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Clipping 06 e 07/03/10

Escrito por William Pedreira
08/03/2010

Edição nº 1533 segunda, 08 de março de 2010
Fechamento: 09:15



Edição número 1533 sábado e domingo, 06 e 07 de março de 2010

 

 

 

Veículos Pesquisados:


  

Clipping CUT é um trabalho diário de captação de notícias realizado pela equipe da

 Secretaria Nacional de Comunicação da CUT. Críticas e sugestões com

Leonardo Severo (leonardo@cut.org.br)

Isaías Dalle (isaias@cut.org.br)

Paula Brandão (paula.imprensa@cut.org.br)

Luiz Carvalho (luiz@cut.org.br)

William Pedreira (estagio.imprensa@cut.org.br)

Secretária de Comunicação: Rosane Bertotti (rosanebertotti@cut.org.br)

 


 



O Estado de S.Paulo


Lula nega licença para fazer campanha

Presidente diz que população veria isso como algo 'irresponsável'

 

Eliana Lima (Nacional) – 06/03/10

 

Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto") O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou que pretenda se licenciar do cargo para participar da campanha da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sua sucessão. Em entrevista às rádios Emissora Rural AM e Juazeiro AM, na cidade de Juazeiro (500 quilômetros ao norte de Salvador), Lula negou a versão de que ele irá se afastar.


Segundo Lula, "seria uma coisa descabida imaginar que um presidente da República fosse pedir licença do cargo mais importante do Brasil para fazer campanha", sobretudo sem poder contar com a sua substituição pelo vice-presidente, já que José Alencar também concorrerá nas eleições deste ano.


"Não teria cabimento, não teria lógica, seria uma coisa vista, eu diria, de forma irresponsável com o mandato que me foi dado pelo povo brasileiro", disse.


O presidente esteve em Juazeiro, acompanhado por Dilma, para participar da entrega da primeira fase do Projeto Salitre, obra de irrigação no valor de R$ 251,5 milhões.

NERVOSO
Na entrevista, Lula disse que já aprendeu a lidar com esse tipo de situação, sem ficar nervoso. "Estou convencido, aos 64 anos, de barba branca, de que para o jornalista que age de má- fé a melhor resposta é o seu ouvinte, o telespectador e o seu leitor." E enfatizou que as pessoas precisam "parar de brincar com a inteligência do povo". Ele reiterou que não hipótese de se afastar. "O presidente da República tem que governar."


Lula lembrou que em abril tanto Dilma quanto os demais ministros que deverão candidatar-se a cargos eletivos irão se afastar do governo, como rege a legislação eleitoral. "Mas eu ficarei até a meia-noite do dia 31 de dezembro. Ainda dormirei presidente e só depois das 10 horas da manhã irei passar o mandato para quem for eleito presidente da República."


INCÔMODO
Ao discursar em Juazeiro, Lula disse que seu governo "incomoda muito" porque fez o Brasil "começar a mudar".


"Não quero falar de candidaturas, porque obviamente não quero me comprometer", disse à plateia de mil pessoas, entre agricultores beneficiados e sindicalistas. "Mas é só acompanhar os meios de comunicação para ver como incomoda." E ironizou a oposição: "Se eles pudessem, cantavam "um Lulinha incomoda muita gente, uma Dilminha incomoda muito mais".


Ele também citou a pré-candidata do PT, ao enumerar obras e investimentos do Projeto Salitre, com conclusão prevista para 2014: "Dilma, presta atenção nesses números aqui, porque depois o povo vai cobrar".


A primeira fase entregou 5.099 hectares de área irrigada a 255 a agricultores familiares e 21 a empresas. Com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), até agora foram gastos R$ 251,5 milhões - do total previsto de R$ 900 milhões. Lula garantiu que, este mês, será lançado edital de licitação para a segunda fase, com objetivo irrigar mais 7 mil hectares - ao custo de R$ 155 milhões.

Para Dilma, a "mudança" é o peso do Nordeste como vetor de crescimento. "No passado, a gente não dava a mesma importância a todos os lugares do Brasil. Havia lugares em que nem promessa chegava", disse a ministra. "Com o presidente Lula, chegou a hora e a vez do Nordeste." Lula emendou, repetindo um de seus bordões: "Eu duvido que em algum momento da história deste país houve tanto investimento em infraestrutura, como nós temos aqui".


Lula disse que ainda acredita em aliança entre o PT e PMDB na Bahia, apesar do clima de rivalidade que se instalou entre os dois partidos desde 2008 - quando os petistas deixaram a base da prefeitura de Salvador, a cargo do PMDB, para lançar candidatura própria ao cargo.


Acompanhado pelos dois candidatos - o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), e o governador Jaques Wagner (PT) - na visita a Juazeiro, ele contou que "não fica confortável" com a situação. "Posso dizer na frente de Geddel e de Wagner que gostaria que os dois estivessem juntos, para repetir a aliança que permitiu a vitória de Wagner no primeiro turno e a minha vitória na Bahia", afirmou. "Mas ainda tem tempo pela frente, não dou nada por encerrado.

 


Diretório do PT recua em crítica à mídia

Frase sobre 'guerra de extermínio ao PT' é cortada da primeira versão de documento por pressão do governo

 

Vera Rosa (Nacional) – 06/03/10

 

Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto") A pedido do governo, o PT retirou ontem do documento aprovado pelo Diretório Nacional as críticas à imprensa que constavam de versão preliminar da resolução sobre o cenário político-eleitoral. Ao deixar a reunião do comando petista, porém, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, manteve as alfinetadas à mídia e definiu o Fórum Democracia e Liberdade de Expressão - realizado na segunda-feira, em São Paulo - como um "colóquio de direita".


