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Clipping 27 e 28/02/10

Escrito por William Pedreira
01/03/2010

Edição nº 1527 segunda, 01 de março de 2010
Fechamento: 08:02


Edição número 1527 sábado e domingo, 27 e 28 de fevereiro de 2010



Veículos Pesquisados:


Clipping CUT é um trabalho diário de captação de notícias realizado pela equipe da

Secretaria Nacional de Comunicação da CUT. Críticas e sugestões com

Leonardo Severo (leonardo@cut.org.br)

Isaías Dalle (isaias@cut.org.br)

Paula Brandão (paula.imprensa@cut.org.br)

Luiz Carvalho (luiz@cut.org.br)

William Pedreira (estagio.imprensa@cut.org.br)

Secretária de Comunicação: Rosane Bertotti (rosanebertotti@cut.org.br)





O Estado de S.Paulo



Dilma está a 4 pontos de Serra, indica pesquisa
Datafolha mostra governador de SP com 32% das intenções de voto e ministra da Casa Civil com 28%

Daniel Bramatti (Nacional) - 28/02/10

Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto") Em pouco mais de dois meses, caiu de 14 para 4 pontos porcentuais a vantagem do tucano José Serra sobre a petista Dilma Rousseff na corrida presidencial, segundo pesquisa do instituto Datafolha.

A preferência pelo governador de São Paulo caiu de 37% para 32% desde meados de dezembro. Já as intenções de voto na ministra da Casa Civil subiram de 23% para 28%.

A margem de erro da pesquisa, feita entre 24 e 25 deste mês, é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. Segundo o Datafolha, porém. é impreciso afirmar que os dois candidatos estão em situação de empate técnico. Isso só ocorreria na remota hipótese de que um deles estivesse no limite máximo de sua variação para cima, e o outro, para baixo.

O crescimento da pré-candidata petista coincide com o maior grau de informação dos eleitores sobre ela - passou de 80% para 86% a parcela dos entrevistados que dizem conhecê-la. A taxa de conhecimento de Serra é de 96%.

Em um cenário em que Aécio Neves é colocado como possível candidato do PSDB, Dilma lidera com 30%. O governador mineiro fica em terceiro lugar, com 13%.

Serra lidera nas regiões Sul e Sudeste, com 38%, mas sua vantagem sobre a petista caiu 6 e 8 pontos porcentuais, respectivamente.

Já Dilma tem melhor desempenho no Nordeste, a única região em que lidera isoladamente. Em dois meses, ela passou de uma situação de empate técnico para uma vantagem de 14 pontos sobre o tucano (36% a 22%). Nas regiões Norte e Centro-Oeste, Serra tem 32% e Dilma, 29% - em dezembro, o governador tinha folga de 14 pontos porcentuais.

Na divisão do eleitorado por renda, os dois pré-candidatos estão empatados tecnicamente na faixa que ganha até dois salários mínimos. Entre os que recebem mais de 10 salários, o governador paulista abre uma vantagem de 19 pontos (44% a 25%).

Além de perder cinco pontos desde dezembro, Serra teve a taxa de rejeição ampliada de 19% para 25%. No mesmo período, passou de 21% para 23% a parcela que não votaria em Dilma.

Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV), também pré-candidatos, aparecem com 12% e 8%, respectivamente. Aliados de ambos esperavam colher frutos eleitorais da exposição obtida nos programas partidários exibidos neste mês em rede nacional de televisão, mas os índices são praticamente iguais ao da pesquisa anterior.

Os números devem reforçar as pressões do PT para que Ciro saia da disputa presidencial e concorra ao governo de São Paulo. O deputado federal pelo Ceará, que transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo em outubro do ano passado, resiste à ideia. Um de seus argumentos é o de que um maior número de candidatos reduziria as chances de vitória de Serra no primeiro turno.

A pesquisa, porém, mostra que o tucano não teria mais votos que os adversários somados, mesmo no cenário em que Ciro fica fora da cédula. Nesse caso, Serra aparece com 38% das preferências, contra 31% para Dilma e 10% para Marina.


Para preservar Dilma, PT tenta proibir prévias
Objetivo é evitar desgaste com escolha dos candidatos ao Senado, mas crise já se desenha em PE, RJ e MT

Vera Rosa (Nacional) - 28/02/10

Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto") Empenhada em impedir desgastes que respinguem na campanha presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a cúpula do PT quer agora proibir prévias para a escolha de candidatos ao Senado. A decisão promete polêmica, já que em três Estados - Rio, Pernambuco e Mato Grosso - petistas se engalfinham com o objetivo de garantir a indicação do partido para uma das duas vagas em disputa.

Sob o argumento de que é preciso evitar queda-de-braço na seara do PT e blindar Dilma na corrida ao Palácio do Planalto, o Diretório Nacional do partido deverá aprovar resolução, na próxima sexta-feira, vetando as prévias para o Senado. A tendência é deixar o veredicto sobre as candidaturas para os encontros estaduais, em abril.

O estatuto do PT determina a realização de prévia quando houver mais de um pretendente ao mesmo cargo majoritário, mas a decisão, nesse caso, será política. Na prática, o movimento da equipe de Dilma é para desidratar todo tipo de pendenga que possa constranger a ministra e seus aliados.

Além de destacar que nunca houve votação de militantes para a escolha do concorrente ao Senado, petistas argumentam que o 4º Congresso Nacional do partido delegou ao diretório, no último dia 19, a tarefa de decidir, "em última instância", a tática eleitoral e as alianças necessárias para impulsionar a campanha de Dilma.

"Prévia para o Senado não é uma coisa vista com bons olhos", diz o secretário de Organização do PT, Paulo Frateschi. "Quem está fazendo composição com outros partidos tem de negociar, não entrar numa disputa desgastante." Em 2002, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva foi obrigado a se submeter a contragosto a prévia com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) para a definição do candidato à Presidência.

PALANQUES
A polêmica, agora, ocorre no rastro das dificuldades para a montagem dos palanques de apoio a Dilma, em parceria com o PMDB. No Rio, depois de muita briga, o PT resolveu apoiar a campanha à reeleição do governador Sérgio Cabral (PMDB). Há, porém, um nó difícil de desatar na briga pelo Senado.

Após desistir de enfrentar Cabral , o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), esperava ser aclamado candidato do PT ao Senado. Mas a secretária de Ação Social do governo fluminense, Benedita da Silva, está de olho na vaga e não abre mão de desafiar Lindberg.

Longe dali, em Pernambuco, o secretário das Cidades, Humberto Costa, e o ex-prefeito do Recife João Paulo Lima e Silva também não conseguem chegar a acordo sobre quem vai empunhar a bandeira do PT para o Senado. A situação se repete em Mato Grosso: de um lado está a senadora Serys Slhessarenko, que deseja concorrer a mais um mandato, e, de outro, o deputado Carlos Abicalil, interessado na cadeira hoje ocupada por ela.

"O momento não permite que a gente fique exposto durante tanto tempo a uma guerra interna", diz o deputado João Paulo Cunha (PT-SP). "Precisamos considerar que nossa unidade é importante nos três Estados, onde somos forças complementares, até porque o resultado dessas prévias não será diferente do que for decidido pelos encontros estaduais."

CASO MINAS
No caminho petista há outros percalços. Embora a estratégia para a campanha de Dilma passe pelo crivo do Planalto, dirigentes do PT mostram preocupação com o cenário que se avizinha: ao que tudo indica, o partido tende a ficar sem nome próprio para os governos de São Paulo, Minas, Rio e Espírito Santo, Estados do Sudeste que concentram quase metade do eleitorado.

Em Minas, tudo caminha para o candidato ser o ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB) - embora o PT tenha o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, como postulantes à cadeira do governador Aécio Neves (PSDB).

Em São Paulo, o PT virou refém do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), que ainda não decidiu seu destino político.

No Rio está certo o apoio petista a Cabral e, no Espírito Santo, ao atual vice-governador, Ricardo Ferraço, também do PMDB. Tudo em nome do casamento de papel passado com o PMDB para garantir maior tempo de TV na propaganda eleitoral e apoio no Congresso, em caso de vitória de Dilma.


