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Clipping 02/03/10

Escrito por William Pedreira
02/03/2010

Edição nº 1529 terça, 02 de março de 2010
Fechamento: 08:45


Edição número 1529 terça-feira, 02 de março de 2010

 

 
Fechamento: 08h45

 


Veículos Pesquisados:


Clipping CUT é um trabalho diário de captação de notícias realizado pela equipe da

Secretaria Nacional de Comunicação da CUT. Críticas e sugestões com

Leonardo Severo (leonardo@cut.org.br)

Isaías Dalle (isaias@cut.org.br)

Paula Brandão (paula.imprensa@cut.org.br)

Luiz Carvalho (luiz@cut.org.br)

William Pedreira (estagio.imprensa@cut.org.br)

Secretária de Comunicação: Rosane Bertotti (rosanebertotti@cut.org.br)





O Estado de S.Paulo



Presidente uruguaio defende eleição de mulher no Brasil
Presente à posse de Mujica, Lula diz que Dilma, se eleita, terá estilo próprio

Julia Duailibi (Nacional)

O novo presidente do Uruguai, o ex-guerrilheiro José Pepe Mujica, afirmou que seu "coraçãozinho" pende para a eleição da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), na disputa presidencial brasileira, em outubro deste ano.

Embora não tenha citado nominalmente a petista, o uruguaio afirmou que gosta de mulheres no poder. "A decisão é do povo brasileiro, o que não quer dizer que eu não tenha meu coraçãozinho. Ultimamente, eu tenho gostado das mulheres no poder", disse Mujica anteontem, ao ser questionado pela imprensa acerca de sua opinião sobre a petista.

O novo presidente do Uruguai atuou em organizações de esquerda contra a ditadura militar de seu país, que durou de 1973 a 1985. Chegou a ficar preso por 14 anos. Durante o período de combate, Dilma esteve no Uruguai para fazer treinamento militar, conforme entrevista ao jornal Folha de S. Paulo publicada em fevereiro. Ex-guerrilheira como Mujica, Dilma também fez oposição ao regime militar brasileiro (1964-1985) e atuou em movimentos de esquerda.

Presente à posse de Mujica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Dilma vai fazer um governo com o "estilo" dela. Indagado se gostaria da continuidade de sua gestão, assim como Mujica sustenta que será a continuidade da de Tabaré Vázquez, Lula declarou: "Quando a Dilma ganhar as eleições, a Dilma vai fazer do governo o estilo dela, a cara dela. Ela participa do governo, ela tenta fazer mais e melhor."

Embora tenha iniciado suas declarações como se fosse fato a vitória de Dilma nas eleições, o presidente resolveu contemporizar: "Primeiro vamos trabalhar para ganhar as eleições. Depois então a gente começa a fazer prognóstico do que vai acontecer."

Lula disse não ter visto pesquisas de intenção de voto no fim de semana que mostram o crescimento de Dilma. "Eu estava preocupado com o jogo do Santos e do Corinthians, e o Corinthians levou um passeio, então...", afirmou o presidente, em referência ao jogo de futebol do domingo.

REFERÊNCIA
Eleito pela Frente Ampla, organização que reúne entidades esquerdistas, Mujica usou o governo Lula como referência, durante a campanha eleitoral, para afirmar que não iria imprimir em seu governo uma gestão radical. Casado com a senadora e também ex-guerrilheira Lucia Topolansky, foi acusado da morte de um policial, o que o levou a anos de prisão solitária.

O novo presidente será o segundo político de esquerda a governar o Uruguai. Recebeu o governo das mãos de Tabaré Vázquez, eleito em 2004, após a derrota dos partidos Nacional (Blanco) e Colorado, ambos agremiações de centro-direita que dominavam a cena política do Uruguai desde o século 19.


Plano de direitos humanos não terá controle da mídia, afirma Costa
Segundo ministro das Comunicações, questão é 'intocável' e tese jamais foi discutida dentro do governo federal

Daniel Bramatti e Roldão Arruda (Nacional)

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, disse ontem que o governo não trabalha com a hipótese de promover o chamado controle social sobre a mídia, um dos tópicos abordados no Plano Nacional de Direitos Humanos. "Em nenhum momento isso foi discutido dentro do governo federal. Consideramos essa questão absolutamente intocável", disse Costa, um dos participantes do fórum Democracia e Liberdade de Expressão, que reuniu ontem, em São Paulo, jornalistas, empresários, intelectuais e políticos.

O ministro se referiu ao tema ao falar sobre a necessidade de uma nova legislação sobre as telecomunicações no País. Ao ser indagado especificamente sobre o plano de direitos humanos, disse ser contrário ao controle social, mas ressalvou que a questão tem de ser analisada pelo Congresso. O plano governamental, divulgado no início do ano, sugere a apresentação de projeto de lei que estabeleça penas para órgãos de imprensa que desrespeitarem os direitos humanos.

"Propor a criação de marco legal regulamentando o artigo 221 da Constituição, estabelecendo o respeito aos direitos humanos nos serviços de radiodifusão concedidos, permitidos ou autorizados, como condição para sua outorga e renovação, prevendo penalidades administrativas como advertência, multa, suspensão da programação e cassação, de acordo com a gravidade das violações praticadas", diz o texto.

No evento de ontem, promovido pelo Instituto Millenium, o primeiro a se referir ao plano foi o empresário Roberto Civita, presidente do Grupo Abril. Para ele, o projeto traz "ameaças veladas" à liberdade de expressão. "No Brasil, é no mínimo estranho que, justamente no momento em que vivemos uma democracia plena, se esteja falando em um maior controle dos meios de comunicação", disse.

Alguns dos painelistas manifestaram preocupação com a possibilidade de haver investidas contra a liberdade de imprensa caso a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, vença as eleições presidenciais deste ano. "O PT mantém relações ambivalentes com a democracia", disse o sociólogo Demétrio Magnoli, um dos convidados. "O partido celebra a Venezuela de Hugo Chávez, aplaude o regime castrista e soltou nota oficial de apoio ao fechamento da RCTV", acrescentou, em referência à emissora de televisão cuja licença de operação não foi renovada pelo governo venezuelano em 2007.

Para Magnoli, ao mesmo tempo em que o governo Luiz Inácio Lula da Silva aderiu aos princípios da economia de mercado, o PT, como contraponto, retomou em seus documentos internos a ideia de que é preciso haver um partido dirigente da sociedade e reforçou críticas à democracia burguesa, um processo que o sociólogo qualificou como restauração stalinista.

DEPENDÊNCIA
Tanto o sociólogo como Denis Rosenfield, outro painelista, destacaram que, se vencer a eleição, Dilma não terá a mesma independência do presidente Lula em relação a seu partido. "O risco é que enfrentemos no próximo período um governo do PT, mas não de Lula. Ou seja, de alguém que dependa fundamentalmente do PT em sua sustentação política e que não tenha a autonomia bonapartista de Lula em relação PT, para usar a definição de um sociólogo do próprio PT, André Singer", disse Magnoli.

Ao se referir à censura ao Estado, Rosenfield, que é professor de filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, qualificou o episódio como um escândalo. Ele se mostrou surpreso com a demora da Justiça em dar uma palavra final sobre o caso. Carlos Alberto Di Franco, colunista do Estado e representante no Brasil da Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra, disse que a censura ao jornal foi a mais explícita agressão à liberdade de imprensa.

Sidnei Basile, jornalista e vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Abril, fez um relato sobre os fatos que levaram os representantes das principais empresas de comunicação a se retirarem da comissão organizadora da Conferência Nacional da Comunicação (Confecom), convocada pelo governo no ano passado.

No painel de encerramento do encontro, o diretor de Redação do jornal Folha de S. Paulo, Otávio Frias Filho, também condenou a censura ao Estado.

Ao se referir aos debates anteriores e às comparações feitas entre a conjuntura brasileira e a de países vizinhos, como Venezuela e Bolívia, Frias observou que a democracia brasileira está mais consolidada que nos países mencionados.

Ressalvou, porém, que a história mostra que governos que desfrutam de altos índices de popularidade são mais tentados a investir contra o Congresso e a calar a imprensa. "Estamos convivendo com um governo que tem altos índices de popularidade", assinalou em seguida, referindo-se ao momento político do País. "Tendo a atribuir certos arranques autoritários do atual governo, especialmente em relação à liberdade de imprensa, à sensação de poder e força que essa popularidade confere."

No mesmo painel, o deputado e ex-ministro Antonio Palocci (PT-SP), também enfatizou a consolidação da democracia e das instituições. "O Brasil tem caminhado num ambiente democrático", afirmou.


Lula altera planos e viaja do Uruguai para o Chile
Presidente foi o primeiro líder a chegar a Santiago após o terremoto e prometeu ajuda humanitária e financeira

Julia Dualib, com Efe e Reuters (Internacional)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou ontem a Santiago para a primeira visita de um chefe de Estado à presidente chilena, Michelle Bachelet, desde o terremoto que há dois dias atingiu as regiões central e sul do Chile deixando pelo menos 723 mortos.

Lula chegou acompanhado do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o chileno José Miguel Insulza, depois de ambos terem participado, em Montevidéu, da posse do presidente uruguaio José Mujica.

Lula afirmou, depois de se reunir com sua colega chilena, Michelle Bachelet, no aeroporto de Santiago que "o Brasil fará o possível para que o povo do Chile sofra o mínimo possível" com o terremoto que atingiu o país. "Graças a Deus, o Chile é um país com muito boa estrutura, mais do que a de outros países, e mais preparado por ter a experiência de muitos terremotos", afirmou o presidente, acrescentando que "o povo chileno não merecia uma catástrofe como essa". No entanto, Lula declarou que "o Brasil estará presente, assim como o povo chileno esteve com o Brasil nos momentos difíceis de sua história política".

A viagem de Lula a Santiago não constava do programa presidencial e foi acertada após conversa entre o presidente brasileiro e a chilena. Lula disse, ainda em Montevidéu, que, como ele estava a duas horas de Santiago, em vez de ir para Brasília para amanhã ir a Santiago, decidiu conversar ontem mesmo com Bachelet.

