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Trocar o imposto pela contribuição negocial, aprovada em assembleia, vai fortalecer o movimento sindical

06/02/2012

Artigo de Artur Henrique, presidente da CUT, publicado na Folha

Escrito por: Artur Henrique, presidente da CUT

Neste ano, a CUT vai levar até as bases a sua luta por liberdade e autonomia sindical. A ideia é discutir alternativas democráticas de organização e dialogar com o trabalhador sobre os vícios da atual estrutura sindical brasileira, que permite a criação de sindicatos fantasmas.
 
Além de ir até os locais de trabalho, vamos fazer campanhas publicitárias em rádios e TVs e um plebiscito sobre o fim do imposto sindical. A campanha entra no ar em março, mês em que todos os trabalhadores formais do país têm um dia de salário descontado por conta desse tributo compulsório.
 
Movimento sindical forte não significa número de sindicatos. Significa representatividade e pressão nas negociações. Para fortalecer a negociação, é fundamental fortalecer os sindicatos, torná-los atuantes, com trabalho de base. Ou seja, é preciso acabar com os sindicatos de gaveta. O fim do imposto é determinante para isso.
 
Nesse sentido, defendemos a substituição do imposto por uma taxa negocial que deve ser definida nas assembleias das categorias, após as negociações salariais e de condições de trabalho.
 
Para nós, a liberdade de o trabalhador decidir se e como quer sustentar financeiramente o seu sindicato fortalece os sindicatos combativos, representativos e com poder de negociação.
 
Mais do que isso: acaba com os sindicatos de fachada -criados apenas porque, para alguns sindicalistas, trata-se de um negócio lucrativo que não demanda esforços.
Desde 2008, quando foi publicada a lei 11.648, que reconheceu formalmente as centrais sindicais, o ritmo de criação de sindicatos aumentou ainda mais.
 
Isso porque, pela lei, para ser reconhecida e ter direito a 10% do total arrecadado via imposto sindical, a central tem de atingir um índice 7% de representatividade. Para abocanhar parte dos recursos, algumas centrais pulverizaram ainda mais a base dos trabalhadores, criando centenas de sindicatos.
 
Só em 2011, o Ministério do Trabalho e Emprego recebeu 1.207 pedidos de registros de sindicatos. O total de sindicatos com registro pulou para 14.204, sendo 9.815 de trabalhadores. Se o imposto acabar, muitos fecharão as portas, pois não representam ninguém.
 
O fato é que o Brasil está indo na contramão do sindicalismo internacional. Na Europa e nos Estados Unidos, sindicatos combativos, como os dos metalúrgicos, dos siderúrgicos e dos químicos, estão discutindo a unificação com outras categorias profissionais para fortalecer o poder de negociação e de ação sindical.
 
Para a CUT, só com liberdade e autonomia sindical é possível construir entidades realmente representativas e preparadas para enfrentar os desafios da negociação coletiva e do contrato coletivo nacional por ramo de atividade.
 
No entanto, isso só será possível com a extinção do imposto, com liberdade e autonomia para que os trabalhadores decidam quanto querem pagar.
É necessário também aprovar uma lei que proíba práticas antissindicais, assim como convencer os trabalhadores sobre a importância de se sindicalizar nos locais onde os empresários proíbem ou dificultam a entrada de sindicalistas, como na construção civil e na comércio etc.
 
É por isso que a CUT luta pela ratificação da convenção 87 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que garante a liberdade e a autonomia sindical.
Isso significa que o trabalhador pode decidir em que sindicato quer se organizar e quanto vai contribuir para manter o seu sindicato. Ele também poderá escolher qual federação, qual confederação e qual central quer que o represente nas negociações nacionais. Essa é uma bandeira histórica da CUT. Por ela, estamos dispostos a ir para o enfrentamento. A luta é pela liberdade de expressão e de associação.

 

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  • JOSUÉ VIEIRA em 07/02/2012 às 09:28
    VAMOS ACABAR COM A FARA QUE OS SANGUESUGA VAZEM COM O DINHEIRO DO TRABALADOR!!!
    OLÁ,AMIGOS CONCORDO PLENAMENTE COM ESTE PROJETO,PORQUE UMA CONTRIBUIÇÃO FORÇADA NO NOSSO CONTRA CHEQUE,FAZ COM QUE O TRABALHADOR SENTIR NÃO VIVER EM UM PAÍS DEMOCRATICO,MAS DA UMA SENSAÇÃO DE ESTAR VIVENDO EM CUBA.TENHO CERTEZA SE FOR APROVADO ESTES SINDICATOS PARASITAS TERÃO QUE MOSTRAR SERVIÇO PARA CONQUISTAR O TRABALHADOR.PARABÉNS,APOIAMOS ESTA IDEIA.
  • André em 17/05/2012 às 11:02
    SERÁ MESMO?
    Bom dia Companheiros! Respeito muito o trabalho da CUT e sua maravilhosa história de lutas.
    Minha humilde opinião é a seguinte:
    será mesmo que nossos trabalhadores irão contribuir espontaneamente ao sindicatos, mesmo que estes sindicatos sejam atuantes, representativos, combativos?
    Será mesmo que os trabalhadores abraçarão seus sindicatos e queiram sustentá-los com suas participações, opiniões, movimentos e com seu dinheiro (contribuições)?
    Democracia é bem diferente da liberalidade, da libertinagem. Não vejo incompatibilidade entre imposto sindical e democracia, pois, do contrário, VOTO NÃO ERA OBRIGATÓRIO, somente para citar um "paradoxo" da Carta Cidadã.
    Tenho medo em deixar à liberalidade do trabalhador, que quase nunca comparece como deveriam comparecer a qualquer assembléia de seu sindicato (a não ser que tenha churrasco e sorteio de prêmios), a sustentação financeira de uma entidade sindical que gasta muito para se manter atuante.
    Contudo, não tenho uma opinião solidamente formada acerca da extinção do imposto sindical.
    Talvez, talvez, o problema estaria no registro de sindicatos novos, nas assembléias de constituição, e no interesse que os trabalhadores têm sobre aqueles que supostamente lhe representam.
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