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Clipping 19/02/10

Escrito por William Pedreira
19/02/2010

Edição nº 1520 sexta, 19 de fevereiro de 2010
Fechamento: 08:55


Edição número 1520 sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

 


Fechamento: 08h55

 


Veículos Pesquisados:

 

Clipping CUT é um trabalho diário de captação de notícias realizado pela equipe da

Secretaria Nacional de Comunicação da CUT. Críticas e sugestões com

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William Pedreira (estagio.imprensa@cut.org.br)

Secretária de Comunicação: Rosane Bertotti (rosanebertotti@cut.org.br)





O Estado de S.Paulo



PT defende gradualismo no combate à inflação
Congresso discute documento de Nelson Barbosa, da Fazenda

Fabio Graner (Nacional)

Cotado para compor o staff econômico de Dilma Rousseff caso ela vença as eleições presidenciais, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, avalia que o gradualismo na política de redução da inflação no governo Lula permitiu que o País acelerasse o crescimento da economia, sem que o Banco Central pesasse a mão na dosagem das taxas de juros. Essa estratégia só foi possível porque a meta de inflação foi mantida no patamar "realista" de 4,5%. Ele defende essa linha de atuação de política econômica em artigo que escreveu para o livro 2003-2010, o Brasil em Transformação, que está sendo lançado pela Fundação Perseu Abramo no 4º Congresso do PT. O congresso se encerra amanhã, quando Dilma será aclamada candidata do partido à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para Barbosa, a questão-chave na dosagem das taxas de juros é a definição da velocidade com que a inflação converge para o centro da meta, uma mudança que, em alguns momentos, colocou em lados opostos o Ministério da Fazenda, conduzido por Guido Mantega, e o Banco Central, comandado por Henrique Meirelles. "Se você tentar reduzir a inflação muito rapidamente, você põe a economia estagnada. Se tentar reduzir a inflação muito devagar, tem mais crescimento, mas tem o risco de a inflação não cair. Entre esses dois extremos é que é preciso administrar a política monetária, e foi o que fizemos'', avaliou.

A tese do secretário é que, a despeito das análises de oposicionistas que identificam semelhanças entre a política econômica de Lula e a dos dois governos de Fernando Henrique Cardoso, há muitas diferenças. Barbosa afirma que a atual gestão, de fato, manteve a estrutura iniciada no governo tucano: metas de inflação, câmbio flutuante e metas fiscais. Mas o que diferencia - e o que considera como o ponto que explica as taxas de crescimento econômico bem mais elevadas a partir de 2006 - é a forma como o governo Lula praticou essa política. Ele lembra que desde 2003 o atual governo adota uma postura pragmática de administrar os extremos na condução da política macroeconômica.

POLÍTICA MONETÁRIA
A política de redução dos juros reais nos últimos anos é um dos itens que explicitaria essa diferença. Barbosa disse que nesse sentido foi crucial a manutenção da meta de inflação em 4,5%, em uma batalha vencida pela Fazenda em 2006, e especialmente 2007, contra o BC, que queria reduzi-la para 4%. "A política monetária não é inocente em termos de taxa de crescimento. Em economia, frequentemente nós temos aquela situação de profecias autorrealizáveis", disse Barbosa. Ele exemplifica com o seguinte raciocínio: se o BC tentar uma taxa de inflação muito baixa, ele joga o crescimento da economia para baixo.

Com isso, gera expectativas de que a economia não pode crescer mais. "O investimento se adapta e a economia fica presa no que a gente chama de armadilha de baixo crescimento", definiu.

Na política cambial, segundo ele, também houve uma administração de posições extremadas. Sem abrir mão do regime de câmbio flutuante, o governo atuou comprando dólares, reforçou as reservas internacionais e reduziu a chamada vulnerabilidade externa, que é o risco de faltarem dólares para o País honrar seus compromissos no exterior.

No artigo, Barbosa defende a política fiscal praticada nos últimos anos e garante que a "maior contribuição" foi estabelecer o princípio de que é possível ter equilíbrio fiscal com responsabilidade social. Segundo ele, o equilíbrio nas contas públicas não é incompatível com maior presença do Estado. Ele rebate as críticas sobre o aumento da carga tributária. Para Barbosa, quem ataca esse ponto da política econômica não considera que parte significativa da arrecadação dos últimos anos foi devolvida à sociedade por meio dos programas de distribuição de renda. "Por isso não houve recessão", disse.


Dilma antecipa ida a congresso para alfinetar tucanos

Clarissa Oliveira e Wilson Tosta (Nacional)

Em um discurso para delegações estrangeiras convidadas para o 4º Congresso do PT, a ministra Dilma Rousseff subiu o tom e deu uma prévia do que planeja para o lançamento de sua pré-candidatura à Presidência, amanhã. A portas fechadas, afirmou que estão montados "alicerces fortes" para construir o futuro do Brasil. De quebra, não perdeu a chance de alfinetar o PSDB.

Dilma reclamou, por exemplo, do apelido "Bolsa-Esmola", dado ao programa Bolsa-Família. "Nossos adversários não tinham ideia da dimensão econômica que o projeto teria. Agora, têm de admitir que isso ajudou o nosso governo a tirar 20 milhões de pessoas da miséria", disse, segundo relato de petistas que assistiram ao discurso.

Na fala, ela também tentou abocanhar parte da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no exterior. Falou sobre o avanço da política externa brasileira e deu atenção especial à relação Brasil-Estados Unidos. "Quem sabe se valorizar é valorizado lá fora."

A presença da ministra ontem pegou de surpresa alguns petistas. Na cúpula partidária, entretanto, a avaliação era a de que ela não podia deixar de ganhar visibilidade no exterior. Circula no PT um plano para mobilizar filiados que vivem fora do Brasil a votarem na ministra na eleição presidencial. A estratégia chegou a ser exposta em um texto elaborado durante um encontro ocorrido em Lisboa, em janeiro. O documento serviria de base para um projeto de resolução para o congresso, mas não chegou a ser incluído na pauta de votação.

O tom, porém, não é o mesmo seguido por Dilma em seu discurso. Ao analisar a conjuntura internacional, o texto fala em uma "contraofensiva" da direita para recuperar espaço na América Latina.


BNDES pode receber mais R$ 40 bi para financiar compra de máquinas
Tesouro estuda liberar dinheiro para compra subsidiada de equipamentos voltados para aumento de produção

Irany Tereza e Alexandre Rodrigues (Economia)

O governo prepara nova injeção de recursos do Tesouro Nacional na renovação das linhas de crédito subsidiadas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)para compra e exportação de bens de capital. A ideia é de um reforço de R$ 30 bilhões a R$ 40 bilhões, o que dobrará os recursos disponíveis no Programa de Sustentação do Investimento (PSI), nome oficial da linha de crédito lançada no ano passado, em caráter de emergência, em meio à crise econômica.

Atendendo a uma solicitação do Ministério da Fazenda e do Tesouro, o BNDES enviou, no início do mês, um documento com as justificativas para elevar os recursos do programa. O principal argumento é que o PSI tem ajudado a elevar a taxa de investimento da indústria. De acordo com fonte do governo, já há uma corrente que defende a manutenção do programa até dezembro. Mas ainda há preocupação quanto ao custo fiscal do benefício.

Lançado em julho do ano passado, como instrumento de redução dos impactos negativos da crise sobre a produção industrial, o programa tinha prazo para terminar - 31 de dezembro do mesmo ano - e recebeu R$ 40 bilhões do Tesouro para equalizar as taxas subsidiadas dos empréstimos do BNDES. Ou seja, o BNDES baixou os juros para as indústrias comprarem equipamentos e máquinas e o Tesouro entraria com a parcela restante para igualar os juros à remuneração mínima, evitando prejuízos para o banco.

Com isso, o BNDES pôde reduzir à metade, para o tomador final, os juros para aquisição e exportação de bens de capital. No Finame, linha de crédito tradicional para a indústria, a taxa anual ficava em torno de 10% ao ano; no PSI, passou, em média, a 4,5% ao ano. A prorrogação até junho deste ano já havia sido decidida. No encerramento de 2009, o PSI aprovara projetos de R$ 37,1 bilhões, sendo 75% (R$ 28,1 bilhões) para o segmento de bens de capital.

Foi, segundo estimativas preliminares do banco, a iniciativa com melhor resposta dos setores que compram máquinas e equipamentos. Técnicos do BNDES já identificaram uma tendência de desconcentração dos recursos em relação às operações da linha Finame com o PSI, indicando que mais empresas estão tomando empréstimos para investir em máquinas e equipamentos.

No início do programa, os pedidos eram especificamente para troca de máquinas. Agora já são estão sendo identificados investimentos novos. A média diária de liberação da linha direta para bens de capital havia atingido R$ 154 milhões em setembro de 2008. Com a crise, caiu a R$ 61 milhões em julho de 2009, quando foi lançado o PSI. Em dezembro, alcançou R$ 182 milhões.