Mercado já teme que capitalização da Petrobrás não saia em 2010
Câmara dos Deputados deve votar projeto esta semana, mas analistas e investidores dizem que prazo está apertado

Leandro Modé (Economia) - 28/02/10

Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto") A Câmara dos Deputados deve votar nesta semana o polêmico projeto de capitalização da Petrobrás. Trata-se de uma operação de no mínimo US$ 60 bilhões, a maior do gênero na história das finanças mundiais, que tem como objetivo reforçar o caixa da empresa para os investimentos futuros na exploração do pré-sal.

No entanto, a demora na tramitação no Congresso, aliada às dificuldades naturais de um empreendimento desse porte, já leva investidores e analistas de mercado a pôr em dúvida a realização da operação em 2010, o que representaria forte revés ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesse cenário, a capitalização ficaria a cargo de seu sucessor.

"O processo está muito apertado. Cada dia que passa, a probabilidade de não acontecer (neste ano) aumenta", afirmou o chefe de análise de renda variável da Modal Asset, Eduardo Roche. "Na Câmara, onde o governo tem maioria, está difícil aprovar. No Senado, costuma ser ainda mais difícil. Se as votações não ocorrerem até abril, será complicado fazer neste ano", disse o analista da Planner Corretora Victor de Figueiredo.

Mais do que a avaliação de especialistas, dois recentes movimentos de mercado deixam claro que o pessimismo com a operação ainda em 2010 vem crescendo. O primeiro sinal, como contou ao Estado um especialista que pediu para não ser identificado, é o comportamento de investidores estrangeiros. "Notamos que eles, representados pelas grandes corretoras estrangeiras, voltaram a comprar ações da Petrobrás nas últimas duas semanas", disse.

Desde que a ideia da capitalização começou a circular, em meados de 2008, esses investidores se mostraram receosos com a empresa. Uma prova disso, disse Roche, é o estreitamento da diferença de preço entre as ações ordinárias (ON, que dão direito a voto) e preferenciais (PN) da companhia.

Historicamente, explicou, a ação ON custa 25% a mais do que a PN. "Mas hoje a diferença está em aproximadamente 11%", observou. Isso ocorreu por causa das vendas de estrangeiros nos últimos meses.

RECUPERAÇÃO
O segundo fator que revela ceticismo com o prazo da operação é o desempenho das ações da estatal na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que está ligado à atuação dos estrangeiros. Entre fevereiro de 2009 e janeiro de 2010, os papéis da Petrobrás apresentavam valorização bem inferior à da OGX (a empresa de exploração de petróleo do empresário Eike Batista) e do Ibovespa, principal termômetro da bolsa brasileira.

Nas últimas quatro semanas, porém, as ações da Petrobrás ensaiaram uma recuperação. As preferenciais (PN) subiram 2,09% e as ordinárias (ON), 2,54%. No mesmo período, os papéis da OGX caíram 10,8% e o Ibovespa subiu menos do que as ações da Petrobrás, 1,50%.

"Isso mostra que os investidores começam a achar que a capitalização não sairá este ano", disse outro analista que pediu anonimato. "Como há dúvidas sobre a operação, seu eventual adiamento significa uma boa notícia, ao menos no curto prazo, para os papéis da Petrobrás." No médio e longo prazo, avisa, a perspectiva é de que as ações da empresa continuem "apanhando" - ao menos até que os detalhes da capitalização sejam finalmente conhecidos.

PASSO A PASSO
A proposta do governo para alterar o marco regulatório do petróleo (em decorrência do pré-sal) foi dividida em quatro partes. O primeiro projeto, que prevê a criação de uma estatal para administrar as reservas (Petro-Sal), já passou na Câmara.

O segundo, que trata da criação de um Fundo Social para receber parte do dinheiro da exploração do pré-sal, também foi aprovado. A terceira parte é justamente a que diz respeito à capitalização. A quarta - ainda mais espinhosa - é a que definirá a distribuição dos royalties.

Inicialmente, o governo pediu regime de urgência para a votação. Com a reação negativa no Congresso, recuou. Foi feito, então, um acordo, que previa a votação em novembro. O prazo não foi cumprido e, agora, a expectativa é de que o plenário vote a matéria nesta semana.

Há, porém, riscos de mais demora. O principal deles está relacionado às divergências sobre o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para subscrever as ações oferecidas na capitalização.

A oposição defende que os brasileiros que há anos compraram papéis da Petrobrás com recursos do FGTS possam repetir a dose na capitalização. O governo é contra porque prefere destinar o dinheiro do FGTS para outras aplicações, como infraestrutura e o programa Minha Casa, Minha Vida.

Há, ainda, outras questões menores que podem emperrar a aprovação. Uma delas diz respeito a um pleito de pequenos produtores de petróleo. Eles apresentaram uma emenda ao projeto para que a Petrobrás desista de alguns campos marginais, que seriam novamente leiloados. A estatal é contra.

Mesmo que a matéria passe sem grandes mudanças nesta semana, ainda há longo caminho a percorrer. O primeiro passo, evidentemente, é o Senado, onde, como lembrou Figueiredo, o governo tem dificuldades para aprovar seus projetos.

Depois, será preciso preparar a operação, algo que, na avaliação de Roche, da Modal Asset, levaria no mínimo três meses. Esse processo inclui, entre outros pontos, visitas a investidores no Brasil e no exterior (os chamados road shows).

Por fim, os especialistas lembram que, em ano de eleição para presidente, governadores, senadores e deputados, dificilmente o governo se arriscaria a executar uma operação desse porte às vésperas do pleito.




Folha de S.Paulo

Justiça veta terceiro mandato de Uribe
Por 7 votos a 2, Corte Constitucional da Colômbia diz que projeto de referendo sobre o tema viola "princípios democráticos"

Fim de suspense sobre a rerreeleição abre corrida na base governista por apoio de presidente no pleito de maio; independente empata

Flavia Marreiro
(Mundo) - 27/02/10

A Corte Constitucional da Colômbia rejeitou ontem, por 7 votos a 2, a proposta de realizar um referendo para permitir a Álvaro Uribe disputar seu terceiro mandato na Presidência da Colômbia, em maio.


Após um dia inteiro de suspense, o tribunal anunciou que a proposta contém não apenas "irregularidades formais, mas também violações substanciais ao princípio democrático".


"Aceito e respeito a decisão da Corte Constitucional", disse Uribe, que nesta semana defendeu que a decisão final sobre sua rerreleição deveria ser tomada pelos "colombianos", não pela Justiça.


O revés para o presidente abre de vez a corrida entre os candidatos da base governista para se estabelecer como herdeiros do popular presidente na eleições de 30 de maio -no momento, o prognóstico é que haverá segundo turno.


O presidente conservador terá de deixar o palácio presidencial em agosto, sem perspectiva de voltar a ser candidato -a não ser que seus partidários tentem aprovar novo referendo autorizando que ele, no poder desde 2002, concorra em 2014.


Confirmando os rumores e reportagens dos últimos dias, a corte seguiu o parecer do relator do caso, Humberto Sierra, apresentado neste mês. Segundo Sierra, ao menos cinco erros insanáveis contaminaram a proposta, entre eles irregularidades no financiamento da campanha para recolher assinaturas para o referendo e atropelos em seu trâmite no Congresso.


Herdeiros do uribismo

Como se acumulavam obstáculos no caminho do referendo -inclusive o tempo hábil para fazê-lo-, o mundo político especula há semanas se, com a derrota, o presidente apostará suas fichas em um candidato da base para o qual tentará transferir sua popularidade, em torno de 80%.

O presidente conservador vinha dando sinais ambíguos, uma vez que ele próprio era um pré-candidato. Uribe repete que os colombianos devem reeleger "a segurança democrática" -simbolizada na ofensiva militar contra a guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) que marcou seus oito anos no poder- e a "atração de investimento" -política macroecômica estrita e incentivos fiscais para instalação de empresas.


O analista político Alfredo Rangel, próximo do uribismo, disse ontem à Folha não acreditar que Uribe aponte um herdeiro: "É uma questão aberta. Não vejo que Uribe se sinta completamente identificado com uma única liderança".