Lula também afirmou que o Brasil fará "o que puder" para ajudar o Chile, mas disse que, neste momento, ainda não há informações suficientes para especificar como a cooperação será feita. "Neste momento, o que o Brasil puder fazer pelo Chile, vamos fazer. Ainda não sabemos o grau da necessidade, mas a primeira necessidade é tentar descobrir se tem gente debaixo dos escombros. Tentar encontrar, ajudar na reconstrução", afirmou o presidente. Segundo ele, quatro equipes de busca dos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, além do Distrito Federal, embarcarão participarão do socorro às vítimas do terremoto no Chile.

DOAÇÃO EM DINHEIRO
Questionado sobre se a ajuda ao Chile poderia ser financeira, o presidente disse que sim. "Até ontem (domingo) eles não estavam pedindo nada, ainda iam fazer um levantamento, mas obviamente que o Brasil estará disposto a dar uma ajuda financeira, se o Chile precisar", declarou o presidente. Lula disse ainda que, até ontem, não havia informações de brasileiros entre as vítimas do terremoto de sábado.


Mercado põe mais pressão sobre o BC
Pela primeira vez em 86 semanas, especialistas projetam inflação de 2011 acima da meta de 4,50%

Leandro Modé, Fabio Graner (Economia)

A piora das expectativas para a inflação deste ano já começa a contaminar as projeções para 2011 e aumenta a pressão sobre o Banco Central (BC) para que eleve a taxa básica de juros (Selic) na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) dos dias 16 e 17 de março.

O Relatório Focus, síntese de uma pesquisa realizada pelo BC com dezenas de instituições financeiras e consultorias, mostrou ontem que o mercado subiu pela sexta semana seguida a previsão para o IPCA (índice oficial de inflação do Brasil) de 2010. A estimativa foi de 4,86% para 4,91%. A meta do governo é de 4,50%, com margem de tolerância de dois pontos para cima ou para baixo.

O que mais surpreendeu os investidores, no entanto, foi uma pequena, mas importante alteração, na expectativa de IPCA para o ano que vem. Depois de 86 semanas de estabilidade em 4,50%, o mercado elevou a projeção para 4,53%. "Não é dramático, mas é ruim", afirmou a economista-chefe do Banco ING, Zeina Latif. "Pode-se dizer que acendeu a luz amarela", disse o estrategista-chefe do Banco WestLB, Roberto Padovani.

Como a ação do BC é voltada para o futuro, as expectativas dos agentes têm papel crucial na trajetória de inflação. O raciocínio é o seguinte: se o mercado acreditar em inflação mais alta, a profecia tende a se cumprir; se acreditar em inflação na meta, também. Por isso, o BC tenta, ao definir o juro, não só conter o ímpeto da atividade econômica, mas também "ancorar" as projeções para o IPCA o mais perto possível do centro da meta.

Os dois analistas discordam, no entanto, sobre o momento em que o Copom iniciará o esperado ciclo de alta da taxa de juros. Para Zeina, os números do Relatório Focus dão mais subsídio para que o BC comece a agir em março. "Há um consenso de que o juro vai ter de subir. Então, para que esperar?"

Padovani mantém a expectativa de que a Selic só vai ser elevada a partir de abril. "A estimativa para a inflação futura está muito ligada à inflação corrente. Como os últimos índices surpreenderam para cima, muita gente se assusta", ponderou. Hoje, a taxa básica de juros está no menor nível da história do País, 8,75% ao ano.

O economista-chefe do Banco BNP Paribas no Brasil, Alexandre Lintz, é um dos poucos analistas de mercado que avaliam que o BC só vai mexer no juro no segundo semestre ? no caso dele, em outubro. Lintz atribuiu a alteração na estimativa de IPCA de 2011 a questões estatísticas. "Quando o modelo matemático de projeção é atualizado com os índices mais recentes, que vieram acima do esperado, automaticamente se joga para cima a inflação de 2011", afirmou.

Em um evento em São Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a pressionar o BC para que não eleve o juro.


Banco Central não deu indicações de aumento do juro, diz Mantega
Para o ministro da Fazenda, mercado entendeu errado as declarações do presidente do BC, Henrique Meirelles

Marcelo Rehder (Economia)

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem, em São Paulo, que não viu nenhuma indicação recente do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, de elevação iminente da taxa básica de juros (Selic). "Eu torço para que isso não aconteça", disse o ministro, após reunião com empresários na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).

Mantega disse ter saído do encontro com a certeza de que a indústria tem capacidade de atender ao aumento da demanda e, portanto, "está afastada a ameaça de inflação de demanda". Para o ministro, o mercado financeiro entendeu errado as declarações do presidente do BC e está "excitando" a economia. De acordo com ele, as taxas de juros futuros já subiram entre 3% e 4% nas últimas semanas, sem indicação de que a Selic vá de fato ser elevada.

"Quem decide se vai ter aumento ou não do juro é o Banco Central, e ele só vai elevar o juro se houver risco de que a meta de inflação não seja alcançada", disse Mantega. "Eu não vejo nenhuma ameaça iminente de alta de juro naquilo que foi dito pelo presidente Meirelles. Eu não posso garantir nada, só estou dizendo que estou tranquilo porque até agora a trajetória é sustentável."

Mantega lembrou que o BC já tomou uma medida, que foi o aumento do compulsório. "Acabou de tomar uma medida, retirando R$ 71 bilhões de circulação, o que reduz um pouco a liquidez no mercado", reforçou.

O ministro disse que está preocupado com o aumento dos juros futuros porque, "quando sobe o juro futuro, já subiu o custo financeiro no País". Ele disse que não há razão nenhuma para essa elevação, uma vez que o BC tem dado a sinalização correta. "Há muita especulação no mercado; quem diz que o juro vai subir não é o BC."

Para Mantega, a economia brasileira tem condições de crescer este ano pelo menos 5% com o cumprimento da meta de inflação. Na avaliação do ministro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano deve ficar próximo da meta de 4,5%, "um pouquinho para mais, um pouquinho para menos".

"Não devemos nos impressionar com a inflação de janeiro e fevereiro, pois ela sempre é mais alta por causa de fatores sazonais", disse o ministro, citando os preços das mensalidades escolares e do transporte público, que normalmente são reajustados no início de cada ano. Além disso, houve excesso de chuvas, o que elevou o preço dos produtos hortifrutigranjeiros. "A inflação deu 0,75% em janeiro e em fevereiro ainda vai ficar um pouco alta, mas em março já volta para 0,30% ou 0,35% e daí para a frente caminha no leito correto."

O ministro contou que, na reunião com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e integrantes do Conselho Superior Estratégico da entidade, o tema central da discussão foi a capacidade do setor de atender ao crescimento da demanda, que deve ficar entre 7% e 7,5% este ano.

"Não há possibilidade de inflação de demanda no caso da produção industrial", disse o ministro. "Eu diria que a mesma coisa acontece do ponto de vista da agricultura, que está em perfeitas condições para atender à demanda por alimentos e matérias-primas que acontecerá em 2010, acrescentou Mantega.


Votação do pré-sal será acelerada
Estratégia do governo é votar todos os projetos na Câmara esta semana
 
Renato Andrade (Economia)

Pressionado pelo calendário eleitoral, o governo decidiu acelerar a votação dos projetos do pré-sal na Câmara. Mesmo correndo o risco de ver aprovadas algumas alterações significativas nas propostas, a nova estratégia traçada pela liderança do governo na Casa é concluir ainda nesta semana a discussão dos projetos. A estratégia garante tempo suficiente para que as propostas passem pelo Senado e sejam encaminhadas para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até junho, quando o Congresso deve interromper os trabalhos por causa das eleições de outubro.

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), reconhece que existe risco real de o Palácio do Planalto ser derrotado em plenário na discussão sobre o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) no processo de capitalização da Petrobrás e na divisão de royalties entre os Estados. Ainda assim, o líder entende que é melhor perder nesses dois pontos do que não ter os projetos aprovados até junho.

O reconhecimento da possibilidade de derrota nessas duas questões ficou claro para o governo na semana passada, quando os deputados aprovaram repassar parte dos recursos do Fundo Social do pré-sal para recompor o valor das aposentadorias acima de um salário mínimo. A emenda aprovada por ampla maioria foi apresentada por Márcio França (PSB-SP), da base aliada. "A lição que tirei da redução dos recursos para combate à pobreza no Fundo Social é que, quando há uma posição cristalizada, não adianta conversa", disse Vaccarezza.

A nova estratégia será posta em prática hoje, quando os deputados vão votar a proposta de capitalização da Petrobrás. O líder do DEM, Paulo Bornhausen (SC), prometeu que vai apresentar um destaque garantindo o direito de uso do saldo do FGTS na compra de novas ações da estatal que serão lançadas, contrariando a posição defendida pelo Planalto.

Os Democratas analisam três alternativas: permitir o uso integral do FGTS ou limitar o uso a 50% ou 30% do saldo. "Sou favorável ao máximo, mas vamos discutir com os outros líderes de oposição qual será a proposta a ser levada para o plenário", disse Bornhausen.

Antes da votação, Vaccarezza pretende fazer mais uma rodada de sensibilização dos líderes da base para tentar garantir coesão, mas adianta que não pretende entrar na costura de acordos. "A vitória, ou a derrota, será decidida no voto. "Quem tiver maioria, leva." Se o governo conseguir concluir a votação da capitalização, Vaccarezza quer antecipar para amanhã a análise do último destaque ao projeto que estabelece o modelo de partilha para a exploração do pré-sal, encerrando a tramitação dos projetos na Câmara.

Uma possível vitória do Planalto na votação desse destaque é ainda menos provável, como reconhece o próprio Vaccarezza. A emenda propõe divisão igualitária dos royalties de petróleo entre todos os Estados.


Projetos colocam o governo contra a parede em ano eleitoral
Se aprovadas, propostas consideradas inviáveis financeiramente, como a da redução da jornada de trabalho, podem pressionar orçamento federal
 
Edna Simão (Economia)

As pressões do ano eleitoral colocam o governo federal em uma espécie de "paredão". Projetos polêmicos, antes considerados impraticáveis financeiramente, podem ser aprovados, ampliando ainda mais os gastos do governo federal. Se as PECs (Proposta de Emenda à Constituição) relacionadas à elevação dos salários dos servidores e aposentados, à criação de novos cargos públicos e à redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas chegarem ao plenário da Câmara, a derrota do governo é inevitável.

Os deputados - da oposição e da base aliada - não querem correr o risco de se desgastarem politicamente em um ano eleitoral. Nos bastidores eles avisam que votarão favoravelmente os pleitos dos trabalhadores, servidores públicos e aposentados.