"Dizem que se Dilma ganhar vai ter censura à imprensa e se o Serra ganhar, não. O que é isso? Podem nos combater de forma violenta e nós não podemos nem reclamar?" perguntou Dutra, numa referência à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto, e ao governador de São Paulo, José Serra, provável concorrente do PSDB. "Entendemos que há setores da mídia fazendo campanha contra nós."


Dutra distribuiu estocadas aos tucanos ao dizer que o problema do PSDB não é de candidatura. "A oposição se transformou em biruta de aeroporto por falta de projeto", afirmou. "Eles são contra fortalecer a Petrobrás e falam que nosso projeto é chavista. Nós manteremos o câmbio flutuante. Eles vão botar banda diagonal endógena?"

O PSDB também foi alvo de críticas na resolução que passou pelo crivo do Diretório. Embora sem citar o partido, o texto destaca que a oposição adota discurso de "radicalização política e social" contra o governo Lula e a candidatura de Dilma. "Registrem-se as iniciativas (...) contra o Programa Nacional de Direitos Humanos, a Conferência Nacional de Comunicação, a instalação da CPI do MST e a criminalização dos movimentos sociais", diz um parágrafo.


A tesourada ocorreu justamente no trecho que vinculava a imprensa à oposição. O rascunho dizia que a "guerra de extermínio ao PT", deflagrada em 2005, com o escândalo do mensalão, está longe de acabar. "Faltam projeto e base social à oposição neoliberal, mas ela ainda tem fortes aliados em amplos setores do empresariado, particularmente da mídia, que já começam a criar factoides e falsos escândalos visando enfraquecer o nosso projeto", afirmava a primeira versão.


A portas fechadas, petistas se queixaram de reportagens ligando o ex-ministro José Dirceu a lobby com interesse na reativação da Telebrás e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel - coordenador da campanha de Dilma - ao mensalão.


Dutra assinalou que o PT sempre defendeu a liberdade de imprensa. Foi nesse momento que ele citou o fórum organizado pelo Instituto Millenium. O combate ao monopólio dos meios de comunicação foi aprovado pelo 4.º Congresso do PT, no dia 19, quando o partido imprimiu tom mais radical ao programa de governo de Dilma.

"Não gosto de usar o termo "controle social da mídia" porque pode ser confundido com controle da informação", insistiu Dutra. "Tentam nos colocar ao lado de alternativas golpistas, mas não vamos propor fechar jornais nem emissoras de TV."

 


Privatização de aeroportos ficará para o próximo governo, diz Jobim

Ministro diz que concessões não serão decididas em ano eleitoral, mesmo com a proximidade da Copa de 2014

 

Wilson Tosta e Débora Thomé (Economia) – 06/03/10

 

Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto") Qualquer intenção de privatizar os aeroportos brasileiros ficará, agora, como desafio para o novo governo. Ontem, no Rio, onde participou de uma aula magna para oficiais na Escola de Guerra Naval (EGN), o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que o governo não promoverá concessões de aeroportos à iniciativa privada em 2010, deixando a decisão para a próxima administração.


"Durante este ano eleitoral, não haverá concessões. Isso aí deixa para o governo seguinte decidir a respeito do assunto", afirmou Jobim. A exceção será o aeroporto de São Gonçalo do Amarante, na região metropolitana de Natal (RN), que, de acordo com o ministro da Defesa, "precisa" do processo e deverá ser concedido.


O tema da concessão dos aeroportos é bastante polêmico. O debate tem se intensificado diante da proximidade da Copa do Mundo no Brasil, em 2014, e com alguns estudos que apontaram a urgência de investimentos. A discussão provocava uma verdadeira quebra de braço no governo. De um lado o próprio Jobim, e de outro a ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata à sucessão presidencial, Dilma Rousseff.


O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, lá atrás, havia dado sinal verde para que a Defesa fizesse um projeto de concessão, passou a mostrar total desinteresse pelo assunto, já que não está disposto a comprar mais essa briga com o seu partido, o PT.


Já as empresas aéreas temem a criação de um monopólio privado nos aeroportos.


Na luta pela abertura dos aeroportos, estava ainda o governador do Rio, Sérgio Cabral, que queria repassar o Aeroporto do Galeão à iniciativa privada. Pela proposta original, nesse modelo deveria ser incluído também o Aeroporto de Viracopos e um terceiro aeroporto a ser construído em São Paulo. Dilma bombardeou a ideia temendo ser acusada de privatista, no momento em que está lançando seu programa de governo que prevê ampliação do papel do Estado.


O sinal claro de que a concessão de aeroportos estava definitivamente sendo deixada de lado foi dado por Jobim no mês passado, em entrevista sobre o balanço de três anos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), quando declarou que "as concessões estão fora de cogitação, neste momento".


Mas avisou que o Ministério da Defesa não iria interromper o trabalho, que já está adiantado, de elaboração de minuta de decreto com a nova modelagem de concessão, que Jobim espera deixar como sugestão ao próximo governo.


O texto, que estava em fase final de elaboração pelo BNDES, era uma espécie de marco regulatório do setor. Ele permitia que empresas privadas pudessem administrar aeroportos por meio de concessão e a Infraero passasse a ser também uma concessionária.


A Infraero administra hoje 67 aeroportos federais. Só que toda a infraestrutura pertence à União. A exceção é o Aeroporto de Congonhas, que pertence ao Estado de São Paulo, e, por meio de convênio, é gerenciado pela Infraero.


BENEFÍCIO DUVIDOSO

O professor da Coppe-UFRJ Elton Fernandes, autor de um estudo aprofundado sobre a estrutura dos aeroportos brasileiros e de outros países, afirma que "não existe um indicador que aponte benefício" na privatização da prestação desse serviço.