Estudo do instituto Datexco, publicado pelo jornal "El Tiempo", aponta que, em cenários sem Uribe, os mais bem posicionados na disputa estão empatados com só 12%: o ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos, do Partido Social da Unidade Nacional (Partido de la U), e o ex-prefeito de Medellín Sergio Fajardo, independente que se diz "nem uribista nem não uribista".


No entanto, Santos disputa a preferência de Uribe com o ex-ministro da Agricultura Andrés Felipe Arias, que, pela semelhança com o presidente foi batizado de "Uribito".
Arias é do governista Partido Conservador, mas, para ser candidato, terá de vencer as primárias de sua legenda. Uribe disse que seu ex-auxiliar é "sua versão melhorada". E sem disfarçar o jogo de suspense com sua base, disse: "Deixo aí a inquietação..."



BC diz que não evitará medidas "antipáticas"
Meirelles dá novo sinal de que juros subirão para conter a inflação, mesmo que tenha de tomar "decisões impopulares"

Para o Banco Central, ainda é incerto se o aumento do compulsório vai elevar os juros no mercado e adiar o início do ciclo de alta da Selic


Eduardo Cucolo (Dinheiro) - 27/02/10

Diante das especulações sobre um possível adiamento no processo de alta dos juros esperado para março ou abril, o Banco Central deu novos sinais de que irá tomar, em breve, medidas para segurar a inflação. Ontem, o presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmou que a instituição vai fazer o necessário, na "hora adequada", para cumprir a meta fixada pelo governo para este ano.


"Atuar de forma consistente significa também não evitar decisões tecnicamente justificadas que, no curto prazo, possam parecer antipáticas ou impopulares, mas que visam, sim, o bem comum", afirmou.


Meirelles aproveitou seu discurso na cerimônia de posse do novo diretor de Assuntos Internacionais, Carlos Hamilton, para criticar também a "interpretação" que vem sendo dada por economistas e jornalistas para os comunicados e pronunciamentos da instituição.


Na quarta-feira, o BC anunciou a reversão de uma das principais medidas para aumentar o crédito na economia durante a crise iniciada no final de 2008. Decidiu tirar R$ 71 bilhões do mercado financeiro por meio de mudanças nos depósitos compulsórios -a parte do dinheiro depositado nos bancos que fica presa no BC. Durante a crise, esse mecanismo foi utilizado para injetar R$ 100 bilhões na economia.


Dentro do governo, há quem veja o aumento do compulsório como uma forma de controlar a inflação sem que seja preciso mexer na taxa de juros, já que as duas medidas têm impacto sobre o mercado de crédito. Alguns economistas também fazem essa avaliação. Outros concordam com o BC e dizem que o efeito da medida sobre os juros bancários é incerto.


O presidente do BC disse ainda que as mudanças na diretoria do banco e o calendário eleitoral não vão afetar a atuação da instituição. Nos últimos seis meses, dois diretores deixaram os cargos. Há ainda a possibilidade de que outros saiam em breve, caso Meirelles decida disputar as eleições deste ano.


A próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC) será nos dias 16 e 17 de março, mas as apostas no mercado financeiro são as de que os juros comecem a subir em abril. Economistas consultados pelo órgão na pesquisa semanal Focus mantiveram a previsão de que a Selic chegue a 11,25% no fim do ano. A taxa está atualmente em 8,75% ao ano.



Real é a moeda que mais se valoriza no mês (Dinheiro) - 27/02/10
Expansão da economia e previsão de aumento nas taxas de juros explicam alta da divisa, que permanece em queda no ano

Bancos como Goldman Sachs e Bank of America têm recomendado a clientes que comprem real, acreditando no crescimento econômico


Com a economia se acelerando e as perspectivas de que o Banco Central vai subir a taxa de juros já em março ou abril, o real é a moeda que mais se valorizou em relação ao dólar neste mês, com alta de 4,9% no mercado de Nova York. O aumento, que reverte parte da perda de 7,9% no mês passado, é o maior entre todas as moedas analisadas pela Bloomberg.

"O Brasil continua a ser uma história sólida, e o real é uma moeda atraente", afirmou Vitali Meschoulam, estrategista do Morgan Stanley, que prevê que a divisa brasileira, que ontem fechou a R$ 1,807, vai se valorizar em 1,7% neste ano -alta similar à prevista por analistas consultados pela Bloomberg. "A economia [brasileira] é a que cresce mais rápido na América Latina. A dinâmica do forte investimento estrangeiro direto não foi alterada."


O real tem avançado à medida que os investidores aumentam as suas apostas de que o BC, já em março, pode elevar a taxa de juros básica (hoje em 8,75%) para controlar a inflação. Juro alto pode atrair investimento externo para aplicação em títulos públicos, e a entrada de recursos no país valoriza o real. Nesta semana, o BC anunciou que vai elevar o compulsório, ampliando em US$ 71 bilhões o volume de recursos que os bancos têm de recolher obrigatoriamente aos cofres do BC.


A alta do real neste mês reduziu as perdas no ano para 3,4%. A queda de janeiro, a maior desde outubro de 2008, havia sido reflexo da decisão do governo da China (o maior comprador das exportações brasileiras) de controlar empréstimos para tentar desacelerar a economia.


Nas últimas semanas, os bancos americanos Goldman Sachs e Bank of America têm recomendado aos clientes que comprem o real. Afirmam que o crescimento da economia vai atrair investimento externo.


O boletim Focus, feito pelo BC após consulta ao mercado, aponta que o investimento estrangeiro direto vai totalizar US$ 38 bilhões neste ano -ante US$ 26 bilhões em 2009. Para o ano que vem, a previsão é que ele alcance US$ 40 bilhões.



Lula diz que segunda fase do PAC terá mais 1 milhão de casas

Simone Iglesias (Dinheiro) - 27/02/10

Em visita ao presidente salvadorenho, Maurício Funes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que anunciará a construção de mais 1 milhão de casas dentro da segunda fase do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), obras cuja execução deverá ficar para o seu sucessor na Presidência da República.

Lula disse que o anúncio, no ano passado, do programa Minha Casa, Minha Vida foi exitoso e que se comprometerá com mais 1 milhão "para não parar mais" o investimento no setor. Não deu, porém, prazo para a construção dessas moradias.


Para Funes e uma plateia de empresários brasileiros e salvadorenhos, Lula disse que a forma de fazer com que o programa funcionasse foi negociar a redução de taxas e seguros para a construção da casa própria e não ter medo de falar em subsídio.


"Assumimos o compromisso de que, para fazer casa popular, tem que ter subsídio. A gente não tem que ter medo da palavra subsídio para resolver um problema crônico, que é o problema habitacional dos países de toda a América Latina."


Para Lula, "esse é um programa exitoso". "Já temos mais de 30 mil casas em construção, já temos mais de 730 mil casas com projetos aprovados na Caixa Econômica Federal e, agora, estou anunciando um próximo passo. Vamos anunciar mais 1 milhão de casas no próximo período, que é para não parar mais", afirmou.


Apesar de o governo alardear os números referentes a propostas apresentadas por empresas para a construção de casas, o volume de contratações efetivas -após praticamente um ano do lançamento do programa- ainda é baixo. No final de 2009, a CEF contabilizava 656 mil propostas, mas apenas 275,5 mil foram contratadas. No último dia 19, o total de contratações era de 312,7 mil.


O próprio governo foi o grande responsável pelo atraso no andamento do Minha Casa, Minha Vida porque demorou para regulamentá-lo, o que prejudicou, sobretudo, as obras para a faixa de renda até R$ 1.395.


Segundo dados do Ministério das Cidades, das 400 mil unidades prometidas, 184.810 foram contratadas.



Melchiades Filho (Opinião) - 27/02/10

Registro sindical

BRASÍLIA - Afirmar que Lula anestesiou o sindicalismo no país talvez seja precipitado. Mas no PT certamente isso aconteceu. É notável que as questões do emprego tenham ficado em segundo plano, quando não de fora, do discurso de Dilma Rousseff e do documento final do congresso do partido.

