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Clipping 20 e 21/02/10

Escrito por William Pedreira
22/02/2010

Edição nº 1521 segunda, 22 de fevereiro de 2010
Fechamento: 07:49





Edição número 1521 sábado e domingo, 20 e 21 de fevereiro de 2010

 

 
 


 Veículos Pesquisados:


 

  

Clipping CUT é um trabalho diário de captação de notícias realizado pela equipe da

Secretaria Nacional de Comunicação da CUT. Críticas e sugestões com

Leonardo Severo (leonardo@cut.org.br)

Isaías Dalle (isaias@cut.org.br)

Paula Brandão (paula.imprensa@cut.org.br)

Luiz Carvalho (luiz@cut.org.br)

William Pedreira (estagio.imprensa@cut.org.br)

Secretária de Comunicação: Rosane Bertotti (rosanebertotti@cut.org.br)






O Estado de S.Paulo



PT radicaliza programa de Dilma
Partido reforçou guinada à esquerda ao aprovar emendas e apresentar mudanças durante congresso nacional

Vera Rosa, Clarissa Oliveira e Wilson Tosta (Nacional) - 20/02/10 Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")

O PT decidiu radicalizar o programa de governo da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que será aclamada hoje como candidata do partido à sucessão do presidente Lula com um discurso contundente de herança governista. A guinada à esquerda foi reforçada ontem, quando o 4º Congresso Nacional do partido aprovou emendas às diretrizes do programa de governo de Dilma. As mudanças pregam o combate ao monopólio dos meios de comunicação, cobrança de impostos sobre grandes fortunas, apoio incondicional ao polêmico Plano Nacional de Direitos Humanos e jornada de trabalho de 40 horas semanais sem redução do salário.

Na tentativa de se aproximar do Movimento dos Sem-Terra (MST), o plenário petista também deu sinal verde para encaixar na plataforma da campanha de Dilma a atualização dos índices de produtividade para efeito de reforma agrária. Intitulado A Grande Transformação, o documento manteve o mote do projeto nacional de desenvolvimento, com ampliação do papel do Estado na economia e fortalecimento dos bancos públicos.

O controle da mídia foi aprovado no eixo das diretrizes que tratam do acesso à comunicação. O trecho que passou pelo crivo do congresso diz que as medidas para promover a democratização da comunicação social devem ser voltadas para "combater o monopólio dos meios eletrônicos de informação, cultura e entretenimento".

O texto cita como parâmetro resoluções da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada em dezembro. A reativação do Conselho Nacional de Comunicação Social, o fim da propriedade cruzada, a exigência de porcentagem de produção regional, a proibição de sublocação de emissoras e direito de resposta coletivo também recheiam o pacote aprovado.

"Polêmica sempre há no PT, mas vamos submeter as decisões a um processo suprapartidário", resumiu o ex-presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). "Estamos aprovando diretrizes que o PT entende como corretas, mas tudo será apresentado à candidata, à sociedade e aos partidos", reforçou o novo presidente do partido, José Eduardo Dutra.

Em entrevista ao Estado, publicada ontem, Lula disse que nos congressos do PT sempre aparecem teses para todos os gostos. "É que nem uma feira de produtos ideológicos", comparou. "As pessoas compram o que querem e vendem o que querem." Lula observou, porém, que o PT terá "sabedoria" para não jogar fora a experiência acumulada em quase oito anos de governo. "Isso é riqueza que nem o mais nervoso trotskista seria capaz de perder."

Ao fazer questão de destacar na plataforma de Dilma a defesa do Plano de Direitos Humanos, o PT também incluiu no texto o apoio à Comissão da Verdade para "esclarecimento público dos casos de tortura, assassinatos e desaparecimentos políticos".

Após saber que a jornada de 40 horas semanais fora encaixada no texto sem a cautela anterior - que previa a construção de consenso sobre o assunto -, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), afirmou que a bandeira pode virar letra morta. "No fim das contas, quem decide isso é o outro Congresso."

Além do Plano de Direitos Humanos, outra emenda que promete polêmica diz que as Forças Armadas devem respeito à "diversidade homoafetiva". Por pouco não passou, também, a retomada do monopólio do petróleo.


Petrobrás deve ter o maior lucro entre petroleiras
Manutenção dos preços do combustível no País garante resultado maior que o das concorrentes

Kelly Lima (Economia) - 20/02/10

A manutenção dos preços da gasolina e do diesel no mercado doméstico - independentemente das oscilações do barril no exterior - deve elevar a Petrobrás à categoria de petroleira com o melhor resultado em 2009.

Enquanto as maiores petroleiras internacionais (Exxon, Chevron e Shell) amargaram no fechamento do ano passado queda de mais da metade do lucro recorde do ano anterior e companhias de menor porte (BG e BP) ficaram na casa dos 20% abaixo de 2008, a Petrobrás pode ter um desempenho melhor, na opinião do diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.

"As companhias maiores são mais verticalizadas, possuem refinarias ou participam de alguma maneira de forma mais direta ao longo da cadeia produtiva. Com isso, perdem mais dinheiro porque têm uma diminuição do lucro dela nas vendas de derivados", disse Pires. Na sexta-feira da semana que vem, a Petrobrás divulga o resultado financeiro do ano passado.

Petroleiras menores, mais concentradas na área de Exploração e Produção, tiveram uma redução menor do seu lucro, com a valorização do barril ao longo do ano. "A Petrobrás reverte esse cenário, porque possui uma posição ímpar. Quando o preço do petróleo cai muito, aí é que ela ganha dinheiro vendendo gasolina", comentou Adriano Pires.

Antes mesmo das análises feitas pelas instituições bancárias, que elaboram relatórios com previsão para o lucro da companhia, o CBIE aponta que em 2009 a Petrobrás manteve o preço da gasolina 44% acima da média internacional. No caso do diesel, o valor foi 33% maior.

Os dois indicadores consideram diferenças cambiais e paridade de importação e exportação de ambos os combustíveis. Levam em conta também a redução dos preços promovida pela Petrobrás em junho de 2009, um ano depois do início da queda do valor do barril no exterior, após atingir o seu pico de US$ 150.

De acordo com dados oficiais do departamento de energia dos Estados Unidos, o preço do barril no mercado internacional teve valorização média de 70% ao longo de 2009, depois de ficar abaixo dos US$ 40, no fim de 2008. O preço do barril, no entanto, não atingiu a média do ano de 2008, de US$ 85, ficando em US$ 62 na média de 2009.

Entre as petroleiras internacionais, a americana ExxonMobil teve a maior queda, de 57,3%, com lucro líquido de US$ 19,3 bilhões em 2009, ante os US$ 45,2 bilhões apurados no ano anterior. No quarto trimestre, no entanto, a redução já foi menor: o resultado da empresa caiu 23% ante o mesmo período em 2008, passando de US$ 7,8 bilhões para US$ 6 bilhões.

A empresa alegou que a redução no lucro refletiu especialmente a queda nas margens de refino, que teve uma perda de US$ 189 milhões, ante os ganhos do mesmo período do ano anterior, de US$ 2,41 bilhões.


Déficit da Previdência cai 43,9%
Alívio nas contas, porém, é temporário, porque grande parte do pagamento de sentenças judiciais foi adiada

Edna Simão (Economia) - 20/02/10

Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto") Com o pagamento de menos sentenças judiciais, o déficit da Previdência atingiu R$ 3,708 bilhões em janeiro, uma queda de 43,9% ante o mesmo período de 2009. O resultado é o mais baixo para o mês desde 2007. A forte queda ocorreu porque o grosso de pagamento de sentenças judiciais, que normalmente ocorre em janeiro, foi empurrado para fevereiro e março. Portanto, o alívio nas contas é momentâneo.

O governo já reservou R$ 7,1 bilhões do orçamento deste ano para pagar dívidas judiciais, dos quais R$ 3 bilhões devem ser gastos no primeiro trimestre. Em janeiro, foram pagos só R$ 225,1 milhões, ante R$ 3,187 bilhões em janeiro de 2009. Essas despesas devem pressionar ainda mais o déficit da Previdência, que deve encerrar o ano por volta dos R$ 52 bilhões.

O aumento dos gastos já será verificado neste mês. Segundo o secretário de Previdência, Helmut Schwarzer, o pagamento de sentenças judiciais e o impacto integral dos reajustes do salário mínimo e de aposentadorias devem fazer com que as despesas com benefícios cheguem a R$ 19,5 bilhões em fevereiro. "Devemos pagar algo próximo de R$ 3 bilhões em fevereiro e março",disse Schwarzer.

Em janeiro, o baixo volume de pagamento de sentenças judiciais mais que compensou o efeito parcial do aumento dos benefícios e do salário mínimo. O déficit de R$ 3,708 bilhões em janeiro reflete a arrecadação líquida de R$ 14,076 bilhões e despesa com benefícios de R$ 17,784 bilhões.

A menor despesa com sentenças judiciais em janeiro, conforme Schwarzer, nada tem a ver com a estratégia adotada pela equipe econômica nos últimos meses de administrar a liberação dos recursos em caixa para conseguir cumprir a meta de superávit primário (economia para pagar juros da dívida). Isso porque a execução do orçamento para quitação de dívida com ações judiciais é feita pelo Conselho da Justiça Federal. "O conselho aperta o botão e depois aparece em nossa contabilidade", destacou o secretário.

Com a expansão dos gastos, o secretário estima que o déficit da Previdência no ano deve atingir R$ 52 bilhões (1,57% do PIB). Somente o reajuste do salário mínimo e dos benefícios previdenciários vai contribuir com R$ 14,3 bilhões para o aumento do rombo. Em 2009, esse saldo negativo correspondia a R$ 42,8 bilhões (1,41% do PIB).

Schwarzer acredita que o resultado negativo pode ser um pouco inferior aos R$ 52 bilhões. Isso porque os parâmetros utilizados para o cálculo são ultrapassados. Por exemplo, foi utilizada a previsão de crescimento de 5% neste ano, mas o governo federal já espera algo superior a 5,2%.


Três bancos demitiram quase 10 mil em 2009
Cálculo das demissões é da confederação nacional de bancários

Marcelo Rehder (Economia) - 20/02/10

Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto") Os três maiores bancos privados no Brasil - Itaú Unibanco, Bradesco e Santander - eliminaram 9,9 mil postos de trabalho em 2009. No mesmo período, os três bancos acumularam lucro líquido superior a R$ 23,5 bilhões e aumentaram o número de agências e a base de clientes nesse período.

As informações são de um levantamento divulgado ontem pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), entidade ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT). O estudo foi elaborado em conjunto com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e tem como base dados dos balanços dos bancos.

CORTES
O Itaú Unibanco foi o que mais lucrou e também o que mais cortou vagas. O maior banco privado brasileiro lucrou R$ 10,067 bilhões, mas fechou 7.176 postos de trabalho: tinha 108.816 funcionários em dezembro de 2008, após a fusão, e um ano depois reduziu para 101.604 bancários.