"Outro dia ouvi de um grande fabricante de bens de capital que, na sua base de clientes, há muitas pequenas empresas que não estão apenas substituindo máquinas. Estão comprando equipamentos novos", disse ontem o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que não comentou uma possível prorrogação do programa.

O presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (Simpi), Joseph Couri, disse que os pequenos industriais aguardam a prorrogação do PSI para manter planos de investimentos. Segundo ele, a sugestão foi levada por ele e outros líderes de segmentos industriais à última reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, em dezembro. Ele acredita numa definição até a próxima reunião, em março.


Janeiro registra recorde de emprego
No melhor resultado para o mês desde 92, segundo o Caged, 181.419 vagas foram abertas; indústria puxa contratações

Jacqueline Farid (Economia)

O mercado de trabalho formal do País iniciou o ano com geração recorde de vagas. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) registrou abertura de 181.419 postos formais de trabalho em janeiro, o melhor resultado para o mês do levantamento do Ministério do Trabalho, iniciado em 1992. O desempenho foi comemorado pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que mantém a meta de geração de dois milhões de vagas formais em 2010.

Ele destacou sobretudo a geração, também recorde, de vagas na indústria. "O resultado de janeiro me faz ter mais certeza do cumprimento dessa meta, há essa tendência", disse Lupi, que acredita que nem mesmo um eventual aumento da taxa básica de juros (Selic) poderá impedir o governo de atingir a meta. "Se tiver algum aumento da taxa de juros, para o qual eu trabalho contra e torço para que não tenha, será muito pequeno e não influenciará a geração de empregos", afirmou.

Mas o economista da PUC Rio e da Opus Gestão de Recursos José Márcio Camargo acredita que a esperada alta dos juros terá sim uma influência, mesmo que moderada, sobre o mercado de trabalho. Ele explica que, com a alta dos juros, os empresários poderão concluir que haverá redução da atividade e, assim, menos contratações. "Mas isso (o efeito) não ocorre em curtíssimo prazo, nem será muito grave."

Camargo, assim como Lupi, acredita na possibilidade de geração recorde de vagas este ano - "é muito possível", disse -, mesmo que aponte alguns riscos. Além dos juros, ele cita o cenário de risco soberano nos países do sul da Europa. O economista acredita que um agravamento da crise nesses países poderá levar a uma restrição internacional de crédito, comprometendo um pouco as perspectivas de crescimento da economia brasileira.

"Não seria um efeito tão forte como o que ocorreu no fim de 2008, mas a falta de crédito afeta o nível de produção e emprego muito mais rapidamente que outros fatores, como juros", explicou Camargo. O número de novos postos de trabalho superou até mesmo a expectativa do ministro, que em projeção feita há duas semanas apontava que seriam geradas "mais de 142 mil vagas". Para o ministro, todos os setores (indústria, comércio e serviços) vão contribuir para o alcance da meta no ano.

Riscos à parte, os dados do Caged apresentados ontem injetaram ainda mais otimismo no desempenho do mercado de trabalho nos próximos meses.

INDÚSTRIA
Em janeiro, a indústria de transformação gerou 68.920 vagas de trabalho formais, recorde histórico do setor para meses de janeiro. "Com o fim da crise e os estoques baixos, a indústria começou a contratar fortemente. É a demonstração mais forte da recuperação e do crescimento da economia do País, do aquecimento da economia brasileira", disse Lupi.

Outro recorde, também para meses de janeiro, foi batido pelo setor de serviços, com 57.899 novos postos. Lupi lembrou que esse setor costuma mostrar aquecimento no início do ano, por causa das férias que elevam o movimento no setor de turismo. A construção civil, de acordo com Lupi embalada pelo programa Minha Casa, Minha Vida, gerou 54.330 postos.

Apenas o comércio, por questões sazonais, com dispensa dos temporários contratados no fim do ano anterior, registrou redução de vagas, com menos 6.787 postos de trabalho.


Brasil tem papel central nos planos da GM
Diretor de Operações Internacionais do grupo diz que País pode ser 3.º maior mercado global em dez anos

Cleide Silva (Economia)

O Brasil tem papel importante na estratégia da General Motors em voltar à lucratividade ainda este ano. O grupo que, em 2009, passou por processo de concordata e hoje tem a maior parte das ações nas mãos do governo americano, vê nos mercados emergentes uma grande tábua de salvação. Não é à toa que o presidente de Operações Internacionais da GM, Tim Lee, empossado no início de dezembro, escolheu o País como primeiro destino da ronda que pretende fazer por vários dos 80 países que compõem essa nova divisão, criada após a reestruturação que evitou a falência da companhia.

Lee chegou ontem a São Paulo, onde permanecerá até domingo. No mesmo dia, conheceu o centro de desenvolvimento da GM do Brasil, em São Caetano do Sul (SP) e constatou que, dos 16 carros que estão sendo projetados para futuro lançamento, "75% poderão ser vendidos em vários países". O Brasil responde hoje por 20% das vendas totais da divisão internacional e "por significativa fatia dos resultados financeiros", disse o executivo, que não falou, porém, em cifras.

Lee prevê que, em dez anos, o Brasil pode ser o terceiro maior mercado mundial de veículos, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Para a GM, o mercado local já ocupa essa posição dentro das operações globais.

"Escolhi o Brasil por causa da incrível importância do seu mercado dentro da corporação", disse Lee a um grupo de jornalistas.

O executivo afirmou que a tecnologia flex brasileira pode ser adaptada a outros mercados, e que modelos híbridos e elétricos também terão participação importante nos carros do futuro. Em novembro, a GM deve iniciar a produção em série do elétrico Volt, para início de vendas nos EUA em 2011. Por enquanto, não há planos de vender o modelo no Brasil.

RETALIAÇÕES
A direção da GM disse ontem estar preocupada com a inclusão de automóveis na lista de retaliações de produtos que o Brasil importa dos EUA, prevista para ser anunciada em março. A medida, em resposta aos subsídios do governo americano aos produtores de algodão, resultaria no aumento da alíquota de importação dos produtos eleitos e pode atrapalhar os planos da companhia de importar dois carros americanos previstos para este ano. Um é o Camaro - cupê de luxo na faixa de preço acima de R$ 100 mil que será mostrado no Salão do Automóvel em outubro -, e o outro é o sedã Malibu, previsto para este semestre. "Espero que o Brasil e os Estados Unidos possam solucionar o problema sem a necessidade de impor novas taxas", afirmou Lee.

Jaime Ardila, presidente da GM do Brasil, lembrou que o carro americano já paga 35% de imposto de importação. "Se essa taxa aumentar, teremos de abandonar os estudos para trazer qualquer veículo de lá." Segundo ele, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) também está empenhada em discutir o tema com o governo brasileiro.

Lee não quis entrar em detalhes sobre a recente onda de recall de carros fabricados nos Estados Unidos, principalmente pela Toyota, que já convocou mais de 8 milhões de modelos para conserto. "Todos os fabricantes, em algum momento, podem passar pela situação de recall", disse. "O importante é garantir a satisfação dos clientes."




Folha de S.Paulo


Câmara do DF abre processo contra Arruda e Paulo Octávio
Deputados dão início a impeachment contra o governador preso e o interino

Tramitação de processo na CCJ contra interino durou menos de três horas; tanto Arruda quanto Paulo Octávio negam todas as acusações

Filipe Coutinho (Brasil)

A Câmara Legislativa do Distrito Federal abriu ontem processos de impeachment contra o governador afastado José Roberto Arruda (sem partido), preso há oito dias, e contra o vice Paulo Octávio (DEM), que está no cargo interinamente.

Os pedidos contra Arruda já estavam acordados entre os deputados desde a semana passada, quando o governador foi preso por tentativa de suborno.

No caso de Paulo Octávio, os pedidos foram apresentados na sexta-feira passada, um dia após Arruda ser preso. A tramitação do processo na Comissão de Constituição e Justiça foi recorde: menos de três horas após o interino anunciar que não renunciaria ao cargo.

Tanto no caso de Arruda como no de Paulo Octávio, os pedidos foram aprovados por unanimidade na CCJ.

O relator do impeachment dos dois é Batista das Cooperativas (PRP). Ele levou semanas para fazer o parecer no caso de Arruda -no de Paulo Octávio, 20 minutos. "O cenário mudou. É uma crise sem precedentes", disse o deputado, aliado do governador afastado.

A abertura dos processos de impeachment contra o governador e o vice revelam uma mudança de atitude entre os deputados do Legislativo distrital. Antes da crise, o governo tinha como aliados 19 dos 24 deputados. Até então, a base aliada manobrava diariamente para frear as investigações. Ontem, a decisão contra o interino foi referendada simbolicamente pelo plenário, com a aprovação de todos os presentes.

As ações contra Arruda e Paulo Octávio terão de ser julgadas pela comissão especial, instalada ontem. Na comissão, o processo pode demorar até 40 dias para ser julgado, incluindo o prazo para defesa.

