CUT NACIONAL > LISTAR NOTÍCIAS > DESTAQUE CENTRAL > 13º CECUT-BA - DESAFIOS, LUTAS E POLÍTICAS PRIORITÁRIAS PARA TRANSFORMAR A SOCIEDADE
06/07/2012
A Bahia é um dos estados pioneiros na fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), como vontade da decisão política da classe trabalhadora organizada em oposições sindicais, sindicatos combativos e movimentos sociais urbanos e rurais, no ano de 1983. Essa consciência histórica, compreendida como identidade ao bloco hegemônico que luta pela transformação da sociedade, impulsionou a construção do 13º Congresso Estadual da CUT-BA, nos dias 31 de maio, 1º e 2 de junho de 2012, num momento crítico para o conjunto dos trabalhadores/as.
Do global ao local, muitos fatores pesaram na organização do Congresso Estadual. A reorganização dos interesses do capital internacional - ainda imerso na crise econômica nos países centrais - impactou a vida de milhares de trabalhadores com o fechamento e transferência de fábricas de calçados em várias regiões e do pólo petroquímico de Camaçari. O longo período de estiagem em vários estados do Nordeste comprometeu a qualidade de vida de milhões de pessoas e a sustentabilidade da agricultura familiar, devido ao insuficiente investimento em políticas de convivência com o semiárido, principalmente na Bahia, onde mais de 200 municípios foram atingidos pela seca. E ainda as greves dos PMs, Rodoviários e Professores da Rede Pública Estadual, como expressão das lutas de massa por melhores salários e condições de trabalho num estado que cresce economicamente.
Nesse cenário, a CUT-BA atuou no fortalecimento da organização dos trabalhadores para enfrentamento desses desafios. Destaca-se aí, a participação da Central na ocupação da BR 324 para exigir medidas emergenciais e política estruturantes de convivência com a seca. Já nas vésperas do 13º CECUT, mais de mil e quinhentos trabalhadores/as ergueram suas bandeiras de luta afirmando que “governo bom é aquele que melhora a vida do povo”, liderados pelo FETRAF-BA/CUT, Fórum Baiano da Agricultura Familiar e CUT-BA.
É importante também destacar a solidariedade que faz a CUT ser um modelo sindicalismo diferente e orgânico dos reais interesses da classe trabalhadora. Em razão da seca, corria-se o risco da perda de representatividade dos trabalhadores rurais e agricultores familiares no Congresso Estadual. A CUT-Bahia teve sua solicitação atendida pela Executiva Nacional da CUT para garantir tratamento diferenciado no pagamento da taxa de inscrição para as organizações sindicais do campo. Com isso, o CECUT garantiu uma delegação representativa das regiões que aprofundaram o debate e também foram aprovadas resoluções voltadas para o desenvolvimento do campo e fortalecimento da agricultura familiar, enquanto condição fundamental para combater as desigualdades sociais e promover a distribuição de renda com reforma agrária, acesso à água, a educação, moradia de qualidade etc.
Aproximadamente 300 delegados do 13º CONCUT aprovaram também resoluções direcionadas ao apoio dos professores da rede pública de ensino. Para a CUT-BA, a reabertura das negociações entre professores e governo é fator decisivo para o fim do impasse que se estende para mais de 80 dias. A partir daí, a CUT-BA tende a atuar mais incisivamente na defesa dos interesses dos trabalhadores da educação e da sociedade que quer uma educação pública com mais qualidade e efetivamente universalizada.
Há ainda que mencionar o papel jogado pela formação sindical e a política de interiorização e regionalização da CUT nesse Congresso. Parte significativa dos delegados participou das ações formativas e do processo de fortalecimento da Central no último período. Essas duas ações estratégicas foram consideradas prioritárias para o conjunto dos delegados e devem ocupar centralidade no projeto político-sindical dos próximos 10 anos da CUT-BA. A CUT-BA continua ampliando sua base de representação pelo estado e há uma compreensão de que essa tendência requer maior capilaridade das Regionais da CUT-BA, estendendo-se para onde não foi constituída e fortalecendo as já existentes, e vinculado a isso a formação político-ideológica de massas que qualifique dirigentes e militantes sindicais para defender o projeto de liberdade e autonomia sindical, gestado pela CUT.
A CUT-BA se reafirma cada vez mais ideológica, solidária e de lutas. Esses três aspectos foram colocados em relevo nesse 13º Congresso Estadual, desde a sua abertura política com a participação de Carlos Augusto, filho de Marighella, Benjamin, um dos fundadores da Central, e o Deputado Federal Emiliano José, que relataram suas experiências de enfrentamento a ditadura militar de 1964, durante a conferência magna sobre Direito à Verdade. Nessa oportunidade, a Central baiana homenageou outros militantes políticos que lutaram por liberdade e democracia, como Marighella, Fernando Santana, Waldir Pires e Carlos Lamarca.
Aqui, fizemos um breve balanço dos desafios e políticas prioritárias que a nova diretora eleita no 13º Congresso Estadual deve se debruçar para fazer a CUT-BA mais forte, mais combativa e autônoma, na perspectiva da transformação da sociedade. E acreditamos que esses princípios devem revestir a participação da delegação baiana no 11º Congresso Nacional da CUT, entre os dias 9 e 13 de julho, em São Paulo.
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