No mesmo período, o Santander fechou 1.652 vagas, enquanto seu lucro cresceu 40,76%, para R$ 5,508 bilhões. Já o Bradesco cortou 1.074 empregos e lucrou R$ 8.012 bilhões, o que representou aumento de 5,08% em relação a 2008.

Para o presidente da Contraf, Carlos Cordeiro, os grandes bancos privados estão na contramão da economia brasileira. Ele argumenta que, no ano passado, apesar do reflexo da crise financeira mundial, o Brasil abriu 955 mil vagas formais. "Não podemos aceitar que o sistema financeiro, que não foi atingido pela crise e continuou com esses lucros imensos, reduza postos de trabalho", afirmou.

Segundo o Bradesco, a redução de 1,24% ocorrida no quadro de pessoal não representa fechamento de vagas. Trata-se, de acordo com o banco, de um índice de rotatividade no trabalho considerado normal dentro da instituição.

No Itaú Unibanco, o emprego recuou 6,59%, enquanto no Santander a queda foi de 3,05%. Procurados, representantes de ambos os bancos não se pronunciaram sobre o estudo dos bancários.

Para a Contraf, a política de corte de emprego dos bancos privados também destoa dos bancos públicos, que estariam contratando trabalhadores para fazer frente à expansão de suas atividades no mercado financeiro.

VAGAS
O secretário-geral da entidade, Marcel Barros, ressaltou que, ao assinarem os atuais acordos coletivos, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal se comprometeram a abrir 15 mil postos de trabalho até 2011. Desse total, 10 mil vagas deverão ser abertas pelo BB e 5 mil pela Caixa.

Além de cortar empregos, os sindicalistas alegam que os bancos privados utilizam a rotatividade de mão de obra para reduzir a remuneração dos trabalhadores.

Segundo a Contraf, os bancários demitidos entre janeiro e setembro do ano passado recebiam remuneração média mensal de R$ 3.494,25. Já os contratados no mesmo período têm remuneração média de R$ 2.051,80, o que representa diferença de 41,28%.


Pré-candidata, Dilma defende Estado forte e rejeita ''aventuras''
Em discurso no 4.º Congresso do PT, ministra garantiu que tudo será feito para manter estabilidade econômica

Vera Rosa, Clarissa Oliveira, Wilson Tosta e Lisandra Paraguassú (Nacional) - 21/02/10

Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto") Aclamada ontem como pré-candidata do PT à Presidência, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, encarnou o pós-Lula e ensaiou o discurso de sua campanha. No encerramento do 4.° Congresso Nacional do PT, preparado para sacramentar sua candidatura e aprovar as diretrizes do programa de governo, Dilma pregou o fortalecimento do Estado, mas fez questão de defender com todas as letras a preservação da estabilidade econômica, com manutenção do equilíbrio fiscal, controle da inflação e câmbio flutuante.

"Não haverá retrocesso nem aventuras", avisou a ministra no ato político que também comemorou os 30 anos do PT. "Mas podemos avançar muito mais e muito mais rapidamente." Atrás dela, um painel com sua foto ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva exibia a inscrição "Com Dilma, pelo caminho que Lula nos ensinou".

Vestida de vermelho, a cor do PT, a chefe da Casa Civil falou por uma hora em um salão decorado com estrelas, logo após Lula apresentá-la como herdeira para a plateia, assumindo o papel de avalista da candidatura. "Eleger a Dilma é a coisa mais importante do meu governo", disse. "Eleger a Dilma não é secundário para o presidente da República: é a coisa prioritária na minha vida neste ano."

Lula não escondeu a emoção ao apresentar a ministra. Contou que a conheceu quando ela foi secretária de Energia do Rio Grande do Sul no governo de Olívio Dutra (1999-2002), fato que muitos petistas não sabiam. Depois, teceu elogios à sua capacidade de trabalho, dedicação e solidariedade nos momentos difíceis, como na crise do mensalão, que, no seu diagnóstico, não passou de um "golpe" contra o Palácio do Planalto.

O presidente recomendou à candidata que esteja pronta para responder aos ataques da oposição na campanha. "Vão dizer que a Dilma vai ser estatizante. Se prepare", afirmou, olhando para a ministra. "Isso não é ruim, não. Isso é bom." Logo depois, porém, emendou: "Claro que você não vai querer estatizar borracharia, bar, pizzaria, cervejaria. Mas aquilo que for estratégico, não estiver funcionando e precisar colocar para funcionar, a gente não tem que ter medo de tomar decisões importantes para o nosso país."

Em meio a promessas de continuar investimentos sociais iniciados no governo Lula, Dilma encontrou espaço para críticas à oposição. E foi com elas que arrancou os primeiros aplausos. "Não praticamos casuísmos. Basta ver a reação firme e categórica do presidente ao frustrar as tentativas de mudar a Constituição para que pudesse disputar um terceiro mandato. Não mudamos, como se fez no passado, as regras do jogo no meio da partida", insistiu.

Ao citar os poetas Carlos Drummond de Andrade, mineiro, e Mário Quintana, gaúcho, e relembrar seu passado de combate à ditadura, ela afirmou que nunca esperou ser candidata, mas disse estar preparada para o desafio.

Na tentativa de tranquilizar quem viu viés estatizante nas diretrizes de sua plataforma, Dilma garantiu que tudo será feito para manter a estabilidade. Enfatizou, no entanto, a determinação de "continuar valorizando o servidor público" e "reconstituindo o Estado" e rebateu as críticas de que o governo petista inchou a máquina pública. "Alguns ideólogos chegavam a dizer que quase tudo seria resolvido pelo mercado", comentou, atacando a defesa da privatização, feita por tucanos.

O discurso de Dilma, lido em dois teleprompters, demorou para empolgar os petistas. Com menos espontaneidade que Lula, ela se revelou um tanto dura ao falar e seguiu praticamente à risca o pronunciamento escrito dias antes, com a colaboração do ex-prefeito Belo Horizonte Fernando Pimentel, do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e do coordenador do programa de governo, Marco Aurélio Garcia.

"Quem duvidar do vigor da democracia em nosso país, que leia, escute ou veja o que dizem livremente as vozes oposicionistas. Mas isso não nos perturba. Preferimos as vozes dessas oposições, ainda quando mentirosas, injustas e caluniosas, ao silêncio das ditaduras", afirmou.

Ex-guerrilheira, a ministra se emocionou ao citar três companheiros mortos na luta armada. Eram Carlos Alberto Soares de Freitas, desaparecido em 1971; Maria Auxiliadora Lara Barcelos, exilada que se matou em 1976, em Berlim; e Iara Iavelberg, morta em 1971.

Dilma também foi acompanhada no Congresso do PT pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), cotado para vice na chapa. O comando do partido só foi à festa depois que Temer e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), pediram a Lula sua interferência para resolver impasses em Estados onde os dois partidos disputam a cabeça de chapa.

"Acho que foi boa a presença do PMDB aqui", disse ela. "O Brasil precisa de um governo de coalizão. Não acho bom para o País governo de um partido só."


Programa de governo ainda será discutido, avisa Padilha (Nacional) - 21/02/10

Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto"O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, tentou amenizar ontem o impacto das mudanças promovidas nas diretrizes do programa de governo petista, aprovadas na véspera pelo 4º Congresso Nacional do PT. Entre as medidas, constam o combate ao "monopólio" nos meios de comunicação, cobrança de impostos sobre grandes fortunas, apoio total ao polêmico Plano Nacional de Direitos Humanos e à jornada de trabalho de 40 horas semanais, sem reajuste salarial.

Em entrevista antes do lançamento da pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff, Padilha lembrou que as propostas serão discutidas com os demais partidos da coalizão. A declaração deixa as proposições, que agradaram a grupos de esquerda, em um plano apenas formal. "O PT apresentou as diretrizes aos partidos aliados", disse. "Mas o programa de governo é da candidata. Vai ser discutido com a sociedade e com 17 partidos da base do governo."

O novo presidente do PT, José Eduardo Dutra, disse que o partido não deu tom mais radical às propostas. "O PT é e sempre foi um partido de esquerda, o que não significa que estejamos propondo qualquer esquerdismo. Nossos objetivos estão antenados com o que acontece no Brasil e no mundo."

Padilha indicou que a ministra, antes de deixar o governo, deverá intensificar sua movimentação pré-eleitoral, definida pela oposição como campanha ilegal. "Dilma sairá (do cargo) no último segundo que a lei permitir", disse ele. "Há decisões a serem tomadas em março, obras a serem vistoriadas, ações e anúncios do governo."

O ministro desprezou acusações dos adversários contra a ministra e o presidente Lula por violação da Lei Eleitoral. "Para mim, não importa o que a oposição vai falar. O que importa é o que fazemos. O governo não vai parar de governar", afirmou. W.T., V.R. e C.O.


Projeção para Selic já chega a 12,75%
Bancos preveem alta do juro de até 0,75 ponto em quase todas as reuniões do Copom até outubro

Fernando Dantas (Economia) - 21/02/10

Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto") A julgar pelas projeções do mercado financeiro, o que não vai faltar na temporada eleitoral de 2010 são aumentos de juros. Diversas instituições financeiras preveem uma sucessão de aumentos de 0,5 ou 0,75 ponto porcentual em quase todas as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) até 3 de outubro, quando os brasileiros votarão no primeiro turno. E há projeções de mais elevações da Selic, estendendo-se até janeiro de 2011.

Entre os bancos ouvidos pelo Estado, as estimativas de alta da Selic a partir da reunião de março ou abril até seu ponto máximo (em alguns casos, depois da eleição)variam de dois a quatro pontos porcentuais, o que levaria a taxa, hoje em 8,75%, para 10,75% ou 12,75%. Haverá cinco reuniões do Copom até o início de outubro, e quatro das cinco instituições ouvidas preveem aumentos em quatro delas. A quinta, o Banco Santander, projeta altas em todas.

A visão majoritária no mercado é de que a economia brasileira está crescendo a uma velocidade bem acima do seu "potencial", ou ao ritmo máximo em que pode se expandir sem provocar pressões inflacionárias.

"Estamos crescendo de 1,5% a 2% por trimestre, ou 6% a 8% anualizados, inegavelmente acima do PIB potencial - tem de desaquecer para não gerar inflação", diz Alexandre Pavan Póvoa, diretor executivo do Modal Asset Management.

Essa visão predominante no mercado, porém, não é corroborada por economistas sem ligações com o sistema financeiro, que acham exageradas as projeções de alta da Selic.

O mercado vê vários sinais de que as pressões inflacionárias estão próximas. Os índices de inflação mensais recentemente divulgados ficaram acima de 1%. Embora essa alta esteja ligada a fatores sazonais, como mensalidades escolares e alimentos, ela seria mais preocupante por estar acompanhada de um aumento das expectativas inflacionárias.

