Twitter Facebook YouTube Flickr Orkut Conexão Sindical

CUT NACIONAL > CLIPPING > CLIPPING 30 E 31/01/10

Clipping 30 e 31/01/10

Escrito por William Pedreira
01/02/2010

Edição nº 0 segunda, 01 de fevereiro de 2010
Fechamento: 08:54




Edição número 1508 sábado e domingo, 30 e 31 de janeiro de 2010

 

 

 

 Veículos Pesquisados:


 

Clipping CUT é um trabalho diário de captação de notícias realizado pela equipe da

Secretaria Nacional de Comunicação da CUT. Críticas e sugestões com

Leonardo Severo (leonardo@cut.org.br)

Isaías Dalle (isaias@cut.org.br)

Paula Brandão (paula.imprensa@cut.org.br)

Luiz Carvalho (luiz@cut.org.br)

William Pedreira (estagio.imprensa@cut.org.br)

Secretária de Comunicação: Rosane Bertotti (rosanebertotti@cut.org.br)





O Estado de S.Paulo



Movimentos sociais propõem mobilização eleitoral
Palavra de ordem é 'barrar a volta do neoliberalismo' ao País nas eleições deste ano

Wilson Tosta (Nacional) - 30/01/10

Um calendário de mobilizações voltado às eleições de 2010 foi lançado ontem pela Assembleia de Movimentos Sociais do Fórum Social Mundial, incluindo uma reunião nacional para 31 de maio sob a palavra de ordem de "barrar a volta do neoliberalismo" ao País.
 
Conduzido pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e com forte presença de oradores do PC do B, o encontro no último dia da etapa gaúcha do fórum aprovou sem votação um documento que considera a mobilização da oposição contra o governo em 2005, na crise do mensalão, uma tentativa de golpe equiparada a outros episódios na América Latina, como na Venezuela, em 2002, e em Honduras, em 2009.

Apesar do tom do texto, organizadores demonstraram não temer a acusação de uso político-partidário do fórum. "Não temos medo, não", disse o sindicalista que comandou a reunião na Usina do Gasômetro, zona portuária da capital gaúcha, Antônio Carlos Spis, da Federação Única dos Petroleiros, filiada à CUT. "Estamos do lado do trabalhador, do movimento social, dos estudantes e não estamos preocupados com candidatura, mas com o possível avanço do neoliberalismo nessas eleições."

Spis afirmou que os movimentos vão construir um "projeto nacional e popular" para apresentar aos candidatos na assembleia nacional dos movimentos em maio, em São Paulo, além de uma conferência nacional dos trabalhadores em 1 de junho. "Duvido que qualquer candidato aceite nossa pauta. O primeiro ponto será a implementação da reforma agrária já", adianta Spis. "Queremos democratizar os meios de comunicação, quebrar a espinha dorsal da Globo, da Bandeirantes, do SBT. Essas coisas não vão acontecer. O pessoal tem receio."

Batizado de 10 anos de FSM - um outro mundo acontece!, o documento proposto pela Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) apresenta 38 bandeiras de luta. "As elites se utilizam e fortalecem novos instrumentos de dominação. Sua principal arma hoje é a grande mídia e os grandes veículos de comunicação", diz o texto. "São esses organismos que funcionam como verdadeiros porta-vozes das elites conservadoras e golpistas. Nesse sentido ganham força os movimentos de cultura livre que conseguem driblar o monopólio midiático e influenciar a opinião de milhares de pessoas e a necessidade do fortalecimento das rádios comunitárias", afirma o texto, que foi recebido com aplausos.

O documento, contudo, também recebeu críticas. "Acho complicado sair de um fórum de organizações sociais proclamando o Estado como solução", disse o diretor do Sindicato dos Professores de Campinas, José Roberto Cabrera.

A reunião, na Usina do Gasômetro, na zona portuária da capital gaúcha, depois de começar com mais 500 pessoas, terminou esvaziada, com menos da metade desse número. Uma passeata final, que iria do Gasômetro até a Assembleia, foi cancelada por falta de manifestantes.


FAO lança plano de longo prazo para ajudar haitianos
Estratégia é fortalecer agricultura e atrair sobreviventes para cidades de economia rural

Jamil Chade (Internacional) - 30/01/10

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) anunciou ontem o primeiro pilar de sua estratégia para reconstruir o Haiti e tentar acabar com mais de duas décadas de dependência da ajuda internacional. O programa está orçado em US$ 700 milhões e dá prioridade a investimentos no setor rural, prevendo até mesmo o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Ontem, a ONU também pediu o cancelamento da dívida haitiana para evitar um cenário de "miséria econômica".

O dinheiro pedido pela FAO - que terá de ser doado pela comunidade internacional - terá como objetivo a reconstrução de infraestrutura e o aumento substancial no volume de alimentos produzidos no país caribenho. A estratégia também tem como finalidade criar postos de trabalho nas cidades do interior para os milhares de haitianos que deixaram Porto Príncipe desde o dia 12.

A primeira fase do projeto está programada para durar 18 meses e, segundo a FAO, trata-se de um dos pilares da reconstrução do país. "A situação de alimentos no Haiti já era muito frágil antes mesmo do terremoto e o país era altamente dependente de importações", disse Alexander Jones, administrador de emergências da FAO.

Há três dias, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, criticou o Fundo Monetário Internacional (FMI) por ter forçado o Haiti a reduzir suas tarifas de importação para alimentos. Um dos resultados foi uma invasão de produtos importados dos Estados Unidos a preços mais baixos, graças aos subsídios americanos. Outro resultado foi a destruição do setor agrícola do Haiti e o corte de investimentos. Hoje, 60% dos haitianos vivem no campo e 80% deles com menos de US$ 2 por dia.

Entre as medidas anunciadas pela FAO está a reconstrução de uma refinaria de açúcar destruída parcialmente na região, além de medidas que incluem reflorestamento, construção de canais de irrigação e pavimentação de mais de 600 quilômetros de estradas.

No curto prazo, as medidas serão concentradas na compra de sementes, materiais e fertilizantes para permitir que os agricultores possam começar a plantar já em março. O temor é que, com a destruição, a temporada seja perdida e a produção de alimentos no país - que já era debilitada - caia mais 60%.

A FAO ainda quer ajudar o governo a comprar milhares de toneladas de sementes para garantir a produção nos próximos dois anos, além de construir silos e armazéns. O projeto será financiado pela Embrapa e pelos governos do Canadá, Bélgica e Espanha.

Outra tese da FAO é que, com os recursos chegando ao interior do Haiti, as cidades da zona rural terão maior capacidade para lidar com a migração interna dos sobreviventes do terremoto. Pesquisas feitas pela organização mostram que 67% da população afetada diretamente pelo desastre está sendo alimentada pela comunidade internacional. Mas a ONU tem outra conta: 2 milhões de pessoas precisam de alimentos.

DÍVIDA
Ontem, a ONU também lançou um apelo para que a dívida de cerca de US$ 1 bilhão do Haiti seja cancelada.

Segundo as Nações Unidas, um estudo de 21 desastres naturais ocorridos num período que vai de 1980 a 2008 em países considerados pobres mostra que a dívida destes governos consome até 25% do seu próprio PIB.


Licença para Belo Monte deve sair na 2ª-feira
Com decisão, Ministério de Minas e Energia planeja lançar licitação da hidrelétrica em abril

Wellington Bahnemann (Economia) - 30/01/10

O Ministro de Meio Ambiente, Carlos Minc, deve anunciar na segunda-feira a liberação da licença ambiental prévia da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. Segundo fonte do setor, que preferiu não ser identificada, está marcada para as 16 horas de segunda-feira uma reunião na qual o ministro deve anunciar a liberação da licença. Diante disso, o Ministério de Minas e Energia já trabalha com hipótese de realizar a licitação em abril.

A falta da licença levou ao adiamento da licitação, que estava marcada para dezembro de 2009. Agora, o ministério terá condições de liberar o edital, assim como divulgar o preço-teto para a disputa. Hoje, a expectativa é que o projeto entre em operação em 2015.

De acordo a fonte, uma das principais novidades da licença diz respeito às ações de mitigação dos impactos socioambientais da usina. Tradicionalmente, a elaboração dos programas de mitigação pelos investidores ocorre durante a fase de formulação do Projeto Básico Ambiental (PBA), na etapa de obtenção da licença de instalação. "Para Belo Monte, porém, o Ibama antecipou esse processo, exigindo a definição dessas ações na etapa de obtenção da licença prévia", explicou.

Se tradicionalmente os investidores executam os programas de mitigação em paralelo às obras de construção de um projeto, o vencedor de Belo Monte terá de realizar essas ações logo depois de ganhar a concessão. "Se os programas de mitigação eram executados a partir do mês 18, por exemplo, isso irá ocorrer a partir do mês dois. Com essa medida cautelar, o Ibama quis garantir que a região onde será construída a hidrelétrica tenha a infraestrutura necessária para suportar a migração populacional que o empreendimento vai demandar", disse a fonte.

Segundo uma outra importante fonte do setor, a proximidade da liberação da licença tem agitado as negociações entre os potenciais investidores. Atualmente, o cenário desenhado para a disputa da usina, que, com 11 mil MW de potência, será a maior hidrelétrica 100% brasileira, conta com dois consórcios: um liderado pelas duas maiores construtoras do Brasil, a Camargo Corrêa e a Odebrecht, e outro, capitaneado pela Andrade Gutierrez. "O desejo do governo é contar com dois consórcios para a disputa da hidrelétrica", disse uma terceira fonte do mercado.

A Agência Estado apurou que a Vale, a Neoenergia, a Cemig e a Alcoa estariam no consórcio da Andrade Gutierrez. Essa costura significou o fim do que foi chamado pelo mercado de "consórcio Previ", que era formado pela CPFL Energia, Vale e Neoenergia, companhias que o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil têm participação acionária. "A CPFL irá para onde a Camargo Corrêa for", afirmou a terceira fonte. A Camargo Corrêa é controladora da CPFL, detendo uma fatia de 25,7% no capital total da holding privada, por meio da VBC. Além da CPFL Energia, outra empresa que estaria no consórcio da Odebrecht e da Camargo seria a GDF-Suez, que no Brasil controla a Tractebel Energia.
 