A composição da comissão representa outra derrota para a dupla Arruda e Paulo Octávio: dois dos cinco membros são oposição, proporção inconcebível antes do pedido de intervenção federal no DF.

A comissão vai julgar politicamente a situação de ambos. Para não perderem os direitos políticos por cinco anos, eles devem renunciar antes que o processo chegue ao plenário, etapa seguinte da tramitação.

Paulo Octávio, que assumiu quando Arruda foi preso e afastado, há nove dias, é suspeito de ganhar 30% das propinas do mensalão. Arruda seria o chefe do esquema, de acordo com a denúncia. Ambos negam as acusações e falam em armação.

Arruda foi filmado recebendo R$ 50 mil, dinheiro que, segundo ele, era para a compra de panetones. E Paulo Octávio se complicou no caso em razão do vídeo em que seu braço direito no grupo empresarial, Marcelo Carvalho, aparece entregando pacotes ao delator do mensalão, Durval Barbosa.

As ações contra Paulo Octávio foram apresentadas por três entidades: PT, OAB-DF e CUT. No caso de Arruda, as ações vieram do PT, da OAB-DF e de dois advogados.

A rápida tramitação do impeachment contra Paulo Octávio foi mais uma maneira de tentar reverter uma possível intervenção no DF. "Essa indefinição do governador só causa mais instabilidade", disse o líder do PT, Paulo Tadeu.

Deputados do PT, do PSDB e do DEM se reuniram ontem à noite com Paulo Octávio, logo após a Câmara abrir o processo de impeachment.

Caso Arruda e Octávio sofram o impeachment, quem assume é o presidente da Câmara Legislativa do DF, Wilson Lima (PR). Ontem, ele desconversou sobre a quase renúncia de Octávio. "Trabalho com os fatos e o fato é que ele é o governador".


Militância petista encampa candidatura de Dilma

Malu Delgado e Eduardo Scolese (Brasil)

A militância petista encampou a candidatura da ministra Dilma Rousseff, a despeito de ela ter sido construída e planejada diretamente pelo presidente Lula, sem interferências da base petista.

"Ficou bonito, não ficou?", dizia um militante presente no congresso petista, mostrando aos correligionários a foto dele ao lado de Dilma, estampada numa camiseta de malha.

Importante aliado da ministra, o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) explica a simbiose do PT com Dilma, que só se filiou em 2001: "O PT assumiu a Dilma como Dilma, porque não tem que ficar comparando-a com o Lula". "Está absolutamente assumida a candidatura da Dilma pelo PT e o PT se sente parte desta decisão", explica o ministro.

Ricardo Berzoini (SP), que entrega a presidência do PT hoje a José Eduardo Dutra (SE), diz ser um "fenômeno" a adesão integral da militância petista. "Hoje o PT está totalmente unido em torno da Dilma, que foi reconhecida como a melhor candidata por representar a coordenação geral do governo Lula", afirmou.

Dilma será aclamada pré-candidata do PT à Presidência amanhã, no encerramento do congresso. Pretende, em seu discurso, aproximar-se ainda mais da militância e pedir engajamento na campanha. Tentará explorar ao máximo sua proximidade com Lula e o governo para justificar a escolha como representante legítima de um projeto.

O Congresso Nacional do PT foi meticulosamente organizado para enterrar as crises políticas que mancharam a sigla no passado e colocaram em risco a reeleição de Lula.

Em contraste com o 13º Encontro Nacional da sigla de abril de 2006 (quando os mensaleiros ou se ausentaram ou circulavam acanhados entre a militância), a reunião dos petistas de 2010 exibe uma militância "orgulhosa de ser PT".

Em meio a instalações com estrelas vermelhas, o centro de convenções foi transformado num lugar para petistas resgatarem a autoestima. Numa área recreativa organizada pelas mulheres petistas, a ex-governadora Benedita da Silva (RJ) bordava, num retalho de pano em formato de estrela, uma bonequinha. "Eu queria fazer uma Dilma, mas está difícil."

Contestação
Apesar das festividades em torno de Dilma, um tradicional aliado do PT, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), comunicou que não apoiará nenhum candidato a presidente no primeiro turno das eleições. Por conta disso, não foi convidado a falar no congresso do partido.

Para amanhã, antes do discurso no qual Lula apresentará Dilma como candidata do PT, o congresso reservou uma hora para os movimentos sociais se manifestarem. Cinco entidades foram convidadas: CUT, UNE, Coordenação de Movimentos Sociais, Central de Movimentos Populares e Contag.

A decisão do MST possui duas motivações: o distanciamento dos sem-terra com Dilma e a oportunidade de, no primeiro turno, discutir suas ideias com diferentes partidos.


Por Dilma, PT reduz presença na eleição para governador
Partido, que já teve candidato próprio em quase todo o país, agora deve concorrer somente em 12 Estados, além do DF

Estratégia da política de alianças cita explicitamente que os arranjos regionais dependem da "centralidade da eleição" da ministra

Rainer Bragon (Brasil)

Com o objetivo de eleger Dilma Rousseff em outubro, o PT vai chegar às eleições deste ano com o menor número de candidatos próprios a governador em seus 30 anos de história.

No atual cenário, a legenda encabeçará chapas estaduais em no máximo 12 Estados, mais o Distrito Federal, número bem inferior ao observado em cada uma das sete eleições estaduais que o PT participou.

Com isso, aumenta o protagonismo de partidos que hoje integram a base de sustentação de Lula, principalmente o PMDB, que indicará o vice de Dilma e que deve receber o apoio do PT em sete Estados.

Em seguida vem o PSB, que embora mantenha candidatura própria à Presidência (Ciro Gomes) tem até o momento o apoio do PT à reeleição de seus governadores Cid Gomes (CE) e Eduardo Campos (PE). O próprio Ciro terá o PT no palanque se disputar o governo paulista.

"O nosso objetivo primeiro é eleger a Dilma", diz Paulo Frateschi, secretário nacional de Organização, para quem a mudança é importante. "Antes, para ter coligação no PT era um sufoco danado." O senador Aloizio Mercadante (SP) reforça: "O projeto é dar prioridade à campanha nacional".

De fato, a política de alianças que será aprovada hoje no congresso do PT diz que os arranjos regionais devem se submeter à "centralidade da eleição da companheira Dilma".

Nas quatro primeiras eleições estaduais de que participou (1982, 1986, 1990 e 1994), o PT lançou candidaturas a governador em quase todos os Estados. Em 1994, teve suas duas primeiras vitórias -DF e ES.

Quatro anos depois (1998), o PT teve o menor número de candidaturas, 16. Mas em 2002, ano em que chegou à Presidência, encabeçou chapa em 24 Estados. Na reeleição de Lula, em 2006, foram 18.

"Isso é maturidade, é evolução partidária. De que adianta ter candidato em todo lugar e não ir para o segundo turno? Queremos compor uma maioria. Lula tem ampla base de sustentação, que tem que ser representada", afirma Cândido Vaccarezza (PT-SP), líder do governo na Câmara. O Planalto tem 14 partidos em sua base, mas nem todos apoiarão Dilma.

Os tucanos também lançaram candidatos ao governo em cerca de um terço dos Estados quando ocuparam o Planalto. Nesta eleição, o PSDB deverá ter entre 17 e 19 palanques.

Depois de PMDB e PSB, outros dois partidos da base lulista aparecem como beneficiários de possíveis apoios petistas, o PDT e o PP, herdeiro da Arena (Aliança Renovadora Nacional), sigla de sustentação do regime militar (1964-1985).

Mesmo com menor protagonismo, o PT enfrentará divergências entre aliados. Em Minas, o partido tenta lançar candidato próprio, mas pode ser forçado a apoiar uma candidatura do PMDB ou do PRB. No Rio, o governador Sérgio Cabral (PMDB) reclama da possibilidade de dividir o apoio governista com o adversário Anthony Garotinho (PR).


Presidente do Haiti pede apoio político do Brasil a fundo
Em entrevista exclusiva à Folha, René Préval afirma que é hora de o país ajudar haitianos a criar plano de longo prazo

Em Porto Príncipe, o líder destaca projetos brasileiros em segurança e agricultura e diz que a Minustah deve ficar mais tempo na região
 
Luis Kawaguti (Mundo)

O presidente haitiano, René Préval, afirmou em entrevista exclusiva à Folha que, depois de receber apoio do Brasil com assistência médica e fornecimento de alimentos e de tendas para desabrigados, deseja agora apoio político brasileiro para um plano de longo prazo para a reconstrução do país.

Esse plano envolve a constituição de um fundo para organizar e canalizar a ajuda internacional para as verdadeiras necessidades do país. Préval, que atualmente usa o prédio da Polícia Nacional do Haiti como sede de governo, falou à Folha na tarde de anteontem, durante visita ao Brabatt (Batalhão Brasileiro), na região da capital, Porto Príncipe.