A pesquisa Focus do BC indica que a projeção média do mercado para o IPCA de 2010 subiu de 4,3% para 4,8% desde meados do ano passado. O Modal e o JGP preveem que o índice - usado para a meta de inflação - atinja 5,3% em 2010.

Outra preocupação é o mercado de trabalho. Segundo Fernando Rocha, da JGP, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), anualizados e dessazonalizados, indicam a criação de mais de 2 milhões de empregos por ano. "É um nível forte, que derruba rápido a taxa de desemprego, e leva a pressões de custo no mercado de trabalho", ele diz.

Para Alexandre Schwartsman, economista-chefe do Santander, uma observação preliminar indica que o nível de ocupação da capacidade na indústria e a pressão no mercado de trabalho já podem estar próximos ao que foi registrado no fim de 2007 e início de 2008.

As instituições acreditam que o previsto aperto monetário pelo BC terá como efeito reduzir o crescimento do PIB de 2010 para 2011 e trazer a inflação para o centro da meta, de 4,5%. O Modal, por exemplo, prevê que a economia crescerá 6% em 2010 e em torno de 4,5% em 2011, com a inflação caindo de 5,3% para 4,5%.

Zeina Latif, economista-chefe do ING, observa que um fator decisivo para a inflação de 2010 é o comportamento internacional das commodities alimentícias. "Estou assumindo que o preço das commodities tende a se acomodar, conforme os Estados Unidos normalizem sua política monetária; se isso não acontecer, o cenário se complica".




Folha de S.Paulo


STF só avaliará intervenção no DF em março
Segundo Mendes, decisão sobre habeas corpus para libertar Arruda também não deve ser tomada na próxima semana

Três ministros não estarão em Brasília nos próximos dias e os julgamentos são considerados difíceis porque não há precedentes no país


Eliane Cantanhêde
(Brasil) - 20/02/10

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, disse ontem que a votação sobre a intervenção no Distrito Federal só acontecerá a partir de março e que a do habeas corpus para libertar o governador afastado José Roberto Arruda (sem partido) também poderá não ser na próxima semana.

Ambas são decisões difíceis, porque baseadas tanto em votações quanto em fatos sem precedentes, envolvendo a prisão preventiva de um governador por obstrução da Justiça e um pedido de intervenção ao mesmo tempo do Executivo e do Legislativo.


No pedido de intervenção, a Procuradoria-Geral da República pede que a medida atinja os dois Poderes, simultaneamente. A dúvida é: enquanto isso, quem assumirá o papel de legislador? Não há respostas.


Todo o desenrolar político da crise está amarrado ao Supremo, inclusive a decisão de renunciar ou não do governador interino, Paulo Octávio. Ele já redigiu a carta de renúncia, mas disse que iria aguardar decisão do tribunal.


Os onze ministros do Supremo estão ainda indecisos até quanto as datas de votação, e os resultados são considerados uma incógnita até mesmo entre eles. Três, aliás, não estarão em Brasília na próxima semana: Celso de Mello, Eros Grau e Ricardo Lewandowski.


O risco no tribunal é que as duas decisões, a da intervenção e a do habeas corpus de Arruda, coloquem em confronto aberto o presidente Mendes e o seu adversário de toga, o ministro Marco Aurélio Mello, responsável pela decisão que mandou o governador para a cadeia.


Numa coisa, porém, os dois concordam: a delicada questão da intervenção, com um interventor nomeado pelo presidente Lula, ficará para março. "Não se trata de sangria desatada", disse Marco Aurélio.


Eles são justamente os dois relatores da crise do DF no Supremo. Marco Aurélio pretende apresentar até quarta seu parecer sobre o habeas corpus, que, a partir de então, poderá ser julgado e decidido. Mendes vai relatar a intervenção.


Marco Aurélio tende a ser pela manutenção da prisão preventiva de Arruda, como ele próprio já deixou claro em entrevista à Folha.


Quem decide quando seu parecer será julgado é Mendes, que, em conversa com interlocutores, tem insinuado a hipótese de pedir vistas, admitindo que há inúmeras dúvidas quanto à suposta tentativa de Arruda de corromper uma das testemunhas da Operação Caixa de Pandora, que flagrou uma rede de corrupção na política do DF.


Uma das dúvidas é quanto à eficácia de comprar um jornalista para dizer que as gravações da PF foram fraudadas. Como tem ponderado o ministro, só quem pode dizer se gravações são ou não fraudadas são pareceres técnicos.


Anteontem, a Procuradoria-Geral da República, em parecer encaminhado ao STF, se manifestou pela continuidade da prisão preventiva de Arruda dizendo que ela é necessária para que seja preservada a "ordem pública" em Brasília.

 

Brasil prega reaproximação com Honduras
Porta-voz de Lula enfatiza, porém, que solução da crise não deve criar precedente de apoio a movimentos golpistas na região

Presidente brasileiro, que participará de encontro regional em Cancún, quer reconciliação hondurenha e retorno de Manuel Zelaya


Simone Iglesia
s (Mundo) - 20/02/10

O governo brasileiro mudou de posição e passou a acenar pela reaproximação com Honduras. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera que é importante retomar o diálogo com o governo hondurenho e que aquele país volte a integrar a OEA (Organização dos Estados Americanos).

"O presidente acha que é, sim, importante que Honduras volte à OEA e que é importante que qualquer solução que seja dada para essa crise não crie um precedente de apoio a movimentos golpistas na América Latina", disse ontem o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach.


Lula não levará nenhuma proposta concreta à reunião da Calc (Cúpula da Unidade da América Latina e do Caribe), que ocorrerá segunda e terça-feira em Cancún (México), mas avalia que o encontro é uma boa oportunidade para discutir o assunto.


"O Brasil foi lançado, um pouco a contragosto, no cerne dessa questão, pela decisão do presidente [Manuel] Zelaya de pedir abrigo na embaixada brasileira. Mas o presidente Lula não quer que perdure uma situação de ruptura do diálogo com o governo hondurenho e vai à reunião da cúpula acreditando que é uma oportunidade privilegiada para discutir o tema com os países da região e, a partir daí, tentar uma retomada desse diálogo com o [novo] governo de Honduras", afirmou Baumbach.


O Brasil ainda não reconheceu Porfirio "Pepe" Lobo, eleito em janeiro, como presidente, pois considera que sua vitória surgiu de um processo eleitoral "ilegítimo". Segundo o porta-voz, algumas medidas internas devem ser tomadas para que haja o retorno de Honduras à OEA e o reconhecimento do novo governo.


Citou como necessárias a criação de uma comissão da verdade e o retorno de Zelaya ao país para que ocorra um verdadeiro processo de reconciliação nacional. Baumbach, entretanto, deixou claro que essas questões não são condicionantes para fazer o Brasil se reaproximar de Honduras.


A Folha apurou que o Brasil não quer levar uma proposta concreta de reconhecimento do governo Lobo e de retorno de Honduras à OEA porque se envolveu demais na crise que causou a deposição de Zelaya.


Espera, portanto, que algum país que integra a Calc tome a iniciativa. Eventuais condições sugeridas pelo Brasil não deixam de ser uma forma de evitar um posicionamento automático pelo fim do impasse, já que o governo brasileiro fez ampla defesa de Zelaya.

"O presidente vai dialogar na cúpula, e vai trocar ideias com os outros mandatários que estarão presentes lá. E a posição brasileira evolui de acordo, também, com esse diálogo. O presidente quer, sim, retomar esse diálogo, acha importante e necessário, dentro do contexto da integração, dentro do contexto do diálogo na região", disse o porta-voz.


Aceno hondurenho
Anteontem, Lobo anunciou que retirará uma demanda apresentada contra o Brasil na Corte Internacional de Justiça de Haia, como forma de restabelecer os laços com a comunidade internacional.

A denúncia fora apresentada em outubro passado pelo então presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, um mês após Zelaya ter se refugiado na embaixada brasileira em Tegucigalpa.

Zelaya permaneceu por quatro meses na embaixada sitiada por militares e policiais. Embarcou para a República Dominicana em 27 de janeiro, quando se encerrou seu mandato e Lobo assumiu o governo.


Ontem, Lobo pediu que Zelaya "deixe de atrapalhar Honduras" e rechaçou a ideia do ex-mandatário de dissolver setores das Forças Armadas envolvidos no golpe.



2010 será ainda pior para exportadores
Para entidade, superavit comercial deve cair de US$ 25,3 bilhões para US$ 8 bilhões e rentabilidade das vendas vai diminuir

No ano passado, houve retração de 10,7% no volume exportado e recuo de 13,4% nos preços dos produtos, aponta Funcex

Pedro Soares
(Dinheiro) - 20/02/10

Afetados pelo câmbio, os exportadores viram a rentabilidade de suas vendas ao exterior cair com força, embarcaram um volume menor de produtos e conviveram com preços deprimidos em 2009. O pior é que esse cenário tende a se agravar em 2010, quando o saldo comercial deve ceder dos US$ 25,3 bilhões verificados no ano passado para US$ 8 bilhões, segundo cálculos da Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior).


Com a queda do dólar diante do real, a rentabilidade das exportações caiu 19,6% no ano passado. É que os exportadores, principalmente de manufaturados, têm seus custos atrelados ao real, mas recebem menos dólares por seus produtos vendidos ao exterior com a desvalorização da moeda.


"Não existe espaço para mudança da taxa de câmbio, e a tendência é que a perda de rentabilidade se agrave porque agora os preços das commodities começaram a cair também", afirma José Augusto de Castro, vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil).


Castro prevê que, diante da retomada forte da economia neste ano -com crescimento estimado do PIB em torno de 5%- e da manutenção de um câmbio desfavorável, muitas empresas vão deixar de exportar e focar sua atuação no mercado doméstico.


Tal movimento, afirma, já ocorreu em 2009 -quando preços e quantidades exportadas despencaram- e tende a se intensificar neste ano.


De acordo com a Funcex, houve retração do volume exportado -de 10,7%- e recuo dos preços dos produtos -de 13,4%, em média. Somados, esses dois fatores provocaram a queda de 23% das exportações no ano passado, diz a fundação em seu boletim.


"Hoje, já não compensa mais exportar em muitos setores. É mais rentável vender no Brasil, principalmente para ramos intensivos em mão de obra, como móveis, vestuário e calçados."


Segundo Castro, o país importará mais neste ano graças ao aumento rápido do consumo, atendido parcialmente pelo mercado externo -ainda mais num cenário de câmbio favorável às importações.


Pelas estimativas da Funcex, as importações vão subir 20%, num ritmo maior do que a expansão das exportações -de apenas 8,5%.