PIB dos EUA reage e cresce 5,7%
Anualizada, a alta no 4.º trimestre foi a maior em 6 anos, mas no ano houve a pior queda desde 1946, de 2,4%

Patrícia Campos Mello (Economia) - 30/01/10

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu 5,7% no último trimestre de 2009, o maior crescimento dos últimos seis anos.

O crescimento, em números anualizados, superou as expectativas dos analistas, de 4,8%. Mas o PIB avançou, principalmente, por causa da desaceleração na redução de estoques, e não por um aumento do consumo ou investimentos, o que deixou analistas ainda um pouco cautelosos.

Para a conselheira econômica da Casa Branca, Christina Romer, os resultados do PIB "são a notícia mais positiva que tivemos até agora". Os economistas, no entanto, foram menos eufóricos. "Ainda é cedo demais para abrir champanhe e dizer: recuperação cumprida", disse Josh Bivens, economista do Economic Policy Institute. "Esse crescimento não será sustentado, porque veio em grande parte de recomposição de estoques que não se repetirá nos próximos trimestres", disse.

Com a recessão, a produção industrial americana caiu muito porque as fábricas ficaram com estoques muito altos, com a falta de demanda, e começaram a reduzi-los.

No terceiro trimestre de 2009, os estoques foram reduzidos em US$ 139,2 bilhões e no segundo, US$ 160,2 bilhões. No quarto trimestre do ano passado, a redução foi bem menor, de US$ 33 bilhões - e isso colaborou com 3,39 pontos porcentuais no crescimento do Produto Interno Bruto.

Foi o segundo trimestre seguido de crescimento do PIB. No terceiro, a economia avançou 2,2%. Mas no ano de 2009, a economia dos Estados Unidos ainda fechou no vermelho, com recuo de 2,4% no PIB, maior queda desde 1946, quando encolheu 10%. O PIB americano cresceu 0,4% em 2008 e 2,1% em 2007.

O consumo, principal combustível da economia, responsável por dois terços do PIB, subiu 2% no último trimestre. O número ficou aquém dos 2,8% do terceiro trimestre, quando estava em vigor o incentivo fiscal do governo para troca de veículos velhos por automóveis novos e não-poluidores (cash for clunkers).

"O consumo das famílias está se expandindo a uma taxa moderada, mas continua limitado por causa do mercado de trabalho fraco, ganho de renda pequeno, menor patrimônio imobiliário e crédito apertado", dizia a ata do comitê de mercado aberto do Fed desta semana.

Os últimos indicadores mostram que a economia eliminou 208 mil vagas na semana passada, elevando o desemprego para 10%. Enquanto o mercado de trabalho se mantiver fraco , os consumidores vão continuar relutando para abrir a carteira. Recuperação puxada por consumo ou investimento é considerada mais firme do que a dependente em recomposição de estoques.

Para Nigel Gault, economista-chefe de Estados Unidos da IHS Global Insight, o crescimento do último trimestre não indica que o Produto Interno Bruto americano vá crescer nesse ritmo em 2010. "Uma mudança de estoque desse tamanho só ocorre uma vez, continuamos prevendo crescimento da economia entre 2,5% e 3% em 2010, historicamente fraco."

INFLAÇÃO
O Departamento de Comércio também divulgou que o núcleo da inflação - que exclui preços de alimentos e energia - subiu 1,4% no quarto trimestre, diante de 1,2% no terceiro.

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) considera um taxa adequada para estabilidade dos preços entre 1,5% e 2%.

Outro número considerado bastante positivo foram os investimentos em equipamentos, que subiram 13,3%, e as exportações, que avançaram 18,1% no último trimestre.


MST e CUT vão intensificar ações até junho
Para não prejudicar partidos aliados nas eleições, movimentos sociais prometem antecipar mobilizações

Tiago Décimo (Nacional) - 31/01/10

Representantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) avisaram, durante o Fórum Social Mundial Temático Bahia, em Salvador, que vão promover uma série de mobilizações pelo País, de greves a grandes ocupações, ainda no primeiro semestre. Mas vão desacelerar as ações no segundo semestre para não prejudicar os partidos aliados, como PT, PSOL e PSTU, nas eleições.

"Por ser um ano de eleições, tudo o que a gente faria no ano inteiro vai ter de ser feito nos primeiros cinco ou seis meses", informa o dirigente nacional do MST, João Paulo Rodrigues. "Além disso, é o último ano do governo Lula, que é um governo democrático, mas está deixando para trás promessas que não foram cumpridas."

Rodrigues destaca também que o movimento planeja fazer campanha grande contra a criminalização dos movimentos sociais. "Nós achamos que vamos ser vítimas de um processo eleitoral e a forma de nos vitimar vai ser criminalizando nossa luta, como fizeram em Iaras", diz, referindo-se à operação da Polícia Civil que, na semana passada, prendeu integrantes e pessoas ligadas ao MST por causa da invasão, em outubro, da Fazenda Cutrale, em Borebi (SP).

Outro tema também foi comum nos encontros e debates promovidos nos dois primeiros dias do fórum na capital baiana: a pressa. Para centrais sindicais e movimentos sociais representados nas mais de cem atividades desenvolvidas no evento, existe um consenso de que o último ano de Lula precisa ser de pressão para aprovar reformas sociais.

A ideia geral é que a eleição tende a ser acirrada e os partidos considerados aliados pelos movimentos sociais podem sair derrotados das urnas. Nessa hipótese, consideram, seria mais difícil manter diálogo com o governo federal. "A gente precisa sair da conversa retórica para ir para a prática", complementa o presidente da CUT, Arthur Henrique.

A pressa em ver aprovadas mudanças sociais mais profundas relacionadas ao governo federal contagia, também, membros do próprio executivo nacional. O secretário Nacional de Economia Solidária, do Ministério do Trabalho, Paul Singer, foi o primeiro a manifestar as ideias explicitamente durante o fórum, na última sexta-feira, ao defender a nacionalização de instituições financeiras durante a mesa O Sul-Sul como Alternativa. Ontem, foi a vez de o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, declarar que toda propriedade privada precisa ter "função social". Nos dois casos, a plateia - formada majoritariamente por integrantes de movimentos sociais - aplaudiu.

"Ninguém discute o direito de propriedade, mas está na hora de cobrar a função social da propriedade, para ampliar o número de proprietários do País", defende o ministro. "Isso tem relação com reforma agrária, com melhores condições de vida e de trabalho para a população. Não podemos aceitar que o direito à propriedade seja maior que o direito à vida e à dignidade humana."

Para Ananias, o mesmo raciocínio vale para o lucro. "Ninguém duvida que o lucro seja importante, mas ele não pode ser demasiado, não pode ser superior ao bem comum", avalia. "E isso entra na questão da cobrança de impostos: temos de lutar para que quem tem mais pague mais, quem tem menos pague menos e quem não tem nada não pague nada, para que mais tarde também possa contribuir com a sociedade. Estamos vivendo, no País, um processo de "desprivatização" do Estado."

Para o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, as reivindicações de todos os setores são legítimas e merecem ser discutidas. "Não temos receio da conversa com os movimentos sociais", afirma. "Além disso, o presidente Lula nos determinou para, no começo deste ano, apresentar ao Congresso uma proposta de consolidação dos avanços sociais, para que, em forma de lei, eles não possam ser mudados por nenhum outro governo."

O fórum, que reuniu 10 mil pessoas nos dois primeiros dias, termina hoje.


Petrobrás se expande em várias áreas e já movimenta 10% do PIB
Valor de mercado da empresa cresceu 10 vezes, de US$ 18 bi em janeiro de 2002 para US$ 200 bi em dezembro de 2009

Raquel Landim (Economia) - 31/01/10

Às vésperas do Natal, a Petrobrás comprou sua primeira usina de etanol. Um mês antes, adquiriu metade de uma fábrica de biodiesel. No início do ano, aumentou sua participação na Braskem, empresa que acaba de adquirir a Quattor e formar uma das maiores petroquímicas do mundo. Esses são os lances mais recentes da estratégia de crescimento da Petrobrás, traçada pelo governo Lula, que inclui também compras de redes de postos de combustíveis, usinas termoelétricas e construção de pelo menos uma fábrica de fertilizantes.

Com aquisições e investimentos maciços, a Petrobrás aumentou seu peso na economia do País, com ramificações em várias áreas. O valor do que a estatal produz e o impacto de seus investimentos e gastos na economia já representam 10% do Produto Interno Bruto (PIB), quase o dobro de 2002. Com a ajuda da alta dos preços, do aumento da produção e do refino do petróleo, o valor de mercado da Petrobrás cresceu dez vezes, de US$ 18 bilhões em janeiro de 2003 para US$ 200 bilhões em dezembro de 2009. Segundo a consultoria PFC Energy, a estatal é hoje a quarta empresa de petróleo do mundo.

E não vai parar por aqui. A Petrobrás deve ser beneficiada como a única operadora dos campos do pré-sal e vai receber uma capitalização da União equivalente a 5 bilhões de barris de petróleo - o valor da capitalização ainda não está claro, mas deve chegar a dezenas de bilhões de reais. As megarreservas do pré-sal e investimentos que superam US$ 170 bilhões até 2014 devem ampliar a participação da Petrobrás no PIB para 20%, estimam analistas.

ESTRATÉGIA
Por trás da estratégia do governo de "agigantar" a Petrobrás, existem motivações empresariais , econômicas e políticas. Segundo o diretor de abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, os objetivos são aumentar a escala, para reduzir custos e concorrer internacionalmente, e diversificar as operações, para se proteger de crises e variações abruptas de preços. "A lógica é ser uma empresa de energia."

