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Clipping 18/02/10

Escrito por William Pedreira
18/02/2010

Edição nº 1519 quinta, 18 de fevereiro de 2010
Fechamento: 08:55


Edição número 1519 quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

 

 
Fechamento: 08h55

 


Veículos Pesquisados:


Clipping CUT é um trabalho diário de captação de notícias realizado pela equipe da

Secretaria Nacional de Comunicação da CUT. Críticas e sugestões com

Leonardo Severo (leonardo@cut.org.br)

Isaías Dalle (isaias@cut.org.br)

Paula Brandão (paula.imprensa@cut.org.br)

Luiz Carvalho (luiz@cut.org.br)

William Pedreira (estagio.imprensa@cut.org.br)

Secretária de Comunicação: Rosane Bertotti (rosanebertotti@cut.org.br)





O Estado de S.Paulo


PT abre congresso para aclamar Dilma, que exaltará ''herança bendita'' de Lula
Em discurso, ministra vai enaltecer as obras do governo e a necessidade de preservar o modelo econômico

Vera Rosa (Nacional)

Com o slogan "O Brasil é nossa bandeira", o PT inicia hoje o seu 4º Congresso Nacional, em Brasília, para sacramentar a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aprovar as diretrizes que vão nortear o programa de governo e definir a política de alianças da campanha. No discurso preparado sob medida para aceitar a "herança bendita", Dilma vai enaltecer as obras do governo Lula e a necessidade de preservar o modelo econômico, como faz a nova versão de sua plataforma, retocada a pedido do Planalto.

A aclamação de Dilma como candidata ocorrerá no sábado, dia marcado para o seu pronunciamento no megaencontro petista. Em tom emocional, a chefe da Casa Civil dirigirá afagos ao PT e pedirá o apoio do partido para enfrentar o desafio histórico, considerado maior do que ela pode enfrentar sozinha, de substituir Lula na chapa. Nos 30 anos do PT, esta será a primeira eleição presidencial disputada pela sigla sem o nome dele na cédula de votação.

Tudo foi planejado para a ministra encarnar o pós-Lula e se declarar portadora da energia do presidente, dando continuidade à sua missão. Ela citará eixos do plano de governo, intitulado A Grande Transformação, como educação, saúde, segurança, grandes cidades e juventude. O documento incorporou trechos inteiros de referências à importância da estabilidade econômica na era Lula e numa eventual gestão Dilma.

Os ajustes no tom do programa - coordenado pelo assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia - ocorreram depois que o texto passou pelo crivo do Planalto, como revelou o Estado na semana passada.

"Eu tive a oportunidade de conversar com o presidente e ele disse que não tinha cabimento o PT fazer um programa de governo diferente do que nós estamos fazendo. O nosso programa tem de partir do que nós fizemos desde 2003 e dizer que dá para avançar mais na distribuição de renda e na industrialização, por exemplo", afirmou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. "Além disso, a economia é muito sensível. Como poderíamos nos apresentar para nos suceder negando o que nós fizemos? Seria um tiro no pé."

Lula pediu mudanças no texto por avaliar que o esboço não contemplava os "avanços" dos quase oito anos de seu governo em economia, saúde e educação e, além disso, dava margem para interpretações "errôneas" sobre possível caráter estatizante das propostas.

A última versão, que será votada amanhã pelo congresso do PT, prega o fortalecimento das estatais e das políticas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNB e BASA para o setor produtivo.

Nesse tópico, porém, foi acrescentado um trecho esclarecendo que "os bancos devem orientar-se para a produção e o consumo, a custo cada vez menores, de modo a promover o emprego e a renda em um quadro de estabilidade monetária".

CRISE MUNDIAL
Há agora no programa várias referências às medidas tomadas pelo governo para driblar a crise mundial. O novo desenvolvimentismo que embala o plano de Dilma, mesclando incentivos ao investimento público e privado com distribuição de renda, é batizado de Projeto de Desenvolvimento Nacional Democrático Popular, Sustentável e de Longo Prazo para o País.

Foram retiradas as estocadas ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e ao ex-ministro das Relações Exteriores Celso Lafer. Embora o nome dos dois não fosse citado explicitamente, a alusão era clara na abordagem sobre a "percepção equivocada de que o mundo vivia um novo renascimento". Na versão anterior constava o adendo "como explicou um ex-presidente" e "como afirmou um chanceler do governo passado".

A tesourada também atingiu a avaliação contida no primeiro texto quando era citado o Bolsa-Família. Dizia o documento que programas de transferência de renda, como o Bolsa-Família, perderiam "a importância que têm" num eventual governo Dilma à medida em que o crescimento acelerado provocasse "mais empregos, renda e bem-estar social". Agora, a plataforma garante que haverá "aprimoramento permanente dos programas de transferência de renda, como o Bolsa-Família".

O novo presidente do PT, José Eduardo Dutra, lembrou que o programa final somente será fechado após receber contribuições dos partidos aliados. No diagnóstico de Dutra, que tomará posse amanhã, as diretrizes em discussão não representam uma guinada à esquerda, embora a avaliação seja feita por nove entre dez petistas. "Não se trata de esquerda nem de direita. Trata-se de uma proposta da realidade, pois a crise econômica jogou por terra a falácia de que o mercado resolve tudo."


Crise e corte de impostos reduzem carga tributária pela 1ª vez desde 2003
Estudo parte do princípio de que PIB não caiu em 2009 e diz que redução se deve exclusivamente às perdas da União
 
Marcelo Rehder (Economia)
 
Os efeitos recessivos da crise global e os incentivos ao consumo no ano passado reduziram a carga tributária brasileira a 35,2% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 35,8% em 2008 (menos 0,6 ponto porcentual), segundo o consultor na área fiscal Amir Khair. Será a primeira queda desde 2003. O número oficial será conhecido só quando for divulgado o PIB de 2009. Para 2010, porém, a tendência é de aumento da carga.

A carga tributária (ou fiscal) é a soma de todos os tributos (impostos, taxas e contribuições) pagos pela sociedade aos três níveis de governo, em relação ao PIB. Assim, segundo o consultor, de cada R$ 100 produzidos pelo País no ano passado, R$ 35,2 viraram tributos recolhidos pelos governos federal, estaduais e municipais.

Para calcular a carga do ano passado, Khair usou a metodologia de cálculo da Receita Federal e considerou uma variação nula para a soma das riquezas produzidas no País, estimada em R$ 3,005 trilhões. Se o resultado oficial do PIB de 2009, a ser divulgado no dia 11 de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), for positivo, a queda da carga tributária será maior que a estimada pelo consultor. No caso de retração do PIB, a carga pode ter aumentado. "A redução da carga tributária no ano passado se deve exclusivamente às perdas da União", afirma Khair.