Para esquentar mais o clima e colocar os parlamentares em uma saia-justa, as centrais sindicais, como a Força Sindical e Central Única dos Trabalhadores (CUT), ameaçam fazer protestos na porta de fábricas para conseguir a aprovação da PEC que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, em tramitação desde 1995. "O governo enfrentará dificuldades para impedir a aprovação desse projeto e das PECs que reajustam os servidores", afirmou o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-S), o Paulinho da Força Sindical.

Para o deputado tucano Arnaldo Madeira (SP), o governo faz "demagogia" com a redução de gastos. Isso porque boa parte dos projetos apresentados pela base aliada está relacionada ao aumento das despesas.

No caso da Previdência Social, três projetos do senador Paulo Paim (PT-RS) tiram o sono do governo. Eles tratam de conceder o mesmo reajuste do salário mínimo para todos os benefícios previdenciários, do fim do fator previdenciário (instrumento que desestimula aposentadorias precoces) e da recomposição do valor das aposentadorias. "O ano eleitoral torna o deputado mais frágil as pressões de corporações e alguns segmentos. A mentalidade é sempre de atender os pleitos", ressaltou Madeira.

Uma mostra disso é a derrota que o governo sofreu na semana passada. Depois de postergar a avaliação de uma proposta de Paim que vincula o benefício previdenciário a um número específico de salários mínimos, que está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), uma emenda do deputado Márcio França (PSB-SP) ao projeto que cria um Fundo Social com recursos da exploração de petróleo da camada do pré-sal garantiu o benefício. A emenda foi aprovada por 356 votos a 1.

E as pressões não param por aí. Novas emendas para garantir reajustes adicionais aos aposentados, por exemplo, poderão ser apresentadas aos projetos de lei e medidas provisórias apresentadas pelo Executivo. "Esta emenda (dos aposentados ao Fundo Social) é a primeira de uma série que vai permitir que arrumemos recursos para desmentir a falácia de que a Previdência não pode pagar o valor justo para aposentados e pensionistas", destacou o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) em seu discurso no Plenário da Câmara.

Sabendo das dificuldades, o líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), trabalha para impedir que alguns dos projetos que oneram demais os cofres públicos cheguem ao plenário. "Um dos projetos que preocupam é os que têm impacto de uma vez só, como é o caso dos da Previdência", contou. Para ele, não deve entrar na pauta, por exemplo, o fim do fator previdenciário. Esse tema ficará para ser resolvido no próximo governo.

Em março, os principais embates do governo serão a apreciação de duas medidas provisória. A MP 474 que trata da política de reajuste do salário mínimo entre 2011 e 2023 e já recebeu mais de 10 emendas. E a MP 475 que define a forma de reajuste dos benefícios previdenciários em 2011, que conta algo em torno de 30 emendas.

No caso da MP do salário mínimo, a maioria das emendas exige um acréscimo no valor - que subiu de R$ 465 para R$ 510 em 2010 - e mudanças na fórmula de cálculo do montante que será pago em 2011 para garantir um reajuste real aos trabalhadores. A proposta do governo considera no cálculo do salário mínimo dos próximos anos o uso do INPC acumulado nos últimos 12 meses mais a variação da taxa de crescimento do PIB do ano anterior.


Redução de jornada e geração de emprego

José Pastore*

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 231 visa à criação de mais empregos por meio de uma redução da jornada legal de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução dos salários e acompanhada de um aumento do valor da hora extra de 50% para 75%. O Dieese estima que o Brasil terá 2,3 milhões de empregos adicionais com a aprovação dessa medida. Uma análise de cerca de 20 pesquisas sobre a matéria, porém, mostra não haver um só caso de geração de empregos em decorrência da redução da jornada legal.

Isso ocorre porque as empresas, como estratégia de sobrevivência, buscam neutralizar todo aumento de custo por meio de medidas bastante conhecidas. Algumas fazem um uso mais intensivo dos atuais empregados. Outras substituem trabalhadores por máquinas. Quando nada disso funciona, elas diminuem a produção para se ajustar ao quadro de pessoal atual ou repassam o aumento de custo para os preços dos bens e serviços.

Em nenhum desses casos há geração de empregos. O mais comum é a ocorrência de severos prejuízos para os trabalhadores. O trabalho mais intensivo é estressante. A automação despede os empregados. A redução da produção conspira contra os novos empregos. O aumento dos preços reduz o poder de compra, em especial dos mais pobres.

Mas como explicar que as jornadas de trabalho se reduziram na maior parte dos países avançados sem nenhum desses prejuízos? Muito simples: porque a redução foi feita por meio da livre negociação, e não pela imposição de leis ilusórias.

No caso do Brasil, qual seria o problema da mudança da Constituição nesse campo?

O parque produtivo nacional é extremamente heterogêneo. A jornada que vale para os bancos não serve para a agricultura. A que serve para o setor de serviços não serve para o comércio. A que se ajusta às grandes empresas não se ajusta às pequenas. Mesmo entre as grandes, o que vale para uma empresa que trabalha das 8 às 17 horas não serve para a que trabalha 24 horas por dia em turno de revezamento.

As diferenças são enormes e as complicações são imensas. A jornada mais realista, portanto, é a que obedece às peculiaridades das empresas e dos empregados. Isso só pode ser feito caso a caso e pela via negocial. Não há como colocar uma camisa de força numa realidade tão heterogênea como a brasileira.

É dessa forma que a redução da jornada de trabalho avançou no mundo, inclusive no Brasil. Quando se analisa cada tipo de jornada em separado, verifica-se que a proposta pela PEC 231 (40 horas por semana) vem aumentando a cada ano. Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), em 2002 havia cerca de 7 milhões de empregados formais trabalhando 40 horas por semana. Em 2008 eram quase 11 milhões. Houve um aumento colossal (57%), em grande parte puxado pelo setor de serviços.

Mas não é só esse setor. Na indústria, no mesmo período, o salto foi de 2 milhões para 3 milhões de empregados, um aumento de 50%. Desde 2002, essa é a jornada que, individualmente, congrega o maior número de empregados no setor.

A referida redução vem sendo realizada de forma natural pela via da negociação ou por opção das empresas, com bons resultados para todos os lados. No período de 2002 a 2008, a produção se expandiu, a inflação caiu e o emprego formal aumentou. Tudo isso sem mexer na jornada legal, que é estabelecida na Constituição federal.

Em suma, empregos não podem ser criados por lei. Seria bom se assim fosse. Não haveria desemprego no mundo!

A realidade é outra. A geração de empregos depende da conjugação de dezenas de fatores. Três deles são fundamentais: investimentos produtivos, educação de boa qualidade e legislação adaptável a mudanças. Nenhum deles será melhorado por uma mera redução da jornada legal. Ao contrário, toda vez que se tentou reduzir essa jornada de forma impositiva o emprego não cresceu, porque as empresas incorporaram mais máquinas, intensificaram o trabalho dos mesmos empregados, diminuíram os investimentos e reduziram a produção. Em nenhum desses casos houve aumento do emprego, repetindo-se entre nós o que está largamente documentado pela pesquisa internacional.

A decisão está com os senhores deputados. Em breve saberemos quem busca realmente a geração de empregos e quem usa essa proposta com o fim exclusivo de captar os votos de eleitores iludidos.

*José Pastore é professor de Relações do Trabalho da FEA-USP




Folha de S.Paulo


EUA citam Arruda e Sarney como exemplos de corrupção
Relatório divulgado ontem classifica situação brasileira como "preocupante"

Documento, elaborado pelo Departamento de Estado americano, faz balanço de crimes no mundo; PF diz ainda não ter lido os textos
 
Vinícius Queiroz Galvão (Brasil)

O Departamento de Estado dos EUA divulgou ontem um relatório em que diz ver a corrupção no Brasil como "preocupante" e que "escândalos políticos domésticos" não param de ser revelados pela imprensa.


O diagnóstico, que se refere a 2009, é elaborado anualmente por ordem do Congresso americano e traça um painel da situação das drogas e da lavagem de dinheiro no mundo, entre outros crimes. O documento usa dados da inteligência dos EUA e informação oficial dos países citados.


"Num caso sofisticado, o presidente do Senado, que também é ex-presidente do Brasil, foi acusado de uma série de impropriedades, até mesmo de ter uma conta bancária ilegal no exterior", diz o relatório sobre José Sarney (PMDB-AP).


"Políticos do bloco de oposição, como o governador de Brasília (sic), também estão sob investigação por práticas de corrupção", afirma o governo americano acerca do governador afastado do DF, José Roberto Arruda (sem partido).


Segundo o Departamento de Estado, "processos por crimes de corrupção no governo continuam lentos e poucas condenações na esfera administrativa foram registradas em 2009".


O governo dos EUA diz que o Brasil é um dos maiores destinos de lavagem de dinheiro, junto com França, Alemanha e Canadá. A chancelaria continua acreditando que a região da Tríplice Fronteira é fonte de financiamento para terroristas e recomenda leis para criminalizar atividades com esse fim.


O relatório aponta ainda o aumento do consumo de drogas no Brasil e o uso do país como rota para o tráfico internacional. Afirma também que é o segundo maior consumidor de cocaína, atrás apenas dos EUA.


Segundo o governo americano, o crescimento decorre do grande número de voos internacionais, "das incontáveis pistas clandestinas de pouso e de uma enorme e violenta rede de criminalidade que faz a distribuição da droga".


A Polícia Federal disse que não poderia comentar o relatório sem antes ler o conteúdo e o que diz a respeito do Brasil.



Fórum critica "controle social" da mídia (Brasil)
Em evento que reuniu empresários, jornalistas e políticos, latino-americanos dizem que censura em seus países começou sob esse pretexto

Palocci afirma que eventual governo de Dilma Rousseff não iria implantar medidas de controle, receio colocado por vários participantes


As propostas de "controle social" da mídia pelo governo federal foram o principal alvo das críticas dos participantes do Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, realizado ontem em São Paulo.


O evento reuniu empresários do setor de mídia, jornalistas, professores e políticos e foi organizado pelo Instituto Millenium, entidade sem fins lucrativos fundada em 2006 e que tem entre seus mantenedores os empresários Roberto Civita, presidente do Conselho de Administração do Grupo Abril, e João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo.


O primeiro painel contou com os jornalistas Adrián Ventura, colunista do jornal argentino "La Nación", o equatoriano Carlos Vera e Marcel Granier, dono do canal de TV venezuelano RCTV, cujo pedido de renovação da concessão foi negado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.


