Edição
número 1517 sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Fechamento:
08h40
Veículos Pesquisados:
Clipping CUT é um
trabalho diário de captação de notícias realizado pela equipe da
Secretaria Nacional
de Comunicação da CUT. Críticas e sugestões com
Leonardo Severo (leonardo@cut.org.br)
Isaías Dalle (isaias@cut.org.br)
Paula Brandão (paula.imprensa@cut.org.br)
Luiz Carvalho (luiz@cut.org.br)
William Pedreira (estagio.imprensa@cut.org.br)
Secretária de
Comunicação: Rosane Bertotti (rosanebertotti@cut.org.br)
O Estado de S.Paulo
Arruda
é preso por ordem do STJ e procurador pede intervenção no DF
Governador
poderia interferir nas investigações do inquérito Caixa de Pandora se ficasse
solto, alegou ministro
Mariângela
Gallucci, João Domingos (Nacional)
O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem-partido, ex-DEM),
foi preso ontem, acusado de tentar subornar testemunhas no inquérito da
Operação Caixa de Pandora - em que é acusado de comandar "organização
criminosa" - e de obstrução à Justiça. Segundo despacho do ministro do
Superior Tribunal de Justiça (STJ) Fernando Gonçalves, que preside o caso,
Arruda e seu grupo valem-se "do poder econômico e político para atrapalhar
as investigações e garantir a impunidade". O vice Paulo Octávio (DEM)
assumiu o governo.
Ao mesmo tempo, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, requereu ao
Supremo Tribunal Federal (STF) intervenção no governo, com o impedimento de
Arruda, do vice, e do presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR). O
pedido é inédito no período posterior à Constituição de 1988.
A prisão ocorreu quatro meses e meio após o início da operação da PF, que
investigou esquema de corrupção montado na capital, com distribuição de mesadas
para parlamentares, secretários e funcionários do DF. A decisão foi determinada
pelos ministros que integram a Corte Especial do STJ.
A corte também determinou o afastamento do governador e a prisão de cinco
aliados - o suplente de deputado distrital Geraldo Naves, o ex-secretário de
Comunicação Wellington Moraes, o secretário particular de Arruda, Rodrigo
Arantes Diniz, o ex-diretor da Companhia Energética de Brasília (CEB) Haroldo
de Carvalho e o conselheiro do Metrô Antônio Bento da Silva, que já tinha sido
preso na semana passada.
COAÇÃO
A decisão teve como base um despacho de Gonçalves, segundo o qual
"organização criminosa instalada no governo do Distrito Federal continua
valendo-se do poder econômico e político para atrapalhar as investigações e
garantir a impunidade".
Ainda de acordo com o ministro do STJ, esse mesmo grupo busca dilapidar verbas
públicas e apagar vestígios dos delitos cometidos no Distrito Federal.
O temor de que Arruda e aliados poderiam coagir testemunhas surgiu na semana
passada, após a prisão em flagrante de Antonio Bento da Silva, que entregou R$
200 mil ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra, uma das testemunhas
do "mensalão do DEM".
Por volta das 14 horas de ontem, Gonçalves pediu ao presidente do STJ, Cesar
Asfor Rocha, que convocasse os ministros da Corte Especial - os 14 mais antigos
do tribunal - para que seu despacho favorável às prisões fosse referendado.
A maioria concluiu que, pelo bem da ordem pública e pela garantia da instrução
criminal, o grupo deveria ser preso preventivamente. Ao tomar a decisão, os
ministros atenderam a um pedido do procurador-geral, que assistiu à sessão de
julgamento.
DEFESA
Ontem mesmo os advogados de Arruda entraram com um pedido de habeas corpus no
Supremo Tribunal Federal. "A prisão é ilegal, abusiva e
desnecessária", alegou o advogado Nélio Machado. O ministro do STF Marco
Aurélio Mello deve decidir hoje sobre o recurso.
Os advogados argumentaram, ainda, que Arruda foi submetido a constrangimento
ilegal por "uma medida açodada, diante de investigação inconclusa, em
afronta às tradições de nossos tribunais".
A defesa argumentou, em favor do governador, que "jamais se viu
perseguição como a que vem atingindo há mais de dois meses o governador do
Distrito Federal". Os defensores afirmaram, ainda, que Arruda nunca foi
ouvido por nenhum órgão de investigação.
Lula
lamenta situação e recomenda cautela à PF
De
acordo com auxiliares, presidente diz que 'ninguém é sádico, ninguém está
feliz' com prisão do governador
Tânia
Monteiro
(Nacional)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi comunicado pelo diretor-geral da
Polícia Federal, Luiz Fernando Correa, sobre as circunstâncias em que ocorreu a
prisão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Segundo
auxiliares do presidente, Lula quis saber como foi o processo de prisão e pediu
para que tudo fosse feito com muito cuidado. Correa informou, então, ao
presidente Lula que Arruda foi preso com a dignidade que todo preso merece.
A PF foi muito criticada no passado pela forma "espetacular" como
cumpria as ordens judiciais de suspeitos. Essas críticas chegaram ao auge em
2007, quando o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunitty, foi detido no âmbito
da Operação Satiagraha. De acordo com auxiliares do governo, a avaliação do
presidente é de que esse tipo de "tragédia" não ajuda no processo
democrático e que "ninguém é sádico, ninguém está feliz" com a prisão
de Arruda. No entanto, acrescentam as fontes, se o governador cometeu erros e a
Justiça quer que ele pague, é assim que tem que ser.
As mesmas fontes acrescentaram que ninguém no Palácio do Planalto está
trabalhando com a possibilidade de intervenção federal no Distrito Federal até
porque, na ausência do governador, quem assume é o vice. Mas o presidente Lula
estaria disposto a fazer o que puder para apoiar a reestruturação do governo do
Distrito Federal, para que continue a funcionar. Lula também teria lamentado
que tudo isso estivesse acontecendo nos 50 anos de Brasília, pois para cidade
isso é muito ruim.
BASTIDORES
O presidente Lula lamentou as circunstâncias que levaram à decisão da Justiça
de decretar a prisão de Arruda, e pediu cautela à Polícia Federal em seu
procedimento. O presidente quer evitar que haja exposição da figura do
governador, por se tratar de uma autoridade do Distrito Federal. Lula conversou
com o novo ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, e com o diretor da Polícia
Federal para repassar as mesmas recomendações.
