Edição
número 1511 sexta-feira, 05 de fevereiro de 2010
Fechamento:
08h55
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O Estado de S.Paulo
Plano
de governo do PT para Dilma reforça papel do Estado na economia
Documento,
que vai a debate, prega fortalecimento de estatais e de políticas de crédito
oficiais para setor produtivo
Vera
Rosa
(Nacional)
Ancorado pelo mote de um novo "projeto
nacional de desenvolvimento", o programa de governo do PT vai situar a
candidatura presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à
esquerda da gestão Lula. Documento com as diretrizes que nortearão a plataforma
política de Dilma, intitulado A grande transformação, prega maior presença do
Estado na economia, com fortalecimento das empresas estatais e das políticas de
crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco
do Brasil e Caixa Econômica Federal para o setor produtivo.
O texto a ser apresentado no 4º Congresso Nacional do PT, de 18 a 20 de fevereiro
- quando Dilma será aclamada candidata ao Palácio do Planalto num megaencontro
em Brasília - diz que a herança transmitida à "próxima presidente"
será "bendita", após duas décadas de estagnação e avaliações
"medíocres". Em 2003, quando assumiu o primeiro mandato, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter recebido uma "herança maldita"
do então presidente Fernando Henrique Cardoso.
Na tentativa de esvaziar o mote do pós-Lula entoado pelo PSDB, o documento
obtido pelo Estado sustenta que só o herdeiro do espólio lulista pode oferecer
as bases para a formulação de um "projeto nacional de
desenvolvimento", que mescla incentivos ao investimento público e privado
com distribuição de renda.
"O Brasil deixou de ser o eterno país do futuro. O futuro chegou. E o
pós-Lula é Dilma", diz um trecho da versão preliminar da plataforma. No
diagnóstico que antecede a apresentação dos eixos programáticos, o PT afirma
que "o Brasil foi programado para ser um país pequeno, cujo crescimento
não poderia nunca ultrapassar os 3%, e que teria de se conformar com a
existência de 30 ou 40 milhões de homens e mulheres para os quais não haveria
espaço".
Com estocadas nos tucanos, o texto deixa claro que o PT deseja uma campanha
polarizada com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), potencial
adversário de Dilma, embora o nome dele não seja citado. "Os preconceitos
ideológicos hegemônicos nos anos 90 fizeram com que o Estado brasileiro
passasse naquele período por um processo de desconstrução, que comprometeu sua
eficácia", ataca o documento, numa referência ao governo Fernando
Henrique. "Os mesmos que no passado foram responsáveis por esse
desmantelamento são hoje os que denunciam a "gastança" e o inchaço da
máquina pública."
As propostas apresentadas, no entanto, são enunciados genéricos, como
"aumentar os recursos públicos" para ter um Sistema Único de Saúde
(SUS) de qualidade, "expandir o orçamento da educação", "dar
ênfase especial à construção de novas hidrelétricas" e "ampliar as
funções do Ministério do Planejamento".
GRANDES CIDADES
De olho nos votos dos dois maiores colégios
eleitorais do País (São Paulo e Minas), o programa tem um eixo chamado
"Melhor condição de vida nas grandes cidades" e acaba tocando em
temas que não dizem respeito ao governo federal, como ampliação das linhas de
metrô, veículo leve sobre trilhos (VLT) e corredores de ônibus.
Não há metas de curto, médio ou longo prazo nas diretrizes da plataforma
petista nem propostas para a política fiscal e monetária, embora coordenadores
da campanha de Dilma assegurem que o PT não defenderá mudanças nessa seara,
para não assustar o mercado financeiro.
Trata-se-se, na prática, de uma carta de intenções, coordenada pelo assessor de
Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Os verbos mais
conjugados no documento - que ainda receberá emendas, passará pelo crivo dos
partidos aliados e só virará programa de governo a partir de junho - são
"manter", "acelerar", "aprofundar" e
"ampliar". Mesmo assim, a primeira versão contém pistas de como o PT
enxerga um eventual governo Dilma.
"O programa é mais à esquerda do presidente Lula, mas não é mais
esquerdista", argumenta o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini
(SP). "Isso significa que poderemos cumprir agora os objetivos sociais
mais ambiciosos, porque as grandes questões macroeconômicas, como a dívida
interna, ou foram solucionadas ou estão equacionadas."
EIXOS
Treze eixos compõem a versão preliminar da plataforma de Dilma. O primeiro
deles diz que "o crescimento acelerado e o combate às desigualdades
sociais serão o eixo estruturante do desenvolvimento econômico". No fim de
cada tópico há uma frase do tipo "a ação do governo Dilma
privilegiará" e aí são expostas as intenções do partido, como
"manutenção da política de valorização do salário mínimo".
JORNADA
Alvo de intensa polêmica, a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para
40 horas - reivindicada pelas centrais sindicais - também é citada no primeiro
esboço. Pode, no entanto, ser retirada, sob o argumento de que projetos de lei
em tramitação no Congresso não devem constar do texto.
Carro-chefe da propaganda de Dilma, o Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC) é tratado como essencial para a estratégia de desenvolvimento do País, ao
lado do PAC 2 - que será lançado em grande estilo em março, às vésperas de a
ministra deixar o cargo -, embora sua vigência seja para o período 2011-2015.
"A elevação das taxas de crescimento, que deverá marcar o governo Dilma,
exigirá a conclusão das obras do PAC", reforça o documento. "O PAC 1
e o que estará previsto no PAC 2 darão competitividade à economia
brasileira."
Partido
quer governo movido a conferências
Vera
Rosa
(Nacional)
Alvo de críticas da oposição, as conferências
nacionais promovidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar dos
temas mais diversos - de segurança alimentar a direitos humanos - ganharão peso
num eventual governo Dilma Rousseff. No documento que esboça as diretrizes para
o programa da ministra-chefe da Casa Civil, um dos tópicos diz que as
conferências "serão convocadas para subsidiar as políticas públicas do
governo e suas iniciativas no Legislativo".
Desde o primeiro mandato de Lula, em 2003, foram realizadas 65 conferências, mas
poucas tiveram resultado prático. A última delas, de Direitos Humanos, passou
incólume. Em dezembro, porém, a terceira versão do Programa Nacional dos
Direitos Humanos provocou crise no governo ao apresentar propostas polêmicas,
como liberação do aborto e taxação de grandes fortunas.
BOLSA-FAMÍLIA
Ao contrário das conferências, que serão reforçadas, programas de transferência
de renda, como o Bolsa-Família, "perderão a importância que têm",
segundo o documento petista, com o "crescimento acelerado" da economia.
No cenário idealizado pela coordenação da campanha de Dilma, haverá portas de
saída para esses programas, porque o Brasil terá "mais empregos, renda e
bem-estar social". O texto não diz como isso ocorrerá.
