CUT NACIONAL > LISTAR NOTÍCIAS > DESTAQUE CENTRAL > TÉCNICO-ADMINISTRATIVOS DA UNB SEGUEM ORIENTAÇÃO DO COMANDO NACIONAL E SUSPENDEM GREVE
22/08/2012
Depois de 72 dias de braços cruzados, os servidores técnico-administrativos da UnB suspenderam o movimento grevista. Na próxima segunda-feira, 27, a categoria voltará normalmente aos postos de trabalho. O fim da greve está condicionado a assinatura do acordo pelo governo, que está programado para esta quarta-feira (22). Caso isso não aconteça, será realizada nova assembleia na quinta-feira (23), com encaminhamento de retorno ao movimento paredista.
"Na última reunião com o MEC e MPOG, ficou claro para os representantes do movimento que o governo não irá mais avançar na proposta apresentada pela categoria. E foi-nos pedido uma resposta, sob alegação de que há dezenas de categorias em greve e, caso rejeitemos, o montante de recursos destinado aos técnico-administrativos das IFES, hoje estipulado em R$ 2,9 bilhões, será destinado para outras categorias. A margem de negociação após o dia 31 de agosto é praticamente nula, pois se fecha o prazo para a entrega de proposta de orçamento a ser enviada ao Congresso", afirma a Fasubra em documento que orienta as bases a aceitarem a proposta do governo e a saída unificada da greve.
Com o acordo entre governo e Fasubra, foi garantido aos técnico-administrativos das universidades federais o reajuste salarial linear de 15%, escalonado em 2013, 2014 e 2015; reajuste do step para 3,7% em 2014 e 3,8% em 2015, além de ganhos importantes na carreira.
O acordo garante mudanças no anexo III do Plano de Carreira dos técnico-administrativos, que trata sobre o incentivo à capacitação. Com a mudança, servidores de todas as classes (A, B, C, D e E) terão a oportunidade de somar a carga horária dos cursos de capacitação. Isso permite aos servidores a progressão de níveis e o consequente aumento salarial.
O acordo também traz mudanças no anexo IV do Plano de Carreira da categoria, que trata do incentivo à qualificação. Com a mudança, servidores de todos os níveis que tiverem curso de graduação, especialização, mestrado ou doutorado passarão a receber ou terão reajustados os percentuais de gratificação.
Ainda foi acordado que a racionalização dos cargos e o reposicionamento dos aposentados serão definidos em mesa de negociação formada pela Fasubra e governo, a partir do dia 15 de setembro, com prazo de 120 dias para o término das resoluções.
O Sintfub ainda encaminhará ofício ao reitor da UnB, José Geraldo Júnior, comunicando o encerramento da greve e reafirmando a reivindicação de não punição dos servidores que participaram da greve.
Vitória da categoria
A deflagração do movimento grevista dos servidores técnico-administrativos foi recebida de forma negativa pelo governo federal. Foi anunciado pela presidente Dilma Rousseff o reajuste zero para as categorias do funcionalismo público, a não negociação com servidores grevistas, além do corte de ponto daqueles que paralisassem os trabalhos para reivindicar melhores salários e condições de vida.
Mesmo com as ameaças, os servidores seguiram firmes na greve, que foi unificada com professores, estudantes e outras categorias do funcionalismo público. Foram aprovadas ações como suspensão das matrículas, acampamento nas reitorias e em Brasília, marchas, bloqueios em rodovias, manifestações em aeroportos, bloqueio do prédio do ministério do Planejamento e outras ações importantes dentro do Congresso Nacional, que deram peso à greve. O resultado foi a conquista, ainda não suficiente, de melhorias nos salários e na carreira dos técnico-administrativos das IFES.
"Nós chegamos ao nosso limite. Essa vitória foi garantida com a luta de cada um de nós", afirma o coordenador geral do Sintfub, Mauro Mendes. "Quebramos a lógica do governo de não negociar, de dar ganhos diferentes aos servidores da mesma categoria. Apesar de nosso reajuste não ter sido de 100%, não podemos desqualificar nossa luta", completa a coordenadora geral do Sindicato, Eurides Pessoa. Antônio Guedes, que também compõe a coordenação geral do Sintfub, ainda lembra que não está descartada a possibilidade de greve nos anos posteriores. "Apesar do reajuste escalonado, não há nenhuma cláusula neste acordo que amarre o nosso direito de luta e nos impeça de fazer greve. Com certeza, no ano que vem, continuaremos lutando por melhorias na nossa carreira", conclui.
Veja aqui tabela completa com alterações propostas pelo governo
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