Para o governo, a estatal também funcionaria como um braço de política econômica, reduzindo a importação de insumos do País. Elevar a competitividade da cadeia de petróleo é uma alternativa para concorrer com a China e aliviar o déficit em transações correntes. A expansão da Petrobrás também tem viés ideológico. O governo defende maior participação do Estado na economia e a utilização da estatal como instrumento de política industrial.

PROTESTOS
A estratégia de transformar a Petrobrás em campeã nacional também gera efeitos indesejáveis e protestos. Única fornecedora de matérias-primas como gás natural e nafta, a estatal vive em pé de guerra com os clientes, que reclamam dos preços. Segundo analistas, a verticalização inibe o setor privado e sobrevivem apenas as parceiras da estatal. "Ou você trabalha com a Petrobrás ou não tem oportunidade. É uma estatização", diz o consultor Wagner Freire. Outro problema é que os setores em que a companhia está envolvida ficam sujeitos a alterações de rumo ao sabor das mudanças de governo.

Segundo um empresário que foi cliente da Petrobrás, a estatal "não entra em nenhum negócio para ser coadjuvante". Apesar da quebra do monopólio em 1997, praticamente só a estatal produz e refina petróleo no Brasil. O investimento em refino saltou de US$ 200 milhões em 2003 para US$ 6,5 bilhões em 2009 e mais cinco refinarias devem ser construídas.

A estatal também cresceu na distribuição de combustíveis. Após a compra da Agip e das operações da Ipiranga no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a participação da Petrobrás Distribuidora subiu de 30,2% em 2002 para 38,6% em 2009, com quase 1.700 postos a mais. Segundo fontes do mercado, a estatal teria tentado comprar a Esso, que acabou com a Cosan. "Não dá para entender por que a Petrobrás compra posto de gasolina. As petroleiras estão se desfazendo deles", diz o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires.

Segundo o presidente da Petrobrás Distribuidora, José Lima Neto, a desistência dos grupos internacionais coincidiu com a decisão da BR de consolidar a operação no País. Ele diz que o objetivo da compra da Agip era incorporar a Liquigás e entrar no mercado de gás de cozinha. Hoje a Petrobrás tem a maior rede de venda e distribuição do produto no País, com participação de 22,8%.

Também na área de logística, a Transpetro vai dobrar sua frota até 2014, chegando a 100 embarcações. As encomendas são feitas no Brasil, para revigorar a indústria de estaleiros, e já representam a quinta maior carteira de pedidos de navios petroleiros do mundo. "Ter navio significa soberania, porque o que agrega valor é a logística", disse o presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

A estatal quase dobrou sua malha de gasodutos. Hoje são 5.416 quilômetros, comparado com 2.762 quilômetros de 2002. A capacidade de processamento de gás natural da Petrobrás saiu de 4,1 milhões de metros cúbicos por dia em 2002 para 23,3 milhões hoje - alta de 468%.

BRIGA DO GÁS
Uma das maiores brigas da estatal é com os clientes do gás. As distribuidoras reclamam que os preços não refletem só o mercado externo, mas também a necessidade de caixa da Petrobrás para financiar investimentos em dutos. E que a falta de garantia no fornecimento atrapalha seus planos. A prioridade do governo no gás é atender as termoelétricas, outro setor que a Petrobrás hoje joga pesado.

O apagão de energia de 2001 provocou um boom de investimentos privados no setor, mas uma mudança da lei no ano seguinte permitiu que estatal fosse às compras. Em 2002, ela tinha três termoelétricas. Hoje possui 14 térmicas a gás natural e 12 a óleo. Algumas das usinas ganharam nomes de ícones da esquerda, como Luiz Carlos Prestes e Leonel Brizola. Somando as 14 pequenas centrais hidrelétricas e uma usina eólica, a Petrobrás tem a oitava maior capacidade de produção de energia elétrica do País.

O aumento do poder na petroquímica é o passo mais novo. A estatal também vai dobrar a capacidade de produzir fertilizantes com uma nova fábrica. Ela já foi dona da Fosfértil, que funcionava como uma política agrícola, pois garantia insumo barato aos produtores, mesmo quando os preços subiam lá fora. Antes da quebra do monopólio, a estatal era chamada de "Petrossauro" pelo economista Roberto Campos. Será que dessa vez vai funcionar?


Brasil avança 8 postos no ranking da competitividade
País vai do 64º para o 56º lugar; impostos travam maior avanço

Rolf Kuntz (Economia) - 31/01/10

O Brasil melhorou oito posições na classificação de competitividade do Fórum Econômico Mundial e passou da 64ª posição em 2008-2009, num total de 134 países, para a 56ª em 2009-2010, num conjunto de 133. Pela primeira vez superou a Rússia, em 63º lugar. A regulamentação de impostos foi apontada pelos entrevistados como a principal dificuldade para os negócios, seguida pelo peso dos tributos. Regras trabalhistas aparecem no terceiro lugar e a ineficiência da burocracia governamental em quarto.

Os autores do estudo calculam o índice geral de cada país com base em três grandes conjuntos de itens: requisitos básicos, fatores de eficiência e fatores de inovação e de sofisticação. A pior nota do Brasil (91º lugar) vai para o primeiro item, o mais dependente da ação do governo e da qualidade das instituições. Aí se incluem, por exemplo, o desvio de dinheiro público, o desperdício nos gastos governamentais, a eficiência dos processos judiciais, e o peso da regulação oficial.

A estabilidade macroeconômica integra a primeiro grande parte. Nesse item, os maiores problemas são a baixa taxa nacional de poupança (86º lugar) e o spread bancário (128º).

As melhores classificações aparecem quando se trata dos fatores de eficiência, como o tamanho do mercado e a disponibilidade de tecnologia, e dos fatores de sofisticação dos negócios (32º lugar) e de inovação (43º). As notas são baixas em quase todos os itens de saúde e de educação. A qualidade do ensino primário fica na 119ª posição e a do treinamento em matemática e ciências em 123ª.

A classificação geral do Brasil tem melhorado desde os anos 90, graças a medidas para a estabilização da economia e para abertura do mercado, apontadas pelos autores da análise como fundamentais para a competitividade.

Os dez países mais competitivos são Suíça, EUA, Cingapura, Suécia, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Japão, Canadá e Holanda. A China está 29º lugar e o Chile em 30º, como o mais competitivo dos latino-americanos. O México está no 60º lugar e a Argentina no 85ºposto.




Folha de S.Paulo


É hora de reinventar o mundo, diz discurso de Lula em Davos
Celso Amorim representa o presidente na entrega do prêmio de "Estadista Global"

Presidente afirma que país "fez a sua parte" durante sua administração e pergunta se "o mundo, igual ao Brasil, também melhorou?"


Clovis Rossi
(Brasil) - 30/01/10

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva agradeceu, na voz do chanceler Celso Amorim, o prêmio de "Estadista Global" concedido pelo Fórum Econômico Mundial com uma proposta nada modesta: "É hora de reinventarmos o mundo e suas instituições". Todo o discurso assumiu o tom de louvação de seu governo e de crítica a todo o resto do mundo, daí a necessidade de reinventar o planeta.


Lula começou rejeitando a qualificação do Brasil como país da moda, como o presidente disse ter visto em publicações internacionais: "Permitam-me dizer que se trata de um termo simpático, porém inapropriado. O modismo é coisa fugaz, passageira. E o Brasil quer e será ator permanente no cenário do novo mundo".


Já na frase seguinte veio a primeira crítica ao mundo: "O Brasil não quer ser um destaque novo em um mundo velho. A voz brasileira quer proclamar, em alto e bom som, que é possível construir um mundo novo". A partir daí, entrou a lista de êxitos de seu governo, para o que usou o discurso que pronunciara no encontro anual do Fórum Davos em 2003, em seus primeiros dias de governo.


"Eu disse, aqui em Davos, que o Brasil iria trabalhar para reduzir as disparidades econômicas e sociais, aprofundar a democracia política, garantir as liberdades públicas e promover, ativamente, os direitos humanos. Iria, ao mesmo tempo, lutar para acabar sua dependência das instituições internacionais de crédito e buscar uma inserção mais ativa e soberana na comunidade das nações".


Fechou o raciocínio assim: "Sete anos depois, eu posso olhar nos olhos de cada um de vocês e, mais que isso, nos olhos do meu povo e dizer que o Brasil, mesmo com todas as dificuldades, fez a sua parte".


Dos seus sucessos, passou aos fracassos do mundo e uma estudada modéstia: "O que aconteceu com o mundo nos últimos sete anos? Podemos dizer que o mundo, igual ao Brasil, também melhorou?"


Veio então a listagem dos problemas globais: "Podemos dizer que, nos últimos sete anos, o mundo caminhou no rumo da diminuição das desigualdades, das guerras, dos conflitos, das tragédias e da pobreza? Podemos dizer que caminhou, mais vigorosamente, em direção a um modelo de respeito ao ser humano e ao meio ambiente? Podemos dizer que interrompeu a marcha da insensatez, que tantas vezes parece nos encaminhar para o abismo social, para o abismo ambiental, para o abismo político e para o abismo moral?".


Embora a resposta estivesse implícita em cada pergunta, Lula preferiu "imaginar a resposta sincera que sai do coração de cada um de vocês, porque sinto a mesma perplexidade e a mesma frustração com o mundo em que vivemos".


Até o terremoto do Haiti entrou na lista de fracassos, para não falar da crise financeira internacional: "Não vemos nenhum sinal, mais concreto, de que esta crise tenha servido para que repensássemos a ordem econômica mundial, seus métodos, sua pobre ética e seus processos anacrônicos".


Sobre o Haiti: "Quantos Haitis serão necessários para que deixemos de buscar remédios tardios e soluções improvisadas, ao calor do remorso?"


O corolário desse raciocínio só poderia mesmo ser a reinvenção do mundo, mas Lula foi parco nos detalhes: "O mundo tem que recuperar sua capacidade de criar e de sonhar". Fechou com mais retórica: "Precisamos de um novo papel para os governos. E digo que, paradoxalmente, este novo papel é o mais antigo deles: é a recuperação do papel de governar".