Com a economia em recessão, explica o consultor, a arrecadação cai acompanhando as menores vendas e lucros nas empresas. Além disso, ocorre aumento da inadimplência, sonegação e compensação tributária. Ele pondera que, para atenuar o impacto da crise global sobre a economia brasileira, que implica queda da própria arrecadação, o governo federal adotou medidas temporárias de desoneração fiscal que beneficiaram vários setores. A mais visível foi a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis, eletrodomésticos da linha branca (geladeiras e fogões) e móveis.

Para o consultor, a queda da carga tributária só não foi maior por causa do crescimento da massa salarial, que elevou a arrecadação acima do crescimento do PIB para a Previdência Social, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), Salário Educação e Sistema S (conjunto de entidades voltadas para o treinamento profissional, assistência social, consultoria, pesquisa e assistência técnica, que têm em comum seu nome iniciado com a letra S, como Sesi, Senai e Senac).


Mercado eleva estimativa para a inflação

Fernando Nakagawa (Economia)

Pela quarta semana consecutiva, o mercado financeiro aumentou suas previsões para a inflação em 2010. Pesquisa semanal divulgada ontem pelo Banco Central (BC) mostra que analistas elevaram a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,78% para 4,8% neste ano.

Com essa alta, o número previsto se afasta ainda mais do centro da meta de inflação do governo, de 4,5%. Diante do quadro, analistas mantiveram a estimativa de que o juro básico, a Selic, deve subir 2,5 pontos porcentuais a partir de abril, para atingir 11,25% no fim do ano.

As previsões para a inflação têm subido de forma consistente desde meados de janeiro na pesquisa do BC. O comportamento das estimativas mostra que a pressão está nos preços do varejo, como no IPCA, e também do atacado, como no Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M), que subiu de 4,84% para 5,26% em uma semana. Nesse indicador, 60% dos preços são pesquisados no atacado.

"O cenário inflacionário para 2010 parece estar se confirmando cada vez mais preocupante. A variação do IPCA no primeiro trimestre deve ser próxima de 2%, nível bastante superior à projeção do BC de 1,53%, dificultando um cenário de IPCA em 4,5% no fim deste ano", destaca em relatório a economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Zara.

Boa parte da pressão é explicada pelo aumento do ritmo da economia brasileira. Após o fraco desempenho de 2009, analistas preveem recuperação da atividade neste ano, o que aumenta a demanda e cria espaço para reajuste nos preços.

A pesquisa Focus também revelou que a previsão de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010 foi mais uma vez elevada, de 5,35% para 5,47%.

Com a inflação ascendente, os analistas mantiveram a previsão de aumento na Selic. Na avaliação do mercado, o BC terá de aumentar a taxa para tentar conter parte da demanda e, assim, manter a inflação dentro da meta.

Pelo cenário previsto na pesquisa Focus, o juro começa a subir em abril, com alta de 0,5 ponto porcentual, o que levaria a taxa para 9,25%. Em seguida, são esperadas altas idênticas nas reuniões de junho, julho, setembro e outubro. Assim, a Selic atingiria 11,25% em outubro e permaneceria nesse nível até o fim de 2011.

Para a economista da Rosenberg, apenas um "contundente agravamento do cenário internacional" poderia evitar o ciclo de aumento dos juros no Brasil. De acordo com Thaís Zara, as eleições presidenciais também têm peso sobre as decisões em relação ao nível da taxa de juros e reforçam o cenário que aponta para juros mais altos em breve.

"Seguindo Maquiavel, principalmente em um ano eleitoral, a boa técnica recomendaria que o mal fosse feito o mais cedo e rápido possível", disse Zara.


Programa ''IPI verde'' é abandonado pelo governo
Imposto deixou de ser reduzido com a decisão de se trabalhar com meta maior de superávit
 
Fabio Graner e Adriana Fernandes (Economia)

Durou pouco o programa de "IPI verde" do governo federal. Por causa da decisão do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de trabalhar com uma meta mais elevada de superávit primário das contas do setor público em 2010, a política de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados para produtos de linha branca e automóveis vinculada a critérios de menor emissão de poluentes e maior economia de energia foi abandonada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas, para não perder a bandeira verde neste ano eleitoral - que já conta com uma candidata de perfil ambientalista, a ex-ministra Marina Silva -, a equipe econômica prepara um estudo com propostas de incentivos econômicos e tributários para desenvolver alternativas ecológicas no setor automotivo.

O trabalho, que deverá ser publicado em julho, não será, no entanto, transformado em ações efetivas pelo governo neste ano. O objetivo é definir propostas para tornar o Brasil uma plataforma de produção de tecnologia limpa e uma referência em termos de combinação de economia e meio ambiente.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, negou que a política econômica com foco ambiental tenha sido algo para "inglês ver", um mecanismo formatado apenas para dar um discurso mais forte ao governo brasileiro na Conferência do Clima em Copenhague (Cop-15), realizada no fim de 2009, justamente quando a equipe econômica decidiu renovar as desonerações tributárias, mas com o viés ambiental. Segundo ele, as iniciativas do governo nessa área marcaram uma mudança de paradigma que deverá nortear cada vez mais as ações de política econômica, deste e dos próximos governos.

Diante da necessidade de frear o risco de superaquecimento da economia, que poderia pressionar os preços e os juros, a opção do governo agora é fazer uma economia fiscal maior para não se concretizar um cenário de descompasso entre oferta e demanda na economia. "Por motivos macroeconômicos, não foi possível continuar com a política ambiental", disse Barbosa.

Para o secretário, as mudanças no IPI revelam uma tendência que deve se consolidar nos próximos anos. "O fato de se retirar o benefício agora reflete a conjuntura deste ano, a situação de o governo ter decidido por uma recuperação mais rápida do resultado fiscal", disse Barbosa. "Não quer dizer que essa política não pode voltar no futuro próximo. Acho que volta", acrescentou.

Para ele, apesar de temporário, o uso dos incentivos tributários para fomentar desenvolvimento com responsabilidade ambiental foi uma iniciativa inédita para os tributos cobrados pela Receita Federal, que marcou uma mudança no padrão de decisão do governo federal. "Pela primeira vez, adicionou-se um aspecto ambiental a uma ação de curto prazo."

"Havendo espaço fiscal, a questão ambiental vai ganhar importância", disse Barbosa, lembrando que o IPI é um tributo vinculado à "essencialidade" dos produtos (quanto mais supérfluo, maior a alíquota do imposto) e sua utilização na área ambiental revela que o tema está se tornando prioridade para as políticas públicas.