Os debatedores alertaram os brasileiros para o fato de as medidas de controle e censura da mídia em seus países terem começado sob o pretexto da necessidade de incrementar a responsabilidade social dos veículos de comunicação.


Em seguida, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, fez um discurso em que afirmou ter posição contrária às propostas do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, que preveem "controle social" dos veículos de comunicação.


Indagado sobre a previsão do plano de retirar a concessão de veículos que não observem os princípios de direitos humanos, o ministro afirmou que "essa questão é puramente da alçada do Congresso. Quem decide sobre os direitos de concessões no Brasil é o Congresso, certamente acompanhado do Executivo. Não existe a menor possibilidade, pelo menos neste Congresso e no próximo que vai ser eleito, que isso venha a acontecer no Brasil".


Em seguida, questionado sobre qual sua opinião sobre o tema, Costa disse: "Minha posição é rigorosamente contrária. Não participei do projeto apresentado. No caso específico de controle social da mídia, é inadmissível, primeiro para o jornalista, e segundo, para o ministro das Comunicações".


Nos três painéis que se seguiram, os debatedores atacaram outras tentativas de impor o controle sobre a mídia, como o projeto para criação da Ancinav, para regular setor do audiovisual, e o Conselho Federal de Jornalismo, para fiscalizar a atuação das redações.


O tema da autorregulamentação do setor também tomou parte desses debates, e a experiência do Conar (conselho de autorregulamentação do setor de publicidade) foi citada como uma experiência bem sucedida na área de comunicação.


A última mesa de discussão contou com a participação do diretor de Redação da Folha, Otavio Frias Filho, e dos deputados Antonio Palocci (PT-SP) e Miro Teixeira (PDT-RJ).


Frias chamou a atenção para a importância da imprensa no "sistema de freios e contrapesos" pelo qual regimes democráticos buscam conter tendências autoritárias dos governos.


A exemplo do ministro Hélio Costa, Palocci disse não concordar com a proposta do plano de direitos humanos de criar um sistema para fiscalizar se os meios de comunicação respeitam os princípios de direitos humanos.


Ao final do evento, Palocci afirmou não acreditar que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, vá implantar medidas de "controle social" caso seja eleita em outubro -tal receio foi colocado por vários dos participantes do evento.



Venda de carros bate recorde em fevereiro
Com proximidade do fim da redução de IPI, que vai até o dia 31, montadoras alcançam melhor resultado da história no mês

Foram vendidos 221 mil carros no mês passado, alta de 11% ante igual mês de 2009; primeiro bimestre é liderado por Fiat, VW e GM

Tatiana Resende (Dinheiro)

Às vésperas da volta do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) à alíquota original, as vendas de veículos registraram em fevereiro o melhor resultado para o mês na história da indústria automobilística, com 221 mil emplacamentos, de acordo com dados obtidos pela Folha Online.

O resultado superou o contabilizado em 2008 (200,8 mil), que detinha a maior marca até então, e representa um acréscimo de 10,9% nos emplacamentos na comparação com fevereiro de 2009, quando o desempenho do setor automotivo foi afetado pela crise mundial.


Na comparação com janeiro deste ano, os licenciamentos também registraram aumento (3,6%), apesar da diferença entre a quantidade de dias úteis devido ao feriado de Carnaval.


No primeiro bimestre, foram vendidos 434,3 mil veículos, o que engloba automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões, com expansão de 9,5% no comparativo com o mesmo intervalo em 2009.


A Fiat lidera as vendas no primeiro bimestre, com 21,6% dos emplacamentos, seguida de perto pela Volkswagen (20,5%) e pela General Motors (19,9%).


Fim do IPI

Março é o último mês com redução de IPI para carros a álcool ou flex. Aqueles de mil cilindradas terão a alíquota mantida em 3% até o dia 31 e depois voltam ao percentual de 7%. Já os de até 2.000 cilindradas passarão de 7,5% para 11%. Para caminhões, a isenção do tributo permanece até junho, quando a alíquota retorna a 5%.

Para André Beer, ex-presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e consultor do setor automotivo, o fim do benefício ainda vai atrair consumidores às concessionárias neste mês. "É a famosa isca. Qualquer redução no preço tem efeito favorável."


O incentivo fiscal, concedido em dezembro de 2008 e que até o final de 2009 valia também para os carros a gasolina, foi uma das principais medidas tomadas pelo governo federal para combater os efeitos da crise e estimular as vendas.


A medida surtiu efeito, e os emplacamentos apresentaram um acréscimo de 11,4% no ano passado ante 2008, registrando o terceiro recorde anual consecutivo, com 3,14 milhões de unidades comercializadas.


Na opinião de Luiz Carlos Mello, coordenador do CEA (Centro de Estudos Automotivos), o efeito da redução de IPI "foi extremamente relativo", já que "o grande drama [no auge da crise] foi a falta de crédito". "Podiam ter reduzido o preço [dos carros] à metade e não venderia", completou o ex-presidente da Ford.


O recorde mensal do setor foi batido em setembro (308,7 mil unidades) devido à corrida dos consumidores às lojas para aproveitar o último mês antes da elevação do IPI, que voltaria gradualmente ao patamar original até janeiro.


No final de novembro, no entanto, o governo anunciou a manutenção das alíquotas mais baixas do imposto, mas apenas para carros flex, até este mês.

Para 2010, a Anfavea (associação das montadoras) prevê uma expansão de 8,2% nos licenciamentos, atingindo 3,4 milhões de emplacamentos.



Três chapas vão disputar 14 vagas em eleição da Previ

Samantha Lima (Dinheiro)

Três chapas se candidataram à eleição para preenchimento das 14 vagas abertas na Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil), o maior fundo de pensão do país, com R$ 142 bilhões em ativos. Duas das vagas são para cargos de diretoria. A votação das chapas ocorre em paralelo à escolha do novo presidente, que será feita pelo BB, com a influência do PT.

Uma das chapas, a "Unidade na Previ", traz os nomes de Paulo Assunção de Souza e Vítor Paulo Camargo Gonçalves para as diretorias de administração e de planejamento, respectivamente. É apontada como a de situação.


Outro grupo, autodenominado "A Semente", tem entre seus integrantes aposentados críticos à atual gestão. Olga Cansiglieri e Valentim Antunes encabeçam a chapa.


A terceira formação tem, entre seus candidatos, integrantes do PSTU, segundo fonte próxima ao fundo, e se apresenta como "Nova Previ". A diretor de administração e de planejamento concorrem Dilson Guths e Ângelo Argondizzi Marcelino.


A chapa vencedora será conhecida no dia 27 de maio e assumirá no dia 1º de junho para um mandato de quatro anos. Mais de 178 mil beneficiários, dos quase 300 mil, estão aptos a votar.


O sucessor do petista Sérgio Rosa, há sete anos na presidência do fundo, também não é conhecido ainda.



Saldo comercial cai 82% no 1º bimestre
Superavit de US$ 394 mi em fevereiro é o mais baixo para o mês desde 2002; importações crescem o dobro das exportações

Governo espera mais vendas nos próximos meses, com embarque de commodities; crescimento do país explica descompasso na balança


Eduardo Rodrigues (Dinheiro)

Apesar do desempenho recorde da média diária das exportações para o segundo mês do ano, o crescimento das importações em fevereiro para um patamar também inédito para o período derrubou o saldo comercial brasileiro. O resultado, US$ 394 milhões, é o mais baixo para o mês desde 2002, quando o comércio do país com o exterior registrou superavit de US$ 265 milhões.


Com o saldo negativo de janeiro em US$ 166 milhões, o primeiro bimestre de 2010 registrou um superavit (US$ 228 milhões) 81,5% inferior ao do início de 2009. Diante desse cenário, o mercado já prevê um resultado em torno de US$ 10 bilhões neste ano, bem inferior aos US$ 25,3 bilhões de 2009.


A recuperação de mercados internacionais, principalmente países emergentes, ajudou a elevar as exportações brasileiras no mês, para US$ 12,197 bilhões -alta de 27,2% ante fevereiro de 2009, quando a crise ainda causava maiores impactos sobre o comércio mundial.


No entanto, o ritmo de crescimento da economia brasileira nos últimos meses, aliado ao câmbio favorável, deu um impulso de 50,8% às importações na mesma comparação, para US$ 11,803 bilhões em fevereiro deste ano. Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, o menor saldo comercial já era esperado.


"São dois fenômenos interligados. Na medida em que o país exporta mais, precisa importar mais insumos para a produção industrial. Além disso, com o mercado doméstico aquecido, há aumento nas compras para suprir o que não se fabrica no país", afirma.


Embora a base de comparação seja baixa, ele destacou o crescimento das vendas em relação a 2009, sobretudo para a Argentina, cujo aumento nas compras de produtos brasileiros foi de 66,1%, movimento liderado pela cadeia automotiva.


Além disso, disse Barral, o volume de exportações normalmente decola a partir de abril, quando os embarques de commodities, como a soja, intensificam-se. "O superavit pode ser maior nos próximos meses. Provavelmente não teremos deficit no ano", afirmou.


Para o economista do Itaú-Unibanco Darwin Salles Dib, o descompasso na balança é normal porque as importações tendem a reagir mais rápido ao crescimento doméstico do que as exportações em relação à recuperação externa. "O Brasil se expande mais rápido que o resto do mundo. Mesmo se crescesse na mesma taxa, haveria saldo menor neste ano."


Deficit não preocupa já

Apesar da estimativa do banco para um superavit de apenas US$ 2 bilhões em 2010, Dib afirma que um eventual deficit nas transações correntes de até 3% do PIB (soma de bens e serviços produzidos no país) neste ano ainda não deve causar preocupação. "O importante é que essa necessidade de financiamento externo seja preenchida por investimentos."

Na opinião de Daniela Prates, professora do Instituto de Economia da Unicamp, ainda que a conta de transações do Brasil com o exterior não revele riscos no curto prazo, o acúmulo de deficit ao longo dos anos pode levar o país a uma situação insustentável.


"Muitos fabricantes têm optado por deixar de competir no acirrado mercado estrangeiro para focar as vendas no mercado doméstico. O problema é que esses exportadores podem desaparecer nos próximos anos, por não conseguirem recuperar espaço fora do país, gerando ainda mais desequilíbrios nessa conta."