A palavra sindicato (ou suas variantes) não aparece entre as quase 7.500 do texto que apresenta as diretrizes do PT para o próximo quadriênio. No relatório do congresso de 2007, havia 50 menções.


A agenda trabalhista do PT pós-Lula resume-se ao "compromisso com a defesa da jornada de 40 horas semanais, sem redução de salários".


Proposta, sabe-se, que não recebe o endosso do presidente, de sua candidata e da cúpula partidária. Foi incluída "só para constar".


(Como também é insincera a defesa da diminuição da jornada de trabalho que governistas têm feito no Congresso, manobra que visa tirar o foco dos projetos de lei que atrelam a remuneração das aposentadorias ao salário mínimo.)


Lula domesticou as centrais, e sobretudo a petista CUT, com a distribuição de dinheiro público. Desfalcou-as, nomeando seus líderes para cargos no governo. E tirou-lhes as principais bandeiras (garantiu ganhos reais para o mínimo, valorizou o funcionalismo, engavetou a reforma trabalhista etc.).


Daí que no partido só vozes isoladas hoje puxem o samba trabalhista -como Paulo Paim (RS), que do Senado berra reivindicações no passado vindas dos sindicatos.

Até esses espasmos, porém, têm prazo de validade. A geração sindicalista de Paim -e de Lula, Olívio Dutra, Luís Gushiken, Luiz Dulci, Jacó Bittar etc.- aos poucos deixa a cena. Mesmo nas regiões industriais que os petistas controlam politicamente, como o Vale dos Sinos (RS), não têm surgido substitutos à altura. O PT do futuro parece pertencer à burocracia formada dentro do governo e fundos de pensão.



Lula mantém aprovação recorde, com 73% de ótimo/bom
Petista é bem avaliado mesmo entre os eleitores de Serra; pior desempenho do presidente é entre os mais ricos e escolarizados

Malu Delgado (Brasil) - 28/02/10

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém inalterado o alto índice de popularidade, com aprovação de 73% da população, segundo pesquisa Datafolha feita nos dias 24 e 25.


O percentual apresentou uma mínima oscilação positiva, pois na pesquisa anterior do instituto, feita em dezembro de 2009, 72% dos eleitores entrevistados consideraram o governo ótimo ou bom. Trata-se do melhor desempenho de um presidente desde o início da série histórica feita pelo Datafolha, iniciada em 1990.


Entre os 2.623 entrevistados em todo o país, 20% consideram o governo do presidente regular e 5% péssimo ou ruim.


Lula apresenta popularidade expressiva mesmo entre eleitores que declararam voto em José Serra (PSDB) à Presidência (62% de ótimo/bom). Quando o voto do eleitor é para a ministra Dilma Rousseff (PT), a popularidade dele nesse nicho do eleitorado chega a 92%.


Além de intensificar as viagens pelo país como esteio da pré-campanha da ministra Dilma à Presidência, o que leva a uma superexposição na mídia, Lula também recebeu títulos e homenagens internacionais recentes, como o prêmio "Estadista do Ano" no final de janeiro, pelo Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça).


Foi exatamente por conta da intensa agenda política ao lado de Dilma que, em 28 de janeiro, Lula foi vítima de uma crise de hipertensão (pressão arterial elevada) e viu-se obrigado pelos médicos a cancelar os compromissos pelo menos durante o final de semana. O susto não fez com que o presidente reduzisse o ritmo com o qual abraçou a pré-campanha de Dilma.


"Eleger a Dilma é a minha prioridade", afirmou Lula, no discurso de fechamento do 4º Congresso Nacional do PT, no final de semana passado.


A pesquisa mostra a convergência entre aspectos da biografia de Lula, seu estilo popular de governo e sua popularidade. Lula tem melhor aceitação no Nordeste (84%), entre os que eleitores com ensino fundamental (77%) e na fatia daqueles que recebem até cinco salários mínimos (75%).


Em contrapartida, é entre os mais ricos, com ensino superior completo e que vivem no Sul do país que Lula apresenta os piores desempenhos.


Para 29% dos que ganham mais de dez salários mínimos, o governo é regular, enquanto 14% do mesmo segmento o consideram ruim ou péssimo. A aprovação é de 56%, 17 pontos percentuais abaixo da média nacional do presidente.


Na região Sul, 65% consideram o governo Lula ótimo ou bom, mas para 26% a administração do petista é regular e 7% a consideram péssima ou ruim.


A confortável popularidade de Lula destoa dos índices de 2005, auge da crise do mensalão, quando 29% diziam que o governo do presidente era péssimo ou ruim, 41%, regular, e 28%, ótimo ou bom.



Brasil fica para trás na corrida pela nova economia "verde"
Enquanto EUA e China investem bilhões em tecnologia, país se acomoda com matriz limpa, dizem analistas

Em 2009, grandes economias gastaram em média 16,4% dos pacotes de estímulo com investimentos "verdes'; no Brasil, fatia foi de 5%


Natália Paiva (Dinheiro) - 28/02/10

Na corrida global por desenvolvimento científico e ampliação de investimentos ligados à economia de baixo carbono, o Brasil começa a ficar para trás.


Enquanto potências como EUA e China investem centenas de bilhões de dólares na área, vista como a nova fronteira do desenvolvimento mundial, o Brasil nem sequer tem um modelo nacional, afirmam acadêmicos e ambientalistas. No setor privado, negócios verdes esbarram em gargalos como estrutura tributária inadequada, falta de marco regulatório e ausência de incentivo.


Nessa corrida, o país tem as vantagens da biodiversidade e de escolhas feitas no passado (como a aposta no álcool e na hidroeletricidade). No entanto, desperdiça o enorme potencial de fontes de energia, como solar, eólica e de biomassa, e avança lentamente em áreas-chave, como etanol celulósico, segundo especialistas.


"Talvez esse conforto esteja trazendo uma reação de certa forma comodista, diferentemente dos países premidos por urgência de mudança energética, que estão fazendo esforços para diversificar suas fontes de energia e mudar padrões produtivos e de consumo", afirma o economista Ricardo Abramovay, do Núcleo de Economia Socioambiental da USP.


Globalmente, uma fatia média de 16,4% dos pacotes de estímulo lançados no ano passado para mitigar os efeitos da crise econômica foi "verde" (US$ 513 bilhões em 17 grandes economias), segundo o HSBC. A Bloomberg New Energy Finance estima que 16% desses fundos verdes sejam destinados a pesquisa e desenvolvimento de tecnologias limpas.


No Brasil, só R$ 1,5 bilhão, ou cerca de 5% do total de estímulos fiscais anticrise, focou o setor produtivo "limpo", como o IPI reduzido para carros "flex". E, segundo levantamento do Ministério do Meio Ambiente, feito em todas as pastas a pedido da Folha, em 2009 o governo gastou R$ 2,5 bilhões em ações verdes (R$ 380 milhões diretamente ligados à pesquisa, sem contar atividade espacial).


O montante, fatia de 0,36% do Orçamento executado (descontadas estatais e transferências), é considerado baixo e "questionável" por especialistas, por contar programas que não teriam relação com a área, como Luz para Todos (que leva energia a locais isolados) e Pronaf (de agricultura familiar).


Para o cientista político Sergio Abranches, o país continua sem uma "política integrada de sustentabilidade" e a Política Nacional de Mudança Climática -sancionada em dezembro, mas ainda sem regulamentação- não deverá mudar esse cenário, por se concentrar em combate a desmatamento e "um pouco em agricultura".


A geógrafa da UFRJ Bertha Becker, especialista da questão amazônica, diz que "ainda não estão claramente definidos" o que são "desenvolvimento sustentável" e "economia verde", mas que investimento em pesquisa e ciência "certamente ajudaria" o país a criar modelo de uso inteligente dos recursos.


"Se não investirmos em capacitação científica, para ficarmos na ponta do desenvolvimento de baixo carbono, vamos ficar para trás. No século 20, não fizemos, os asiáticos fizeram. Agora, está zerando de novo a capacidade produtiva. Quem investir mais se destacará", afirma Abranches.


Etanol e solar
Justamente devido a baixos investimentos em pesquisa, o Brasil põe em risco sua liderança em etanol ante seu maior concorrente, os EUA, que investem mais para desenvolver o etanol celulósico (feito do bagaço de cana, por exemplo), o futuro dos biocombustíveis.

