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Clipping 28/01/10

Escrito por William Pedreira
28/01/2010

Edição nº 0 quinta, 28 de janeiro de 2010
Fechamento: 09:24




Edição número 1506 quinta-feira, 28 de janeiro de 2010


 
Fechamento: 08h50 

 
Veículos Pesquisados:


Clipping CUT é um trabalho diário de captação de notícias realizado pela equipe da
Secretaria Nacional de Comunicação da CUT. Críticas e sugestões com
Leonardo Severo (leonardo@cut.org.br)
Isaías Dalle (isaias@cut.org.br)
Paula Brandão (paula.imprensa@cut.org.br)
Luiz Carvalho (luiz@cut.org.br)
William Pedreira (estagio.imprensa@cut.org.br)
Secretária de Comunicação: Rosane Bertotti (rosanebertotti@cut.org.br)




O Estado de S.Paulo



Lula desafia TCU e coloca dinheiro em obras da Petrobrás sob suspeita
Dois dos empreendimentos integram a lista do PAC e estão em Estados governados por aliados do presidente

Edna Simão, Eugênia Lopes (Nacional)

Para não correr risco de ver obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) paralisadas em ano eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retirou quatro empreendimentos da Petrobrás da lista de projetos com indícios de irregularidades do Orçamento de 2010.

Lula sancionou ontem o Orçamento de 2010 com apenas dois vetos. Um tratava justamente da retirada das quatro obras da Petrobrás - das quais duas incluídas no PAC - da lista de irregularidades apontadas por auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU). Se continuassem na relação, as obras, na interpretação do governo, poderiam ser interrompidas, pois estariam impedidas de receber recursos orçamentários este ano.

A saída das obras da Petrobrás da "lista negra" garante o repasse de recursos para investimentos da estatal na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco; na refinaria Presidente Getúlio Vargas, no Paraná; no terminal de escoamento de Barra do Riacho, no Espírito Santo, e no complexo petroquímico do Rio de Janeiro. Em três desses empreendimentos, o TCU apontou indícios de irregularidades, como superfaturamento e critério de medição inadequado, além de gestão temerária. A obra do complexo petroquímico do Rio entrou na lista por decisão do Congresso, ao votar o Orçamento no fim do ano passado. Segundo a assessoria do TCU, não há recomendação de paralisação da obra.

CONFRONTO
No ano passado, Lula foi um crítico contumaz do trabalho do TCU, acusando-o de paralisar obras e causar prejuízos ao País. O governo estuda elaborar projeto para reduzir e limitar o poder de atuação do órgão. Agora, para ignorar a recomendação do TCU e do Congresso, Lula argumentou que a paralisação das obras da Petrobrás iria acarretar um "prejuízo imediato de aproximadamente 25 mil empregos e custos mensais da ordem de R$ 268 milhões". Alegou ainda que parte dos contratos dos quatro empreendimentos "já apresenta 90% de execução física e sua interrupção gera atraso no início da operação das unidades em construção, com perda de receita mensal estimada em R$ 577 milhões, e dificuldade no atendimento dos compromissos de abastecimento do País com óleo diesel de baixo teor de enxofre".

Na exposição de motivos para o veto, Lula reconheceu que cedeu ao lobby dos governadores dos Estados onde se encontram as obras - Eduardo Campos (Pernambuco), Sérgio Cabral (Rio de Janeiro), Paulo Hartung (Espírito Santo) e Roberto Requião (Paraná). A construção da refinaria Abreu e Lima (PE) e a modernização da Presidente Getúlio Vargas (PR) são obras que fazem parte do PAC.

"O presidente acatou um pedido, um apelo feito pelos governadores dos Estados, pelos representantes dos trabalhadores do setor do petróleo, pelos empresários de indústria de base e pelo próprio comitê de obras irregulares da Câmara, que é quem analisa esse tema no âmbito da Comissão Mista de Orçamento", afirmou o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

A Petrobrás negou as irregularidades apontadas pelo TCU. No fim do ano passado, antes do Orçamento de 2010, ser votado no Congresso, a estatal apresentou um ofício aos parlamentares com justificativas sobre a regularidade dos investimentos nas quatro obras. Segundo a Petrobrás, os desentendimentos com o TCU decorrem de visões diferentes sobre a contratação de serviços.

Em dezembro, o coordenador do Comitê de Obras Irregulares, deputado Carlos Melles (DEM-MG), defendeu a permanência das obras da Petrobrás na "lista negra" alegando que elas não seriam interrompidas. Isso porque seriam bloqueados apenas os contratos e convênios onde foram identificadas irregularidades. Com a retirada dos empreendimentos da Petrobrás, ficaram na lista 20 outras obras - das quais duas do PAC. Esses empreendimentos não poderão receber recursos do Orçamento até que as falhas sejam sanadas.

O TCU recomendou ao Congresso o bloqueio das verbas destinadas à refinaria Abreu e Lima, após auditoria que verificou indícios de superfaturamento de R$ 96 milhões nas obras de terraplenagem e de sobrepreço calculado em R$ 121 milhões.


Vannuchi diz que há defesa da volta dos DOI-Codis
Ministro compara as críticas ao Programa Nacional de Direitos Humanos a um movimento pró-ditadura 

Wilson Tosta (Nacional)

O secretário especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, comparou ontem críticas ao 3º Programa Nacional de Direitos Humanos à defesa da volta dos DOI-Codis, órgãos de repressão do período mais fechado da ditadura 1964-1985, nos quais ocorreram assassinatos, desaparecimentos e tortura de opositores ao regime. Segundo ele, em artigo na imprensa, um jurista, que não identificou, para atacar o PNDH-3 e o próprio Vannuchi, lembrou uma resenha em que crítico literário Agripino Grieco, ao se referir a uma obra de poesia, recomendava que se queimasse o livro e, se seu autor insistisse em escrever, que o queimassem também. Para ele, a frase mostrou uma disposição pró-ditadura, que criticou, durante participação na oficina Trabalho escravo: o quanto já caminhamos e o que falta fazer?, incorporada ao Fórum Social Mundial.

"Não tinha lido, nos últimos anos, uma confissão tão clara de que, se for preciso construir DOI-Codis de novo, vamos construir DOI-Codis de novo", declarou o secretário, em referência aos Destacamentos de Operações de Informações - Centros de Operações de Defesa Interna, organismos de repressão política comandados pelo Exército nos anos 70, sobre cujos ex-integrantes pesam acusações de tortura e assassinato.

Em entrevista, Vannuchi amenizou o discurso. "Puxa vida, 21 anos de reconstrução democrática, e ainda existem pensamentos que ecoam a ideia de que, na diferença, não aceito opinião diferente da minha, e, se a pessoa insistir, queime-se quem faz a defesa. Está errado, é preciso conviver, o Fórum Social Mundial é uma grande demonstração disso, há pluralidade, há divergência."

O secretário afirmou ser bom que "esses segmentos utilizem atualmente o instrumento da notícia na imprensa, de articulação de uma ofensiva como essa, porque em outros momentos da história se utilizaram de dispositivos muito menos democráticos do que esses". Foi nesse contexto que acusou seus críticos de quererem a volta dos órgãos de repressão.

MANIFESTAÇÃO
Vannuchi aproveitou a oficina para rebater críticas ao PNDH-3 e para criticar a imprensa. "Fui lembrado como terrorista, uma revista disse "não conseguiu no revólver, quer conseguir na caneta"", reclamou. Ele negou que a proposta de criar a Comissão da Verdade, que investigaria crimes ocorridos na ditadura, tivesse como objetivo revogar a Lei de Anistia. "Bastava ler, está lá, com todas as letras, né, "observadas as disposições da lei 6.683", ou bastava o colega jornalista, quem sabe o editor, ir lá e ler, se quisesse noticiar direitinho, ver que não é contra a Lei de Anistia, havia um amplo consenso de não revisar a anistia." Segundo ele, os ataques que sofreu tiveram, em algumas publicações, "pequenas características de linchamento". "Não vamos reagir com o mesmo espírito de ataque a quem nos chamou de revanchista, procurar uma palavra equivalente, porque em direitos humanos o instrumento é o diálogo, a explicação paciente, perseverante, reconhecendo a alteridade", pregou.

Segundo Vannuchi, a discussão sobre a ditadura não é revanche. "Ninguém está preocupado em jogar ninguém na masmorra, para que morra lá. Pelo contrário, se quer jogar luz, conhecer para não deixar acontecer outra vez", afirmou, sob aplausos. Apesar de elogiar a composição do grupo de trabalho que preparará o projeto de criação da comissão, Vannuchi previu dificuldades internas para chegar a uma proposta de consenso.


Divisão de lucros é proposta de Mangabeira
Projeto foi discutido com intelectuais e entidades favoráveis à medida

Vannildo Mendes (Nacional)

É herança do ex-ministro Roberto Mangabeira Unger, que ocupou a Secretária de Assuntos Estratégicos, o projeto de lei que obriga a distribuição de 5% dos lucros das empresas aos empregados. Unger discutiu a medida num círculo fechado de intelectuais e só deu conhecimento do seu conteúdo a um grupo de entidades sindicais favoráveis à medida. O projeto tem nove artigos e integra um documento de 67 páginas, chamado Reconstrução das Relações Capital -Trabalho, que ele produziu na sua tumultuada passagem pelo governo, do qual se desligou no ano passado.

