Democratização da comunicação, oxigênio para a liberdade
Imprimir E-mail
Escrito por Rosane Bertotti, secretária nacional de Comunicação da CUT   
18/12/2008

 

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a todos e todas que ajudaram a tornar realidade o nosso Jornal da CUT e a fortalecer o nosso Portal do Mundo do Trabalho, e que se dedicam de forma intensa, calorosa e vigorosa para que a I Conferência Nacional de Comunicação aconteça. Sem o desprendimento, a inteligência e o compromisso militante, esta caminhada para a plena democratização do país não estaria florescendo.

Apesar dos indiscutíveis avanços que temos obtido no último período, onde rasgamos as trevas do neoliberalismo e começamos a afirmar um modelo de desenvolvimento em que o Estado cumpre cada vez mais o papel de indutor, de agente ativo das transformações no plano político e econômico, de ente protagônico, há temas como o da comunicação que ainda são guardados a sete chaves, encarados como tabu, alvo de preconceitos e, inclusive, de ranços autoritários.

Neste processo preparatório, a comunicação cutista não perde o pique e nem o foco, centrado na potencialização de seus meios para que se façam ver e ouvir os protestos e propostas da classe trabalhadora, que não pode ficar muda e invisibilizada pelos donos da mídia. Para que isso ocorra, precisamos priorizar os nossos meios, viabilizar a nossa Rádio Web, ampliar o debate sobre organização, formação e estrutura comunicacional, garantir os recursos necessários para a sua plena implementação e funcionamento.

No nosso entender, a multiplicação de novas tecnologias e do enorme aparato modernizador deve servir neste momento à sociedade brasileira e não se servir dela; elevar seu conhecimento científico-técnico e potencializar sua cultura, em vez de mimetizar ou papaguear valores importados; descortinar novos horizontes de diálogo, participação e encontros, rompendo as cercas do latifúndio midiático e sua atual estrutura vertical, onde a população é vista como um mero recipiente onde são depositados e despejados cotidianamente os anti-valores consumistas, egocêntricos, alienados e alienantes. Queremos cada vez mais ser agentes ativos da mudança, mulheres e homens com informação e conhecimento para fazer opções, escolher alternativas, negar, aplaudir, refletir, pensar com a própria cabeça e caminhar com os próprios pés.

Para que isso seja possível, na visão dos movimentos sociais e de todos os lutadores pela democratização da comunicação, precisamos que o Executivo tome à frente e exerça sua responsabilidade, pisando fundo no acelerador em apoio à Conferência da Comunicação, a exemplo do que já fez em dezenas de outras, como a dos Direitos Humanos, Juventude, Mulheres e Meio Ambiente, colhendo junto ao povo dos mais distantes rincões os nutrientes necessários para que a nossa receita saia à altura de tantos sonhos e esperanças. Reafirmamos, pois, a necessidade de ampliarmos a pressão em 2009 para que o Executivo trate o tema com a importância que merece, como política pública que diz respeito ao presente e ao futuro de toda uma Nação. Para isso, é fundamental que o evento tenha a amplitude e a representatividade necessárias a fim de que possa dialogar com as expectativas e concretizar as esperanças nele depositadas, não sendo um fim em si, mas construindo pontes para o futuro. O envolvimento das entidades populares e do movimento sindical na sua organização ampliará a sintonia com tais propósitos, materializando as reivindicações dos encontros preparatórios já realizados por iniciativa destas entidades.

Como todos sabemos, a construção de um novo marco regulatório para as comunicações deixou há tempos o campo da possibilidade, tornando-se uma necessidade premente. Como manter nas mãos de poucas famílias, nacionais ou estrangeiras, tamanha concentração de meios que converterão a comunicação em mercadoria, em objeto de lucro? Não é possível que continuem mercadejando com a verdade, prostituindo informações, promovendo aliados e invisibilizando inimigos, enaltecendo submissos e criminalizando os movimentos sociais. A hora do basta chegou e isso passa pela realização da Conferência.

O fato de que mesmo empresários que até bem pouco tempo tinham seus ouvidos fechados para qualquer som diferente de cifrões tilintantes virem se pronunciando em apoio à Conferência é esclarecedor. Afinal, com a chegada das teles estrangeiras, há a perspectiva de que os tentáculos das transnacionais que já atuam em nosso país se expandam cada vez mais, asfixiando até mesmo os parcos e infinitamente minúsculos espaços conquistados nas grades de programação.

A Conferência Nacional de Comunicação é, pois, um fruto que está maduro para ser colhido e sorvido, contando com mais e mais defensores.

Finalmente, mas não menos importante, é necessário ressaltar que existem milhões em recursos reservados para a concretização da Conferência. Se não existissem, faríamos com que aparecessem, mas nem isso é preciso, pois a verba foi prevista, inclusive no Plano Plurianual, o que garante que a consulta seja a mais ampla possível. Continuemos pressionando juntos, para que enfim a sociedade possa ser consultada sobre questões de tamanha relevância para a democracia e a efetiva libertação nacional, rompendo o dique do monopólio da mentira e da ignorância com que alguns meios tentam sufocar a sociedade brasileira.

A Conferência é oxigênio para a liberdade. Que 2009 seja o ano de respirá-la!

Atualizado em ( 18/12/2008 )
 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >

Copyright © 2002-2009 CUT Central Única dos Trabalhadores
3.438 - Entidades filiadas   |  7.464.846 - Sócios |    22.034.145 - Representados

Rua Caetano Pinto nº 575 CEP 03041-000 Brás, São Paulo SP | Telefone (0xx11) 2108 9200 - Fax (0xx11) 2108 9310