Blitz vê trabalho precário em tomate
Fiscalização aponta cultivo em condições sub-humanas na região que concentra a maior lavoura do fruto em SP

Entre as irregularidades apontadas por auditores estão jornadas de até 14 horas e ausência de equipamentos adequados e de banheiro


Fátima Fernandes (Dinheiro)

O tomate, um dos itens mais comuns na salada do brasileiro, é produzido em condições sub-humanas na região do alto do Vale do Ribeira, onde se concentra a maior lavoura do fruto do Estado de São Paulo.


Fiscalização de 16 auditores do MTE (Ministério do Trabalho) na semana passada, acompanhada pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) e pela Folha, constatou que, em lavouras de tomate fiscalizadas em Ribeirão Branco, Apiaí, Itapeva e Taquarivaí, o trabalhador fica até 14 horas na roça, não tem roupas, calçados, luvas e equipamentos adequados para se proteger do sol e de agrotóxicos e não dispõe de banheiro e local para as refeições. Até água ele tem de trazer de casa.


Sandra Aparecida de Moraes, 33, chega às 7h ao sítio City Paraíso, localizado no distrito de Campina de Fora, em Ribeirão Branco, e trabalha até as 17h.


"Onde a sra. almoça?", pergunta Fernanda de Jesus Gonçalves, auditora fiscal do trabalho. "Aqui mesmo", diz Sandra. O "aqui mesmo" é uma área coberta com plástico onde os tomates são selecionados e colocados em caixas para a venda.


"Tem banheiro? Há como repor a água quando acaba?", pergunta a auditora. Sandra faz um discreto sinal de "não" com a cabeça e olha para o produtor que acabara de chegar.


A poucos metros dali, na fazenda São Sebastião, Vilson Rodrigues da Cruz, 38, chega a ficar até as 21h na roça no pico da produção. "Estamos acostumados com a correria na cultura de tomate. A gente senta em qualquer lugar para comer."


Auditores fiscais do Ministério do Trabalho e procuradores do trabalho constataram que os produtores do sítio City Paraíso e da fazenda São Sebastião descumprem regras básicas de segurança e saúde.


"Faltam mesa e cadeiras para as refeições, água e sanitários. Os produtores não fornecem proteção de cabeça contra a radiação solar, macacões para fazer a pulverização do tomate e não fazem a higienização das roupas", afirma Edmundo de Oliveira Neto, auditor fiscal do trabalho que participou da fiscalização.


A precariedade no trato com o trabalhador foi constatada em boa parte das 21 lavouras fiscalizadas. A ação resultou em 98 autos de infração e na firmação de Termos de Ajustamento de Conduta com o MPT.


Se não forem cumpridas as regras básicas trabalhistas e de saúde e segurança no trabalho, os proprietários da terra poderão até ser considerados solidariamente responsáveis em ações do MPT contra os produtores encaminhadas à Justiça.


A região de Itapeva, que inclui Ribeirão Branco e Apiaí, representa 50% da produção paulista de tomate envarado (usado em salada), que atingiu 21,8 milhões de caixas (25 quilos cada) em 2009, segundo o Instituto de Economia Agrícola da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo.


Alguns dos produtores informaram que vendem exclusivamente para bancas que estão nas centrais de abastecimento de São Paulo e de Campinas. Esses seriam, segundo os trabalhadores, os verdadeiros donos da plantação de tomate.

Os maus-tratos aos trabalhadores na lavoura de tomate já foram piores. Em outras ações do MTE e do MPT, foram encontrados trabalho infantil e trabalho análogo ao de escravo.


"É uma questão cultural. Como esse pessoal é muito pobre e não tem instrução, os produtores abusam. Por isso a fiscalização tem de ser permanente", afirma Claudinei Felizardo da Silva, presidente do Sindicato dos Empregados Rurais de Ribeirão Branco, ligado à CUT.





Valor Econômico


Plano de zoneamento da Amazônia é aposta para acabar com conflitos

Danilo Fariello

Uma solução para os entraves ambientais na exploração econômica da Amazônia deverá ser desengavetada pelo governo federal ainda neste ano. O Macrozoneamento Ecológico-Econômico da Amazônia Legal é um projeto de décadas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), cuja consulta pública termina sexta-feira. Apesar da iniciativa em estágio avançado, apoiada por 14 ministérios e os nove Estados da região, o desafio político para sua implantação traz ceticismo até para os ambientalistas, que veem o plano como algo bom e controverso demais para uma rápida aceitação.

Se virar lei da forma como apresentado à consulta pública, o projeto subverterá as regras para licenciamento ambiental de hidrelétricas e obras de transporte. Uma das medidas é condicionar a implantação dos projetos ao planejamento integrado de toda a área em que serão construídas as usinas, compondo mesorregiões integradas. Isso significa que a questão socioambiental não será mais a última etapa de concepção de um projeto de infraestrutura, mas sim uma das primeiras.

Embora o plano geral possa ser instaurado por decreto da Presidência, alguns temas mais polêmicos, que esbarram na legislação para licenciamento, podem ter de ser levados a debate no Congresso. "É uma iniciativa para convergir políticas para indução de uma exploração ordenada, e não restritiva", diz Roberto Ricardo Vizentin, diretor de zoneamento territorial do MMA. Exemplo disso seria liberar financiamentos públicos só a projetos que respeitem as regras do zoneamento. O plano também reage ao Tribunal de Contas da União (TCU), que vê falta de sinergia entre políticas públicas.

O macrozoneamento definirá dez áreas segundo a possibilidade de exploração ecológico-econômica e, a partir disso, os projetos seriam concebidos. São locais de preservação mais rígida, o coração da Amazônia e a região da fronteira com o Pantanal. Outras duas áreas indicam as zonas de fronteiras de exploração que, pelo projeto, teriam controle severo para conter o avanço agropecuário e mineral.

Outras seis áreas, os territórios-rede, preveem a regulamentação e exploração coordenada do espaço. Nessas áreas, estão definidas metas para ordenamento de exploração de mineração, logística, agroindústria, entre outros.

As demarcações respeitam o que já existe de exploração econômica estabelecida nas regiões, destaca Vizentin. "Mas são os elementos da natureza que desempenham papel central no zoneamento e não só o econômico", afirma Vizentin.

As principais entidades que representam o setor produtivo ainda não responderam à audiência, mas sinalizaram que enviarão contribuições para ajustar a norma e ratificá-la, diz Vizentin.

No governo, a aceitação parece ser ampla. Do setor que pode representar maior passivo ambiental na Amazônia, o Ministério de Minas e Energia (MME), afirma ser "altamente favorável ao processo, porque agrega o econômico ao ambiental". O próprio projeto, na página 67, reconhece que na Amazônia encontram-se 70% do potencial hidrelétrico nacional.

Experiências do que resultaria da aprovação do macrozoneamento já foram feitas em obras específicas. Na polêmica pavimentação da rodovia BR-163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA), que corta a Amazônia, o projeto já foi concebido com um plano de desenvolvimento sustentável para a região. O mesmo ocorreu na concepção logística para exploração da Petrobras em Urucu (AM) e para mineração na Floresta Nacional de Carajás (PA), destaca o MME. "Se esse planejamento integrado for adotado, vamos diminuir muito os conflitos", diz o diretor do MMA.

A transformação do macrozoneamento em lei, porém, carrega em si um risco grande para o desenvolvimento da infraestrutura regional. Se, na prática, ele não for adotado, ou seja, se um projeto de infraestrutura for concebido pelo governo sem planejamento da mesorregião, a sociedade civil terá nas mãos um grande trunfo para emperrar os empreendimentos.

Atualmente, organizações não-governamentais (ONGs) e Ministério Público buscam, na Justiça, liminares para interromper obras como a construção da usina de Belo Monte no Pará. Com o macrozoneamento pronto, e se não respeitado, eles teriam nova munição para barrar tais obras na Justiça.
 
Na concepção do governo, porém, o macrozoneamento evitaria o que ocorreu na liberação da licença prévia de Belo Monte pelo MMA, que foi acompanhada de condicionantes que exigiram R$ 1,5 bilhão a mais no custo da obra. A decisão foi interpretada por empreendedores e ambientalistas como "barganha" do governo, cobrando custo alto para liberar uma obra rodeada de polêmicas. Com o zoneamento, esses valores seriam previstos com antecedência maior e o custo desse desenvolvimento não seria repassado ao empreendimento.


Acordos salariais estão mais fáceis e com ganho real maio

Samantha Maia, Júlia Pitthan, Sérgio Bueno e Marli Lima

O ano de 2010 começou com perspectivas melhores para os trabalhadores. A combinação de baixa inflação e expectativa de crescimento da economia está resultando em campanhas salariais vitoriosas, com negociações mais rápidas, sem greves, e com aumentos reais superiores aos negociados em 2009. Os reajustes acima da inflação - obtidos por categorias com data-base em janeiro e fevereiro - variam de 0,8% a quase 4%, e os acordos estão sendo fechados com até um mês e meio de antecedência em relação a 2009.

"Os sindicatos estão encontrando outro ambiente para negociar, bem diferente do ano passado quando as incertezas da crise econômica preocupavam o empresariado", diz o diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio. Também contribui a menor inflação. Nos 12 meses terminados em dezembro ou janeiro, ela ficou entre 4,11% e 4,36%, bem abaixo da inflação superior a 6% de igual período do ano passado.

Para Lúcio, a tendência para 2010 é que as greves ocorram para buscar mais benefícios, e não para impedir perdas. "Trabalhamos com perspectiva de crescimento econômico de 5% a 6% neste ano, e isso eleva a disputa por mão de obra, pressionando os salários", diz. Dessa forma, é possível que o número de categorias a conseguirem ganhos reais fique acima dos 77% do ano passado (primeiro semestre).

Na Bahia, os trabalhadores da construção conseguiram o maior índice de reajuste entre os setores levantados pelo Valor, de 8%, considerando uma inflação de 4,11% no período. Para o piso, o reajuste foi de 10%. No ano passado, o aumento foi de 9,68%, mas como a inflação foi maior, o ganho real ficou abaixo do de 2010.