Castro diz que o saldo no ano passado só não foi menor porque a economia brasileira se contraiu e demandou menos produtos do exterior -as importações recuaram 26,3%, com mais intensidade do que as exportações.


Agora, diz, a situação se inverteu e haverá um processo mais forte de troca de insumos e produtos nacionais por importados.


Roberto Giannetti da Fonseca, diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, declara que o "problema central do exportador brasileiro é o câmbio" e cobra uma atuação "ativa e inteligente" do Banco Central para conter a especulação no mercado e a sobrevalorização da moeda brasileira.


"O setor exportador vive uma grave e aguda crise, e o governo parece não perceber que temos um problema estrutural sério. Vamos voltar a uma indesejável situação de elevados deficit em conta-corrente em pouco tempo se o saldo comercial continuar a cair."



Lula confirma reativação da Telebrás, e ação dispara
Pela 1ª vez, presidente admite plano de usar empresa na estrutura estatal de banda larga

Ação subiu 35.000% em sete anos com rumores sobre nova atuação da companhia; após fala de Lula, alta chegou a 14,8% no dia de ontem


Agnaldo Brito (Dinheiro) - 20/02/10

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem, pela primeira vez em público, que a Telebrás vai ser mesmo utilizada para a montagem de uma estrutura estatal de banda larga no país. A afirmação, que desmente nota divulgada no dia 11 passado pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, elevou em 14,8% a cotação das ações preferenciais da empresa na Bolsa no pregão de ontem.

A afirmação foi feita após a visita de Lula à unidade de Três Lagoas (MS) da Fibria, empresa produtora de celulose, controlada pelo Grupo Votorantim e pela BNDESPar (braço de participações do BNDES). "Nós vamos recuperar a Telebrás. Nós vamos utilizá-la para fazer banda larga neste país", disse.

A rigor, a reativação da Telebrás não depende apenas da vontade do presidente, mas, principalmente, da solução de um processo judicial no qual credores privados e empresas estatais disputam a posse de uma estrutura de cabos de fibra ótica que seria a espinha dorsal da nova Telebrás.


Numa breve coletiva de imprensa, a Folha questionou o presidente se não lhe parecia estranha a forte valorização dos papéis da Telebrás na Bolsa paulista durante o seu mandato. O presidente respondeu: "Primeiro, se cresceu 35.000%, para mim é novidade. Agora, que ela vai crescer, vai".


Reportagem da Folha mostrou que a valorização dos papéis coincidiu, nos últimos sete anos, com declarações sem embasamento oficial e publicações, em blog e no Twitter, de informações sobre planos do governo de reativar a empresa.


Lula nega, entretanto, que informações privilegiadas tenham saído de dentro do governo. "Não saiu informação [privilegiada] de dentro do governo. No meu governo, as ações de todas as empresas cresceram. Se o jornal em que você trabalha tiver ações na Bolsa, pode estar certo que cresceram muito também."


Lula também cobrou ações de investigação para o caso de ter havido especulação com papéis da estatal. "Se a CVM [Comissão de Valores Mobiliários] entende que houve vazamento, por isso alguém foi privilegiado, aí cabe investigação."


O projeto de banda larga extrai a Telebrás da condição de inativa. Após a privatização das companhias estaduais e da empresa nacional de longa distância (Embratel) -no governo FHC-, a empresa deixou de ter relevância no setor. Lula negou que essa valorização das ações numa empresa praticamente inativa tenha ocorrido em razão de vazamentos de informação pelo governo.



Painel

Renata Lo Prete - 21/02/10


Para entender

Embora a fala de Lula sobre os perigos dos palanques duplos tenha incluído bronca leve no PT de Minas, dividido entre dois pré-candidatos enquanto um peemedebista lidera as pesquisas, o PMDB interpretou as palavras do presidente como um recado aos seus postulantes e sobretudo ao ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), que pretende enfrentar na Bahia Jaques Wagner, um governador não apenas petista como próximo do presidente.

Escaldado, o PMDB enxergou mensagem subliminar também na ameaça de Lula de não ir aonde houver encrenca. Aí, o destinatário seria o queixoso Sérgio Cabral. Mas o governador do Rio não quer exclusividade? Sim, mas neste caso é o Planalto que investe no segundo palanque, de Anthony Garotinho (PR).




Quem manda. A escolha de João Vaccari para comandar a tesouraria do PT foi selada apenas quando Lula bateu o pé. Tanto o antecessor, Paulo Ferreira, quanto Ricardo Berzoini jogaram contra.


Pauleira. Berzoini, aliás, deixa a presidência com o filme bastante queimado. Até o montepio da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara ameaçam lhe negar. De presente, por ora, o fã de rock recebeu apenas um iPod de Gleber Naime, outro que se despediu da direção do PT.

Showtime. De um cardeal petista, sobre o clima do congresso encerrado ontem: "Estava mais para convenção do Partido Democrata nos EUA do que para coisa do PT".

Primo rico. O PT distribuiu os delegados do congresso pelos hotéis de Brasília mais ou menos de acordo com as divisões internas da sigla. Segundo queixa do pessoal da esquerda, só rolou cinco estrelas para os integrantes da Construindo um Novo Brasil, corrente majoritária.


Selado. No consórcio PSDB-DEM, mesmo os descontentes já aceitam o fato de que, exceto se José Serra desistir da Presidência, o candidato ao governo será Geraldo Alckmin. O próprio Aloysio Nunes (Casa Civil), nome dileto de Serra, já se conformou. A exceção é o vice Alberto Goldman, que não pode ouvir falar em Alckmin. Não que isso vá mudar as coisas.


Saideira 1. Dando por perdida a batalha, no STF, pela manutenção da contribuição sindical obrigatória, as centrais passaram a pressionar os ministros da corte para que o desfecho da votação ocorra apenas em abril. Assim, elas assegurariam ao menos o gordo repasse deste ano, que o governo fará em março.


Saideira 2. No ano passado, as seis centrais receberam R$ 64 milhões de imposto sindical. A CUT faturou R$ 21 milhões, e a Força Sindical, R$ 18 milhões. A despeito do lobby, o caso entrou na pauta desta semana no Supremo.


Agora vai? Integrantes da Executiva do DEM esperam que o presidente Rodrigo Maia seja assertivo ao deliberar na quarta-feira pela desfiliação de Paulo Octávio, governador interino do Distrito Federal. Tudo para amenizar o desgaste causado pelo excesso de "paciência" que teve com José Roberto Arruda.


Cadeira. "PO" tem assento na Executiva do DEM. É vice-presidente para assuntos de trabalho e habitação. No Conselho de Ética está Cássio Taniguchi, secretário de Desenvolvimento Urbano de Arruda até estourar o escândalo.


Cifras. Em 2006, quando se tornou vice na chapa de Arruda, Paulo Octávio declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 380 milhões.


Parede. Um agravante do quadro político do governador interino é a composição da comissão especial da Câmara Legislativa, que analisará amanhã os pedidos de impeachment. A estimativa é que pelo menos três dos cinco membros votem contra ele.


Aclamada candidata, Dilma prega Estado forte e coalizão
Em clima de superprodução, ministra também prometeu manter a política econômica

Petista, que citou nome de Lula 12 vezes em discurso no evento do PT, critica oposição e afirma que dará atenção especial a meio ambiente


Ana Flor, Eduardo Scolese, Malu Delgado, Ranier Bragon e Valdo Cruz (Brasil) - 21/02/10


Em um cenário de superprodução de campanha que incluiu vídeos, jingles e cartazes, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) assumiu ontem oficialmente a pré-candidatura à sucessão de Lula prometendo um governo de coalizão, com Estado forte e manutenção das bases da política econômica. Usando no evento a mesma blusa vermelha em que apareceu na propaganda de TV do PT, Dilma iniciou o discurso de 55 minutos se referindo a Lula.

"Meu partido me confere a honrosa tarefa de dar continuidade à magnífica obra de um grande brasileiro. A obra de um líder, meu líder, de quem muito me orgulho." Ela citou 12 vezes o nome do presidente no discurso lido em um monitor.


Enfatizando que nasceu em Minas Gerais e fez carreira política no Rio Grande do Sul -citou versos do mineiro Carlos Drummond de Andrade e do gaúcho Mario Quintana-, Dilma fez questão de frisar que fará um governo de coalizão, na busca de atrair o apoio dos aliados, e repetiu mais de uma vez que manterá o equilíbrio macroeconômico -tentando afastar a imagem de que poderia alterar a política econômica.


Isso um dia após o PT ter incluído nas diretrizes do seu plano de governo propostas da ala mais à esquerda. Dilma e petistas dizem que o programa de governo ainda está sendo elaborado. "Participo de um governo de coalizão", disse a ministra, acrescentando que todas as ações de governo terão "sem sombra de dúvida, uma premissa: a preservação da estabilidade macroeconômica". Na saída, afirmou não ser "desejável para o Brasil que haja um governo de um só partido".


"Vamos manter o equilíbrio fiscal, o controle da inflação e a política de câmbio flutuante", o tripé da política econômica de Lula, muitas vezes criticado por setores do PT e do governo.


Dilma, porém, reafirmou a proposta de fortalecimento do Estado, citada por Lula em sua fala, quando disse à ministra: "Isso é bom Dilma, não é ruim", ao lembrar que a oposição a acusa de ser estatizante. "Continuaremos a valorizar o servidor e o serviço público, reconstituindo o Estado, recompondo sua capacidade de planejar, gerir e induzir o desenvolvimento do país", afirmou ela.


Ao defender o Estado, Dilma disse que o desastre da crise econômica mundial não foi maior no Brasil porque os "brasileiros resistiram a esse desmonte e conseguiram impedir a privatização da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica ou de Furnas", momento em que foi aplaudida.


Ainda ao discursar, a ministra atacou a oposição, nos mesmos termos usados pelo coordenador de seu programa de governo, Marco Aurélio Garcia, no dia anterior: "Preferimos as vozes dessas oposições, ainda quando mentirosas e injustas, ao silêncio das ditaduras." Afirmou que o governo não praticou casuísmos, em referência à aprovação da emenda da reeleição, 1997. "Não mudamos, como se fez no passado, as regras do jogo no meio da partida."


Também disse ter "amadurecido" na vida, prometeu atenção especial ao meio ambiente e falou que avançará nas políticas sociais, com enfoque em mulheres, crianças e jovens.


Ao final, ela se emocionou ao citar nomes de antigos companheiros da resistência à ditadura. Durante todo o evento, jingles em ritmo de samba e forró tocavam nos alto-falantes: "Vem Dilma, vem, mostrar o que aprendeu com esse cabra valente" e "depois do cara, a gente vota é na coroa".