Fernandes lembrou os casos malsucedidos da Inglaterra e da Argentina. Destacou também que, nos Estados Unidos, a maioria é estatal.


"É difícil ocorrer competição nesse setor de aeroportos. Além disso, é um sistema interdependente, sobretudo em países grandes."


Um dos exemplos que poderiam causar problema, lembrado pelo professor, é a possibilidade de transferências de voos entre aeroportos, como a que ocorreu recentemente com a mudança de rotas do Galeão para o Santos Dumont.

 


IPCA de fevereiro é o mais alto desde 2008

Aumento da mensalidade escolar foi responsável por 41% da taxa

 

Jacqueline Farid (Economia) – 06/03/10

 

Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto") A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,78% em fevereiro, a maior taxa mensal apurada pelo IBGE desde maio de 2008 e também a maior para esse mês em seis anos. A forte e pontual pressão do grupo educação, com os reajustes das mensalidades escolares, foi o principal responsável pelo índice. O número veio de acordo com as projeções dos analistas.


A coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, ressaltou que o perfil da inflação no início deste ano está bem diferente do de 2010 e há pressão do aumento do consumo sobre os preços. "Em 2009, neste período, vivenciávamos uma crise internacional com o consumo desaquecido, enquanto este ano o consumo maior abre espaço para alguns aumentos de preços", afirmou.


No acumulado do primeiro bimestre, o IPCA teve alta de 1,54%, a maior variação para o período desde 2003 (3,86%), ano marcado por uma política monetária severa, para conter a disparada dos preços. Nos dois primeiros meses de 2009, o índice acumulava 1,03%.


Eulina explicou que, embora a inflação em fevereiro tenha sido bastante concentrada na educação - sem esse grupo a taxa do mês não teria ultrapassado 0,46% -, no primeiro bimestre deste ano a diferença para cima no IPCA ante igual período de 2009 está sendo provocada por transportes e alimentos.


Ainda de acordo com Eulina, no caso dos transportes a alta reflete o aumento dos combustíveis e tarifas de ônibus urbanos, enquanto os alimentos estão sob impacto do clima e do maior consumo. O grupo dos alimentos e bebidas acelerou a alta de 1,02% nos primeiros dois meses de 2009 para 2,10% em igual período deste ano. O grupo dos transportes passou de uma variação de 0,58% para 2,25%.


A coordenadora ponderou, entretanto, que, apesar da aceleração da inflação no primeiro bimestre, houve perda de ritmo nos reajustes na maior parte dos grupos pesquisados de janeiro para fevereiro, e o aumento do IPCA de um mês para o outro refletiu exclusivamente o aumento nas mensalidades escolares.


O grupo educação subiu 4,53%, contribuindo sozinho com 0,32 ponto porcentual, ou 41% da taxa. Ela observou que, em março, a pressão do grupo educação será reduzida significativamente, mas não é possível antever qual será a trajetória dos preços de outros itens, como os alimentícios.


SELIC
O IPCA de fevereiro ficou um pouco abaixo da média das estimativas de 33 economistas ouvidos pela Agência Estado, de 0,81%. Para a economista-chefe da Icap Brasil, Inês Filipa, os dados da inflação reforçam a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) comece a elevar a taxa básica de juros (Selic) só entre as reuniões de abril e junho. Haverá reunião do comitê na próxima semana, mas ela acha que ainda não será dessa vez que o juro vai subir.

 


Brasil supera Canadá e se torna o terceiro maior exportador agrícola

País já havia deixado Austrália e China para trás, e agora só tem pela frente os Estados Unidos e a União Europeia

 

Raquel Landim (Economia) – 07/03/10

 

Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto") O Brasil ultrapassou o Canadá e se tornou o terceiro maior exportador de produtos agrícolas do mundo. Na última década, o País já havia deixado para trás Austrália e China. Hoje, apenas Estados Unidos e União Europeia vendem mais alimentos no planeta que os agricultores e pecuaristas brasileiros.


Dados da Organização Mundial de Comércio (OMC), divulgados este ano, apontam que o Brasil exportou US$ 61,4 bilhões em produtos agropecuários em 2008, comparado com US$ 54 bilhões do Canadá. Em 2007, os canadenses mantinham estreita vantagem, com vendas de US$ 48,7 bilhões, ante US$ 48,3 bilhões do Brasil.

O ritmo de crescimento da produção brasileira de alimentos já deixava claro que a virada estava prestes a ocorrer. Entre 2000 e 2008, as exportações agrícolas do Brasil cresceram 18,6%, em média, por ano, acima dos 6,3% do Canadá, 6% da Austrália, 8,4% dos Estados Unidos e 11,4% da União Europeia. Em 2000, o País ocupava o sexto lugar no ranking dos exportadores agrícolas.


Uma série de fatores garantiu o avanço da agricultura brasileira nos últimos anos: recursos naturais (solo, água e luz) abundantes, diversidade de produtos, um câmbio relativamente favorável até 2006 (depois a valorização do real prejudicou a rentabilidade), o aumento da demanda dos países asiáticos e o crescimento da produtividade das lavouras.


"Houve uma mudança nas vantagens comparativas em favor do Brasil, que teve um custo de produção baixo para vários produtos nesse período graças aos seus recursos naturais e ao câmbio", disse o analista sênior da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Garry Smith.


Para o sócio-diretor da MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros, "o Brasil é hoje a única grande agricultura tropical do planeta". Ele ressalta que o aproveitamento da terra é melhor na zona tropical. Em algumas regiões do Brasil, é possível plantar milho depois de colher soja, o que significa duas safras no mesmo ano.


Apesar disso, 80% da produção de grãos ainda estão em áreas temperadas. Canadá, EUA e UE detêm a tecnologia, mas não conseguem ampliar sua agricultura, porque quase não têm áreas novas disponíveis e enfrentam muita dificuldade para convencer as pessoas a permanecer no campo.