O auditório, quase vazio, aplaudiu, e Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU, entregou o prêmio a Amorim.



Fórum Social Mundial termina sem marcha e documento final

Graciliano Rocha (Brasil) - 30/01/10

O Fórum Social Mundial terminou ontem em Porto Alegre sem um documento final nem a tradicional marcha de encerramento.

A passeata pelas ruas da cidade não saiu porque as discussões promovidas por sindicatos e movimentos sociais, pela manhã, na Usina do Gasômetro, estouraram o tempo. Entre 12h e 13h, sob o sol forte, a multidão reunida se dispersou aos poucos.


Por causa da diversidade das correntes que formam o encontro, os militantes preferiram não reunir o debate em um documento final.


A falta dessas manifestações é o símbolo desta edição do fórum, que nasceu em Porto Alegre há 10 anos e este ano foi realizado em seis cidades do Rio Grande do Sul. Foram 27 mil participantes inscritos.


Para o sociólogo Emir Sader, o protagonismo de organizações não governamentais dificulta a articulação das experiências de governos de esquerda da América Latina e dos movimentos sociais contrários ao capitalismo.


Movimentos sociais e centrais sindicais, porém, conseguiram editar um documento final próprio, com um calendário de mobilizações.


Membro da comissão internacional do fórum, a antropóloga Moema Miranda contesta o esvaziamento do encontro. Segundo ela, o caráter de "encontro e reconhecimento da diversidade" dá força ao encontro atualmente porque "o neoliberalismo não tem hoje uma grande bandeira a oferecer".



Vannuchi discutirá aborto com CNBB
Ministro está disposto a alterar artigo sobre o tema criticado pela entidade no plano de direitos humanos

Marta Salomon (Brasil) - 30/01/10

Disposto a alterar os termos com que o apoio à descriminalização do aborto aparece no Programa Nacional de Direitos Humanos, o ministro Paulo Vannuchi vai se reunir na próxima terça-feira com a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) para negociar mudança no texto. A entidade criticou o documento.

Procurado pela Folha, o secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, chegou a dizer, no início da tarde, que o encontro não aconteceria. Ele não antecipou expectativas.


Vannuchi já reconheceu que a forma como o aborto é mencionado no programa, objeto de um decreto presidencial editado no fim do ano passado, não reflete uma posição de governo. O plano prevê apoio à "aprovação do projeto de lei que descriminaliza o aborto, considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos".


Ainda no primeiro mandato do presidente Lula, uma comissão coordenada pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres preparou um anteprojeto de lei que tornava legal a interrupção da gravidez até a 12ª semana. O texto também permitia o aborto em casos de malformação de fetos que pusessem em risco a vida das mães.


Essa proposta tramita no Congresso, mas não foi encampada pelo governo. Atualmente a legislação só prevê o aborto em caso de risco de morte da mãe ou de estupro.


Por ora, nenhuma iniciativa foi tomada no Palácio do Planalto para mudar o programa. A Casa Civil informa que aguarda por uma iniciativa do ministro de Direitos Humanos. A equipe da ministra Dilma Rousseff, da mesma forma que o presidente Lula, não quer se envolver diretamente na eventual correção do programa,

Outras críticas

As críticas da CNBB ao programa de direitos humanos vão além da questão do aborto. Por meio de nota divulgada no dia 15, a cúpula da entidade classificou de "intolerante" a proposta de impedir "a ostentação" de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União.

Essa mesma nota reitera a oposição da igreja à descriminalização do aborto, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e à adoção por casais gays.


A Folha apurou que Vannuchi não pretende reabrir o debate sobre nenhum ponto criticado pela igreja além do aborto, mas insiste em conversar com a CNBB, considerada por ele entidade "parceira" na defesa dos direitos humanos.


A mudança no ponto sobre o aborto seria a segunda desde o lançamento do programa. No começo do ano, Lula editou novo decreto para modificar o artigo referente à criação de uma comissão da verdade para investigar crimes cometidos por militares durante a ditadura.



Lugo escolhe ex-militante do PT para ser diretor de Itaipu

Thiago Guimarães (Mundo) - 30/01/10

Em uma medida que fortaleceu setores de esquerda que apoiam seu governo, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, trocou as direções das duas principais hidrelétricas do país, as binacionais Itaipu (com o Brasil) e Yacyretá (Argentina).

Em Itaipu, o ex-senador Carlos Balmelli, do Partido Liberal (centro-direita), foi substituído na direção-geral por Gustavo Codas, ministro assessor de relações internacionais. Jornalista e economista que fez carreira no Brasil, Codas foi assessor da Executiva Nacional da CUT e filiado ao PT de 1984 a 2008.


Ligado ao movimento social Tekojoja, formado para dar sustentação social à candidatura de Lugo, Codas será gestor da galinha dos ovos de ouro do governo, responsável pela distribuição, em 2010, de US$ 100 milhões em fundos sociais.

A demissão de Balmelli -um dos artífices do acordo que deu ao Paraguai mais benefícios sobre Itaipu, mas ainda dependente de aprovação do Congresso brasileiro- causou ruídos anteontem dentro do Partido Liberal, a principal âncora da aliança que sustenta Lugo.


Mas a tensão passou à tarde, quando Lugo nomeou uma ex-senadora do partido para a direção de Yacyretá. "Com as mudanças, Lugo quer fortalecer a esquerda no governo e debilitar a influência do vice-presidente Federico Franco", disse à Folha o analista Alfredo Boccia.


Com clara atuação opositora, Franco lidera ala do Partido Liberal oposta ao setor de Balmelli e de Elba Recalde, nova titular de Yacyretá. Para Boccia, a medida visa dividir ainda mais o Partido Liberal, cujos setores ligados ao vice têm alimentado queixas contra Lugo. "O partido sempre foi muito dependente de cargos."



Intenção de demissões na indústria é a menor desde 1986

Mariana Sallowicz (Dinheiro) - 30/01/10

O número de empresários da indústria que pretendem demitir trabalhadores nos próximos três meses atingiu o menor nível desde 1986, segundo pesquisa da FGV (Fundação Getulio Vargas) divulgada ontem. O percentual chegou a 5,7% em janeiro, ante 8% em dezembro.

"Em duas décadas, é o menor número de empresas que vão demitir no setor", afirma Aloisio Campelo, coordenador de sondagens conjunturais da FGV. Em janeiro do ano passado, o indicador de cortes chegou a 29,7% -o maior percentual de 2009.


Até março, 26,5% das empresas querem ampliar o quadro de funcionários, enquanto 67,80% devem mantê-lo estável.


Em linha com a intenção de demitir poucos trabalhadores está a perspectiva dos empresários em relação ao futuro dos negócios. O levantamento, feito com 1.141 empresas, aponta que 66,6% acreditam que haverá melhora de desempenho nos próximos seis meses, ante 4,4% que preveem piora. Com isso, o Índice de Situação Futura dos Negócios ficou em 162,2, um recorde.


Segundo Campelo, os números mostram que a expectativa para este ano é de retomada de investimentos. "A perspectiva é de evolução por causa da combinação de uma série de fatores, como juros, câmbio e demanda interna, muito favorável."


A única incerteza para a indústria em 2010, segundo ele, é o mercado externo. "O aquecimento das exportações vai depender da velocidade de recuperação da economia mundial."


O Índice de Confiança da Indústria, que mostra o grau de otimismo do empresariado, também registrou recorde neste mês, 113,6 pontos, com leve crescimento de 0,2% ante o mês passado. Trata-se do maior nível desde julho de 2008 (113,7 pontos) e da 12ª alta consecutiva.


Já o indicador que mede o uso da capacidade instalada poderá alcançar, neste ano, 86,7%, voltando ao patamar de junho de 2008. Em janeiro, foi de 83,8%.



Para ajudar Dilma, Lula dá R$ 1 bi para saúde
Investimento na instalação de 500 UPAs pelo país é aposta petista para se contrapor à gestão de Serra como ministro da pasta
                     
Uma das principais vitrines da gestão de Cabral (PMDB) no Rio, Unidades de Pronto Atendimento ajudaram a eleger Eduardo Paes prefeito


Raphael Gomide e Caio Barreto Briso (Brasil) - 31/01/10

Para criar um projeto de saúde a ser explorado na campanha da pré-candidata Dilma Rousseff à Presidência, o governo federal investe R$ 1 bilhão em 500 unidades da UPA (Unidades de Pronto Atendimento), contêineres equipados como postos de saúde que, após superexposição na TV, ajudaram a eleger Eduardo Paes (PMDB) prefeito do Rio em 2008.


A gestão de Lula vai investir R$ 990 milhões nas unidades, espalhadas por todos os Estados -à exceção do Amapá. Trata-se da principal aposta petista para se contrapor à gestão do ex-ministro da Saúde José Serra (PSDB), provável rival de Dilma na disputa sucessória.


O montante é a soma dos R$ 600 milhões aplicados em 2009 com os R$ 390 milhões previstos para 2010. Há 290 UPAs com recursos federais em instalação no país. A execução das obras é responsabilidade de Estados e municípios. Até hoje, apenas nove estão inauguradas e operando.


O governo do Rio também pretende abrir em seis meses quase o mesmo número de UPAs que abriu em três anos. Depois de inaugurar 24 unidades até 2009 (quatro em 2007, 16 em 2008 e quatro em 2009), vai implantar mais 21 unidades neste ano eleitoral.


Todas devem estar prontas até julho, prazo-limite de inaugurações por conta do pleito. As UPAs -ao lado da chamada "pacificação" de morros do Rio- serão a bandeira da tentativa de reeleição do governador Sérgio Cabral (PMDB), que tem o apoio de Lula.