AUXILIARES
De acordo com auxiliares do presidente, Lula soube da decisão pelas agências
online, quando estava em seu gabinete. No momento, o ministro da Justiça estava
chegando ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) para um despacho com a
ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o presidente aproveitou para
lhe pedir todas as informações sobre o caso. Lula recomendou ainda atenção e
cautela à PF. Para o presidente, o que a Justiça decidir, está decidido e a
polícia federal agirá como lhe for determinado, mas sempre com cautela.
Medida
provisória permite ao Brasil retaliar EUA com quebra de patentes
Represália
aos subsídios de algodão podem incluir de quebra de patentes de remédios a
bloqueio de remessa de royalties
Renato
Andrade
(Economia)
O governo brasileiro deu um passo concreto ontem para aplicar retaliações
comerciais contra os Estados Unidos, pelos subsídios dados a produtores de
algodão. O Palácio do Planalto editou a Medida Provisória nº 482, que
estabelece os procedimentos que poderão ser adotados para retaliar os
americanos na área de propriedade intelectual. As sanções poderão ir desde um
bloqueio temporário de remessa de royalties até a quebra de patentes.
As medidas deverão ser definidas pelo governo no próximo mês. O setor de
medicamentos é um dos principais alvos.
O efeito prático da MP é o estabelecimento de amparos legais para que o Brasil
possa aplicar as retaliações contra os EUA definidas após um contencioso de
sete anos na Organização Mundial do Comércio (OMC) por conta dos subsídios
concedidos aos produtores de algodão. Mas as regras valerão para eventuais
casos futuros que envolvam retaliações nesse setor a outros países.
O valor da retaliação estabelecida pela OMC é de US$ 830 milhões, sendo que as
sanções sobre o comércio de bens americanos alcançarão US$ 560 milhões e os US$
270 milhões restantes poderão ser aplicados sobre propriedade intelectual. A
possibilidade de aplicar sanções em outras áreas não relacionadas ao
contencioso é conhecida como retaliação cruzada. O mecanismo é criticado por
empresários fora do setor de algodão que temem possíveis contrarretaliações.
A MP foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelos ministros
Celso Amorim (Relações Exteriores), Reinhold Stephanes (Agricultura) e Guilheme
Cassel (Reforma Agrária). Apesar da relação direta com sua pasta, a medida não
contou com a assinatura do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, Miguel Jorge.
A medida estabelece seis tipos de retaliação que poderão ser aplicadas, que vão
desde a suspensão de direitos de propriedade intelectual, passando pela
alteração de medidas para a obtenção e manutenção desses direitos, até o
bloqueio temporário de remessa de royalties ou outro tipo de remuneração pelos
direitos de propriedade intelectual. Marcas, desenhos industriais e patentes
são alguns dos elementos considerados pela legislação brasileira como
propriedade intelectual.
De acordo com a MP, qualquer que seja a sanção ela precisará ser aprovada pelo
conselho de ministros que compõem a Camex. Para o advogado Denis Borges
Barbosa, que foi um dos delegados do Brasil durante as negociações que criaram
a OMC, esse mecanismo mostra uma prudência necessária, considerando que a
aplicação das retaliações cruzadas é inédita no mundo.
O ministro Celso Amorim reafirmou ontem que apesar do Brasil não ser favorável
ao uso de retaliações, o País "não pode se curvar" simplesmente
porque os EUA são um país forte. "A lei internacional se aplica aos
pequenos e aos grandes", disse o chanceler.
Indústria
nacional vai importar aço
Trinta
fabricantes de máquinas e implementos agrícolas vão trazer pelo menos 50 mil
toneladas do produto ao País
Chiara
Quintão
(Economia)
O pool de fabricantes de máquinas e implementos agrícolas coordenado pela
Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA), da Associação
Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), vai importar pelo
menos 50 mil toneladas de aço na sua primeira iniciativa de trazer o produto de
outros mercados para o País.
Por enquanto, 30 associados da entidade já demonstraram a intenção de compra. O
volume importado poderá crescer se houver mais adesões, segundo o presidente da
CSMIA, Celso Casale. O pedido será feito este mês e a entrega deve ocorrer em
90 dias.
"Queremos importar aço, a menos que as siderúrgicas nacionais ofereçam o
produto pelo mesmo preço", disse Casale. Segundo ele, a trading que fará a
importação para o pool de empresas coordenado pela CSMIA informou que o preço
da bobina a quente importada de "um produtor chinês de boa qualidade"
é 20% menor do que o do mercado interno, mesmo considerando a tarifa de
importação.
O presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos
Loureiro, ressalta que o aço importado está atualmente no máximo 5% mais barato
que o nacional, o que desestimula importações, pois a diferença não compensa o
risco cambial. Em agosto e setembro do ano passado, a diferença chegou a 20%,
de acordo com Loureiro, o que incentivou a importação do produto.
VARIAÇÃO
Há controvérsias em relação a quanto o aço importado é mais barato que o
nacional. Conforme o analista da Geração Futuro Rafael Weber, a diferença atual
é de 21,9%, incluindo tarifa e frete, mas sem considerar o gasto adicional de
importação.
Se considerados os custos com seguro, despesa portuária e capital de giro para
trazer o aço para o País, a variação cai para 10,2%. Incluindo ainda gastos
como impostos e fundo de reserva da Marinha Mercante, a diferença média passa a
ser de 4,7%. Weber destacou que esse porcentual pode variar, por exemplo,
conforme a tributação estadual.
Na avaliação de Loureiro, do Inda, os consumidores já estão deixando de
importar aço, o que deve se refletir em queda do desembarque do produto a
partir de abril e maio, considerando-se a defasagem do prazo do pedido e da
entrega.
"O que está entrando agora foi pedido em agosto, setembro e outubro de
2009, quando o preço lá fora estava muito mais baixo", disse o presidente
do Inda.
Loureiro disse que não há tendência de queda do preço internacional do aço, à
medida que são esperadas altas nos preços do minério de ferro e do carvão, e
acrescentou que as margens brutas da distribuição de aço são, no momento, as
mais baixas da história, ficando entre 8% e 10%. Essas margens já chegaram a
20%, segundo ele.
Anatel
dá aval à fusão entre Oi e BrT
Agência
aprova ato de concentração sobre a compra da BrT pela Oi
Gerusa
Marques
(Economia)
O conselho diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou
ontem, sem restrições, o ato de concentração sobre a compra da Brasil Telecom
pela Oi, anunciada em abril de 2008, por R$ 5,8 bilhões. A Anatel constatou que
a fusão, que resultou numa mega-operadora de telefonia, não cria problemas à
concorrência. O processo, agora, será analisado pelo Conselho Administrativo de
Defesa Econômica (Cade).