Graças às pesquisas da Embrapa, o aumento da produtividade teve um papel fundamental no crescimento da produção agrícola brasileira. Entre 1990 e 2009, a área plantada de grãos no País subiu 1,7% ao ano, mas a produção cresceu 4,7%. "Tivemos uma forte expansão da produtividade e um aumento da área plantada entre 2000 e 2005", disse o diretor do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), André Nassar.


Segundo o sócio-diretor da Agroconsult, André Pessoa, a expansão da safra de soja e o aumento da produção de carnes foram os principais responsáveis pelo avanço recente do Brasil na exportação agrícola. No complexo soja (grão, farelo e óleo), as exportações mais do que quadruplicaram, saindo de US$ 4,2 bilhões em 2000 para US$ 17,2 bilhões em 2009. As vendas de carne bovina subiram de US$ 813 milhões para US$ 4,2 bilhões no período, e as de carne de frango, de US$ 735 milhões para US$ 5,8 bilhões.


"Saímos de uma posição insignificante para nos tornarmos maior exportador do mundo de carne bovina e de frango", disse o presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango, Francisco Turra, que era ministro da Agricultura em 1998, quando o Brasil conseguiu a certificação da Organização Internacional de Sanidade Animal (OIE) e pôde começar a exportar.


Nos produtos tradicionais, como café, suco de laranja e açúcar, o País manteve a liderança. A participação brasileira no mercado de café oscilou entre 29% e 33% nos últimos 10 anos, apesar do avanço do Vietnã. "O Brasil é líder na exportação mundial de café desde 1860", diz o diretor executivo do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), Guilherme Braga.


No suco de laranja, o País é responsável por 80% das exportações mundiais, a maior fatia de um produto agrícola brasileiro. Dificilmente ganhará mais espaço, mas a concorrência também não está crescendo. É um setor muito consolidado, com apenas quatro empresas. "O suco é um exemplo do que vai ocorrer com a agricultura em outras áreas."


O Brasil já ocupa o primeiro lugar no ranking de exportação em vários produtos agrícolas, açúcar, carne bovina, carne de frango, café, suco de laranja, tabaco e álcool. Também é vice-líder em soja e milho e está na quarta posição na carne suína.

O País, no entanto, ainda está distante de ser o maior exportador de alimentos do mundo. Os EUA e a UE exportaram mais que o dobro do Brasil. Em 2008, os americanos venderam quase US$ 140 bilhões em produtos agrícolas, e os europeus embarcaram US$ 128 bilhões.


"Para superar esses países, temos de fazer um gigantesca lição de casa", disse o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. "O Brasil precisa de uma estratégia agrícola que englobe várias áreas do governo."


Os especialistas não arriscam prever quando ou se o Brasil vai alcançar a liderança, mas dizem que o potencial ainda é significativo, principalmente para carnes, milho e álcool. O País ainda não vende carne a alguns países por restrições sanitárias. No etanol, a exportação deve aumentar muito quando o mercado se consolidar.

 


Economia aquecida, salários maiores (Economia) – 07/03/10

 

Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto") Trabalhadores com data-base de reajuste em janeiro e fevereiro fizeram acordos salariais melhores do que os do ano passado, com ganhos superiores à inflação em até 4%. Esse é um dos resultados do aquecimento da economia.


Em 2006, 86% dos acordos estabeleceram reajustes superiores à inflação, porcentual que chegou a 88%, em 2007, e declinou para 78%, em 2008, com a crise global. Em 2009 a maior parte dos acordos apenas preservou os salários reais.

Até agora, em 2010, foram poucos os acordos e não envolveram as categorias maiores, como metalúrgicos do ABC e bancários. Mas o ambiente de negociação é favorável, disse ao jornal Valor o diretor do Dieese, Clemente Ganz Lúcio. "Trabalhamos com perspectiva de crescimento econômico de 5% a 6% neste ano, e isso eleva a disputa por mão de obra, pressionando os salários."


Os empregados da construção civil na Bahia obtiveram reajuste de 8% - quase o dobro da inflação de 4,11%. Com a demanda aquecida e o crédito farto, o setor imobiliário liderou o emprego formal (+11,3%, em 12 meses).


O crescimento disseminou-se, beneficiando mais regiões e setores, alcançando indústrias têxteis, calçadistas, de móveis e de cerâmicas e segmentos do comércio. Os comerciários do Ceará tiveram aumento nominal de 7,75%. O piso foi de R$ 465 para R$ 560, acima do mínimo de R$ 510.


Também foram favoráveis os acordos no segmento de artefatos de couro de Franca (SP), na indústria de cerâmica, construção civil e fibrocimentos da região de Criciúma e da área têxtil de Joinville, em Santa Catarina (SC). Em alguns casos, a melhora salarial beneficiou os recém-admitidos, que começam a trabalhar com vencimentos iguais ao daqueles que já ultrapassaram o período de experiência.


Em Jaraguá do Sul (SC), 18 mil metalúrgicos terão reajuste de 6%, com ganho real de 1,89 ponto porcentual, acima do ganho real de 2009, de 1,67 ponto porcentual. Essa é uma região onde se localizam grandes empresas, com atuação local e internacional, o que mostra que mesmo exportadores conseguem aumentar a produtividade e fazer concessões salariais.


A recuperação beneficiou setores que enfrentaram grandes dificuldades, como o calçadista e o moveleiro. Em Sapiranga (RS), os calçadistas obtiveram aumento real de 1,72%, acima do 0,98% do ano passado. E em Bento Gonçalves os trabalhadores do setor moveleiro terão reajuste de 5,75%, com ganho real de 1,33 ponto porcentual.