Entre as entidades que Mangabeira diz ter consultado estão a CUT, Força Sindical, UGT, CGTB, NCST e CTB. Nenhuma entidade empresarial está relacionada, embora algumas federações comerciais tenham se manifestado a favor da medida. Sem chance de ver o projeto aprovado, por falta de condições políticas no Congresso, como apurou o Estado, Mangabeira passou a paternidade para o Ministério do Trabalho.

Carente de uma medida de impacto que marque sua gestão, o ministro Carlos Lupi encampou o texto e organizou um grupo de trabalho, com a participação do Ministério da Justiça, que deu o arcabouço jurídico ao projeto - ainda a ser submetido à Casa Civil antes de ir para o Congresso Nacional.

As resistências já começaram em várias partes do País. "O projeto é demagógico, estatizante e antidemocrático", disse o advogado José Carlos Vergueiro, sócio do escritório Velloza, Girotto e Lindenbojm, especialista em direito empresarial.

A forma confusa de lançamento da proposta desencadeou no governo um princípio de crise marcado por versões conflitantes. O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou que o que existem são só "estudos", divulgados prematuramente por assessores.

Ontem, em Novo Hamburgo (RS), Tarso voltou a dizer que há um estudo no governo sobre a participação dos trabalhadores nos lucros das empresas e confirmou que sua pasta coordenou um grupo de trabalho sobre o assunto. Disse também que não assumiu nenhuma questão pessoal sobre a proposta. Nem ele, nem o Ministério da Justiça.


Bolsa-Família em SP tem pior índice entre capitais

Lisandra Paraguassú (Nacional)

São Paulo deixa de atender atualmente 155 mil famílias no programa Bolsa-Família por falta de inscrição no Cadastro Único. Anteontem, o Ministério do Desenvolvimento Social liberou R$ 4 milhões para que a capital paulista, a mais rica do País, termine o cadastramento e possa aumentar seu atendimento. Hoje, a cidade tem o pior nível de atendimento do Brasil.

Entre 30 cidades que têm o cadastramento mais atrasado, São Paulo é a 4ª, com apenas 54% de cadastros feitos. Aparecida de Goiânia (GO), Cachoeiro de Itapemirim (ES) e Itaquaquecetuba (SP) lideram ranking negativo. A capital nunca chegou perto dos 100% de cadastramento das famílias que poderiam ser incluídas - aquelas com renda familiar inferior a R$ 140. No início de 2009, conseguiu alcançar 71,6%.

"Repassamos esses recursos para que São Paulo possa fazer imediatamente o cadastramento de pelo menos 134 mil famílias que faltam ser atendidas", explicou o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias. "São Paulo tem problemas próprios por ser a maior cidade do País e procuramos ajudar na forma de uma parceria."

A Secretaria Municipal de Assistência Social, responsável pelo Bolsa-Família na capital, explica que tem 233 mil famílias no Cadastro Único, mas apenas 171 mil são atendidas porque o restante já foi excluído por estar fora dos critérios do programa. Em e-mail enviado ao Estado, diz que os recursos recebidos do ministério serão usados para contratar uma empresa terceirizada e finalizar o cadastramento.


PT e MST protestam contra prisões
Políticos e líderes acusam polícia de ter agido com fim eleitoral ao prender envolvidos em depredação de fazenda

Roldão Arruda (Nacional)

Políticos do PT e líderes de organizações ligadas à defesa da reforma agrária acusaram ontem a Polícia Civil do Estado de São Paulo, subordinada à Secretaria de Segurança Pública, de ter agido com objetivos políticos e eleitorais no episódio da detenção de líderes do Movimento dos Sem-terra (MST), na terça-feira. Hoje, no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, haverá um ato de protesto contra a ação policial.

As prisões, nos municípios de Iara e Borebi, fazem parte da Operação Laranja, que investiga a destruição de um laranjal e a depredação das instalações de uma fazenda da empresa Cutrale, por militantes do MST, em outubro do ano passado. Entre os detidos estavam dois políticos filiados ao PT.

Ontem, o deputado estadual Simão Pedro (PT), da Frente Parlamentar pela Reforma Agrária, pediu explicações ao governo sobre possíveis irregularidades na operação. "O PT condena a destruição do laranjal, mas não podemos concordar com o fato de os advogados não terem tido acesso aos autos do inquérito. Isso tolhe o direito dos presos."

O coordenador nacional da área de movimentos sociais do PT, ex-deputado Renato Simões, criticou a polícia por ter distribuído os detidos por diferentes locais da região de Bauru, dificultando a ação da defesa e o contato dos familiares. "O episódio mostra o que pode ser a política de José Serra em relação aos movimentos sociais, caso seja eleito presidente", disse.

Simões também criticou o que chamou de "espetacularização" do fato, com a filmagem das prisões por uma TV local. Para a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a operação faz parte de uma ofensiva para criminalizar movimentos sociais.

"A foto publicada no Estado, com um homem algemado e puxado por um policial, diz tudo sobre a cultura jurídica em vigor neste país, onde qualquer pobre que se organiza é visto como criminoso", disse Dirceu Fumagalli, da Pastoral. Segundo Gilmar Mauro, da coordenação nacional do MST, a ação policial foi "um show pré-eleitoral".

Ontem, o delegado responsável pela operação, Benedito Valencise, da Seccional de Bauru, refutou as acusações. "O inquérito foi instaurado há vários meses e é público", afirmou. Ele também disse que não houve contato prévio com a imprensa e que as prisões de políticos do PT não tiveram conotação política: "Temos elementos que deixam patente a participação dos dois nos crimes."

O Palácio dos Bandeirantes não quis comentar as críticas. Na Assembleia Legislativa, o deputado Milton Flávio (PSDB), vice-líder do governo, atacou os petistas: "É lamentável que o PT tente fazer de um fato jurídico um fato político de terrorismo eleitoral."


Zelaya deixa embaixada brasileira e Honduras, mas avisa: 'Voltarei'
Presidente deposto viaja para República Dominicana após posse de sucessor e põe fim a quase 8 meses de crise 

Roberto Simon (Internacional)

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, partiu ontem para o exílio em um avião cedido pela República Dominicana, encerrando uma crise política que já se estendia por oito meses. Mas, ao sair da embaixada brasileira, onde estava abrigado desde 21 de setembro, Zelaya prometeu: "Voltaremos, voltaremos."

O líder deposto chegou ontem à noite em Santo Domingo com Xiomara, sua mulher, e Pichu, sua filha, horas após o presidente eleito Porfírio "Pepe" Lobo tomar posse. Cerca de 10 mil zelaystas despediram-se dele numa base aérea ao lado do aeroporto de Tegucigalpa - mesmo local de onde ele foi enviado para a Costa Rica. Desta vez, a multidão de partidários, de punhos ao ar, cantou o hino quando o avião com o presidente deposto decolou.

Zelaya será recebido na República Dominicana como "hóspede especial". Não está claro, porém, por quanto tempo ele permanecerá no país.

Pouco antes da partida de Zelaya, Pepe recebeu a faixa presidencial prometendo fazer "cicatrizar as feridas políticas do passado". Eleito em novembro já no primeiro turno, ele deverá agir para ser reconhecido como presidente legítimo pelos países que desqualificam sua vitória nas urnas argumentando que a campanha foi conduzida sob um regime de facto.

CALMA
Desde o início da tarde, dezenas de jornalistas aguardavam Zelaya na frente da embaixada. O presidente deposto acordou às 11 horas e recebeu a visita de sua mãe, Hortensia, com quem almoçou às 14 horas. O clima na embaixada era calmo, garantem testemunhas.

Zelaya saiu por volta das 16 horas da missão em um comboio de cerca de dez carros, seguido de dez seguranças em motocicletas. Antes de partir, ele recebeu na missão brasileira Lobo e o presidente Leonel Fernández.

Zelaya foi deposto em 28 de junho após tentar convocar uma consulta popular que abriria as portas para a realização de uma Assembleia Constituinte. O projeto havia sido vetado pela Suprema Corte e pelo Congresso, mas Zelaya insistiu em levá-lo adiante.

Na terça-feira à noite, a recém-empossada legislatura do Congresso hondurenho aprovou um projeto de anistia política para os envolvidos no golpe e em seus desdobramentos. A medida não livra Zelaya porque o deposto responde por 18 crimes comuns - incluindo peculato e abuso de poder.

Desde a deposição de Zelaya, o governo de facto era dirigido por Roberto Micheletti, que se afastou do poder há uma semana e não participou da cerimônia de posse.

Lobo assumiu com a promessa de "uma nova era de paz e democracia" para seus compatriotas e a volta de Honduras à comunidade internacional. "Começamos a caminhar por uma nova rota para melhorar a qualidade de vida de todos os hondurenhos", disse, em seu discurso de posse, após assinar o decreto de anistia - que só entra oficialmente em vigor 20 dias após a publicação no diário oficial.

A cerimônia, que só contou com a presença de dois presidentes latino-americanos - o da República Dominicana e o do Panamá -, foi realizada no Estádio Nacional de Tegucigalpa.