Parceria
O Rio é um dos principais parceiros do pacote bilionário federal, recebendo R$ 223 milhões -mais de um quinto do total nacional. Uma das unidades foi entregue na última segunda-feira, em São Gonçalo (região metropolitana do Rio), ao custo de R$ 3,7 milhões.


Presente na ocasião, o ministro José Gomes Temporão (Saúde) anunciou que vai "expandir para o Brasil todo" o modelo aplicado no Rio. "Nossa meta é colocar em funcionamento até o final do ano 500 UPAs em todo o Brasil. Trezentas já estão autorizadas e grande parte delas, em construção."


De acordo com ele, as UPAs irão qualificar o sistema de saúde e resolver o deficit de atendimento, principalmente nas regiões metropolitanas do país.


A favor do modelo, o principal dado é a estatística do Rio, apontando que 99,4% dos casos atendidos foram resolvidos nas unidades -só 0,6% (24.269) dos 3,94 milhões de pacientes atendidos precisaram ser removidos para hospitais.


Para Temporão, ao lado do Programa de Saúde da Família, do Samu e de hospitais de referência, as UPAs pretendem "acabar com aquela cena triste de filas intermináveis, ao relento, sem acolhimento, com desconforto, colocando em risco a saúde da população".


A Secretaria de Saúde do Estado do Rio afirma que o resultado desafogou em 30% a procura pelas emergências de hospitais públicos.



Chávez prepara novo mapa da Venezuela
Presidente deve promulgar na terça a Lei do Conselho Federal de Governo, que lhe permite reorganizar a divisão política do país

Projeto prevê criação de até dez territórios federais por cima dos 23 Estados e DF; medida deve concentrar mais poder no governo central


Fabiano Maisonnave
(Mundo) - 31/01/10

O presidente Hugo Chávez deve promulgar nos próximos dias a Lei do Conselho Federal de Governo, que lhe permite reorganizar a divisão política venezuelana, com a criação de até dez territórios federais por cima dos 23 Estados e do Distrito Capital (Caracas).


Além da criação das chamadas "regiões federais de desenvolvimento", a nova legislação também permite que Chávez transfira recursos diretamente às comunas e conselhos comunitários, unidades administrativas menores sob controle da situação.


Como parte dessa reforma administrativa, a Assembleia Nacional, controlada pelo chavismo, aprovou em primeira votação, na semana passada, a eliminação do Fundo Intergovernamental para a Descentralização (Fides), criado antes do governo Chávez.


O Fides será substituído pelo Fundo de Compensação Interterritorial, previsto na nova lei. Na prática, a mudança significará que os Estados e municípios receberão menos recursos, enquanto conselhos comunais e comunas terão o orçamento aumentado.


A administração desse fundo ficará a cargo do Conselho Federal de Governo, chefiado pelo vice-presidente, Elias Jaua, e composto por dois ministros, três governadores e três prefeitos. Ainda não está claro se a oposição, que tem 5 dos 24 governos e 20% dos municípios, participará do organismo.


Já a criação das "regiões federais de desenvolvimento" será feita por Chávez. A expectativa é a de que ele divida o país de forma parecida à organização regional do seu partido, o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), também sob o comando presidencial.


De forma paralela à reorganização territorial, a Assembleia começará a fazer viagens às regiões do país para verificar o avanço do processo da implantação dos conselhos comunitários, a célula mínima do novo modelo administrativo.


"Não se trata de que vamos dividir o país em sete ou dez regiões", afirmou Chávez, na última quinta. "O que se propõe é aproveitar o potencial produtivo de cada região." Segundo ele, a reforma é parte da construção da economia socialista, para a qual "se criarão redes comerciais, para um comércio social, justo, socialista, para eliminar o veneno capitalista".


A reorganização territorial é uma ideia antiga de Chávez. Em 2007, foi incluída no projeto de reforma constitucional, derrotado em referendo em dezembro daquele ano.

Centralização
A Lei do Conselho Federal de Governo foi aprovada em última instância em 15 de dezembro, na última sessão legislativa da Assembleia. Chávez havia inicialmente marcado a sua promulgação para a última quinta-feira, mas acabou adiando para esta terça-feira.


As mudanças têm sido criticadas pela oposição, que apontam na reforma uma diminuição dos papel e orçamento dos governadores e prefeitos em favor do governo central.


Durante a consulta sobre a lei, em novembro último, os governadores de oposição rechaçaram o conteúdo do projeto, por considerar que centraliza ainda mais a gestão do país em torno de Chávez.


"Se vocês acreditavam que não faltava mais nada, depois da transferência dos portos, aeroportos, pontes e estradas que estavam nas mãos do Estados ao governo nacional, com essa lei, se acabou tudo", disse o governador oposicionista Henrique Capriles Radonski (Miranda), em alusão às transferências de competências regionais para o Ministério de Infraestrutura, determinada por Chávez há um ano.



Mercado Aberto

Maria Cristina Frias (Dinheiro) - 31/01/10


Projeto de lei dos terceirizados irá gerar desemprego no call center, diz sindicato

A novo projeto de lei que regulamenta a terceirização no país, proposto pelo Ministério do Trabalho em parceria com as centrais sindicais, preocupa o setor de call center, que acredita que a medida irá colocar o mercado em risco, implicando aumento do desemprego.

O Sintelmark (Sindicato Paulista das Empresas de Telemarketing, Marketing Direto e Conexos) afirma que as relações comerciais e trabalhistas entre as tomadoras e prestadoras de serviço irão se tornar inviáveis.


"Ao término de um projeto de prestação de serviços, o pessoal contratado para atender tal operação terá de ser dispensado, o que vai aumentar o custo com verbas trabalhistas, além do crescimento do nível de desemprego no país", afirma Stan Braz, presidente executivo do Sintelmark.


O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Artur Henrique, discorda do sindicato e afirma que o objetivo do projeto de lei é regulamentar a terceirização. "O projeto que estamos elaborando não vai acabar com o call center. Vai melhorar a situação do trabalhador", diz Henrique.


Para ele, "o que está acabando com o setor [de call center] e com o mercado de trabalho no Brasil é a terceirização".


Na avaliação do presidente da CUT, o projeto não irá causar desemprego. "Muito pelo contrário. Queremos que esses terceirizados sejam contratados pela empresa que contratou o call center."


Já o presidente do Sintelmark acrescenta que a lei comprometerá o desenvolvimento do setor. "O projeto está indo na contramão da versatilidade e produtividade no atendimento aos consumidores e, inclusive, culminará no não cumprimento da Lei do SAC", afirma.


De acordo com o projeto de lei, que foi encaminhado para a Casa Civil, as empresas contratantes que fazem uso do serviço de call center para se relacionar com os seus consumidores serão responsáveis pelas obrigações trabalhistas e previdenciárias dos funcionários das prestadoras contratadas.


O projeto também estabelece os mesmos direitos e remuneração para os profissionais, com base nos acordos coletivos celebrados pelo sindicato da categoria profissional preponderante da empresa cliente.


"É uma forma de lotear o setor de call center para outros sindicatos, não permitindo que o setor cresça", completa Braz, do Sintelmark.


O Ministério do Trabalho não quis se manifestar.


"O projeto está indo na contramão da produtividade no atendimento aos consumidores"
STAN BRAZ

presidente executivo do Sintelmark

"O projeto que estamos elaborando não vai acabar com o call center. Vai melhorar a situação do trabalhador"
ARTUR HENRIQUE
presidente da CUT


RECUPERAÇÃO
O BNDES aprovou em caráter emergencial, no âmbito do Fundo Cultural, apoio financeiro de R$ 1 milhão em recursos não reembolsáveis, para a associação IES (Instituto Elpídio dos Santos), que atua nos trabalhos de recuperação de São Luiz do Paraitinga (SP).


HISTÓRICO
De acordo com a proposta apresentada pelo IES ao BNDES, os recursos emergenciais serão usados na instalação de escritório técnico sob supervisão do Iphan, para obras de recuperação, em serviços emergenciais de salvamento nas edificações, como limpeza e proteção dos escombros, no suporte psicológico à população e no uso de mão de obra local.


CÉU DE BRIGADEIRO

A suíça Pilatus Aircraft entregou cem unidades do turboélice PC-12 em 2009. No Brasil, onde é representada pela OceanAir Táxi Aero, do Grupo Synergy, a Pilatus entregou cinco unidades, e superou 20 aeronaves em operação. A maior parte da frota é usada no agronegócio.

SEGURADO

O mercado de seguros voltado para pessoas, que abrange seguros prestamistas, educacionais, de vida individual e de grupo, cresceu 16,76% em novembro de 2009. No período, o segmento movimentou R$ 1,156 bilhão em prêmios de seguros, segundo a Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida).

O destaque foi a retomada do seguro prestamista, que cresceu 28,16% e movimentou R$ 233 milhões. O crescimento do prestamista acompanha a movimentação das vendas no varejo. Ele oferece cobertura ao financiamento de bens, como eletrodomésticos e eletrônicos.


Em novembro de 2007 e de 2008, a comercialização desse seguro diminuiu, devido à queda das vendas no varejo, provocada pela crise.


DIRETO DE DAVOS
EUA X CHINA 1
Em reunião fechada no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, discutia-se que a maior dificuldade não é sair da crise financeira internacional, mas vencer o desequilíbrio global que levou a ela. Um membro do governo americano culpou a desvalorizada moeda chinesa, que é fixada ao dólar.

EUA X CHINA 2
Já uma autoridade chinesa disse que o problema era a política expansionista norte-americana. "Se os Estados Unidos aplicassem a política correta, subindo juros, diminuiriam a liquidez, valorizariam o dólar e, consequentemente, o yuan."

SEM RESERVAS
Henrique Meirelles, presidente do BC brasileiro, recebeu críticas de outro presidente de banco central de um país desenvolvido em relação às reservas dos países emergentes. "Por que vocês precisam ter reservas?", questionou. "Quem sabe se quando você chamar o Brasil de desenvolvido, não precisaremos mais delas", respondeu a autoridade monetária brasileira.