 


Economia roda hoje ao ritmo de até 8% ao ano

Já a projeção para 2009, que o IBGE divulga na 5ª-feira, é de leve queda

 

Fernando Dantas (Economia) – 07/03/10

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O desempenho do PIB em 2009 deve ter ficado entre uma leve queda e crescimento zero, segundo projeções do mercado. A economia, porém, na visão de muitos analistas, entrou em 2010 num pique bastante acelerado, e está rodando neste primeiro trimestre num ritmo anualizado entre 6% e 8%.


Na quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o resultado do último trimestre de 2009 e o primeiro número do crescimento anual do PIB (que passará por várias revisões).


Embora a atenção provavelmente se voltará para o sinal do PIB em 2009 - negativo ou positivo -, o que o IBGE deve mostrar de mais importante é um ritmo forte de atividade econômica no último trimestre do ano passado. A maioria das instituições está prevendo um crescimento superior a 2% em relação ao trimestre anterior, em base dessazonalizada.


No primeiro trimestre de 2010, o embalo continua, embora o crescimento ante o trimestre anterior deva recuar, porque se parte de uma base mais forte. De qualquer forma, a visão geral é de uma economia aquecida, que levará o Banco Central (BC) a iniciar ainda no primeiro semestre um ciclo de alta da taxa básica, a Selic.

A dúvida que resta ao mercado é até que ponto a recuperação fulgurante de boa parte do ano passado sofreu uma arrefecida a partir de novembro. Nesse caso, o BC poderia manter a Selic nos atuais 8,75% na próxima reunião, nos dias 16 e 17 de março, e deixar o primeiro aumento para abril, ou até depois.


A divulgação do IPCA de fevereiro na sexta-feira, com a inflação de 0,78% ligeiramente abaixo da média das expectativas, reforçou aquela corrente. O mesmo efeito foi produzido pela estabilidade do nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em janeiro, de 81,5%, quando comparado, sem influências sazonais, a dezembro.


Ainda assim, há uma expressiva parcela dos analistas prevendo a primeira alta da Selic em março. Um dos argumentos é que a alta do IPCA no primeiro bimestre foi de 1,54%, ou um terço da meta anual de 4,5%.


Há muita discussão sobre até que ponto esse salto decorre de fatores sazonais ou episódicos, como os reajustes de mensalidades escolares e passagens de ônibus, ou as chuvas que afetaram os preços dos hortifrutigranjeiros. O problema, porém, é que as expectativas inflacionárias subiram também para 2011, com projeção média do mercado agora de 4,67%, acima da meta inflacionária.


A produção industrial, por sua vez, subiu 1,1% em janeiro, em relação a dezembro, com ajuste sazonal. Em novembro e dezembro, porém, na mesma base de comparação, houve quedas de respectivamente 0,8% e 0,2%, depois de dez subidas consecutivas a partir de janeiro do ano passado.


"A indústria recuperou em janeiro o que perdeu em novembro e dezembro, e em fevereiro tudo indica que o ritmo foi muito forte", diz o economista Regis Bonelli, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio.


Bonelli aponta o forte desempenho do setor automobilístico no mês passado, com a venda de 221 mil veículos, 3,6% mais do que em janeiro (apesar do menor número de dias úteis em fevereiro) e 10,8% acima do mesmo mês de 2009. No primeiro bimestre, foram vendidos 434,3 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, num salto de 9,4% ante igual período de 2009. "A indústria automobilística arrasta os outros setores", diz o pesquisador.


Para Sérgio Vale, economista da MB Associados, "o quarto trimestre vem com números muito fortes, o que sinaliza um ritmo ainda mais forte neste primeiro trimestre". Ele prevê que os primeiros três meses de 2010 mostrem um ritmo de crescimento de 7%, na comparação com o mesmo período de 2009.


Segundo Vale, a indústria, que derrubou o PIB no ano passado, vai inverter o papel neste ano e liderar o forte crescimento. Mas ele acrescenta que os serviços também devem acelerar, assim como a agropecuária. Pelo lado da demanda, o investimento, que a MB projeta ter caído 11% em 2009, deve crescer 12,3% este ano, na previsão da instituição. "Por onde você olha, o PIB em 2010 está muito forte", resume o economista.


Fernando Rocha, economista da gestora de recursos JGP Investimentos, vê a economia num ritmo de 7% a 8%, tomando como base os três últimos trimestres de 2009. Ele projeta que a economia tenha crescido 2,3% nos últimos três meses do ano passado, comparados com o trimestre anterior. Além disso, Rocha estima que, no mesmo tipo de comparação, o PIB do segundo e terceiro trimestres de 2009 vá ser revisado pelo IBGE, de respectivamente 1,1% e 1,3% para 1,5% e 1,9%.

Ele observa que as fortes revisões do PIB na série trimestral, que veem ocorrendo com certa frequência, acabam mudando substancialmente a fotografia da economia brasileira. O IBGE tem uma metodologia pela qual os parâmetros da dessazonalização podem ser alterados de forma significativa de trimestre para trimestre.




Folha de S.Paulo


Vitrine de Dilma, PAC ainda é ignorado por 50% do país
Datafolha revela que só 9% afirmam estar "bem informados" sobre programa

Taxa de conhecimento do programa é maior entre os simpatizantes do PSDB (73%) do que entre os que se declaram petistas (61%)

Eduardo Scolese (Brasil) - 06/03/10

Criado há três anos pelo governo federal, o PAC é desconhecido pela metade dos brasileiros, segundo o Datafolha.

O Programa de Aceleração do Crescimento tem sido utilizado pelo presidente Lula como peça de propaganda para a pré-candidatura da petista Dilma Rousseff, mas, segundo o levantamento, apenas 9% dos brasileiros se declaram "bem informados" sobre ele.

