Edição
número 1513 segunda-feira, 08 de fevereiro de 2010
Fechamento:
08h55
Veículos Pesquisados:
Clipping CUT é um
trabalho diário de captação de notícias realizado pela equipe da
Secretaria Nacional
de Comunicação da CUT. Críticas e sugestões com
Leonardo Severo (leonardo@cut.org.br)
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Secretária de
Comunicação: Rosane Bertotti (rosanebertotti@cut.org.br)
O Estado de S.Paulo
Dilma
comanda reação petista a FHC e diz que insistirá em comparações
Com
Dutra e Padilha, ela responde a artigo no 'Estado' em que ex-presidente acusa
Lula de 'enunciar inverdades'
Renato
Andrade, Tânia Monteiro (Nacional)
O governo saiu ontem em bloco para responder as críticas feitas pelo
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à estratégia do Palácio do Planalto
para tentar vencer as eleições de outubro. A ministra-chefe da Casa Civil,
Dilma Rousseff, pré-candidata à corrida presidencial, reconheceu que o governo
tucano deu contribuições ao País, mas indicou que não deixará de fazer
comparações entre o que foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e
seu antecessor. "Não estou desmerecendo ninguém, estou dizendo que nosso
caminho é melhor", disse.
Em artigo publicado ontem no Estado, Fernando Henrique afirmou que Lula, levado
por "momentos de euforia", está inventando inimigos e enunciando
inverdades. O ex-presidente lamentou que o sucessor tenha se deixando
contaminar por "impulsos tão toscos" e mostrou disposição para entrar
no embate das realizações de cada governo, polarização defendida por Lula.
"Se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga
é boa."
Para Dilma, o que o governo defende é uma comparação para a escolha de
caminhos. "Essa é a forma de nós confrontarmos as possibilidades",
disse a ministra, pouco antes de participar de um evento do PT, em Brasília.
Fernando Henrique afirmou em seu artigo que a estratégia adotada pelos petistas
seria uma tentativa de ganhar as eleições "com o retrovisor".
Dilma rebateu. "Comparar não é ficar olhando pelo retrovisor. Comparar é
discutir que caminho vou seguir", disse. "Sem sombra de dúvida, houve
passos no governo anterior, agora, o que estou dizendo é que o nosso caminho é
melhor."
O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, também defendeu a
política de comparações e disse que o PT está disposto a debater com os tucanos
suas propostas para o futuro. "Assim que mostrarem o que querem fazer, nós
vamos comparar com aquilo que queremos fazer daqui para frente."
DADOS
O ex-presidente argumentou em seu artigo que o governo ignora dados e insiste
em contar sua versão dos fatos para tentar "desconstruir o inimigo
principal", os tucanos. O empréstimo feito pelo País em 2002, no FMI, foi
um dos exemplos citados por Fernando Henrique de custos enfrentados pelo País
por anos de "bravatas" do PT que hoje são ignoradas pelos petistas.
Dilma tentou desmontar a argumentação. "O governo pediu US$ 14 bilhões
porque só tinha US$ 16 bilhões de reservas e tinha atrelado sua dívida interna
ao dólar", disse. "Hoje, temos reservas de US$ 240 bilhões, essa a
diferença."
Segundo a ministra, a de cisão de atrelar a dívida ao dólar acabou tendo
efeitos perversos. "Cada vez que havia uma desvalorização, a dívida das
empresas, a dívida do governo se multiplicava na proporção da
desvalorização", disse. "Diante de cada crise o governo quebrava, ele
era parte do problema."
Para Dilma, o atual governo mudou o papel do Estado. "Na hora que a coisa
ficou preta, quando acabou o crédito internacional e nenhum banco privado
emprestava, foram os nossos bancos públicos que seguraram", comentou.
"Não vamos comparar desta vez que o governo brasileiro foi parte da
solução?"
A tentativa de colar a imagem do governo com sinais de mudanças radicais também
não faz sentido, disse. "O pessoal está um pouquinho atrasado, nem em
Davos a gente recebe mais essa crítica."
DUTRA
Citado no artigo de Fernando Henrique, o presidente eleito do PT, José Eduardo
Dutra, disse que quem não reconheceu os feitos do governo passado foi o candidato
tucano ao Planalto em 2006, o ex-governador Geraldo Alckmin. "Quem
escondeu os progressos do governo dele foi o Alckmin. Ele ficou envergonhado de
defender o governo FHC", provocou Dutra.
Em seu artigo, Fernando Henrique lembra que Dutra, que já presidiu a Petrobrás,
reconheceu que votaria contra uma eventual proposta de volta ao monopólio do
petróleo, tema defendido por muitos anos pelo PT. Dutra confirmou essa posição
e disse também que já elogiou outra medida tomada pelo governo FHC, hoje alvo de
críticas dos próprios tucanos. "Um dos grandes motivos para o crescimento
da Petrobrás foi a agilidade que ela ganhou a partir do momento em que não teve
mais de cumprir a 8666 (Lei de Licitações). Agora o TCU bombardeia esse
decreto, que é do governo FHC, e a oposição fica do lado do TCU."
TRECHOS
O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos
e enunciar inverdades. (...) Por trás dessas bravatas estão o personalismo e o
fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve
quem dissesse: "O Estado sou eu." Lula dirá: "O Brasil sou
eu!" Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.
Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como
desconstruir o inimigo? Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo o
que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais
consciente e benéfica para todos? No ralo.
Na campanha haverá um mote - o governo do PSDB foi "neoliberal" - e
dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área
social. Os dados dizem outra coisa.
(Lula) Esqueceu-se de que o País pagou um custo alto por anos de
"bravata" do PT e dele próprio.
É mentira dizer que o PSDB "não olhou para o social". Não apenas
olhou como fez e fez muito nessa área.
Se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é
boa. Nada a temer.
Europa
tenta sair da crise sem FMI
Jamil
Chade
(Economia)
A União Europeia (UE) rejeita a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI) e
garante que a solução de seus problemas da dívida será doméstica. Mas nem a UE
nem o grupo dos sete países mais ricos (G-7) conseguem convencer investidores
de que a situação está sob controle.
Nesta semana, algumas capitais europeias terão suas ruas tomadas por
manifestantes, enquanto os mercados devem continuar voláteis - a Bolsa de
Tóquio abriu esta segunda-feira em baixa de 0,59%. Na quinta-feira, a cúpula da
UE se reúne para dar uma resposta à nova crise e já se insinua que poderá haver
um novo pacote.
Ontem, a reunião de ministros de Finanças do G-7, no Canadá, manteve o suspense
sobre a capacidade dos governos de criar um plano de resgate das economias mais
endividadas da Europa. Por mais que essas dívidas estejam corroendo a confiança
dos mercados, os governos europeus deixaram claro que não vão retirar ainda os
incentivos econômicos. O fim do apoio poderia jogar a economia mundial de volta
à recessão.