O Globo


Fórum Social encerra sem mudanças sugeridas por Lula e sem atender às pressões de PT, CUT e MST

Soraya Aggege - 30/01/10

PORTO ALEGRE - Depois de cinco dias de debates, a edição especial do Fórum Social Mundial (FSM) encerrou seu seminário de balanço nesta sexta-feira sem fazer as mudanças sugeridas pelo presidente Lula, que visitou o Fórum na terça-feira, nem atender às pressões do PT, da CUT, do MST e de vários intelectuais, para que se torne um movimento mundial hegemônico. Ao final do evento, nem as centrais sindicais conseguiram puxar uma passeata dos movimentos sociais. A edição terminou como em seus nove anos anteriores: sem propostas unificadas, com um calhamaço de ideias para um mundo melhor, e com uma ampla agenda de mobilizações para os movimentos sociais.

- Se o presidente Lula quer uma unidade, ele está equivocado. Assim como os outros que vieram aqui pedir isso. Propostas únicas seriam o fim do FSM. Envolveriam luta pelo poder, como acontece nos partidos, que têm o poder em seu DNA. O FSM sobrevive e não se divide porque não é lugar de luta pelo poder. A maldição da esquerda é querer uma hegemonia. O FSM não é hegemônico, ele reúne os diferentes grupos que apostam na possibilidade de um mundo mais justo - disse um dos fundadores do Fórum Social, Chico Whitaker, da Comissão Brasileira de Justiça e Paz.

Na avaliação de Whitaker e de outros membros do Conselho Internacional, o Fórum só sobreviverá como espaço para os consensos, onde o convívio das diferenças da esquerda são o seu próprio DNA. Mesmo a proposta de um dos mais renomados intelectuais do FSM, o português Boaventura de Sousa Santos, de se criar um "FSM-EM (Movimento)", com certo número de bandeiras unificadas, não ganhou adesão. A CUT e o MST fizeram propostas semelhantes, mas não ganharam eco. Pelo menos até o próximo evento global, marcado para janeiro de 2011, em Dacar (Senegal).

- Muitos aqui parecem precisar de um pai. Não tem isso. Cada movimento deve promover suas próprias ações, articuladas dentro do FSM. Mas cada um precisa fazer suas próprias mobilizações. Juntar tudo seria a morte do Fórum - disse Oded Grajew, outro fundador brasileiro do Fórum.

A decepção de boa parte dos integrantes era evidente no encerramento do evento. A CUT tinha programado uma passeata, reforçada pelo MST. A marcha chegou a ser anunciada pelos próprios organizadores do FSM, como Moema Miranda. No entanto, os manifestantes desistiram da ideia:

- Não faremos para não expor os militantes a esse sol do meio-dia em Porto Alegre - justificava um dos organizadores da marcha, de dentro de um carro de som da CUT.

Pelo balanço numérico do FSM, não foi por falta de participantes que a passeata não aconteceu. Segundo os organizadores, cerca de 35 mil pessoas participaram dos eventos do Fórum pela Grande Porto Alegre - número que não pode ser comparado ao da última edição mundial, realizada em Belém, com 150 mil pessoas -, 75% a mais do que no primeiro FSM, em 2001, que reuniu 20 mil pessoas.

No balanço ideológico do FSM, a tendência indígena, focada na figura do presidente da Bolívia, Evo Morales, saiu vitoriosa. Na maioria dos debates internacionais prevaleceu a proposta chamada no FSM de "bem-viver" dos indígenas:

- Aprendemos com nossos ancestrais que para você viver bem, o outro também precisa viver bem. O mundo precisa compartilhar em vez de competir e cuidar melhor da Mãe Terra - resumiu o embaixador da Bolívia nas Nações Unidas, Pablo Sólon.

Também prevaleceram as ideias de que a economia mundial precisa absorver o sentido de gratuidade dos bens comuns de sobrevivência humana, como água, sementes, energia e se desmercantilizar. A crise da democracia e do modelo político foi outro foco de preocupação do FSM.

Na vida prática, a assembleia dos movimentos fechou um calendário de pressões mundiais. O principal foi o compromisso de pressionar durante todo o ano de 2010 para que um acordo climático seja firmado na cúpula das Nações Unidas que será realizada em novembro no México, após o fracasso de Copenhague.

O primeiro passo da articulação dos grupos do fórum será dado na Bolívia, durante a Cúpula Mundial de Movimentos Sociais sobre a Mudança Climática que o presidente Evo Morales convocou para ser realizada entre os dias 19 e 22 de abril, em Cochabamba. A cúpula proposta por Morales terá um sólido apoio do Fórum Social Mundial. Os movimentos sociais se comprometeram a sustentar o referendo mundial proposto por Evo Morales para que "os povos" influenciem nas políticas de redução do aquecimento global.

Além da defesa do meio ambiente, o movimento decidiu centrar fogo em uma campanha contra "as bases norte-americanas na América Latina e no Caribe", colocada por um grupo brasileiro em protesto pelo acordo que permitirá os Estados Unidos utilizarem as instalações militares na Colômbia. Há um temor de que os Estados Unidos ampliam suas bases para Honduras e Haiti. Também haverá uma defesa das soberanias nacionais. No caso do Brasil, em torno do pré-sal.

Entre os 35 mil participantes contabilizados pelo FSM, 27,3 mil tinham se inscrito previamente para o evento. Destes, 15% são estrangeiros, apesar do caráter regional da edição. Distribuído em Porto Alegre e seis cidades da região metropolitana, todas administradas pelo PT, o fórum teve 915 atividades, segundo a organização.

As mulheres foram maioria (59,3%) dos inscritos e 34% dos participantes tinham até 27 anos. Entre o público, havia 82 empresários, 306 desempregados e 304 não alfabetizados. O encontro teve 250 jornalistas credenciados de 15 países.

A programação descentralizada do FSM de 2010 já soma quase 40 fóruns regionais, temáticos e nacionais. Em 2011, o Fórum Social voltará a ter uma reunião mundial em Dacar, no Senegal. São diferentes focos de cada fórum como crise da civilização, diáspora na África e direitos coletivos, entre outros.

 


Agência Brasil


Movimentos sociais lançam bases de plataforma para eleições

Isabela Vieira - 29/01/10


Porto Alegre - Os movimentos sociais aprovaram hoje (28) um documento com pelo menos 50 propostas, que devem ser consolidadas em uma plataforma para as eleições. Os itens voltam a ser discutidos em uma grande reunião, em São Paulo, no dia 31 de maio.


Depois de uma semana de discussões, a Carta da Assembleia dos Movimentos Populares marca o encerramento do fórum, evento que reuniu 35 mil pessoas na capital gaúcha e em cinco cidades da região metropolitana, em mais de 900 atividades.

O documento contempla propostas em favor da reforma agrária, da garantia dos direitos sociais, do direito à comunicação, contra a instalação de bases militares na América Latina e contra políticas neoliberalistas. O enfrentamento ao racismo também é um dos destaques do texto.


Embora muitos pontos da carta sejam polêmicos e os próprios movimentos apresentem divergências, como ocorre em relação ao aborto, a consolidação de propostas é o principal destaque desta edição do FSM, na avaliação da Central Única dos Trabalhadores (CUT).


As centrais sindicais também vão aproveitar a carta da assembleia para construir uma plataforma para eleições e voltam a se reunir em 1º de junho, em São Paulo.


"Saímos daqui com a consciência de que precisamos ser mais propositivos. Chega de fazer diagnóstico. Nosso diagnóstico foi concluído com a crise financeira, os próximos fóruns precisam dizer o que precisar ser feito daqui para frente", afirmou o diretor da CUT Quintino Severo.


A representante da União Brasileira de Mulheres Lúcia Stumpf disse que o fórum ainda não conseguiu "captar as transformações da sociedade" em relação ao feminismo. Ela afirmou ainda que é preciso avançar em relação a uma maior participação de mulheres nas mesas de debate.


"A conquista de uma sociedade livre do machismo, do racismo, da homofobia é uma conquista que vamos conseguir passo a passo, mesmo em espaços avançados como são os fóruns", afirmou ao comentar o percentual de 60% de mulheres entre os participantes.


Integrante da Federação Única dos Petroleiros Antonio Carlos Spis esclareceu que a carta ainda precisa ser mais debatida antes da consolidação de uma plataforma, que também incorporará propostas do Fórum Social Temático da Bahia, que começa hoje, com caráter governamental.


"O fórum é um movimento sempre crítico, amplo, com mais de mil entidades. O importante é encontrar consensos, respeitar as posições e construir unidade", destacou.



OIT: emprego e trabalho decente já enfrentavam crise antes mesmo de turbulências econômicas

Paula Laboissière - 30/01/10

Salvador - A Organização Internacional do Trabalho (OIT) alertou hoje (30) que a crise do emprego e do trabalho decente já existia antes mesmo do ápice da crise financeira internacional. Ao final de 2008, por exemplo, 200 milhões de pessoas estavam desempregadas e a metade das que estavam empregadas trabalhava recebendo menos de US$ 2 por dia. Outros 20% dos trabalhadores recebiam ainda menos e eram considerados extremamente pobres.

Ao participar do Fórum Social Mundial Temático da Bahia, a representante da OIT no Brasil, Laís Abramo, acredita que o que acontecia era um profundo processo de desvalorização do trabalho e de supervalorização do mercado financeiro. "Foi e está sendo uma crise de paradigmas", acrescentou.

Mas, de acordo com Laís, a resposta da maioria dos países à crise financeira internacional teve um elemento em comum: a revalorização do papel do Estado e dos mercados internos. "Eles enfrentam a crise de uma forma diferente das crises anteriores, quando a resposta era o ajuste, a privatização", explicou.

Ela avaliou que o Brasil, em particular, vem enfrentando a crise em condições bastante melhores do que em momentos anteriores. A saúde financeira do país, segundo Laís, está muito melhor e foi feita uma aposta na valorização do Estado, do mercado interno e da inclusão social.