"Saímos da pior crise da história democrática de Honduras na qual demonstramos ao mundo que somos amantes da liberdade e da democracia", disse Lobo em seu discurso de inauguração. Ele prometeu ainda reverter o declínio da economia hondurenha, que viveu em 2009 seu pior ano desde 1999, quando o furacão Mitch destruiu grande parte do país. O novo presidente disse ser favorável a uma "economia de mercado com um Estado atuante".


Zelaystas marcham e dizem 'seguir na luta'
Milhares foram até o aeroporto demonstrar apoio ao presidente deposto

Roberto Simon (Internacional)

Com a promessa de "seguir na luta", milhares de hondurenhos marcharam ontem da Universidade Pedagógica de Tegucigalpa até a região do aeroporto de Toncontín, de onde o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, deveria embarcar para a República Dominicana. A marcha foi a maior mobilização popular desde setembro, quando Zelaya voltou escondido a Honduras e buscou refúgio na embaixada brasileira.

No trajeto pela capital, manifestantes empunhavam bandeiras vermelhas com o rosto de Zelaya ao estilo Che Guevara e caricaturas do presidente de facto, Roberto Micheletti, como um gorila. Caminhavam entoando músicas que, durante os oito meses de protestos, tornaram-se uma espécie de trilha sonora zelaysta.

"Ele vai voltar, isso é certeza", dizia a empresária Miriam Mejía, que calcula já ter participado de pelo menos 50 manifestações em apoio a Zelaya. Na véspera de sua saída, o líder deposto afirmara que "um dia volta" a Honduras.

Convocada pela Frente Nacional de Resistência (FNR), o principal grupo de apoio a Zelaya, a marcha teve participação de sindicatos e organizações populares, mas pessoas da classe média de Tegucigalpa também aderiram à passeata. Acompanhada de sua mãe e avó, Marília Alvarado, estudante de 15 anos, disse que estava na marcha para denunciar "a arbitrariedade e o desrespeito à Constituição".

Diferentemente das manifestações que sucederam ao retorno do deposto, a de ontem não teve episódios de violência entre membros da FNR e forças de segurança. Policiais olhavam de longe os opositores e organizavam o trânsito. Na multidão, a vice-chanceler de Zelaya, Beatriz Valle, declarou ao Estado que zelaystas continuarão a não reconhecer o governo de Porfírio "Pepe" Lobo.

À exceção do Canal 36, que apoia abertamente Zelaya, as TVs hondurenhas ignoraram a manifestação para transmitir a íntegra da cerimônia de posse ao vivo. Quando o carro velho da emissora pró-Zelaya, conduzido pelo âncora da TV, chegou ao protesto e começou a buzinar para pedir licença aos manifestantes, foi recebido com festa: "Está aí a última voz do povo", gritou um opositor.


Copom mantém juro pela 4ª vez seguida
Comunicado indica, porém, que a taxa Selic pode subir em breve

Fernando Nakagawa (Economia)

Em decisão esperada pelo mercado financeiro, o Banco Central (BC) manteve na noite de ontem, por unanimidade, o juro básico da economia, a taxa Selic, em 8,75% ao ano. O comunicado divulgado após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), porém, sinaliza que os juros podem sofrer mudança em breve.

No texto, os diretores da autoridade monetária deixaram de afirmar que o nível do juro é consistente com um cenário inflacionário benigno e que há ociosidade nas fábricas - aspectos destacados nos últimos comunicados do comitê.

Lacônico, o texto do BC diz que a decisão de manter o juro foi tomada após avaliação "da conjuntura macroeconômica e das perspectivas para a inflação". "O Comitê vai acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária", afirmou o comunicado.

"O comunicado menor mostra que as condições econômicas estão mudando", disse a economista-chefe da consultoria Rosenberg & Associados, Thaís Zara. "Era de se esperar que mudassem o texto e, agora, eles devem subir o tom na ata. Não há mudança na política monetária sem alteração do texto dos comunicados e das atas."

O ciclo de aperto monetário deve iniciar-se em breve, muito provavelmente em abril - daqui a duas reuniões do Copom, aposta o mercado financeiro na pesquisa semanal Focus. Para os analistas, o juro deve começar a subir ainda neste semestre, para impedir a alta da inflação acima da meta no fim de 2010. Por enquanto, o mercado prevê inflação de 4,60% neste ano, pouco acima do centro da meta de 4,50%.

Para os economistas, o ciclo de aperto monetário deve começar em abril, com alta de 0,50 ponto porcentual, o que levará a Selic para 9,25%. Depois, são esperadas elevações em junho, julho, setembro, outubro e dezembro. Ao todo, o juro deve subir 2,25 pontos, até atingir 11% ao ano.

"Como o BC sempre age preventivamente e há defasagem entre a atuação e seu reflexo na economia, será preciso começar a atuar rapidamente", diz a economista da Rosenberg&Associados.

PRESSÃO
Essa pressão de alta nos preços já começa a ser vista. Embora o mercado avalie o movimento ainda como incipiente, a inflação do início do ano sobe mais que o esperado por reajustes como o do transporte público em São Paulo, mensalidades escolares e alimentos.

Se confirmadas as previsões do mercado, o trimestre deve ter Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) próximo de 2%, acima da previsão oficial do BC de 1,53%.

A preocupação maior, porém, está nos próximos meses, quando são esperados reajustes mais fortes em itens como bens de consumo e serviços. Para a autoridade monetária, essa pressão inflacionária pode ocorrer porque a maior atividade econômica deve aumentar a demanda e, ao mesmo tempo, reduzir a ociosidade das fábricas.

Diante disso, a capacidade de aumentar a produção ficará apertada a partir de meados do ano, o que pode deflagrar reajustes de preços. "Até teremos algum espaço para importar e reduzir essa pressão. Mas essa opção tem alcance limitado e haverá outros focos de pressão, como o reajuste do salário mínimo, que favorece o aumento dos serviços", diz Thaís Zara.




Folha de S.Paulo


Lula decide que Vaccarezza será líder do governo (Brasil)

O deputado federal Cândido Vaccarezza (PT-SP) assumirá na próxima semana a liderança do governo na Câmara no lugar de Henrique Fontana (PT-RS), no posto desde o final de 2007.

O presidente Lula se reuniu ontem, na Base Aérea de Brasília, com os dois para divulgar a substituição antes de embarcar para Recife e Suíça, onde participará do Fórum Econômico Mundial.

Segundo o ministro Alexandre Padilha, Lula optou pela troca porque neste ano Fontana vai coordenar a campanha do ministro Tarso Genro (Justiça) ao governo gaúcho. Os líderes do Congresso, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), e do Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), porém, não serão substituídos.

No período em que ficou na liderança, a atuação de Fontana incomodou o governo. A maior queixa foi quando ele defendeu a vinculação dos benefícios da Previdência ao reajuste do salário mínimo, na contramão do Planalto. Ele também foi criticado nas negociações para a votação dos projetos do pré-sal.



Após discussão, Câmara do DF adia eleição de novo presidente

Felipe Coutinho e Larissa Guimarães (Brasil)

Com eleição marcada para ontem, a escolha do novo presidente da Câmara Legislativa do DF foi adiada após uma troca de acusações entre deputados da oposição e aliados do governador José Roberto Arruda (ex-DEM).

O presidente interino da Casa, deputado Cabo Patrício (PT), remarcou a eleição para a próxima terça-feira -prazo limite para que deixe o cargo. Ele alegou que a decisão era de "foro íntimo".

A confusão ontem começou quando Patrício, ao abrir a sessão, comentou uma nota divulgada no "Blog do Noblat". O texto dizia que existe proposta de R$ 4 milhões a deputados que votarem pela absolvição de Arruda nos processos de impeachment.


Após discussão entre governistas e opositores, Patrício levantou suspeita sobre a escolha do novo presidente da Casa e encerrou a sessão.


Os governistas consideraram o adiamento uma estratégia da oposição para ficar o máximo de tempo na presidência, já que a base de Arruda é maioria e iria eleger um aliado do governador para o cargo. Wilson Lima (PR) era o nome mais cotado.


Ontem, o deputado Brunelli (PSC), que aparece em vídeos recebendo dinheiro, foi à Câmara e se recusou a falar. "Meu partido é do [Joaquim] Roriz [inimigo político de Arruda], mas não sei se sou da oposição ou da base. Estou no aguardo."



Haiti: Ajuda brasileira pode ascender a R$ 1 bilhão, afirma Amorim

Luciana Coelho (Mundo)

Desde o terremoto do dia 12, o Brasil contabiliza ter gasto US$ 230 milhões com a operação humanitária no Haiti, ou cerca de R$ 425 milhões. "É muito dinheiro", afirmou ontem em Genebra o ministro Celso Amorim, acrescentando que o valor deve subir com doações de entidades e indivíduos privados e dinheiro para reconstrução até R$ 1 bilhão.

A União Europeia, principal doadora até agora, prometeu cerca de 420 milhões em verba de socorro e de reconstrução, cifra pouco superior ao R$ 1 bilhão citado por Amorim. Os EUA doaram US$ 100 milhões, mas isso exclui despesas com envio de tropas.