O problema é que esses mesmos governos enfrentam um grande dilema: precisam
continuar gastando para evitar a recessão, mas estão com as contas em um estado
crítico. Na semana passada, o temor de calote na dívida da Grécia, de Portugal
e da Espanha abalou as bolsas mundiais e o euro sofreu sua maior desvalorização
em nove meses. O problema é ainda mais grave porque na crise os países (ricos)
do G-7 (EUA, Japão, Alemanha, Inglaterra, França, Itália e Canadá), acumularam,
juntos, uma dívida de US$ 30 trilhões, mais da metade do PIB mundial.
Ministros europeus usaram o G-7 para tentar passar o recado de que a situação
está sob controle. "Estamos confiantes de que governo grego tomará todas
as decisões que permitam que a meta (de redução do déficit) seja
atingida", afirmou Jean Claude Trichet, presidente do Banco Central
Europeu.
O temor dos mercados é que, apesar dos planos de redução de gastos, os gregos e
outros países não tenham como financiar sua dívida. Ontem, a Grécia voltou a
prometer cortar gastos.
A tônica dos europeus é que o FMI não é necessário e sua ingerência não é
bem-vinda. "Dissemos a nossos parceiros que temos de resolver o problema
sozinhos", disse Jean Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, o 16 países
que usam a moeda comum. O G-7 optou por tomar distância. Jim Flaherty, ministro
canadense, foi claro: "Esse é um assunto que não deve ser administrado
pelo G-7, mas pela UE".
Analistas do Banco UBS indicaram que um pacote do FMI seria a solução. Mas
Timothy Geithner, secretário do Tesouro dos EUA, disse que a UE promete acertar
a situação "com cuidado", o que provocou a expectativa de que um
plano esteja sendo preparado em Bruxelas.
Consumo
dá sinal de desaceleração
Sondagem
mostra recuo nas vendas de bens duráveis por causa do endividamento das
famílias das classes C e B
Márcia
De Chiara
(Economia)
A antecipação do consumo de carros, máquinas de lavar, fogões e geladeiras,
patrocinada pela política anticíclica do governo federal, reduziu a capacidade
de compra desses itens pela nova classe média brasileira. Para manter as vendas
aquecidas após o fim do corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI),
que terminou em janeiro para a linha branca e expira no fim de março para os
carros, o comércio de bens duráveis começa a mirar as famílias de menor renda,
da classe D, como potenciais consumidores.
Com renda de até quatro salário mínimos mensais (R$ 2.040), essas famílias
tiveram até agora pouco acesso a financiamentos. Por isso, estão menos
endividadas em relação às famílias das classes B e C. Revendas de veículos, por
exemplo, já estudam a possibilidade de alongar prazos de pagamento até 120
meses para fazer com que a prestação se "encaixe" na renda. Com isso,
o varejo abre o leque de consumidores.
Apesar de não admitirem publicamente, lojas de eletrodomésticos querem chegar
ao Dia das Mães com prazo de financiamento superior a 18 meses para reduzir
ainda mais o valor das prestações.
Os sinais de que o ritmo de compras de bens duráveis deve diminuir e de que as
indústrias começam a tirar o pé do acelerador da produção para se ajustar às
mudanças do mercado já apareceram em duas pesquisas da Fundação Getúlio Vargas
(FGV) e outra do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Pelo segundo mês consecutivo, o Indicador de Expectativas de Compra de Bens
Duráveis da FGV, que sinaliza a intenção de consumo para os próximos seis
meses, caiu em janeiro. Fechou o mês em 81,4 pontos, a menor marca em oito
meses e abaixo da média de cinco anos (82,8 pontos). A queda acumulada do
índice entre novembro de 2009 e janeiro deste ano foi de 3,2%.
A sondagem industrial da FGV mostra que, em outubro do ano passado, 43,1% das
indústrias de bens duráveis consideravam o mercado interno forte. Em janeiro,
esse indicador caiu para 31,1%. No caso da produção de bens duráveis prevista
para três meses, incluindo o mês em curso, 57,9% das indústrias esperavam em
outubro de 2009 aumento da produção; em janeiro, esse indicador recuou para 33,5%.
O uso da capacidade instalada das fábricas de bens duráveis, outro termômetro
do ritmo de produção, também diminuiu no período: estava em 91,4% em outubro de
2009 e recuou para 89,1% em janeiro.
"Está havendo um freio de arrumação na produção de bens duráveis,
provocado pelo aumento do endividamento das famílias e pela volta do IPI",
disse o coordenador de Sondagens Conjunturais da FGV, Aloisio Campelo. Ele
ressalta que os dados da produção industrial do IBGE confirmam a tendência.
Em dezembro, a produção total da indústria caiu 0,3% na comparação com
novembro, descontadas as influências sazonais. A retração foi provocada pelo
recuo de 4,9% nos bens de consumo duráveis, que inclui a queda de 1,2% na
produção de veículos no período.
Isoladamente, empresas e setores da indústria não admitem que estejam reduzindo
o ritmo de produção para atenuar os efeitos da ressaca do consumo dos últimos
meses. Com o corte no IPI, as vendas de eletrodomésticos da linha branca, por
exemplo, cresceram cerca de 20% no ano passado em relação a 2008. Nos veículos,
houve acréscimo de vendas de 300 mil unidades entre dezembro de 2008 e junho de
2009, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores
(Anfavea).
"O benefício foi bom enquanto durou", afirma o diretor de Relações
Institucionais da Whirlpool, Armando Ennes Valle. Ele diz que não vê queda
brusca em razão do fim do corte do IPI. O executivo conta que a sua empresa
mantém hoje o ritmo de produção de dezembro. Os lançamentos em curso, o aumento
da renda do consumidor e a perspectiva de alongar os prazos do crediário devem
sustentar as vendas, argumenta.
Grandes redes varejistas de eletrodomésticos estão inclinadas a esticar os
prazos por meio de parcerias com bancos públicos, segundo fontes do mercado.
Mas ocorre que essas redes já têm parcerias fechadas com bancos privados, o que
atrapalha o acerto de novos acordos.
A Anfavea também não prevê desaceleração e projeta crescimento de 8,2% nas
vendas domésticas para este ano na comparação com 2008. Mas os números de
janeiro da entidade mostram outra realidade. As vendas do mês caíram 27,2% na
comparação com dezembro e cresceram 8% ante o mesmo mês de 2009, quando a crise
estava no ápice.
As fábricas e as concessionárias encerraram janeiro deste ano com 259,2 mil
carros em estoque, o equivalente ao giro de 36 dias de vendas. Em dezembro, os
estoques eram de 245,2 mil veículos, ou 26 dias de vendas.
"As vendas continuam em queda neste mês", diz Carlos Palazzini,
presidente do Grupo Palazzo, que tem 12 revendas de veículos das marcas GM, Kia
e Peugeot. Para reverter o quadro, ele já fez neste mês dois feirões com
condições de financiamento facilitadas. O cliente podia parcelar em 72 vezes ou
em 60 meses, com entrada de 30% paga só em 2015. "Vendemos, com chuva e
tudo, 400 veículos zero dos 650 que tínhamos no estoque."
Palazzini conta que pretende fazer um plano de financiamento para vender carros
com prazos mais longos, de até 120 meses ou dez anos. "Quero atingir a
classe D para reverter a queda nas vendas."
Pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo mostra que, entre
dezembro de 2008 e dezembro de 2009, o número de famílias endividadas com renda
mensal de até três salários mínimos caiu de 53% para 51% no total da população
desse estrato de renda.
No mesmo período, aumentou de 53% para 54% a fatia de famílias endividadas com
renda entre quatro e dez salários mínimos. "O potencial de consumo das
famílias de menor renda será muito grande com o aumento no número de parcelas
de financiamento", acredita a economista da entidade, Adelaide Reis.
Salas
para chefes estão fora de moda na Philips
Clayton
Netz
(Economia)
O QG da subsidiária brasileira da Philips
vai mudar de endereço. A empresa deixa o prédio atual, na rua Verbo Divino, na
zona sul de São Paulo, para ocupar quatro andares do Castelo Branco Office
Park, a primeira das seis torres do condomínio verde de 110 mil metros
quadrados de área que a Tishman Speyer está erguendo em Alphaville, nas
imediações da capital paulista. Não se trata, porém, de uma mera mudança de
CEP. Na verdade, os 800 funcionários do escritório central vão encontrar uma
nova forma de trabalhar, que começa a ser adotada globalmente pelo grupo
holandês. Batizado internamente de Workplace Innovation, o modelo privilegia o
trabalho em equipe e a colaboração dos funcionários de diferentes divisões de
negócios e áreas funcionais.
O uso dos espaços será feito em função da necessidade, em vez da posição hierárquica,
como ocorre tradicionalmente no mundo corporativo. Com isso, saem de moda as
salas exclusivas, com o nome do ocupante gravado na porta, as cadeiras e as
estações de trabalho diferenciadas em função da posição funcional. Isso vale,
inclusive, para a alta chefia. "A ideia é aproximar mais as pessoas e
estimular o trabalho em equipe", disse aos funcionários o presidente da
Philips, Marcos Bicudo, que desde sua entrada na empresa, em julho do ano
passado, reclamava da suntuosidade do espaço ocupado pela diretoria. "O
novo modelo permitirá aos funcionários gerenciar melhor seu tempo e o
equilíbrio de suas vidas." Uma das ideias, por exemplo, é permitir e até
estimular o trabalho em casa.
O anúncio da mudança, no final de 2009, não foi exatamente indolor para muitos
funcionários, que residem nas imediações do atual endereço. Para convencê-los
das vantagens do novo modelo e de ir trabalhar num local a 30 quilômetros de
distância dali, entrou em ação a área de Recursos Humanos, que promoveu
reuniões e seminários nos últimos meses.
Para chegar à definição pelo novo prédio, a Philips examinou 35 edifícios em
São Paulo. Boa parte foi eliminada sumariamente por não atender às exigências
de sustentabilidade: um ponto decisivo era que a construção tivesse o selo Green
Building.
Definido o novo domicílio, o desafio para Bicudo e sua equipe, a partir de
julho, é fazer com que o novo modelo de local de trabalho saia do papel e
funcione na prática. Numa empresa hierarquizada como a Philips, dividida em
setores de negócios que até aqui pouco se comunicavam entre si, na qual os
sinais exteriores de poder costumam contar muito, a implantação do Workplace
Innovation deverá exigir um grande esforço de persuasão e jogo de cintura.
Assédio
moral assombra a LG
Greve
no interior paulista mostra as dificuldades dos funcionários da empresa em
conviver com o jeito coreano
Paula
Pacheco
(Economia)
Por quase uma semana, os funcionários da coreana LG Eletronics de Taubaté, em
torno de 2,4 mil, interromperam a produção de cerca de 300 mil unidades com o
objetivo de brigar pelo cumprimento de um acordo de promoções e para protestar
contra o assédio moral por parte de alguns executivos. A greve terminou na
sexta-feira, depois de um acordo entre o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e a empresa,
intermediado pelo Tribunal Regional do Trabalho de Campinas (SP).
O fim do assédio moral é um tipo de reivindicação comum nas pautas sindicais,
mas o excesso de queixas, segundo o sindicato, mobilizou os funcionários. A
empresa, segundo a entidade, se comprometeu a mudar suas práticas. Os
trabalhadores falam de insultos, palavrões e maus tratos.
Depois de um tapa nas costas e um rosário de insultos, Simone de Gouvêa Rosa,
de 35 anos, recorreu à Justiça. Desde junho de 2007 briga por uma indenização.
A acusação é de agressão moral e física. O acusado, diretor da área de
celulares, é conhecido por todos como Mister Ahn. Em caso de condenação da
empresa, o valor será determinado pelo juiz.
Após um acordo, ficou acertado que, até a decisão do juiz, Simone continua
vinculada à empresa. É funcionária, recebe o salário e demais benefícios, mas
fica em casa. Não pode procurar emprego nem ter atividade remunerada. Depois de
tanto tempo, ainda tem de conviver com as perguntas inconvenientes de quem quer
saber por que levou um tapa do diretor coreano. Até o filho único, de 13 anos,
é atormentado pela curiosidade dos colegas de escola.
Simone entrou na LG em 2001. Acordava às 5 da manhã, ainda com o céu escuro,
preparava o filho para a escola e chegava à fábrica às 7h15. O expediente
terminava às 17h18. Parava 10 minutos para o café da manhã, tinha pausa para o
almoço e outra para o lanche da tarde. Mas, segundo ela, precisava pedir para ir
ao banheiro ou tomar água. "Se ninguém estivesse livre para me substituir,
tinha de segurar a vontade", diz. Seu trabalho era testar baterias e colar
adesivos nos aparelhos.
Em junho de 2007, quando a produção de monitores estava mais tranquila e a de celulares
acelerada, alguns funcionários, entre eles Simone, foram recrutados para mudar
de departamento por uma semana. O grupo teve de aguardar em uma sala para
receber mais instruções para a hora extra que faria. Ela conversava com Adriano
Calais, então integrante da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa),
para ter detalhes sobre como seria a Participação de Lucros e Resultados (PLR).
Mr. Ahn, segundo ela, entrou na sala, deu um tapa estalado nas costas dela e
gritou em coreano.
Abalada, a funcionária diz que passou por um psiquiatra e uma psicóloga e teve
de tratar da depressão com muitos remédios. "Tomava calmantes, não
conseguia dormir. Naquela época não conseguia sair de casa, nem tirava o
pijama, ficava enfiada no quarto o dia inteiro à base de antidepressivos."
Ainda hoje Simone se desestabiliza ao lembrar do caso. Chora e diz ter
pesadelos. "Ele olhava nos meus olhos, gritava comigo, gesticulava muito.
Fiquei paralisada, me senti assustada e não consegui reagir", diz.
O marido fez o possível para ajudar na recuperação. Numa saída para jantar, ela
simplesmente travou ao passar pela porta do restaurante e ver uma mesa cheia de
coreanos da LG, entre eles Mister Ahn.
Desgastada, Simone espera encerrar o processo e, pouco a pouco, "voltar à
rotina, arranjar outro emprego, ter a minha independência novamente e uma vida
social".