O relator do processo, conselheiro João Rezende, disse que o ato foi aprovado
por unanimidade, com base na análise da área técnica da agência e no parecer da
procuradoria da Anatel. No processo, foram considerados os serviços de
telefonia fixa local e de longa distância nacional e internacional, além dos
serviços de telefonia celular e de banda larga. "Em nenhum desses serviços
foi encontrado nada que ameace a concorrência", afirmou Rezende.
A maior concentração, segundo o conselheiro, está no serviço de longa distância
nacional (interurbano), no qual as duas empresas dominam 35% do mercado. Esse
porcentual, no entanto, na avaliação da Anatel, não é problema, porque nesse
segmento há 56 empresas atuando, e há uma forte concorrente, a Embratel.
Ele disse que no segmento de banda larga também não foi identificado risco à
competição. Em 2008, quando o negócio entre BrT e Oi foi anunciado, o Cade
assinou com as duas empresas um acordo preventivo para que fosse mantida a
independência entre os provedores IG (da Brasil Telecom) e Oi Internet (da Oi),
por entender que nesse mercado as duas empresas eram potenciais concorrentes
entre si.
As duas concessionárias também foram obrigadas a submeter ao Cade a obtenção de
qualquer licença que utilize as tecnologias de acesso à banda larga WiMAX, 3G
(terceira geração da telefonia celular) e MMDS (micro-ondas terrestres).
Rezende acrescentou que a Oi está cumprindo todos os condicionantes impostos
pela Anatel em dezembro de 2008, quando a agência deu anuência prévia à fusão
da BrT com a Oi, analisando os aspectos regulatórios da operação. Para
possibilitar a fusão, o governo promoveu uma mudança na lei para permitir que
duas concessionárias pudessem ser controladas pelo mesmo grupo. Depois da
mudança no Plano Geral de Outorgas (PGO), a Anatel levou um mês para dar a
anuência ao negócio, mas demorou mais de um ano para instruir o Cade.
Folha de S.Paulo
Planalto pressiona, e PT altera
plano de governo de Dilma
Lula
reclama e cúpula petista admite que foi erro não mencionar no texto que futura
gestão manteria a atual política econômica
Nova versão deve conter acenos à iniciativa privada; documento será lido dia
18, no congresso em que Dilma será lançada candidata do PT
Valdo
Cruz e Fabio Zanini (Brasil)
Pressionado pelo Palácio do Planalto, o PT vai fazer ajustes na sua proposta de
governo da futura candidata Dilma Rousseff à sucessão de Lula, mas o tom mais à
esquerda do texto preliminar foi proposital.
Nas palavras de um dirigente do partido, cabia ao PT "puxar para a
esquerda" para depois negociar um programa final da ministra Dilma com os
demais partidos da futura aliança, principalmente o PMDB.
A cúpula do partido reconhece que foi erro não mencionar no texto que o futuro
governo manteria a política econômica de Lula -metas de inflação, câmbio
flutuante e responsabilidade fiscal. O presidente não teria gostado da falta de
menção à sua política econômica.
Segundo um membro da cúpula partidária, "ficou faltando essa parte",
que não tem sentido ficar de fora principalmente depois que o presidente do
PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse que o candidato tucano José Serra, se
ganhar, mudará a atual política econômica.
O texto sofrerá ajustes, deixando claro que um futuro governo Dilma será uma
continuidade do atual, com aprofundamento das medidas adotadas no segundo
mandato -fortalecimento de bancos públicos e estatais como indutores do
crescimento econômico.
A nova versão também deve conter mais acenos à iniciativa privada, reforçando
que, sem os empresários, o papel do Estado como indutor não se sustenta.
O coordenador da comissão que elabora o documento, o assessor especial da
Presidência, Marco Aurélio Garcia, finalizava ontem o texto que será
apresentado ao 4º Congresso do PT, que começa dia 18. Os delegados podem
alterar o texto.
O evento também terá a leitura de um manifesto de lançamento da candidatura de
Dilma, com a trajetória política e pessoal da ministra, incluindo sua
participação no PDT (sigla a que estava filiada até 2001).
Mas a versão preliminar do texto, segundo a Folha apurou, omite pontos
polêmicos da biografia dela, como a participação num grupo que realizou ações
armadas contra o regime militar, bem como sua prisão e tortura. Esse período
será tratado numa breve referência à "luta contra o autoritarismo"
durante a juventude da ministra.
Governo
não cumpre meta de assentamentos em 2009
Objetivo
inicial era assentar 75 mil famílias, mas só 55,5 mil foram beneficiadas
MST critica a política de concentração da reforma agrária na região amazônica,
distante de suas bases e com problemas de infraestrutura
Eduardo
Scolese
(Brasil)
O governo do presidente Lula não cumpriu a meta de assentamentos da reforma
agrária no ano passado, o que esvazia ainda mais seu discurso aos sem-terra no
período eleitoral.
Em 2009, segundo dados oficiais obtidos pela Folha, 55.498 famílias foram
assentadas em todo o país (a meta do governo era de 75 mil).
Em sete anos de gestão, a promessa anual de famílias beneficiadas foi cumprida
uma única vez (em 2005) e o número de famílias à espera de um lote se manteve
estagnado em cerca de 200 mil.
A insatisfação dos sem-terra com a atual política de reforma agrária não se dá
apenas pelo número de assentados, mas também pelo modelo adotado.
Uma das críticas está na priorização de assentamentos na região amazônica, onde
as terras são mais baratas, mas, por outro lado, longe das bases acampadas do
MST e com problemas graves de infraestrutura básica (como água, energia
elétrica, estradas).
Das 574,6 mil famílias que o governo diz ter assentado entre 2003 e 2009, 387,5
mil (67%) estão na Amazônia Legal (Estados do Norte, Mato Grosso e Maranhão).
No ano passado, das 55,4 mil assentadas, 32,8 mil foram encaixadas em lotes
nesses nove Estados -59%.
Outra crítica dos sem-terra ao atual modelo de reforma agrária está no
instrumento utilizado na obtenção de terras. O MST defende a obtenção por meio
da desapropriação, ou seja, quando uma fazenda improdutiva dá lugar a um novo
projeto de assentamento.
Em 2009, a meta inicial era beneficiar 100 mil famílias, mas, para ficar mais
próximo de sua capacidade financeira e operacional, o Ministério do
Desenvolvimento Agrário e o Incra, ao qual é vinculado, decidiram reduzi-la
para 75 mil -mesmo assim, sem sucesso.
Em 2010 a redução deve ser ainda maior, já que superintendentes regionais do
Incra defendem 35 mil famílias.
Segundo o instituto, o contingenciamento de recursos para a obtenção de terra e
a paralisia de processos no Judiciário impediram o cumprimento da promessa em
2009.