"Na medida provisória [assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva], em dinheiro diretamente relacionado à ajuda ao Haiti, dá US$ 230 milhões", disse Amorim, explicando que isso inclui, além de doações de alimentos, hospitais de campanha, gastos com logística e envio de pessoal.


"É provável que, se somar dinheiro prometido pela Confederação Nacional da Agricultura e o que sairá do estoque regulador, passe bastante disso", acrescentou, citando R$ 1 bilhão como uma cifra factível.


Ontem o país terminou de repassar os US$ 15 milhões inicialmente doados às vítimas do terremoto (indivíduos doaram outro US$ 1,5 milhão por meio de uma conta aberta pelo Itamaraty). A fatia em dinheiro -cerca de um terço do total- será administrada pela ONU.


Mas Amorim rejeita as críticas de que o governo haitiano não tenha condição de administrar doações em dinheiro, embora concorde que sua infraestrutura foi avariada pelo terremoto.


Analistas ouvidos pela Folha apontam uma falta de capacidade administrativa do governo haitiano que precede o desastre e alertam para a corrupção (no ranking da Transparência Internacional, só seis países têm avaliação pior). Levantamento de dados da ONU mostra que virtualmente todos os doadores evitaram repasses financeiros ao governo.


O chanceler segue para Davos, onde participa amanhã do Fórum Econômico Mundial e fala sobre o Haiti. Amorim quer propor a isenção das tarifas de exportação para o país por um período de 20 anos para ajudar a reconstrução. "Acho que eles [países ricos] podem fazer mais do que já fizeram", afirmou.


Pela manhã, o ministro havia defendido no Conselho de Direitos Humanos da ONU maior ação no Haiti, defendendo o que chamou de "princípio da não indiferença", que "não afetaria o da não intervenção, mas jogaria luz nova sobre ele".


Caixa quer 1 milhão de moradias no Minha Casa
Para cumprir meta de programa habitacional, banco estatal terá que triplicar as unidades financiadas

Mariana Sallowicz (Dinheiro)

A Caixa Econômica Federal quer alcançar, neste ano, 1 milhão de moradias financiadas pelo programa federal Minha Casa, Minha Vida - meta estabelecida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para chegar a esse número, porém, terá de financiar 724.472 imóveis em 2010, número que representa quase o triplo do que financiou em 2009, quando foram 275.528 unidades entre abril, mês do lançamento do programa, e dezembro. A projeção era de 400 mil no ano.


"Estamos numa velocidade [de contratação] que nos dá autoridade para falar que chegaremos a 1 milhão até o final do ano", disse o vice-presidente da área de governo da Caixa, Jorge Hereda, durante apresentação do balanço de crédito imobiliário, ontem.


O banco liberou em 2009 um volume recorde de R$ 47,05 bilhões para contratações de crédito imobiliário -alta de 102% em relação ao ano anterior, quando os empréstimos atingiram R$ 23,3 bilhões.


De acordo com Hereda, o ritmo de contratação de financiamentos por meio do Minha Casa Minha Vida vem aumentando nos últimos meses, devido ao "aprendizado" dos agentes envolvidos nas operações. No mês de lançamento do programa, foram financiadas 4.500 unidades. Em dezembro, o número estava em 91,3 mil.


Nos últimos três meses de 2009, a média de financiamento foi de mais de 60 mil unidades. "É possível manter [essa média] neste ano e, assim, conseguir contratar 1 milhão de moradias até dezembro."


Para o economista-chefe do Secovi-SP (sindicato da habitação), Celso Petrucci, não será fácil atingir a meta. "Dá para fazer, mas vai exigir um esforço adicional da indústria, da Caixa, das prefeituras e até da liberação dos licenciamentos ambientais", avaliou.


Segundo ele, o programa tem alguns entraves importantes, como é o caso da dificuldade das construtoras em acharem terrenos. "Os custos devem estar compatíveis para que se possa produzir unidades de R$ 60 mil, R$ 70 mil até R$ 130 mil (valor máximo permitido no programa)". Para ele, é necessária maior agilidade na aprovação de projetos. Das 656.368 propostas recebidas na Caixa, 380.840 esperam análise.


São Paulo

A instituição também espera alcançar a meta estabelecida pelo governo para o Estado de São Paulo em 2010 -de 184 mil imóveis. No ano passado, foram contratadas 52.631 unidades -28,6% do total no país.

O custo de terrenos em São Paulo, porém, é maior do que nas demais cidades do país. Válter Nunes, superintendente regional da Caixa, diz que viabilizará a meta por meio de parcerias com Prefeitura e Estado.


Para a capital paulista, a meta é construir 12 mil unidades para famílias com renda de até três salários mínimos. A Prefeitura de São Paulo doou 32 áreas, o que possibilitará a construção de 4.468 mil unidades. Com o Estado, em parceria com a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), a expectativa é construir 13 mil unidades.



Teles ameaçam ir à Justiça contra banda larga estatal
Minuta de decreto presidencial que autoriza a Telebrás a oferecer o serviço provocou protestos

Elvira Lobato (Dinheiro)

A minuta do decreto presidencial que autoriza a Telebrás a oferecer acesso à internet para a população que mora em locais não atendidos pelo setor privado ou com preços muito acima dos praticados nas capitais provocou forte reação das companhias telefônicas.


Nos bastidores, as empresas ameaçam ir à Justiça para impedir que a estatal -que deveria ter sido liquidada no final dos anos 90, mas sobrevive como fornecedora de mão de obra à Anatel- passe a competir com as operadoras privadas pelo serviço de internet, onde está o futuro das telecomunicações.


"A minuta [do decreto] é uma loucura. Se for aprovada, abrirá uma crise institucional no setor, porque representa uma quebra do modelo de privatização das telecomunicações", afirmou o presidente da Abrafix (entidade que representada as operadoras de telefonia fixa), José Fernandes Pauletti.


A banda larga estatal exigirá, numa primeira etapa, investimento de R$ 1,3 bilhão. Na visão das teles, o custo de cobrir todo o país com o serviço ultrapassaria R$ 4 bilhões.


O secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, é um dos principais defensores da rede pública de banda larga, com aproveitamento das redes de fibras óticas da Petrobras e das estatais de energia elétrica.


Vazamento
Já houve várias versões do decreto. A versão final deve ser submetida ao presidente Lula no dia 10 de fevereiro.


Vazou uma versão redigida no dia 22 de dezembro, com 18 artigos. A Folha teve acesso ao documento, que circula entre executivos. Pelo texto, a Telebrás passaria a atuar como prestadora direta de serviço de telecomunicações, podendo, até, oferecer banda larga aos usuários finais.


A versão tornada pública relaciona, no artigo 6º, as seguintes atribuições para a Telebrás:
a) implementação da intranet do governo federal;


b) dar suporte a políticas públicas de conexão à internet e provimento de acesso em banda larga para universidades, centros de pesquisa, escolas, hospitais, postos de atendimento e telecentros;

c) prover infraestrutura a serviços prestados por empresas privadas;

d) oferecer conexão à internet a usuários finais onde não haja o serviço ou onde o preço médio de mercado seja superior em 50% ou mais ao praticado na capital mais próxima.

Pelo texto que circula, caberá à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) estabelecer a forma de cálculo do preço médio de mercado, para as velocidades de 256 Kbps, 512 Kbps e 1 mega.


A Telebrás ficaria encarregada de operar toda a infraestrutura de redes de telecomunicações da administração federal direta e indireta.


Os órgãos públicos e estatais que têm redes de uso restrito poderiam operá-las mediante contrato de cessão de uso firmado pela Telebrás.


Contradição
Para José Fernandes Pauletti, a abertura para a Telebrás oferecer banda larga a usuários finais contradiz o que vinha sendo acenado pelo governo. Segundo o executivo, as teles receiam uma concorrência desigual da estatal.


"Em igualdade de condições, se uma empresa privada for menos eficiente do que uma estatal, ela tem de ser eliminada do mapa. Mas, o que se sabe, é que as condições nunca são iguais, em termos de custo de crédito e de encargos", disse.




Valor Econômico


Dieese apresenta projeto para reduzir informalidade 
Sérgio Bueno

O Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socieconômicos (Dieese) apresentou ontem, no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, um programa que pretende reduzir a informalidade do trabalho no país. O plano é dirigido a assalariados sem carteira assinada, terceirizados, autônomos, trabalhadores "safristas", empregados domésticos, pequenos produtores rurais e micro e pequenas empresas não registradas. A ideia é incluí-los nos sistemas de Previdência e assistência social e, quando possível, de representação sindical.

Segundo o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, embora o trabalho informal esteja crescendo menos do que o formal (8% contra 29%, respectivamente, de 2004 a 2008), ele ainda atinge quase um terço da população ocupada nas regiões metropolitanas. São pessoas submetidas a situações de "exploração", a relações de trabalho "frágeis e precárias" e carentes de representação devido a seus interesses difusos, comentou.

"Se incluirmos o setor rural, a taxa média de informalidade sobe para 50% da população ocupada", disse Lúcio. Isso significa cerca de 40 milhões de pessoas, considerando um contingente total em torno de 80 milhões de trabalhadores ocupados no país.