A descoberta do pré-sal também será tratada com destaque na plataforma de
Dilma. O documento em debate no PT afirma que a exploração do pré-sal fortalece
a autossuficiência do País em hidrocarbonetos. Não é só: prevê a criação de uma
"poderosa estrutura de derivados de petróleo".
Na avaliação dos petistas, o projeto de lei que estabelece um fundo social para
aplicar os recursos dessa riqueza - ainda não aprovado pelo Congresso - é a
garantia contra a "maldição do petróleo".
No eixo que trata de "Segurança e Defesa do Brasil", o texto sugere a
constituição de "importante indústria nacional de defesa em articulação
com países da América do Sul e de outras regiões", mas não detalha a
proposta. Prega, ainda, a valorização das Forças Armadas. No capítulo
"Presença do Brasil no mundo", a ênfase é ao processo de integração
do Mercosul, "resolvendo divergências e pendências".
Chávez
adverte oposição e reprime protesto em aniversário de golpe (Internacional)
Prefeitura
tinha proibido a marcha opositora; presidente ameaça 'burguesia' contra
qualquer tentativa de derrubá-lo
A polícia venezuelana reprimiu ontem com
gás lacrimogêneo e balas de borracha centenas de estudantes universitários que
tentaram marchar até a Assembleia Nacional em Caracas, desrespeitando a decisão
da prefeitura da capital, que havia proibido o protesto dos opositores. A
manifestação ocorreu durante as comemorações dos 18 anos do fracassado golpe
liderado pelo presidente Hugo Chávez contra o governo de Carlos Andrés Pérez e
coincidiu com um duro discurso do líder venezuelano, que pediu união pela
revolução.
"Se nos buscam pelo caminho das armas, aqui estamos nós, com a espada de
(Simon) Bolívar, dispostos a bater onde seja pela liberdade da Venezuela, pela
revolução bolivariana, não se equivoquem conosco", disse Chávez. "Nem
a burguesia venezuelana nem mil burguesias unidas poderão contra nós."
Opositores e partidários do presidente haviam convocado atos em Caracas para
marcar a data de ontem - considerada por chavistas como o início da chamada
"revolução bolivariana". A prefeitura justificou a proibição da
marcha dos estudantes afirmando que o trajeto elaborado pela oposição coincidia
em alguns pontos com a manifestação chavista. De acordo com o órgão, os
partidários do presidente receberam a autorização porque entraram com o pedido
antes dos opositores.
FERIDOS
O estudante Nizar el-Fakih afirmou que os jovens não queriam entrar em choque
com simpatizantes do governo porque são contra a violência, argumentando que a
manifestação era pacífica. Inicialmente, a marcha opositora tinha como destino
a Assembleia Nacional, onde os estudantes pretendiam entregar um documento com
propostas para resolver os problemas que vêm dominando o cenário político do
país. Segundo os serviços de saúde da capital venezuelana, dezenas de pessoas
ficaram feridas após a repressão da marcha.
O embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, pediu ao governo da Venezuela
que deixe de reprimir as manifestações da oposição. "Esta seria nossa mensagem
ao governo da Venezuela: não reprimir, abrir espaço para ouvir o povo
venezuelano", afirmou Shannon em Brasília.
A marcha chavista tinha como destino o Forte Tiuna, uma base militar na capital
onde Chávez participou de uma cerimônia no fim do dia, batizado pelo governo
como o dia da "dignidade nacional".
"Os meses que estão por vir são de unidade", afirmou o
vice-presidente, Elías Jaua, aos manifestantes. "Que o inimigo saiba que a
força de Chávez e a força bolivariana estarão em cada rua, esquina e praça,
combatendo em qualquer terreno." Ontem, Chávez empossou o general Carlos
Mata Figueroa como novo ministro da Defesa e exigiu que ele continue
construindo "as novas Forças Armadas socialistas e
anti-imperialistas". Figueroa substitui Ramón Carrizález, que renunciou ao
cargo e à vice-presidência no dia 25 "por razões pessoais".
O presidente ainda aproveitou a ocasião para condecorar oficiais que
participaram da tentativa de golpe em 1992. "Soldados de todas as
hierarquias, sintam-se hoje mais orgulhosos do que nunca do caminho
percorrido", afirmou Chávez. "Estamos hoje comemorando 18 anos, povo
e força armada unidos aqui, olhando para o passado, conscientes do presente e,
sobretudo, comprometidos com o futuro, com a revolução socialista que começava
em 4 de fevereiro." O presidente ainda fez uma previsão de que seu governo
"chegará a 2030" e pediu a seus seguidores que consolidem seu projeto
de revolução socialista.
Esta semana, Chávez comemorou o aniversário de sua primeira posse como
presidente, em 2 de fevereiro de 1999, afirmando que "se o povo
quiser", está disposto a governar por mais 11 anos para garantir as
conquistas de seu projeto socialista.
AJUDA CUBANA
As comemorações do presidente ocorrem em um
momento de crescente descontentamento popular com o governo por causa dos
constantes racionamentos de água e energia elétrica.
Para auxiliar nos problemas de abastecimento de energia no país, Chávez
designou o cubano Ramiro Valdes - ministro da Tecnologia e presidente do
Conselho de Ministros da ilha - como líder de uma comissão técnica sobre o
tema. A decisão foi altamente criticada pela oposição. "O que acontece é
que quando os cubanos vêm, a fúria contrarrevolucionária imediatamente é
desatada", afirmou o presidente venezuelano.
EUA
ameaçam retaliar o Brasil se forem punidos por subsídios
Brasil
ganhou da OMC o direito de retaliar os americanos por causa de subsídios aos
produtores de algodão
Denise
Chrispim Marin
(Economia)
Três horas depois de apresentar ao governo brasileiro as suas credenciais de
embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon indicou à imprensa que
seu país está pronto para contrarretaliar produtos brasileiros. A hipótese será
considerada por Washington no caso de o governo brasileiro aplicar sanções
sobre bens americanos e propriedade intelectual autorizadas pela Organização
Mundial do Comércio (OMC).
A possibilidade de o Brasil retaliar os Estados Unidos foi o resultado da
condenação dos subsídios concedidos pela Casa Branca à produção e exportação de
algodão, ao final de uma controvérsia emblemática que se desenrolou por sete
anos na entidade reguladora do comércio internacional.
"O governo dos Estados Unidos e o governo do Brasil já disseram claramente
que gostariam de encontrar uma solução que evite a necessidade retaliação.
Porque a retaliação sempre provoca uma contrarretaliação", afirmou
Shannon.
A solução, nesse caso, diz respeito ao resultado final de uma negociação que
vem sendo travada entre o Ministério das Relações Exteriores do Brasil
(Itamaraty) e a Representação dos Estados Unidos para o Comércio (USTR).
O governo brasileiro exige a eliminação de todos os mecanismos de subsídio
condenados pela Organização Mundial do Comércio para que a retaliação não seja
aplicada. A proposta americana, entretanto, envolve apenas uma redução nos
valores, fato que permitiria ao Brasil manter as sanções apenas sobre os
produtos. A própria OMC desautorizaria o governo brasileiro a aplicar as medidas
sobre propriedade intelectual.