IMPACTO GLOBAL
O secretário também ressaltou que os estudos em curso para definir a interlocução entre as políticas econômica e ambiental, apesar de serem focados no mercado automotivo, têm uma importância mais ampla. Ele ressaltou que o assunto envolve mudanças importantes na estrutura da economia, especialmente em relação à matriz energética. Barbosa disse que mudanças desse nível mexem com a geografia política do mundo.

Segundo ele, os estudos sobre o tema devem levar em conta ainda que o crescimento do mercado de energia limpa abre novas frentes de investimento e, portanto, são um estímulo ao crescimento mais rápido. Por isso, o governo faz um mapeamento das tendências e alternativas nessa área para poder recomendar o uso de incentivos adequados para combinar um maior crescimento econômico com responsabilidade ambiental.

O secretário-adjunto de Política Econômica, Dyogo Oliveira, destacou que nos estudos do governo para o setor automotivo estão sendo focados três eixos de discussão: emissão-eficiência, tecnologia, competitividade. "Esperamos deixar um bom mapeamento para a próxima administração", disse Oliveira


 

Folha de S.Paulo


Congresso petista lança Dilma e enquadra rebeldes
Partido tenta restringir a possibilidade de questionamentos internos no evento

Com show de Jorge Ben Jor e participação de cerca de 1.350 delegados, encontro em Brasília custará ao menos R$ 6,5 milhões à sigla

Rainer Bragon e Maria Clara Cabral (Brasil)

O PT abre hoje em Brasília o congresso nacional que vai aclamar no sábado a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), 62, como a pré-candidata da legenda à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva. Os dirigentes petistas pretendem restringir ao máximo a possibilidade de questionamentos internos durante o evento, que deve aprovar diretriz de campanha submetendo todos os arranjos regionais do partido à estratégia nacional em prol da ministra.

Ex-pedetista, filiada ao PT desde março de 2001, Dilma teve sua candidatura bancada diretamente pelo presidente Lula, de quem também foi ministra de Minas e Energia antes de assumir a Casa Civil, em 2005.

Ela fará no sábado, após a fala de Lula "a apresentando" como a candidata, o discurso final do congresso, que será encerrado com um show de Jorge Ben Jor. O PT estima gastar R$ 6,5 milhões, o que inclui transporte e hospedagem de cerca de 1.350 delegados, mais convidados.

No discurso, a ministra deve, de acordo com petistas, falar da necessidade de avanços como a qualificação do funcionalismo responsável pela execução das obras e dos programas federais.

Amanhã o partido deve aprovar as diretrizes preliminares para o programa de governo de Dilma e para a política de alianças. Nos documentos, o PT prega um fortalecimento do papel do Estado, o aprimoramento dos programas sociais e a manutenção das políticas de ajuste fiscal, entre outros pontos.

O PT deixa claro nos documentos que o objetivo de eleger Dilma "deve orientar todos os movimentos políticos", ou seja, candidaturas regionais da legenda podem ser sacrificadas.

"Quem vai conduzir o processo da candidatura e das alianças é a Dilma. O próprio Lula diz isso", diz o deputado Candido Vaccarezza (PT-SP), líder do governo na Câmara.

Nos textos, o PT critica indiretamente a atual base de Lula no Congresso, dizendo que o eventual governo Dilma precisará "de apoio parlamentar afinado com seus objetivos".

Segundo dirigentes do partido, haverá a tentativa de restringir a um limite "tolerável" os debates em torno das emendas das alas mais à esquerda. "Será o congresso da unidade. Não teremos uma agenda negativa", disse o deputado José Genoino (SP), integrante do Diretório Nacional que toma posse.


Painel

Renata Lo Prete

Cadeiras voadoras
Sobre a candidatura Dilma Rousseff ao Planalto não há discussão, mas o PT chega à abertura de seu congresso, hoje, com arestas a aparar no que diz respeito à ocupação de cargos na nova cúpula do partido.

De saída da tesouraria, Paulo Ferreira (RS) tenta de todo modo emplacar o desconhecido conterrâneo João Motta na secretaria de Comunicação. Pela composição de forças que elegeu José Eduardo Dutra presidente da sigla, esse posto seria destinado à corrente Novo Rumo, que indicou o deputado estadual Rui Falcão. Por sua vez, a bancada de deputados federais quer colocar na Comunicação André Vargas (PR), que chegou a ser cotado para a tesouraria. Mas essa já é de João Vaccari (SP) e ninguém tasca.



Marmelada. A candidatura à Câmara de Paulo Ferreira tira o sono da atual bancada gaúcha do PT, quase toda em busca de reeleição. Para os queixosos, trata-se de concorrência desleal, dada a expertise adquirida por Teixeira na tesouraria. Ele desconversa: "Pior do que ciúme de homem é ciúme de deputado".

Sem refresco. Chamou a atenção de partidos aliados o trecho da resolução do PT sobre tática eleitoral e política de alianças no qual, apesar de destacar a vitória de Dilma e o fortalecimento das bancadas no Congresso como prioridades, a sigla registra que não se pode "menosprezar a importância que têm os governos de Estado", daí a insistência com candidaturas próprias.
 
Gente grande. De um integrante do núcleo da campanha de Dilma, sobre a exigência de apoio exclusivo feita por Sérgio Cabral (PMDB) no Rio: "O governo não vai se meter a tentar tirar o Garotinho do jogo, até porque de garotinho ele só tem o nome".

Público-alvo. Resolução apresentada pela juventude do PT prevê a construção de um Comitê Nacional de Juventude Dilma Presidenta, cuja coordenação pretende participar do dia-a-dia da "campanha geral".
 
Bagagem. Desabafo do ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) no Twitter sobre o retorno do Carnaval: "Como ponho o turbante do Gandhi na mala?".

Vento. Paulo Octávio foi dormir ontem inclinado a renunciar ainda hoje ao governo do Distrito Federal.
 
Deixa estar. Apesar do risco Joaquim Roriz, o PSDB continuará a buscar aliança com o PSC. Para os tucanos, a prioridade é ampliar o tempo de TV. E, do jeito que as coisas vão, ninguém sabe se Roriz ainda estará no palanque quando José Serra tiver de fazer campanha em Brasília.

Onde pega. No PSC há dois focos de resistência ao acordo com o PSDB: Pernambuco, onde o partido apoia Eduardo Campos (PSB), e Paraíba, onde Marcondes Gadelha, oriundo do PSB, assumiu o comando da sigla.

