É hora de defender a Infraero e a soberania nacional
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Escrito por Carlos Ramiro de Castro é presidente do Conselho do Funcionalismo do Estado de SP e vice da CUT-SP   
30/06/2009


Os inúmeros avanços que temos conquistado no plano político e econômico no último período no país devem ser potencializados com a nossa ofensiva também no campo ideológico. Para isso, é preciso que relembremos a história, para que a mídia privada, sempre servil a demos e tucanos, não a reescreva ao sabor das conveniências eleitorais. E para que os culpados continuem pagando a fatura nas urnas.

O fato é que os adoradores do deus mercado, neoliberais de carteirinha que apostaram no desmanche do Estado, na desnacionalização e privatização do patrimônio público, na precarização dos serviços, na desvalorização dos servidores, não querem pagar nada. Na verdade tentam é apagar da memória coletiva os imensos danos que causaram ao país, ao salário, ao emprego e aos direitos da classe trabalhadora.

Mas como esquecer a submissão de FHC, Serra e companhia ao receituário do Consenso de Washington? E sua subordinação à cartilha do FMI e da globalização neocolonial? E o desmantelamento da educação e da saúde públicas? E a falta de concursos, a truculência e a multiplicação das terceirizações, quarteirizações e quinteirizações?       

Faço estas breves considerações para defender a manutenção da Infraero como empresa pública e reiterar o apoio da CUT à manifestação convocada para o próximo dia 9 de julho "em defesa da soberania nacional e dos aeroportos brasileiros". Afinal, é inadmissível que diante da maior crise do capitalismo desde 29 ainda exista gente disposta a atacar o papel indutor do Estado e sua importância estratégica para o desenvolvimento nacional, para o fortalecimento do mercado interno e a geração de emprego e renda.

Durante audiência realizada no Ministério da Defesa com os presidentes da CUT, Artur Henrique; da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (Fentac), Celso Klafke, e do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina), Francisco Xavier de Lemos, o ministro Nelson Jobim negou a concessão dos aeroportos e a privatização da Infraero. Mas, assumiu ter encomendado "estudos" sobre o assunto. Para que e para quem é outra história...

Como recordar é viver, vale lembrar que Solange Vieira, braço direito do ministro, é a atual presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Foi ela a responsável, durante o desgoverno FHC, pelo perverso fator previdenciário, mecanismo tucano de arrocho das aposentadorias que continua penalizando milhões de idosos. Hoje o fim do fator é pauta unificada de todas as centrais sindicais e movimentos sociais que lutam por garantir dignidade à velhice.

A mobilização convocada para o aeroporto de Brasília é mais do que pertinente, afinal, quem não tem um mínimo de respeito pelos mais velhos, por que teria com os usuários? Portanto, é mais do que justa a manifestação, que deve também servir de alerta sobre as armações e sabotagens de determinados setores de dentro do próprio governo.

O que os detratores do patrimônio público tentam esconder é que o chamado "modelo Infraero" se mantém com subsídios cruzados, onde os lucros obtidos nos 12 principais aeroportos garantem um padrão de segurança e operacionalidade aos demais 55 aeroportos, 80 unidades de apoio à navegação aérea e 32 terminais de logística de carga. A privatização ou a "concessão profana e indecente", como denuncia o Sina, seria um imenso retrocesso, que comprometeria a atual atenção dispensada à infraestrutura aeroportuária, "que vai desde a terraplanagem para a construção de pistas de pouso até o controle aéreo de um aeroporto" e "redundaria em aumento de tarifas aéreas para passageiros e empresas".

De olho no filé, os privatistas querem deixar o Estado como o osso. Felizmente, os tempos são outros.

Atualizado em ( 30/06/2009 )
 
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