FOLHA - Qual foi a importância da ajuda do Brasil após o terremoto?
RENÉ PRÉVAL - O Brasil tem muitos projetos no Haiti - em agricultura, [na redução de violência em] bairros complicados, com [a ONG] Viva Rio-, mas, na verdade, o que está acontecendo é que o povo haitiano está vendo a Minustah [missão de paz da ONU no Haiti] através do Brasil. Todos os projetos brasileiros são importantes, mas, no caso da Minustah, o Brasil ajudou bastante na melhora da segurança entre os anos de 2004 a 2006 nos bairros mais pobres da capital.

Além disso, os brasileiros também trabalharam muito para formar a polícia haitiana. E, em 2008, quando tivemos quatro furacões, as tropas e o povo brasileiros ajudaram muito o povo haitiano.

Hoje agradeço ao Brasil por ter ajudado o Haiti depois do terremoto. Esta [entrevista] é uma oportunidade de agradecer ao Brasil por toda a ajuda com alimentos, remédios e socorristas que vieram ao Haiti.

Eu apresento minha simpatia e minhas condolências para as famílias de todos os brasileiros que morreram ou se feriram naquela ocasião.
 
FOLHA - Quais as necessidades do Haiti hoje e como o Brasil pode ajudar a partir de agora?
PRÉVAL - Temos que olhar para o futuro e achar [juntos] uma solução a longo prazo. No final de março haverá uma grande conferência [de doadores, na ONU em Nova York] e nós contamos com o Brasil para apoiar a posição haitiana e também para nos ajudar a constituir juntos um fundo comum, que todos os amigos do Haiti vão alimentar. [O fundo evitará] que haja procedimentos diferentes [com investimentos desorganizados ou desnecessários] para avançar na reconstrução do Haiti.

FOLHA - Qual o peso do Brasil em relação a outros parceiros do país, como os EUA, o Canadá e a França?
PRÉVAL - Não podemos colocar em uma balança quem faz mais ou menos para o Haiti. Nós colocamos toda a ajuda junta para fazer um grande trabalho de apoio [às vítimas].
 
FOLHA - Até quando o sr. acredita que as tropas da Minustah vão ter que ficar no país?
PRÉVAL - Nós estamos na sexta missão de paz no Haiti. Houve uma avaliação errada da situação para a retirada [das tropas nas missões anteriores]. Há tropas da ONU aqui desde 1994. Elas vão embora quando acham que a situação está controlada e voltam quando a situação piora. Já são 16 anos assim. É melhor ter mais calma e [fazer a Minustah] ficar mais tempo do que fazer diversas pequenas missões.


Petrobras prepara capitalização para junho
Doze bancos de investimentos trabalham para levantar US$ 50 bilhões para a estatal financiar investimentos no pré-sal

Captação da Petrobras deve ser a maior já feita com venda de ações no mundo; operação ainda depende de aprovação do Congresso

Toni Sciarreta (Dinheiro)

Bancos de investimento nacionais e estrangeiros se preparam para levantar cerca de US$ 50 bilhões em dinheiro novo ainda em junho para a Petrobras. A operação, que depende de autorização do Congresso, deve se tornar a maior captação de recursos do mundo por meio da venda de ações.

O volume que será levantado nos mercados globais tem por base o preço de US$ 5 o barril, o piso do intervalo estabelecido pelo governo, e que tende a ser confirmado pelos consultores independentes. Esse preço é uma estimativa de quanto valeria, em valores atuais, o petróleo que será extraído no futuro (daqui a 15 ou 20 anos) na camada de pré-sal. A parte do governo na capitalização será dada por meio da cessão de 5 bilhões de barris desse petróleo.

Segundo os bancos de investimento, não está descartada a possibilidade de que o valor fique pouco abaixo de US$ 5 o barril, aumentando a atratividade do investimento e facilitando a captação de recursos.

Junto com o aporte do governo, estimado em US$ 25 bilhões se o petróleo ficar em US$ 5 o barril, a capitalização da Petrobras pode atingir US$ 75 bilhões, superando o aumento de capital de US$ 19 bilhões do Bank of America em 2000 e a abertura de capital do chinês ICBC (Banco Industrial e Comercial da China), de US$ 19,1 bilhões em 2006.

Os recursos vão para a exploração das reservas de petróleo na camada de pré-sal, cujas estimativas motivaram o governo a rever o marco regulatório do setor, privilegiando a estatal e a União, dona das reservas.

Na operação, participam 12 dos principais bancos de investimento de alcance global, que têm o Banco do Brasil como uma espécie de "líder informal" do grupo devido à sua proximidade com o governo. Os líderes definitivos da operação, no entanto, só serão escolhidos após a aprovação no Congresso e o desenho final da capitalização.

Esses bancos já iniciaram as consultas aos principais clientes institucionais, a maioria fundos de pensão e de investimento nacionais e estrangeiros, para saber se eles deverão aportar recursos novos para manter sua participação na estatal. Isso porque os atuais acionistas, incluindo a União e os trabalhadores que compraram ações por meio do FGTS, têm preferência na hora de comprar os papéis. O acionista que decidir não "acompanhar" a oferta de ações poderá vender seu direito para um terceiro.

Trata-se do negócio mais importante do ano para os bancos de investimento com presença no Brasil. Os honorários desses bancos devem bater em US$ 100 milhões cada um, dependendo do montante que conseguirem trazer para a Petrobras. O valor equivale às receitas de um ano de trabalho das respectivas áreas desses bancos.

Cronograma
Junho é a data limite para fazer uma captação desse porte nos mercados internacionais, pouco antes das férias de verão no Hemisfério Norte, que vão até setembro. Para atingir a meta, a aprovação do projeto de lei no Congresso, que tramita em regime de urgência, precisa ocorrer até abril.

Se algo der errado, a capitalização só poderá acontecer em setembro, um mês antes da eleição presidencial, período sujeito a turbulências nos mercados. A Câmara deve analisar o assunto nos próximos dias 2 e 3 de março.

Segundo a Petrobras, a capitalização ainda não tem uma data acertada nem foi definido o valor do barril de petróleo que será utilizado para desenhar a operação. "Somente depois da aprovação pelo Congresso será possível definir uma data para a operação. A estimativa é que, em até 90 dias após aprovado o projeto, a capitalização esteja concluída. Não existe ainda valor estimado para o barril", afirmou, em nota, a assessoria da estatal.

A Petrobras afirma ainda que a União não definiu as áreas de exploração de petróleo que serão cedidas à estatal. "Somente após isso as certificadoras poderão estimar o valor do barril. E depois a Petrobras e a União irão negociar o valor", informou.


Governo ainda não definiu o uso do FGTS (Dinheiro)

O governo ainda não definiu se será permitido usar recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) na compra das novas ações da Petrobras. Os trabalhadores que compraram os papéis da estatal em 2000 com o dinheiro preso no fundo de garantia terão direito de preferência para manter suas participações acionárias na estatal.

O FGTS tem hoje 2% das ações da Petrobras, o que deve levar a um aporte de quase de R$ 3 bilhões dos trabalhadores.

Se não puder utilizar o dinheiro do fundo, o trabalhador que for acionista da Petrobras poderá comprar os papéis com dinheiro próprio, desde que respeitando a sua participação atual na empresa.

Quem não quiser exercer esse direito poderá vendê-lo para outra pessoa ou mesmo para o banco que administra o fundo FGTS-Petrobras.

O uso do FGTS para a compra das novas ações da Petrobras divide o governo. Alguns integrantes, incluindo os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Edison Lobão (Minas e Energia), sinalizaram publicamente que o governo não permitirá o uso do fundo na capitalização da Petrobras.

Entidades do mercado, como a Amec (associação dos acionistas minoritários), defendem que o trabalhador possa utilizar o FGTS para manter sua participação na empresa. Um dos argumentos é que o próprio governo não colocará dinheiro no aumento de capital da empresa, sendo privilegiado por entrar na operação por meio da cessão de títulos da dívida pública.


Câmara deverá votar projeto no início de março

Leila Coimbra (Dinheiro)

Para agilizar a votação dos projetos que tratam do marco regulatório do pré-sal na Câmara, a base governista acertou com a oposição a inversão da pauta. Nos dias 23 e 24 de fevereiro será apreciado o menos polêmico dos três projetos: o que cria o fundo social. Na semana seguinte, nos dias 2 e 3 de março, será a vez do projeto de capitalização da Petrobras.

O mais polêmico, o que institui o regime de partilha e distribuição dos royalties oriundos da exploração do petróleo, deve ir a plenário só no dia 10 de março.

Até agora, apenas um dos quatro projetos do pré-sal foi aprovado na Câmara: o que cria a estatal que gerenciará os contratos de exploração e distribuição de petróleo e gás da camada do pré-sal. A votação da emenda do texto da partilha sofreu obstrução e foi adiada no fim de 2009 devido à disputa entre Estados produtores e não produtores pelos royalties do petróleo.

Uma emenda prevê que todos os recursos obtidos com a cobrança de royalties e participação especial sejam divididos igualmente entre municípios e Estados, o que favorece os não produtores e prejudica diretamente Rio, São Paulo e Espírito Santo.