Menos, menos. Mesmo entre os insatisfeitos com a liderança de Rodrigo Maia, há quem esteja em campo para conter os "radicais" Demóstenes Torres e Ronaldo Caiado, críticos abertos da atuação do presidente do DEM durante a tormenta no Distrito Federal. O argumento é que o partido está por demais fragilizado para suportar guerra civil.

Que tal? Ao voar com Guido Mantega (Fazenda) ontem de SP a Brasília, o presidente da Câmara e possível vice de Dilma, Michel Temer (PMDB), fez lobby a favor da proposta de reduzir a jornada de trabalho de 44 para, numa primeira etapa, 42 horas.

Trabalho. Carlos Alberto Grana (PT), presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT, e Tadeu Morais de Sousa (PDT), vice do Sindicato dos Metalúrgicos de SP e presidente do Dieese, são as duas apostas do mundo sindical para a eleição à Assembleia paulista.


Exportações do Brasil para a UE caem 29%
Com recessão, bloco reduz importação de commodities em 2009 e afeta país; só China aumenta comércio com europeus

Zona do euro tem superavit de 22,3 bi em 2009, puxado pela Alemanha; União Europeia como um todo tem deficit de 105,5 bi

Luciana Coelho (Dinheiro)

A zona do euro fechou 2009 com superavit comercial de 22,3 bilhões, apesar da crise econômica mundial, puxada pelo bom desempenho da Alemanha. Mas na União Europeia como um todo o deficit acumulado entre os 27 países no comércio extrabloco foi de 105,5 bilhões no ano passado, segundo estimativas preliminares do Eurostat, órgão estatístico do bloco.

Os dados detalhados de janeiro a novembro, também apresentados ontem pelo órgão, mostram que o comércio da União Europeia caiu com todos os parceiros -exceto as exportações para a China, primeiro país a sair da crise, que tiveram avanço de 2%. Com a queda nas importações de commodities, o Brasil foi um dos parceiros mais afetados.

Com a recessão no bloco, as exportações brasileiras para a UE foram reduzidas em 29% nos primeiros 11 meses do ano, menos somente do que as de dois Estados petroleiros (as russas recuaram 38%, e as norueguesas, 30%). Já as exportações para o Brasil caíram 21% no período (atrás da Rússia, 39%, e da Turquia, 23%).

Países cuja pauta exportadora com a União Europeia se concentra em produtos manufaturados -sejam alimentos, químicos ou maquinário- foram menos abalados, caso da China e da Suíça.

As importações de commodities para a UE foram as mais impactadas no período, com queda de 40% sobre os primeiros 11 meses de 2008. Energia (leia-se petróleo e gás) também sofreram, recuando 38%.

Em dezembro, somente, a União Europeia registrou deficit de 2,5 bilhões com o resto do mundo na comparação com o mesmo mês do ano anterior, quando o buraco era de 11,3 bilhões.

Houve melhora de performance, no entanto, em relação a novembro, o que sinaliza que a saída da crise econômica global pode estar ganhando algum fôlego. Mais, porém, para os parceiros do que para a União Europeia: as exportações subiram 2%, e as importações, 0,5%, já levado em conta o ajuste sazonal.

Para os 16 países que usam o euro, a melhora foi mais aguda, de 3,1% nas exportações e de 1,7% nas importações. Dezembro trouxe um superavit de 4,4 bilhões contra o deficit de 1,8 bilhão em 2009.

A Alemanha, maior exportadora do bloco (e até ser recentemente superada pela China, do mundo), outra vez puxou a balança, registrando superavit de 122,4 bilhões de janeiro a novembro, seguida pela Holanda (35,4 bilhões).


É um sinal lido positivamente pelo mercado, que espera agora para ver se o avanço das exportações se sustenta a ponto de manter a indústria do país produzindo e o PIB subindo, com ecos para todo o bloco. Dados divulgados na semana passada pelo Eurostat mostram que a Alemanha deixou de crescer no último trimestre.

Já os maiores deficit foram registrados pelo Reino Unido (85,7 bilhões), que começa a reverter sua retração econômica puxado principalmente pelo setor de serviços, pela França (49 bilhões) e a Espanha (45,5 bilhões).



Mulheres trabalham menos tempo em casa

Verena Fornetti (Dinheiro)

O número de horas que as mulheres dedicam aos afazeres domésticos está diminuindo. A carga horária média empregada em tarefas como a limpeza da casa e o cuidado das crianças e dos idosos passou de 28,9 horas por semana em 2001 para 23,9 horas em 2008, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A mudança se relaciona com o crescimento da participação das mulheres no mercado de trabalho, com o avanço da renda, que permite a compra de bens que agilizam o cuidado com a casa -como o micro-ondas, o liquidificador e a máquina de lavar- e com a melhora, ainda que modesta, da divisão de tarefas domésticas entre os homens e as mulheres.

Ana Lúcia Sabóia, gerente do IBGE, destaca que, com a melhora na renda nos últimos anos, mais famílias têm acesso a eletrodomésticos. "A cada ano, cresce o acesso a bens de consumo. A máquina de lavar, por exemplo, é um dos itens mais libertadores da mulher e ainda não é um bem universal no país, como a geladeira já é."

O acesso a serviços públicos também contribui para a queda no tempo gasto nas tarefas relacionadas à casa, uma vez que a matrícula dos filhos em creches e escolas permite que a mulher exerça outras atividades. E o aumento da renda possibilita a contratação de empregadas ou diaristas para exercer essas atividades dentro da casa.

"As mulheres foram para a rua", afirma Hildete de Araújo, especialista da Universidade Federal Fluminense, que destaca o aumento da participação das mulheres na População Economicamente Ativa. Segundo o IBGE, em 2008, 47,2% das mulheres com dez anos ou mais no país estavam ocupadas. Em 1992, eram 43,4%.

Ela diz que o IBGE fez antes da piora da crise as entrevistas para a Pnad 2008, que apontou a diminuição do tempo gasto na realização das tarefas domésticas. Na ocasião, cresciam os setores que empregam boa parte da mão de obra feminina, como comércio e serviços.

Em 2009, apesar do impacto da recessão econômica, esses segmentos também estiveram aquecidos, o que indica que continua crescendo a participação das mulheres no mercado de trabalho. A Pnad 2009 será divulgada no fim deste ano.

Número subestimado
A pesquisadora afirma que o número de horas dedicadas à casa apontado pela pesquisa está subestimado. Segundo Araújo, os dados referentes ao trabalho realizado pelo homem dentro do domicílio também podem estar distorcidos. "Existe o preconceito de que trabalho doméstico é coisa de mulher e, portanto, não é valorizado."