O fracasso na política de reforma agrária ocorre no momento em que PT e
Planalto tentam aproximar a ministra Dilma Rousseff, pré-candidata petista, ao
movimento sem-terra. Ao longo do governo, eles pouco conversaram.
Para o MST, a política de criação de assentamentos foi "abandonada".
"Não fomos atendidos pelo governo, com a recomposição do orçamento do
Incra, maior investimento em desapropriação e a atualização dos índices de
produtividade", afirmou o movimento, em nota à reportagem.
Sobre os assentamentos de famílias na região amazônica, o MST diz: "A
criação de assentamentos do governo tem caráter de política assistencial, sem
mudar a estrutura fundiária".
Para a presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil),
senadora Kátia Abreu (DEM-TO), os últimos governos têm atuado no limite para
atender à demanda dos sem-terra. "Dinheiro no Brasil falta para tudo. A
questão da não reforma agrária no nível exigido por alguns não é por má vontade
dos governos", disse, em discurso na entidade.
Para
Incra, falta de verba pesou no resultado (Brasil)
Rolf Hackbart, presidente nacional do
Incra, aponta dois fatores que, de acordo com ele, justificam o não cumprimento
da meta de assentamentos no ano passado: a falta de recursos e os processos
parados na Justiça.
"Tínhamos na lei [orçamentária] R$ 950 milhões [para obtenção de terra], e
só recebemos R$ 720 milhões", afirmou Hackbart, em uma referência aos
bloqueios realizados pela equipe econômica.
"Havia promessa. Enviamos [um pedido] ao Tesouro, mas voltou", disse
o presidente do Incra.
A respeito das áreas paradas na Justiça, o presidente do Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária diz: "Estão parados nas diversas instâncias
do Judiciário cerca de 220 processos. Nessas áreas daria para assentar 11 mil
famílias".
Hackbart inclui na lista de justificativas a não atualização dos índices de
produtividade utilizados para avaliar se uma área é ou não passível de
desapropriação para fins de reforma agrária.
Para 2010, o Incra tem um orçamento de R$ 480 milhões para obtenção de terras,
ante R$ 950 milhões do ano passado.
Recessão
foi a mais curta desde 80, diz FGV
Comitê
afirma que ciclo de retração econômica durou 6 meses, de julho de 2008 a
janeiro do ano passado
Samantha
Lima
(Dinheiro)
A última crise econômica atravessada pelo país foi a mais curta desde 1980
-seis meses, de julho de 2008 a janeiro de 2009-, afirma o Comitê de Datação de
Ciclos Econômicos da Fundação Getulio Vargas.
O curto período da mais recente crise foi antecedido pelo mais longo período de
expansão econômica desses 30 anos. Foram 61 meses, iniciados em junho de 2003 e
encerrados em julho de 2008.
Desde 1980, o Brasil viveu oito crises. Também se concluiu que vivemos mais na
prosperidade do que em recessão. São 28,7 meses, em média, para cada período de
alta, ante 15,7 meses médios dos períodos de retração econômica.
O comitê identificou que a maior crise pela qual o país passou durou 30 meses,
entre junho de 1989 e dezembro de 1991. Esse período engloba a fase mais
crítica de hiperinflação, quando o índice alcançou 80% ao mês, e o Plano
Collor, que teve como medida mais traumática o confisco, por 18 meses, dos
saldos de contas-correntes e cadernetas de poupança.
Para o comitê, uma recessão se caracteriza por "um declínio expressivo de
atividade econômica ocorrendo simultaneamente em diversos setores durante
alguns meses". Para avaliar a ocorrência, são analisadas as evoluções de
indicadores de produção industrial, vendas no comércio, emprego e rendimento do
trabalho.
O mês identificado pelo comitê como início da crise mais recente antecede em
dois meses o momento mais crítico da crise internacional, quando o banco
americano Lehman Brothers quebrou. E o momento final seria o período em que
ainda havia grandes empresas fazendo corte de pessoas e de produção.
"Antes do Lehman Brothers, já havia indicadores de crise, como problemas
com a concessão de crédito", diz Paulo Pichetti, um dos economistas
responsáveis pelo estudo.
Segundo ele, o pior da crise ocorreu em dezembro, quando houve corte na produção
da indústria seguido por férias coletivas e demissões. Naquele mês, o governo
anunciou redução do IPI como medida para estimular o consumo e frear os efeitos
da crise.
Em janeiro de 2009, diz, é possível identificar o início da reação. "Foi
um começo de recuperação em cima de um período muito ruim, por isso não foi
imediatamente percebido", diz Pichetti.
Para o economista, o Brasil pôde viver o maior ciclo de crescimento da história
entre 2003 e 2008 e sair rapidamente da crise entre 2008 e 2009, devido à
"melhoria dos fundamentos da economia brasileira". Contribuíram para
isso, diz, a estabilidade da moeda e a mudança da regra para o câmbio, que
passou a flutuar ao sabor do mercado, livre de cotações fixas.
Pichetti também explica o porquê de mapear inícios e fins de crises. "Isso
nos permite ter uma melhor compreensão das crises inseridas em momentos
históricos, além de ajudar a identificar sinais de crises futuras e escolher
quais remédios o governo deve usar para abreviá-las ou evitá-las."
Indústria
tem aumento de vagas em SP
Giulina
Vallone
(Dinheiro)
O emprego na indústria paulista começou o
ano em recuperação e deve se manter assim nos próximos meses, segundo a Fiesp
(Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). O setor teve saldo positivo
de 12 mil vagas em janeiro, alta de 0,42% ante dezembro -dados com ajuste
sazonal.
Em dezembro, a indústria registrou o fechamento de 67 mil postos. Considerando
os dados sem ajuste, houve aumento de 0,54% no nível de emprego em janeiro.
Ante o mesmo mês de 2009, a queda foi de 2,68%.
A previsão é que em fevereiro a demanda interna e a antecipação da safra de
cana-de-açúcar por algumas empresas acelerem ainda mais o índice.
Petrobras
anuncia descoberta em nova área de Campos (Dinheiro)
A Petrobras informou ontem que descobriu
uma nova área de produção de petróleo na Bacia de Campos, em região considerada
rasa (200 metros de espelho d'água). O reservatório está acima da camada de sal
(pós-sal), com expectativa de volume de óleo de 25 milhões de barris.
O volume equivale a 0,5% daquele estimado para a área de Tupi, no pré-sal, onde
se espera que haja pelo menos 5 bilhões de barris de óleo recuperáveis. O poço
que levou à descoberta foi perfurado a seis quilômetros da região produtora conhecida
como Campo de Pampo.