PALAVRÃO
João, nome fictício, é funcionário da LG há nove anos. Relata que a relação com
os chefes coreanos é difícil. Ele diz que uma das primeiras coisas que os novatos
costumam fazer, até por instinto de defesa, é aprender palavrões em coreano
para tentar acompanhar o que os executivos dizem nas rodinhas de conversa.
Em março do ano passado, João ajudava o supervisor em outra linha de produção.
Conta que Mister Ahn, aparentemente insatisfeito com a presença do funcionário,
o xingou no idioma natal. "F.d.p.", teria dito. "Respondi que
sabia o que ele estava falando e disse "é a sua mãe", pronto para
bater nele. Chorei de raiva. Pensei na minha mãe que me colocou no mundo. Ela é
o quê, uma vadia?"
João foi ao ambulatório da empresa, tomou um calmante e pediu providências.
Mister Ahn teve de pedir desculpas formais. Ele tentou entrar com uma ação na
Justiça, mas teve de interromper o processo por falta de testemunhas.
"Será que ele é bipolar? Na semana passada dizem que ele jogou um notebook
no chão num momento de fúria." A empresa nega.
A LG informou, em nota, não existir uma cultura dominante na empresa: "O
objetivo é fazer com que a cultura local e a coreana se integrem, transformando
a forma de trabalhar, conviver e interagir em um misto das duas culturas, na
qual o que prevalece é o melhor de cada uma."
Dos cinco mil funcionários no País, 64 são coreanos, espalhados por Taubaté,
Manaus e o escritório de São Paulo. Sobre a acusação de assédio moral, a LG diz
que as queixas podem ser feitas à matriz. "Caso seja apurada uma infração,
as providências são imediatamente tomadas pela matriz, que acionará os
responsáveis no País", explica a nota.
Para Roberto, outro nome fictício, a cultura coreana é muito diferente da
nossa. "Para eles, é normal chamar a atenção de um funcionário na frente
dos outros ou simplesmente não falar com os subordinados. Mas não é assim que
agimos", ressalva. Ele também viu cenas inusitadas na LG. A máquina que
fechava as caixas de monitores estava com um defeito e não fazia o lacre
corretamente. Um diretor coreano chamou a equipe para uma reunião e arremessou
uma caixa com o monitor no chão. "Tranquilo, ele saiu para fumar com os
outros coreanos como se nada tivesse acontecido", afirma.
Para Roberto, estar na LG é um "desgaste psicológico". Se pudesse,
mudaria de emprego. "Quando fui admitido, imaginava que seria o lugar do
futuro. Afinal, lá se faz tecnologia."
Folha de S.Paulo
Será "nefasto" se direita
vencer a eleição no Brasil, diz Chávez (Brasil)
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez,
disse ontem que será "nefasto" para a América Latina se a direita
ganhar as eleições presidenciais no Brasil, em outubro.
"Temos certeza que o império norte-americano vai fazer tudo para que a
direita ganhe no Brasil, para ter, a partir de janeiro de 2011, um governo
subordinado a seus mandatos, o que seria nefasto para a América Latina", disse
Chávez em seu programa semanal de rádio e televisão "Alô,
presidente".
Para o líder venezuelano, é importante que o governo Lula "siga seu curso,
seu ritmo", porque é aliado dos povos latino-americanos e não se
subordinou "às ordens do império ianque".
Chávez tem manifestado seu apoio à candidatura de Dilma Rousseff, pré-candidata
do PT à sucessão. Em outubro do ano passado, o venezuelano disse acreditar que
a ministra será a próxima presidente do Brasil. "Não me meto nessas
questões, mas é o que me diz esse coração", afirmou à época, batendo no
próprio peito.
Parceria
estratégica tem custo político, diz embaixador francês
Para
Saint-Geours, compra de caças não tem peso só comercial; faz parte da escolha
do Brasil como parceiro na América Latina
Diplomata afirma que é necessário trabalhar com o Brasil diante do
"inegável peso" do país, mas repartir tecnologia é "algo
delicado"
Samy
Adghirni
(Brasil)
Na primeira entrevista à imprensa brasileira sobre caças desde que se instalou
em Brasília, há três meses, o embaixador da França, Yves Saint-Geours, disse à
Folha que cabe ao governo do presidente Lula escolher quando anunciar sua
decisão sobre a compra de aviões e negou que haja apenas interesses comerciais
por trás da parceria estratégica bilateral firmada em 2008. Historiador de
formação, Saint-Geours, 57, assumiu o cargo depois de pilotar pelo lado francês
os eventos do Ano da França no Brasil, em 2009. Na conversa com a reportagem, o
embaixador disse que a parceria com o Brasil exige sacrifícios por parte da
França e admitiu ter dificuldade para entender as "sutilezas" da
política interna brasileira.
FOLHA - Como o sr. reagiu à informação
revelada pela Folha de que a compra de caças Rafale pelo Brasil já foi fechada?
YVES SAINT-GEOURS - Do nosso ponto de
vista, nada mudou. As coisas seguem num processo decisório no qual temos plena
confiança. O dossiê está nas mãos do governo brasileiro, que se pronunciará
quando julgar apropriado. Acredito e espero que seja em breve.
FOLHA - Qual foi o motivo de sua recente
viagem à França [o embaixador voltou ao Brasil na quarta]?
SAINT-GEOURS - Fui participar de uma
reunião de grandes empresários na segunda-feira passada. Nossa ministra da Economia,
Christine Lagarde, teve encontro com o ministro Miguel Jorge [do
Desenvolvimento e Comércio Exterior]. Também falou-se sobre maneiras de
trabalhar juntos pela reconstrução do Haiti. A essência da parceria estratégica
é, para além do diálogo político, fazermos coisas concretas.
FOLHA - O sr. tratou dos caças quando
esteve em Paris?
SAINT-GEOURS - Isso não estava na pauta e
não tive nenhuma reunião sobre esse assunto. Mas confiamos em que nosso avião é
o que responde melhor às expectativas do Brasil e o mais apropriado para
reforçar a soberania brasileira, graças à transferência de tecnologia.
FOLHA - Como o sr. reagiu ao relatório de
avaliação técnica da FAB que colocou o Rafale na última colocação entre os
concorrentes?
SAINT-GEOURS - Perguntei-me de onde vinha
essa informação, se ela era exata e qual era a conclusão mais apropriada que eu
deveria tirar. Foi a imprensa que fez essas afirmações, ninguém mais. É claro
que o assunto foi muito comentado do lado francês, mas nem por isso peguei minha
bengala e meu chapéu para ir cobrar explicações do governo brasileiro.
FOLHA - Muita gente diz que a parceria
estratégica não passa de um artifício retórico para amparar a venda de
submarinos, helicópteros e caças franceses ao Brasil.
SAINT-GEOURS - Seria hipócrita minimizar os grandes contratos. Não vou fingir
que os franceses não estão interessados em fechar negócios. Mas esses contratos
permitem ao Brasil adquirir ferramentas que reforçam sua soberania. E não se
trata somente de vendas. Vamos criar o centro franco-brasileiro de
biodiversidade. Estamos pesquisando juntos o bioma amazônico. Construímos uma
relação transfronteiriça Brasil-Guiana. Defendemos uma concepção conjunta da
diversidade cultural, algo crucial num mundo em que muitos confrontos brotam
dos problemas ligados à identidade cultural. Os críticos dizem que nessa
parceria um ganha enquanto o outro desembolsa. Isso não é verdade. Nossa
parceria é recíproca, equilibrada e global. Os dois lados ganham. Além disso,
essa parceria tem um custo para a França.