Segundo Raimundo Brito, presidente do Sintracon-BA, entidade que representa a categoria, o crescimento do mercado mobiliário foi determinante para o resultado. "As empresas não tinham como negar o crescimento e, como há muitos imóveis sendo entregues, uma greve ia complicar muito a situação", diz. Os empregados chegaram a indicar uma greve para o dia 22 de fevereiro, mas conseguiram fechar acordo três dias antes. No ano passado, o acordo foi fechado só em 25 de março. Além do reajuste real, a categoria conquistou plano de saúde e aumento da cesta básica de R$ 45 para R$ 70.

No Ceará, os comerciários conseguiram aumento de 7,75% e reajuste do piso salarial de R$ 465 para R$ 560. Em Franca, no interior de São Paulo, as negociações estão travadas por conta de um problema jurídico. Há dois sindicatos representando os trabalhadores, e enquanto não ficar definido qual entidade ficará à frente da negociação, as empresas vão dar apenas a reposição da inflação.

O reajuste de 5,5% foi considerado importante pelos trabalhadores do segmento de artefatos de couro de Franca (SP) por garantir ganho real, mas a categoria esperava mais num ano de crescimento do setor. Segundo Carmem Silva, presidente do sindicato dos funcionários, a reivindicação inicial era de alta de 12%. "Tínhamos uma expectativa melhor, porque, pelo que acompanhamos, as empresas estão bem e contratando." O acordo foi fechado um mês e meio antes da data de assinatura de 2009, o que mostra uma maior disposição de negociação das partes.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Cerâmica, Construção Civil e Fibrocimentos de Criciúma e Região, os 4,9 mil funcionários da categoria vão receber aumento de 6,11% - 2% de ganho real somados aos 4,11% de reposição da inflação pelo INPC. "As indústrias estão em boa fase e conseguimos um aumento razoável", opina Itaci Sá, presidente da entidade.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Cerâmica Para Construção e de Olaria de Criciúma (Sindiceram), Ottmar Müller, explica que "o cenário econômico está bem mais claro do que no ano passado, por isso, proporcionalmente, o aumento real foi maior". Em 2009, os trabalhadores da categoria receberam 7,9% - 1,6% de aumento real e 6,2% do INPC.

Este ano, o maior ganho foi no salário de admissão da categoria, que subiu 12% e atingiu R$ 680. Ele vale por 120 dias. Depois, o trabalhador passará a receber R$ 865, de acordo com o novo acordo.

Os trabalhadores têxteis de Joinville, que fecharam acordo em fevereiro, tiveram aumento de 5,16% - 4,36% de INPC no período e 0,8% de ganho real. Em 2009, o reajuste foi de 7%: 6,46% de INPC e 0,57% de ganho real. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da categoria, Livino Steffens, o maior ganho incidiu sobre o piso de experiência, válido por 90 dias no momento da contratação do trabalho. Ele passou de R$ 534,60 para R$ 618, 20, equiparando-se ao piso de contratação definitiva. Segundo Livino, a aprovação do mínimo regional - que começou a valer em janeiro e estabeleceu o piso de R$ 616 para a categoria - influenciou no aumento.

Os 18 mil metalúrgicos de Jaraguá do Sul (SC) e região vão receber 6% de reajuste em 2010. O acordo fechado em janeiro concedeu 4,11% de INPC e 1,89% de ganho real. Em janeiro do ano passado, o acordo foi fechado em 8% - 1,67% de ganho real e 6,33% de inflação.

A primeira negociação salarial fechada em 2010 em Curitiba também resultou em ganho real . Os vigilantes patrimoniais nem precisaram fazer greve para conseguir reajuste de 4,6% no piso da categoria, 39% de aumento no adicional de risco e 9% na ajuda para alimentação, que resultou num ganho total de 7,42%, acima da inflação de 4,36%, acumulada de fevereiro de 2009 a janeiro de 2010.

Sandro Silva, economista do Dieese, explica que muitas categorias não têm adicional de risco e alimentação previstos na convenção coletiva, como no caso dos vigilantes, mas mesmo assim são esperados bons resultados nas negociações que virão pela frente. "A expectativa que temos é de aumento de patamar de ganho real", diz ele, citando a recuperação da economia como fator que deve favorecer os trabalhadores.

Com data-base em 1º de fevereiro, os trabalhadores nas indústrias de calçados de Sapiranga, no Rio Grande do Sul, aceitaram na semana passada a proposta de aumento real de 1,72% apresentada pelas empresas do setor. O ganho é o maior das três últimas negociações (ela havia sido de 0,98% em 2009 e de 1,29% em 2008), mas o índice total caiu em relação ao ano passado, devido à desaceleração do INPC no acumulado dos últimos 12 meses, para 4,36%.

Conforme o assessor da diretoria do Sindicato dos Sapateiros da cidade, Adelino Frank, o reajuste somou 6,15%, ante 7,41% no ano passado, quando o INPC alcançou 6,43%. O acordo foi fechado após três reuniões com o Sindicato das Indústrias de Calçados de Sapiranga e vale também para os municípios de Nova Hartz e Araricá. As calçadistas da região empregam cerca de 20 mil pessoas.

No início das negociações, os trabalhadores pediram um reajuste total de 10%, mas as empresas ofereceram 4,75%. Segundo o diretor do Sindicato dos Sapateiros, Hermes Tavares dos Santos, apesar do cenário mais favorável no mercado interno, as indústrias ainda alegavam perdas nas exportações para justificar a oferta modesta. Funcionários de algumas empresas chegaram a realizar paralisações de cinco minutos a um dia para pressionar por um aumento maior, disse o sindicalista.

Santos admite que em 2009 houve "mais demissões do que contratações" no setor na cidade, mas no fim do ano a situação começou a melhorar. Segundo ele, nos dois últimos meses as empresas recorreram a carros de som, cartazes em bares e anúncios em rádios locais para buscar mão de obra. Após atingir pico de 743 em agosto, o número de rescisões homologadas pelo sindicato começou a cair em setembro e em janeiro atingiu o menor patamar em 11 meses, com 95 demissões, ante 189 em igual período de 2009.

Os empregados do setor moveleiro de Bento Gonçalves, também com data-base em fevereiro, assinam hoje o acordo com as empresas. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e do Mobiliário, Ivo Vailatti, a categoria terá reajuste total de 5,75%. O índice representa ganho real de 1,33%, ante 0,82% em 2009, mas ainda abaixo do 1,56% obtido em 2008.

"O setor está mais aquecido e a por isso conseguimos um acordo melhor do que o do ano passado", explicou Vailatti. Segundo ele, o piso da categoria, para jornada mensal de 220 horas, teve aumento real de 2,5%, ante 2% em 2009. Com o reajuste total de 7%, a menor remuneração subiu para R$ 665, válida para funcionários contratados há até dois meses. De dois a seis meses de contrato, o piso subiu para R$ 700 e, acima disso, para R$ 780.


Piñera terá fôlego com oposição engessada

Rodrigo Uchoa

O terremoto que atingiu o Chile no sábado deve afetar profundamente o terremoto político que atingiu o país em janeiro, com a eleição do conservador Sebastián Piñera para presidente após 20 anos de governo da coalizão de centro-esquerda Concertación.

Piñera havia prometido colocar em curso um programa de reequilíbrio fiscal, cortando parte dos incentivos criados pela presidente Michelle Bachelet para combater a crise. Analistas dizem, entretanto, que um grande programa de recuperação de infraestrutura e de auxílio aos atingidos deve empurrar esses cortes para pelo menos o ano que vem.

Pelo lado político, os sindicatos prometiam marcar os primeiros dias do novo governo com "demonstrações de força". Entretanto, o clima de tragédia nacional jogará um balde de água fria nesses planos, dando um fôlego inesperado ao novo presidente.

O próprio Piñera disse que o terremoto certamente provocará mudanças nas metas iniciais de seu governo. "Devemos mudar os prazos em nossos programas de governo", admitiu ele.

O presidente eleito, que toma posse na quinta-feira da semana que vem, disse que não poderia dizer com precisão quais seriam essas mudanças. Afirmou apenas que as trataria de forma clara: "É absolutamente impossível pretender ignorar que esse terremoto provocará mudanças em nosso programa de governo. Vamos anunciá-las de forma forma clara, transparente, porque esse é o estilo que vamos estabelecer a partir de 11 de março".

Para a consultoria Eurasia Group, o terremoto "deve adiar tentativas de cortar gastos públicos até ao menos o ano que vem".

Segundo o Barclays Capital, um dos principais fatores econômicos decorrentes do tremor deve ser a pressão sobre a cadeia de suprimentos, o que deve acarretar maior inflação.

Para Cláudia Martínez, cientista política da Universidade Diego Portales, a oposição ficará engessada nos primeiros meses de governo, tanto no lado econômico, por não poder exigir maiores cortes de gastos, quanto pelo lado político. Segundo ela, Piñera deve escapar pelo menos temporariamente do primeiro embate que se desenhava: com os sindicatos e a esquerda mais radical.

Na semana passada, o presidente da Central Unitária dos Trabalhadores (CUT) do Chile, Arturo Martínez, disse que os movimentos sindicais estavam se preparando para dar uma mostra de força logo nos primeiros dias de governo. "Vamos mostrar ao governo de Piñera que temos força", afirmou antes do terremoto.

Jorge Arrate, que foi candidato presidencial pelo Partido Comunista e é um dos políticos mais influentes da esquerda do país, disse que o governo Piñera tende a "fortalecer o lado mercantilista da sociedade" e, por isso, a mobilização social seria "essencial para evitar que isso aumente as desigualdades do país, em vez de reduzi-las".

Piñera já havia advertido seus assessores na sexta-feira a se preparar para uma enxurrada de manifestações. E mandou sua equipe "ter uma atitude mais proativa, para evitar cenários de grande mobilização".

"O clima de tragédia e de necessidade de união nacional vai colocar água na fervura dos sindicatos", disse Martínez.

Com isso, devem ficar adiadas também algumas grandes discussões, como a privatização de parte da Codelco, estatal de cobre do país. Piñera prometeu vender parte da companhia; os sindicatos prometeram fazer de tudo para evitar a venda.




Jornal do Comércio


Klein defende a sobretaxa aos produtos chineses
Medida antidumping gerou aumento de vendas e recuperação de empregos

Marcelo Beledeli


Aumento de vendas e recuperação de empregos. Essas foram as consequências, segundo representantes do setor calçadista, da adoção da medida antidumping contra os calçados chineses. Adotada em setembro do ano passado, a tarifa provisória de US$ 12,47 sobre cada par de calçado importado da China vence na próxima terça-feira e os empresários nacionais estão mobilizados para convencer a Câmara de Comércio Exterior (Camex) a renovar a cobrança.