O professor da Unicamp Claudio Dedecca reforça essa percepção: "Os homens podem responder ao pesquisador do IBGE que o tempo para lavar o carro conta como afazer doméstico. E, por outro lado, a mulher pode não considerar atividades como a de levar os filhos à escola porque acha que são coisas normais do dia a dia".

O IBGE incluiu a pergunta sobre dedicação a essas tarefas em 2001. Mas, mesmo com a ressalva de que o número do IBGE pode estar aquém do real e de que a pesquisa é recente -e, portanto, a base de dados para a análise ainda é limitada-, Dedecca diz que a diminuição das horas dedicadas ao lar revela avanço na sociedade.

"Uma parte do trabalho doméstico não se pode exteriorizar -por exemplo, a atenção dedicada à formação dos filhos. Mas outra parte espero que o poder público assuma, com escola integral, creches etc."

Classes sociais
Os números do IBGE também revelam que, quanto menor é a escolaridade -e, por conseguinte, a renda-, maior é o tempo dedicado à casa. Mulheres que estudaram 15 ou mais anos empregam quase a metade do tempo nessas tarefas do que o gasto pelas que frequentaram a escola por até um ano.


Sobe número de homens que têm tarefas no lar (Dinheiro)

O percentual de homens que declaram fazer algum tipo de tarefa doméstica cresceu em relação ao início da década. Em 2008, 45,3% dos homens disseram ao IBGE que as realizam, ante 42,5% em 2001, quando a pesquisa começou a ser feita no país.

Apesar de mais homens se dedicarem ao cuidado da casa, caiu o número de horas gastas nessas atividades -de 10,94 para 9,71 por semana no período.

Segundo os especialistas, o avanço do número de pessoas que moram sozinhas é um dos fatores que contribuem para aumentar o percentual dos homens que declaram realizar as atividades domésticas. Mas isso não explica tudo. "Há uma moral machista arraigada, que ajuda a subestimar o trabalho doméstico dos homens. Há os que moram sós e que declaram não fazer nenhum afazer doméstico", diz Claudio Dedecca, professor da Unicamp.

Diferentemente do que ocorre com as mulheres, o número de horas que os homens dizem dedicar à casa não varia muito conforme a escolaridade. A diferença do tempo empregado é de menos de uma hora entre os que estudaram até um ano e os que frequentaram a escola por 15 ou mais anos.

Sobre a divisão das tarefas entre o casal, Dedecca afirma que os dados mostram uma reacomodação do trabalho em casa. "Quando a mulher casada entra no mercado, ela melhora as condições em que negocia a divisão de responsabilidades. Agora parece ser o momento da briga, da discussão para redistribuí-la."




Valor Econômico


STF deve julgar pedido de habeas corpus de Arruda na quarta-feira
               
Juliano Basile e Paulo de Tarso Lyra

O governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), deverá permanecer preso, no mínimo, até quarta-feira, data prevista para o julgamento de seu pedido de habeas corpus pelos onze ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

"Tantos outros ficam (presos). Por que esse paciente (Arruda) não ficaria?", afirmou o relator do processo, ministro Marco Aurélio Mello. "Processo para mim não tem capa, processo para mim tem conteúdo", completou. O ministro quis enfatizar que, para ele, os julgamentos não devem ser acelerados por causa do cargo das pessoas envolvidas e que todos devem ter tratamento igual da Corte.

A prisão de Arruda foi determinada no último dia 11 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e confirmada um dia depois por Mello. Ambos concluíram que o governador afastado teria obstruído o trabalho da Justiça. Ele foi acusado pelo Ministério Público de subornar uma testemunha que iria depor à Polícia Federal sobre o escândalo de compra de votos de deputados distritais, conhecido como mensalão do DEM.

Normalmente, o STF julga os pedidos de habeas corpus nas turmas. Elas são compostas por cinco ministros e os julgamentos são realizados nas terças-feiras. Isso levaria o pedido de Arruda para a 1ª Turma, onde Mello atua, e o julgamento seria realizado na próxima terça. Mas, ontem, o ministro afirmou que há dois fatos que devem levar o caso para o plenário.

Primeiro, Mello disse que há questão constitucional envolvida. Ele se referiu ao fato de a Lei Orgânica do DF exigir a aprovação da Câmara Legislativa para a abertura de ação penal contra o governador. Em dezembro, o Ministério Público Federal ingressou no STF com ação contra essa lei, alegando que ela é inconstitucional. Com isso, o Supremo poderá julgar o habeas de Arruda e a Lei Orgânica do DF no mesmo dia. E o julgamento da constitucionalidade da Lei só pode ser feito no plenário.

O segundo fato é que o habeas corpus de Arruda foi negado pela Corte Especial do STJ - o órgão máximo daquele tribunal. Por esse motivo, caberia levar o caso ao plenário, a instância máxima do Supremo.

O STF dá prioridade para os pedidos de habeas corpus, já que eles envolvem a pena de privação de liberdade - um tema bastante caro para os ministros que costumam decidir pela soltura de pessoas nos casos em que não existe sentença pela condenação. Mas, no caso de Arruda, não haverá prazo para julgar o habeas nessa semana.

Apenas ontem, a decisão de Mello foi encaminhada ao Ministério Público Federal que terá dois dias para fazer novo parecer aos ministros do STF para indicar as razões da prisão.

"A posição do MPF já é mais do que conhecida", disse o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. "A prisão é necessária para assegurar que as investigações e a coleta de provas prossigam sem que testemunhas sejam corrompidas ou ameaçadas", continuou. Mesmo conhecida, a posição de Gurgel terá de ser enviada formalmente ao STF, sob a forma de um parecer, até sexta-feira.

Somente com esse parecer, Mello fará o seu voto. O ministro disse que, como se trata de pessoa presa, vai indicar o julgamento para a sessão de quarta-feira. "Por versar situação de paciente preso, o habeas não pode ficar aguardando. Se o processo vier, colocarei na quarta-feira", confirmou Mello.

Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou que vai evitar envolver-se diretamente no escândalo do DEM do Distrito Federal. Alegando dificuldade em abrir espaço na agenda, a assessoria do presidente não aceitou o pedido do governador interino do Distrito Federal, Paulo Octávio, para uma audiência com Lula no Centro Cultural Banco do Brasil. Segundo pessoas próximas do presidente, Lula não quer tornar-se protagonista de um problema que não é dele. "O governo não vai agir política ou partidariamente em um assunto que é institucional", disse um ministro com gabinete no Palácio. Outra data para o encontro ainda está em análise.