FOLHA - Que custo?
SAINT-GEOURS - Seria muito mais fácil para
nós se disséssemos que apoiamos o ingresso de um país latino-americano como
membro permanente no Conselho de Segurança da ONU sem dizer quem é nosso
candidato. Assim continuaríamos numa boa com México, Argentina etc. Mas fizemos
uma escolha aberta em favor do Brasil. Isso tem um custo político. Além disso,
compartilhar uma tecnologia de ponta, como fizemos no contrato dos submarinos e
pretendemos fazer no dos Rafale, é algo delicado. A tecnologia é hoje o
elemento comparativo mais importante [nas questões militares]. Quem tem a
dianteira tecnológica é livre para decidir se quer compartilhar esse poderio ou
não.
FOLHA - Críticos também dizem que a França
nunca reavaliaria sua posição na União Europeia, na Otan ou sua relação com os
EUA em nome da parceria com o Brasil.
SAINT-GEOURS - O mundo não é rígido. Há uma nova realidade que precisa ser
levada em conta. A França, na sua condição de membro permanente do CS, de
potência nuclear, de país que sempre estimou ter sua parte na governança do
mundo, considera que as fronteiras se deslocaram e que é preciso ter uma
atitude dinâmica em relação a isso, em vez de se ater a posições conservadoras.
É uma necessidade trabalhar com o Brasil diante do inegável peso que o país
tem. Mas isso é fácil de acontecer, pois temos muitas afinidades naturais
(risos).
FOLHA - O sr. teme que a parceria, nascida
na era Lula, fique fragilizada em caso de vitória da oposição na eleição
presidencial deste ano?
SAINT-GEOURS - Não quero me imiscuir na
campanha brasileira, mas as coisas feitas no governo Lula têm vocação para
durar. Não tenho dúvidas de que a parceria continuará.
FOLHA - Como o sr. vê a vida política
doméstica brasileira?
SAINT-GEOURS - O que me choca é a
complexidade do tabuleiro político. Há toda a fluidez dos partidos, o jogo
sutil de siglas e indivíduos, as lógicas federal e estadual. É surpreendente
ver como esse jogo se reinventa a cada dia. Estou aqui há três meses e confesso
que ainda não comecei a escrever [relatórios] sobre a política brasileira
porque ainda não tenho as ferramentas para entender esse quebra-cabeça.
Tenho lido muita coisa a respeito da necessária reforma política, e confesso
que acompanharei com especial atenção e interesse as propostas dos candidatos
sobre esse tema.
Dólar
pressiona custo da indústria
Mercado
interno aquecido e alta de preço da matéria-prima no mercado internacional
contribuíram
A indústria de aço tenta negociar reajustes entre 5% e 12% com os fabricantes
de eletrodomésticos; 6% é o pedido da indústria de tecidos
Fátima
Fernandes
(Dinheiro)
A combinação entre aumentos de preço de matérias-primas no mercado
internacional, alta do dólar e mercado interno aquecido resultou em forte
pressão sobre os custos das indústrias neste início de ano.
Insumos industriais, como resinas plásticas, alumínio, açúcar, álcool e chapas
de aço chegaram a registrar aumentos de preço de até 26,3% de outubro do ano
passado a janeiro deste ano, segundo levantamento da RC Consultores.
Esses reajustes devem reforçar a tendência de alta da inflação, na avaliação de
Fábio Silveira, sócio diretor da RC Consultores. O Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,75% em janeiro, acima da alta de dezembro de
2009, de 0,37%. No acumulado de um ano, o IPCA foi de 4,59%.
Os aumentos de custos dos insumos tornaram mais difíceis as negociações de
preços entre indústrias e fornecedores neste mês. Fabricantes de
eletrodomésticos informam que as siderúrgicas tentam reajustar os preços entre
5% e 12%. No caso de fornecedores de resinas plásticas e de vidro, a pressão é
por aumentos de 7%.
O fim do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido para
eletrodomésticos e os reajustes dos insumos deverão resultar em elevação de
preços de refrigeradores e lavadoras de roupas para os consumidores, segundo
fabricantes.
Ninguém teve coragem de subir preços, mas a pressão sobre os custos é grande
por conta da alta do dólar e de custos internos, segundo um representante da
indústria do setor.
"Se o dólar for para um patamar mais alto ainda [do início do ano até
agora a valorização é de quase 10%], em 45 dias ou 60 dias deve ter elevação
nos preços de celulares e computadores. Vamos aguardar para ver em que patamar
o dólar vai se estabilizar", afirma Humberto Barbato, presidente da Abinee
(Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica).
A pressão de custos sobre as indústrias de confecções está mais concentrada em
tecidos sintéticos. "A partir deste mês, os fornecedores querem reajustar
os preços em torno de 6%. Dizem que os fios e os corantes também estão mais
caros. O fato é que há mais de um ano não se mexe em preços no setor", afirma
Ronald Masijah, presidente do Sindivestuário (sindicato das confecções
paulistas) e sócio-diretor da Darling, fabricante de lingerie.
A elevação de preços de insumos, na sua avaliação, está mais associada à
questão da oferta e da procura. "Subiu a demanda e a oferta ainda está
estabilizada. Até que essa situação se equilibre, haverá pressão para reajustes
de preços", diz Masijah.
A economia brasileira dá sinais de vida, após passar um ano sob os efeitos da
crise financeira mundial, e chegou a hora de recuperar margens, na avaliação de
Salomão Quadros, coordenador do Índice Geral de Preços (IGP) da Fundação
Getúlio Vargas (FGV).
"Em 2009, os preços caíram e agora começam a se recuperar, principalmente
no setor de produtos intermediários. Isso não acontece só no Brasil. Os preços
das commodities são integrados internacionalmente."
É cedo, porém, na sua avaliação, para dizer se esses aumentos de custos vão
pressionar a inflação. "Os preços ainda estão em patamares baixos porque
caíram demais no último ano." O grupo de insumos industriais registrou
aumento de 2,16% em janeiro e queda de 3,18% no acumulado de 12 meses.
Ele cita alguns exemplos: o preço médio de adubos e de fertilizantes subiu
9,32% em janeiro, após cair 35,33% nos últimos 12 meses. Situação semelhante
ocorreu com produtos siderúrgicos (alta de 0,74% e queda de 0,86%,
respectivamente, no período), metais não-ferrosos (alta de 4,94% e queda de
0,86%) e resinas (alta de 2,42% e queda de 10,99%).
Para Antonio Evaldo Comune, coordenador do IPC (Índice de Preços ao Consumidor)
da Fipe, ainda não há sinais de que a inflação possa sair de controle. "As
pressões de custos em janeiro e fevereiro são tópicas e acontecem uma vez. As
políticas monetária e cambial são muito responsáveis. No quadro atual, não há
motivo para se preocupar com a inflação", diz. Comune estima que o IPC da
Fipe, de 3,65% no ano passado, deve ficar em 4,5% neste ano.
