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Simpósio marca 35 anos da greve dos Metalúrgicos

Evento acontece na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

Escrito por: Érica Aragão • Publicado em: 28/04/2015 - 19:08 • Última modificação: 28/04/2015 - 19:51 Escrito por: Érica Aragão Publicado em: 28/04/2015 - 19:08 Última modificação: 28/04/2015 - 19:51

Banco de Dados/SMABC Lula discursando para os trabalhadores na greve de 1980

Simpósio para relembrar os 35 anos da greve que mudou a história do Brasil foi organizado pela entidade e pela Escola Superior do Ministério Público da União, ESMPU. O ex-metalúrgico, Luiz Inácio Lula da Silva, estará nesta quarta-feira (28) no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, para recontar esta história.

“A greve é estágio da consciência do trabalhador”, disse Luiz Inácio Lula da Silva durante ato dos Metalúrgicos do ABC em 1980.

Em pleno regime militar, no dia 1 de Abril daquele ano, metalúrgicos cruzaram os braços e deram início a um movimento que durou 41 dias. Em assembleia, que reuniu mais de 60 mil metalúrgicos no estádio da Vila Euclides, a categoria decidiu fazer greve em protesto por melhores condições de trabalho. “Foi a greve do amadurecimento da consciência política, de luta e do espírito da classe trabalhadora”, afirma Rafael Marques, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Na década de 80 estavam crescendo os protestos contra as repressões da ditadura militar, foi momento de luta e resistência em defesa dos trabalhadores.

O ato teve fortes resistências dos patrões e do governo. A FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) divulgava mensagens dizendo que os dias parados seriam descontados e que, depois da decisão do Tribunal, não haveria mais negociações. O governo decreta intervenção militar nos sindicatos de São Bernardo e Santo André no qual dirigentes e militantes foram presos.  “A paralisação foi um divisor de águas, que estabeleceu um novo ciclo nas relações capital e trabalho”, afirmou o atual secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, o Wagnão.  

Na grande mídia as notícias da greve foram totalmente manipuladas. O Governador na época, Paulo Maluf, deu declarações que estava tudo absolutamente normal. Mas o boca a boca e a comunicação alternativa, como ABCD Jornal, Jornal Movimentos entre outros, foram os grandes comunicadores oficiais dos trabalhadores. A greve mostrou para o Brasil inteiro que os trabalhadores sofriam repressões do sistema.

“Mais que mostrar a repressão da ditadura, mostrou a disposição de luta da categoria combativa”, afirma Augusto Portugal, que na época era secretário Geral do Fundo de Greve.  “O Fundo foi um instrumento importante que manteve a greve e que gerou solidariedade na categoria e fora dela.”, afirma Augusto. Sociedade civil, movimentos populares e sociais se organizaram fora do ambiente sindical para ajudar na luta dos trabalhadores. A Matriz em São Bernardo do Campo também teve um papel fundamental na organização da greve, pois depois que o sindicato foi interditado a igreja abriu as portas para realizar assembleias e reuniões e inclusive ajudou na arrecadação de verbas e alimentos para o fundo.

Em entrevista para Luiz Nassif, o cientista político Eduardo Noronha afirma que o ciclo brasileiro de paralisações comportou-se vinculada às características e ao processo de transição política brasileira para a democracia. “As greves, claro, tinham uma dimensão política, mas não partidária. Os trabalhadores queriam um novo status na sociedade brasileira”, destaca ele.

Em 11 de maio, numa assembleia-geral dentro da igreja Matriz de São Bernardo do Campo, os trabalhadores decidiram pelo retorno ao trabalho.  Apesar de não terem conseguido negociar nenhuma das 27 reivindicações da categoria, a maior conquista foi a organização e a consciência da classe trabalhadora. “O Brasil nunca mais foi o mesmo depois da greve de 1980”, finaliza Augusto.

Título: Simpósio marca 35 anos da greve dos Metalúrgicos, Conteúdo: Saiba Mais O papel das greves na redemocratização brasileira Simpósio para relembrar os 35 anos da greve que mudou a história do Brasil foi organizado pela entidade e pela Escola Superior do Ministério Público da União, ESMPU. O ex-metalúrgico, Luiz Inácio Lula da Silva, estará nesta quarta-feira (28) no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, para recontar esta história. “A greve é estágio da consciência do trabalhador”, disse Luiz Inácio Lula da Silva durante ato dos Metalúrgicos do ABC em 1980. Em pleno regime militar, no dia 1 de Abril daquele ano, metalúrgicos cruzaram os braços e deram início a um movimento que durou 41 dias. Em assembleia, que reuniu mais de 60 mil metalúrgicos no estádio da Vila Euclides, a categoria decidiu fazer greve em protesto por melhores condições de trabalho. “Foi a greve do amadurecimento da consciência política, de luta e do espírito da classe trabalhadora”, afirma Rafael Marques, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Na década de 80 estavam crescendo os protestos contra as repressões da ditadura militar, foi momento de luta e resistência em defesa dos trabalhadores. O ato teve fortes resistências dos patrões e do governo. A FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) divulgava mensagens dizendo que os dias parados seriam descontados e que, depois da decisão do Tribunal, não haveria mais negociações. O governo decreta intervenção militar nos sindicatos de São Bernardo e Santo André no qual dirigentes e militantes foram presos.  “A paralisação foi um divisor de águas, que estabeleceu um novo ciclo nas relações capital e trabalho”, afirmou o atual secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, o Wagnão.   Na grande mídia as notícias da greve foram totalmente manipuladas. O Governador na época, Paulo Maluf, deu declarações que estava tudo absolutamente normal. Mas o boca a boca e a comunicação alternativa, como ABCD Jornal, Jornal Movimentos entre outros, foram os grandes comunicadores oficiais dos trabalhadores. A greve mostrou para o Brasil inteiro que os trabalhadores sofriam repressões do sistema. “Mais que mostrar a repressão da ditadura, mostrou a disposição de luta da categoria combativa”, afirma Augusto Portugal, que na época era secretário Geral do Fundo de Greve.  “O Fundo foi um instrumento importante que manteve a greve e que gerou solidariedade na categoria e fora dela.”, afirma Augusto. Sociedade civil, movimentos populares e sociais se organizaram fora do ambiente sindical para ajudar na luta dos trabalhadores. A Matriz em São Bernardo do Campo também teve um papel fundamental na organização da greve, pois depois que o sindicato foi interditado a igreja abriu as portas para realizar assembleias e reuniões e inclusive ajudou na arrecadação de verbas e alimentos para o fundo. Em entrevista para Luiz Nassif, o cientista político Eduardo Noronha afirma que o ciclo brasileiro de paralisações comportou-se vinculada às características e ao processo de transição política brasileira para a democracia. “As greves, claro, tinham uma dimensão política, mas não partidária. Os trabalhadores queriam um novo status na sociedade brasileira”, destaca ele. Em 11 de maio, numa assembleia-geral dentro da igreja Matriz de São Bernardo do Campo, os trabalhadores decidiram pelo retorno ao trabalho.  Apesar de não terem conseguido negociar nenhuma das 27 reivindicações da categoria, a maior conquista foi a organização e a consciência da classe trabalhadora. “O Brasil nunca mais foi o mesmo depois da greve de 1980”, finaliza Augusto.



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