Como já existe atividade na região, será mais fácil iniciar a produção,
prevista para ocorrer ainda este ano.
Para a Petrobras, a descoberta abre uma "importante frente
exploratória" a leste de outras concessões. A empresa diz, ainda, que a
descoberta é resultado da "estratégia exploratória de intensificar os
trabalhos próximos a campos em produção", para aproveitar estrutura já
existente e, assim, reduzir custos. Novos poços deverão ser perfurados ali,
segundo a empresa.
Procuradores
querem fim de terceirização na colheita (Dinheiro)
Procuradores do Ministério Público do
Trabalho ingressaram ontem com ação civil conjunta na Justiça do Trabalho de
Matão reivindicando, liminarmente, o fim da contratação de mão de obra terceirizada
na colheita de laranja pelas quatro grandes processadoras de suco no país
-Cutrale, Louis Dreyfus, Citrovita e Fischer.
Eles também pedem que as empresas paguem indenização de R$ 400 milhões por
danos causados aos trabalhadores na última década. Segundo o procurador de
Araraquara, Cássio Calvilani Dalla-Déa, a ação foi baseada em discussões e
decisões judiciais sobre a situação precária dos trabalhadores desde que as
indústrias deixaram de fazer a colheita de laranja e passaram a contratar
consórcios de produtores para executar o serviço.
Apesar de não serem responsáveis diretamente pelos coletores, as indústrias
determinam quantidade, tipo e período em que os consórcios devem utilizar os
trabalhadores, por isso têm responsabilidade e devem arcar com os custos
trabalhistas do processo, defende Dalla-Déa.
Justiça
muda critério de escolha de professor
Docente
de SP que já está no sistema passa a ter prioridade ante novatos, ainda que
tenha tido nota inferior em exame feito em 2009
Existe o risco de as aulas atrasarem, caso a gestão José Serra (PSDB) não casse
a decisão; liminar foi obtida por sindicato dos docentes
Fábio Takashi
(Cotidiano)
A Justiça decidiu, de forma liminar (provisória), que os professores
temporários que já atuavam na rede estadual de ensino terão prioridade na
escolha de aulas, ainda que tenham tido notas inferiores em um exame realizado
no final de 2009. O critério inicial era priorizar os que tiveram melhor
desempenho na prova.
A decisão, de primeira instância, foi tomada a pedido da Apeoesp (sindicato dos
professores), na última segunda-feira, menos de dez dias antes do início
do ano letivo (dia 18).
O processo de atribuição de aulas começou na segunda e terminaria hoje. A
Secretaria da Educação afirma que tenta derrubar a medida. Caso não consiga, o
ano letivo na rede, de 5 milhões de alunos, irá atrasar, para refazer a
distribuição.
O imbróglio envolve cerca de 20 mil professores temporários (os que não têm
estabilidade concedida em 2007 e os que nunca trabalharam na rede). A rede como
um todo possui cerca de 200 mil docentes.
O governo afirma que implementou o exame (de conhecimentos pedagógicos e
específicos das matérias) para melhorar a seleção dos docentes temporários. Dos
que já estavam no sistema, 40% foram reprovados no exame. Até 2009, a ordem de
prioridade considerava tempo de serviço e diplomas.
A Justiça, porém, acatou o pedido da Apeoesp, ligada à CUT. A entidade entende que os temporários que já trabalhavam na
rede devem ter prioridade em relação aos novatos, ainda que tenham obtido notas
menores na avaliação.
A alegação é que a experiência deles deve ser considerada e, além disso, o
exame privilegiou a parte teórica, o que prejudicou o docente da ativa, que
teve pouco tempo para estudar.
"Os professores que estavam na rede já ganharam no exame alguns pontos
pela experiência. O critério pedido pela Apeoesp não garante que o melhor professor vá para
a sala de aula", disse o secretário-adjunto de Educação, Guilherme Bueno.
"Uma provinha não pode tirar aula do professor que tem vivência na
rede", disse a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Noronha. "Em vez de concurso público,
fazem uma provinha. Que prioridade é essa?"
Outros problemas
A seleção de professores temporários tem
causado transtornos há mais de um ano. Uma avaliação chegou a ser implementada
para o ano letivo de 2009. O exame, porém, foi considerado inválido pela
Justiça, que entendeu não haver base legal para a avaliação.
A decisão exigiu mudança na seleção, que estava em andamento. O início do ano
letivo foi adiado em cinco dias.
Depois, o governo conseguiu aprovar projeto na Assembleia. A gestão, porém,
teve de alterar os critérios anunciados. Como a reprovação foi alta, a pasta
admite usar docentes abaixo da média. O Executivo diz que trabalha para
diminuir o número de temporários (que fica perto dos 100 mil), por meio de
concursos. Há um processo em trâmite com 10 mil vagas.
Valor Econômico
No
governo Lula, Brasil passou pela maior expansão em 30 anos, diz FGV
João
Villaverde
Antes da explosão da crise mundial, no fim
de 2008, o Brasil passou pela mais longa expansão econômica dos últimos 30
anos. Entre junho de 2003, quando restaurou o crescimento após a recessão
desencadeada no ano anterior, e julho de 2008, quando alcançou o auge da
expansão, o país cresceu por 61 meses consecutivos. O levantamento foi
realizado pelo Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), da Fundação
Getulio Vargas (FGV). Nos últimos 30 anos, o período que mais se aproxima do
passado recente foram os 48 meses entre fevereiro de 1983 e fevereiro de 1987.
Quando estourou, em setembro de 2008, a
atual crise mundial foi comparada ao crash de 1929 - a mais grave crise do
século XX. No entanto, também seus efeitos no Brasil foram os mais rápidos dos
últimos 30 anos, tendo durado apenas seis meses. Ao sustentar sua análise em
variações mensais que indicam recessão como o período entre o pico e o vale, o
Codace produz datação diferente do consenso na teoria econômica, que
caracteriza recessões como dois trimestres consecutivos de queda da atividade.
Desde 1980, os períodos recessivos duraram
em média 15,8 meses, tendo o período entre junho de 1989 e dezembro de 1991
alcançado o pior resultado: 30 tombos mensais. Na esteira da escalada
inflacionária que se seguiu ao Plano Verão, quando a inflação medida pelo
Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 1989 em 1.972,91%, o país
sofreu fortes reversões econômicas entre 1990 e 1991, com os planos Collor I e
II. Em 1990, o PIB mergulhou 4,3% - o pior resultado em todo o século XX,
segundo dados do IpeaData.