Marxista quer Vale estatal e confiscar terras (Brasil) - 21/02/10

"Virar à esquerda, reatar com o socialismo! Um governo do PT apoiado na CUT, no MST, nas organizações populares, sem ministros capitalistas." O discurso não se enquadra ao novo figurino do PT, mas as minorias da ultraesquerda não desapareceram diante do pragmatismo político-eleitoral da sigla.

O manifesto socialista que quer "a ruptura do PT com todos os partidos de direita", assinado pelo estranho no ninho Serge Goulart, 55, da corrente "Esquerda Marxista" petista, foi derrotado em segundos pela plateia com mais de mil delegados do PT, no 4º Congresso Nacional. Jornalista de Santa Catarina. "Lula governa para os capitalistas. Não resolveu reivindicações fundamentais da classe trabalhadora. A CUT até hoje não é uma central sindical. O governo Lula continua com tropas a serviço dos EUA e da ONU no Haiti. A reforma agrária não foi feita. O Bolsa Família? Quem inventou foi o Banco Mundial e FHC. Lula só aumentou", disse Goulart à Folha.


A proposta de programa que a esquerda marxista do PT sugeria, ainda, a reestatização da Vale, a estatização de fábricas quebradas ou que ameacem demitir, a abertura de arquivos da ditadura e a reforma agrária a partir do confisco de latifúndios.



Justiça eleitoral cassa mandato de Kassab
Decisão de juiz da 1ª Zona de SP foi motivada pelo suposto recebimento de doações ilegais durante campanha de 2008

Sentença deve ser publicada no "Diário Oficial" na terça; defesa diz que vai recorrer, suspendendo a puniçãoaté julgamento no TRE


Flávio Ferreira e Fernando Barros de Mello (Brasil) - 21/02/10

Sentença da Justiça Eleitoral condenou o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), à perda do mandato pelo suposto recebimento de doações ilegais na campanha de 2008.


A decisão judicial foi anexada aos autos do processo contra Kassab na última quinta-feira e deve ser publicada no "Diário Oficial" na terça. A cassação do prefeito vale oficialmente após esse ato formal.


A defesa de Kassab afirmou em nota, divulgada no início da noite de ontem, que vai recorrer contra a sentença, o que fará com que a punição fique suspensa até julgamento em segunda instância.


Como antecipado pela Folha no último dia 3, Kassab corria o risco de ser cassado porque perícia contábil da Justiça Eleitoral apontou que 33% dos recursos arrecadados pelo prefeito no último pleito municipal tiveram origem em fontes de contribuição consideradas ilegais pelo Ministério Público.


O juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Aloísio Silveira, também já apresentou em cartório as sentenças nos processos contra a petista Marta Suplicy e o tucano Geraldo Alckmin, candidatos em 2008.


Marta e Alckmin não foram punidos- a condenação seria de perda de direitos políticos, o que os impediria de concorrer nas eleições de 2010.


O critério adotado pelo magistrado para definir as punições e absolvições foi o seguinte: aqueles cujas arrecadações ilegais superassem o valor de 20% do total recebido nas eleições seriam condenados.


Nas ações relativas à petista e ao tucano, as doações consideradas irregulares pelo Ministério Público não superam esse patamar.


Assim, as sentenças deles apontaram apenas a aprovação com ressalvas de suas contas de campanha.


Doações
No processo contra Kassab, o promotor eleitoral Maurício Lopes acusou o prefeito de ter recebido doações ilegais da AIB (Associação Imobiliária Brasileira), de sete construtoras e do Banco Itaú- cujas contribuições somaram mais de R$10 milhões em 2008.


Após a Folha ter revelado as doações da AIB em 2009, o promotor apontou a associação como entidade de fachada do Secovi (sindicato do setor imobiliário) para fazer doações eleitorais.


A lei impede os sindicatos de realizarem tais contribuições. O Secovi afirma não ter vínculo com as doações.


Para Lopes, as empreiteiras doadoras de Kassab- Camargo Corrêa, OAS, Serveng Cilvisan, CR Almeida, Carioca Christiani Nielsen, S.A. Paulista e Engeform- são acionistas de concessionárias de serviços públicos e devem ser equiparadas às próprias concessionárias, que, segundo a lei, não podem fazer doações.


A Promotoria alegou ainda que o Itaú não poderia contribuir para Kassab porque a prefeitura faz pagamentos para parte de seus funcionários por meio do banco.



Brasil puxa recuperação do emprego global
Com demanda interna e avanço do agronegócio, desemprego no país é o 1º das grandes economias a retornar ao nível pré-crise

Especialista diz que, apesar de melhor que o de outros países, saldo de emprego no Brasil em 2009 ficou bem abaixo dos anos anteriores

 
Álvaro Fagundes e Verena Fornetti
(Dinheiro) - 21/02/10

A força do mercado interno e o crescimento de setores como a construção e o agronegócio ajudaram o mercado de trabalho brasileiro a ser o primeiro das grandes economias globais a retornar ao nível pré-crise.


Em dezembro do ano passado, a taxa de desemprego no país ficou em 6,8%, menor que a de setembro de 2008 (7,6%), quando a crise se tornou verdadeiramente global, e não apenas restrita aos mercados ricos.


Mesmo em países que, ao contrário do Brasil, conseguiram evitar a recessão (casos de Austrália e Coreia do Sul), a taxa de desemprego continua maior do que a de antes da quebra do banco norte-americano Lehman Brothers. E nos países desenvolvidos, caso dos EUA e dos europeus, as perspectivas são que vai demorar muitos anos até que o desemprego retorne ao nível anterior à crise -se é que isso vai ocorrer.


Nos EUA, por exemplo, o banco central projeta que a taxa -que no mês passado estava em 9,7%- vai ficar entre 6,6% e 7,5% daqui a dois anos, ainda bastante distante dos 4,7% registrados em novembro de 2007, o último mês antes do início da recessão americana. Para Francisco Pessoa, economista da LCA Consultores, o fato de o PIB brasileiro ter sido menos afetado que o de outros países explica o impacto menor na taxa de desemprego por aqui. "Uma das vantagens do Brasil durante a crise foi que a economia não é tão exportadora. O México, mais dependente dos EUA, sofreu mais."


O pesquisador Claudio Leonardo Salm, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ressalta a interiorização do desenvolvimento como outro fator que ajudou o Brasil a conter a taxa de desemprego. Ele afirma que o agronegócio gerou vagas formais de baixa qualificação no interior do país, o que ajuda a absorver a mão de obra.

O avanço da construção civil, mesmo no período recessivo, também foi importante para frear o desemprego no país, diz Carlos Alberto Ramos, professor da Universidade de Brasília.


É preciso lembrar, porém, que o desemprego na Coreia do Sul e na Austrália já começou a ceder e que a taxa é menor que a brasileira -que leva em conta apenas seis regiões metropolitanas. Além disso, China e Índia, que foram as economias que melhor se saíram na crise, não divulgam dados mensais do mercado de trabalho.


Outro fator que precisa ser considerado é a qualidade do emprego que foi recuperado. Em 2009, entre contratações e demissões, a indústria gerou 0,15% mais vagas que no ano anterior. O crescimento em 2008 havia sido de 2,55% e, em 2007, de 5,97%. A indústria costuma pagar um dos salários iniciais mais altos no Brasil.


"A taxa de desemprego do Brasil se comportou melhor que a de outros países, mas não significa que o mercado de trabalho tenha ficado espetacular. O saldo de emprego ficou bem abaixo dos anos anteriores", afirma Salm, da UFRJ.





Jornal da Tarde


Kassab é cassado pela Justiça
Condenação por captação ilícita na campanha inclui a vice. Ambos seguem no cargo enquanto recorrem
 
Roberto Fonseca, Fabio Leite e Eduardo Reina - 21/02/10
 
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e a vice, Alda Marco Antonio (PMDB), tiveram o mandato cassado pelo juiz da 1ª Zona Eleitoral, Aloísio Sérgio Resende Silveira, por recebimento de doações consideradas ilegais na campanha de 2008. A decisão, em primeira instância, torna Kassab o primeiro prefeito da capital cassado no exercício do mandato desde a redemocratização, em 1985. Como o recurso tem efeito suspensivo imediato, os dois podem recorrer da sentença sem ter de deixar os cargos.

Entre as doadoras consideradas ilegais estão a Associação Imobiliária Brasileira (AIB) e empreiteiras acionistas de concessionárias de serviços públicos, como Camargo Corrêa e OAS. Ao todo, a coligação de Kassab e Alda gastou R$ 29,76 milhões na campanha, dos quais R$ 10 milhões são considerados irregulares pela Justiça. A sentença será publicada no Diário Oficial de terça-feira, quando passa a contar o prazo de três dias para o recurso no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).


Silveira disse ontem ao Jornal da Tarde que já julgou os processos de Kassab, nove vereadores e dos candidatos derrotados na eleição à Prefeitura em 2008, Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), todos alvos de representação do Ministério Público Eleitoral (MPE), mas que não poderia informar quais dos réus foram cassados antes da publicação, na terça. Falta julgar o presidente da Câmara Municipal, Antonio Carlos Rodrigues (PR), e duas empresas acusadas de repasse ilegal.

O juiz afirmou, contudo, que manteve nas suas decisões o mesmo entendimento que levou à cassação de 16 vereadores no fim do ano passado. No caso, todos os políticos que receberam acima de 20% do total arrecadado pela campanha de fonte considerada vedada foram cassados. "Se passou de 20%, independentemente do nome, tenho aplicado a pena por coerência e usado esse piso como caracterizador do abuso de poder econômico na eleição, um círculo vicioso que dita a campanha e altera a vontade do eleitor", afirmou Silveira.


Além de cassar o diploma do prefeito e da vice, a sentença os torna inelegíveis por três anos. Dos 13 vereadores que aguardavam a decisão da Justiça Eleitoral, dez ultrapassavam o limite em doações consideradas ilegais. São eles: o líder do governo, José Police Neto (PSDB), Marco Aurélio Cunha (DEM), Gilberto Natalini (PSDB) e Edir Sales (DEM), da base governista, e os petistas Antonio Donato, Arselino Tatto, Ítalo Cardoso, José Américo e Juliana Cardoso, além de Rodrigues (PR).

Fonte vedada

Nas decisões, Silveira considerou como fonte vedada de doação eleitoral empreiteiras que integram concessionárias de serviços públicos e a AIB. A entidade é acusada pelo Ministério Público Estadual (MPE) de servir de fachada do Sindicato da Habitação (Secovi). Por lei, sindicatos não podem fazer doações a candidatos, comitês e partidos. Só da AIB a campanha de Kassab recebeu R$ 2,7 milhões. A entidade e o Secovi negam haver irregularidades.

"Um acionista, mesmo que minoritário, que tem faturamento de R$ 500 milhões, faz estrago numa campanha porque ele tira renda da concessionária. Embora seja um voto vencido, por conta da decisão do ministro Velloso, me convenceu", afirmou Silveira, citando decisão do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Carlos Velloso favorável a essas doações nas eleições de 2006.