LISTA DE PRODUTOS
No próximo dia 9, os ministros que compõem
a Câmara de Comércio Exterior (Camex) brasileira deverão concluir, finalmente -
após meses de consultas às empresários -, a lista de produtos americanos e
decidir sobre as medidas relativas a propriedade intelectual que vão compor o
conjunto das retaliações. Conforme o calendário brasileiro, que já está
atrasado em um mês, as sanções serão registradas em seguida na Organização
Mundial do Comércio.
O valor total da penalidade poderá alcançar US$ 829,3 milhões, dos quais US$
530 milhões corresponderão ao comércio de bens. Os US$ 299,3 milhões restantes
serão aplicados sobre propriedade intelectual. Nesse caso, a Camex deverá
decidir-se por quatro possíveis medidas: a suspensão do direito de propriedade
intelectual (patentes, marcas e copyright) detidas por empresas americanas, a
imposição de uma taxa sobre as remessas de royalties para os Estados Unidos, a
suspensão do envio do royalty e a permissão para a importação de medicamentos
cujas patentes sejam americanas.
Vendas
de carros têm 2º melhor janeiro
Taxa
sobe 8% ante janeiro de 2009, mas cai 27% comparada a dezembro
Anne
Warth
(Economia)
As vendas de veículos no País somaram 213,3
mil unidades em janeiro. Trata-se do segundo melhor janeiro da história, atrás
apenas do de 2008, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de
Veículos Automotores (Anfavea). As vendas no mês foram 8% maiores que as de
janeiro de 2009. Em relação a dezembro de 2009, no entanto, houve recuo de
27,2%.
O presidente da Anfavea, Jackson Schneider, disse que essa queda já era
esperada. "Sempre há uma queda nas vendas de dezembro para janeiro."
Segundo ele, nos últimos dez anos, a redução média de licenciamentos entre
dezembro e janeiro foi de 28%. "Estamos dentro dessa média,
portanto."
Ele explica que, considerando a média diária de vendas, o resultado foi 9,8%
superior ao de janeiro de 2008. Isso porque janeiro deste ano teve 20 dias
úteis e o de 2008, 22. "Na verdade, tivemos o melhor mês de janeiro em
termos de média diária de vendas." No mês passado, foram vendidos em média
10.066 carros por dia no País.
A produção no mês foi de 243,4 mil veículos, queda de 3,7% ante dezembro e alta
de 31,6% em comparação a janeiro de 2009.
A inadimplência ficou em 4,4% em dezembro de 2009, ante 4,6% em novembro,
inferior à média dos demais bens (7,8%). De acordo com Schneider, foi o sexto
mês consecutivo de queda. A taxa de juros média para financiamentos no setor em
dezembro ficou em 18,4%, queda de 0,2 ponto porcentual ante novembro.
O estoque de veículos, somando indústrias e concessionárias, subiu de 26 dias
em dezembro para 36 dias em janeiro. Na indústria, o estoque ficou em 57.352
veículos, o que corresponde a 8 dias. Nas concessionárias, 201.937 veículos, ou
28 dias. Para Schneider, a alta dos estoques mostra que as concessionárias se
preparam para as vendas entre fim de fevereiro e março, por causa do fim da
redução do Imposto sobre Produto Industrializado ( IPI) para os veículos flex.
Segundo ele, a indústria já espera um ajuste nas vendas em abril e maio.
"Deve haver uma acomodação do mercado." O IPI que hoje está em 3%
para carros flex retornará a 7% no dia 1º de abril.
IMPORTADOS
A participação dos veículos importados nas vendas do País chegou a 20,1% em
janeiro, a maior dos últimos dez anos. O número é bastante superior aos 17% que
a Anfavea prevê para o fim do ano. E também maior do que as médias de 2009
(15,6%) e de 2008 (13,3%). Mas Schneider disse que ainda não é hora de rever a
projeção. "Ainda estamos no primeiro mês do ano. Vamos aguardar."
A Anfavea projeta ata de 11,5% nas exportações de carros. Em janeiro ante
dezembro houve queda de 17% . Mas nos últimos dez anos, a queda média observada
nesse período é de 24%. O forte alta das exportações em janeiro ante janeiro de
2009, de 65,9%, mostra recuperação mercados consumidores dos veículos
brasileiros, diz.
Folha de S.Paulo
Suecos e americanos também oferecem
desconto nos caças
Ministério
da Defesa emite nota na qual nega que o acordo já tenha sido fechado
Novo
embaixador dos EUA no Brasil diz que "os dois países podem trabalhar para
melhorar a franqueza", mas nega abalo nas relações
Igor
Gielow
(Brasil)
Surpresos pela negociação direta do governo brasileiro com a fabricante
francesa Dassault, os concorrentes na disputa pelo fornecimento dos novos caças
da FAB reclamam o direito de oferecer novos preços para seus aviões. Conforme a
Folha revelou ontem, a Dassault baixou em US$ 2 bilhões a oferta pelo pacote de
seu caça, o Rafale. O avião, favorito do governo Lula, foi então escolhido em
uma reunião entre o presidente e o ministro Nelson Jobim (Defesa) na terça
passada. Ainda não há previsão do anúncio formal.
"Ficamos surpresos [com a escolha do Rafale], mas ainda esperamos o
resultado final. Se houver a oportunidade, gostaria de poder oferecer preço
ainda mais baixo. Estamos dispostos a isso. Sempre trabalhamos com o preço
apresentado na revisão das propostas em outubro. Não tivemos mais contato com a
FAB depois disso", afirmou Bengt Janér, diretor da sueca Saab no Brasil.
O caça sueco, o Gripen NG, foi o escolhido na avaliação técnica da FAB por ser
mais barato, além de oferecer transferência de tecnologia e conhecimento maior
por ser um projeto em desenvolvimento. Para o representante da outra
concorrente, a Boeing norte-americana, "pareceu algo estranho" a
França ter negociado com o Brasil após a entrega das propostas finais à FAB em
outubro. "Não tivemos a mesma oportunidade, mas, se isso for possível
agora, estaremos muito felizes em conversar com o governo", disse Mike
Coggins.
Nota da Defesa
Ontem a Defesa ainda tentou consertar o
estrago na nota em que protocolarmente negou que o acordo já estivesse fechado,
dizendo que "levará em consideração outras informações enviadas pelos
governos interessados e pelos proponentes". Mas o fato é que apenas a
França teve tal privilégio.
Jobim defende Paris, com quem já assinou R$ 22,5 bilhões em acordos militares,
como parceira estratégica. O pacote oferecido pela empresa sueca era o mais
barato, de US$ 6 bilhões, incluindo aí US$ 1,5 bilhão pela manutenção por 30
anos. Isso compreende os 36 caças, logística, armamentos e toda transferência
de tecnologia. O pacote da Dassault baixou para US$ 10,2 bilhões (sendo US$ 4
bilhões em manutenção). O F-18, por US$ 7,7 bilhões (US$ 2 bilhões de
manutenção).