Outros 21% se posicionam como "mais ou menos" informados, enquanto 20%, como "mal informados", mesmo já tendo ouvido falar do PAC.

Lançado em 2007 com o objetivo de impulsionar a economia, o PAC agrupa num único selo diferentes ações de infraestrutura, desde rodovias e aeroportos a unidades de geração e transmissão de energia elétrica e obras de habitação.

Na terça, reportagem da Folha revelou que a Casa Civil maquiou balanços oficiais para esconder atrasos nas principais obras do programa. O governo nega. De 2007 a 2009, segundo o governo, as ações do programa representaram investimentos de R$ 403 bilhões.

Segundo Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, trata-se de um "número significativo" o fato de metade dos brasileiros já ter ouvido falar do PAC. Segundo ele, as ações do governo ficarão mais conhecidas a partir do início da campanha, com as propagandas obrigatórias no rádio e na TV.

Levantamento nacional do Datafolha publicado na edição de domingo revelou que, no principal cenário da corrida ao Planalto hoje, com Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV) na disputa, caiu para quatro pontos (32% a 28%) a diferença entre o governador paulista, José Serra (PSDB), e a ministra petista Dilma Rousseff.

Já no recorte da pesquisa que leva em conta apenas aqueles que já ouviram falar do PAC, Dilma aparece à frente de Serra: 34% a 30%, ainda sob o mesmo cenário de disputa.

Na intenção de voto entre os que se declaram "bem informados" sobre o programa, a vantagem da petista aumenta: 38% a 29%. Porém, entre os que nunca ouviram falar do PAC, Serra lidera (35% a 23%).

A pesquisa revela que a taxa de conhecimento do programa é maior entre os simpatizantes do PSDB (73%) do que entre os que se declaram petistas (61%).

Entre os entrevistados, apenas 18% souberam dizer o significado da sigla do programa. Outros 32%, mesmo já tendo ouvido falar do PAC, erraram a resposta ou admitiram não saber o significado das três letras.

O levantamento foi realizado nos dias 24 e 25 de fevereiro. Foram entrevistadas 2.623 pessoas, em 144 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.


Meta do plano de banda larga é reduzida
Objetivo inicial de levar serviço de internet rápida a 3.200 municípios até o final do governo Lula é reduzido para 200

Problemas com a rede de fibras ópticas da Eletronet e oposição das empresas de telecomunicações emperram o programa

Valdo Cruz e Humberto Medina (Dinheiro) - 06/03/10

De um plano ambicioso para ser implementado ainda no governo Lula, atingindo inicialmente cerca de 3.200 municípios na atual administração, o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) deve chegar a só cerca de 200 cidades até o fim do ano. Isso se não houver novos adiamentos, o que pode, inclusive, fazer com que nessas cidades haja só testes até dezembro.

Internamente, os técnicos responsáveis pelo sistema atribuem boa parte do atraso a duas questões: a pendência jurídica envolvendo a rede federal da Eletronet (fibras ópticas instaladas nas linhas de transmissão de energia) e a pressão das empresas de telecomunicações que são contra a criação de uma rede pública de banda larga em todo o país.

As duas questões opuseram setores do governo. O grupo ligado à Casa Civil e ao Planejamento ganhou a disputa, que tinha do outro lado o Ministério das Comunicações e as empresas privadas. Com isso, o governo manteve a decisão de retomar na Justiça a rede da Eletronet, o que ocorreu, na primeira instância, no final do ano passado, e optou pelo uso de uma estatal para administrar a rede (provavelmente a Telebrás).

Apesar dos atrasos na definição do programa, que se arrasta desde o primeiro mandato de Lula, o governo atual espera montar ao menos sua espinha dorsal, ou seja, a estrutura de cabos de fibras ópticas interligando boa parte do país.

A ideia é montar uma rede de 16 mil quilômetros, interligando Sul, Sudeste, parte do Centro-Oeste e boa parte do Nordeste, regiões já conectadas por meio dos cabos que estavam em poder da Eletronet. O Norte ficaria para uma segunda etapa.

Pela última versão do programa a ser analisado por Lula em reunião programada para o início de abril, quando a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) já terá saído do governo, a proposta é que o preço da banda larga chegue ao consumidor final a R$ 35 para conexão de 512 kbps, com a cobrança de ICMS. Nos Estados que isentam o serviço, ficaria na casa de R$ 26.

Inicialmente, a ideia do governo é usar a Telebrás como reguladora do mercado. Dessa forma, ela ofertaria a rede de fibras ópticas da Eletronet no atacado para outras empresas, que concorreriam com as teles atuais na oferta de banda larga ao consumidor final.

No entanto, onde o preço médio de mercado seja superior em 50% ou mais ao praticado na capital mais próxima, a Telebrás atuaria na ponta, chegando ao consumidor final.

Para técnicos do governo, o principal entrave ao plano sempre veio das empresas do setor, inclusive no caso da Eletronet, cujo uso da rede sempre foi criticado pelas teles.

O motivo seria o fato de que a futura rede pública competirá com as empresas de telecomunicações, levando banda larga a boa parte dos domicílios, criando o risco de reduzir ainda mais o mercado de telefonia fixa no país. Afinal, a tendência é que as casas de baixa renda com conexão de banda larga passem a usar sistemas da internet para falar por telefone.


IBGE deve apontar recuo de 4% na construção civil, diz entidade (Dinheiro) - 06/03/10

Apesar dos programas do governo federal -PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e Minha Casa, Minha Vida-, os dados do IBGE devem apontar que a construção civil encolheu cerca de 4% em 2009, segundo projeção da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), que discorda da metodologia usada pelo instituto de pesquisa.

