Seminário internacional |
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| Escrito por Luiz Carvalho | |
| 19/11/2009 | |
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CUT encerra debate com
propostas para a igualdade de remuneração entre homens e mulheres
A
primeira mesa do dia começou com a coordenadora do programa de promoção de
igualdade de gênero e raça no mundo do trabalho da OIT (Organização
Internacional do Trabalho) no Brasil, Márcia Vasconcelos.
Márcia
afirmou que para a OIT a igualdade de oportunidade entre homens e mulheres é condição
fundamental para atingir a democracia, para diminuir a pobreza e preceito
básico para alcançar o desenvolvimento econômico e social.
Da maternidade à
igualdade –
Ressaltando que num primeiro momento a defesa da igualdade se dava por meio da
proteção às mulheres, fundamentalmente com relação à maternidade, e somente depois
entrou em cena a promoção da equidade no ambiente de trabalho, ela falou sobre
as convenções 100, que trata da igualdade de remuneração entre gêneros, da 111,
sobre a discriminação em matéria de emprego
e profissão, e
da 156, que se refere a equiparação de oportunidades para trabalhadores e
trabalhadoras com encargos de família. “As responsabilidades familiares
interferem diretamente no tempo que a mulher dispõe para se qualificar ou
dedicar à profissão. Por isso é importante lutarmos pela efetiva implementação
da Convenção 156, que também impede o empresário de usar as responsabilidades
familiares como obstáculos para restringir o acesso à ascensão
profissional", explicou.
A
dirigente da Organização Internacional do Trabalho citou ainda fatores
geradores de diferença de remuneração, cuja explicação é exclusivamente a
discriminação, como a subvalorização de muitos trabalhos considerados
tipicamente femininos – especialmente os ligados aos cuidados, como o de
enfermaria –, os métodos de avaliação de desempenho com parâmetro nas
atividades masculinas e a restrição à participação das mulheres trabalhadoras
na organização sindical.
Márcia
acredita que para mudar esse cenário é necessário ampliar o espaço para as
mulheres nas mesas de negociação coletiva, pressionar o governo para adotar
legislação favorável à remuneração igualitária, promover campanhas de
equiparação salarial e manter a luta pela valorização do salário mínimo.
Portugal, Quebec e
Quixadá
Odete
Filipe, da portuguesa Comissão de Mulheres da CGTP-IN, comentou a negociação coletiva
no setor de bares e restaurantes. “Há quatro anos não havia nada definido contra
a discriminação indireta nesse segmento. Resolvemos fazer um projeto centrado
no valor dos postos de trabalho, sem diferença de gênero.”
O
primeiro passo para a mudança foi uma avaliação realizada no setor, que
constatou a predominância de homens nos cargos de chefia. A partir daí
apresentamos uma forma de reestruturação do cargos, que apenas será colocada em
prática no ano que vem, devido à recente crise financeira”, ressaltou.
Para
falar a respeito da legislação nacional equidade de gênero e os avanços obtidos
no Canadá, a CUT convidou a especialista da confederação CSN, de Quebec, Judith
Carroll.
Segundo
ela, da mesma forma que em Portugal, a entidade sindical fez uma avaliação da
situação empregatícia para definir a remuneração com base em critérios como qualificação,
esforço, condições de trabalho e conhecimento. Isso resultou na necessidade de
restringir diferenças com base em outros fatores, tal qual o gênero. “Após um
ano, 50% das empresas admitiam que não tinham tomado providências sobre a
questão. Os empresários acharam muito complexo tratar o emprego de forma
igualitária”, ironizou.
A
partir de dezembro de 2010, as companhias que não se adequarem terão de pagar
multas.
Setor público – Representante da
ISP (Internacional de Serviços Públicos) Brasil e da Confetam (Confederação dos
Trabalhadores no Serviço Público Municipal), Graça Costa, falou sobre o
processo de pesquisa dos postos de trabalho sem viés de gênero na cidade
cearense de Quixadá.
“Em
2002, a ISP lançou uma campanha de igualdade entre sexos no setor público. A
partir daí fizemos uma avaliação do funcionalismo na cidade e verificamos que
muito mais homens do que mulheres tinha acesso ao crescimento profissional, porque
isso depende da indicação do chefe. Resolvemos, então, promover cursos de
formação, seminários estaduais e atos de lançamento da campanha, inclusive com
participação masculina.”
A
atuação das trabalhadoras no setor público deu certo: conseguiram aprovar uma
lei que definiu o Conselho Municipal da Mulher e outra para criar o Comitê de
Equidade de Remuneração e Gênero. Também aprovaram a licença-maternidade de 180
dias e, principalmente, conseguiram colocar no orçamento público de Quixadá ações
para a equiparação, que incluem desde capacitação dos servidores até plano de
carreira.
Próximos passos
Vice-presidente
da CSN, Denise Boucher, reforçou que o projeto de eliminação das injustiças no
ambiente de trabalho deve unir todos os segmentos dos movimentos sociais. “È
preciso que os representantes sindicais, do presidente da CUT ao dirigente do
pequeno sindicato no fim do Brasil, acreditem na luta e entendam o que está em
jogo.”
Secretária
da Mulher Trabalhadora, Rosane Silva, comentou o motivo do relançamento da campanha
“Igualdade de oportunidade na vida, no trabalho e no movimento sindical”,
durante o seminário. “Esse será o centro da nossa luta em busca de um outro
modelo de desenvolvimento com distribuição de renda. A luta pelo fim da
discriminação contra a mulher é da CUT e não apenas das mulheres cutistas”,
disse.
Segundo
a dirigente, estão previstas a construção de diagnósticos sobre a situação das
mulheres trabalhadora e a adoção em uma empresa multinacional e outra nacional,
em regiões diferentes do País, de um programa que adote a remuneração igual
para trabalho de igual valor, conforme determina a Convenção 100 da OIT. “Combinaremos
essas ações com os pontos da agenda geral da CUT, como a redução da jornada sem
redução de salário e a valorização do serviço público”, finalizou. |
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| Atualizado em ( 19/11/2009 ) |
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