Fechado o acordo com os franceses, o valor total (quase R$ 20 bilhões na
cotação de ontem) chega perto do total de investimentos previstos no PAC em
2009 -embora o pagamento seja em vários anos. Os aviões substituirão diversos
modelos em uso. Os 12 Mirage-2000, a linha de frente da defesa aérea, devem
parar em 2014, e outras aeronaves estão ultrapassadas. A Dassault não quis
fazer comentários.
O novo embaixador dos EUA, Thomas Shannon, aproveitou ontem sua primeira
entrevista em Brasília e defendeu o F-18. Questionado se faltara
"franqueza" ao Brasil, foi diplomático: "Franqueza é algo bom na
diplomacia, e os dois países podem trabalhar para melhorar a franqueza. O Super
Hornet é um grande caça".
Mas também foi cauteloso. Considerou que se trata de uma "concorrência
comercial", ligada à "diplomacia comercial", e disse que o
resultado, qualquer que seja, não vai afetar a relação dos EUA nem com o Brasil
nem com os outros dois competidores. Shannon se encontra hoje às 16 horas com
Jobim.
No fronte diplomático, na semana que vem é a vez sueca, com a visita ao país do
influente chanceler do país, Carl Bildt. Numa viagem precursora à visita do rei
sueco no mês que vem, ele irá discutir o caso com seu colega Celso Amorim.
Todos os concorrentes, apesar de palavras de otimismo, sabem que agora só uma
reviravolta improvável tira o fornecimento dos aviões da França.
Mercadante
reluta, mas intensifica as viagens pelo Estado
Petista
insiste na candidatura ao Senado e diz que pesada agenda pelo interior faz
parte da atuação como congressista
Senador é o nome preferido do presidente Lula para concorrer ao governo
paulista caso Ciro Gomes desista mesmo do projeto
Malu Delgado (Brasil)
Enquanto Ciro Gomes (PSB-CE) se distancia do projeto eleitoral de São Paulo e o
PT estadual aguarda praticamente imóvel uma orientação do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva sobre a sucessão, o senador Aloízio Mercadante (PT-SP)
iniciou o ano com uma pesada agenda de viagens pelo Estado. Somente em janeiro
o petista visitou 26 municípios -sete deles administrados pelo PT.
As regiões atingidas pelas enchentes são o foco de Mercadante. O senador afirma
que "faria isso em qualquer circunstância" e que as viagens são parte
da sua atuação como parlamentar. "É o sentido do meu mandato no Senado: a
representação do Estado", disse.
A boa interlocução do senador petista com prefeitos de São Paulo é apontada por
correligionários como um fator preponderante para sua escolha como candidato ao
governo, se confirmada a desistência de Ciro. No Senado, Mercadante criou em
seu gabinete um setor para atender e encaminhar demandas, sobretudo dos
pequenos e médios municípios.
Pesaria contra Mercadante, porém, o episódio dos "aloprados" na
eleição de 2006, quando petistas do entorno de sua candidatura ao governo foram
investigados pela Polícia Federal por tentarem comprar dossiê que supostamente
comprometeria políticos do PSDB.
A direção do PT em São Paulo marcou para a próxima quinta-feira uma conversa
com Ciro Gomes, em Brasília, da qual participarão dirigentes de nove partidos.
"Vamos sair deste encontro com um encaminhamento", afirma o
presidente estadual da sigla, Edinho Silva.
"O Mercadante é uma liderança extremamente respeitada. Ele tem se
declarado candidato ao Senado, mas se disser que quer entrar na disputa, terá
espaço para construir sua candidatura", afirmou Silva.
Mercadante admitiu a aliados que a pressão para disputar o governo tem
aumentado nas últimas semanas. Nos bastidores, ele incentiva outros nomes do PT
a não desistirem da disputa, como o prefeito de Osasco, Emidio de Souza.
"O Emidio tem uma longa militância e uma história no partido", diz
Mercadante, que também cita o ministro Fernando Haddad (Educação) e a
ex-prefeita Marta Suplicy como "excelentes nomes".
Ao ser questionado se resistiria a um pedido de Lula para concorrer em São
Paulo, o senador responde: "Em primeiro lugar, o Lula não me pediu. Em
segundo, tudo o que eu construí e estou construindo é em torno da
reeleição", explica o senador, para quem o PT não poderá abrir mão de
eleger uma bancada forte que dê governabilidade numa eventual eleição da
ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência.
Justiça
pede a detenção de mais 20 do MST (Brasil)
A Justiça de Lençóis Paulista (301 km de
SP) decretou ontem à noite a prisão preventiva de 20 pessoas ligadas ao MST
(Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) acusados de envolvimento na
invasão, depredação e furto em uma fazenda da Cutrale, em Iaras (SP), no ano
passado.
A Polícia Civil entregou ontem o inquérito sobre o caso à Justiça e indiciou 51
militantes do MST identificados em vídeos como participantes da invasão,
ocorrida entre setembro e outubro de 2009.
Lobão
confirma renovação de concessões
Decisão
de estender concessão no setor elétrico, conforme revelado pela Folha, irá
focalizar redução de tarifa, diz ministro
Lobão diz acreditar que dois consórcios disputarão a concessão de Belo Monte;
"O importante é ter pelo menos dois competindo"
Leila
Coimbra (Dinheiro)
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, confirmou que existe no governo a
decisão de renovar as concessões do setor elétrico que vencem a partir de 2015
por mais 20 anos. "Não existe MP [medida provisória], mas para mudar a
legislação e permitir a renovação é preciso mandar projeto ao Congresso
Nacional", disse o ministro à Folha ontem, durante evento do balanço do
PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em Brasília.
Lobão disse que não existe ainda decisão de quando será enviada qualquer
proposta ao legislativo. Para ele, o processo de renovação das concessões vai
focalizar a redução das tarifas. A Folha noticiou em 29 de janeiro que o plano
de extensão das concessões de energia em gestação no governo prevê que os
controladores das usinas abram mão da parte da tarifa que os consumidores pagam
para cobrir os investimentos feitos na geração de energia.
Como são hidrelétricas antigas, o investimento feito nelas já foi pago. Esse
valor, estimado pelo Ministério de Minas e Energia entre R$ 3 bilhões e R$ 5
bilhões anuais, poderia ir para um fundo ou seria destinado para reduzir as
tarifas por meio de mecanismo a ser criado.
Sobre o leilão de construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, cuja
licitação está prevista para ocorrer até 12 de abril, Lobão disse acreditar que
dois consórcios disputarão a concessão. "O importante é ter pelo menos
dois competindo."
