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23/02/2010
Um
fato inédito e que pode trazer repercussões positivas à campanha nacional
pela redução da jornada de trabalho, bandeira histórica da CUT, foi vivenciado na
última quarta-feira (17). Reunidos em assembleia, os trabalhadores da
Metalúrgica Jama, organizados pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Santa Rosa/RS,
aprovaram a proposta de redução de jornada de trabalho apresentada pela
entidade e passaram das atuais 44 para 40 horas semanais, sem redução de
salários.
O acordo foi assinado na tarde desta segunda-feira (22). Com a decisão, o sindicato recua em uma ação que movia contra a metalúrgica. Para João Roque dos Santos, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santa Rosa/RS, a mobilização dos trabalhadores foi essencial para romper a intransigência da empresa. “Fizemos paralisações na área industrial e entramos como uma ação contra a empresa. Depois de intensas negociações, a Jama acatou a nossa reivindicação de redução da jornada e podemos assim retirar a ação”.
A Jama possui mais de 150 empregados e apenas dois dos 129 presentes na sessão votaram contra a proposta. Além da carga horária menor - que pelo acordo é válida por dois anos – os trabalhadores da empresa receberão ainda 1,5% de aumento real nos salários, sem qualquer interferência deste índice nas negociações de dissídio coletivo, que tem data-base fixada para o mês de maio. “Em Santa Rosa, estamos dando um passo à frente. Essa negociação é histórica e pode ser um precedente para que outras empresas sigam o exemplo”, relata João.
Pressão nacional
A CUT e as centrais sindicais irão intensificar a pressão sobre o Congresso para aprovar o projeto de emenda constitucional que reduz a jornada de trabalho semanal. A CUT programa um Dia Nacional de Luta para maio, em que serão realizadas greves, atrasos na entrada de turnos e mobilizações de rua em todos os setores de atividade, como forma de manter o tema na pauta e para mostrar a determinação de todas as categorias em reduzir a jornada sem redução de salários e com remuneração de 75% a mais sobre as horas extras.
Antes disso,
haverá mobilizações no interior do Congresso Nacional, as chamadas
"Ocupações Pacíficas do Congresso" para março e abril. A organização
de cada uma das Ocupações ficará a cargo de uma ou mais estaduais. As demais
CUTs estaduais, todas mais distantes geograficamente de Brasília, poderão
evidentemente se somar às atividades.
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