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Cúpula Social do Mercosul repudia golpe contra Lugo e defende a integração produtiva e social da região

28/06/2012

Representantes de movimentos sindicais e sociais estão reunidos na Argentina, discutindo estratégias de desenvlvimento para países membros do bloco regional

Escrito por: Marize Muniz

 

“Enquanto um cidadão paraguaio tem cinco dias para fazer sua defesa por uma multa de trânsito, o presidente Lugo teve apenas 30 horas para sua defesa, e ainda dizem que não foi um golpe".

Com esta frase, o presidente da CUT, Artur Henrique, iniciou sua palestra nesta quarta-feira (27), na Cúpula Social do Mercosul, que está sendo realizada na província argentina de Mendonza.

Estão participando da Cúpula Social cerca de 900 representantes de movimentos sociais e sindicais do Brasil, da Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Equador, Chile e Venezuela – países que fazem parte do Mercosul.

Em todos os discursos, representantes da sociedade civil e sindicalistas repudiaram o golpe parlamentar contra o presidente Fernando Lugo, e manifestaram sua total solidariedade ao povo paraguaio, que vive dias de tensão e incerteza.

"Hoje somos todos Paraguai para defender a democracia", disse Oscar Laborde, coordenador do Conselho Consultivo do Ministério das Relações Exteriores da Sociedade Civil da Argentina, sendo acompanhado por todos os outros participantes da Cúpula.

Trabalho e Inclusão Social no Mercosul

O presidente da CUT, Artur Henrique, participou do painel “Trabalho e Inclusão no Mercosul – Uma Integração centrada nos povos”.

Segundo Artur, o grande desafio de curto e médio prazo dos países do Mercosul é se articular conjuntamente para enfrentar os efeitos da crise econômica mundial cada vez mais presente na região.

As resistências da União Europeia e dos Estados Unidos em assumir uma agenda desenvolvimentista, disse ele, demonstra que continuarão a proteger o sistema financeiro e a tentar transferir a crise para os países em desenvolvimento e mais pobres. Na avaliação do dirigente, a postura dos chefes de Estado durante a Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada na semana passada no Rio de Janeiro, mostrou que eles estão cada vez mais dispostos a transferir para esses países o custo da destruição ambiental que suas indústrias produziram.

“É preciso que tenhamos clareza de que as crises não são solucionadas com orientação do FMI e do Banco Mundial e de que os países do Mercosul devem assumir uma postura de bloco nos fóruns e organismos multilaterais para pressionar para que as decisões visem a reforma dos atuais sistemas financeiros, controle e taxação da especulação financeira, prioridade de investimentos públicos e programas de apoio ao desenvolvimento sustentável”, apontou Artur .

Ainda citando os debates e os resultados da Rio+20, o presidente da CUT disse que “as variáveis social e ambiental têm de estar acima dos interesses econômicos de curto prazo. E como deixamos claro na Cúpula dos Povos da Rio+20, a agenda do movimento sindical é muito clara: Não alcançaremos um desenvolvimento sustentável se não tivermos trabalho decente, direitos garantidos e justiça social e ambiental”, argumentou Artur.

Para ele, o golpe no Paraguai demonstra a necessidade de enfatizar o lado político do bloco e, como tal, que devem ocupar o lugar de destaque dessa Cúpula Social. Porém, afirmou, não se pode deixar de tratar dos problemas econômicos e produtivos que o Mercosul enfrenta e que se agravaram no último ano.

“É preciso ter vontade política, debater no Mercosul não apenas a integração produtiva, mas, também, a social. E nós temos que ter muita unidade para alcançarmos um desenvolvimento sustentável e integração de nossa região, onde os povos têm de ser o centro”.

Artur falou, ainda, da necessidade de fortalecer o Mercosul e seus organismos, e das contrapartidas sociais que precisam ser exigidas em todos os empréstimos feitos por bancos públicos à iniciativa privada.   

“Não pode ter liberação de dinheiro público para empresas que não respeitam  direitos conquistados pela classe trabalhadora, que impedem a organização no local de trabalho e se negam a negociar com os representantes dos trabalhadores. Temos de fortalecer também a participação social”, disse o dirigente CUTista.

 


 

 

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