Uma década antes, no início dos anos 80, o
país passou pela segunda maior recessão, de acordo com o levantamento do
Codace. Entre outubro de 1980, quando o modelo de desenvolvimento econômico
impetrado pelos militares desde 1964 se esgotou, e fevereiro de 1983, quando a
crise alcançou o fundo do poço, foram 28 meses de recessão.
À época, o Brasil sofria os efeitos do
choque internacional promovido pela crise do petróleo de 1979 e pela elevação
das taxas de juros americanas, que saltaram de 8,7% (em 1978) para 17%, em
1981. Os juros altos encareceram a rolagem da dívida externa brasileira,
questão que voltaria a trazer problemas entre fevereiro de 1987 e outubro de
1988, segundo o Codace, quando os 20 meses de recessão seguiram a moratória do
passivo externo declarada pelo governo.
A partir de 1994 foram cinco períodos
recessivos. O mais longo deles ocorreu entre outubro de 1997 e fevereiro de
1999, quando crises externas - na Ásia, em 1997, e na Rússia, em 1998 - se
somaram à turbulências internas - a maxidesvalorização do real ocorrida em 13 de
janeiro de 1999. Desde então, os períodos de quedas mensais no PIB têm
diminuído - e as expansões durado mais. De acordo com o estudo do Codace,
divulgado ontem, nos últimos 30 anos os períodos de expansão duraram em média
28,7 meses.
Fiesp
prevê alta generalizada no nível de emprego
Fernando
Taquari
A indústria paulista deve apresentar um
crescimento generalizado no nível de emprego nos próximos meses por conta da
forte retomada da economia. A tendência de alta será reforçada em março, com a
provável antecipação da safra do açúcar e do álcool.
"Algumas dessas indústrias pretendem
aproveitar o preço dos dois produtos, que estão em expansão, para antecipar a
safra, o que contribuirá para a criação de empregos", afirmou Walter
Sacca, diretor adjunto do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos da
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
O preço do álcool teve significativa
elevação nos últimos meses por causa do aumento no consumo interno, enquanto o
açúcar ficou mais caro em função do crescimento da demanda externa com a quebra
da safra em 2009 na Índia.
Os dois setores, no entanto, puxaram o
índice de emprego para baixo em janeiro, com o corte de cerca de 3 mil postos de
trabalho. Apesar disso, Sacca lembra que nesta época do ano sempre há o efeito
sazonal sobre indicador, com o fim da safra e corte de vagas.
De acordo com a pesquisa de emprego da
Fiesp, foram criados no mês passado 12 mil postos de trabalho, com um avanço de
0,54% no comparativo com dezembro, na série sem ajuste sazonal. Com ajuste,
houve alta de 0,42%. No confronto com o primeiro mês de 2009, o indicador
apresentou queda de 2,68%, o que significou o fim de 60 mil vagas.
"Começamos o ano e o nível de emprego
está próximo ao registrado em 2008 e 2007, dois bons anos para a indústria. A
tendência aponta para a continuidade desse processo, mas não dá para dizer que
vamos superar os números do pré-crise", acrescenta Sacca.
No início de 2010, 17 setores apresentaram
um desempenho positivo e três ficaram estáveis. Apenas dois tiveram um
resultado negativo. Entre aqueles que mais contrataram, destaque para produtos
de madeira (1,7%). "Neste caso, influenciou a construção civil, que
atravessa um momento de quase euforia", explicou Walter Sacca. Em seguida
aparecem produtos farmoquímicos e farmacêuticos (1,5%) e máquinas e
equipamentos (1,3%), que ainda se recupera das perdas ocorridas durante a crise
financeira mundial.
Em contrapartida, houve enxugamento de
funcionários em fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e de
biocombustíveis (-3,3%), que engloba o álcool. Já em produtos alimentícios,
onde se encontra o açúcar, o recuo foi de 0,7%.
Correio Braziliense
Ministro
Marco Aurélio Mello adia para esta sexta decisão sobre habeas corpus para
Arruda
Lilian Tahan
O ministro do Supremo Tribunal Federal
(STF) Marco Aurélio de Mello adiou para esta sexta-feira (12/2) a decisão sobre
o pedido de habeas corpus feito pela defesa do governador do Distrito Federal,
José Roberto Arruda (sem partido).
De acordo com o ministro do Supremo, que
chegou a dizer inicialmente que tomaria a decisão ainda nesta noite de
quinta-feira, o adiamento deveu-se ao horário em que foi entregue o material
relativo ao pedido de habeas corpus pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ),
que mandou prender Arruda.
"O material só chegou agora (cerca de
22h30). Não quero fazer nada de forma açodada. Mas não passa de amanhã a minha
decisão sobre o caso", afirmou o ministro Marco Aurélio Mello ao Correio.
O habeas corpus apresentado não inclui
pedido para que Arruda retorne ao cargo. O esclarecimento foi feito pelo
advogado Nélio Machado, que defende o governador. Machado explicou que o HC
trata exclusivamente do pedido de liberdade do governador.
Arruda vai passar a madrugada desta
sexta-feira (12/2) no gabinete da diretoria do INC (Instituto Nacional de
Criminalística), que fica na superintendência da corporação em Brasília.
Segundo a PF, na sala há apenas um sofá. Está à disposição do governador a
chamada "Sala do Estado-Maior", reservada para autoridades.
"Sereno"
De acordo com o secretário dos Transportes
do DF, Alberto Fraga (DEM), que esteve com Arruda na PF, o governador está
"calmo e sereno". Segundo ele, Arruda negou que sua prisão tenha sido
uma derrota política. "Não foi uma derrota. Foi um constrangimento",
disse o secretário.
Ele também disse que
foi oferecido ao governador a possibilidade de ser transferido para um quartel
da Polícia Militar ou do Exército. Entretanto, Arruda preferiu ficar na PF.
Rondoniadinamica.com
Atuação
firme do MPT consegue democratizar regras eleitorais no SINDEPROF
A
atuação firme do MPT está conseguindo quebrar, na prática, regras
antidemocráticas
Em audiência realizada nesta quarta-feira
(10), na Procuradoria Regional do Trabalho (MPT) da 14ª Região, presidida pela
procuradora do trabalho Michelle Bastos Chermont, para tratar do processo
eleitoral do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Porto Velho
(SINDEPROF), da qual participaram a Comissão Eleitoral da entidade e
representantes das quatros chapas concorrentes na eleição que será realizada
nesta sexta-feira (12), foram democratizadas regras eleitorais e estabelecida
igualdade de concorrência entre as chapas.
