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Quarta-feira de mobilizações pelo país

09/09/2010

Em Dia Nacional de Luta pelo Emprego, bancários defendem 11% de reajuste

Escrito por: Leonardo Severo

Os bancários de todo o país realizaram nesta quarta-feira (8) um Dia Nacional de Luta pelo Emprego, tema da terceira rodada de negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), colocando pressão pelo reajuste salarial de 11%, foco da rodada da próxima semana.

“Os bancários querem proteção contra demissões imotivadas, conforme estabelece a Convenção 158 da OIT, mais contratações, melhores condições de trabalho, igualdade na remuneração, reversão das áreas terceirizadas e fim dos correspondentes bancários mediante substituição por agências e postos de atendimento”, declarou Carlos Cordeiro, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e coordenador do Comando Nacional dos Bancários.

Com base em dados do Ministério do Trabalho e Emprego, a Contraf apurou que em um ano e meio (janeiro de 2009 a junho de 2010) os bancos demitiram 48.295 empregados, o equivalente a 10,25% dos 471.232 trabalhadores que compunham a categoria no final do primeiro semestre.

“Os bancos desligaram um Pacaembu lotado de pais e mães de famílias em apenas 18 meses, o que mostra a perversidade da rotatividade e do descaso com o emprego. No mesmo período as instituições financeiras geraram somente 9.048 novos postos de trabalho”, acrescentou o presidente da Contraf. Cordeiro esclareceu que “muitos trabalhadores foram dispensados porque não cumpriram as metas abusivas para a venda de produtos, enquanto outros pediram demissão porque não suportaram o assédio moral e as precárias condições de trabalho, que tem trazido estresse e adoecimento”.

“O maior patrimônio do trabalhador foi desconsiderado pelos representantes da Fenaban que se negam a debater a geração de postos de trabalho e a garantia de emprego. Tentaram até desqualificar os números divulgados pelo próprio setor, via Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), para evitar a discussão”, informou a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvandia Moreira. “Se os bancos contratassem o número de bancários que evidentemente faltam nas agências e departamentos, estariam devolvendo à sociedade um pouco da riqueza que tiram dela”, esclareceu Juvandia, contrária à postura da Fenaban de discutir a contratação “banco a banco”. “Continuaremos fazendo esse debate qualificado, como no ano passado com o Banco do Brasil e a Caixa, e que resultou no compromisso de contratação de 15 mil trabalhadores. A Fenaban está mostrando falta de compromisso com o tema”, ressaltou.

Para Cordeiro, “a geração de empregos vem sendo travada pela rotatividade que os bancos praticam para reduzir os custos e turbinar os lucros. A remuneração média dos admitidos nos primeiros seis meses de 2010 foi 38,04% inferior à dos desligados e as mulheres continuam recebendo salários inferiores aos dos homens nos bancos”.

Outro ponto debatido pela representação dos trabalhadores e a Fenaban foi a internalização de uma série de serviços que hoje estão terceirizados pela maioria dos bancos, o que vem precarizando a mão de obra. “Já garantimos em negociação a desterceirização de serviços como o Auto Finance do HSBC e o Telebanco do Bradesco”, disse Juvândia, frisando que “os bancos até admitem que há setores que podem ser internalizados, mas ainda não informaram quais nem em que condições”.

Nas rodadas anteriores foram discutidas as demandas de saúde, segurança e condições de trabalho, “com poucos avanços”, na avaliação da Contraf.

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