"Estamos engatinhando. O Brasil tem tido muito pouca atividade no campo da ciência, embora tenha desenvolvido na prática uma tecnologia bastante desenvolvida", afirma o físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite, diretor do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais, em Campinas.


Apesar de a cana ser muito mais eficiente e "limpa" do que o milho desenvolvido nos Estados Unidos, caso a tecnologia da segunda geração seja desenvolvida lá, e não haja progressos aqui, os americanos tomariam a dianteira. No Brasil, investimentos públicos e privados em pesquisa de etanol somam R$ 150 milhões ao ano, segundo estima o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira); nos EUA, US$ 1 bilhão ao ano vai só para a pesquisa celulósica.


Um esforço de peso na corrida é o Centro de Ciência e Tecnologia do Bioetanol, inaugurado pelo presidente Lula em janeiro, com investimentos de R$ 69 milhões. Seus diretores pedem orçamento anual, ainda indefinido, de R$ 50 milhões.


Até 2020, a poluição relativa à energia no mínimo dobrará, estima o próprio governo. Fontes limpas complementares e eficiência energética poderiam atenuar os efeitos do aumento do consumo de energia, diz o físico da USP José Goldemberg.


"O governo está mesmerizado com o pré-sal, há um esforço grande na pesquisa em torno dele. Se você fica fascinado, presta menos atenção a alternativas, que podem até parecer mais caras, mas por isso estímulos poderiam resolver."


A energia solar, por exemplo, segue vista como cara e sem escala. "É a visão de quem não conhece o setor. Indústrias chinesas já têm escala, porque começaram em 2002 com muito incentivo do governo", diz Izete Zanesco, do Núcleo Tecnológico de Energia Solar da PUC-RS.


O grupo acabou de encerrar um projeto de tecnologia nacional, a custo mais baixo, para painéis solares e agora trabalha num modelo de negócios para atrair investidores. Entre 2005 e 2009, o projeto teve recursos de R$ 6 milhões -bem abaixo dos 11 milhões iniciais que o Instituto Fraunhofer de Energia Solar da Alemanha teve para projeto similar, diz Zanesco.



Futura superestatal, Telebrás está na penúria

Humberto Medina (Dinheiro) - 28/02/10

O governo terá que investir pesado caso queira que a Telebrás, que já foi uma gigante no setor de telecomunicações, venha a ser reativada para tocar o Plano Nacional de Banda Larga. A situação da empresa é precária: prejuízos acumulados, passivo judicial milionário e patrimônio líquido negativo (todos os ativos da empresa, somados, não pagam os passivos).


Funcionando em um conjunto de salas alugadas de um prédio comercial no centro de Brasília, a Telebrás tem 231 funcionários (dados de setembro de 2009), sendo que, desses, apenas quatro trabalham efetivamente na empresa. Os demais estão cedidos para outros órgãos públicos, principalmente para a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).


Com isso, a empresa está em uma situação estranha: excluindo terceirizados, há duas vezes mais pessoas na alta cúpula que funcionários trabalhando: são 12, contando presidente e membros dos conselhos de administração e fiscal. Foram reservados R$ 719 mil para remunerar a alta administração da estatal entre abril de 2009 e março de 2010.


Os últimos dados financeiros da empresa são do terceiro trimestre do ano passado. O prejuízo acumulado em 2009 estava em R$ 14,8 milhões, e o acumulado total, em R$ 429,6 milhões. As fontes de renda da empresa são aplicações financeiras, e as principais despesas são relativas a dívidas.


Até setembro de 2009, a Telebrás era ré em 1.129 ações (cíveis, tributárias e trabalhistas). Para fazer frente a essas demandas, foram provisionados R$ 240 milhões. Desse total, R$ 10,3 milhões já foram depositados. Existem ainda outros R$ 30,8 milhões em possíveis perdas não provisionadas.


Como ela dá prejuízo, é preciso que o governo federal compareça e faça aportes, em forma de aumento de capital. Foi o que ocorreu no ano passado, com aporte de R$ 219 milhões.


Privatização
Até 1998, a Telebrás era a holding que controlava todas as estatais de prestação de serviço de telefonia - 54 empresas concessionárias de serviços públicos de telecomunicações, sendo 27 empresas de telefonia fixa, 26 de telefonia celular e 1 de telefonia de longa distância.


Com a privatização, não foi extinta, só deixou de prestar o serviço. Sua função hoje é "responder pelo contencioso judicial", ou seja, pagar as dívidas ou contestá-las na Justiça.


A União tem 76,5% das ações ordinárias com direito a voto e 47,6% de seu capital total. Somando a participação que outras empresas federais têm na Telebrás, a União conta com 51,4% do capital total.


As informações que o governo vem dando sobre a empresa, com a sua possível reativação para gerir fibras óticas das estatais do setor elétrico e vender serviços de acesso à internet de alta velocidade, fizeram com que as ações chegassem a se valorizar em 35.000%.


Em dezembro de 2002, o lote de mil ações ordinárias da Telebrás valia R$ 0,01. No dia 8 de fevereiro, os papéis chegaram a ser negociados a R$ 2,95, variação nominal de 29.000% ou de 35.000% -considerando dividendos e juros sobre o capital próprio, diz a Economática.





Correio Braziliense


Representantes apostam na eleição da militância para ampliar a conexão entre o parlamento e os assalariados var gld = false; var items; var iic = 0; $('#abas > li > a').each(function(i, item){ $(item).click(function(e){ $('#abas > li').each(function(i, item){ $(item).removeClass('selecionado') }); var its = ['abanoticia', 'abavideo', 'abafoto', 'abainfografico', 'items_noticia']; for (i=0;i a > b > img').each(function(i, item){ $(item).attr('src', $(item).attr('srci')); }) var igg = $('#viewimg > img').eq(0); igg.attr('src', igg.attr('srci')); } gld = true; } break; case 'Gráfico': $('#abainfografico').show(); $("#grfbox").click(); break; } }) }); $("#grfbox").fancybox({'hideOnContentClick':true, 'imageScale':false, 'centerOnScroll':false, 'overlayShow':true, 'frameWidth':720, 'frameHeight':480, 'callbackOnClose':function(){ $('#abas > li:first > a').click(); }}); function workaroundIE6() // i luv this browser { var igg = $('#viewimg > img').eq(0); igg.attr('src', igg.attr('srci')); if (!items) items = $('#thumbs > a > b > img'); var item = items.eq(iic) item.attr('src', item.attr('srci')); if (tt) clearTimeout(tt); if (! (iic++ >= items.lenght) ) tt = setTimeout("workaroundIE6();", 250); }

Flávia Foreque - 28/02/10


Atentas à tramitação no Congresso Nacional de projetos de interesse da classe trabalhadora, centrais sindicais estão cada vez mais empenhadas em lançar candidatos ao Legislativo. Temas como a redução da jornada de trabalho e a recomposição das perdas do poder aquisitivo de aposentadorias, de interesse dos trabalhadores, estão nas mãos de senadores e deputados federais.

"Não dá para tratar a relação capital-trabalho só na porta da fábrica. A gente busca melhorias, mas não encontra ressonância (no Congresso)", afirma o deputado federal Roberto Santiago (PV-SP), vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT). O parlamentar ressalta que a entidade não incentiva a filiação dos dirigentes a determinado partido - embora as centrais continuem próximas aos partidos de esquerda. "Não existe um incentivo partidário, a central é pluralista. No momento, é para incentivar candidaturas", resume.


Criada há pouco menos de três anos, a UGT fará o primeiro teste nas eleições de outubro. O presidente da entidade, Ricardo Patah, aponta cerca de 15 pré-candidatos a deputado federal e estadual entre os dirigentes da central. "Uma democracia só se efetiva se há forças equilibradas que vão ao encontro dos interesses. Por isso, vamos lutar para que nossos candidatos sejam eleitos", argumenta.

