A importância do ensino da língua espanhola para nossos jovens |
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| Escrito por Maria Izabel Azevedo Noronha (Bebel), presidenta da Apeoesp e membro do Cons. Nacional de Educação | |
| 02/02/2010 | |
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Lamentável a
decisão do Governo José Serra (PSDB) de não oferecer
neste primeiro semestre a língua espanhola como disciplina obrigatória no
ensino médio nas escolas estaduais, como prevê a lei 11161/05, a qual
estabelece que, em 2010, a língua espanhola deve ser de oferta obrigatória no
ensino médio em todo o país. Na verdade, o governo estadual não tomou nenhuma
medida nos cinco anos de vigência da lei.
Tal decisão ignora por completo a
importância da língua espanhola no atual contexto do Brasil no cenário latino
americano e mundial. Hoje, o oferecimento da língua espanhola na formação de
nossos jovens vai muito além do seu eventual desejo de dominar esta língua, mas
é um instrumento que poderá permitir a abertura de novas perspectivas
profissionais para milhares de estudantes da rede estadual de ensino.
Apenas para citar alguns exemplos, é
preciso lembrar que o Brasil retomou e intensificou relações com dezenas de
países de língua da espanhola na América Latina; que o MERCOSUL se consolidou e
vem se ampliando; que teremos, nos próximos anos, no Brasil, dois eventos de grande
magnitude: a Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016. A
demanda, portanto, por tradutores/intérpretes de língua espanhola tende a se
ampliar, e muito.
Além destes exemplos, há que se perceber
que está ocorrendo uma profunda alteração na inserção brasileira no contexto
internacional, o que torna o ensino da língua espanhola nas escolas públicas
não um elemento isolado, mas parte integrante de um projeto de nação. Se,
antes, apenas um bloco de nações ricas (o chamado G 8) determinava os rumos da
política e da economia em todo o planeta, o Brasil teve um papel preponderante
na criação de um novo bloco de nações, o G 20, que tem grande influência nas
decisões mundiais (sobretudo após a eclosão da crise financeira internacional)
e deve crescer ainda mais no próximo período.
O governo de São Paulo comete grave erro ao
adiar a implementação da lei 11161/05. Mais uma vez, “empurra com a barriga”
uma decisão importante e não se coloca à altura da responsabilidade de comandar
o maior estado da federação, que deveria dar o exemplo em questão como esta.
Não procede a alegação de que não há professores em número suficiente. É
preciso abrir a demanda para que os professores se apresentem e para que se
possam formar novos professores, de forma a suprir as necessidades da rede
estadual.
A política curricular da Secretaria de
Estado da Educação, como já denunciamos em muitas oportunidades, está muito
longe de atender às necessidades e interesses de nossas crianças e jovens. No
momento em que uma medida federal altera o currículo do ensino médio, oferece
uma nova perspectiva para estes jovens, o governo de São Paulo cria obstáculos
para que isto se torne realidade. Com que direito o faz? Com que objetivo? |
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| Atualizado em ( 03/02/2010 ) |
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