Apesar da previsão de leiloar a concessão até meados de abril, Lobão disse que
a licitação poderá ser feita antes disso. Esforços estão sendo feitos neste
sentido para que ele participe do ato ainda como ministro, já que ele deve sair
do cargo em abril para disputar ou o governo do Maranhão ou um novo mandato no
Senado.
Eletrobras como parceira
O presidente da Eletrobrás, José Antônio
Muniz, disse que a estratégia da estatal no leilão de Belo Monte ainda não está
totalmente definida. "Podemos entrar antes nos consórcios, mas também há a
possibilidade de associação ao grupo vencedor, no final da licitação",
disse. Isso permitiria maior homogeneidade na disputa. "Mas se for preciso
a parceria de alguma subsidiária na formação de mais grupos, isso não está
descartado. O que pretendemos é incentivar a competição".
Para promover a disputa no leilão, o governo desarticulou o "Consórcio
Previ", que uniria grandes empresas nas quais o fundo de pensão do BB tem
participação acionária como a Vale, a CPFL, e a Neoenergia.
Com relação à tarifa da energia de Belo Monte, cujo estudo feito pela EPE
(Empresa de Pesquisa Energética) apontava em R$ 68 o megawatt-hora (MWh), Muniz
disse que o valor ficará um pouco maior devido a condicionantes socioambientais
impostos pelo órgão de licenciamento ambiental. Maurício Tolmasquim, da EPE,
estima que o preço mínimo ficará nos patamares dos leilões das usinas do rio
Madeira, entre R$ 71 e R$ 78 o MWh.
Pequena
empresa abre mais vagas, afirma Ipea (Dinheiro)
Os pequenos empreendimentos com menos de
dez funcionários foram os responsáveis por 55% dos postos de trabalho abertos
no país entre 1989 e 2008, aponta estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada).
Segundo a análise, porém, apesar da melhora da formalização no mercado de
trabalho nas últimos duas décadas, apenas 33,9% dos empregados nesse segmentos
têm carteira assinada.
A pesquisa estima ainda que, até o ano de 2020, mantida a expectativa de
expansão econômica, as menores empresas do país poderão ser responsáveis pela
abertura de 11 milhões de novas vagas de emprego. Se o ritmo de formalização
não aumentar, no entanto, mais de 6,6 milhões desses funcionários não deverão
contar com instrumentos de proteção trabalhista.
Lucro
do Santander cresce após lançamento de ações no Brasil
Após
captar R$ 13,2 bi, banco fechou 2009 com ganho de R$ 5,5 bi, alta de 41%
Toni
Sciarreta
(Dinheiro)
Recém-admitido à Bolsa e agora sob o escrutínio do mercado de capitais, o banco
Santander Brasil acelerou o ritmo de crescimento no lucro. Diferentemente das
demais instituições, que tiveram alta modesta nos ganhos, o banco encerrou 2010
com lucro de R$ 5,508 bilhões, 41% mais do que em 2008. Até junho, o
crescimento anual era de 13%.
O resultado do Santander no Brasil contrasta com o da matriz na Espanha, que
terminou 2009 com ganhos de 8,943 bilhões, estagnado em relação a 2008. O banco
é o maior da zona do euro e passou quase ileso pela crise. O Brasil responde
por 20% do lucro no mundo, só atrás dos 26% da Espanha.
No crédito, o resultado do banco ficou abaixo do mercado, que cresceu 5%. A
carteira do banco teve expansão de apenas 1,7% em 2009, sendo de 10,7% nos
empréstimos para pessoa física.
Após captar R$ 13,2 bilhões em outubro na Bolsa, o Santander está praticamente
"sentado em cima de dinheiro", como afirmou Fábio Barbosa, o
presidente do banco no país. O Santander hoje tem a maior folga de caixa para
fazer empréstimos entre os bancos - o chamado índice de Basileia, que mede
solvência, é de 25,6%, enquanto os demais bancos têm 17%; o mínimo é 11%.
O que é bom indicador de solvência, no entanto, reduz a rentabilidade para o
acionista, fato que desagrada o mercado. Enquanto não acelera a concessão de
empréstimos, o banco tem reduzido seu endividamento junto ao mercado e até com
a própria matriz. O banco reduziu em 13,7% a captação por meio da venda de CDBs
no último trimestre e adiantou pagamento de R$ 1,5 bilhão em CDB vendido à
matriz.
As ações do Santander recuaram ontem 6,2%, dia em que a Bolsa caiu 4,73%.
Valor Econômico
Consumo
de máquinas subiu 18% no 4º tri
João
Villaverde
Os investimentos ajudaram a puxar a
economia no último trimestre. Entre o terceiro e o quarto trimestre do ano
passado, o consumo interno de máquinas e equipamentos cresceu 18%, segundo
cálculos do Departamento de Pesquisas Econômicas do Bradesco. Esse foi o
segundo período consecutivo de forte recuperação do investimento na economia
brasileira após a crise internacional - do segundo para o terceiro trimestre
este indicador registrou alta de 6,5% dentro do Produto Interno Bruto (PIB).
Apesar da recuperação no fim do ano, o consumo aparente de máquinas pelas
empresas brasileiras caiu 11,5% em relação ao total de 2008. A conta inclui a
produção doméstica vendida no país mais importação de bens de capital.
Se o aumento de produção e importação de
bens de capital apenas repetir o ritmo de alta verificado em dezembro - de 3,7%
sobre novembro, com ajuste sazonal - o consumo aparente de máquinas e
equipamentos terá expansão de 22% neste ano. Os analistas, no entanto,
trabalham com um incremento superior. Segundo eles, a alta no consumo aparente
de máquinas e equipamentos deve alcançar 30% em 2010, contribuindo para que os
investimentos totais na economia subam mais de 20% sobre o realizado no ano
passado.
A produção de máquinas e equipamentos foi a
que mais sofreu as consequências da crise mundial, chegando a despencar 31,4%
entre outubro de 2008 e março de 2009 - mais que o dobro que o conjunto da
indústria. Nos três últimos trimestres, no entanto, as fábricas ampliaram
fortemente sua produção - em 29,3%, segundo dados do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) - sinalizando otimismo entre os empresários, que
voltaram a investir em aumento da capacidade. Ao mesmo tempo, as compras de
maquinário estrangeiro foram 13,6% menores no ano passado em relação a 2008.
No final do ano, tanto a produção como a
importação reagiram. A produção de bens de capital subiu 13,6% no quarto
trimestre em relação ao terceiro, enquanto as importações seguiram o mesmo
caminho, registrando alta de 16,7% na mesma comparação, descontados os efeitos sazonais
nas duas séries. Na oferta doméstica, foi o segundo mês de reação, pois no
terceiro trimestre a produção de bens de capital já havia crescido 6,9% sobre o
segundo trimestre - percentual semelhante ao registrado para o conjunto do
investimento no PIB.