O trabalho vai começar com quatro projetos-piloto, a partir do primeiro semestre deste ano, nos setores do comércio em Porto Alegre, da construção civil em Curitiba, de confecção em Caruaru (PE) e da produção de tomates em Morrinhos (GO). O financiamento será do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que vai liberar US$ 1,150 milhão a fundo perdido, explicou a coordenadora do programa, Rosane Maia.

A meta é formalizar pelo menos 5 mil empregos ou empreendimentos durante os três anos previstos para os pilotos nas quatro cidades. Só na região metropolitana de Porto Alegre, o número de empregados no comércio sem carteira assinada cresceu 58,9% de 1998 a 2008, para 29 mil. Ao mesmo tempo, o total de trabalhadores no setor avançou 49,8%, para 205 mil.

A estratégia, segundo Lúcio, será estimular a formalização por intermédio do "diálogo social" entre trabalhadores, empresários e governos, além de oferecer apoio para acesso ao crédito, tecnologia e métodos modernos de gestão por parte das empresas. De acordo com ele, boa parte do problema deve-se à informalidade das micro e pequenas empresas, pois muitos empreendedores não conhecem os instrumentos que existem para facilitar a legalização dos pequenos negócios.

É o caso do Supersimples (que simplificou o recolhimento dos impostos federais) e da figura do empreendedor individual, que desde julho do ano passado pode se formalizar pagando alíquotas reduzidas de contribuição previdenciária, ICMS e ISS, disse o diretor do Dieese. Segundo ele, Estados e municípios podem contribuir simplificando seus sistemas tributários e reduzindo a burocracia para registro de empresas.


Decisão sobre banda larga deve sair em fevereiro

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, disse ontem que a decisão sobre o formato do Plano Nacional de Banda Larga será tomada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 10 de fevereiro. Ele negou que a reativação da Telebrás, com atuação inclusive na oferta do serviço ao varejo, já esteja decidida. A expectativa é que a empresa estatal administre uma rede de cabos de transmissão que se estenda por todo o país. A estatal ofereceria infraestrutura de fibra óptica e empresas privadas ou instituições de ensino, por exemplo, prestariam o serviço de internet banda larga ao usuário final.

A possibilidade de a Telebrás oferecer diretamente o serviço aos usuários ou subcontratar outras empresas para isso suscitou desconforto entre executivos presentes ontem à cerimônia de posse de Jarbas Valente como conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

No fim do ano passado, o presidente Lula pediu ao Ministério do Planejamento que calculasse quanto custaria ao governo federal cuidar de todo o serviço de banda larga, da infraestrutura à oferta final. A partir desse número, o presidente poderá pressionar as empresas privadas a reduzirem custos.

Para os executivos, que preferem não falar abertamente até a decisão definitiva do presidente Lula, o medo é que a Telebrás concorra com as empresas privadas em condições tributárias mais favoráveis. Para oferecer o serviço, segundo um executivo, as empresas hoje arcam com 47% de tributos sobre o valor final. Para o presidente de outra empresa, não pode haver condições assimétricas entre empresas públicas e privadas.




Jornal do Brasil


Obama prioriza empregos em 2010 e faz novo apelo por saúde

Em seu primeiro discurso sobre o Estado da União, feito quarta-feira à noite no Congresso americano, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez duras declarações contra os bancos e a favor de uma lei de empregos, que pretende ver aprovada no Parlamento. 

Obama começou seu pronunciamento afirmando que o pior da tempestade da crise econômica já passou, mas não a devastação, lembrando que um em cada dez americanos está desempregado. Disse que, ao assumir o governo em 2009, a tarefa mais urgente foi ajudar os mesmos bancos que criaram a crise.

- Detestei ajudar os bancos. Mas sem isso, o desemprego hoje poderia ser o dobro.

Agora em 2010, afirmou Obama, a recuperação dos postos de trabalho será o foco número um. Para isso, defendeu a aprovação de uma lei sobre empregos e o encaminhamento de US$ 30 bilhões que serão devolvidos pelos bancos para o empréstimo a pequenos negociantes. Mais uma vez, Obama apelou para a aprovação da reforma do sistema de saúde.




O Globo


Produtor planeja caravana por cidades sem cinema para exibir filme sobre Lula a preços populares

André Miranda

RIO - Se os espectadores não vão - ao menos como se esperava - até o filme, então que o filme vá até os espectadores. Desde sua estreia, em 1º de janeiro, o longa-metragem "Lula, o filho do Brasil", de Fábio Barreto, atraiu cerca de 800 mil pessoas ao cinema. O público é bem acima da média nacional (em 2009, apenas quatro produções tiveram desempenho superior), mas abaixo das altas expectativas dos produtores que chegaram a falar em 20 milhões de espectadores. Para reverter a situação, o produtor Luiz Carlos Barreto explica que vai criar uma espécie de caravana que vai percorrer as cidades brasileiras sem salas de cinema exibindo "Lula".

Como o senhor avalia o desempenho de "Lula, o filho do Brasil" até agora?
LUIZ CARLOS BARRETO: Eu acho o desempenho do filme muito abaixo daquilo que a gente esperava, mas muito acima do que se pode chamar de fracasso. A média de público no Brasil, não apenas de filmes brasileiros, mas de qualquer filme lançado, é de 220 mil espectadores por filme. Nós estamos em 800 mil.

Mas o que o senhor acha que aconteceu para o público do filme ficar abaixo do esperado?
BARRETO: Houve vários erros. O primeiro foi realmente termos aceitado exibir o filme na abertura do Festival de Brasília. Brasília é a capital política do país, e, naquela altura, já surgiam os primeiros comentários de que o filme teria uma influência nas eleições. Estávamos entrando na arena dos leões. Além disso, a data era muito longe do lançamento. O filme teve uma exposição a partir de Brasília que só se justificaria se lançássemos uma semana depois. Com o "Tropa de elite", por exemplo, assim que surgiu o fato da pirataria, deflagrando uma mídia grande, eles anteciparam o lançamento. Nós poderíamos ter tido um pouco mais de audácia e fazer o mesmo. Se fizéssemos, também teríamos evitado a onda do "Avatar", que foi subestimado, não só por nós, mas por todo mundo. A gente achou que o "Lula" seria a grande novidade. Aí comprovou-se que "Avatar" não era apenas um grande evento, mas também um muito bom filme.

O lançamento em 1º de janeiro, então, foi ruim para o filme?
BARRETO: A data não era propriamente para um filme com a natureza do "Lula". Ela pode ser uma boa data para filmes de aventura, comédias, infanto-juvenis ou filmes para toda a família. O "Lula", sendo um filme de grande emoção deveria estrear depois das férias, quando a população estivesse no ritmo de vida mais normal. Foi um erro de avaliação coletiva, de produtores, distribuidores e exibidores. O problema é que a polêmica o transformou num filme político. E filme político é um saco, ainda mais nas férias. O cara não vai sair da praia, tomar seu chope e ir ao cinema assistir a um filme político. Ele pode até fazer isso em outra época, mas não nas férias.

Em quantas salas o filme está sendo exibido hoje?
BARRETO: Em 202 salas. São 150 a menos do que na estreia. Mas eu acho que ainda dá para enxugar mais. Há estudos que dizem que é a partir da quinta semana que um filme mostra seu potencial. É essa a estratégia que estamos adotando. Além do mais, sabemos bem que o grande público do filme não tem poder aquisitivo suficiente para ir aos cinemas. Faz parte, então, de uma das nossas estratégias, a principal, de ir ao encontro do público que não pôde vir ao encontro do filme.

Como isso será feito?
BARRETO: O projeto está sendo elaborado, ainda nem tem nome, mas devemos lançá-lo em março. O último Censo indicou que Brasil tem um total de 57 milhões de pessoas que moram em cidades de 20 mil a 500 mil habitantes sem cinemas. Já temos pelo menos 12 unidades de caminhão com projetor, tela e cadeiras para operar. Vamos levar esses caminhões para essas cidades. Não será um projeto só para o "Lula". Nós descobrimos que existe um mercado real que está fora do circuito. Nós temos que chegar a esse mercado, com nossos filmes e também com os filmes de outros produtores. A ideia é criar uma empresa nova de exibição.

Vocês vão cobrar ingresso ou haverá patrocínio?
BARRETO: Nós vamos cobrar ingressos a preços populares, o que vai variar dependendo do lugar. O projeto é nosso. Mas, na medida do possível, teremos patrocínios regionais e talvez alguns nacionais.

É um projeto de longa duração, não?
BARRETO: Sim, isso demora, pode levar mais de um ano. A gente vai começar pelas cidades de 100 mil a 500 mil, depois de 50 mil a 100 mil, e por fim de 20 mil a 50 mil. Será um programa de inclusão social.

Qual é a expectativa de público com o novo projeto?
BARRETO: Entre 10% e 20% do número total de 60 milhões. É uma meta. Nós já havíamos feito algo parecido no Rio Grande do Sul, com operadores locais, na época do lançamento do "Quatrilho" (1994). Depois de exibirmos o filme em circuito convencional, nós o exibimos num circuito volante. Desta vez será parecido. Para cada região haverá um grupo operador.