Uma das principais críticas de dirigentes sindicais é o desequilíbrio de forças no Congresso entre representantes dos trabalhadores e das demais categorias. De acordo com o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), 60 parlamentares ligados a causas trabalhistas foram eleitos nesta legislatura - número um pouco abaixo da legislatura anterior (70). O instituto, cujo objetivo é manter as entidades sindicais informadas sobre propostas em tramitação de interesse da categoria, afirma que o tamanho da classe empresarial, por sua vez, é quatro vezes maior.


"Esse é um movimento dos trabalhadores, e não apenas de uma ou outra central. É claro que há limites partidários (entre as centrais), mas todas estão unidas na defesa da categoria(1)", afirma Vicente Selistre, presidente do Sindicato de Sapateiros de Campo Bom (RS) e vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). Selistre é um dos nomes que a central pretende lançar à Câmara neste ano. O sindicalista concorreu nas últimas eleições pelo PSB, mas não teve votos suficientes para garantir uma vaga na Casa. Ex-vereador de Campo Bom, é o primeiro suplente do deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS).

Capilaridade
Segunda maior central sindical no país, a Força Sindical também está empenhada em lançar candidatos. O presidente da entidade, o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), calcula, inicialmente, 10 pré-candidatos à Câmara - o próprio Paulinho da Força tentará a reeleição. Presente em todas as regiões do país, a estrutura da entidade em estados como São Paulo é capaz de eleger, sozinha, um nome para o Legislativo. "Com a descentralização da indústria, a força dos sindicalistas cresceu muito", afirma o parlamentar.


Até mesmo a menor entre as seis centrais sindicais tem planos para as eleições em outubro. A Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) quer lançar o nome de dirigentes para as assembleias legislativas em ao menos 12 estados. Além disso, o tesoureiro da entidade e um dos vice-presidentes são cotados para disputar vaga de deputado federal. O secretário-geral da CGTB, Carlos Alberto Pereira, afirma que, apesar da baixa representação no Congresso, o movimento sindical ganhou mais espaço no governo do presidente Lula. "Houve um avanço muito grande em relação ao governo anterior e nós achamos que devemos trabalhar para não haver retrocessos", afirma Pereira.


A Central Única dos Trabalhadores (CUT), maior central sindical do país, preferiu não seguir o caminho das demais entidades. Em julho do ano passado, a direção nacional da CUT determinou que os dirigentes que assumirem algum cargo ou mandato eletivo, nas três esferas de poder, devem ser afastados da função de dirigente sindical. O documento defende "a total independência frente ao Estado e autonomia em relação aos partidos políticos."


1 - Brecha para doação

A lei eleitoral não impede a participação de sindicalistas na disputa política, mas proíbe o financiamento de campanha por "entidade de classe ou sindical". A nova lei eleitoral, no entanto, abriu brecha para a doação dos sindicatos. Um dos artigos do texto que entrou em vigor no fim do ano passado permite a doação de cooperativas, desde que não recebam recursos públicos. Vários sindicatos têm em sua estrutura cooperativas que atendem a demandas de crédito ou habitação, por exemplo.

Tendência a se enraizar

Embora afirme que a representação do trabalhador no Legislativo seja importante, o professor de sociologia do trabalho da Unicamp Ricardo Antunes pondera que, no Brasil, alguns sindicalistas aproveitam a oportunidade e se transformam em políticos profissionais. "Há um modus operandi no parlamento que, se o representante não tiver uma coerência e clara consciência dos interesses que representa, abandona esses valores e facilmente passa a conviver com aquele modo de operação do parlamento, que é o da barganha, o da negociação, o da troca de favores", afirma. Antunes ressalta que esse é um traço da representação parlamentar e influencia não apenas a classe trabalhadora.

Autor de obras sobre o sindicalismo, o professor afirma que alguns dirigentes veem na política uma oportunidade de ascensão social - e dificilmente pensam em retornar aos quadros da entidade. "O parlamento tem uma tendência à luta pela perpetuação. O líder sindical não entra pensando ‘vou representar os trabalhadores por quatro anos'. É raro isso acontecer. Em geral, ele entra no parlamento e não quer mais sair", avalia.

As centrais sindicais também pretendem influenciar o programa de governo dos candidatos ao Palácio do Planalto. As entidades se reunirão em junho para elaborar uma plataforma dos trabalhadores para entregar aos presidenciáveis. "Aquele que assumir o programa vai ter mais apoio do movimento sindical", avalia Paulo Pereira (PT-PDT), presidente da Força Sindical. Algumas centrais, mais próximas do PT, no entanto, querem dar prioridade à campanha da ministra Dilma Rousseff.

O presidente da UGT, terceira maior central sindical do país, afirmou, entretanto, que a entidade não vai comparecer ao evento. "O que nos interessa não são pessoas ou partidos específicos, são projetos", afirmou Ricardo Patah. Um grupo da UGT, filiado ao PPS, é aliado do governador de São Paulo, José Serra, pré-candidato do PSDB às eleições presidenciais. Assim, a entidade pretende elaborar uma proposta própria e encaminhá-la a todos os candidatos.
 

 

Zero Hora


Erros da Campanha da Fraternidade, por Percival Puggina* - 28/02/10

Entristece-me o fato de a CNBB jamais esclarecer que ela não é a Igreja Católica. A CNBB é um ente burocrático, um órgão de apoio, de auxílio aos bispos. No entanto, o silêncio sobre sua verdadeira natureza faz com que, entendida como "a" Igreja Católica (algo infinitamente superior ao que a CNBB de fato é), ela se misture e nivele a outras organizações da sociedade (OAB, ABI, CUT, MST etc. e tal). É uma pena.

A minha consternação se agrava, contudo, pela reiteração de certos equívocos que ficam bem nítidos na atual Campanha da Fraternidade. Um deles está na confusão entre os campos da economia e da política. Os documentos da CNBB são useiros e vezeiros em misturar essas duas esferas da atividade humana, atribuindo à primeira aquilo que é próprio da segunda. Como consequência, pretendem conferir aos agentes econômicos obrigações inerentes às instituições políticas. Trata-se de uma desatenção ao próprio pensamento católico, que reconhece a autonomia das duas esferas. De um sistema econômico se espera que produza, ao máximo de suas possibilidades, riqueza, desenvolvimento, postos de trabalho, tributos e renda, ou seja, condições materiais para a melhoria dos padrões de vida da sociedade. É o que pede a Campanha da Fraternidade de 2010? Não. Ela, enquanto aponta idolatrias e excessos que todos condenam, quer que o sistema econômico nacional, priorizando a partilha e a solidariedade, rejeite as exigências do mercado, do consumo e do lucro. E gere empregos e tributos com penitência e oração?


Toda consciência bem formada se revolta com as tragédias da pobreza material, feitas de analfabetismo, baixo nível educacional e cultural, más condições habitacionais e sanitárias, abandono dos aposentados. Feitas também por corrupção, esbanjamentos, mordomias, absurdos desníveis na remuneração do serviço público e maus governos. Não é com a superação desses embaraços que venceremos a miséria e os desníveis sociais? Pois é tudo campo da política! Miséria e desníveis sociais são temas para os poderes públicos, que se apropriam de 40% do PIB nacional! As justas preocupações com partilha e solidariedade deveriam focar, principalmente, essa brutal ruptura com o Princípio da Subsidiariedade. É grave erro da campanha não dizer que os problemas do Brasil são muito mais políticos do que econômicos. Muito mais institucionais do que empresariais. Bons governos, com boas políticas, enfrentam essas dificuldades valendo-se da competente operação do setor privado.

Outro erro, ainda, está na influência marxista que se derrama sobre boa parte dos documentos da CNBB. Neles, o pobre, o pobre do Evangelho, sob influxo da mais do que reprovada Teologia da Libertação (TL), vira excluído. E fica subentendido que o excluído está excluído porque o incluído não o quer dentro. Assim, o apelo evangélico à caridade se converte em luta de classe. E saiba, leitor, que Bento XVI, ainda agora, no dia 5 de dezembro, olho no olho, advertiu os bispos brasileiros do Sul III e IV contra "os princípios enganadores da TL" e para "o perigo que comporta a assunção acrítica, feita por alguns teólogos, de teses e metodologias provenientes do marxismo, cujas sequelas mais ou menos visíveis, feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa e anarquia, fazem-se sentir ainda, criando, nas vossas comunidades diocesanas, grande sofrimento e grave perda de forças vivas". Será preciso dizer mais?