Para Silveira, da RC Consultores, o fato é que o "país começou o ano com o
pé esquerdo" em termos de inflação, mas isso não significa que deva
registrar inflação alta no resto do ano.
"O cenário internacional ainda é incerto. O baixo crescimento das
economias desenvolvidas pode derrubar preços de commodities no decorrer do ano.
Se os preços do petróleo e da soja caírem 10%, por exemplo, haverá inversão na
tendência de preços." Por essa razão, a RC mantém a previsão de uma
inflação de 4,5% para este ano.
Valor Econômico
Com
novo perfil, serviços lideram contratações
João
Villaverde
De cada dois empregos criados no ano
passado, um foi no setor de serviços. Desses, metade ocorreu entre
trabalhadores ligados ao turismo e ao comércio e administração de imóveis.
Essas categorias são as campeãs de vagas dentro no setor que mais cria empregos
no Brasil e 2009 repetiu esse padrão. Ao todo, segundo dados oficiais, os
serviços já empregam mais de 13 milhões de pessoas - pouco menos que os
trabalhadores do comércio e indústria somados.
Até 2006, o setor criava empregos formais a
uma taxa inferior à soma das demais atividades - indústria, comércio e
agricultura. Esse quadro se alterou nos últimos três anos. Nos primeiros cinco
anos da década, o mercado de trabalho, sem as vagas de serviços, cresceu 22,4%,
enquanto o setor ampliou vagas em 18%. A partir de 2006, com o aumento da renda
das famílias, a relação se inverteu. Enquanto indústria, comércio e campo
ampliaram pessoal em 14%, o setor de serviços cresceu 16,9%.
Na década, a heterogeneidade característica
do setor - que engloba desde operadores de telemarketing a administradores
terceirizados, passando por professores, médicos, motoboys e garçons -
aumentou. Os serviços, tradicionalmente concentrados em intermediação
financeira nos grandes centros urbanos, mudaram de perfil: cresceram mais as
atividades voltadas às famílias, como turismo, restaurantes, call centers e
transportes.
A taxa de geração de empregos no setor de
serviços foi superior ao Produto Interno Bruto (PIB) em todos os anos da
década. Entre os subsetores capturados pela Relação Anual de Informações
Sociais (Rais), até 2008 e pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged) no ano passado os que obtiveram maior expansão média na década foram os
setores de comércio, administração de imóveis e serviços técnicos (56,5% em dez
anos), e serviços de alojamento e comunicação, com 53,1%. Nos últimos anos, no
entanto, é essa última quem cresce rapidamente. A categoria agrega os
funcionários de hotéis e pousadas, além de trabalhadores em restaurantes e
lanchonetes. Nos últimos três anos, esse subsetor ampliou sua participação em
mais de 5% ao ano.
Por outro lado, o período entre 2000 e 2009
viu o setor de transportes e comunicação, que agrega motoristas e também
operadores de telemarketing e call center, passar de 1,3 milhão de pessoas para
quase 2,1 milhões - crescimento de 48,2% - ao mesmo tempo que o setor de
instituições financeiras, preenchido por bancários, obter o menor crescimento -
32,5%.
A forte alta dos serviços no ano passado,
que responderam por 500 mil das 995 mil vagas criadas, serviu para amortecer os
efeitos da crise mundial na atividade e no mercado de trabalho, afirmam os
analistas. Para eles, parte expressiva dessa ampliação decorre do caráter
endógeno do setor, uma vez que depende mais das oscilações do mercado
doméstico, como viagens de turismo interno, refeições fora de casa ou serviços
de telecomunicações, que do exterior.
Segundo Luís Kubota e João Maria de
Oliveira, pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), as
atividades de serviços de alojamento e de alimentação, as mais expressivas do
segmento, suportaram a crise graças ao mercado interno do turismo, que manteve
seu desempenho e até substituiu os ganhos advindos do mercado externo. A
indústria teve saldo de 10,8 mil postos em 2009, enquanto comércio encerrou o
ano com pouco mais da metade do gerado em serviços - 297,1 mil empregos.
Segundo Oliveira, há neste movimento um
processo de corte de custos natural em períodos de crise. "Uma firma
industrial, pressionada pelos custos, resolve demitir parte de seu pessoal e
contrata uma empresa de terceirizados que presta o mesmo serviço. Na ponta do
lápis, diminuiu o pessoal ocupado na indústria e aumentou em serviços",
afirma. Para Kubota, a indústria está sendo "artificialmente contaminada
por esse fenômeno. Trata-se de uma questão contábil que ilustra a dificuldade
que é realizar mensurações do setor".
Concomitantemente ao processo de incremento
econômico dos serviços, há, na atual década, um processo de descentralização
regional. Entre 2000 e 2009, o pessoal ocupado no setor aumentou em média 36,4%
ao ano, tendo Norte (42,5%) e Nordeste (39,4%) à frente. Na década, a região
que menos criou empregos no setor foi o Sudeste - dez pontos percentuais menos
que o Norte.
Os serviços no Norte e Nordeste cresceram,
na última década, apoiados em diferentes vetores. Enquanto no Norte o principal
segmento empregador de mão de obra dentro do setor é a prestação de serviços às
empresas - especialmente na Zona Franca de Manaus (AM) -, no Nordeste é o
turismo, com bares, hotéis e restaurantes, que lidera. Assim, em 2009, o saldo
de empregos criados foi distinto entre as duas regiões na comparação com o
resto da década. Os Estados do Norte registraram a menor expansão entre as
regiões, com 2,8%, enquanto o Nordeste apresentou o melhor resultado: 4,5%.
A difusão do crescimento, segundo
analistas, deriva de uma mudança estrutural no eixo econômico do país, que até
a década de 1990 era muito concentrado no setor industrial. Antes orientados
pela indústria, que contratava serviços de apoio à sua produção - como
transporte e atendimento ao cliente -, os serviços, agora, se difundem em
subsetores mais ligados à atividades da família. Segundo analistas, isso
decorre das políticas de ampliação do salário mínimo e de transferências de
renda implementadas desde o ano 2000.
Em
ano de crise, setor ganha espaço e segura PIB
Até setembro do ano passado, o Produto
Interno Bruto (PIB) acumulava queda de 1,7%, puxado pelo mergulho da indústria
(-8,6%) e do campo (-5,3%). No mesmo período, o setor de serviços cresceu 1,9%.
No ano anterior, quando o PIB fechou com forte crescimento de 5,1%, a
agricultura contribuiu mais (com 5,7%), enquanto serviços e indústria
registraram taxas semelhantes - de 4,8% e 4,4% respectivamente. Segundo
cálculos do economista Silvio Sales, consultor da FGV, o peso do setor de
serviços no PIB era de 66,6% no começo de 2008 - para ele, essa conta pode
beirar os 70% após a crise.