A atuação firme do MPT está conseguindo quebrar, na prática, regras
antidemocráticas colocadas no estatuto do SINDEPROF com o claro objetivo de garantir
a perpetuação no poder do grupo dirigente. Na audiência foi firmado o Termo de
Ajuste de Conduta nº 141/2010 que estabelece condições objetivas de plena
fiscalização da votação e da apuração por parte das chapas concorrentes; ao
assegurar, por exemplo, que fiscais de chapas acompanharão as urnas dentro dos
carros que as transportam.
Esse tipo de fiscalização nunca aconteceu em mais de uma década, em que o atual
grupo dirigente controla o SINDEPROF, pois nas eleições anteriores não era
permitido que fiscais acompanhassem as urnas dentro dos veículos de transporte,
o que inviabilizava totalmente a fiscalização. Outra medida importante foi a
definição de roteiro e horários das urnas itinerantes, que antes ficavam a
critério da diretoria do Sindicato e/ou de sua Comissão Eleitoral e não eram
divulgadas com antecedência.
O TAC prevê, também, outra medida inédita que impede vários tipos de possíveis
fraudes, que é a assinatura dos fiscais de chapas nas cédulas de votação, sendo
que anteriormente os fiscais só podiam observar o processo; além de estabelecer
providências para verificar possível duplicidade de votação, que acontece
quando o filiado, induzido por uma chapa, vota no seu local de trabalho e
depois vota novamente em uma urna itinerante.
Para a Central Única dos
Trabalhadores (CUT) a atuação firme do MPT em processos eleitorais do
SINDEPROF, que ocorre desde a eleição anterior em 2007 através dos TAC 001/2007
e 005/2007 e, mais efetivamente, na eleição atual com os TAC 127/2010 e
132/2010 está conseguindo criar condições de igualdade entre as chapas
concorrentes, quebrando na prática regras totalmente anti-sindicais e
antidemocráticas colocadas no estatuto do Sindicato.
MPT
adota medidas para evitar fraudes na eleição do Sindeprof
Chapa
3 parabeniza MPT pela iniciativa de democratizar eleição do Sindeprof
Marcos
Henrique
Representantes das três chapas concorrentes
na eleição do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Porto Velho
(Sindeprof) assinaram na tarde de ontem (10.02), perante o Ministério Público
do Trabalho um Termo de Ajuste de Condutra (TAC) para democratizar ainda mais o
pleito que acontece amanhã, sexta-feira.
O TAC pretende evitar fraudes na eleição do Sindeprof e garantir um pleito mais
transparente. Dentre as medidas aprovadas pelos representantes das quatro
chapas estão: acompanhamento dos fiscais das chapas dentro do veículo dos
transportes das urnas e obrigatoriedade da assinatura das cédulas de votação
por dois fiscais de cada chapa.
A multa pelo descumprimento do TAC é de R$ 50 mil.
Apesar da boa intenção do Ministério Público do Trabalho, as eleições do
Sindeprof já vão começar viciadas. Segundo o candidato da chapa 3, Chapa da CUT, Raimundo Nonato, a
atual presidente e candidata a reeleição, Ellis Regina, não poderia estar
concorrendo, mas acabou sendo ungida pela omissão da Comissão Eleitoral.
Segundo Nonato, Ellis deveria ter tido sua candidatura impugnada pela Comissão
Eleitoral por infração ao Estatuto da Entidade. O Inciso 5, o artigo 82 do
Estatuto, prevê que renúncia ou afastamento de dirigente antes de cumprimento
do mandato causa inelegibilidade automática na próxima eleição.
Em 2008, Ellis se afastou do cargo para concorrer ao cargo de vereadora pelo PC
do B e logo, não poderia estar concorrendo á reeleição. "Candidato que
descumpre o próprio estatuto em que preside não pode ser um dirigente sério. A
categoria deve comparecer às urnas e votar no que é melhor para si. É preciso
que a categoria tenha um candidato sério para encampar as lutas e que não
esteja atrelado aos patrões", disse Nonato.
Raimundo conclamou os servidores das grandes secretarias municipais a
participar do pleito e votar num projeto que traga benefício para o conjunto dos
trabalhadores. "A chapa 3 apresentou uma proposta técnica baseada em dados
reais de violação dos direitos dos servidores", disse Raimundo Nonato da CUT.
Dentre essas violações estão a não concessão do PCCS/SUS dos servidores da
saúde, falta de pagamento do Plano Bresser (já ganha na Justiça); não pagamento
dos qüinqüênios; achatamento e desvalorização das classes não implementando a
progressão horizontal dos servidores (gerando prejuízo aos trabalhadores);
Dívida da Prefeitura com o IPAM e falta de política salarial aos trabalhadores
municipais.
Raimundo Nonato da CUT
afirmou que a chapa 3 "Ninguém Conquista Sozinha" tem apoio da Executiva
Nacional da CUT, da
CUT estadual e de
seus sindicatos filiados. Segundo ele, a retomada do Sindeprof neste momento,
após 12 anos de má administração, requer uma mudança para que a entidade volte
a ser um sindicato de luta, combativo e compromissado com os anseios da
categoria. "A saída é votar na Chapa 3, Chapa da CUT na eleição do Sindeprof. Se não for assim
serão mais três anos de sofrimento", finalizou.
Gazetaweb.globo.com
Caravana
de Cidadania vai levar conscientização a municípios
Projeto
pretende passar pelos 102 municípios alagoanos
Percorrer todas as cidades alagoanas,
levando lições para a formação de uma consciência crítica e ensinando sobre a
importância de fiscalizar o dinheiro público. Essa é a premissa da Caravana de
Cidadania, projeto montado por diversas entidades civis e órgãos públicos e que
vai englobar agentes de educação, conselhos municipais, profissionais autônomos
e, principalmente, alunos de 16 a 22 anos.
A ideia é encabeçada pelas Secretarias da Fazenda (Sefaz) e de Educação e
Esportes (SEE), pela Receita Federal, pela Controladoria Geral da União (CGU),
pelo Sindicato dos
Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal), pela Central Única dos Trabalhadores
(CUT) e pelo Instituto Silvio Vianna. Todas as instituições estiveram
reunidas nesta quinta-feira (11) para tratar de detalhes da iniciativa.
Segundo a coordenadora de Comunicação e Educação Fiscal da Sefaz, o foco é a
formação da consciência cidadã. "Por isso, o Programa de Educação Fiscal também
estará participando, trabalhando no desenvolvimento não só do senso crítico,
mas também da cidadania. Esse é um projeto muito bom e está sendo adaptado a
partir do que nos foi cedido pelo técnico da Receita Federal Aldo Carvalho
Filho".
