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CUT no Fórum Social: Conferência Nacional sobre o sistema financeiro para acabar com caixa preta dos bancos

28/01/2012

Professora aponta necessidade de regulamentação e fiscalização

Escrito por: Luiz Carvalho, de Porto Alegre

 

Professora Maria Madi destacou os bancos que dependem do Banco Central, e dos impostos da população, para continuarem em pé
No quarto dia do Fórum Social Temático (FST), que prossegue em Porto Alegre e região metropolitana da capital gaúcha até domingo (29), dirigentes do ramo

financeiro cutista foram unânimes em apontar a necessidade de discutir e regulamentar o sistema financeiro. Para isso, os bancários citaram mais uma vez a necessidade urgente de uma conferência nacional sobre o tema.Na sede dos Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (Sindbancários-RS), o secretário de comunicação da Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (CONTRAF), Ademir Wiederkehr, lembrou que os bancos são autorizações públicas, mas na atual relação, a sociedade permanece como refém dessas instituições. Opinião compartilhada por Raquel Weber, secretária geral do Sinbancários-RS e presidente em exercício. “As crises de que tantos ouvimos falar são fruto da falta de regulamentação ou da regulamentação equivocada”, disse.

“Não é possível num país como o Brasil o sistema financeira ser regulamentado apenas por resoluções do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional. Não existe uma legislação específica a não ser o artigo 192 da Constituição, que deveria ser regulamentado desde outubro de 1988 e ainda não foi”, complementou Carlos Rocha, diretor da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Rio Grande do Sul (Fetrafi-RS).

Bancos zumbis
A professora e economista Maria Alejandra Madi esmiuçou a relação entre os bancos da Europa no contexto da crise e destacou que atualmente temos um cenário de bancos zumbis no continente. “A crise mostra um sistema financeiro frágil e mostra bancos que sobrevivem às custas da sociedade. Eles dependem de recursos do Banco Central, de troca de títulos com eles e do aumento do capital por parte dessas organizações reguladoras para que sobrevivam. O problema é que a sociedade é quem vai pagar essa conta por meio de impostos”, explicou.

Segundo ela, os balanços dos bancos não são confiáveis e há uma necessidade de regulamentação, mas também de supervisão.”É uma falsa realidade. E se for revelada, o Banco Central teria de intervir. Mas, não vai adiantar apenas uma excelente regulamentação, muito bonita no papel se na dinâmica bancária isso não for cumprido”, acrescentou.

Rocha, Raquel, Wiederkehr e Maria Madi cobraram a realização urgente de uma conferência nacional do ramo financeiroMenos para a saúde e educação, mais para os bancos - Maria Alejandra comentou ainda que norteia as discussões o FST por conta da ameaça da democracia e da cidadania. “O que muitos governos estão fazendo? Para proteger o sistema financeiro, muitos estão cortando gastos com educação, saúde, investimentos e isso vai diminuindo empregos, ameaçando essa noção de cidadania, de você ter acesso à direitos conquistados ao longo de décadas. Isso já vai aparecendo na imprensa, mesmo a mais conservadora.”


E deu um recado aos sindicalistas. “Os direitos que foram conquistados não estão garantidos. Os conflitos sociais criam tensões, mas como resolver isso diante desse quadro que está favorecendo as elites financeiras? É um desafio.”

A economista também abordou a atuação dos bancos públicos que muitas vezes agem como as instituições privadas, com as mesmas taxas e juros e com claro desrespeito ao consumidor. “A sociedade está endividada e, no caso do Brasil, devemos questionar até que ponto o banco público tem que ter a mesma gestão de riscos do Banco privado? Será que não temos que pensar numa questão diferenciada? Em 2011 o direito do consumidor foi aviltado de alguma maneira, fica por conta da ouvidoria dos bancos e não há mecanismos legais mais aprimorados para proteção dos consumidores.”

Por fim, Ao comentar as regras para remuneração dos administradores e acionistas, ela classificou como absurdo o silência sobre as metas às quais são submetidos os bancários. "No caso do Goldman-Sachs, por exemplo, mesmo na crise havia incentivo para que os trabalhadores cumprissem as metas. As metas de vender não só dariam lucro para os bancos, mas também bônus para os administradores. Esse silêncio me parece uma questão a ser discutida na própria regulamentação. As condições de trabalho e as metas tem que ser olhadas dentro desse quadro global dentro de um sistema financeiro subordinado à sociedade "



 

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