O projeto de capitalização da Petrobras também é alvo de algumas críticas da oposição, principalmente em relação ao uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) na operação.

Pelo texto atual, os trabalhadores que usaram, em 2000, parte do dinheiro do FGTS para comprar cotas de um fundo de investimento em ações da estatal não poderão acompanhar a capitalização da Petrobras com dinheiro do FGTS.


Demitido há um ano, funcionário da Embraer ainda sobrevive de bicos

Fábio Amato (Dinheiro)

Desde que foi demitido pela Embraer, há um ano, Sidnei Alves Leite, 32, ganha a vida limpando piscinas de casas e prédios em São José dos Campos (91 km de São Paulo). Os bicos são, até agora, a única fonte de renda do rapaz, que, durante dois anos, ajudou a montar as asas dos aviões fabricados por uma das maiores empresas aeronáuticas do mundo.

"Com a minha demissão, a família teve que se adaptar para poder poupar dinheiro. Graças a Deus, não faltou comida em casa. Mas tivemos que abrir mão de algumas coisas, como viajar", contou ele na tarde de anteontem, sentado no sofá de sua casa, à espera de um telefonema que pudesse lhe trazer notícia de um novo trabalho.

Há exato um ano, a Embraer anunciou a demissão em massa de 20% dos seus funcionários. De uma só vez, cerca de 4.200 pessoas perderam o emprego na empresa, que apontou os efeitos da crise sobre o setor aeronáutico como justificativa.

Leite estava na lista dos demitidos. Ele conta que lá ganhava R$ 1.400 mensais. Hoje, os serviços eventuais na limpeza de piscinas, além de bicos como motoboy e na manutenção de prédios, lhe rendem até R$ 700 por mês.

Ele diz que o emprego na Embraer foi o melhor que já teve. E que sonha poder voltar no futuro à empresa. 




Valor Econômico


Meio ambiente como risco de crédito

Claudia Safatle

O Banco Central do Brasil começou a acordar para os danos sócio-ambientais que o crescimento econômico pode causar. "Crescer por crescer é a filosofia da célula cancerosa", cita Sérgio Lima, consultor do presidente do BC, reproduzindo as palavras que ouviu, durante um seminário, do economista Ladislau Dowbor que, por sua vez, atribui a autoria do aforismo a um "banner" colocado por um grupo de estudantes na entrada de uma conferência sobre economia.

Lima foi encarregado de elaborar a proposta de estruturação do Departamento de Responsabilidade Social do Banco Central, depois que um voto da diretoria da instituição determinou o ingresso desse tema no organograma do banco no ano passado. Ele concluiu o trabalho no segundo semestre de 2009. Falta, porém, a direção do BC tirar a ideia do papel com celeridade, colocá-la em prática e, mais do que isso, incorporar novos elementos de preocupação com a preservação do ambiente e a inclusão social às normas que regem a política de crédito no país.

Soma-se a essa iniciativa a institucionalização de uma estratégia de educação financeira, que deverá ser feita por decreto presidencial, para levar os fundamentos da boa gestão das finanças pessoais para as escolas e para as ruas. Nesta, a intenção é atingir não só os 55 milhões de alunos das mais de 200 mil escolas do país, mas alastrar os ensinamentos para os adultos, através de organizações como as do sistema "S", os militares e até o universo do beneficiários do Bolsa Família.

Alguns cursos nessa linha já foram dados pelo Banco Central para formar agentes multiplicadores dos conceitos. Recentemente houve um curso piloto para o Exército e, em março, será realizado outro para a Aeronáutica. Pretende-se, com as aulas, ensinar as pessoas a lidar com o dinheiro, entender o que é juros simples e composto, pensar no futuro, constituir poupança e poder fazer as melhores escolhas.

Educação financeira e responsabilidade sócio-ambiental são vistas como fatores indispensáveis ao crescimento econômico. O papel dos bancos centrais nessa estratégia só começou a ser abordado muito recentemente e, segundo informações do consultor do BC, por ora apenas dois bancos estão iniciando um trabalho nessa direção: o do Brasil e o da China, país sob forte pressão internacional para atenuar a degradação ambiental produzida pelo crescimento acelerado. "É um mundo a ser explorado e o BC precisa se antecipar a esse processo", assinala Lima, que tem discutido com diversas organizações, da Amigos da Terra ao Greenpeace.

Na próxima semana, haverá um seminário no qual os estudos e sugestões elaborados até agora serão apresentados à diretoria e aos funcionários do BC. Uma das propostas será que os bancos, tanto públicos quanto privados, passem a incorporar nas suas áreas de análise de risco o perigo ambiental dos projetos que financiam.

"Há espaço para regulamentação", explica Lima. Há quase dois anos o Conselho Monetário Nacional aprovou a resolução 3.445, que condicionou a renegociação de dívida e liberação de crédito, pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste (Adene), à apresentação de documentos que comprovam a regularização fundiária e ambiental. Essa resolução foi sugerida pelo Ministério do Meio Ambiente e dirigida à Amazônia, para frear o desmatamento da região.

A avaliação do governo é de que ela está produzindo resultados, como a redução de 40% na área desmatada no primeiro semestre de 2009 em comparação com igual período do ano anterior, assim como retração de cerca de 30% na contratação de empréstimos no mesmo período. Mas há, ainda, um vasto caminho a percorrer para desenvolver a fiscalização sistemática dessas práticas.

Lima disse que se discute, hoje, a possibilidade de estender a resolução 3.445 para os demais biomas do país (cerrado, pantanal, pampas, caatinga). Do leque de propostas do BC consta, ainda, a adesão à Agenda Ambiental da Administração Pública (A3P), que rege a política de compras do setor público, o tratamento de resíduos e o consumo de energia, entre outras determinações.

Simultaneamente à entrada da autoridade monetária na questão ambiental, há, também, a tentativa de harmonizar os termos dos protocolos verdes assinados pelos bancos públicos e privados, que estabelecem critérios de preservação ambiental na concessão de crédito a projetos. As instituições públicas aderiram a um protocolo em meados dos anos 90. Os bancos privados assinaram um outro documento. Agora, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) está encarregada de conciliar os dois. Deverá ser criado, também, um fórum permanente para todo o sistema financeiro, sob coordenação do Ministério do Meio Ambiente.

No fim de 2009 houve o 1º Encontro Sul-Americano de Populações Afetadas pelos Projetos Financiados pelo BNDES, embora o banco, uma das maiores instituições de fomento do mundo, já condicione seus financiamentos a uma análise do impacto ambiental que eles produzirão.

As demandas pela preservação do ambiente e por compromissos com a natureza são crescentes. O sistema financeiro, encarregado de financiar o crescimento, e os órgãos reguladores (BC, CVM, Susep, entre outros), se despertos para o problema, engatinham na construção de critérios de atuação e de aferição de suas atitudes. Não basta contabilizar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) como gerador de progresso e bem-estar. Os investimentos com guerra têm peso tão importante quanto os com educação. Há grande expectativa com a criação de uma alternativa ao PIB, pelo grupo de sábios reunidos a pedido do presidente da França, Nicolas Sarkozy. Também não é suficiente olhar a expansão do crédito para concluir que se tratou de um estímulo benéfico ao crescimento.

Nesse sentido, é bem-vinda uma atuação mais ativa do BC, que vá além do cumprimento da meta de inflação, pelo manejo da taxa de juros, como pré-condição para o crescimento sustentado, duradouro. Ele precisa ser sustentável, entendido como compatível com o respeito ao planeta.


Empresas recontratam nos Estados do Sul

Júlia Pitthan e Sérgio Bueno

O ano começou com forte recuperação do emprego industrial em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. No ano passado, a indústria catarinense criou apenas 2,3 mil novos empregos no ano, enquanto a gaúcha cortou 1,7 mil empregos. Em janeiro, o saldo de novos empregos industriais superou a média nacional - alta de 1,05% e 1,2%, respectivamente - e na soma dos dois Estados, 14 mil operários recuperaram o emprego.

O setor metal-mecânico foi o maior responsável pela recuperação do emprego industrial em Santa Catarina. No Norte catarinense, as empresas sobrecarregaram as agências de seleção de recursos humanos atrás de candidatos. A RH Brasil, com escritório em Joinville, fez cerca de 850 contratações em janeiro, grande parte para vagas operacionais na indústria. Para dar conta, a empresa trabalha com horário estendido e tem feito plantão constante nos fins de semana. No Carnaval, as portas permaneceram abertas e foram atendidas cerca de 400 pessoas.

Em Jaraguá do Sul, a multinacional Weg mantém 600 vagas em aberto, apesar de ter contratado 662 profissionais desde que o ano começou. Com uma média de 90 contratações por semana, a fabricante de motores elétricos já encontra dificuldades para preencher as vagas nas unidades de Jaraguá e Guaramirim. São cerca de 15 mil trabalhadores na região. Em todo o mundo, a Weg tem cerca de 22 mil funcionários diretos.