O inciso 3º do artigo 24 da Lei das Eleições (Lei 9.504/97) proíbe "concessionário ou permissionário" de fazer doações de qualquer espécie a candidatos ou partidos políticos. E embora a última manifestação do TSE, em 2006, tenha considerado legais doações de empresas com participação em concessionárias, votos proferidos no passado pelos ministros Cezar Peluso, Carlos Ayres Brito e Ellen Gracie repudiaram a prática.


Sem conhecimento

Procurada pela reportagem, a assessoria de Kassab alegou que o advogado do prefeito, Ricardo Penteado, ainda não tinha tomado conhecimento da sentença de cassação e tampouco havia confirmação a respeito. E que, por isso, nenhum dos dois se pronunciaria a respeito do caso. Alguns vereadores procurados para confirmar se haviam sido notificados de alguma decisão judicial também não quiseram dar entrevista.

Apenas o democrata Marco Aurélio Cunha comentou a decisão. "Qualquer que seja a decisão, vai ter uma defesa adequada. É um absurdo jurídico. Fui o vereador que menos gastou e com todas as contas publicadas", disse.



 

Correio Braziliense


Distritais podem aprovar decreto legislativo que autoriza o STJ a processar Arruda
No Supremo Tribunal Federal, tramita Adin justamente contra esse dispositivo da Lei Orgânica var gld = false; var items; var iic = 0; $('#abas > li > a').each(function(i, item){ $(item).click(function(e){ $('#abas > li').each(function(i, item){ $(item).removeClass('selecionado') }); var its = ['abanoticia', 'abavideo', 'abafoto', 'abainfografico', 'items_noticia']; for (i=0;i a > b > img').each(function(i, item){ $(item).attr('src', $(item).attr('srci')); }) var igg = $('#viewimg > img').eq(0); igg.attr('src', igg.attr('srci')); } gld = true; } break; case 'Gráfico': $('#abainfografico').show(); $("#grfbox").click(); break; } }) }); $("#grfbox").fancybox({'hideOnContentClick':true, 'imageScale':false, 'centerOnScroll':false, 'overlayShow':true, 'frameWidth':720, 'frameHeight':480, 'callbackOnClose':function(){ $('#abas > li:first > a').click(); }}); function workaroundIE6() // i luv this browser { var igg = $('#viewimg > img').eq(0); igg.attr('src', igg.attr('srci')); if (!items) items = $('#thumbs > a > b > img'); var item = items.eq(iic) item.attr('src', item.attr('srci')); if (tt) clearTimeout(tt); if (! (iic++ >= items.lenght) ) tt = setTimeout("workaroundIE6();", 250); }

Lilian Tahan - 20/02/2010  

Está pronto para ser apreciado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa o Projeto de Decreto Legislativo nº 499 de 2010. Ele autoriza o Superior Tribunal de Justiça (STJ) a instaurar processos contra o governador afastado José Roberto Arruda (sem partido), investigado no âmbito do Inquérito nº 650. O PDL foi proposto por sete deputados e deve contar com apoio suficiente para a aprovação, como apurou o Correio. Se o previsto para ocorrer na próxima terça-feira for confirmado, a Câmara se antecipará ao debate travado no Supremo Tribunal Federal (STF), que deve definir se a Justiça precisa ou não pedir licença ao Poder Legislativo para processar Arruda. Na Suprema Corte tramita uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), questionando justamente o artigo 60 da Lei Orgânica do DF, que atrela a abertura de processos do chefe do Executivo ao aval dos distritais.

A atitude que os deputados se preparam para tomar tem duas interpretações. Uma do ponto de vista político, segundo a qual os distritais pretendem demonstrar boa vontade com a Justiça na tentativa de evitar uma intervenção considerada iminente. Outra sob o aspecto jurídico, que de maneira prática pode queimar etapas para a abertura de processo judicial contra o governador afastado, segundo acreditam juristas ouvidos pela reportagem.


Na hierarquia das leis, um decreto legislativo tem patente baixa (leia para saber mais). Não é tão abrangente como uma lei complementar nem tem o peso do que está escrito na Lei Orgânica. Tanto é assim que, para aprovar um PDL, basta maioria simples. Ou seja, se houver apenas 13 distritais em plenário, sete votos seriam suficientes para fazer valer o conteúdo do decreto legislativo - quorum muito mais fácil de se atingir do que o necessário a uma emenda à Lei Orgânica, com o mínimo de 16 votos para a aprovação.


Dos 24 distritais, sete assinam o PDL nº 499: Milton Barbosa (PSDB), Jaqueline Roriz (PMN), José Antônio Reguffe (PDT), Paulo Tadeu (PT), Érika Kokay (PT), Chico Leite (PT) e Cabo Patrício (PT). Mas esses não serão os únicos votos a favor do projeto. Outros deputados demonstram simpatia pelo decreto que, segundo avaliam, seria um gesto político de colaboração com a Justiça. Um dos que vão se unir aos autores do PDL é Alírio Neto (PPS). O distrital, no entanto, acredita que o decreto é fraco para o objetivo ao qual se propõe. "Mostra boa vontade, mas é um instrumento legislativo incorreto. O expediente adequado é uma emenda à Lei Orgânica que eu mesmo me disponho a apresentar", antecipou Alírio. Autor de regimento interno comentado, o deputado explica que o decreto legislativo seria mais apropriado após a provocação da Justiça e não antecipadamente, o que poderá gerar polêmica. A perspectiva é, já na terça-feira, aprovar a matéria na CCJ e encaminhá-la ao plenário no mesmo dia.


Para Paulo Tadeu, no entanto, a medida é o bastante para sinalizar ao Ministério Público, ao STJ e ao Supremo uma mudança de comportamento da Câmara Legislativa: "Além de acabar com a discussão no Supremo sobre a consulta ou não o Legislativo para processar Arruda, essa é uma providência no sentido de fortalecer essa imagem de que a Câmara tem capacidade para resolver a crise, mesmo em meio a toda a suspeição que paira sobre os deputados".


Licença
Presidente do Instituto Brasiliense de Direito Público, o constitucionalista Inocêncio Mártires Coelho explica que o decreto legislativo prestes a ser votado na Câmara terá validade prática dentro do princípio da "instrumentalidade das formas", segundo a qual não se privilegia a forma em detrimento do conteúdo. "Isso quer dizer que, se o STJ for processar o governador afastado, não se prendará ao fato de a Câmara ter ou não de dar uma licença, porque ela já se manifestou sobre essa autorização anteriormente. É como se a decisão do processo saísse hoje e o Tribunal interpretasse ‘ontem a Câmara me autorizou a tomar essa atitude', portanto isso já não tem a menor interferência no desenrolar do processo", comentou Inocêncio.


O advogado Paulo Castelo Branco acrescenta que o decreto legislativo proposto pelos distritais não interfere em nada na análise da Adin que contesta o dispositivo obrigando o STJ a pedir autorização à Câmara para processar o governador. "A Justiça já deu todas as demonstrações em relação à Operação Caixa de Pandora de que está disposta a agir, independentemente do Legislativo. Além do mais, a Adin em análise no STF é muito mais abrangente do que o caso no Distrito Federal, ela será analisada de qualquer maneira, com ou sem a antecipação dos deputados", considerou Castelo Branco.


Pela ordem de importância

No universo da produção legislativa reina a seguinte ordem de importância. Acima de tudo está a Lei Orgânica, que funciona como uma constituição específica para a capital federal. Qualquer emenda a essas regras só se concretiza por meio da decisão de dois terços dos deputados, ou seja, 16 parlamentares. A lei complementar cria regras específicas para os princípios escritos na Constituição do DF e só pode ser aprovada com maioria absoluta dos deputados, metade mais um (13).

Em seguida vêm a lei ordinária, os decretos legislativos, as resoluções e os requerimentos, que podem ser aprovados por maioria simples. Esse conjunto de proposições se destina principalmente a criar normas para o funcionamento da Câmara Legislativa. Por esse motivo são considerados menos abrangentes e, em geral, se referem a situações bastante específicas.


A maioria simples depende do quorum mínimo de metade dos 24 deputados mais um. Ou seja, basta que no plenário tenham 13 distritais e, pelo menos, sete sejam a favor da aprovação das proposições.


CUT cobra acesso a galerias

A Central Única dos Trabalhadores do DF apresentará, segunda-feira, um pedido de salvo conduto à Mesa Diretora da Câmara Legislativa, com o intuito de garantir o acesso das pessoas às galerias do plenário para acompanhamento das votações. De acordo com a presidente da CUT-DF, Rejane Pitanga, desde que o deputado Wilson Lima (PR) assumiu a Presidência da Casa, foram fechadas as portas do espaço reservado à comunidade. Antes da iniciativa da CUT, a reclamação foi levada à Mesa Diretora pelo deputado Chico Leite (PT). "É inadmissível que a população do DF seja impedida de ver o que acontece na Câmara, umas principais ferramentas políticas do DF", afirmou Rejane Pitanga. "Quem deve ter limite de liberdade são os parlamentares que colaboraram para o processo de corrupção no governo local e não o povo, parte prejudicada de todo o esquema", acrescentou a presidente da CUT-DF.




Zero Hora


Dilma é ovacionada em Congresso do PT - 20/02/10 
Vestindo vermelho e acompanhada por Lula, ministra foi ovacionada por militantes

Aguardada com expectativa por ministros, autoridades e militantes no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, em Brasília, a ministra Dilma Roussef subiu ao palco às 11h, cerca de uma após o horário previsto, e foi ovacionada. Ela estava acompanhada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da primeira-dama, Marisa Letícia - todos vestindo vermelho -, além do presidente nacional do PMDB, Michel Temer. O 4° Congresso Nacional do PT que ocorre neste sábado, será o lançamento de sua candidatura à presidência da República.

Militantes carregavam bandeiras lilás, simbolizando a ala feminina do partido. O palco foi decorado especialmente para o momento com flores verdes e vermelhas, além de estrelas de papel vermelhas.


A festa reuniu ministros, líderes do partido no Congresso e no Senado, governadores e vices, prefeitos de capitais, além de lideranças dos principais movimentos sociais como MST, UNE, Contag e CUT.


Sem gravata e sorridente, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou por volta das 10h30min, afirmando que o encontro será belo e com o ânimo "bem para cima". Questionado sobre o PAC 2, Mantega garantiu o lançamento para o fim de março.

Mais cedo, o presidente nacional da sigla, José Eduardo de Barros Dutra, destacou que o lançamento será apenas para os filiados, já que pela lei eleitoral, Dilma ainda não pode ser declarada candidata.


- Nós estamos agindo dentro da lei - afirmou a jornalistas na chegada ao evento.