Para Douglas Uemura, analista da LCA
Consultores, a produção de bens de capital já percorreu "três quartos do
caminho de volta aos níveis anteriores à crise". Segundo Uemura, parte da
forte expansão deste segmento da indústria no último trimestre vai se manter em
2010, levando a uma expansão de quase 30% em relação ao realizado no ano
passado. A LCA estima que a formação bruta de capital fixo (FBCF) se expandirá
em 20,4% neste ano, se recuperando da queda de 9,5% ocorrida em 2009.
Os investimentos serão sustentados por uma
ampliação de 26,1% da produção de máquinas e equipamentos e de 12,1% em
construção civil. "E uma alta da produção nacional implica em expansão dos
importados, que complementam o mercado interno", avalia. Segundo Uemura,
as importações devem voltar a contribuir negativamente para o PIB, após o
refresco do ano passado. Em 2008, de acordo com estimativas da LCA, o setor
externo retirou 2,2% do PIB - algo que foi neutralizado em 2009, uma vez que as
importações caíram mais que as exportações. "Nesse ano voltamos ao jogo
anterior. O salto nas importações deve contribuir negativamente em cerca de 2%
do PIB", avalia.
Para Octávio de Barros, economista-chefe do
Bradesco, não há "fatores impeditivos relevantes" para a contínua
elevação dos investimentos no país. "Há uma correlação bastante forte
entre as importações totais e os investimentos. Só as importações de bens de
capital contribuirão com cerca de 20% da alta nas importações neste ano",
avalia Barros. O consumo aparente agrega a produção nacional (descontando a
exportação) e os bens importados e seu incremento, nos últimos meses, indica
expansão forte na atividade ao longo do ano, ao aumentar a capacidade produtiva
do parque industrial.
Os empresários também aproveitaram os
preços dos bens de capital para reforçar os investimentos. No quarto trimestre,
o preço de importação desses produtos ficou 2,7% menor, em dólar, do que em
igual período de 2008. Em valores, as importações de máquinas e equipamentos
começaram a se acelerar em setembro, se aproximando, no último trimestre, dos
resultados de um ano antes. Entre outubro e dezembro de 2008, foram importados,
em média, US$ 2.149 ao mês, enquanto que, em igual período do ano passado, a
conta foi de US$ 1.989 - a menor diferença na comparação entre trimestres de
cada ano.
Para os analistas, o investimento será um
importante componente do PIB em 2010. "Tudo constante, com gastos públicos
e consumo das famílias mantidos em patamares próximos aos de 2009, são os
investimentos que se aceleram muito fortemente", analisa Fernando Montero,
economista-chefe da corretora Convenção. "Isso fica claro quando
observamos que os investimentos saltarão de pouco abaixo de 17% do PIB para 19%
em apenas um ano", diz.
O raciocínio de Montero é que, mesmo em
cenário de forte expansão do denominador - o PIB -, a relação entre
investimento e produto cresce porque a alta no numerador é muito superior.
Segundo o economista, parte desse incremento será ocupado por capital
estrangeiro, que complementa os investimentos nacionais, ao mesmo tempo em que
amplia o déficit nas transações correntes.
"Não é possível ter cinco quartos de
uma laranja. Para que os investimentos voltem ao patamar que estavam em 2008 é
preciso que alguém diminua o consumo. Como nem governo, nem as famílias dão
sinais de que isso vai acontecer, o rombo aumenta", avalia. Os analistas
convergem para um quadro de aceleração do déficit externo. Segundo eles, o
rombo deve passar dos cerca de 1,2% registrados em 2009 para quase 3% neste
ano.
Barros, do Bradesco, prevê um déficit de
3,4% do PIB, superior ao estimado pelo mercado. O déficit nas transações
correntes é muito influenciado, diz Barros, pelo comportamento da balança
comercial. Para ele, as importações crescerão quase duas vezes mais que as
exportações. "Temos uma visão positiva em relação aos investimentos no
Brasil nos próximos anos", diz Barros, "graças a necessidades
impostas pelo déficit de infraestrutura no país e pelos eventos esportivos
(Copa e Olimpíadas), além da exploração do pré-sal".
Lula
reclama da "timidez" da siderurgia
Paulo
de Tarso Lyra
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
reclamou ontem, durante reunião com representantes do setor siderúrgico, que
eles estavam "muito tímidos" diante do crescimento da demanda interna
brasileira por aço. Na semana passada, Lula já havia reclamado com a Votorantim
, porque o país está importando aço longo da China para atender à indústria
naval nacional. O presidente indagou sobre a baixa produção de casas de aço no
país. Os empresários reclamaram que não há "cultura" da Caixa
Econômica Federal (CEF) para autorizar financiamentos desta natureza.
"Eles questionam, por exemplo, a durabilidade das casas feitas de aço",
disse o presidente da Usiminas, Marco Antônio Castelo Branco.
Ficou acertada para a próxima semana uma
reunião dos empresários com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e
representantes da CEF e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) para estudar linhas de financiamento para a produção de casas de aço.
"Elas podem ser construídas em um prazo muito mais rápido que as casas
normais, o que daria escala na produção", confirmou o presidente da
Usiminas.
O presidente do Instituto Aço Brasil,
Flávio Azevedo, afirmou que a demanda interna nacional é de 22 milhões de
toneladas e que o setor produz 41 milhões. Com todos os grandes eventos
previstos para os próximos anos - investimentos no pré-sal e na construção
naval, programa Minha Casa, Minha Vida, Copa do Mundo e Olimpíada - a
necessidade de aço atingirá o patamar de 41 milhões. "Apresentamos ao
presidente Lula uma estimativa de investimentos de US$ 40 bilhões até 2016, o
que nos permitirá ampliar nossa produção para 77 milhões de toneladas", disse
Azevedo.
Ele lembrou que o
setor enfrentou com dificuldades a crise internacional. Na virada de 2008 para
2009, foram fechados 6 dos 14 alto-fornos. "Recuperamos nossa produção e
temos apenas um alto-forno paralisado no momento", afirmou Azevedo. O empresário
também rebateu as acusações de que o setor siderúrgico é inflacionário. "O
aço representa 50% do peso de um carro, mas apenas 5% a 6% do valor final do
veículo. No caso das casas populares, o custo do aço no preço final é de apenas
2%, de 10% a 15% no caso de fogões e geladeiras", completou o empresário.
O Globo
Mesmo
com Copa e Rio 2016, governo desiste de privatizar aeroportos este ano para
evitar que oposição explore tema
BRASÍLIA - O governo não vai repassar
nenhum aeroporto à iniciativa privada este ano para não dar munição à oposição
em ano eleitoral, apesar de já ter concluído uma proposta de modelo de
privatização. Essa é a avaliação de pessoas próximas ao ministro da Defesa, Nelson
Jobim, que trata pessoalmente do tema com o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, como mostra matéria de Geralda Doca e Eliane Oliveira, publicada na
edição desta sexta-feira , do GLOBO.