O Sindicato Patronal das Indústrias Mecânicas de Joinville e Região (Sindimec) atesta a recuperação nos níveis de emprego no setor. "Há procura de mão de obra no mercado. As empresas estão fazendo uma recontratação", diz Adejalmas Ghighi, diretor-financeiro do Sindimec. De acordo com ele, a retomada reflete a recuperação da economia no Brasil e no exterior, embora haja cautela por parte das indústrias para que não se forme uma bolha de aquecimento econômico.

A fundição Tupy também está ampliando o quadro de funcionários na unidade de Joinville. Em janeiro, foram 162 contratados e até o fim de fevereiro, outros 198 trabalhadores devem assinar contrato com a empresa. A fabricante de blocos de motores sentiu os efeitos da crise internacional na exportação. Desde outubro de 2009, com a retomada da demanda externa, as vendas para o exterior começaram a se recuperar. Em janeiro, a Tupy exportou US$ 20,1 milhões a partir de Santa Catarina, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O resultado foi 107% superior ao mês de janeiro de 2010. Cerca de 80% das contratações são direcionadas para as unidades que produzem blocos de motor, o principal produto de exportação da empresa.

No Rio Grande do Sul, os segmentos industriais com maior geração de empregos formais em janeiro foram o calçadista e o metal-mecânico, beneficiados principalmente pelo crescimento da demanda interna. No caso das fábricas de calçados, o mês passado encerrou com aumento líquido de 2,7 mil vagas. Já as indústrias metalúrgicas e mecânicas gaúchas, que juntas haviam fechado quase 3,1 mil postos no acumulado de 2009, tiveram agora um resultado positivo no mês de quase 2,1 mil empregos entre contratações e demissões.

No início de fevereiro, o diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, disse que a recuperação do nível de emprego no setor deve-se em grande parte à tarifa antidumping de US$ 12,47 por par de calçado importado da China, implantada em setembro do ano passado. Segundo a entidade, os produtos asiáticos estavam tomando espaço das empresas nacionais, mas a situação mudou depois da adoção da sobretaxa.

No acumulado de 12 meses até janeiro, as calçadistas gaúchas ainda ostentam um saldo negativo de quase 2,2 mil empregos, mas o número representa a metade das 4,3 mil vagas fechadas ao longo de 2009. E, segundo os empresários do setor, a tendência é de mais contratações nos próximos meses. A Dalponte, de calçados esportivos já anunciou que vai empregar 400 pessoas de fevereiro a junho devido à reativação da fábrica de Veranópolis, paralisada desde o início do ano passado.

Para as empresas metal-mecânicas, principalmente no segmento de bens de capital, o grande impulso para a retomada do emprego veio com a linha Finame PSI, do BNDES, com juros de 4,5% e 7% ao ano, fixos, para o financiamento de máquinas, equipamentos e veículos. Lançado no segundo semestre de 2009, o programa venceria em dezembro e antes de ser prorrogado para junho deste ano levou à antecipação de encomendas no setor, explicou o diretor da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) no Rio Grande do Sul, Mathias Elter.

"O PSI tirou o segmento da inércia", afirmou o empresário. Segundo ele, o nível de emprego nos fabricantes de bens de capital no Estado chegou ao "fundo do poço" de janeiro a maio do ano passado e começou a melhorar a partir de então. Agora, além da linha especial do Finame, as indústrias contam com o crescimento mais acelerado da economia brasileira para sustentar a geração de postos de trabalho nos próximos meses, comentou Elter.


PT discute programa de governo e alianças

Apesar dos esforços para que o PT saia do seu 4º Congresso com um discurso uníssono para a campanha presidencial, os diferentes pontos de vista se tornarão explícitos hoje, quando será levada à votação a política de alianças e as diretrizes para o programa de governo.

Uma série de moções serão apresentadas até as 9h e votadas com o objetivo de alterar o texto-base das diretrizes do programa da pré-candidata petista, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Os temas mais polêmicos e que ainda causam divergência no partido são o Plano Nacional de Direitos Humanos, a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e a reforma agrária.

Nos direitos humanos, há uma polêmica nítida entre duas correntes partidárias. De um lado está a Construindo um Novo Brasil (CNB), que tem entre seus maiores expoentes são o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, o atual presidente da legenda, José Eduardo Dutra, e o ex-presidente, deputado Ricardo Berzoini (SP). Eles defendem a manutenção do documento "A Grande Transformação", organizado pelo assessor especial para Assuntos Internacionais do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia, também um componente da CNB. O texto fala em abrir arquivos da ditadura e implementar a Comissão da Verdade, para esclarecer crimes cometidos durante o regime militar.

Do outro lado está a Mensagem ao Partido, do ex-ministro Tarso Genro, dos ministros Fernando Haddad (Educação) e Paulo Vannuchi (Secretaria de Direitos Humanos), e do secretário-geral do PT, deputado José Eduardo Cardozo, que quer garantir que a comissão tenha por objeto a punição dos militares que cometeram crimes durante o período que vai de 1964 a 1985. Além disso, a maior parte da CNB defende que o debate tenha a mediação das Forças Armadas, o que a Mensagem discorda.
 
No que se refere à redução da jornada, o debate envolve setores específicos da militância. O grupo ligado aos sindicalistas, composto pelo presidente da Central Única dos Trabalhadores, Arthur Henrique, e o deputado federal Vicentinho (SP), avalia que a forma como o assunto está no texto, "construção de consenso para lograr a jornada de trabalho de 40 horas", é tímida.

Querem que o Executivo patrocine o projeto no Congresso Nacional em 2011 e coloque sua aprovação como prioridade para o próximo mandato. A reivindicação pode ser incluída no texto, já que, no partido, a redução da jornada é considerada "quase unânime", além do que atende às bases e dá um viés esquerdista ao projeto. A oposição vem dos petistas diretamente ligados ao Planalto. "O PT pode até defender, mas o governo defender é diferente. A orientação é o governo só mediar o debate no Legislativo", afirmou ontem o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP).

Há descontentamento com a falta de metas para a reforma agrária. O tema é delicado e sofre oposição das correntes mais pragmáticas do PT, que veem uma possibilidade de entreveros com o principal aliado, o PMDB, que tem em seu quadro lideranças ruralistas. No texto atual, o termo usado é "intensificação da reforma agrária". Mas correntes minoritárias, como a Articulação de Esquerda e Trabalho, acreditam ser possível fazer alterações que identifiquem o ritmo dessa intensificação e imponham metas.

A política de alianças - em especial com o PMDB -, também deve pautar os debates, mas não são previstas mudanças significativas nas diretrizes da campanha. Além das correntes já terem marcado posição no processo eleitoral da sigla, em novembro, cerca de 80% dos 1,35 mil delegados defendem a parceria.




O Dia

Paulo Octávio não pede para sair
Governador em exercício anuncia que tem carta de renúncia pronta, mas fica no cargo ‘mais alguns dias'. Procuradoria da Câmara Legislativa aprova três pedidos de impeachment contra ele, e ACM Neto o ameaça de expulsão do DEM
 
Brasília - O governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio (DEM), anunciou na tarde de ontem que vai permanecer no cargo. Paulo Octávio, assim como secretários de Estado e deputados distritais, é citado no inquérito da Operação Caixa de Pandora como beneficiário de um esquema de corrupção que seria comandado pelo governador licenciado José Roberto Arruda (sem partido), que está preso.

Durante pronunciamento, Paulo Octávio admitiu que já tem uma carta de renúncia pronta e entregue à líder do governo na Câmara, Eliana Pedrosa (DEM). Afirmou que vai aguardar as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) para decidir sobre sua renúncia.


Octávio disse ainda que atendeu a apelos ao desistir de renunciar, citando inclusive o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, em encontro pela manhã, Lula o aconselhou a aguardar "alguns dias". Afirmou ainda que Lula estaria preocupado com a possibilidade de intervenção federal no DF, como propôs a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR).


Paulo Octávio classificou o momento vivido no DF como "a mais grave crise política dos 50 anos de Brasília" e disse não ter ambição a não ser restaurar a governabilidade no DF, para o qual irá concentrar esforços para evitar a intervenção.

O Palácio do Planalto negou que Lula tenha recomendado a Octávio que ficasse no cargo. "Ele (Lula) não fez nenhum pedido específico ao governador", garantiu o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Mais tarde, Octávio voltou atrás e disse que se expressou mal.

A oposição criticou a decisão de Paulo Octávio. O deputado distrital Paulo Tadeu, líder do PT, propõe que a Câmara Legislativa acelere os processos de impeachment. Um parecer da Procuradoria da Câmara Legislativa entregue à Mesa Diretora é favorável a três pedidos de impeachment do governador em exercício. A Procuradoria analisou quatro pedidos, mas um deles, do PSB-DF, foi negado porque não foi anexada cópia do título de eleitor.

Os pedidos aprovados são da CUT-DF, PT-DF, e OAB-DF. Mais tarde o PCdoB-DF também pediu o impeachment de do governador em exercício.