Dutra frisou ainda que o plano aprovado ontem no Congresso não são as diretrizes para o plano de governo de Dilma Roussef, mas sim sugestões.


O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, destacou a importância do evento:


- Pelos 30 anos do PT, partido com uma história de muito sucesso, pelo lançamento pela primeira vez de uma mulher à presidência, mulher que viveu o processo de redemocratização do país.


Padilha reafirmou que Dilma é a pré-candidata, mas o projeto é feito em conjunto no partido.


À noite, no mesmo auditório, filiados comemoram os 30 anos do partido, completados no último dia 10.


 


Agência Estado


Maiores bancos privados fecharam 10 mil vagas em 2009

Gustavo Uribe - 20/02/10

SÃO PAULO - Os três maiores bancos privados do País - Itaú Unibanco, Bradesco e Santander - fecharam 9.902 postos de trabalho no ano passado, segundo levantamento divulgado na sexta (19) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), realizado em parceria com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).

O levantamento aponta que o Itaú Unibanco, instituição que registrou lucro líquido de R$ 10 bilhões no ano passado e abriu 42 agências bancárias no País, fechou 7.176 vagas. Após a fusão dos dois bancos, anunciada no final de 2008, a nova empresa começou 2009 com 108.816 funcionários. Um ano depois, o quadro de pessoal foi reduzido para 101.640 bancários.


O Bradesco, que registrou um lucro líquido R$ 8 bilhões no ano passado - 5% superior ao observado em 2008 -, cortou 1.074 empregos em 2009. O Santander, por sua vez, elevou o lucro líquido em 40,7% (de R$ 3,9 bilhões em 2008 para R$ 5,5 bilhões) e fechou 1.652 vagas.


O estudo do Dieese mostra também que a rotatividade de mão de obra tem ajudado a reduzir a remuneração média dos bancários. Os desligados de janeiro a setembro de 2009, nos três bancos privados, recebiam remuneração média de R$ 3.494,25. Os contratados no mesmo período, por sua vez, tiveram remuneração média de R$ 2.051,80, o que representa uma diferença de 41,28%.



 

Uol


Congresso do PT oficializa Dilma como pré-candidata à Presidência - 20/02/10

Filiados e delegações do Partido dos Trabalhadores de todo país confirmaram neste sábado (20) a indicação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, como pré-candidata única do PT ao Planalto nas eleições deste ano. O referendo aconteceu no terceiro dia do 4º Congresso do Partido dos Trabalhadores, que acontece em Brasília.

A chegada da ministra foi aplaudida de pé pelos mais de 1.300 pessoas. Na cerimônia, antes de Dilma ser convidada a subir no palco, foi realizada uma rápida apresentação musical, enquanto um grupo de mulheres montava um arranjo com flores do Cerrado, no estilo japonês, ikebana.

 
O presidente da Câmara dos Deputados e do PMDB, Michel Temer, participou do encontro. Ele chegou ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da primeira-dama, Marisa Letícia. O presidente do PCdoB, Renato Rabelo, também estava presente.

"Foi me dada uma tarefa extremamente difícil: vir aqui para convencer vocês a votar na Dilma", disse Lula, irônico.

A mesa do evento foi composta pelo vice-presidente, José Alencar, ministros, senadores, governadores, representantes da Une (União Nacional dos Estudantes), Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a Central dos Movimentos Populares.


A apresentação da candidatura sem concorrência interna repete a receita de 2006, quando não havia dúvidas de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sairia novamente pela legenda para apostar na reeleição.


No que se refere à rejeição do eleitorado à ideia de Dilma como candidata, a última pesquisa da CNT/Sensus identificou que este índice caiu: em novembro passado era de 34,4%, e em janeiro apontava 28,4%. Segundo o levantamento, houve uma redução pela metade na diferença entre ela e o possível pré-candidato do PSDB, o governador de São Paulo, José Serra: de 10,1% em novembro para 5,4% em janeiro. O tucano registrou 33,2% e a ministra teve 27,8% das intenções de votos na última pesquisa.

A candidata escolhida por Lula não terá de passar pelo mesmo que Lula viveu em 2002. Ele teve de ser submetido a uma prévia dentro do partido, em que concorreu com o senador por São Paulo, Eduardo Suplicy - que angariou cerca 15% dos votos.

Suplicy, que tem se envolvido em polêmicas nos últimos anos, foca no momento em uma outra briga: sair como pré-candidato ao governo de São Paulo. Podem fazer frente a ele nomes como o da ex-mulher e ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, do senador Aloizio Mercadante e do ex-ministro da Fazenda e deputado federal, Antônio Palocci. Também não estão descartados o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, e o ministro da Educação, Fernando Haddad.


Uma possibilidade ainda não rejeitada para ter apoio do partido em São Paulo é a do deputado da base aliada, Ciro Gomes (PSB-CE) que, em caso de apoiar a candidatura de Dilma em nível nacional, poderia ser o candidato do PSB para o governo paulista.


"Todos aceitaram a Dilma em consenso e, eu, em especial", revelou o senador Eduardo Suplicy (SP). "Da minha parte, eu disse a Dilma Rousseff que compreendo os méritos que a fizeram ser a escolhida. E ela compreendeu a minha parte e o meu programa renda cidadã foi aprovado como emenda de aperfeiçoamento ao programa Bolsa-Família, pelo programa do PT", completou.

O deputado federal José Genoíno, no entanto, ressaltou que "o programa do PT não é o programa de Dilma", e sim parte dele.


Sobre a candidatura única, o deputado federal Ricardo Berzoini alegou que não houve inscritos e o consenso do partido fechou com o nome da ministra.

"Ela [Dilma] tem histórico de militância de esquerda, participou dos principais feitos do governo Lula. A candidatura única é uma mostra expressiva da unidade do PT", defendeu Genoino.


Biografia
Mineira de Belo Horizonte, Dilma Vana Rousseff, ocupou a cadeira de ministra-chefe da Casa Civil desde a demissão de José Dirceu, em 2005, acusado de envolvimento no suposto mensalão pago por dirigentes do PT a parlamentares da base aliada do governo.

Ainda no governo Lula, foi ministra de Minas e Energia de 2003 a junho de 2005. Antes de filiar-se ao Partido dos Trabalhadores, em 2001, Dilma era do PDT. Nas décadas de 1980 e 1990 atuou no governo do Rio Grande do Sul, nas secretarias da Fazenda e de Energia, Minas e Comunicações, e nos governos de Alceu Collares (PDT) e Olívio Dutra (PT)
.

Na juventude, participou da luta armada contra a ditadura militar. Teve atuações como militante no Polop (Política Operária), no Colina (Comando de Libertação Nacional), e no VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares). Foi torturada e ficou presa por quase três anos.




Reuters


PT quer menor jornada de trabalho sem perda de salário

Fernando Exman - 20/02/10

Brasília - O congresso nacional do PT aprovou nesta sexta-feira (19) emenda às diretrizes do programa de governo do partido que defende a redução da jornada de trabalho sem redução de salários. Tema que tem gerado preocupação no empresariado, a proposta de redução da jornada de trabalho tornou-se um assunto polêmico no evento.

A proposta original da Executiva Nacional da legenda propunha a "construção de um consenso para lograr a jornada de trabalho de 40 horas," ante as atuais 44 horas semanais.

Alguns líderes do partido tentaram alterar tal passagem do texto a fim de amenizar seu tom. No entanto, a maioria dos delegados petistas aprovou emenda que adicionou ao texto uma passagem que criou o "compromisso com a defesa da jornada de trabalho de 40 horas semanais sem a redução de salário".

"Só tem viabilidade se for acompanhado de uma negociação com o setor produtivo, como por exemplo com redução tributária", argumentou à Reuters a líder do governo no Congresso, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), antes da votação.

"Aprovar neste congresso (do PT) não será grande dificuldade, mas tem que aprovar no outro Congresso (Nacional).

Uma proposta de emenda constitucional (PEC) sobre o tema tramita na Câmara, mas ainda não há consenso para sua votação.

As diretrizes do programa de governo do PT são as propostas que serão apresentadas pelo partido às outras legendas que integrarão a campanha à Presidência da República da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), para montarem o programa de governo da coalizão.
 
O governador do Sergipe, Marcelo Déda (PT), nega que as propostas da sigla apontem para um eventual governo de Dilma mais à esquerda que a administração Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele, as diretrizes a serem aprovadas pelo congresso do PT sinalizam que a campanha da ministra defenderá a continuidade com avanços.

"Esse programa de governo não reflete a Dilma, reflete o PT. Não é um bolo que a Dilma oferece ao PT, é um bolo que o PT oferece à Dilma," explicou o governador.

"Dilma é a expressão desse governo e o que ele tem de compromisso."


 


Vermelho


Bancos privados: lucro nas nuvens, responsabilidade no chão

Os três maiores bancos privados que operam no país (Itaú Unibanco, Bradesco e Santander) fecharam 9.902 postos de trabalho em 2009, apesar de apresentarem um lucro líquido superior a R$ 24 bilhões e de terem ampliado o número de agências e a base de clientes no mesmo período, segundo estudo elaborado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) com base nos balanços das empresas.

O Itaú Unibanco foi o que mais lucrou e o que mais cortou empregos no ano passado, fechando 7.176 postos de trabalho. O maior banco privado brasileiro tinha 108.816 trabalhadores em dezembro de 2008, após a fusão. Um ano depois reduziu para 101.640 bancários. O Santander cortou 1.652 empregos e o Bradesco 1.074. 

"Os grandes bancos privados estão andando na contramão da economia brasileira. No ano passado, apesar do reflexo da crise nos primeiros meses, o Brasil criou 955 mil novos empregos. Não podemos aceitar que o sistema financeiro, que não foi atingido pela crise e continua com esse imenso lucro, reduza postos de trabalho. Os bancos precisam ter responsabilidade social e compromisso com o Brasil", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.


A política de corte de empregos dos bancos privados também destoa dos bancos públicos, que estão contratando trabalhadores para fazer frente à expansão de suas atividades no mercado financeiro. Pelos acordos coletivos assinados pela Contraf-CUT com o Banco do Brasil e com a Caixa Econômica Federal, que pôs fim à greve nacional de duas semanas que os bancários fizeram em 2009, as duas instituições assumiram o compromisso de abrir 15 mil novos postos de trabalho (10 mil no BB e 5 mil na Caixa) até 2011.

"Com a redução do número de vagas e a expansão do número de agências e da base de clientes, significa que aumentará a carga de trabalho de cada bancário, que já é brutal, com impactos negativos na saúde dos trabalhadores", critica o presidente da Contraf-CUT.

Rotatividade para reduzir salários

Pesquisa realizada trimestralmente pela Contraf-CUT e pelo Dieese com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho mostra que, além de cortar postos de trabalho, os bancos privados estão utilizando a rotatividade de mão-de-obra para reduzir a remuneração dos trabalhadores.