Desde a semana passada, quando assumiu o governo do Distrito Federal após a prisão e posterior licença do titular José Roberto Arruda, Paulo Octávio tenta marcar um encontro com o presidente Lula. O governador em exercício quer pedir ao presidente Lula para que não apoie o pedido de intervenção no Distrito Federal, solicitado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Para um auxiliar do presidente, esse assunto ainda não está na alçada do presidente Lula. "O debate sobre a intervenção federal está sendo travado no Judiciário. Não é o presidente quem decide isso, é o Supremo Tribunal Federal", concluiu um ministro próximo ao presidente.

Durante viagem a Goiânia, na sexta-feira, o presidente disse que a imagem da prisão do e Arruda deveria servir de exemplo aos políticos para que outros casos de corrupção não se repitam. "Obviamente que eu fico chocado quando eu vejo as denúncias de corrupção nesse país. É uma coisa absurda a gente imaginar que no século 21 isso acontece no Brasil", teria afirmado.


Temer tenta colocar benefícios a servidores em pauta

Caio Junqueira

Dois projetos que reestruturam as carreiras de servidores do Judiciário e do Ministério Público da União podem, de uma só vez, aproximar o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), do funcionalismo público e potencializar a candidatura dos partidos de esquerda do Distrito Federal, tendo em vista o vácuo político deixado com a prisão do ex-governador José Roberto Arruda (sem partido).

Possível vice da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), na chapa governista para a campanha presidencial, Temer prepara uma agenda legislativa paralela à do Palácio do Planalto para este ano. Entre os projetos há dois que atendem interesses dos servidores do Poder Judiciário e do Ministério Público. Os projetos destoam da agenda legislativa do governo, que já tem, além do pré-sal, suas prioridades elencadas para o semestre, como as 11 medidas provisórias que chegam do Executivo e outras duas advindas do Senado.

A preferência de Temer por esses projetos, além de agradar à sua própria classe -, ele é jurista e procurador aposentado do Estado de São Paulo - também o coloca em sintonia com a oposição ao DEM e a Arruda, grandes interessados no desenrolar da crise política que atinge o Distrito Federal.

De autoria do Supremo Tribunal Federal e tendo empenho pessoal pela aprovação do seu presidente, ministro Gilmar Mendes, a reestruturação das carreiras do Judiciário estabelece reajuste de 56,42% aos servidores do Judiciário da União, com impacto no Orçamento estimado em R$ 6 bilhões. O projeto atinge os mais de 100 mil servidores do Judiciário do país e tem sido pauta constante dos sindicalistas, que em 2009 fizeram greve de 20 dias para pressionar por um acordo. Eles pediam reajustes de 80,17%, mas o STF avaliou que isso poderia levar funcionários a ganharem mais do que magistrados em início de carreira.

Um dos principais articuladores da negociação foi o presidente recém-eleito do PT do Distrito Federal, Roberto Policarpo, coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário e do Ministério Público da União (Sindjus) e candidato a deputado federal neste ano. É ele também um dos expoentes do movimento de oposição a Arruda, preso quinta-feira acusado de tentativa de suborno.

A possível colocação em pauta do projeto ampliou os desafios de Policarpo. Além de ter que liderar as pressões para que o projeto seja aprovado até 31 de agosto de forma que possa entrar para o Orçamento de 2011, ele precisa encontrar um jeito de capitalizar isso para a sua campanha à Câmara e acalmar os ânimos dos petistas do Distrito Federal, ansiosos com a possibilidade de ocupar o Palácio do Buriti, sede do governo, a partir do próximo ano. Há uma disputa entre o ex-ministro dos Esportes Agnello Queiroz e o atual deputado federal Geraldo Magela.

Relator do Orçamento de 2010, Magela foi um dos apoiadores da chapa vencedora do Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério Público da União, que tomou posse há duas semanas e também pleiteia a aprovação de uma reestruturação do plano de carreira da categoria. O projeto é similar ao do Judiciário e tem apoio do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. A diferença é que seu impacto, por conta do menor número de servidores, é seis vezes menor: R$ 1 bilhão.

Até a deflagração da Operação Caixa de Pandora pela Polícia Federal, em novembro, Magela havia desistido de concorrer à sucessão do então governador Arruda, cujas intenções de voto nas pesquisas apontavam para uma reeleição tranquila. Queiroz é que iria para o sacrifício.

Com a derrocada de Arruda e do DEM do Distrito Federal, Magela voltou atrás, sob a justificativa de que o cenário político mudou. O recuo rachou o PT da capital do país, que, para acalmar os ânimos, tem ventilado buscar uma espécie de intervenção branca do Palácio do Planalto e lançar o ex-deputado Sigmaringa Seixas, muito próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Como a base petista em Brasília é preponderantemente formada por funcionários públicos, uma tramitação mais célere dos projetos na Câmara, com a ajuda de Temer, tende a favorecer o PT local. Os projetos aguardam a apreciação de pedidos de urgência, o que faria com que pudessem ser analisados diretamente pelo plenário, sem passar pelas comissões. O governo pediu tempo para que o Ministério do Planejamento avalie os impactos orçamentários, mas há acordo para que tão logo isso seja feito, os projetos sejam votados no plenário.

O autor dos requerimentos de urgência foi o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), terceiro colocado na disputa ao governo em 2002, mas que agora está de olho no Senado. De preferência na vaga atualmente ocupada por Adelmir Santana, do DEM, antigo partido de Arruda.


 

Correio Braziliense


Jogo de cena para os aposentados
Oposição e parte dos governistas insistem em aumentar o percentual de reajuste das aposentadorias a fim de agradar a 8 milhões de segurados do INSS. Em período pré-eleitoral, repetem ofensiva que não deu certo nos últimos anos

Flávia Foreque

Em ano eleitoral, a oposição promete usar o debate do reajuste das aposentadorias para desgastar o governo com os beneficiários da Previdência Social. Parlamentares já incluíram na medida provisória (MP) que aumentou o salário mínimo para R$ 510 - em tramitação na Câmara dos Deputados - emendas que concedem o mesmo aumento do piso salarial a todas as aposentadorias e pensões, iniciativa que, se aprovada, renderá frutos a 8 milhões de segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que recebem mais de um mínimo por mês. Preocupados com a repercussão do debate nas urnas, integrantes de legendas governistas também prometem lutar pela paridade da correção dos valores, mesmo a contragosto do Palácio do Planalto.