Em nota, o deputado baiano ACM Neto, vice-presidente nacional do DEM, ameaçou Paulo Octávio de expulsão da legenda, caso não renuncie.


Arruda: pedidos de impeachment aceitos
A abertura de processo de impeachment do governador licenciado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), foi aprovada ontem pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa. A votação dos quatro pedidos de impeachment foi unânime e deixa clara a decisão da base aliada de não dar mais sustentação política ao governador. Arruda é acusado de comandar esquema de recebimento e distribuição de propinas. Anteriormente, ele dominava os principais cargos na CPI.

Os processos seguem agora para análise de uma Comissão Especial que terá dez dias para analisar o mérito. Se aprovados, seguem para plenário, onde Arruda terá 20 dias para apresentar defesa. Passando pelo plenário, o governador é afastado do cargo por 120 dias. No período, comissão de cinco desembargadores do Tribunal de Justiça do DF e cinco deputados distritais darão a palavra final.


 

Agência Brasil


Indústria puxa recorde na geração de empregos

Isabela Vieira

Rio de Janeiro - Seis dos oito setores da economia puxaram a geração recorde de 181.419 mil empregos em janeiro de 2010. Dados divulgados hoje (18) pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que a indústria, o setor de serviços e a construção civil apresentaram no mês passado o melhor resultado da série.

Após a queda acentuada em dezembro de  2009, a indústria de transformação cresceu 17% em  relação ao recorde anterior, em janeiro de 2008, e gerou 68.920 empregos. O setor de serviços, puxado pelo turismo, criou 57.889 postos, recorde considerando toda a série do Caged, assim como a construção civil, com 54.330 vagas.

De acordo com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o recorde em janeiro significa a "plena recuperação e a entrada da indústria em 2010 a todo vapor" e da melhoria do setor externo com a retomada das exportações. "É uma demonstração de que o setor, que estava mais fraco em 2009, se recuperou definitivamente", afirmou.

Dos setores pesquisados entre a indústria de transformação, apenas o de alimentos apresentou queda nos números, influenciado pela sazonalidade do período que registra fortes chuvas, por exemplo. O recuo foi de 0,08% ou 1.408 postos a menos.

Entre as regiões do país, o Caged destaca que todas também bateram  recorde na geração de empregos. Lideram a criação do número de postos de trabalho a Região Sudeste, com alta de 0,44% (79.652 vagas), a Sul, que teve crescimento de 0,86% (52.078) e a Centro-Oeste, com avanço de 1%, equivalente a 24.271 vagas.

Segundo o Caged, São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina apresentaram o maior saldo, com 51.159 novos empregos, 20.492 e 19.290, respectivamente.


Pedidos de impeachment de Paulo Octávio são aceitos pela procuradoria da Câmara do DF

A Procuradoria da Câmara Legislativa do Distrito Federal acatou três dos quatro pedidos de impeachment do governador interino Paulo Octávio (DEM), protocolados na última sexta-feira. De acordo com o parecer, os pedidos atendem os requisitos legais. As informações são de um documento da Câmara a que a Agência Brasil teve acesso.

Foram aceitos os pedidos da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF), do Partido dos Trabalhadores no Distrito Federal (PT-DF) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT-DF).

Foi rejeitado o pedido do PSB-DF por falta de um documento de comprovação de eleitor, uma das exigências para fazer o pedido de impeachment, segundo o parecer do procurador-geral substituto da Casa, Fernando Nazaré.

Os pedidos aceitos pela procuradoria seguem para a Mesa Diretora da Câmara. O quinto pedido de afastamento de Paulo Octávio foi protocolado hoje (18) pelo PC do B, e ainda deverá passar pelo crivo da procuradoria.




Agência Estado


Câmara aprova abertura de processo contra Octávio

A resposta da Câmara Legislativa à decisão de Paulo Octávio em se manter no governo do Distrito Federal foi imediata. No espaço de meia hora, os deputados distritais decidiram reabrir a sessão do plenário, indicaram Batista das Cooperativas (PTB) como relator do processo de impeachment de Paulo Octávio e aprovaram o parecer favorável à abertura do processo, feito pelo deputado em dez minutos. Agora, tanto o governador licenciado, José Roberto Arruda (ex-DEM), quanto o vice-governador eleito do Distrito Federal respondem a processo de impeachment.

Ao todo, cinco pedidos de impeachment foram apresentados contra Paulo Octávio, tendo sido três aprovados pela Procuradoria da Casa, apresentados por representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF), Partido dos Trabalhadores (PT-DF) e Central Única dos Trabalhadores (CUT-DF). Um pedido, do PCdoB-DF, ainda não foi analisado pela Procuradoria, e outro, do PSB-DF, foi rejeitado porque o representante do partido não apresentou cópia do título de eleitor na documentação.

José Roberto Arruda, citado como mentor de um esquema de corrupção conhecido como "Mensalão do DEM", também responde a processo de impeachment, aberto na manhã de hoje pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa. O processo contra Arruda será analisado, agora, por uma Comissão Especial. O processo contra Paulo Octávio, apesar de não ter sido aprovado pela CCJ antes, e sim pelo plenário, também seguirá o mesmo trâmite e será analisado pela Comissão Especial.

Ao pular o processo na CCJ, os deputados dão celeridade ao processo. Acelerar os processos contra Paulo Octávio foi uma proposta da oposição, que vem ganhando apoio da base aliada desde que o governador José Roberto Arruda foi preso pela Polícia Federal e pediu afastamento do cargo.

Hoje à tarde, também foram eleitos os deputados distritais que formarão a Comissão Especial - serão dois parlamentares da oposição, dois governistas e um considerado moderado. O relator dos processos na comissão, que ainda não foi escolhido, terá dez dias para emitir um parecer. A expectativa dos deputados é de que em 40 dias o assunto chegue à pauta do plenário.


Oposição no DF critica permanência de Paulo Octávio

A oposição criticou a decisão do governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio (DEM), de ficar no cargo mesmo sem apoio político. O deputado distrital Paulo Tadeu, líder do PT, propõe que, em resposta, a Câmara Legislativa dê celeridade aos processos de impeachment de Paulo Octávio.

Havia a expectativa de que a renúncia fosse anunciada hoje e Paulo Octávio chegou a admitir, em discurso feito nesta tarde, que a carta de renúncia do mandato já está pronta. O governador em exercício disse, no entanto, que não pode renunciar à "obrigação de servir Brasília e o seu povo".

"Ele (Paulo Octávio) só criou mais instabilidade e insegurança ao DF. Temos que dar uma resposta a ele. Acelerar os processos de impeachment dele", disse Tadeu.

"Ele não tem condições de governar, não consegue nem decidir se fica ou não no cargo. Defendo que a Câmara dê prosseguimento ainda hoje aos processos de impeachment dele, já que temos um parecer favorável da Procuradoria", completou Érika Kokay, do PT.

Parecer da Procuradoria da Câmara Legislativa entregue hoje à Mesa Diretora é favorável a três pedidos de impeachment do governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio. Os pedidos aprovados pela Procuradoria foram apresentados por representantes locais da Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT-DF), Partido dos Trabalhadores (PT-DF), e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF).

No início desta tarde de hoje, o PCdoB-DF também apresentou pediu à Câmara Legislativa o impeachment do governador em exercício. O documento, porém, ainda não foi analisado pela Procuradoria.

Paulo Octávio, assim como secretários de Estado e deputados distritais, é citado em inquérito da Operação Caixa de Pandora como beneficiário de um esquema de corrupção que seria comandado pelo governador licenciado José Roberto Arruda. Arruda está preso na superintendência da Polícia Federal desde quinta-feira passada.

O presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR), próximo na linha sucessória do governo do Distrito Federal, passou as últimas horas aguardando o pronunciamento de Paulo Octávio, mas, ao sair do gabinete, disse não ter ficado surpreso com a decisão do governador interino em ficar no cargo. "Olha minha cara de quem está frustrado", desdenhou.




Folha Online


Procuradoria da Câmara do DF acata três pedidos de impeachment contra Paulo Octávio

Marcio Falcão

A Procuradoria da Câmara Legislativa do Distrito Federal deu parecer favorável a três pedidos de impeachment apresentados contra o governador interino Paulo Octávio (DEM), que pode renunciar ainda hoje ao cargo. Agora, os processos precisam ser lidos em plenário e depois serão encaminhados para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

A comissão aprovou hoje a abertura de pedidos de impeachment do governador afastado José Roberto Arruda (sem partido), que está preso por tentativa de suborno a uma das testemunhas do esquema de corrupção.

No texto, o procurador-geral da Câmara, Fernando Nazaré, recomenda a rejeição do pedido de impeachment de Paulo Octávio apresentado pelo PSB argumentando que não cumpre os requisitos constitucionais.

A Procuradoria ainda não analisou o outro pedido de impeachment contra Paulo Octávio que foi protocolado hoje pelo presidente do PC do B, Augusto Madeira.