Os desligados de janeiro a setembro de 2009 recebiam remuneração média de R$ 3.494,25. Já os contratados têm remuneração média de R$ 2.051,80, o que representa uma diferença de 41,28% - quase a metade.


"Os bancos querem reduzir custos cortando empregos e diminuindo a remuneração dos bancários. Tentaram fazer isso na campanha salarial do ano passado, quando quiseram reduzir a participação nos lucros e resultados (PLR) de toda a categoria para aumentar os bônus dos altos executivos. Os bancários tiveram de fazer a greve nacional de duas semanas para impedir o corte na remuneração", destaca Carlos Cordeiro.


Fonte: CUT



Dilma pré-candidata: "continuidade é avançar, avançar e avançar"

A ministra Dilma Roussef foi declarada oficialmente pré-candidata do PT à Presidência da República durante prestigiado ato político ocorrido no 4º Congresso do PT, em Brasília. Com propostas avançadas e discurso mudancista, a pré-candidata teve seu nome aprovado por unanimidade.
 
Em seu discurso, Dilma declarou que dará continuidade às transformações. Quando citou, no início do discurso, trecho do poema de Mário Quintana, a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Roussef, adiantou o tom de seu discurso, uma resposta a perseguição que sofreu da ditadura militar. "Esses que ai estão, atravancando meu caminho, eles passarão; eu, passarinho." O nome de Dilma foi aprovado, por unanimidade, no encerramento do 4º Congresso Nacional do PT, neste sábado (20), em Brasília, sob os olhares dos dirigentes dos partidos aliados - PMDB, PSB, PCdoB e PRB.

O seu discurso - mais longo do que o do Presidente Lula, que durou 55 minutos - incluiu ainda críticas à oposição e a grande mídia, destaque às conquistas e vitórias dos sete anos de Governo Lula e anúncio do compromisso em avançar na luta pela distribuição das riquezas, combate as injustiças sociais e as desigualdades regionais, crescimento econômico e inserção protagonista do Brasil no cenário internacional. Ao assumir o compromisso de pré-candidata, Dilma declarou que dará continuidade às transformações e disparou convicta: "continuidade é avançar, avançar e avançar".


A ministra Dilma disse que "preferimos as vozes oposicionistas - o que dizem livremente os grandes jornais -, ainda que mentirosas e caluniosas, ao silêncio da ditadura", lembrando que quando falta democracia econômica e social, falta democracia como um todo, destacando que ao promover a distribuição de renda com respeito aos direitos humanos, quem pode duvidar da democracia praticada pelo Governo Lula.


E também criticou a oposição, sem citar diretamente o PSDB, ao dizer que o PT não mudou as regras no meio do jogo para garantir um terceiro mandato para Lula, em referência a manobra do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para permitir sua reeleição. "Vamos inaugurar o terceiro governo popular e democrático", disse, arrancando aplausos e manifestações de aprovação do público.


A exemplo do presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, Dilma afirmou que as diretrizes de governo aprovadas no Congresso Nacional, serão submetidas ao debate dos partidos aliados e discutidas com a sociedade. Mas disse que assumiria alguns compromissos para indicar como quer continuar o processo de aprofundar o compromisso social dos governos Lula.


E manifestou propósito de ampliar o Bolsa Família e investir na qualidade na educação, "o meio de emancipação política e cultural do nosso povo", afirmou.


Dilma emocionou a platéia quando fez referência aos companheiros mortos pela ditadura, dizendo que o exemplo deles - Carlos Alberto Soares de Freitas, Maria Auxiliadora Barcelos e Iara Iavelberg - lhe dá forças para aceitar o compromisso de concorrer às eleições presidenciais. Destacou também o apoio do Presidente Lula e do PT, que, segundo ela, "mudou quando foi preciso, mas nunca mudou de lado."


Uma chuva de estrelas douradas desceu do teto, enchendo o palco, junto com as músicas-jingles em ritmo de carnaval, encerrando o evento, sob o eco das palavras finais de Dilma: "Vamos todos juntos até a vitória. Viva o povo brasileiro."


Tarefa fácil

O Presidente Lula falou muito à vontade, expressando essa disposição logo no início do discurso, ao declarar que era tarefa fácil pedir votos para Dilma. Derramando-se em elogios à Dilma, o Presidente Lula destacou sua competência e inteligência.

"Essa é um coisa simples de fazer, convencer a votar na Dilma, até desnecessário, mais um microfone e um monte de gente é uma coisa apetitosa", disse Lula, ao iniciar seu discurso de quase uma hora. Em sua fala, pautada pela preocupação do preconceito contra as mulheres, ainda vigente no Brasil, Lula disse que quem realmente vai convencer o povo a votar na Dilma será a campanha e os debates, para quebrar todos os preconceitos usados contra ela.


Segundo Lula, "o maior preconceito contra Dilma não é pelos defeitos, mas pelas qualidades", citando como primeira qualidade o fato de "ser mulher". Falou sobre sua experiência pessoal, admitindo que tanto ele como a companheira Marisa Letícia descobriram os limites da relação entre dois companheiros - que não é de um ser serviçal do outro, mas partilhar a vida - a partir da vivência política.


Menina e mulher

Referindo-se a Dilma inicialmente como "a menina de 20 anos que resolveu colocar sua própria vida em risco para garantir democracia no País", Lula definiu a candidata à Presidente como "essa mulher que fez da sua ação governamental um trabalho extraordinário de servir aos outros e não se servir dos outros."

Em meio a brincadeiras, que arrancaram risos e aplausos do público, Lula falou seriamente sobre o rigor de Dilma no trato da coisa pública, considerado uma virtude, que os adversários apontam como defeito. Disse ainda, em defesa de Dilma contra as acusações dos adversários, de que houve um tempo nesse país que os presos eram pessoas honestas, que lutavam pela democracia.


Ainda em defesa de Dilma, o Presidente Lula disse - em sinal de aviso - que vão acusá-la de "estatizista". "Mas isso é bom, não temos que ter medo de assumir decisões importantes", citando o exemplo de fortalecer a Eletrobrás como uma empresa grande nacional e multinacional.


O Presidente Lula assumiu, aos olhos dos dirigentes dos partidos aliados, que a candidatura de Dilma não é dele e não apenas do PT, é de uma coalizão de partidos. E lembrou que existem problemas nos estados que o PT precisa resolver com todos os partidos aliados - PMDB, PSB, PCdoB, PRB -, destacando ainda que cabe ao PMDB, como maior partido do País, indicar o candidato à vice na chapa da Dilma.

"Ela é candidata de uma coalizão de partidos políticos muito poderosa, que vai ajudar a ganhar e a governar. Não é a candidata do Lula, candidata-tampão, porque vai preparar a volta do Lula. Quem conhece política sabe que rei morto, rei posto, e um político nunca colocaria uma amiga, mas um adversário, com quem concorrer", disse Lula, afastando a possibilidade de uma candidatura dele em 2014.


E manifestou desejo de que ela "cumpra um mandato extraordinário, para ganhar notoriedade, para ganhar outro mandato". Segundo ele, "com nosso apoio, vai fazer mais e melhor do que fizemos."


Usando o termo que o notabilizou - "nunca antes na história desse País" -, Lula citou todas as vitórias e conquistas do governo e disse que eleger a Dilma é coisa prioritária, porque representa a sua maior vitória, que é continuar transformando esse País. E encerrou sua fala dizendo que "humildemente, eu posso olhar na cara dos meus filhos, da minha mulher, dos meus netos e do povo e dizer que não existe ninguém mais preparado para governar o Brasil do que Dilma Roussef."


Duas votações

Aplaudido de pé, sob o som alto do jingle de Dilma, Lula encaminhou a votação a favor da indicação de Dilma a pré-candidata a Presidente da República. Após a aclamação do nome de Dilma, o novo presidente do PT, José Eduardo Dutra pediu nova votação, lembrando que três delegados não votaram. Após entregar crachá a Lula, Marisa Letícia e Dilma, foi feita nova votação. Decisão unânime: Dilma Roussef é pré-candidata do PT.

Dutra foi o primeiro orador do evento. Ele saudou Dilma como a futura Presidente do Brasil, fazendo silêncio para as manifestações do público de "Dil-ma, Dil-ma". E depois corrigiu que "não é a futura, mas a próxima Presidente do Brasil."


Ele destacou como qualidades de Dilma a competência, capacidade de trabalho e compromisso político, acrescentando que, "além disso, a nossa candidata tem profundo amor pelo povo brasileiro e compromisso com as práticas que estão sendo executadas pelo Presidente Lula."


Dutra falou ainda, dizendo que repetiria à exaustão, que o documento aprovado no Congresso Nacional são diretrizes do Partido para ser apresentado e discutido com os partidos aliados e à sociedade.


Para Dutra, esse quadro de aliança, a candidatura de Dilma e a eleição de um nordestino à Presidente da República que tem seu nome na história do Brasil como o maior presidente que o País já teve eram situações inimagináveis anos atrás e que essa conjugação vai conquistar outro fato inédito que é eleger a primeira mulher Presidente do Brasil.


Um vídeo mostrando a história do Partido, desde a sua fundação, passando pelas campanhas eleitorais, as vitórias e as administrações de Lula, narrado por uma mulher que falava como se contasse a história de sua mãe, foi exibido antes das falas de Lula e Dilma.


Lilás e vermelho

As bandeiras lilases - cor símbolo do movimento feminista - substituíram as bandeiras vermelhas na manifestação. Aos gritos de "olé, olé, olá, Lu-la, Lu-la" e agito das bandeiras, os petistas e convidados cobravam o início do ato, já passados 40 minutos da hora prevista.

Logo cedo, todo o hall de entrada do Centro de Convenções, revestido em vermelho no chão e nas paredes - estava lotado. No auditório, minutos antes da hora marcada para o início do evento, ainda estavam sendo montados dois grandes painéis - um de cada lado - com o nome "Dilma" seguido da estrela do PT; e o palco ostentava um grande painel com a foto de Dilma e o Presidente Lula com os dizeres "Com Dilma, pelo caminho que Lula nos ensinou".


Dando início ao evento, foram chamados ao palco, para compor a mesa, todos os petistas que ocupam cargo de governador e vice, prefeito e vice das capitais e todos os ministros, incluindo os de partidos aliados, como o comunista Orlando Silva, do Esporte, e o peemedebista Hélio Costa, das Comunicações, além dos líderes do governo e do PT na Câmara e Senado e os líderes dos movimentos sociais como o vice-presidente da UNE, Tiago Ventura e o presidente da CUT, Artur Henrique.

A chegada da comitiva de Lula e Dilma foi acompanhada pela montagem de ikebana (arte chinesa) por um grupo de mulheres e a apresentação de número musical.

Da sucursal de Brasília

Márcia Xavier

 
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