Segundo Sales, que trabalhou com dados do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para medir a
participação dos setores por valor agregado, entre 2002 e 2007 a indústria
pouco avançou em participação na atividade, passando de 16,85% para 17%. No
mesmo período, o setor de serviços, que é calculado junto com comércio e
serviços de manutenção e reparação, passou de 66,3% para 66,6%.
Entre os pesquisadores do setor, o
economista Ricardo Azevedo Silva, doutor pela Unicamp, olha de forma diferente
e avalia que os serviços perdem participação no PIB. Segundo calcula Silva,
desde 1950, em apenas uma década o PIB dos serviços cresceu mais que o produto
industrial - nos anos 80, quando serviços cresceram 2,7% ao ano e a indústria
2,3%. Na década de 90, a indústria voltou a crescer mais que serviços - 2,9% e
2,7%, respectivamente. Para o economista, há "um mito de que os serviços
crescem muito".
Segundo Silva, são necessários quatro
fatores para o desenvolvimento do setor de serviços: urbanização, renda mínima,
aumento da produtividade, e terceirização da mão de obra. O número de
municípios quase dobrou em vinte anos, mas, para Silva, isso não significou
urbanização. "A grande maioria dos municípios é muito pobre, não há renda
mínima para atrair um restaurante ou um salão de beleza", diz. As
atividades de serviços, afirma ele, estão limitadas aos grandes centros que,
por sua vez, "não desenvolvem a periferia porque os moradores de cidades
próximas vão utilizar os serviços de cinema, shopping ou mesmo tribunal de
justiça nos grandes centros."
Da mesma forma, avalia o pesquisador, a
indústria apresenta taxas de produtividade muito maiores - o que conta no PIB -
e atrai os serviços de mão de obra terceirizada. "Esses serviços,
portanto, estão próximos às fábricas, nos grandes centros urbanizados".
Para Luís Kubota e João Maria de Oliveira,
pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a perda de
espaço dos serviços não se verifica. De acordo com eles, no início de 2008, os
serviços representavam 36,5% das empresas brasileiras - inferior aos 57,8% do
comércio, mas nove vezes mais que a indústria, que equivalia a 5,9% do total.
Em pessoal ocupado, os serviços lideravam, com 35,7% - seis pontos percentuais
acima da indústria -, mas, como destacam os pesquisadores, ainda conta com
baixa produtividade. "O setor é muito diversificado e sua composição é
extremamente abrangente", ressalta Oliveira.
"Os serviços, no
mundo moderno, são um indicador de desenvolvimento. Quanto mais complexa se
torna a atividade econômica, maior é a participação do setor", afirma
Sales, da FGV.
O Dia
Piso
salarial retroage a valores de 2009 em todo Estado do Rio
Liminar
obtida pela Federação das Indústrias permite o congelamento dos vencimentos que
ainda não foram pagos
Pâmela
Oliveira
Rio - Todos os trabalhadores abrangidos
pelo piso regional no Estado Rio que até sexta-feira não haviam recebido os
salários referentes a janeiro estão com os vencimentos congelados. Eles
embolsarão este mês o mesmo valor que estava sendo pago em 2009. Neste grupo
estão as empregadas domésticas, porteiros e todos os empregados de condomínio,
trabalhadores rurais, operários da construção civil, garçons, encanadores,
operadores de telemarketing, frentistas, contabilistas, professores dos ensinos
infantil e fundamental, contadores e demais profissionais abrangidos pelas nove
faixas do piso.
O congelamento de salários ocorre em função de liminar expedida pela Justiça do
Rio, suspendendo todos os efeitos da Lei 5.627/2009, que estabeleceu os pisos
salariais regionais do estado para este ano. De acordo com a decisão da
desembargadora Jacqueline Lima Montenegro, que deu liminar à Federação das
Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), o novo piso regional é inconstitucional
porque não se pode obrigar a aplicação dele "onde haja convenção ou acordo
coletivo de trabalho".
A liminar, concedida no plantão noturno de quinta-feira, evitou que as
indústrias do Rio pagassem o novo piso a diversas categorias profissionais na
manhã seguinte, após a decisão, no dia 5. Famílias que têm empregadas
domésticas podem, com a liminar, pagar R$ 512,67 pelo serviço prestado em
janeiro em vez do valor reajustado, de R$ 581,88. A decisão desagradou o
presidente da Ong Doméstica Legal, Mário Avelino.
"Existe lei federal que dá a liberdade do estado estabelecer pisos para
categorias não protegidas por sindicatos laborais. A própria desembargadora diz
que não se pode obrigar piso salarial onde existe convenção ou acordo coletivo,
mas as domésticas, por exemplo, não têm esse tipo de proteção", afirmou,
destacando que quem pagou com aumento não pode exigir devolução de valores.
Demissão
ou redução de salário em debate
Empregadores que já pagaram o salário
reajustado de seus empregados têm a possibilidade de substituí-los por outros
que receberão o salário referente à tabela de 2009. A possibilidade, no
entanto, não passa pela cabeça da comerciante Elizabeth Vaz, que pagou já pagou
sua doméstica. "Eu confio nela", afirma a patroa.
O advogado trabalhista Cássio Oliveira
acredita que mesmo quem já pagou o salário com reajuste poderá manter o
funcionário e pagar o valor de 2009. "Não se pode cobrar da doméstica a
diferença paga no mês anterior. É polêmico, mas o empregador pode voltar a
pagar o salário de 2009, uma vez que está garantido pela liminar. Já o deputado
estadual Alessandro Molon (PT) espera que a Alerj recorra contra a liminar.
Decisão
mexe com salários de 1 milhão
Cerca de um milhão de trabalhadores da
iniciativa privada do Estado do Rio recebem o piso regional. Entre eles estão
215.356 empregados domésticos. Eles começaram o ano comemorando o reajuste de
13,5%, quatro pontos e meio percentuais acima da proposta original de 9% apresentada
pelo executivo estadual. O aumento expressivo foi obtido após acordo de última
hora, no dia 22 de dezembro, entre os deputados estaduais.
Além do reajuste, que provocaria este mês reajuste de 20% nas taxas de
condomínio, a proposta acordada incluiu novas categorias nas faixas do piso. Os
auxiliares de enfermagem estavam na faixa 6; técnicos em enfermagem, na faixa
7; e os arquivistas, na faixa 9.
Jornal do Brasil
Quando
FHC fala, Dilma cresce nas pesquisas, diz Padilha
O ministro das Relações Institucionais,
Alexandre Padilha, afirmou neste domingo, durante o encontro da Juventude
Petista, em Brasília, que "toda a vez que Fernando Henrique fala, nosso
governo cresce em aprovação, e a minitra Dilma cresce nas pesquisas". A
afirmação do ministro foi uma resposta ao artigo publicado ontem pelo jornal O
Globo em que o ex-presidente Fernando Henrique compara os governos do PSDB e do
PT.
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma
Rousseff, e também pré-candidata à Presidência da República, esteve presente no
evento e disse que "nós não temos problemas na comparação, porque temos
dados para mostrar".
"Não é a primeira vez que vamos
disputar uma eleição comparando o que Lula fez com o que o ex-presidente
Fernando Henrique fez. Em 2006, nós já comparamos, mas também olhamos para
frente, porque o Brasil encontrou um rumo, encontrou um caminho e é caminho que
nós queremos debater", disse Padilha.