Produto do Fórum de Combate à Corrupção de Alagoas (Focco), a iniciativa
pretende implementar um processo de capacitação permanente e contínuo. Para
isso, uma das diretrizes a ser seguida é a criação do parlamento jovem. A ideia
é que o grupo funcione como uma espécie de Câmara de Vereadores, desempenhando
os mesmos papéis.
"Isso já existe em outros Estados, só que sempre atrelado às Câmaras e
Assembleias Legislativas. Aqui queremos que aconteça de maneira independente,
possibilitando maior autonomia. Composto por estudantes, o parlamento vai
funcionar como um treinamento, para que, depois de entender o funcionamento
destes lugares, os jovens possam questionar e fiscalizar", diz Pedro Guido,
presidente do Instituto Silvio Vianna.
Junto disso, a iniciativa também prevê o fortalecimento dos conselhos
municipais, possibilitando maior acesso a informações sobre as contas
municipais. "Está previsto em Lei que toda administração pública deve ter um
conselho, que tem duas atribuições: elaborar as políticas públicas e fiscalizar
os gastos, uma atividade importantíssima. Nosso objetivo é ajudar no cumprimento
desses papéis", completa Guido.
Para a presidente da CUT,
Lenilda Lima, o projeto pode ser o pontapé para o início de uma mudança na
realidade alagoana. "Estamos muito entusiasmados. O caminho é mesmo colocar a
juventude para discutir os valores para que entendam que as instituições devem
funcionar de maneira transparente e comecem a cobrar isso. Nossa democracia é
formada de jovens e é eles que temos que estimular para exercerem seu papel",
afirma.
PBagora.com.br
Presidente
da CUT-PB cobra a
redução da jornada de trabalho
Sindicalista
visitou todos os gabinetes dos parlamentares paraibanos em Brasília
O presidente da CUT-PB,
Luis Silva, visitou nesta quarta-feira os gabinetes de todos os deputados
federais em Brasília. O motivo da visita foi cobrar o apoio dos parlamentares
paraibanos para a aprovação do Projeto de Ementa Constitucional (PEC) que prevê
a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais, sem que
haja redução no salário dos trabalhadores.
"Queremos que os parlamentares pressionem Michel Temer, o presidente da Câmara
Federal, a colocar o PEC na pauta de votação. A pauta está demorando a entrar
na Casa e a CUT, em
nível nacional, está intensificando a reivindicação prometendo uma série de
ações em defesa do projeto", destacou Luis Silva. Segundo as informações da
assessoria de comunicação da CUT
Nacional, já estão sendo programadas greves e paralisações em todo o
país em favor da entrada em vigor da redução da jornada de trabalho sem redução
salarial.
Segundo o sindicalista, parlamentares como Marconi Gadelha, Luiz Couto e Major
Fábio já se prontificaram a apoiar a causa dos trabalhadores, que deverá gerar
no Brasil a criação de 2 milhões de novos postos de trabalho, sendo 4,5 mil na
Paraíba. Luis Silva visitou todos os 12 gabinetes e embora não tenha encontrado
todos os deputados paraibanos, falou com todos os chefes de gabinete e destacou
que irá marcar uma ação no Estado pessoalmente com os deputados para trazer o
debate à tona.
"Além da redução da jornada de trabalho também deveremos discutir soluções para
o trabalho escravo na Paraíba e o maior aproveitamento dos recursos do
Pré-sal", disse o presidente da CUT-PB.
BemParana.com.br
Foliões
da CUT saem às ruas
da cidade
Alvo
foram os chamados donos do poder
Os foliões do tradicional bloco carnavalesco
revolucionário da Central
Única dos Trabalhadores do Paraná (CUT-PR) protestaram ontem, no centro
de Curitiba, com muito samba. A concentração foi na Praça Santos Andrade e
depois os foliões seguiram, em ritmo de samba e protesto, pela Avenida 15 de
Novembro até a Praça Osório.
O "alvo" escolhido deste ano foram os chamados verdadeiros donos do poder pelos
integrantes do bloco. Nas camisetas dos manifestantes, a ilustração de um rato
de toga e um porco de cartola, dependurados em uma torre como o povão em baixo,
mostrava a clara intenção de criticar, com bom humor, os banqueiros e os
juristas.
Além de dedicar críticas aos donos do poder, o bloco também abordou questões
ligadas ao pré-sal e a luta pela soberania nacional sobre as riquezas do petróleo.
Esse, aliás, foi o tema do samba enredo cantado pelo puxador e tocado pela
percussão da bateria da Escola de Samba Mocidade Unida do Jardim Santa Rosa, de
Paranaguá.
Faxaju.com.br
Folia
protesto: Siri na Lata: trabalhadores botam seu bloco na rua
Tradição do carnaval sergipano ao abrir os
festejos de Momo, o Bloco Siri na Lata, puxado pela Central Única dos Trabalhadores
de Sergipe, sai às ruas na sua quarta edição, nesta sexta-feira, dia 12
de fevereiro, com saída marcada para às 8 horas da manhã, na Praça Fausto
Cardoso, no centro da capital.
O Bloco Siri na Lata percorrerá as ruas do
centro de Aracaju com muito frevo e irreverência , mas também
levando o protesto dos trabalhadores e dos seus sindicatos, com suas bandeiras
de luta. Este ano, mais uma vez o Bloco sairá com uma alegoria: uma carroça de
burro, para ironizar o transporte público em Aracaju, além de criticar a
falta de licitação para o setor e o aumento da tarifa dos coletivos, dada pela
prefeitura, colocando-a entre as mais caras do Nordeste.
Para o Professor Dudu, presidente da CUT-SE, o Bloco Siri na
Lata representa um momento de mostrar, de forma humorada, os principais
temas que afligem a classe trabalhadora em Sergipe.
Entre os assuntos que serão abordados no
Bloco Siri na Lata este ano estão: a luta pela redução da jornada
de trabalho de 44 para 40 horas e pelo direito de greve; protesto contra o
aumento da passagem de ônibus na capital; contra a abertura do comércio aos
domingos e feriados; a implantação das Fundações Públicas de Direito
Privado; e o repúdio contra a decisão judicial que mantém Flavio
Conceição como conselheiro do Tribunal de Contas de Sergipe.
"O Bloco Siri na Lata
prova que o sindicalismo sergipano tem várias facetas para mostrar toda a sua
indignação. No Carnaval usamos a irreverência, o humor. Superamos a ideia de um
sindicalismo embrutecido para dialogar com o conjunto da sociedade.
Aproveitamos a folia e também nos divertimos, é claro, ao som das velhas
marchinhas de Carnaval", expica Professor Dudu.