Agência Brasil


Governo brasileiro e OEA discutem criação de índice da qualidade de serviços para deficientes - 27/02/10

Gilberto Costa

Brasília - Nesta segunda e terça-feira (1 e 2), em Brasília, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) e a Organização dos Estados Americanos (OEA) promovem uma reunião técnica com países do Cone Sul para discutir a criação de um índice de inclusividade, que servirá para medir a qualidade de atendimento e a acessibilidade de pessoas com deficiência.

O índice será formado a partir de informações sobre emprego e matrículas nas escolas para pessoas com deficiência, condições de trabalho, acessibilidade urbana, funcionamento de centros de reabilitação e fornecimento de órteses (materiais e equipamentos para uso provisório) e próteses (materiais que substituição definitivamente órgãos e partes do corpo humano) na rede pública de saúde.

"Esses indicadores são muito importantes. Já temos políticas e ações para pessoas com deficiência. Falta medir a implementação e o impacto disso", explica Izabel Maior, subsecretária nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência da SEDH.

Na opinião de Izabel Maior, o Brasil tem os "piores exemplos" de disponibilidade de infraestrutura urbana para pessoas com deficiência. Ela chama a atenção que ainda falta sensibilidade e educação às pessoas, que não respeitam, por exemplo, as vagas para carros que conduzem deficientes. "Isso não é uma regalia", lembra a subsecretária.

Mas Izabel Maior também cita bons exemplos de iniciativa no país que melhoraram a acessibilidade, como é o caso da cidade de Socorro, no interior paulista, que está 100% adaptada a pessoas com deficiência. "O investimento da rede hoteleira da cidade já deu retorno", disse. Segundo a subsecretária, Socorro transformou-se em cidade muito visitada por pessoas portadoras de deficiência e idosos.

O encontro em Brasília contará com a presença de Eneida Ferres Fergson, responsável pelo programa de Ação das Américas da OEA, que trata de ações de inclusão e acessibilidade.


 

Uol


STF realiza audiência para discutir ação sobre planos econômicos - 27/02/10

SÃO PAULO - O STF (Supremo Tribunal Federal) realizou audiência nesta semana para discutir a ação movida pelos bancos para não arcarem com as perdas que os poupadores sofreram durante a implantação de planos econômicos.

"Estamos confiantes na Suprema Corte do País. Acreditamos que o direito dos poupadores, que lutam há quase 20 anos, será confirmado. As milhares de decisões já proferidas pelos tribunais do País serão respeitadas", afirmou Marilena Lazzarini, que atua no Conselho Diretor do Idec.


A gerente jurídica do instituto, Maria Elisa Novais, afirmou que todos os atuais ministros do STF, com exceção de José Antonio Dias Toffoli, já decidiram em favor do poupador. "No caso do Plano Verão, foram quase duas centenas de decisões", ponderou.

A Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) também participou da reunião e, de acordo com a secretária de assuntos jurídicos, Mirian Fochi, mesmo com a atuação dos bancos contra os poupadores, a entidade continuará a defender o interesse dos investidores.


A ação

A ação foi movida em março do ano passado pela Consif (Confederação Nacional do Sistema Financeiro).

O recurso usado pelos bancos foi uma Ação de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF*), que defende a constitucionalidade das normas que instituíram os planos econômicos Cruzado (1986), Bresser (1987), Verão (1989), Collor I (1990) e Collor II (1991).


Durante a implantação destes planos, o rendimento da poupança foi modificado, o que provocou perdas a investidores, que recorrem à Justiça para reaver o prejuízo. Os bancos, por sua vez, alegam que cumpriram a legislação e que não devem ser onerados por estas ações.


*A ADPF é um instrumento usado para a proteção dos direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição contra atos abusivos do Poder Público que violem os direitos constitucionais. É também usado em casos de relevante controvérsia constitucional sobre lei e atos normativos federais, estaduais e municipais .




Alemtemporeal.com.br


Sinteal deflagra campanha salarial estadual e participa de ato da CUT - 27/02/10
 
O Sinteal - Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas realizará, na próxima quarta-feira 03 de março, a partir das 09h00, no Clube Fênix Alagoano, no centro de Maceió, assembleia geral da rede estadual para discutir dois importantes pontos de pauta: a deflagração das campanhas salarial e de defesa do servidor e do serviço público (esta sendo organizada pelo CUT e sindicatos filiados).

O sindicato está mobilizando todos os núcleos regionais da entidade em Alagoas para que a participação seja a maior possível. Após a assembléia, os trabalhadores em educação vão se encontrar com colegas de outras entidades sindicais para uma grande caminhada de luta em defesa dos servidores e do serviço público, que culminará com ato público em frente à Assembleia Legislativa de Alagoas.
 

 

Jornalcidade.uol.com.br


Política de igualdade racial tem apoio de centrais - 27/02/10

Representantes das principais instituições sindicais do país se reuniram com o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, para apresentar declaração de apoio ao sistema de ações afirmativas, especialmente às cotas raciais na educação.

O documento foi assinado pelos presidentes de sete centrais sindicais: Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Força Sindical, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nova Central Sindical dos Trabalhadores e Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial (Inspir).


As centrais sindicais estarão reunidas do dia 1º a 3 de março, em Brasília, na Seppir, debatendo adequações do Estatuto da Igualdade Racial e a Audiência Pública no Supremo Tribunal Federal.


A declaração é o primeiro passo na luta das centrais sindicais pela igualdade racial. Os presidentes das instituições também decidiram ingressar como amicus curiae na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 186, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).


A ADPF, proposta pelo partido Democratas (DEM), questiona a criação de cotas para negros na Universidade de Brasília (UnB). O amicus curiae - expressão de origem latina que significa amigo da Corte - permite o ingresso de terceiros no julgamento de processos.


De acordo com a Lei nº 9.868/99, o relator, no caso o ministro do STF Ricardo Levandowski, ao considerar a relevância da matéria, pode admitir a manifestação de outros órgãos ou entidades.


O ministro Edson Santos agradeceu pelo apoio às centrais e disse que esse é apenas o início de uma importante parceria. Segundo ele, a questão das cotas não é só um problema dos negros, é uma questão de políticas afirmativas para o país. Audiência - Antes do julgamento da ADPF, o STF vai ouvir, em audiência pública, a opinião da sociedade civil sobre a criação de cotas nas universidades. Convocada pelo ministro Levandowski, a audiência pública, a quinta da história do Supremo, será de 3 a 5 de março.


Djalma de Paula, presidente do Sindicato dos Químicos de Rio Claro, e Francisco Quintino, diretor do Sindicato dos Químicos de Rio Claro, e membros do Departamento de Promoção da Igualdade Racial estarão em Brasília na próxima semana, pela Força Sindical, no evento das centrais sindicais e na audiência pública no STF.


Nossa luta é não permitir que avanços importantes conquistados até agora, no caso a cotas raciais na educação, sofram retrocesso, comenta Djalma. Segundo Quintino, debate do tema de cotas raciais em audiência pública do STF é bem-vindo: O Supremo é um importante fórum que deve, na promoção dos debates, valorizar ainda mais os avanços das políticas públicas de igualdade de oportunidades.





Rondoniadinamica.com


ELEIÇÕES STICCERO: renúncia de trabalhadores impugna chapa 2 que seria aliada ao setor patronal - 27/02/10

Nesta sexta-feira (26), quatro trabalhadores da empresa Odebretch, responsável pela construção da Usina de Santo Antonio, apresentaram na comissão eleitoral do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil (STICCERO) renúncias e a retirada de seus nomes da composição da chapa 2 "Renovação"; bem como, solicitaram a devolução de todos os seus documentos.

Com essas quatro renúncias, somadas às quatro vagas não preenchidas pela chapa 2 que já havia se inscrito incompleta com apenas vinte componentes, restou apenas dezesseis integrantes na chapa "Renovação"; sendo que o estatuto e o edital exigiam vinte e quatro membros. Esta situação impugna automaticamente a inscrição desta chapa, que não poderá mais concorrer nas eleições que acontecerão nos dias 22, 23 e 24 de março próximo.


