Seminário internacional |
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| Escrito por Luiz Carvalho | |
| 18/11/2009 | |
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Cutistas apontam reestruturação social como
prioridade para estabelecer igualdade entre homens e mulheres
O evento até esta quinta (19) no Hotel
Braston, região central de São Paulo, teve início pela manhã com uma mesa
coordenada pela Secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Rosane Silva, e
composta pela Secretária de Comunicação da CUT, Rosane Bertotti, pela
vice-presidente da CSN (Confederação Sindical de Quebec, Canadá), Denise
Boucher, e pelo representante da FES no Brasil, Jochen Steinhilber.
Em sua intervenção, Denise destacou o
aumento da participação das mulheres nas discussões por direitos no local de
trabalho, amparadas na Convenção 100 da OIT (Organização Internacional do
Trabalho), que trata da igualdade de remuneração entre gêneros.
A seguir, Steinhilber apontou alguns
sintomas que comprovam a discriminação por gênero no mercado, como a presença
das trabalhadoras em atividades que primam pela precarização. “A mudança desse
quadro cabe aos governos, às associações internacionais, mas também ao
movimento sindical”, disse.
Rosane Bertotti comentou a forma como os
dois eixos prioritários definidos pela Central para o próximo período –
desenvolvimento com distribuição de renda e organização sindical - se
entrelaçam com o cotidiano das mulheres. “Não dá para pensar um projeto de
desenvolvimento sem garantir equidade de remuneração e, ao mesmo tempo,
considerar as diferenças presentes entre as trabalhadoras da cidade e do campo,
por exemplo. Além disso, devemos dialogar com os movimentos sociais para que
outros setores como a juventude, os negros e as pessoas com deficiência possam ter
voz nos locais de trabalho”, defendeu.
Regime patriarcal e reivindicações amplas
“Defino opressão como um processo que se
estabelece por dominação e exploração, em sentido amplo. Se um homem tem mais
tempo para o prazer e para descansar da jornada de trabalho porque a mulher se desdobra
para cumprir as diversas atividades do lar, ele está praticando a exploração”,
explicou Heleieth.
A professora defende que para mudar o
modelo patriarcal, machista e sexista que sustenta a sociedade ocidental é
preciso alterar as bases de sustentação. “Os pilares do poder são todos
masculinos. O patriarcado não poderá deixar de existir se a estrutura continuar
como sempre foi, construída para atender às necessidades masculinas. Não
queremos o fim dos homens, mas do patriarcado”, definiu.
Em sua apresentação, Nalu apontou que a
divisão sexual do trabalho é definida por dois princípios organizacionais: a
separação – o que é direito do homem e o que é para a mulher – e a hierarquia –
destacando o trabalho masculino como o mais importante. “Num primeiro momento
da nossa história, o homem cuidava da tarefa produtiva e a mulher da
reprodutiva. Mas, aos poucos fomos exercendo duas funções e sabemos bem que no
capitalismo só o trabalho que gera troca é valorizado, mesmo que dependa das atividades
domésticas, desde sempre a cargo das mulheres”, afirmou.
Contudo, ela fez questão de apontar que o
conceito de igualdade muitas vezes é debatido de forma incorreta. “Não queremos
igualar as mulheres aos homens, como se corrêssemos atrás de quem é superior.
Precisamos sim reorganizar essas relações”, disse.
Para Nalu, é preciso combinar as lutas
tradicionais do movimento feminista com pautas amplas que beneficiem o maior
número de companheiras, como a redução da jornada sem redução de salário e a
aprovação da valorização do salário mínimo como política de Estado e não apenas
do governo.
A campanha da igualdade e as experiências
internacionais
Rosane Silva
abriu o período da tarde com a apresentação da campanha “Igualdade de
oportunidade na vida, no trabalho e no movimento sindical”, (Clique para ler 4.02 Mb) lançada pela CUT em março deste ano.
As propostas e o
plano de ação para implementá-las se dividem em três eixos: sociedade, mundo do
trabalho e movimento sindical. Entre outros pontos, defendem a ampliação da
licença maternidade e paternidade com a responsabilidade dividida entre mães e
pais, salário igual para trabalho de igual valor – conforme determina a Convenção
100 da OIT, ratificada pelo Brasil, mas não aplicada no País – e a formação
sindical com destaque para a inclusão das mulheres nos espaços de negociação.
A última mesa do
dia contou com dirigentes sindicais da Espanha, da França e uma representante do
Instituto Ethos. Elas trataram de experiências de promoção da igualdade de
remuneração e de oportunidades.
Carmen Sueskun,
Secretária Nacional de Mulheres das Comissões Obreiras (CC OO – Espanha) comentou
que em 2004, quando o país ainda era governado por José Maria Aznar López e
registrava alto índice de crescimento, as trabalhadoras enxergaram uma
oportunidade implantar avanços significativos. O principal deles, a legislação
que estabelece igualdade entre homens e mulheres sofreu forte resistência da classe
patronal, mas acabou por estabelecer a obrigatoriedade da negociação coletiva
com os trabalhadores e trabalhadoras.
Na França, um processo semelhante, mas de
menor proporção, também aconteceu com a adoção da Lei de Igualdade
Profissional, em 2006. “Essa medida fez com que os empresários tivessem que
discutir a supressão das diferenças de remuneração”, comentou Vera Soares, que
pesquisou o tema entre 2007 e 2008.
Por fim, Ana Letícia Silva, do Instituo
Ethos, ressaltou que as empresas com as quais trabalha a instituição costumam
negar que exista qualquer tipo de discriminação. “Apesar da maior parte ter um
quadro formado por mulheres, enquanto a direção é ocupada basicamente por
homens, não admitem que é necessário estabelecer uma política de equidade de
gênero”, ressaltou.
Para que a responsabilidade desses grupos
saísse do marketing e seguisse para a prática, o Ethos elaborou um documento
definido como compromisso das empresas com a valorização da mulher, que inclui
a garantia de acesso das trabalhadoras ao emprego e valorização da carreira,
salário igual para funções de igual responsabilidade, participação das mulheres
nos cargos de direção em proporção ao quadro de funcionários e o estímulo à
equidade junto aos fornecedores e parceiros.
Nesta
quinta (19), acontece o último dia do seminário. Acompanhe abaixo a
programação:
Dia 19 de novembro de 2009
- Márcia
Vasconcelos – Oficial de Programas de Promoção da Igualdade de Gênero e Raça no
Mundo do Trabalho |
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| Atualizado em ( 18/11/2009 ) |
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