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ORGANIZAÇÃO NO LOCAL DE TRABALHO
Organização no Local de Trabalho
19/02/2010
Metalúrgicos da CUT têm licença remunerada para participar de cursos de formação sindical
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Através de convenção
coletiva assinada durante a Campanha Salarial 2009, os 13 sindicatos de
metalúrgicos da CUT no Estado de São Paulo conquistaram um dia de licença
remunerada, por ano, para que aproximadamente 200 mil trabalhadores participem
de curso de formação sindical. A primeira aula está prevista para março, em São
Bernardo do Campo.
O curso, que já vem sendo
chamado pelos sindicatos de Programa de Formação da Base, vai acontecer na sede
das próprias entidades. Apesar de o princípio da licença remunerada já estar
garantido, a participação no curso será escolha de cada trabalhador ou
trabalhadora. O conteúdo daquele que pode ser considerado o primeiro módulo do
curso vai se concentrar no tema convenção coletiva - como se constroem as
pautas, como são encaminhadas e negociadas, e a importância de cada trabalhador
nas conquistas e consolidação da representação sindical.
Por enquanto, a cláusula
de licença remunerada para participar de cursos de formação sindical está
valendo para três grupos da base metalúrgica: montadoras (aproximadamente 40
mil trabalhadores), máquinas e eletroeletrônicos (por volta de 50 mil) e
autopeças, forjaria e parafusos (onde se estimam 110 mil trabalhadores). Ainda
faltam outros três, cuja representação patronal ainda não assinou a convenção.
Neste momento, os
sindicatos estão fechando, empresa por empresa, detalhes da participação dos
trabalhadores - datas e quantidade de pessoas. A Mercedes-Benz, em São
Bernardo, deve ser a primeira a acertar a programação.
Enquanto isso, os
componentes das Comissões Sindicais de Empresa (CSE), nome que os metalúrgicos
cutistas dão à Organização no Local de Trabalho (OLT), estão passando por um
período de preparação, com ajuda das subseções do Dieese que atuam nas
entidades sindicais. É pelas CSE's que passa o trabalho de convencer os
trabalhadores e trabalhadoras a participar.
As comissões, na verdade,
estão na raiz desse projeto. Funcionando como uma espécie de subsede dos
sindicatos no interior das empresas, com integrantes eleitos pelos companheiros
das fábricas, as comissões têm autonomia e poder político para tratar diretamente
com as direções das empresas os assuntos de interesse cotidiano dos
funcionários. Esta é vista como a maneira mais aprimorada de aproximar o
sindicato da base - e o Programa de Formação da Base tende a ampliar o número e
o alcance dessas comissões. No ABC, por exemplo, existem 96 empresas com CSE.
"Nosso objetivo é que cada
vez mais os trabalhadores tenham a oportunidade de se qualificar, e que nossa
organização sindical fique cada vez mais fortalecida", resume Valmir Marques, o
Biro-Biro, presidente da FEM-SP (Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT).
Para o presidente do
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, a iniciativa insere-se na luta
para que a base se aproprie cada vez mais de seu papel cidadão. "O curso vai
ajudar o trabalhador a entender sua relação com a empresa, o que está em jogo
além do que o cotidiano permite ver, e investi-lo de mais autonomia na busca
por seus direitos".
A meta de consolidar esse
programa de formação foi estabelecida em 2003, em resolução aprovada pelo 4º
Congresso dos Metalúrgicos do ABC, que tem atuado na proa do projeto. E não
deve parar por aí. "Nos permitimos sonhar com a construção de uma faculdade dos
trabalhadores", diz Walter Souza, diretor do Sindicato do ABC e coordenador do
Programa de Formação da Base. O Sindicato, inclusive, já adquiriu um prédio em
São Bernardo, antiga sede de um curso supletivo, onde vai ministrar as aulas.
Enquanto esse prédio está em
reforma, a previsão é que a sede da FEM, na capital paulista, receba 400
trabalhadores por mês, em duas turmas semanais. "À medida que o programa
evoluir, é possível prever volume de aulas para a maioria dos dias do ano",
calcula Souza, considerando também a elaboração de novos conteúdos.