Para a CBIC, o setor apresentou expansão de 2% a 3% em 2009.

O presidente da entidade, Paulo Safady, disse que a queda deverá ser apresentada nos próximos dias, quando o IBGE divulgar os dados do PIB (Produto Interno Bruto) do ano passado. O setor não concorda com a metodologia usada pelo instituto para auferir o desempenho da construção civil e pediu mudanças ao governo.

"Estivemos reunidos com o ministro Guido Mantega [Fazenda] e conversamos sobre os números do IBGE, que devem vir muito ruins. Não podemos ver motivo para isso. O modelo do IBGE não é bom. Não considera o valor agregado pelas empresas de construção", disse Safady.

As perspectivas da entidade para 2010 é de crescimento de 9% para o setor e de 6% para a economia.


Professores da rede estadual de SP anunciam greve
Categoria reivindica reajuste de 34,3%; governo tem priorizado aumento com base em avaliações e diz que paralisação é política

Assembleia, que reuniu pelo menos 5.000, serviu também de palanque contra possível candidatura de José Serra à Presidência

Fábia Takahashi (Cotidiano) - 06/03/10

Aos gritos de "aumento salarial já" e "fora Serra", docentes e funcionários da rede estadual decidiram ontem entrar em greve até ao menos sexta-feira. Reivindicam reajuste salarial de 34,3%, incorporação das gratificações (o que eleva os salários dos aposentados) e fim da prova para escolha de temporários.

Em nota, a Secretaria da Educação afirmou que a greve é "política" e considerou a pauta "inimiga da melhoria do ensino". Disse ser impossível conceder o aumento salarial, pois 30% do Orçamento está comprometido com educação.

A assembleia, na praça da República (centro), foi organizada por vários sindicatos, incluindo a Apeoesp, ligada à CUT e ao PT. Deputados de PT e PSOL foram ao local. A PM estimou em 5.000 o total de presentes; os organizadores, em 10 mil.

Os representantes dos sindicatos dizem que o reajuste pedido é o equivalente às perdas desde 1998. O salário inicial na rede está hoje em R$ 1.834 (jornada de 40 horas semanais).

Até agora, o governador José Serra (PSDB) tem priorizado políticas que concedem aumento com base em avaliações. Já está em curso projeto que pode quadruplicar o salário até o final da carreira, desde que o docente passe em exames.

Outro programa concede um bônus anual variável àqueles que trabalham em escolas cujas notas melhorem. Também anunciou a incorporação de uma gratificação, em três anos.

Os sindicatos reclamam que os reajustes abrangerão poucos docentes. E que é injusto cobrar evolução dos servidores sem que haja melhoria nas condições de trabalho na rede.

Sobre as provas dos temporários, as entidades dizem que o governo precisa fazer concurso para acabar com essa modalidade (hoje são 80 mil do total de 210 mil). Enquanto isso, defendem a volta ao modelo anterior, que considerava apenas o tempo de serviço do candidato.

O governo diz que diminuirá o número de temporários (há concurso aberto para 10 mil), mas que, enquanto isso, deve escolher os melhores na prova.

"A greve é fruto da intransigência do governo", disse a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Noronha. Haverá nova assembleia na sexta, no Masp.

A assembleia de ontem serviu de palanque para ataques à possível candidatura de Serra à Presidência. "Não queremos para o Brasil o que ele fez em SP", disse Carlos Ramiro de Castro, presidente da entidade que representa os servidores paulistas.


Promotor pede quebra de sigilo de Vaccari
Tesoureiro do PT é investigado pelo Ministério Público de SP por atuação à frente da cooperativa habitacional Bancoop

Documentos mostram que ao menos R$ 31 mi foram sacados na boca do caixa, o que torna difícil rastrear o dinheiro; advogado nega as acusações e vê fim eleitoral

Lilian Christofoletti (Brasil) - 07/03/10

O promotor José Carlos Blat, do Ministério Público do Estado de São Paulo, pediu anteontem a quebra do sigilo bancário e fiscal do novo tesoureiro do PT, o sindicalista João Vaccari Neto, investigado por supostos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, estelionato e apropriação indébita no comando da Bancoop, cooperativa habitacional dos bancários.

Blat, que abriu o inquérito criminal contra a Bancoop em 2007, solicitou ainda ao Dipo (Departamento de Inquéritos Policiais), do Tribunal de Justiça de São Paulo, o bloqueio da conta bancária da cooperativa e a oitiva urgente de Vaccari, que se licenciou da presidência da cooperativa em fevereiro.

O promotor estima que pelo menos 47 empreendimentos da Bancoop não saíram do papel, o que prejudicou cerca de 3.000 famílias. Há desde casas pagas e não entregues a valores que foram majorados acima da estimativa original. O rombo nas contas da cooperativa chegaria a R$ 100 milhões.

Em reportagem da edição desta semana, a revista "Veja" relata que, na última segunda-feira, o promotor começou a receber o primeiro lote de documentos com a quebra do sigilo bancário da cooperativa, que havia sido solicitada por ele em março do ano passado. São cerca de 8 mil páginas com transações bancárias realizadas pela Bancoop entre 2001 e 2008.

Segundo o promotor, cerca de R$ 31 milhões em cheques da cooperativa, assinados por Vaccari e por outros diretores, foram sacados em dinheiro em nome da Bancoop, o que dificulta rastrear o beneficiário.

"Outro fato que impressiona é que, entre 2005 e 2006, quando muitas obras estavam paradas e a cooperativa já enfrentava muitos problemas, a Bancoop pagou cerca de R$ 1,5 milhão à empresa de segurança de Freud Godoy", afirma Blat.

Freud, ex-segurança das campanhas de Lula é, ao lado de Vaccari, investigado no caso da compra de falso dossiê contra tucanos na eleição de 2006.