Diário Catarinense


Professores reclamam que estão faltando vagas Em Criciúma, onde a seleção foi cancelada, Sinte denuncia que deveria haver o dobro de ofertas 
Com o objetivo de dar mais transparência à contratação de professores temporários, a Secretaria de Estado da Educação aplicou provas e informatizou o oferecimento de vagas para que não fossem mais registradas irregularidades na hora da escolha dos ACT's (admitidos em caráter temporário). Mas a medida não teve o resultado esperado. Ontem, primeiro dia da chamada para a escolha das vagas, segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinte), houve problemas em todo o Estado. Em Criciúma, a seleção teve de ser cancelada.

Pela manhã, em Criciúma, cerca de 300 professores compareceram à gerência regional para a escolha de vagas de 1ª a 4ª série, mas no quadro estavam disponíveis apenas 27. Os educadores, muitos deles que já atuaram como ACT's em anos anteriores, desconfiaram da escassez e denunciaram à gerência.


De acordo com Cintia Santos, diretora de Formação do Sinte em Criciúma há pelo menos o dobro de vagas na regional, que compreende 11 cidades, e pelo menos metade das 66 escolas não disponibilizaram todas as vagas.


- Só uma escola, na Praia do Rincão, em Içara, tinha sete vagas de 20 horas e não apresentou nenhuma. Após a denúncia, as vagas apareceram - disse.


Segundo a sindicalista, é provável que os diretores das escolas escondam as vagas para guardá-las a pessoas indicadas.


- Em função da suspeita, cancelamos o processo para todos os níveis. Vamos cruzar os dados, porque pode ser que haja casos em que o efetivo ainda não fez a escolha - afirmou Arcangelo Nuernberg, gerente regional da Educação, em Criciúma.

A escolha foi remarcada para quarta, quinta e sexta-feiras da semana que vem. Na segunda e terça-feiras, a diretora de Desenvolvimento Humano da Secretaria de Educação, Elizete Mello, vai acompanhar o processo.


Ontem, Elizete afirmou que a aplicação de prova para seleção, realizada em 20 de dezembro, e a oferta das vagas no site da secretaria foram medidas adotadas neste ano para combater fraudes do tipo reserva de vagas para conhecidos ou indicados. Por isso, a suspensão e reavaliação em Criciúma.


Rossano Sczip, diretor Previdenciário do Sinte, afirmou que houve o caso de um professor habilitado para uma disciplina, mas que foi chamado para outra, em Jaraguá de Sul. Também há reclamações de pessoas que foram classificadas à frente de outras que tiveram nota mais alta na prova, o que teria acontecido na regional de Florianópolis.


Elizete rebateu as críticas de problemas em todo o Estado e explicou que o único registro grave foi o caso de Criciúma.




Jornal do Comércio


Ativistas pregam direito à memória

A ditadura militar brasileira foi foco de seminário do Fórum Social Mundial (FSM) ontem, na Câmara Municipal de Porto Alegre. A conferência Sobreviventes: Marcas das Ditaduras nos Direitos Humanos é parte do projeto Direito à Memória e à Verdade, criado em 2006, que já percorreu cerca de 60 cidades com exposições e debates sobre repressão política e os mortos e desaparecidos do regime militar brasileiro. Participaram especialistas em direitos humanos e profissionais que lidam com a questão do acesso a documentos sobre os períodos de exceção.

A secretária de Direitos Humanos do Recife, Amparo Araújo, criticou as ações contrárias ao Plano Nacional de Direitos Humanos. Ela, que é também ex-presa política, disse que voltou a ter pesadelos devido às críticas ao plano. "As forças conservadoras no Brasil estão vivas, articuladas e prontas para entrar em cena", lamenta.

O jornalista Bernardo Kucinsky relacionou o tema com a própria história de vida. Kucinsky teve parentes que foram perseguidos pelo nazismo em 1940 e uma irmã morta pela ditadura militar. "O sobrevivente vive no presente por algum tempo, mas logo ressurgem os demônios do passado", afirmou.

O conselheiro da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, José Carlos Moreira, observou que a lembrança do período ditatorial torna latente sentimentos que os livros de história não conseguem mostrar. "A preservação da memória traz consigo o elo da afetividade e do pertencimento e contribui para a formação de um conceito de nação", explicou. Para Moreira, ir contra o resgate histórico do regime militar contribui para a manutenção de uma sociedade amnésica.

Durante o seminário, os participantes também criticaram a Lei da Anistia brasileira. Para Moreira, o texto serve como pretexto para que não existam investigações sobre os abusos cometidos na ditadura militar. "A Lei da Anistia instaurou uma política de esquecimento", asseverou.

O secretário-executivo do Arquivo Nacional da Memória da Argentina, Carlos Lafforgue, lembrou que, no seu país, o primeiro governo democrático após o regime militar anulou a Lei de Anistia formulada pelos ditadores antes de deixarem o poder. "Na Argentina ninguém está pedindo perdão", afirmou.

Moreira comemorou a extradição do ex-coronel uruguaio Manuel Cordero, que aconteceu no dia 23 de janeiro, a pedido da justiça brasileira. O oficial vivia em Santana do Livramento e é acusado de crimes de lesa-humanidade como tortura, assassinato e sequestro de militantes de esquerda na Argentina e no Uruguai. "O Caso de Cordero abre uma importante porta jurídica, a partir do momento em que se reconhece o desaparecimento forçado enquanto crime", apontou.

Na tarde de hoje, na Câmara Municipal, outro painel vai debater a impunidade durante o regime militar. Além disso, duas exposições fotográficas sobre o assunto acontecem no Cais do Porto e na estação central do Trensurb, em São Leopoldo.

Executivo de Arquivo Nacional conta experiência argentina
Carlos Lafforgue, secretário-executivo do Arquivo Nacional da Memória da Argentina, explicou como é encarada a questão dos abusos cometidos durante a ditadura militar em seu país. "Já temos mais de 550 oficiais presos ou sob julgamento, e outras 1.270 ações estão sendo analisadas pela Justiça", garante.

O Arquivo Nacional da Memória aproveitou a recente desclassificação dos documentos da ditadura, promovida pelo governo da presidente Cristina Kirchner, para solicitar informações sobre mais de 4 mil agentes que atuaram na repressão política.

Lafforgue ressaltou que, na Argentina, cada um dos cerca de 500 locais de tortura identificados até agora possui um pilar de cimento com os dizeres "aqui funcionou um centro de detenção clandestino durante a ditadura militar". "Ações como essa fazem com que nunca se esqueça o passado", destacou, acrescentando que, para ele, preservar a memória é uma política pública de Estado.


Brasil precisa combater mais o trabalho escravo

O Brasil é referência no combate ao trabalho escravo, mas precisa acelerar suas ações para erradicar o problema. A aprovação de uma emenda constitucional para garantir o confisco de propriedades que exploram mão de obra análoga à escravidão é uma das metas para 2010 das instituições envolvidas no tema.
 
"Não há democracia com a permanência do trabalho escravo", defendeu ontem o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos. Ele participou de um seminário sobre o tema no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre.

Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), existem no mundo cerca de 12 milhões de pessoas submetidas a trabalhos degradantes, sendo que 1,2 milhão na América Latina. Em 2009, o número de trabalhadores resgatados foi de 3.571 em todo Brasil. Apesar de estar mais associado ao meio rural, como lavouras de cana e carvoarias, o trabalho escravo está presente também nos centros urbanos. "O trabalho forçado é um fenômeno generalizado e que vem crescendo no mundo globalizado", diz a diretora da OIT no Brasil, Laís Abramo.

Para o juiz do trabalho Marcus Barberino, as ações da Justiça devem enfrentar também a prevenção e a conscientização de empresas e consumidores, evitando atacar o problema de forma pontual. "O trabalho escravo não é apenas algo ligado ao trabalho rudimentar nos rincões do País. É uma exploração sistemática que ocorre em toda a cadeia produtiva", avalia.

Atualmente, é considerado trabalho escravo aquele que envolve cerceamento da liberdade dos trabalhadores, condições degradantes, jornada exaustiva e ameaças de violência por parte dos contratantes. Segundo Vannuchi, nos dois governos de Fernando Henrique Cardoso cerca de seis mil trabalhadores foram libertados, enquanto no período de Luiz Inácio Lula da Silva já foram 30 mil. "O que está aumentando é o enfrentamento ao problema", destaca.

Uma das metas de Vannuchi e das instituições que atuam no combate ao trabalho escravo é garantir a aprovação, ainda no primeiro semestre deste ano, da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 438, que determina a expropriação de propriedades rurais nas quais forem flagrados trabalhadores em condições degradantes. O projeto está parado na Câmara dos Deputados desde agosto de 2004, quando foi aprovado pelo Senado. De acordo com o senador José Nery (P-Sol-PA), além da PEC existem nove projetos que tratam de trabalho escravo tramitando no Senado e outros 12 na Câmara, todos parados. "É impressionante o grau de tolerância com que este crime é tratado", critica.

A data de hoje marca o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, em alusão ao episódio que ficou conhecido como chacina de Unaí, ocorrida em 2004, quando quatro funcionários do Ministério do Trabalho foram assassinados enquanto realizavam uma fiscalização na região de Unaí, em Minas Gerais. As investigações apontaram como mandantes os fazendeiros Norberto e Antério Mânica, mas até hoje ninguém foi condenado.