Segundo interlocutores, Jobim tem insistido
na proposta nas conversas com o presidente. Porém, falta a ele o respaldo da
ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata à presidência da
República. A ministra já bateu o martelo de que nenhum aeroporto existente será
concedido este ano. Para Dilma, o principal para 2010 é concluir a abertura de
capital da Infraero, administradora de 67 terminais do país e que poderá vender
49% de suas ações.
- As concessões estão fora de cogitação
nesse momento - afirmou Jobim, acrescentando que, ainda assim, o governo trabalha
para deixar pronto o modelo de concessão, o que deverá ocorrer em abril.
O tom usado pelo
ministro pegou de surpresa técnicos do próprio governo que atuam no setor
aéreo, presentes à cerimônia de balanço do PAC . Durante 2009, Jobim
manifestara, em mais de uma ocasião, ser favorável à transferência do Galeão
(Tom Jobim) e de Viracopos (Campinas), hoje administrados pela Infraero, ao
setor privado.
Jornal do Comércio
Porto
Alegre passa a ter terceira passagem mais cara do País
A tarifa de ônibus na Capital teve um
aumento de 6,52%, e passou de R$ 2,30 para R$ 2,45. O índice foi aprovado nesta
quinta-feira (4), pelo Conselho Municipal de Transportes Urbanos (Comtu), por
15 votos a dois. Segundo a Central
Única dos Trabalhadores (CUT), que votou contra o reajuste junto com a
Uampa, a Capital passa a ter a terceira maior tarifa do Brasil, atrás de Campo
Grande (R$ 2,50) e Florianópolis (R$ 2,70).
O novo valor começará a valer a partir da
zero hora de domingo (7) nos ônibus. O pedido de reajuste que havia sido
encaminhado pelo Sindicato das Empresas Operadoras do Transporte de Porto
Alegre (Seopa) era de 11,30%, o que passaria a tarifa para R$ 2,56. A redução
para 6,52% foi apontada pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC),
após análise de aumento dos itens que compõem a planilha tarifária.
Os ônibus do tipo lotação sofrerão um aumento ainda maior, de 10,6%, passando
de R$ 3,30 para R$ 3,65. Segundo a prefeitura, os créditos atuais do Cartão TRI
ainda valem por 60 dias. O aumento foi homologado hoje pelo prefeito José
Fogaça.
Agência Brasil
FGV
prevê que alta da inflação da baixa renda vá se diluir em fevereiro
Isabela Vieira
Rio de Janeiro - A alta da inflação
registrada para a baixa renda em janeiro deste ano tende a se diluir em
fevereiro, quando a taxa deve cair pela metade, livre de pressões sazonais como
o reajuste das tarifas de ônibus, das mensalidades escolares e do aumento de
preços de alguns alimentos, que ficaram mais caros por conta das dificuldades
no cultivo.
A avaliação é do economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), Andre Braz, que
comentou ontem (4) o avanço de 1,32% do Índice de Preços ao Consumidor -
Classe 1 (IPC-C1), de dezembro do ano passado para janeiro. A taxa é a mais
alta desde maio de 2008.
De acordo com Braz, contribuíram para alta da inflação os custos de legumes e
hortaliças, condições climáticas como excesso de calor ou de chuvas, além do
reajuste de 0,01% para 5,06% dos transportes. Juntos, os segmentos representam
cerca de 50% da renda das famílias que ganham até 2,5 salários mínimos, foco do
IPC-C1.
"Não houve aumento generalizado. A pressão foi ocasionada por fatores sazonais.
Houve variação no preço dos alimentos in natura, no preço das escolas e,
fugindo um pouco dos fatores sazonais, o reajuste da passagem de ônibus
em São Paulo e Salvador", disse, ao explicar que as variações na capital
paulista têm mais peso no indicador.
Em relação aos itens do grupo educação, leitura e recreação, a pesquisa da
Fundação Getulio Vargas revela alta de 0,08% para 2,45%, embora o grupo tenha
pouca relevância na renda da população pesquisada pela instituição, que está,
em maioria, em escolas públicas.
Para este mês, como o clima deve afetar menos a produção de alimentos e como
não estão previstos novos reajustes de mensalidades, a expectativa do
economista é de que a inflação para baixa renda caia na próxima sondagem, mesmo
com os reajustes das passagens de ônibus no Rio de Janeiro, que deve vigorar a
partir de sábado (7).
"Dá para esperar que, em fevereiro, a redução da oferta desses alimentos não
seja tão intensa e que haja, então, um recuo nos preços, diminuindo a pressão dessa
classe de despesa", explicou Braz.
Mais
da metade dos julgamentos da Caravana da Anistia são de sindicalistas
Ivy Farias
São Paulo - Izaura Silva Coqueiro tinha
duas filhas pequenas quando seu marido foi assassinado. Aderval Alves Coqueiro
era um dos militantes do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo.
Exilada e perseguida política, Izaura foi anistiada ontem (4), em sessão da
Caravana da Anistia, em São Paulo.
Seu caso foi um dos 88 julgados pela 33ª Caravana da Anistia, que se realizou
no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, em São Paulo.
Segundo a assessora técnica da Comissão da Anisita, Lígia Gimenes, 54,55% dos
casos em julgamento hoje são de pessoas que foram, de alguma maneira, ligadas
ao movimento sindical e tiveram o curso de suas vidas desviadas pela repressão
política. Do total, 48 casos são de brasileiros que foram lesionados pela
ditadura militar.
"Tive que morar de favor na casa do meu sogro e dependia da ajuda de
amigos pois não consegui trabalhar: eu era perseguida política", contou à
Agência Brasil. Além das dificuldades econômicas que enfrentou no Brasil,
Izaura foi exilada política no Chile e em Cuba. "Eu espero que o governo
reconheça e me peça perdão pelo tempo que fiquei fora, foi dolorido",
disse a mulher do sindicalista.
Izaura não era a única que aguardava o pedido de anistia e recuperação
econômica da caravana. no local. Pedrina José de Carvalho também era uma destas
pessoas. Ela era casada com Devanir José de Carvalho, outro militante do
Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, que foi assassinado quando
os dois filhos do casal tinham 3 e 7 anos.
"Além do trauma de perder o meu marido, tive que enfrentar a perseguição
política", contou Pedrina. "Eu não podia comprar roupas e calçados
para os meus filhos, a alimentação não era das melhores. E tudo por causa da
repressão", relatou. Pedrina também foi exilada política. Ela morou no
Chile, na Argentina e em Portugal.
A Caravana da Anistia considerou as duas viúvas como anistiadas políticas e
pediu, em nome do Estado brasileiro, perdão aos danos que causou às duas
famílias. Cada uma receberá uma parcela única de 300 salários mínimos - são 30
salários mínimos por ano, e um teto de R$ 100 mil - referente ao período em que
foram perseguidas políticas.
Para o presidente do Conselho de Defesa da Pessoa Humana (Condepe), Ivan
Seixas, que testemunhou no caso de Pedrina, o perdão não era apenas por elas
terem sido casadas com militantes políticos. "Elas foram verdadeiras
companheiras de luta, pois, além de guardarem os segredos de seus maridos,
também lutaram para criar e manter suas famílias unidas."
