e outras ações, para que os trabalhadores ao menos voltassem a produzir”, relembrou Vital. Diante do cenário trágico e contando com o retrospecto, o presidente da Fetape, Doriel Barros, acredita que o Governo não vá se negar a conceder o perdão das dívidas dos agricultores. “A permanência do trabalhador no campo depende desse gesto generoso e justo do Ministério de Desenvolvimento Agrário, e os estados dependem da produção do agricultor”, disse.



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