Agência Brasil


Indústria diz que Selic ajuda a manter investimento e CUT chama decisão de miopia econômica

Alana Gandra e Stênio Ribeiro

Rio de Janeiro e Brasília - A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter os juros básicos da economia em 8,75% ao ano vai garantir o processo de retomada dos investimentos. Foi o que afirmou ontem (27) o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto.

"O cenário de juros estáveis é importante para voltarmos ao nível de investimentos anterior à crise", disse Monteiro Neto. Ele disse, ainda, que a estabilidade dos juros garante a expansão da produção, a saúde financeira das empresas e a melhoria da infraestrutura do país.

Monteiro Neto ressaltou que a decisão também se explica pelo controle da inflação. "O aumento da demanda interna está sendo plenamente atendido pela produção doméstica ou pelas importações, sem causar pressões sobre os preços."


Segundo o presidente da CNI, a utilização da capacidade instalada na indústria vem crescendo gradualmente, acompanhando a retomada da atividade e da demanda interna.

Ele acrescentou que o indicador de capacidade instalada está longe do patamar pré-crise e afirmou que o processo de deflação dos produtos industriais é suficiente para cobrir eventuais pressões oriundas de outros setores. Para ele, existe espaço para estimular a produção.


O chefe da Divisão de  Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Guilherme Mercês, disse que, mesmo com a manutenção dos juros, o país ainda precisa de medidas complementares que levem ao aumento da competitividade das empresas.


Segundo Mercês, essas medidas teriam que priorizar o aperfeiçoamento do sistema tributário e do comércio exterior. "E a contenção dos gastos públicos, para que se abra espaço à retomada da trajetória de queda da taxa Selic." Ele tem receio de que, com um possível aumento dos gastos, haja uma pressão sobre a demanda, forçando o BC a elevar os  juros mais adiante.


Do lado dos trabalhadores, a decisão do Copom não foi bem aceita. O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) criticou a manutenção da Selic. Para ele, a decisão demonstra "miopia econômica" do colegiado de diretores do BC.


"Enquanto todos os indicadores sinalizam para o crescimento econômico, inflação sob controle e queda no índice de desemprego, o Copom insiste em impor um forte obstáculo ao desenvolvimento." Paulinho disse ainda que a manutenção dos juros é "nefasta para o setor produtivo e totalmente insensível para com os consumidores do mercado interno".



Governo recua e vai mudar trecho sobre aborto em programa de direitos humanos

Luana Lourenço


Porto Alegre - O ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, admitiu ontem (27) que o governo deve voltar atrás em mais um ponto do Programa Nacional de Direitos Humanos. A redação do trecho que trata da descriminalização do aborto deve mudar, para retirar pontos de vista que correspondem à opinião do movimento feminista, e não do governo, segundo Vannuchi.

"A maneira como o aborto foi colocada deve ser reformulada, porque ela corresponde a um ponto de vista formulado na Conferência Nacional de Mulheres", afirmou.

"'Apoiar a descriminalização do aborto', se terminasse aí, o tema era menos polêmico, mas o que vem em seguida, 'tendo em vista a autonomia das mulheres para decidir sobre seu próprio corpo', é uma bandeira do movimento feminista. E o governo, o próprio presidente Lula, não tem essa visão. Se o presidente não tem, isso evidentemente tem que ser mudado", defendeu Vannuchi.


"É um saudável recuo", definiu.


O governo já tinha voltado atrás uma vez em relação ao programa e retirou a expressão "repressão política", na parte que trata da apuração de casos de violação de direitos no contexto do regime militar, para amenizar a crise entre Vannuchi e o ministro da Defesa, Nelson Jobim.


Vannuchi disse que não se sente "derrotado" pelo ministro Jobim e que recuos "acontecem diariamente na vida política e nas relações pessoais". O ministro disse ainda que o "ajuste" sugerido por Jobim não foi atendido na publicação do decreto, em dezembro, porque não chegou a tempo.


"O presidente Lula tinha ouvido uma demanda do ministro Jobim, mas foi a Copenhague [para a reunião do clima] e não me comunicou, perdeu-se o prazo para fazer a revisão. Na hora que me comunicou,  fez a mudança na forma do [novo] decreto, que cria o grupo de trabalho. E o importante agora é o debate nesse grupo de trabalho", explicou.


Sobre a composição do grupo, publicada hoje no Diário Oficial da União, que terá a secretária executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, como chefe, o ministro disse que não há divergências. Vannuchi afirmou ainda que as acusações contra Erenice pela suposta participação no dossiê contra integrantes do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não devem atrapalhar o andamento dos trabalhos.


"Não há nada provado contra ela, nem qualquer tipo de irregularidade funcional. É uma pessoa muito séria, é a segunda na hierarquia da Casa Civil", ponderou.



Ativista hondurenha diz que "a luta contra o golpe" continua mesmo com o novo presidente

Isabela Viera


Porto Alegre - No mesmo dia em que o novo presidente de Honduras, Porfírio "Pepe" Lobo Sosa, assume o país prometendo anistiar os envolvidos no golpe de Estado que afastou Manuel Zelaya do poder, um movimento social hondurenho reafirmam que não reconhece o novo governo.

A presidente da Frente Nacional de Resistência Popular, Lorena Zelaya (que não tem nenhuma ligação com o ex-presidente), disse ontem (27), no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, que as classes populares continuarão "em resistência" e só aceitam trabalhar ao lado do "Pepe" Lobo na convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte.


"Não reconhecemos o novo governo porque é a continuidade do golpe ", afirmou. "Não vamos fazer qualquer outro diálogo a não ser em favor de uma assembleia, da qual participe todos os setores populares, que são a maioria da população".


De acordo com Lorena Zelaya, a "luta mudou de modalidade". "Não é que o povo está deixando as ruas. É que não [ocuparemos as ruas] com a mesma frequência e intensidade dos 194 dias do golpe, em que a população se manifestava de manhã, de tarde e de noite, todos os dias", afirmou.


A ativista também relatou que as últimas eleições ocorreram sobre forte constrangimento e denunciou evidências de fraudes. "Dizem que foi a eleição mais votada de toda a história, mas constatamos uma série de contradições como a ausência de pessoas na rua".


O governo brasileiro também não reconhece a eleição do novo presidente de Honduras e impõe condições para reatar as relações diplomáticas, rompidas desde 28 de junho de 2009.


Além de defender a convocação de uma Assembleia Consituinte, Lorena Zelaya disse que a Frente Nacional de Resistência, que reúne intelectuais, advogados, artistas, estudantes e camponeses vai cobrar esclarecimentos sobre mortes, torturas, desaparecimentos e prisões, durante o golpe.


"A luta continua. Não vai terminar em curto tempo, mas será pacífica", concluiu.



Feministas querem que governo incentive divisão de tarefas domésticas entre homens e mulheres

Isabela Vieira

Porto Alegre - Os movimentos feministas defenderam ontem (27), no Fórum Social Mundial, a ratificação pelo Brasil da Convenção 156 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para estimular a sociedade a repensar o papel do homem nas famílias brasileiras. O documento recomenda que os países criem mecanismos para ajudar os trabalhadores no cuidado com filhos e parentes.

Mais do que abrir creches, a ratificação do instrumento poderia permitir que os homens participassem mais das tarefas domésticas e do cuidado com idosos e crianças, inclusive, com ampliação da licença paternidade.


No Brasil, poderia estimular mudanças em papéis sociais que atribuem às mulheres "a função de cuidadora", por meio de mudanças nos programas de televisão e na publicidade, na avaliação da secretária nacional de mulheres da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Rosane da Silva.


"Os veículos de comunicação deveriam cumprir seu papel real que é de informar. Aí uma das formas é mostrar que é possível ter trabalho [doméstico] igual entre homens e mulheres. Nas novelas, as mulheres são sempre as empregadas. Nas novelas, muitas vezes, também passa a imagem de que a mulher para ser feliz tem que ter uma família tradicional, casada, com papel de reprodutora e criadora", criticou a sindicalista.


Durante o evento da organização não-governamental Marcha Mundial de Mulheres, que reuniu cerca de 500 participantes em Gravataí, região metropolitana de Porto Alegre, a CUT relançou uma campanha em favor da convenção. A iniciativa também tem apoio de outras organizações de mulheres como o Centro de Ação Comunitária, do Rio de Janeiro.


"É muito natural a mulher cuidar da sogra, mas não é nada natural o homem cuidar da sogra ou do sogro. Essa é uma visão machista da sociedade, que coloca como uma função nata da mulher o cuidado com filhos e idosos. Onde está escrito que cuidar de filho, cuidar de casa, é tarefa de mulher? Não está em nenhum lugar, nem na Bíblia", destacou Rosane.


O objetivo das duas entidades é recolher assinaturas para cobrar do governo federal a ratificação do documento para que seja encaminhado para aprovação do Congresso Nacional.


Aprovado na década de 1980, a Convenção 156 da OIT recomenda que os governos promovam políticas públicas que incentivem o setor privado a facilitar a entrada no mercado de trabalho de pessoas com com filhos ou parentes que necessitem de mais atenção, como idosos e pessoas com deficiência, por meio da divisão compartilhada de tarefas.