De acordo com Heitor Klein, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), a imposição da taxa sobre os calçados provenientes da China não causou falta de produtos no mercado nem a elevação dos preços, mesmo com a queda das importações daquele país, que foram 32,7% menores em volume em 2009 quando comparadas com o ano anterior. Em valores, isso representa uma diminuição de 16,1%.

No ano passado, foram adquiridos 22,6 milhões de pares da China, por US$ 183,6 milhões. "Isso também permitiu que a indústria nacional reagisse, recuperando níveis de atividade e emprego, o que demonstra que as importações chinesas estavam causando dano ao País", afirma Klein. Com as possibilidades de negócios causadas pela diminuição da presença dos produtos asiáticos, a Abicalçados acredita que, em 2010, a produção do setor seja 7% superior à do ano passado, quando foram fabricados 800 milhões de pares.

Uma das empresas que procurou avançar sua produção devido à medida é a Dalponte. "Com a queda das importações sentimos uma demanda forte, diversas empresas que compravam de estrangeiros passaram a nos procurar, e tivemos que incrementar a produção", lembra Luís Alberto de Paiva, diretor-geral da empresa. Com um crescimento de cerca de 20% no número de pedidos, a companhia teve que reativar sua unidade em Veranópolis, desativada desde o início do ano passado, a fim de atender à maior demanda. De acordo com Paiva, se a medida for renovada, a fábrica na Serra gaúcha poderá fabricar até 80 mil pares por mês, gerando 800 empregos diretos. "Estamos esperando a decisão do governo, se irá reeditar a taxação ou não, para tomar novas decisões de investimento", afirma.

A West Coast, de Ivoti, também comemora os resultados da medida. Apenas nos dois primeiros meses de 2010 as vendas da empresa no mercado interno cresceram 15%, contra uma expectativa original de 8%. Segundo Eduardo Schaefer, diretor da empresa, a vantagem que a companhia ganha com o antidumping é o aumento da competitividade. "Ela é uma taxa justa, porque os fabricantes nacionais seguem as leis, pagam altos impostos e têm gastos trabalhistas, enquanto os chineses são subsidiados pelo seu governo e usam mão de obra quase escrava", afirma o empresário.

Lojistas não sentiram impacto negativo nas vendas
Para os lojistas, a adoção da tarifa não resultou em menores vendas. "Quem foi mais atingido foram as lojas especializadas em modelos esportivos importados, como Nike, Adidas e Puma, mas o varejo como um todo não deixou de vender", afirma o diretor de marketing da Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac), Claudir Dullius. De acordo com a Ablac, mesmo que a tarifa sobre os produtos chineses mantenha os preços dos importados mais caros, o comércio de calçados no Brasil deverá ter uma elevação entre 9% e 11% em 2010.

A fim de expandir os benefícios causados aos produtores nacionais, a Abicalçados defende o aumento da tarifa para US$ 18,44. No entanto, os importadores buscam negociar um acordo para encerrar a cobrança, oferecendo, em compensação, o estabelecimento de um preço mínimo e um limite de volume de importação, além de uma definição clara do que é tênis de alta tecnologia. De acordo com Heitor Klein, da Abicalçados, essa hipótese chegou a ser discutida em reuniões em Brasília.

Para Charles Tang, presidente da Câmara de Comércio Brasil-China, a taxação dos importados não ataca os vários problemas que o Brasil apresenta para o crescimento das suas empresas, como juros altos, câmbio desfavorável e uma legislação defasada e burocrática. "Se pegar tudo isso, você vê por que é difícil competir. Por que povo brasileiro tem que pagar mais caro por tudo se ele pode importar mais barato? Não se deveria punir quem fabrica com custos mais baixos, mas sim modernizar as leis e dar condições para a indústria nacional atingir esses níveis de competitividade", interpreta.

Expectativa é de geração de pelo menos 400 mil vagas em dois anos
O crescimento dos negócios no mercado interno também gerou mais empregos no setor calçadista. Segundo a Abicalçados, os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que, em janeiro, as indústrias empregaram 327,7 mil pessoas no País. Desses postos de trabalho, 13,3 mil foram abertos em 2009, enquanto outros 7,7 mil foram criados no primeiro mês de 2010. De acordo com Heitor Klein, esse número poderá chegar a 400 mil em dois anos, se mantido o ritmo de recuperação de pedidos aliado e de crescimento do consumo interno.

A fim de defender os empregados no setor, a CUT-RS realiza, juntamente com a Federação dos Trabalhadores Calçadistas do Rio Grande do Sul, uma audiência pública hoje com os sindicatos do ramo calçadista e têxtil. O encontro servirá para preparar uma comitiva que se reunirá amanhã, em Brasília, com membros da Casa Civil do governo federal.

De acordo com João Batista Xavier da Silva, secretário-geral da CUT-RS, se a tarifa antidumping for mantida, o número de empregos no setor poderá crescer até 40% em 2010. "As grandes ondas de desemprego no segmento calçadista sempre foram causadas pela entrada desordenada de calçados estrangeiros, por isso temos que nos unir para que essa cobrança seja renovada e, se possível, elevada para US$ 18,44", afirma.

 


Agência Brasil


Procuradoria-Geral da Câmara estabelece prazo para Arruda renunciar e escapar da cassação

Carolina Pimentel

Brasília - O governador licenciado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), tem até a segunda votação da Câmara Legislativa sobre seu pedido de impeachment para renunciar e escapar da cassação e da perda dos direitos políticos. Esse é o entendimento de parecer da Procuradoria-Geral da Câmara, em resposta a consulta dos deputados distritais.

No parecer, o procurador Sidraque Anacleto afirma que o processo de impeachment inicia-se na segunda votação, prazo final para Arruda renunciar ao cargo e extinguir o processo. "O início da sessão plenária da Câmara Legislativa do Distrito Federal é o instante máximo para o exercício do direito à renúncia do cargo de governador do Distrito Federal para cessar sua tramitação", diz o procurador.

Os deputados distritais votam na próxima quinta-feira (4) o parecer a favor do afastamento de Arruda. Se for aprovado, a defesa do governador tem 20 dias para apresentar a sua argumentação. A Comissão Especial, criada para analisar os pedidos, fará um novo parecer que será submetido novamente ao plenário - prazo máximo para Arruda renunciar sem perder os direitos políticos ou ser cassado.

Para ser acatado, o novo parecer precisa da aprovação de 16 dos 24 distritais. Em caso de aprovação, o governador é afastado do cargo por 120 dias. Em seguida, o processo será analisado por um tribunal especial, formado por cinco deputados e cinco desembargadores que serão escolhidos por sorteio, além de ser presidido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

Está prevista para hoje (2) a leitura do parecer a favor do impeachment em sessão especial, com a participação de oito deputados suplentes. Eles foram convocados, por determinação da Justiça, para substituir os deputados supostamente envolvidos no esquema de corrupção, exclusivamente, na análise dos pedidos do afastamento de Arruda.

Foram convocados os suplentes Roberto Lucena (PMDB), Wigberto Tartuce (PMDB), Ivelise Longhi (PMDB), Washington Gil Mesquita (DEM), Joe Valle (PSB), Mário da Nóbrega (PP), Olair Francisco (PT do B) e Raad Massouh (DEM) - este deve assumir o cargo de titular, já que Leonardo Prudente (sem partido) renunciou ao mandato na última sexta-feira (26).




Diariodepiraquara.com.br


CUT repudia jornalista da RBS, que chama de vadios e vagabundos quem defende a redução da jornada
 
Um movimento de centenas de vadios, de vagabundos da vida. Esta foi a definição dada pelo jornalista Luiz Carlos Prates à campanha nacional pela redução da jornada de trabalho, no programa Jornal do Almoço, exibido pela RBS no dia 19/02.

Com esta e outras declarações do tipo, o jornalista insulta publicamente todos os homens e mulheres que cotidianamente lutam por avanços nos direitos da classe trabalhadora em busca de uma sociedade justa, solidária e igualitária. Não bastando os insultos, Prates mente ao afirmar que a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais não gerará postos de trabalho e ofende os trabalhadores que estão sem emprego, afirmando que só estão desempregados porque não têm qualificação ou não têm ânimo para o trabalho.

Raivoso, Prates finaliza dizendo que se não houver reação por parte do empresariado e dos investidores que, segundo ele, são os responsáveis "pelo o país ainda estar de pé", o atual governo quebra o país.

A CUT lamenta que pensamentos como estes, que não se baseiam em nada além do ódio de parte das elites em relação aos trabalhadores, aos movimentos sociais e a tudo que é democrático e popular, ainda se perpetuem em pleno século XXI e continuem a ser disseminados pelos veículos de comunicação.

Não é preciso ir muito longe para constatarmos que estas manifestações são de tempos em tempos recorrentes. Em 1988, ano em que a jornada semanal de trabalho foi reduzida constitucionalmente de 48 para 44 horas semanais, representantes das elites conservadoras e reacionárias vociferaram que a redução significaria uma tragédia para o Brasil, como fez Luiz Prates na RBS. Porém, nada aconteceu em decorrência da jornada menor, e é fato comprovado que os problemas econômicos que o Brasil enfrentou nos períodos seguintes, em nada tiveram ligação com as 44 horas.

Obviamente declarações como as feitas por Prates tentam ocultar benefícios que a redução da jornada trará para a maioria da sociedade e para desenvolvimento econômico do Brasil. Um dos benefícios é a possibilidade de os trabalhadores e trabalhadoras se qualificarem ainda mais, seja educacional e profissionalmente. Atualmente, as extensas jornadas não permitem isso. Caso do setor de comércio e serviços, onde a média semanal é de até 56 horas em São Paulo, segundo o Dieese.

A redução da jornada de trabalho sem redução de salários, além de gerar mais de 2 milhões de empregos, como demonstram os estudos do Dieese, também possibilita a melhoraria da qualidade de vida, já que os trabalhadores/as terão mais tempo para o convívio familiar, para o lazer, para atividades sociais e culturais tão importantes para a vida e para o país que se desenvolverá ainda mais com o aumento do consumo e da produção.