O ministro disse
ainda que os partidos devem mostrar suas propostas. "Quem tiver um
programa alternativo a isso tem que demonstrar. Por enquanto, não mostraram o
que qerem fazer, por isso, comparamos com o que já fizeram. Quando mostrarem o
que querem fazer, nós vamos comparar com aquilo que vamos fazer".
Zero Hora
Arruda
é alvo de novos protestos
Brasília teve ontem uma nova manifestação
contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM, sem
partido). A concentração ocorreu no Eixão Sul ontem por volta das 9h. Na
passeata "Fora Arruda", manifestantes levaram bandeiras e faixas da Central Única dos Trabalhadores
(CUT) e do PSTU. Também pediram a saída dos deputados distritais
envolvidos nas denúncias de corrupção.
Reportagem publicada ontem pela Folha de S. Paulo revela que o Distrito Federal
deu R$ 430 milhões a empresas de deputados que julgarão o impeachment do
governador. Os contratos foram firmados com empresas das famílias dos deputados
Eliana Pedrosa (DEM) e Cristiano Araújo (PTB), da base aliada de Arruda. O
suplente Wigberto Tartuce (PMDB) também recebeu dinheiro para sua rádio.
Sobrinho e secretário particular de Arruda, Rodrigo Arantes pediu afastamento
do cargo. Em depoimento à Polícia Federal na quinta-feira, o funcionário
público aposentado Antônio Bento da Silva havia dito que Arantes pediu ajuda
para convencer o jornalista Edson Sombra, testemunha nas denúncias de corrupção
em Brasília, a mudar seus depoimentos em troca de R$ 1 milhão.
Diário do Nordeste
Arruda e aliados são
alvos de novo protesto
A capital federal teve, ontem, uma nova manifestação contra o
governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido). A
concentração ocorreu no Eixão Sul por volta das 9h. Na passeata "Fora
Arruda", manifestantes levaram bandeiras e faixas da CUT (Central Única dos
Trabalhadores) e do PSTU.
Os participantes também pediram a saída dos deputados distritais envolvidos nas
denúncias de corrupção, com arrecadação e pagamento de propina.
Arruda é acusado de comandar um esquema de propina que tinha como beneficiários
deputados distritais, assessores e empresários, de acordo com as investigações
da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal.
Os manifestantes percorreram cerca de 3 quilômetros, até a as quadras 209/109
Sul. Segundo a Polícia Militar, o número de participantes oscilou entre 500 e
700 pessoas. Mas, para o jornalista Paulo Miranda, ligado ao movimento sindical
e que registra há mais de 20 anos as manifestações populares que ocorrem no
Distrito Federal, a visão de cima do carro de som que acompanhou a multidão,
mostrava que "estavam marchando cerca de 2 mil pessoas".
Suborno
Sobrinho e secretário particular de José Roberto Arruda, Rodrigo Arantes negou,
ontem, ter tentado subornar uma das testemunhas da Operação Caixa de Pandora e
pediu afastamento do cargo até a apuração dos fatos pela Polícia Federal.
Em depoimento à PF na última quinta-feira, o funcionário público aposentado
Antônio Bento da Silva havia dito que o sobrinho de Arruda teria pedido, em
nome do governador, ajuda para convencer o jornalista Edson Sombra, testemunha
nas denúncias de corrupção em Brasília, a mudar seus depoimentos em troca de R$
1 milhão. "Meu nome foi citado indevida e maldosamente numa história fantasiosa
e absurda", afirmou Arantes.
Jcnet.com.br
Aumento
da CIP está na sessão de hoje
Projeto
original do Executivo quer derrubar limite individual da conta; outra proposta
divide a lei em duas partes
Em ambiente de muita reclamação, sobretudo
na periferia, pela cobrança retroativa e acumulada da diferença de construções
embutidas no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), os vereadores vão
novamente discutir, na pauta de hoje, o projeto que pretende aumentar a
Contribuição de Iluminação Pública (CIP).
O projeto original que está na pauta é o que foi apresentado em 2009, com o
objetivo de por fim ao limite individual de 5% da conta de luz para a cobrança
da contribuição. De acordo com a justificativa da proposta, a mudança é
necessária para que a arrecadação do tributo seja suficiente para custear
integralmente o serviço de iluminação pública, o que não ocorre atualmente, já
que o município acaba subsidiando parte daquele custo com as receitas de
impostos.
Com isso, o prefeito quer que os contribuintes, sobretudo a partir da classe
média, paguem pelo menos um Real a mais que os atuais R$ 3,04 para ratear a
fatura da iluminação de praças e vias públicas. "Se a Câmara tiver juízo não
vota aumento de imposto quando a população da periferia já está muito brava com
a cobrança do IPTU", avisa o oposicionista Marcelo Borges (PSDB).
Mas como também precisa de 11 votos para ampliar a faixa de isenção (de 50
kwh/mês para 80 kwh), o Executivo enviou outro projeto, tratando somente desta
parte da lei. Ou seja, o prefeito quer contar com a facilidade de aumentar a
isenção, sem dificuldades para obter 2/3 dos votos, de um lado. De outro, já
avisa que vai enviar projeto em separado para o aumento da cobrança.
Desta forma, não há previsão de que texto que está na pauta de hoje (ainda de
2009), seja votado. Com a estratégia de dividir a lei, o Executivo resolve o
problema maior: a fragilidade da bancada de sustentação que, em temas
polêmicos, só consegue reunir oito votos. A CIP custa R$ 500 mil mensais ao
município e a arrecadação atinge somente R$ 300 mil.
Antes disso, no início da sessão de hoje, às 14 horas, o coordenador da sede de Bauru da CUT/SP,
Francisco Wagner Monteiro, vai falar sobre as atuações da Polícia e da Justiça
nas prisões de militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST)
na região.
Rádio Web - Jornal Brasil Atual
Rede
Brasil Atual comemora consolidação do projeto
O debate sobre a necessidade e importância
de um projeto alternativo de comunicação foi o tema central do encontro que
reuniu pela terceira vez na última sexta-feira (5), profissionais ligados aos
veículos de comunicação que compõem ou são apoiadores da Rede Brasil Atual,
organizadora do evento. Paulo Salvador, coordenador da rede, avalia que os
encontros têm funcionado como um espaço de aprendizado e de motivação para se
pensar o futuro. Ele destaca que o grande desafio agora é a construção da
audiência. O deputado federal Ricardo Berzoini e o vice-presidente nacional da
CUT, José Lopez Feijóo, foram os convidados especiais deste encontro que foi
mediado pela secretária nacional de Comunicação da CUT, Rosane Bertotti. Para
ouvir esta matéria acesse:
http://www.jornalbrasilatual.com.br/pop-player.asp?nm_caminho_audio=boletim%5Fmateria%5F2010%5F2%5F8%5F8%5F17%5F11%5F76%2Ewma&nm_audio=Rede+Brasil+Atual+comemora+consolida%E7%E3o+do+projeto