"Para recuperar o crescimento econômico era necessário distribuir", disse, ao citar iniciativas como o programa Bolsa Família, a Previdência e as políticas de salário mínimo. Segundo a OIT, apenas cinco países da América Latina trabalham com alternativas como o seguro desemprego. "Isso faz muita diferença na crise."

Durante o evento, a representante do Ministério do Trabalho, Isa Simões, destacou uma das grandes preocupações do governo é a inserção de jovens no mercado de trabalho e a sua qualificação. Outra questão é o alto número de brasileiros que trabalham na informalidade. "Sabemos que ainda precisamos crescer muito", afirmou.

"Outra questão é a jornada de trabalho, principalmente para as mulheres. Precisamos também, urgentemente, de propostas de mudanças em toda a estrutura sindical, principalmente na participação dos trabalhadores dentro das empresas e fábricas."


Quilombolas e ativistas lançam movimento em defesa da titulação de terras

Juliana Cézar Nunes - 31/01/10


Brasília - Líderes quilombolas, ativistas que atuam em defesa da igualdade racial e representantes do movimento social lançaram durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, um Movimento Nacional em Defesa da Titulação e Desenvolvimento Sustentável dos Territórios Quilombolas. O manifesto de criação, assinado por entidades como o Movimento Negro Unificado (MNU) e o Instituto de Assessoria às Comunidades Remanescentes de Quilombos do Rio Grande do Sul (Iacoreq), critica o ritmo de andamento dos processos de regularização.

O documento classifica como uma ameaça aos direitos quilombolas a ação direta de inconstitucionalidade apresentada pelo partido Democratas no Supremo Tribunal Federal (STF) contestando decreto presidencial de 2003 que estabelece normas para a regularização das terras.


Os quilombolas e ativistas definiram uma agenda de mobilização e articulação com plenárias estaduais entre os dias 21 e 31 de março e definiram 22 de abril como o Dia de Jornada de Luta Quilombola.


"É uma agenda de luta para tirar da morosidade institucional a titulação dos territórios quilombolas", define a presidente do Movimento Negro Unificado (MNU) Vanda Gomes Pinedo. "Começamos essa mobilização aqui com quilombolas do Sul, mas nossa intenção é ampliar para movimentos e articulações quilombolas e negras do Brasil todo."


De 1995 a 2008, 106 comunidades quilombolas receberam o título das terras. As associações quilombolas estimam, no entanto, que existam quase 5 mil comunidades no país. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) é o responsável pelo processo de regularização. De acordo com a Secretaria de Promoção de Políticas de Igualdade Racial (Seppir), questionamentos judiciais fazem com que os processos de titulação sejam mais lentos.


"No ano passado começamos o processo de desapropriação de 30 áreas quilombolas. Não podemos, em nome dessa ansiedade de alguns segmentos da sociedade, atropelar a legislação e jogar por terra todo um trabalho feito com às comunidades", diz o ministro da Seppir, Edson Santos.


Para ele, cabe ao movimento social fazer "pressão", até porque a regularização das terras não depende apenas do Executivo, mas também envolve o Judiciário. "Temos certeza que estamos indo no caminho certo. Estamos concertando erros do passado e não vamos, mesmo levando em conta a pressão, tratar irresponsavelmente a questão da terras quilombolas."


Mariluz Marques, líder da comunidade quilombola Paiol de Telha Fundão, de Guarapuava, no Paraná, acredita que parte dos entraves está na influência de políticos e agricultores interessados em não perder terras. Pelos cálculos dos quilombolas, a comunidade do Paiol reúne cerca de 500 famílias em 3,6 alqueires. Parte dessas terras estaria ocupada por agricultores. "Os quilombolas são descendentes de africanos que não tiveram voz e nem vez quando foram trazidos pra cá e continuam sem voz nem vez."


Emmanuel Farias, um dos pesquisadores do projeto Nova Cartografia Social, afirma que a ausência de titulação deixa várias comunidades quilombolas vulneráveis a ameaças e violência. Doutorando em antropologia, ele atua no mapeamento das comunidades a partir de depoimentos dos próprios quilombolas.


"O Brasil é um país construído com bases racistas, escravocratas e as pessoas precisam lutar para dizer que existem, que têm problema com o território, que pessoas, empresas multinacionais e mineradoras estão invadindo o território. Por isso, é tão importante que os quilombolas da Amazônia, da Região Sul e de todas as regiões se unam nesse movimento para reivindicar seus direitos", avalia Farias.


Carlos Artur Bittencourt, da comunidade quilombola de Casca, a 140 quilômetros de Porto Alegre, conta que as famílias estão ansiosas pela titulação da terra. De acordo com ele, a comunidade abriu mão de parte dela, inclusive em área de praia, para chegar a um consenso com o setor imobiliário local e acelerar o processo de titulação. "Nosso sustento vem da plantação de arroz e cebola. Somos felizes aqui. A comunidade tem cerca de 100 famílias que desejam esse título para honrar os antepassados."



Carta de Salvador defende soberania, opressão ao racismo e fortalecimento do Estado

Mariana Jungmann e Paula Laboissière - 31/01/10


Salvador - Uma assembleia aprovou hoje (31) os termos da Carta de Salvador, documento final do Fórum Social Mundial Temático da Bahia. O texto faz alguns adendos à Carta de Porto Alegre, aprovada no Fórum Social Mundial 10 Anos.

De acordo com a representante da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), Lúcia Stumpf, o documento aborda cinco principais temas, como a soberania nacional por meio da defesa do pré-sal e a oposição à presença de bases estrangeiras no continente sul-americano, sobretudo de bases norte-americanas no Panamá e em Cuba.


O texto também condena a opressão contra a população negra, as mulheres e os homossexuais e pede um Brasil mais democrático, com participação direta do povo nas decisões, além do fortalecimento do Estado como indutor do desenvolvimento.


"Foram 15 falas, várias concordando com o conteúdo da Carta de Porto Alegre e alguns adendos, como um que reivindicou uma presença ainda mais forte da solidariedade no Haiti. Isso já estava presente na carta, mas precisa ficar mais explícito", disse Lúcia.


Segundo ela, também ficou aprovado um calendário de lutas com assembleia em São Paulo no dia 31 de maio. No ato, os movimentos sociais devem decidir a lista de reivindicações para os candidatos à presidência da República nas eleições deste ano.

"Não é uma assembleia que pretende apoiar qualquer candidatura. Entendemos que esse não é o papel dos movimentos sociais."





Agência Estado


Fórum propõe bloqueio a neoliberalismo em eleições

Wilson Tosta - 29/01/10

PORTO ALEGRE - Uma "Assembleia de Movimentos Sociais" do Fórum Social Mundial (FSM) Grande Porto Alegre lançou hoje um calendário de mobilizações visando às eleições de 2010, incluindo uma reunião nacional em 31 de maio, sob a palavra de ordem de "barrar a volta do neoliberalismo" ao País.

Conduzido pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), historicamente ligada ao PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e com forte presença de oradores do PC do B, o encontro no último dia da etapa gaúcha do FSM aprovou, sem votar, um documento que considera a mobilização da oposição contra o governo em 2005, na crise do mensalão, uma tentativa de golpe, equiparada a outros episódios na América Latina, como na Venezuela em 2002 e em Honduras em 2009.


Apesar do tom do texto, organizadores demonstraram não temer a acusação de uso político-partidário do FSM. "Não temos medo não, porque acho que temos que ter lado", disse o sindicalista que comandou a reunião, Antônio Carlos Spis, da Federação Única dos Petroleiros, filiada à CUT.


"Então, estamos do lado do trabalhador, do movimento social, dos estudantes. E não estamos preocupados com candidatura. Estamos preocupados com o possível avanço do neoliberalismo nessas eleições."


Spis afirmou que os movimentos vão construir um "projeto nacional e popular" para apresentar aos candidatos - o processo prevê realizar a assembleia nacional dos movimentos do dia 31 em São Paulo, além de uma Conferência Nacional da Classe Trabalhadora em 1 de junho.


"Duvido que qualquer candidato aceite nossa pauta. O primeiro ponto é o seguinte: implementação da reforma agrária já. Queremos democratizar os meios de comunicação, quebrar a espinha dorsal da Globo, da Bandeirantes, do SBT. Essas coisas não vão acontecer. O pessoal tem receio."



Centrais sindicais vão concentrar ações no 1º semestre

Ana Conceição - 29/01/10

SALVADOR - A exemplo do que vão fazer os movimentos de trabalhadores sem terra, as centrais sindicais planejam concentrar as negociações e as eventuais paralisações no primeiro semestre deste ano, já que a segunda metade do ano será quase totalmente ocupada pela corrida eleitoral. "Vamos concentrar nossa atuação no primeiro semestre. Vai continuar a ter greve. Houve muitas nos últimos oito anos", disse hoje o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique da Silva Santos, após debate na mesa "Crise e Oportunidades" no Fórum Social Temático de Salvador.

A agenda sindical começa no dia 2 de fevereiro. Dirigentes das centrais se concentrarão no Aeroporto de Brasília para recepcionar os deputados e senadores na volta do recesso parlamentar. Ainda no dia 2, eles tentarão se reunir com as lideranças de cada partido para propor a votação imediata da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.

A respeito dos debates realizados no Fórum Social de Porto Alegre, de que também participou, e de Salvador, Santos considerou que há uma mudança em curso na iniciativa. As organizações da sociedade civil, disse, estão saindo da mera discussão para a ação. "A mesa-redonda de hoje relacionou de imediato 13 pontos que queremos ver implementados em educação e trabalho, entre outros. São temas que vão servir de base para as entidades agirem", disse. Ele descarta mudanças rápidas no cenário social. "Isso passa por uma mudança de comportamento e de divulgação de ideias, que é mais lenta", justificou.