Conforme decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo não aceita aplicar às aposentadorias acima de um mínimo o mesmo percentual de reajuste do piso salarial. A oposição aproveita o embate para atacar. "Acho (o reajuste) justo. O governo loteou o Estado, aumentou o número de salários e de servidores e só os aposentados ficaram de fora", afirma o senador Demostenes Torres (DEM-GO). "Vamos usar toda a oportunidade que tivermos para colocar os inativos numa posição de maior dignidade", completa. O governo argumenta que as contas da Previdência não suportam o aumento de gastos com a proposta, avaliado em cerca de R$ 6 bilhões por ano.


No ano passado, a pressão para aprovar a proposta, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), incluiu galerias lotadas, entrega de panfletos nos gabinetes e conversas com parlamentares nos corredores. O governo venceu a queda de braço. Este ano, a Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas (Cobap) pretende fazer ainda mais barulho. O presidente da entidade, Warley Martins, reconhece o jogo político que envolve o tema e pretende usar o clima pré-eleitoral a favor da categoria. "Pode ser que eles usem (a discussão do tema) politicamente, mas não estamos nem aí, desde que votem nosso projeto. A gente vai colocar outdoor na rua com o nome de quem trair os aposentados", ameaça.


Sem concessão

O deputado Pepe Vargas (PT-RS), relator da MP que trata do reajuste do mínimo, afirma que tanto barulho pode ter pouco efeito. "Uma matéria como essa se faz com um processo de mobilização e pressão legítima, mas chega um determinado momento em que é preciso sentar e negociar o avanço possível, ou vão acabar não levando nada", diz Vargas. O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), lembra ainda que o aumento do benefício dos aposentados não está previsto no Orçamento deste ano e afirma que a pressão dos aposentados pode prejudicar a política de reajuste do mínimo. "O salário mínimo não vai ter o reajuste alto como nós queremos. Isso vai prejudicar os trabalhadores e parte dos aposentados", argumenta o petista.

No ano passado, depois de longa negociação com associações de aposentados e centrais sindicais, o Executivo editou medida provisória concedendo reajuste de 6,14% aos 8 milhões de aposentados que ganham acima do mínimo, mas o percentual não agradou a todas as entidades. O percentual concedido superou o estabelecido na Constituição, que era a mera reposição da inflação (cerca de 4%). O objetivo do governo era não só garantir um aumento real do benefício como retirar do Congresso projetos de interesse da categoria que aumentam de forma significativa as despesas da previdência.


As propostas tratam, por exemplo, da vinculação das aposentadorias ao número de salários mínimos à época da concessão do benefício e o fim do fator previdenciário, criado para reduzir o valor do benefício de quem se aposenta mais cedo. Relator do projeto sobre o fator previdenciário, o deputado Pepe Vargas afirma que não há condições de votá-lo no congresso. "É óbvio que todo mundo quer o melhor reajuste do mundo. Resta saber aquilo que é possível ou não", afirma o petista.





Gazeta do Povo


Guardas municipais avisam Prefeitura que entrarão em greve no dia 22
Indicativo foi definido em assembleia na sexta-feira, mas Prefeitura afirma que ainda não foi notificada oficialmente sobre a paralisação

Felippe Aníbal

Os guardas municipais de Curitiba encaminharam, na tarde desta quarta-feira (17), um ofício à Prefeitura, informando que a categoria deliberou, em assembleia, por entrar em greve por tempo indeterminado. A paralisação será iniciada à zero hora de segunda-feira (22) e o Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba (Sismuc), que representa a categoria, se comprometeu a manter 30% do efetivo dos guardas nas ruas, conforme determina a legislação.

A Prefeitura estranhou o indicativo de greve, pois considera que apresentou proposta com ganhos reais aos guardas municipais. Até o final da tarde desta quarta-feira, por meio de sua assessoria de imprensa, a Prefeitura informou que ainda não havia recebido a notificação oficial sobre a greve e que aguardava o ofício para definir que providências serão tomadas.

Na quinta-feira (18), uma comissão do comando de greve deve percorrer os locais de trabalho dos guardas municipais, comunicando as deliberações da assembleia e convidando-os para aderir à paralisação. Também estão previstas ações para informar a população sobre a paralisação, como carreatas e panfletagem nas ruas do centro e a manutenção da vigília em frente ao prédio da Prefeitura.

A greve dos guardas municipais foi definida após uma assembleia realizada na sexta-feira (12), após a Prefeitura ter apresentado uma nova proposta, que considera "muito positiva, com 6% de ganhos reais", segundo a assessoria de imprensa. A oferta é de salário de R$ 1,3 mil, mais benefícios no plano de carreira.

Os guardas municipais, no entanto, reivindicam que o piso salarial seja fixado em R$ 1,3 mil, além da gratificação de risco de 50% sobre o salário base. O Sismuc garante que as exigências fazem parte de um acordo firmado com membros da administração municipal, em novembro do ano passado. No dia 1º de fevereiro, a categoria iniciou uma vigília, acampando em frente à prefeitura.


Usina de Florestópolis dispensa cortadores de cana em greve
Os cortadores de cana estão com os salários atrasados e a empresa alega que não possui dinheiro para fazer o pagamento dos 1,3 mil trabalhadores

Daniel Costa e Fernando Araújo

A diretoria da Usina de Cana de Açucar Cofercatu, de Florestópolis, no Norte do Paraná, não chegou a uma proposta para o pagamento dos 1,3 mil cortadores de cana que entraram em greve na última segunda-feira (15) por atraso nos salários de janeiro. Na reunião da diretoria realizada na tarde de quarta-feira (17), a empresa decidiu que todos os funcionários estão dispensados até que seja encontrada uma forma de fazer o pagamento. Uma das soluções analisadas são linhas de financiamento bancário, mas que devem apenas ser definida na próxima semana. 

Segundo o gerente administrativo da Cofercatu, Sérgio Eufrazino, a reunião de quarta-feira foi apenas a primeira de várias e, por enquanto, não há proposta a ser feita. Ainda conforme ele, anteriormente à paralisação, o acordo com os cortadores era para que o trabalho continuasse até que a empresa pudesse vender sua produção e obter recursos. "Não temos dinheiro e a usina precisa de dias moendo. Agora o pessoal está dispensado até segunda ordem".

A decisão pegou os cortadores de cana de surpresa. Eles planejavam ir até a sede da usina na manhã de quinta-feira (18) para saber qual a decisão, mas foram surpreendidos com a informação de que não há proposta e que todos devem esperar em casa uma definição. Os trabalhadores continuam irredutíveis quanto à necessidade de receber os atrasados. "Se eles não pagarem todo o montante atrasado não vamos voltar", afirmou a trabalhadora Francisca Rodrigues de Souza, 35 anos.