No processo, Madeira argumenta que o democrata não pode assumir a governadoria porque também é investigado por suposta participação no esquema de arrecadação e pagamento de propina.

"Ele [Paulo Octávio] não tem condições políticas de governar. Ele também é investigado. Na dúvida se ele vai ou não renunciar, apresentei o pedido de impeachment. Eu desejo que ele renuncie, mas não sei se vai renunciar. A nossa ideia é impedir qualquer possibilidade que deixe o governo nas mãos de Paulo Octávio e de [José Roberto] Arruda [governador afastado]", disse.

Os pedidos acolhidos foram protocolados pelo PT, pela OAB-DF (Ordem dos Advogados do Brasil) no Distrito Federal e pela CUT-DF (Central Única dos Trabalhadores) do DF. Aprovados pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), os pedidos passam para uma Comissão Especial e na sequência vão para o plenário.
 

 

Terra


Câmara do DF acata 3 pedidos de impeachment contra Paulo Otávio

Claudia Andrade

A Procuradoria da Câmara Legislativa do Distrito Federal emitiu parecer, na tarde desta quinta-feira, pela aceitação de três pedidos de impeachment contra o governador em exercício Paulo Otávio (DEM).

O parecer diz que "verifica-se que o pedido sobre exame preenche os requisitos formais exigidos pela lei nº 1079/50 devendo assim ser encaminhados à mesa diretora da Câmara para superior deliberação". Os parlamentares decidirão sobre os pedidos.

Os pedidos foram protocolados na sexta e foram acatadas as solicitações feitas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), PT e OAB. Na manhã de hoje, foi protocolado mais um pedido de impeachment pelo PC do B.

Renúncia
Existe a expectativa que Paulo Octávio renuncie ainda nesta quinta-feira. Na manhã de hoje, ele visitou o Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória da Presidência da República, onde se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar da situação política do DF. Ele deixou o local pela saída privativa do presidente e não falou com a imprensa.


Octávio assumiu o cargo no lugar do governador licenciado José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido), que foi preso acusado de atrapalhar as investigações do mensalão do DEM. Os dois são acusados de participar do esquema.

Na quarta-feira, Paulo Octávio procurou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) para propor um pacto de governabilidade para o DF. Demóstenes disse que falou com Paulo Octávio sobre sua expulsão do DEM. "Eu disse que não tinha como refluir. Minha posição já estava tomada", disse.

O DEM vai avaliar a situação do governador Paulo Octávio, na semana que vem. O partido poderá expulsar Paulo Octávio e intervir no Diretório Regional do DF. A estratégia de lideranças nacionais da legenda é a de tentar isolar a pecha de corrupção ao partido no Distrito Federal.

Entenda o caso
O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.

 


G1


Procuradoria da Câmara aceita 3 pedidos de impeachment de Paulo Octávio
Processos do governador interino terão a mesma tramitação dos de Arruda. Pedidos de impeachment de governador foram aprovados nesta manhã.

Rafael Targino

A Procuradoria da Câmara Legislativa do Distrito Federal aceitou nesta quinta-feira (18) três dos cinco pedidos de impeachment do governador interino Paulo Octávio (DEM). O pedido feito pelo presidente do PSB do Distrito Federal, Marcos Dantas, não foi aceito por falta de documentação. Um dos pedidos foi protocolado nesta quinta e não está na análise divulgada à imprensa.

Os processos aprovados - um de um representante do PT, outro de um representante da CUT e mais um de um representante da Ordem dos Advogados do Brasil-  agora seguem o mesmo trâmite dos processos contra o governador afastado, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), preso desde a última quinta (11).

 
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa vai analisar os pedidos aprovados. Nesta quinta, o órgão aceitou quatro pedidos contra Arruda -que, agora, seguem para análise de uma comissão especial.

Nesta manhã, Paulo Octávio teve um encontro com o presidente Luiz  Inácio Lula da Silva. Segundo o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, Lula não ofereceu apoio político ao governador interino.

Segundo ele, Paulo Octávio disse a Lula que está analisando junto com seus assessores quais as alternativas de governabilidade. Entre as possibilidades está a renúncia ao cargo, afirmou Padilha. "O governador Paulo Octávio veio pedir apoio político e o presidente Lula disse que não pode se posicionar até a Justiça tomar uma decisão", disse o ministro.



 

R7


Câmara do DF recebe quinto pedido de impeachment contra o governador interino Paulo Octávio
PCdoB argumenta que a conduta dele compromote "os princípios constitucionais"

Lais Lis


O PCdoB entrou nesta quinta-feira (18) com o quinto pedido de impeachment contra o governador interino Paulo Octávio na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Na sexta-feira, dois pedidos vieram de partidos - PT e PSB - e outros dois da CUT (Central Única dos Trabalhadores) do DF e da OAB-DF (Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil).

Esse quinto pedido foi protocolado no nome de Augusto César Martins Madeira, presidente do comitê do PCdoB no DF. O documento cita como justificativa os fatos narrados no inquérito que investiga o pagamento de propina no governo do DF. O pedido argumenta ainda que a conduta de Paulo Octávio compromete "os princípios constitucionais da legalidade e da moralidade na conduta administrativa do DF".

Paulo Octávio nega envolvimento nas denúncias, mas crescem os sinais de que, isolado, ele renuncie ao cargo no DF nesta quinta-feira. Logo pela amanhã, o governador interino encontrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula, segundo informação do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, não quis opinar sobre a possibilidade de renúncia e deixou a cargo de Paulo Octávio a decisão de sair ou permanecer no cargo. Com uma carta de renúncia no bolso, o interino foi até o CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) conversar com o presidente.

Se Paulo Octávio renunciar, o primeiro na lista de sucessão é um aliado do governador licencidado José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido), preso desde a semana passada sob a acusação de tentar subornar testemunha do esquema conhecido como mensalão do DEM. Wilson Lima (PR) é presidente da Câmara Legislativa do DF e, de acordo com a Lei Orgânica, deve assumir em caso de renúncia do vice.

A ligação de Wilson com Arruda pode impeli-lo de assumir o cargo, o que colocaria Cabo Patrício (PT) no comando do governo. A Procuradoria-Geral da República, no entanto, quer impedir que o petista assuma por acreditar em sua participação no escândalo.

Em seu pedido de intervenção federal feita ao STF (Supremo Tribunal Federal), o procurador-geral, Rodrigo Gurgel, colocou em dúvida a isenção de Patrício no caso ao afirmar que ele não tomou qualquer medida para investigar Arruda no momento em que assumiu a presidência da Casa, no final do ano passado. Ele nega.

Se a tese da Procuradoria vingar, quem vai assumir é o presidente do Tribunal de Justiça, Níveo Gonçalves. Como o mandato de Nívio acaba em 26 de abril, os políticos trabalham com o nome do sucessor já eleito, desembargador Otávio Augusto Barbosa. A tarefa de Barbosa seria organizaria a eleição indireta na Câmara Legislativa para escolher o novo governador.

Para se livrar de um desgaste duplo, primeiro com Arruda e depois com o vice, a cúpula do DEM aposta na renúncia de ambos. E mais: torce para que o governo federal abrevie o desgaste decretando intervenção no DF.


 

Rádio Web - Jornal Brasil Atual


Paulo Renato cria uma pequena elite de professores, diz Apeoesp

A quinta-feira (18) marcou o inicio do ano letivo na rede estadual de ensino. Em meio a controvérsias sobre a classificação mediante prova do professorado, o secretário de Educação de SP, Paulo Renato de Souza, anunciou uma suposta valorização da categoria com a chamada promoção por mérito. Os 44 mil educadores que obtiveram nota para receber a tal promoção representam somente 20% de todo o professorado da rede pública estadual, o que na opinião da presidente da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, acaba criando um grupo de privilegiados. Para ouvir acesse:

http://www.jornalbrasilatual.com.br/pop-player.asp?nm_caminho_audio=boletim%5Fmateria%5F2010%5F2%5F19%5F8%5F10%5F15%5F09%2Ewma&nm_audio=Paulo+Renato+cria+uma+pequena+elite+de+professores%2C+diz+Apeoesp  

Químicos aposentados do ABC comemoram 30 anos de associação

A Associação dos Aposentados e Pensionistas Químicos do ABC realiza hoje uma assembleia festiva para comemorar 30 anos de fundação. A mobilização é a primeira de uma série de eventos que incluem assembléias temáticas e o lançamento de uma publicação com a historia da entidade. Desde a sua fundação, a Associação mantém trabalho integrado com o Sindicato dos Químicos do ABC e participa de muitas de suas ações. Para esta matéria ouvir acesse:

http://www.jornalbrasilatual.com.br/pop-player.asp?nm_caminho_audio=mundo%5Ftrabalho%5F2010%5F2%5F19%5F8%5F20%5F55%5F98%2Ewma&nm_audio=Qu%EDmicos+aposentados+do+ABC+comemoram+30+anos+de+associa%E7%E3o
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