A ideia mais recorrente no primeiro dia de debates do Fórum em Salvador é que a crise por que passa o mundo é mais que financeira e foi iniciada há mais tempo. O mote do evento, que há dez anos era "um outro mundo é possível", passou para "um outro mundo é necessário". "Estamos rediscutindo o modelo de desenvolvimento. A crise apresentou novos desafios para a sociedade. Não dá mais para gastar trilhões de dólares para salvar banco", afirmou Santos.



Governo quer acelerar regulamentação de licença ambiental

Ana Conceição - 30/01/10

SALVADOR - Junto com a pressão para a Câmara dos Deputados votar o projeto de partilha dos recursos do pré-sal, o governo quer acelerar, no Senado, o projeto que regulamenta o papel da União, Estados e municípios no licenciamento ambiental. "Queremos resolver as disputas sobre a responsabilidade de cada um no licenciamento para destravar os investimentos no País", disse o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

O projeto de lei complementar, do deputado Sarney Filho (PV-MA), foi aprovado na Câmara em dezembro e será o primeiro a chegar ao Senado em 2010. O texto foi aprovado 21 anos após ter sido determinado pela Constituição Federal. A ideia é reduzir o número de conflitos judiciais, hoje numerosos por conta da ausência de uma legislação clara.


O ponto que deve provocar mais polêmica é a competência exclusiva do órgão licenciador para multar as empresas pelo descumprimento da legislação ambiental. Pelo projeto, apenas o emissor da licença ambiental pode aplicar autos de infração. Outros projetos citados por Padilha que tramitam no Senado e devem receber atenção especial do governo são o que institui o cadastro positivo e os que se referem à continuidade do PAC.


O ministro participou hoje do painel "O desenvolvimento é necessariamente um processo de concertação", no Fórum Social Mundial Temático da Bahia, em Salvador. O painel serviu para o ministro fazer um balanço do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o chamado Conselhão. "O resultado foi positivo. Várias teses que o Conselho apontou foram incorporadas pelo governo."

"O SuperSimples é um exemplo", disse. Outros conselheiros presentes ao painel, como o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique da Silva Santos, e Tânia Bacelar, professora da Universidade Federal de Pernambuco, ainda citaram a criação do programa Minha Casa, Minha Vida e a redução do IPI para eletrodomésticos da linha branca. "Na crise, o Conselho foi o espaço que o governo encontrou para achar soluções", comentou Padilha.


Entre os insucessos do Conselho, Tânia Bacelar citou o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter se recusado a mudar a composição do Conselho Monetário Nacional (CMN) - os conselheiros queriam ampliá-lo para incluir representantes do setor privado e trabalhadores. "Toda vez que falávamos no assunto, o presidente fazia de conta que não ouvia", brincou.


 


DiariodeCanoas.com.br


Décima edição do Fórum Social Mundial se despede da região
No último dia do evento movimentos sociais aprovaram pelo menos 50 propostas

Novo Hamburgo - Com 35 mil inscritos, sendo 15,1% de 39 países, apesar de seu caráter regional, terminou ontem o Fórum Social Mundial Dez Anos - Grande Porto Alegre. Em um novo formato, desta vez descentralizada, a 10.ª edição somou 915 atividades que ultrapassaram as fronteiras de Porto Alegre e foram realizadas em Novo Hamburgo, Canoas, São Leopoldo, Sapiranga, Sapucaia, Esteio e Gravataí. Uma síntese da avaliação do evento na última década será elaborada por ativistas brasileiros e deve estar disponível dentro de um mês. Também ontem, fazendo parte do encerramento do FSM, os movimentos sociais aprovaram um documento com pelo menos 50 propostas, que devem ser consolidadas em uma plataforma para as eleições.

Conforme um dos coordenadores do Fórum e presidente da CUT, Celso Woyciechwoski, as mulheres foram maioria (59,3%) dos inscritos e 34% dos participantes tinham até 27 anos. Entre o público, havia 82 empresários, 306 desempregados e 304 não alfabetizados. O encontro teve 250 jornalistas credenciados de 15 países. O balanço dos dez anos do Fórum foi apresentado na tarde de ontem, no Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa.


DIVERSIDADE - Woyciechwoski avaliou como positivo o fórum, não só pelo número de participantes e da extensa agenda de programação mas pelo conteúdo debatido, tratando de temas como educação, meio ambiente, cultura, economia solidária, democracia e direitos humanos. "A expressiva participação dos jovens mostra que eles estão engajados nas transformações sociais e econômicas necessárias. A edição 2010 do Fórum reforçou a necessidade de se construir um mundo mais solidário e sustentável", destacou. Em 2011, o Fórum será realizado de forma centralizada em Dacar, no Senegal.


Despedida também em Novo Hamburgo

Depois de uma semana de debates que avaliaram os dez anos do processo que nasceu para pensar "um outro mundo possível", o FSM se despede de Novo Hamburgo, onde chegou no último dia 23. Desde ontem, 3 mil pessoas de 20 países e de vários Estados brasileiros começaram a desmontar as barracas no Acampamento Intercontinental da Juventude (AIJ), na Sociedade Gaúcha de Lomba Grande, no bairro rural.

Para o prefeito Tarcísio Zimmermann, foi uma honra para o Município receber uma atividade tão importante e reconhecida mundialmente. "Tivemos a presença de pessoas de mais de 20 países que conheceram nossa cidade e tiveram contato com o nosso povo." Destacou ainda a presença de dezenas de lideranças políticas.

A programação do Acampamento Intercontinental da Juventude somou 258 atividades, entre shows, painéis, oficinas e seminários. Durante sete dias de movimentação, mais de 10 mil pessoas passaram por Novo Hamburgo, todas com a intenção de discutir soluções sobre questões políticas, de meio ambiente, movimentos de gêneros, igualdade, religião, saúde, educação, segurança, cultura e economia solidária. Sapiranga, encerrou as atividades na quinta-feira.



 

Cruzeirodosul.inf.br


Fórum propõe bloqueio a neoliberalismo

Uma Assembleia de Movimentos Sociais do Fórum Social Mundial (FSM) Grande Porto Alegre lançou ontem um calendário de mobilizações visando às eleições de 2010, incluindo uma reunião nacional em 31 de maio, sob a palavra de ordem de barrar a volta do neoliberalismo ao País.

Conduzido pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), historicamente ligada ao PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e com forte presença de oradores do PC do B, o encontro no último dia da etapa gaúcha do FSM aprovou, sem votar, um documento que considera a mobilização da oposição contra o governo em 2005, na crise do mensalão, uma tentativa de golpe, equiparada a outros episódios na América Latina, como na Venezuela em 2002 e em Honduras em 2009.

Apesar do tom do texto, organizadores demonstraram não temer a acusação de uso político-partidário do FSM. Não temos medo não, porque acho que temos que ter lado, disse o sindicalista que comandou a reunião, Antônio Carlos Spis, da Federação Única dos Petroleiros, filiada à CUT.

Então, estamos do lado do trabalhador, do movimento social, dos estudantes. E não estamos preocupados com candidatura. Estamos preocupados com o possível avanço do neoliberalismo nessas eleições.

Spis afirmou que os movimentos vão construir um projeto nacional e popular para apresentar aos candidatos - o processo prevê realizar a assembleia nacional dos movimentos do dia 31 em São Paulo, além de uma Conferência Nacional da Classe Trabalhadora em 1 de junho.

Duvido que qualquer candidato aceite nossa pauta. O primeiro ponto é o seguinte: implementação da reforma agrária já. Queremos democratizar os meios de comunicação, quebrar a espinha dorsal da Globo, da Bandeirantes, do SBT. Essas coisas não vão acontecer. O pessoal tem receio.

 


Rondoniadinamica.com


Mandato de Diretoria do Sindeprof termina no domingo
Pela primeira vez, desde que o sindicato foi criado há exatos 20 anos, nunca havia acontecido algo parecido

Marcos Santana

O mandato de três anos da atual diretoria do Sindicato dos Servidores Municipais de Porto Velho (Sindeprof) expira neste domingo (31.01). Pela primeira vez, desde que o sindicato foi criado há exatos 20 anos, nunca havia acontecido algo parecido: a partir de segunda-feira (01.02) a atual diretoria não poderá representar o sindicato, seja assinando documentos ou falando em nome dos servidores filiados.

A situação vai acarretar algo incomum: a atual chapa de situação perderá o poder e se tornará igual às chapas concorrentes na eleição que acontece no dia 12 de fevereiro. A mudança da eleição foi acordada em um Termo de Ajuste de Conduta assinado no Ministério Público do Trabalho pelos três representantes das chapas inscritas no pleito, como forma de garantir direitos igualitários entre os concorrentes.

O servidor Raimundo Nonato Soares já entrou com uma ação na Justiça, através de seus advogados, para pedir a nomeação de um administrador para comandar o Sindeprof até as eleições. Raimundo acredita que, com o fim do mandato, da atual diretoria, a Comissão Eleitoral possa ter mais liberdade e menos interferências da atual direção nos trabalhos da comissão.


"Quem ganha com essa situação é o conjunto dos filiados, que, aos poucos está recuperando seu sindicato de volta", comemora. Raimundo disse ainda que esse sonho de recuperar o sindicato será finalizado no dia 12 de fevereiro, dia da eleição, quando os servidores eleger a Chapa 3 - Chapa da CUT "Ninguém Conquista Sozinho" , como nova representante do funcionalismo municipal.



  • Imprimir
  • w"E-mail"
  • Compartilhe esta noticia
  • Orkut
  • FaceBook
  • Twitter

Conteúdo Relacionado

TV CUT
FNDC Redes Sociais CUT Comitê Brasil em defesa das florestas e do desenvolvimento sustentável Clipping CUT Brasil Atual 2 TVT Banner Água para o Brasil

Copyright © 2002-2009 CUT Central Única dos Trabalhadores | 3.438 - Entidades Filiadas | 7.464.846 - Sócios | 22.034.145 - Representados
Rua Caetano Pinto nº 575 CEP 03041-000 Brás, São Paulo SP | Telefone (0xx11) 2108 9200 - Fax (0xx11) 2108 9310