Os cortadores afirmam que ainda não receberam o salário referente ao mês de janeiro, que varia entre R$ 600 e R$ 700. "Meu marido que é fiscal de corte está com dois meses de atraso. Temos dois filhos e precisamos pagar aluguel, energia elétrica e fazer as compras no mercado. A situação está muito complicada", ressaltou.

O grande volume de chuvas é considerado pela empresa o principal empecilho para a produção e obtenção de recursos. Segundo Eufrazino, desde o início da safra, em sete de maio de 2009, os trabalhadores ficaram mais de 2,7 mil horas paradas em razão das chuvas. Com o tempo instável, Eufrazino explicou que não há como retirar a cana-de-açúcar das plantações, diminuindo a produtividade da empresa. "Isso representa mais de 100 dias parados, com nossos custos fixos. Levamos até onde conseguimos, mas agora não conseguimos quitar os salários. Com o grande excesso de chuva os caminhões não conseguem chegar às plantações", disse.

Queda na produção
Os reflexos do excesso de chuvas já provocaram uma redução no volume de etanol produzido no Paraná em 2009. Segundo informações da Associação de Produtores de Álcool e Açúcar do Estado do Paraná (Alcopar), o estado apenas moeu 43 milhões de toneladas das 53 milhões de toneladas disponíveis de cana de açúcar. Essa diferença resultou em 470 milhões de litros de álcool que deixaram de ser produzidos. No ano passado, o Paraná produziu 2,402 milhões de toneladas de açúcar e 1,781 bilhões de litros de álcool.

Mistura menor na gasolina
A queda na produção também refletiu no encarecimento do álcool nos postos e obrigou o governo federal a reduzir a proporção do combustível na mistura com da gasolina, passando de 25% para 20%, no início de janeiro de 2010. Com a medida, o governo esperava aumentar o volume do produto disponível para abastecer os carros com etanol nesta entressafra. A redução entrou em vigor no dia 1º de fevereiro e vale por 90 dias.

 
 

TribunadoBrasil.com.br


PO aguarda decisão do DEM

A assessoria de imprensa do governador em exercício Paulo Octávio informou que ele pretende aguardar a decisão do DEM sobre o seu destino, em reunião que deve ocorrer na próxima terça-feira (23). Antes desse prazo, segundo a mesma assessoria, não há possibilidade de o Democrata o desfiliar da legenda. "O que mais preocupa o governador, no momento, é a questão do DEM e a manutenção da governabilidade", revelaram assessores.

Ao contrário do que a imprensa noticiou nos últimos dias, não há previsão para o encontro entre o presidente Lula e o governador interino. Segundo a assessoria de imprensa da Presidência, a iniciativa da reunião não partiu do Palácio do Planalto. Em pauta, a questão da governabilidade no Distrito Federal e a possibilidade de intervenção, solicitada pela Procuradoria Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada. Na agenda da Presidência da República de ontem constava apenas reuniões para despachos internos e um encontro entre o presidente e o governador de Tocantins, Carlos Henrique Gaguim.


A questão dos pedidos de impeachment na Câmara Legislativa do Distrito Federal "tem peso secundário" para Paulo Octávio, acrescentou sua assessoria, que negou que o governador esteja tratando dessa questão diretamente com os deputados distritais, atribuição que está ao encargo da Consultoria Jurídica do GDF. "Os contatos com os distritais têm tido o objetivo único de manter a base de sustentação do Governo na Câmara Legislativa", esclarece a assessoria.
Na verdade, Paulo Octávio se debate em várias frentes para viabilizar a governabilidade do DEM no Distrito Federal. Além da ameaça de expulsão pelo partido, ele enfrenta, ainda, quatro pedidos de impeachment na Câmara Legislativa e a possibilidade de intervenção da União no GDF, conforme pedido feito pelo procurador-geral da República ao Supremo Tribunal Federal (STF).


Intervenção é uma possibilidade remota
Na avaliação dos ministros aposentados Carlos Velloso e Maurício Corrêa - que presidiram a Corte nos períodos 1999-2001 e 2003-2004, respectivamente - a solicitação do procurador dificilmente será deferida pelo Supremo, a fim de assegurar três princípios constitucionais constantes do artigo 34: "a forma republicana, o sistema representativo e o regime democrático". Ambos apostam numa posição "cautelosa" do tribunal, como um todo. Na avaliação de Velloso, a intervenção é uma "medida extrema que quebraria a ‘nomenclatura sucessória' estabelecida na Constituição ".

As ressalvas feitas por Velloso e Corrêa são reforçadas pelo ministro do STF, Marco Aurélio Mello, para quem esta possibilidade só ocorre quando o político é condenado em última instância. Não é o caso, pois o processo de Arruda ainda se encontra em fase inicial.


Os quatro pedidos de impeachment conta o governador em exercício, Paulo Octávio, foram encaminhados por representantes locais da Central Única dos Trabalhadores (CUT-DF), Partido dos Trabalhadores (PT-DF), Partido Socialista Brasileiro (PSB-DF) e da OAB-DF.

 

 

Rádio Web - Jornal Brasil Atual


Sindicato dos Jornalistas pretende filiar os "sem diploma"

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo anuncia que pretende filiar jornalistas sem diploma, mas que exerçam a profissão. A entidade defende que diante do fim da exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão os sindicatos devem assumir uma posição unitária sobre o assunto. O presidente do Sindicato, José Augusto Camargo, enfatiza que a iniciativa é apenas uma proposta que deverá ser discutida na Federação Nacional dos Jornalistas. Para ouvir acesse:

http://www.jornalbrasilatual.com.br/pop-player.asp?nm_caminho_audio=informe_cut_2010_2_18_8_12_3_32.wma&nm_audio=Sindicato+dos+Jornalistas+pretende+filiar+os+%22sem+diploma%22  

Os desafios do PT 3 décadas depois da fundação

O Jornal Brasil Atual desta quinta-feira, 18, fala sobre o IV Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, o PT, que começa hoje e vai até sábado, 20,  em Brasília. No encontro deste ano, os desafios e as lutas frente ao novo quadro político social brasileiro, três décadas após sua fundação, em fevereiro de 1980. Quem falou sobre o assunto foi o presidente estadual do PT em São Paulo, Edson Antônio da Silva, o Edinho. Para ouvir acesse:

http://www.jornalbrasilatual.com.br/pop-player.asp?nm_caminho_audio=destaque%5F2010%5F2%5F18%5F8%5F9%5F18%5F87%2Ewma&nm_audio=Os+desafios+do+PT+3+d%E9cadas+depois+da+funda%E7%E3o


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