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10/03/2010
Pode parecer óbvio que o ensino de qualidade começa pela valorização dos profissionais envolvidos no processo educacional. Parece, mas não é, especialmente para alguns meios de comunicação que resolveram partidarizar uma reivindicação justa.
Dessa vez, ao invés de transformar a greve dos professores no Estado de São Paulo em nota de rodapé ou sequer citar o acontecimento, como habitualmente fazem, resolveram desvirtuar a mobilização para o caminho da disputa eleitoral.
Esses mesmos veículos esquecem
de citar o principal motivo para a paralisação: a falta de diálogo do governo
paulista, comandado por José Serra, com os trabalhadores. Desde 2007, os
servidores lutam para que o governador respeite a data-base aprovada na
Assembléia Legislativa e estabeleça uma mesa de negociação nos moldes da que já
existe no governo federal.
Em vez de discutir com o conjunto do funcionalismo, o Secretário de Educação de
Serra, Paulo Renato, prefere atribuir o baixo desempenho dos alunos aos
professores e não à falta de políticas públicas estruturais. Prefere adotar soluções
mágicas como cursos emergenciais de aprimoramento, promovendo o sucateamento do
ensino, assim como já fez com outros bens públicos para entregá-los à
iniciativa privada.
Talvez exigências dos trabalhadores da educação como salário decente, com a incorporação de todas as gratificações, fim das salas superlotadas, contratação por concurso público e plano de carreira sejam radicais demais para um governo que, ao invés de investir na qualificação de profissionais, prefere empurrar uma fileira de avaliações e excluir os reprovados, contribuindo para a precarização da educação.
Resta saber como irá
atrair os profissionais mais preparados para uma carreira em condições tão
difíceis.
ARTUR HENRIQUE ADI DOS SANTOS LIMA
Presidente Nacional da CUT Presidente da CUT-SP
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