A impugnação acontece automaticamente porque o estatuto exige que uma chapa para concorrer tenha que manter, no mínimo, todos os cargos preenchidos e mais a metade dos suplentes, o que representa um total de dezoito componentes, sendo que restou apenas dezesseis na chapa 2 "Renovação"; ou seja, dois a menos do que o mínimo necessário.


O motivo das renúncias foi o mesmo em todos os casos: os trabalhadores foram induzidos a entregarem documentos a um grupo de pessoas ligadas à Federação da Construção Pesada (FENATRACOP) que alegavam, basicamente, que estavam atuando em parceria com empresas e o Sindicato para montar uma chapa, e que isso seria necessário, pois o mandato da atual administração do STICCERO estava terminando.


Anteriormente, outra trabalhadora já havia denunciado a ação do grupo ligado à Federação, tendo inclusive registrado um Boletim de Ocorrência Policial nº 10E1007001060, no dia 22/02/2010; sendo que ela só conseguiu recuperar seus documentos no STICCERO; os quais estavam em poder de representantes da chapa 2, que haviam incluído seu nome na relação para registro da chapa.


Para a Oposição Sindical, que atua há mais de um ano na Construção Civil, com o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Federação CONTICOM, estes fatos lamentáveis, de trabalhadores sendo ludibriados para entrarem numa chapa, mostra o desespero de setores ligados à antiga direção do Sindicato, da FENATRACOP e de empresas que se recusam a aceita a nova realidade do STICCERO: um Sindicato que representa de fato os interesses dos trabalhadores.
A Oposição Sindical se inscreveu com a CHAPA 1: RESGATE, RENOVAÇÃO E LUTA, tendo como candidato a presidente Raimundo Soares, o Toco; vice-presidente Altair Donizete e tesoureiro Valderi Braga, além de várias outras lideranças, como Chaguinha, Enélcio, Sebastião Laia, Cristiano e Borginho.



 

Cruzeirodosul.inf.br


PT e CUT protestam contra demora do Poupatempo fixo - 27/02/10

Um protesto reunindo cerca de 150 pessoas, com direito até a boneco do governador José Serra (PSDB), está previsto para a manhã de hoje, ao lado do Terminal São Paulo (TSP), para reclamar da demora da instalação da unidade fixa do Poupatempo na cidade. A manifestação, marcada para acontecer exatamente na área disponibilizada para a construção do imóvel, é uma iniciativa do diretório municipal do PT e da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

A instalação do Poupatempo vem sendo articulada desde 2006. De acordo com o presidente do diretório municipal do PT, José Carlos Triniti Fernandes, a instalação da unidade fixa do Poupatempo é uma promessa que vem se arrastando há muito tempo, tanto que até a imprensa vem noticiando isso. Ao seu ver, é um absurdo que uma cidade, do porte e da importância de Sorocaba, e que tem governo municipal e estadual no mesmo partido, aceite essa situação passivamente. É até um descrédito para Sorocaba, concluiu.

A organização do protesto foi decidida em reunião ocorrida na última semana, e ontem, integrantes do partido foram ao centro divulgar a manifestação por meio de panfletos, que trazem em seu conteúdo a indignação pela demora da vinda do Poupatempo fixo, sendo que já existe área doada, e que a mesma também já foi desapropriada.

Triniti também reclama da falta de consideração do governo, que nem sequer responde aos requerimentos feitos pelo deputado estadual Hamilton Pereira e pelo vereador Francisco França da Silva, sobre o porquê da demora.

Desde que a instalação do serviço começou a ser articulada em 2006, a possível data de inauguração foi alterada pelo menos quatro vezes, com a última previsão para o final de 2011. A unidade deverá atender cerca de 5 mil pessoas por dia, em uma área de 2 mil metros quadrados, onde será, de fato, construída. Investimentos de R$ 33 milhões do governo estadual são a previsão para a construção do Poupatempo fixo.

Poupatempo responde
A assessoria de imprensa do Poupatempo respondeu ontem que o edital da primeira licitação, que selecionará a empresa que fará a obra, deve ser publicado nos próximos dias, mas não reiterou se o prazo para sua inauguração fica mantido para o final do próximo ano.

De acordo com a nota, o processo de instalação do Poupatempo Sorocaba sofreu atrasos devido à demora nos trâmites de cessão do imóvel - necessidade de desapropriação de diversos imóveis construídos no terreno destinado ao Poupatempo. Somente a partir desta posse do imóvel foi possível iniciar os trabalhos para sua implantação, com a realização de licitação para contratação de escritório de projetos para a realização do projeto executivo, contemplando todas as informações necessárias à execução da obra em todas as suas áreas técnicas.

Também de acordo com a assessoria, a implantação de uma Unidade fixa do Poupatempo em Sorocaba está entre as prioridades do governo de São Paulo, mas que tal processo não pode ser comparado ao de nenhum outro posto de Plano de Expansão pela necessidade de se construir uma edificação, entre outras etapas do projeto.

 


Atarde.com.br


Proposta de reduzir jornada de trabalho acirra tensões

Ludmilla Duarte e Donaldson Gomes - 27/02/10

Não há consenso entre trabalhadores e patrões sobre  a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 231/95, que prevê a redução da carga horária de trabalho no Brasil de 44 para 40 horas semanais. Sob a alegação de que o aumento de custos trabalhistas com a mudança poderia chegar a até 10% das folhas de pagamento, o patronato considera que a proposta de mudança defendida pelas centrais sindicais é inviável. Com base em um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), os trabalhadores defendem que a oneração seria bem menor, de 1,9% sobre a folha.

A proposta de redução na jornada faz parte de um pacote de nove projetos de lei, quase todos de autoria do Poder Executivo, que tramita no Congresso Nacional neste ano de eleições sob olhar atento das seis maiores centrais sindicais do País.

O empresariado mantém marcação cerrada no Congresso na tentativa de barrar ambos. Somente este mês, duas reuniões já aconteceram com os líderes de bancadas e o presidente da Câmara, Michel Temer (PMB-SP), e em uma delas chegou-se a pedir que a redução da jornada vá a plenário só em 2011 - uma tentativa de afastar os parlamentares da pressão dos trabalhadores em ano eleitoral.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, que é deputado federal, já avisou: "A posição da CNI é contrária a qualquer negociação dessa questão neste momento. O Brasil está saindo de uma crise e ainda há muitas incertezas no ambiente externo".  O presidente da Câmara tentou uma proposta conciliatória, onde a jornada seria reduzida em duas horas, caindo para 42, mas nem trabalhadores nem empresários aceitaram conversar.

"O problema é que os empresários querem benefícios fiscais em troca da redução da jornada. Assim não tem acordo", decreta o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, que também tem se reunido com os parlamentares, ao mesmo tempo em que comanda, junto com os presidentes das outras cinco centrais, manifestações e marchas pela aprovação do projeto. As centrais argumentam  que a redução da jornada geraria cerca de 2,2 milhões de novos empregos. 

"Em 88, quando a jornada foi reduzida de 48 para 44 horas, os empresários diziam o mesmo - que haveria desemprego e perda de competitividade. Em 20 anos o que houve foi um ganho de produtividade que jamais foi repassado para os trabalhadores. Hoje se produz duas vezes mais veículos, TVs e geladeiras com a metade dos trabalhadores", aponta.

Meio-termo - O consultor na área de relações do trabalho, Carlos Pessoa, acredita que os dois lados têm razão. Para ele, com diálogo é possível chegar ao meio-termo. "A sociedade muda e as relações trabalhistas precisam acompanhar este processo", avalia. O tempo que o trabalhador gasta no trânsito atualmente é um desses fatores. "Outro aspecto é que falta tempo para investir em educação e isso dificulta o aumento da produtividade".

O que não é verdade, na opinião dele, é que a redução da jornada ajude na geração de empregos. "No primeiro momento, é necessário contratar, mas a força de trabalho cara favorece o investimento em automação".  A geração de empregos passa pelo crescimento econômico e preparação dos trabalhadores.
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