Com lágrimas nos olhos, as duas se abraçaram após o julgamento. Depois do
perdão, havia no peito um sentimento diferente. "Agora sou
anistiada", disse Izaura emocionada.
Para
Frei Betto, falta articulação entre movimentos sociais e o governo Lula
Bruno Bocchini
São Paulo - Frei Betto defendeu ontem (4)
uma maior articulação entre os movimentos populares para abrir mais espaço no
governo às pautas de cunho social. Segundo ele, desde 2003, os movimentos
populares têm se "desmobilizado", pressionando menos o governo a adotar uma
agenda de reformas sociais profundas.
"Nós não conseguimos criar uma articulação dos movimentos sociais brasileiros.
As poucas tentativas ocorridas ainda não foram exitosas. Como a criação da
Central dos Movimentos Populares, como a Assembleia Popular. Surgiram, mas
todas muito frágeis. Não foi exitoso em estabelecer bandeiras ou pautas comuns
de luta" disse em palestra a membros do projeto Meninos e Meninas de Rua, em
São Bernardo do Campo (SP).
Frei Betto, conselheiro do presidente Lula no início de seu governo e
atualmente assessor de movimentos sociais, disse ainda que parte da
desmobilização dos movimentos populares se deu em razão de eles imaginarem que
o governo Lula resolveria "na canetada" todos os problemas do país. "Ao eleger
o governo Lula, o movimento teve inconscientemente a impressão de que estava
criando uma grande vaca com uma teta para cada boca", disse.
De acordo com Frei Betto, houve um distanciamento entre o governo federal e os
movimentos sociais, o que acabou por afastar do poder a agenda pretendida pelos
movimentos populares. "O governo Lula tinha duas pernas de governabilidade. O
movimento social e o Congresso. Infelizmente, o governo Lula fez opção pelo
Congresso. Os movimentos sociais não são importantes para a estratégia de
governabilidade do governo Lula. Com muita dificuldade conseguem ter audiência
com algum ministro. São escutados como favor. E não como parceiros", ressaltou.
Agência Diap
Estabilidade
do dirigente e regulamentação da assistencial, no Trabalho
Os projetos de lei que tratam,
respectivamente, da regulamentação da taxa assistencial (PL 6.708/09), e da
estabilidade do dirigente sindical (PL 6.706/09) já estão na Comissão de
Trabalho, onde aguardam distribuição. Ambos são de autoria do senador petista
Paulo Paim (RS).
Essa distribuição só será feita depois que
o colegiado eleger a nova mesa diretora. Essa eleição está prevista para o
final de fevereiro, início de março.
O PL 6.706/09 foi anexado a vários projetos
de lei que tratam de organização sindical - PL 5.401/09, PL 5.684/09, PL
5.622/2009, PL 5.996/09, PL 4.430/08, PL 5.193/09.
É importante que as entidades atuem para
que os relatores desses projetos sejam aliados, pois desse modo sua tramitação
poderá ser mais célere e atender aos interesses do movimento sindical.
Veja o conteúdo do PL
6.708/09 e também do PL
6.706/09
Infonet.com.br
Sinergia
realiza manifestação em frete a Energisa
Eletricitários da Energisa realizaram uma
manifestação na manhã dessa quinta-feira, 4, em frente a sede da empresa.
O objetivo do ato, segundo o presidente do Sindicato da Energia
(Sinergia), Sérgio Alves, é evitar mais 14 demissões que estão
previstas pelo grupo de energia elétrica.
"Esse é o primeiro passo, pois tentamos diversas
reuniões com a diretoria para tentar resolver a situação e evitar essa
manifestação. No entanto, não obtivemos sucesso. Várias pessoas já foram
demitidas e agora eles querem demitir mais 14", declarou Sérgio.
Ainda de acordo com o presidente do sindicato,
a Energisa está acabando com diversos setores da empresa. "Eles
resolveram levar setores importantes da empresa para o Estado da Paraíba e
Minas Gerais" relatou.
O presidente do Sinergia também declarou
que todos os lucros da empresa são destinados para fora do estado. "Todo
material é comprado fora daqui,- dos informativos a compra de carros. A empresa
não valoriza o comércio sergipano", acusou Sérgio Alves.
A manifestação contou com o apoio de alguns
sindicatos, a exemplo do Sindicato dos Trabalhadores em Mineração,
(Sindiminas), representado pelo 1° secretário Gilson dos Santos, que falou da
importância em unir as forças. "Trabalhadores unidos, independente do setor é
sempre importante, porque fortalece as lutas e sensibiliza a sociedade, para as
questões relevantes", declarou Gilson.
Quem também demonstrou o apoio a luta dos
eletricitários foi a Central
Única dos Trabalhadores (CUT), onde segundo o presidente, professor
Dudu, é preciso existir uma intervenção do Estado. "Uma estatal como essa deve
ter no mínimo uma cláusula onde Sergipe seja valorizado, já que os lucros são
tirados daqui. Acredito que os trabalhadores sergipanos precisam fazer parte
desses lucros", comentou o professor.
Explicações
De acordo com o assessor de comunicação da
Energisa, Augusto Aranha, o Sinergia está fazendo uma série de pronunciamentos,
que não procedem com a realidade da empresa. "De setembro há dezembro a empresa
efetuou 22 demissões e 22 admissões, além do projeto menor aprendiz, onde
trouxemos para a empresa 20 menores", ressaltou Aranha.
O assessor também negou a acusação feita
pelo sindicato, de que a empresa está acabando com setores importantes na sede
da Energisa. "No setor de informática apenas um colaborador foi transferido
para Minas Gerais, por decisão do próprio colaborador. E na área de transporte
e materiais o que está acontecendo é uma reestruturação do setor, que foi
desmembrado e o comando passou a ser nacional, onde inclusive o número foi
aumentado", explicou Augusto Aranha.
Com relação ao Call Center, Aranha explicou
que todos os colaboradores continuam trabalhando. "Nos momentos de crise, onde
existe um transbordo do atendimento, as ligações são transferidas para outra
Unidade. Da mesma forma acontece nas outras, graças a toda tecnologia que
temos", relatou.
Segundo Augusto Aranha apenas o setor de
faturamento, que está totalmente automatizado, teve o trabalho centralizado em
uma Unidade. "As pessoas desse setor estão sendo remanejadas dentro da empresa.
Então, essas acusações feitas pelo sindicato não procedem", afirmou o assessor
de comunicação.
Em relação as compras realizadas pela
empresa, Aranha explicou que toda a aquisição é concentrada em um só
lugar. "Sempre foi assim, nós fazemos as compras de acordo com os custos. Onde
tiver mais barato a empresa efetua suas compras. No entanto é importante dizer
que temos diversos fornecedores cadastrados em Aracaju, que nos prestam
serviços", comentou.