Portanto, trata-se de uma luta hegemônica, de evidente luta de classes que a elite conservadora acirra ainda mais neste ano de eleições, na tentativa de impedir a continuidade do projeto democrático-popular iniciado no atual governo e aprovado pela maioria da população. De um lado está esta elite, defensora dos interesses de parte dos empresários - representantes do retrocesso, do lucro a todo custo, da não distribuição de renda - e, de outro, os movimentos sociais organizados, representando os interesses dos trabalhadores e das trabalhadoras, das pessoas que de fato constroem o país e de todos os que lutam por uma sociedade justa, igualitária, com distribuição de renda, trabalho e direitos.




Primeiramao.com.br


Servidores públicos preparam ato público para quarta-feira

A campanha em defesa dos servidores e dos serviços públicos 2010 começa a ganhar as ruas. Na manhã desta quarta-feira, 03, os servidores públicos estarão reunidos na praça sinimbu em um grande ato público de protesto contra o descaso com que a saúde, a educação e a segurança pública estão sendo tratados em Alagoas. O movimento é coordenado pela CUT Alagoas, e composto por vários sindicatos e associações de servidores públicos estaduais.

Desde o início da atual gestão, o Governo estadual tem tratado com descaso os serviços públicos, negado direitos constitucionais aos trabalhadores, e transformado o serviço público em sucata. A violência atingiu níveis alarmantes, as escolas estão caindo aos pedaços, faltam professores, merendeiras, vigias, etc. Na saúde, também impera o caos: Não há sequer vagas no Hospital Geral do Estado, que foi inaugurado nessa gestão, mas já abriga pacientes no chão do corredor por falta de estrutura. Para piorar o quadro, o governo quer entregar o patrimônio público para o setor privado através da lei das organizações sociais.


Por conta desta falta de condições mínimas de trabalho, diversas categorias entraram em greve, mas o governo não dialogou, preferiu criminalizar o movimento e responsabilizar os servidores pelo caos. Se a violência aumenta, a culpa é dos policiais civis que fizeram greves ou do governo que não convocou a reserva técnica da PM? Se o cidadão não encontra vaga no hospital, a culpa é do servidor que fez greve ou da falta de leitos? A justiça estadual tem negado o direito de greve, impondo aos trabalhadores multas absurdas, ao invés de cobrar do governo a recuperação da maquina pública.


A campanha que se inicia agora tem o intuito de esclarecer a sociedade sobre a situação do serviço público estadual. A prioridade dos trabalhadores é recuperar o Estado, transformar esses dados tristes em que nos tornamos campeões: Homicídios, mortalidade infantil, analfabetismo, etc.



 

Rondoniadinamica.com


Chapa A Luta Continua vence eleição do SINDUR
A nova diretoria vai administrar a instituição no triênio 2010/2013

A chapa "A Luta Continua" foi proclamada vencedora da eleição que definiu a nova diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Urbanitários de Rondônia (SINDUR), alcançando percentual de 87%, dos votos.

A apuração ocorreu na sexta-feira, 26, das 18 às 21hs na sede da Associação dos Empregados da Ceron (AEC), em Porto Velho. O resultado foi divulgado logo em seguida. Segundo a Comissão Eleitoral, 1007 filiados foram às urnas na quinta-feira e sexta-feira.


A nova diretoria vai administrar a instituição no triênio 2010/2013. O presidente reeleito Nailor Gato, falou que o resultado expressivo da eleição foi uma resposta positiva aos trabalhados desenvolvidos pela instituição nos últimos três anos. "O resultado era esperado. Trabalhamos para que atingíssemos esse percentual, criando demandas que resultaram no acréscimo da nossa base com a absolvição de trabalhadores terceirizados. A expectativa era que teríamos um percentual na faixa de 85 a 87% devido ao trabalho muito bem feito pelos companheiros da atual direção do sindicato", revelou.


Nailor afirmou ainda que com a nova eleição o trabalho em defesa dos direitos dos trabalhadores seguirá buscando o fortalecimento do sindicato e suas metas, principalmente nesse ano eleitoral cujo um dos projetos é defender as idéias pela manutenção do atual modelo de governo federal e pela mudança em nível estadual. "A luta continua e nosso trabalho tem que ser colocado de uma forma mais forte, trabalhando por interesses realmente da categoria e na defesa dos direitos dos trabalhadores da nossa base, visto que, temos um projeto em disputa nas eleições gerais e pugnaremos exaustivamente pela manutenção do projeto democrático popular com a eleição da companheira Dilma Rousseff à presidência da República. E, para o governo do estado, conforme definido na última plenária do Conselho Diretivo da Entidade e após reunião da atual diretoria com a nova direção do sindicato, vamos apoiar integralmente o companheiro Eduardo Valverde, que tem sua base forte nos urbanitários, para que possamos elevá-lo a governador do Estado com um projeto voltado para a questão social e o direito daqueles menos favorecidos", destacou o presidente.


Francisco Evandro, secretário geral do SINDUR, disse que a resposta positiva dos trabalhadores foi devido aos avanços nas conquistas do sindicato, a exemplo dos Acordos Coletivos de Trabalho (ACT) e Passivo Trabalhista da CAERD, durante o último mandato. "Os companheiros urbanitários corresponderam à nossa expectativa. Nos três anos foi feito um bom trabalho, houve avanços tanto nos acordos coletivos quanto nas ações sociais, benefícios para os companheiros, recuperação de um passivo trabalhista ao longo de 20 anos. Esse percentual de 87.16% vem demonstrar que a maioria da categoria está acreditando, botou voto de confiança e deu mais três anos para essa direção concluir o projeto que iniciou em 2007. Tudo foi tranqüilo, sem nenhum incidente, sem nenhuma restrição. Todas as empresas abriram as portas para que todo mundo pudesse votar e todos estão de parabéns. Em 25 anos a entidade sempre buscou entendimento entre a sociedade e a categoria, dando apoio a todos os sindicatos, central sindical e federação. Esse elo é para buscar conhecimento, aprimoramentos e conquistas. Esse é o objetivo da entidade.", disse Evandro.


O presidente da Comissão Eleitoral, Raimundo Bezerra, chamou atenção para a tranqüilidade em que ocorreu o processo eleitoral, salientando a importância do Sindur para o sindicalismo rondoniense. "Tudo ocorreu na mais perfeita tranqüilidade. É um sindicato bastante reconhecido e respeitado em Rondônia e por isso a gente percorreu todo o Estado, inclusive Costa Marques, que está a mais de 1000 km da Capital, onde mesmo assim a urna chegou. A eleição foi um sucesso, apesar de ser chapa única, o que mostra que existe consenso na categoria. A votação foi expressiva e correu tudo dentro do normal", disse ele.


O representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Edílson Pereira, destacou a democracia que imperou durante as eleições e o apoio recíproco entre as duas instituições. "A posição da CUT com relação ao SINDUR é de sempre apoiar as eleições, já que é um sindicato filiado à Central. Entendemos que o processo do Sindur foi democrático, transparente e por isso teve 100% do nosso apoio. Acompanhamos todo o processo e não observamos nenhuma ocorrência de irregularidade", disse.

O secretário de políticas sindicais do SINDUR, Carlos Alberto, chamou atenção para a participação dos filiados nas eleições, o que segundo ele, reforça a confiabilidade no sindicato. "Tivemos uma participação em massa dos funcionários da Ceron, Caerd, Eletronorte, os quais colaboraram com seu voto, demonstrando a confiança no Sindur. Tivemos um aproveitamento de 96% dos votos válidos na empresa Ceron e nas outras empresas a votação foi bem expressiva. Esse percentual era esperado, mas superou as nossas expectativas", revelou o secretário.


A presidente do Sintelpes, Ângela Abreu, acompanhou a votação e aproveitou para parabenizar os novos dirigentes e reforçar o apoio ao SINDUR. "Os companheiros do Sindur estão de parabéns pela eleição. Acompanhei a votação do pessoal e tudo foi tranqüilo e uma boa aceitação com uma votação em massa. Esse resultado expressivo quer dizer que os trabalhadores estão tendo consciência de que a direção do Sindur está realmente trabalhando em prol da ansiedade deles e é por isso que o resultado foi positivo em relação à eleição dos companheiros. A luta continua e estamos aqui para dar nosso apoio e pode contar com o Sintelpes", disse ela.


O dirigente de Base, Evaneire Souza, falou da importante contribuição dos funcionários da Termonorte no resultado das eleições, e adiantou que nos próximos anos a luta para fortalecimento da base continua na empresa. "Tivemos 17 votos válidos e foi à única empresa que teve 100% de aprovação. Acredito que nos próximos anos a gente vai melhorar cada vez mais. A partir de agora vamos trabalhar, juntamente com o novo companheiro Josafá Borges, para conseguir mais filiados que é o nosso objetivo", finalizou.

 

 

Jornalfeirahoje.com.br


Primeiro dia de ocupação da Zona Rural na cidade de Feira de Santana
 
O STR - Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Feira de Santana teve o primeiro dia de manifestação na sede do município nesta segunda-feira (01).  Pela manhã, cerca de 500 trabalhadores e trabalhadoras rurais saíram da sede do sindicato em direção a Embasa para entregar o documento com algumas reivindicações a Onias Neto, gerente regional do órgão, dentres elas, a anistia das contas dos moradores da zona rural.

Conceição Borges, presidente do STR-Feira de Santana; Manoel Messias, secretário geral da CUT- Central Única dos Trabalhadores da Bahia; Ildes Ferreira, ex-secretário de Técnologia e Ciências e Dr.Almir Queiroz, advogado estiveram presentes na abertura do acampamento em frente ao sindicato.

Na chegada à prefeitura, os participantes se organizaram para assistir a oficina "Política de Saúde em Feira de Santana: Cuidado ou Descaso?" sobre a coordenação do colegiado de Enfermagem da UEFS - Universidade Estadual de Feira de Santana, centenas de mulheres responderam ao questionário do colegiado e participaram das dinâmicas em homenagem ao março mulher.

Uma comissão do STR-Feira se reuniu com secretários municipais para entregar o documento com as principais reivindicações do acampamento, em seguida, os manifestantes saíram da frente do prédio da Prefeitura em uma via-sacra representando a ida do Cristo até o Calvário com velas e luzes acesas percorrendo as ruas do centro da cidade para chamar atenção às necessidades do campo.

Para Conceição Borges, presidente do STR-Feira, o primeiro dia de manifestação foi além do esperado e até quarta-feira muitas surpresas estão para acontecer. Feira também é rural. Nós (agricultores) somos 10% da população que alimenta a população feirense.




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