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FMI, BCE e UE determinam à Grécia mais 15 mil demissões de funcionários públicos e cortes de 25% nos salários e pensões

07/02/2012

Pacote neoliberal defendido por Merkel e Sarkosy é rechaçado por Sindicatos de trabalhadores

Escrito por: Leonardo Severo

 

 

Formada pelo FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia, a Troika determinou ao governo grego a demissão de mais 15 mil servidores públicos e um novo corte de 25% nos salários do setor privado e nos benefícios dos aposentados e pensionistas até o final de 2012. Para promover o “ajuste fiscal”, a troika determinou que devem ser suprimidos até o final de 2015, 150 mil dos cerca de 720 mil funcionários públicos do país, o que inviabilizaria por completo o funcionamento do Estado.

 

Indicado a dedo pelo sistema financeiro, o primeiro ministro grego, Lucas Papademos enfrenta uma forte resistência dos trabalhadores, que denunciam que as medidas só servirão para agravar ainda mais o trágico quadro recessivo em que o país foi mergulhado há quatro anos e “sem qualquer recuperação à vista até 2013”.

 

Diante da crescente reação popular às “medidas de austeridade” aplicadas em favor do capital especulativo, a chanceler alemã, Ângela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, intimaram os gregos a "respeitar escrupulosamente" os “compromissos” firmados para seguir dentro da zona do euro. “Não há outra opção”, ameaçou Sarkosy. Pelo menos se quiserem “permanecer no euro”, acrescentou Merkel.

 

Em carta conjunta dirigida ao governo grego e à União Europeia representantes de trabalhadores e empresários rechaçaram o rebaixamento do salário mínimo e a retirada dos dois salários extras atuais (uma espécie de 13º salário e férias), conforme exigia a troika.


Documento assinado pela Confederação Geral do Trabalho (GSEE) – o principal sindicato dos trabalhadores do setor privado -, a Confederação Geral de Pequenas Empresas e Comerciantes da Grécia (GSEVEE) e a Confederação Nacional do Comércio Grego (ESEE) alerta que o governo está freando a produtividade e que não há como reduzir ainda mais os já arrochados salários, sob pena de inviabilizar por completo o mercado interno.

 

A demanda apresentada por trabalhadores e empresários bate de frente com as “orientações” expressas pelos inspetores da troika em visita ao país - encabeçados pelo FMI - e assumidas como ordem pelos ministros da Economia, Evangelos Venizelos, e do Trabalho, Yorgos Kutrumanis.


Conforme levantamento do organismo de Seguridade Social (IKA), os trabalhadores gregos perderam 25,7% do seu poder de compra desde 2009, o que tem alavancado os índices de precarização e desemprego. A auditoria realizada pelo IKA aponta que um de cada três trabalhadores gregos estão sem registro, sendo que 40% deles eram imigrantes sem licença de trabalho nem residência para morarem no país.

 

O Escritório de estatísticas da União Europeia (Eurostat) aponta que o desemprego na Grécia já alcança os 19,2% da população, o segundo maior do continente, superado apenas pela Espanha. Os dados de outubro de 2011 revelam que o número de trabalhadores gregos sem emprego ultrapassa em quase 10% a média da zona do euro, de 9,8%. E a situação é ainda pior entre os menores de 25 anos, onde o índice de desemprego dispara e alcança 47,2%.

 

As políticas neoliberais de cortes no Orçamento jogaram para baixo da linha da pobreza a mais de dois milhões de gregos, cerca de 20% da população, segundo o informe da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que projeta que este número dobre em futuro bem próximo. De acordo com o estudo, publicado no jornal Eleftorotipia, a pobreza não somente ameaça a desempregados e aposentados com baixa renda, mas a amplos setores da população, mesmo os que recebem salário em dia, pois já não conseguem fazer frente à alta dos impostos e a extinção de serviços antes prestados pelo Estado.  

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