A Marcha Mundial de Mulheres terminou com uma caminhada pela ruas de Gravataí, com mais de 300 participantes. As feministas chamaram atenção para a mercantilização do corpo das mulheres, cobraram a revisão da legislação punitiva sobre o aborto e defenderam o direito de ter mais autonomia sobre seus corpos.




Agência Estado


Sindicalista pede união da esquerda para apoiar Dilma
Presidente da CUT alertou para exemplo da derrota de Eduardo Frei, candidato do governo no Chile

Leonêncio Nossa

PORTO ALEGRE - A presença da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, no Forum Social Mundial, em Porto Alegre, contribuiu para fortalecer a pré-candidata à sucessão presidencial. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique, pediu a união da esquerda para evitar a derrota como ocorreu no Chile, onde o empresário da direita Sebastián Piñera venceu o candidato do governo, Eduardo Frei. O público no Gigantinho reagiu positivamente, gritando o nome de Dilma. A ministra se levantou da cadeira e acenou para a plateia. Um grupo chegou a adaptar um jingle de campanha de Lula - "Olê, olé, olá, Dilma, Dilma".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que enviará ao Congresso Nacional um projeto que institui uma espécie de CLT das políticas sociais. A proposta também tornará obrigatória a realização das polêmicas conferências realizadas pelo governo. O presidente disse que a ideia é evitar que o seu sucessor não acabe com a política social implantada.


Pecados
Um dos organizadores do Fórum, Oded Grajew, que já assessorou o presidente, avalia que o "grande pecado" do governo Lula foi o fato de não levar à frente a questão da reforma política. Grajew não poupa nem mesmo os grupos que compõem o evento que se intitula como alternativa ao "capitalismo liberal".


"As organizações sociais não foram suficientemente fortes para promover a reforma política. Como Lula tinha prometido fazer a reforma, talvez elas ficaram acomodadas, na promessa", diz Grajew. "Não foram sábias para perceber as origens das coisas", completa. Grajew ressalta que as atenções da chamada esquerda foram diluídas em discussões menos relevantes.


O sociólogo Emir Sader observou que o Lula que volta a Porto Alegre dispõe de números importantes para apresentar, citando como exemplo o aumento do número de empregados com carteira assinada e a recuperação econômica do País depois da crise financeira internacional. "O povo não pagou o preço da crise", diz. Para o sociólogo, o governo "melhorou" com a saída do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em 2006. "O eixo do governo passou a ser a ministra Dilma."





Aenoticias.pr.gov.br


Governo defende piso regional permanente

O Governo do Estado do Paraná está elaborando uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que torna permanente o piso regional paranaense, implantado pelo governador Roberto Requião em 2006. O vice-governador Orlando Pessuti reuniu-se nesta quarta-feira (27) com líderes de centrais sindicais e representantes do Ipardes e do Dieese no Palácio das Araucárias, em Curitiba, para discutir a proposta.

Pessuti adiantou que a PEC será encaminhada à Assembleia Legislativa do Paraná no dia oito de fevereiro, com a participação de trabalhadores e líderes das centrais sindicais, órgãos estaduais e outras instituições. "Vamos estabelecer parâmetros e fixar uma política permanente de reajuste e de piso regional no Paraná de forma a assegurar aos trabalhadores uma boa política salarial. Maior salário significa maior poder de compra, bem-estar, produção e produtividade. É um círculo virtuoso", afirmou Pessuti.


Para o secretário do Trabalho em exercício, Fernando Peppes, a PEC vai se somar a uma política estadual permanente de geração de empregos. "Estamos entre os Estados que mais geram empregos e, por isso, precisamos de uma lei permanente sobre salários. Melhores salários significam desenvolvimento, principalmente para os municípios de pequeno e médio porte, como têm demonstrado as pesquisas", disse.

As centrais sindicais foram as principais idealizadoras da PEC, conforme frisou o presidente da CUT do Paraná, Roni Barbosa. "Estávamos ansiosos por uma política permanente de reajuste do piso regional, programa que é exemplo para outros Estados. Espírito Santo nos procurou, mas enfrenta dificuldades porque não tem apoio de seu governo, assim como Santa Catarina, que implantou o piso após dois anos de luta. No Paraná ocorre o contrário, porque o Governo abraça a causa dos trabalhadores", afirmou.


Para o presidente da Força Sindical, Nelson Silva, a PEC é mais um exemplo de uma política estadual preocupada com a geração de emprego e renda. "Nos preocupamos não apenas com o aumento do número de empregos, mas também com a qualidade de vida, que significa salário digno para os trabalhadores. A PEC mostra que o Governo do Paraná está, mais uma vez, preocupado com essa qualidade de vida", disse.


CRITÉRIOS - A PEC vai estabelecer critérios para o cálculo do reajuste. "Hoje, não há definição de quais índices usar, e todos os anos travamos discussões para escolhê-los. A PEC vai determinar que, para o reajuste, seja usada a variação do Produto Interno Bruto (PIB) da economia paranaense referente a dois anos anteriores ao período que será feito o cálculo e a inflação de um ano anterior", disse o economista do Ipardes, Eron Maranho.


Isso significa que, para reajustes em 2011, por exemplo, será considerada a variação do PIB do Paraná do ano de 2009 e a inflação de 2010. "O que ainda estamos discutindo é a escolha do indicador da variação da inflação: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) ou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)", acrescentou Maranho.


Com a aprovação da PEC, o reajuste do piso regional paranaense se torna automático, salientou o economista do Ipardes. "Os salários acompanhariam o mercado, deixando a situação clara para todas as partes envolvidas. Isso dá segurança aos assalariados, que terão garantidos seus aumentos, e aos empregados e ao Governo, que podem se programar", afirmou Maranho.


VALORES - O piso regional destina-se às categorias não sindicalizadas. Para este ano, o percentual de reajuste varia entre 9,5% e 21,5%. O percentual foi construído com base nos salários médios de admissão pagos pelos empregadores em novembro de 2009, de acordo com registros do Ministério do Trabalho. Caso a proposta seja aprovada pela Assembleia Legislativa, o salário mínimo no Paraná passa a variar entre R$ 663 e R$ 765.


Os funcionários do Estado do Paraná já recebem salários superiores ao piso mínimo regional. O salário de entrada para o nível fundamental no Quadro Próprio do Poder Executivo é de R$ 667, e de R$ 1.000,60 para os de nível médio e técnicos. Todos recebem mais R$ 50 de auxílio-alimentação. Os valores são de 2009, e devem ser reajustados em 2010, como está acontecendo nos últimos anos.




Correiodolitoral.com


Pré-sal é tema de escola de samba de Paranaguá

A Mocidade Unida do Jardim Santa Rosa, escola de samba de Paranaguá, escolheu o pré-sal como tema do samba enredo do carnaval 2010.

"Abra o olho meu povo, pra gente não se dar mal, já levaram tanta coisa, vamos defender nosso pré-sal". Com um refrão educativo, a escola de samba apresentará o "Ouro Negro", titulo do samba em homenagem ao petróleo, contando sua história, desde a origem à utilização.

A informação foi divulgada pelo boletim da Central Única do Trabalhadores no Paraná, enviado por e-mail . "A CUT, o Sindipetro PR/SC, a FUP, os demais sindicatos filiados e todos os movimentos sociais envolvidos na luta em defesa do pré-sal se orgulham em presenciar a repercussão da campanha "O petróleo tem que ser nosso", que é um dos maiores desafios do povo brasileiro, hoje e os próximos anos", informa a publicação eletrônica.

 

 
Jornal Brasil Atual


Trabalhador deve participar da criação das novas leis trabalhistas, defende Artur Henrique

O presidente da CUT Nacional, Artur Henrique da Silva Santos, participou da edição desta quinta-feira, 28, comentando o pacote de leis trabalhistas que o governo está preparando e que inclui a distribuição de 5% do lucro líquido das empresas entre os trabalhadores. Segundo ele, até agora o meio sindical não foi convidado para discutir as propostas que deverão integrar o pacote. Para ouvir acesse:

http://www.jornalbrasilatual.com.br/pop-player.asp?nm_caminho_audio=destaque%5F2010%5F1%5F28%5F7%5F33%5F10%5F54%2Ewma&nm_audio=Trabalhador+deve+participar+da+cria%E7%E3o+das+novas+leis+trabalhistas%2C+defende+Artur+Henrique  

Bancários entram na Justiça contra pedágio na Castelo e no Rodoanel

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região vai ingressar com ação na Justiça para proibir a cobrança emitida nas novas praças de pedágio na rodovia Castelo Branco e no Rodoanel na região de Osasco. A entidade se baseia na lei estadual 2.481 de 1953 segundo a qual não serão instalados postos de cobrança da taxa de pedágio dentro de um raio de 35km contados do marco zero da capital. Os pedágios da Castelo estão nos quilômetros 18 e 20 e os do Rodoanel nos quilômetros 14 e 15, distância bem menor que os 35km delimitados pela lei. Para ouvir esta matéria acesse:


http://www.jornalbrasilatual.com.br/pop-player.asp?nm_caminho_audio=informe%5Fcut%5F2010%5F1%5F28%5F7%5F38%5F26%5F10%2Emp3&nm_audio=Banc%E1rios+entram+na+Justi%E7a+contra+ped%E1gio+na+Castelo+e+no+Rodoanel      
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