Para o promotor, dinheiro do grupo ajudou a financiar campanhas eleitorais petistas. "A Bancoop é uma organização criminosa com fins político-partidários", afirmou.

Outro lado
O advogado da Bancoop, Pedro Abreu Dallari, disse ontem que a investigação não tem "pé nem cabeça". "É um completo absurdo. Essa investigação começou em 2007 e não tem nenhuma medida judicial."

Segundo Dallari, não existe saque em dinheiro, mas movimentações interbancárias entre contas da própria Bancoop, já que, cada empreendimento tem um conta bancária própria. "Isso é registrado como saque, mas é movimentação interbancária." Para o advogado, o caso da Bancoop voltou à tona para alimentar o pedido do PSDB de CPI na Assembleia paulista. "É a única explicação que encontro para tantas leviandades."


Trabalhadores ganham mais benefícios
Com a retomada econômica, sindicatos ampliam reivindicações e obtêm direitos como cesta básica e plano de saúde

Avanço ocorre sobretudo nos setores mais dinâmicos, como a construção civil, que tem demanda aquecida e escassez de profissionais

Verena Fornetti (Dinheiro) - 07/03/10

Passada a crise econômica, os trabalhadores têm conseguido ampliar os benefícios obtidos nas negociações com os empregadores. Sindicatos que fizeram acordo coletivo no final do ano passado ou no início deste ano melhoraram itens como auxílio-creche e vale-alimentação, reduziram a fatia descontada do salário para o vale-transporte e, em alguns casos, pela primeira vez, asseguraram cesta básica e plano de saúde.

O avanço ocorre principalmente nos segmentos da economia que estão mais dinâmicos, como a construção civil, impulsionada pelas obras de infraestrutura, pela recuperação do crédito e pelo programa habitacional do governo.

Em algumas cidades, com a demanda por pedreiros, carpinteiros e ferreiros em alta e a escassez de profissionais para preencher as vagas disponíveis, os sindicalistas afirmam que ficou bem mais fácil negociar.

"Com a chegada das grandes construtoras para as obras das hidrelétricas do rio Madeira, conseguimos aumentar os benefícios. E, depois disso, mesmo as empresas da cidade que não fazem parte da obra tiveram que conceder benefícios para não perder os trabalhadores", afirma Clébio Roberto Lobato, assessor-executivo do sindicato dos trabalhadores da construção civil de Porto Velho, em Rondônia.

No ano passado, pela primeira vez, o sindicato garantiu cesta básica e plano de saúde para os trabalhadores da construção pesada. O sindicato também melhorou as condições do plano de saúde oferecido aos trabalhadores da construção leve.

Em Salvador e na Bahia, os trabalhadores da construção pesada conseguiram a inclusão do plano de saúde em acordo coletivo.

José Silvestre de Oliveira, coordenador de relações sindicais do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), afirma que a pauta de reivindicações dos sindicatos se diversificou nos anos 2000, incluindo de distribuição de protetor solar para trabalhadores que atuam em ambientes externos a políticas específicas para mulheres e negros. Silvestre destaca que os trabalhadores ganharam poder de barganha com o crescimento econômico do país, a partir de 2004.

Durante a crise, porém, a discussão dessas chamadas cláusulas sociais se estagnou. "Em 2009, negociamos no auge da crise e não conseguimos nada de cláusula social", diz Romildo Miranda, do sindicato dos comerciários de Fortaleza.

A retomada da economia ajudou as negociações dos empregados da indústria de calçados. Paulo Ribeiro, do sindicato de Franca (SP), fechou no mês passado acordo com pequenas empresas para reduzir o tempo do contrato de experiência.

Organização sindical
O número e a diversidade de benefícios nas convenções coletivas estão relacionados a quão antigo e forte é o sindicato da categoria. Os que representam os metalúrgicos, por exemplo, incluem cláusulas sociais na negociação pelo menos desde os anos 60. Miguel Torres, do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, lembra que em 1961 os metalúrgicos paulistas fizeram greve pelo então abono de Natal, que depois foi estendido a todos no país na forma de 13º salário.

Desde o fim do ano passado, mesmo metalúrgicos que já têm diversos benefícios garantidos em convenção coletiva conseguiram melhorar algumas cláusulas. Entretanto, em algumas regiões ainda há categorias com dificuldades de negociar tanto a melhora dos benefícios sociais quanto reajustes salariais. Em Ipatinga (MG), o sindicato que representa os metalúrgicos da Usiminas tenta acordo desde novembro.


Sindicatos ampliam ganho acima da inflação neste ano (Dinheiro) - 07/03/10

Sindicatos que no início de 2009 tiveram dificuldades para obter reajustes salariais acima da inflação aumentaram os ganhos neste ano. Sindicalistas afirmam que, na época, os empresários estavam relutantes em negociar, por medo da recessão que estava por vir.

Poucos sindicatos fecham acordo nos meses de janeiro e fevereiro, mas muitos dos que já assinaram a convenção obtiveram resultados favoráveis.

No primeiro semestre do ano passado, em cerca de metade das negociações os sindicatos só conseguiram aumentos reais de até 1%, segundo o Dieese.

O sindicato que representa trabalhadores da indústria de alimentação do Rio Grande do Sul, por exemplo, que em janeiro do ano passado só repôs a inflação no acordo coletivo, em 2010 obteve 1,39% de aumento real para os funcionários da indústria de rações que ganham o piso e cerca de 2% para os que ganham acima do valor base.

Na Bahia, o sindicato dos trabalhadores da construção civil fechou, em janeiro, aumento real de 6,65% para quem ganha o piso salarial e de 3,65% para os que recebem acima disso. O reajuste vale para trabalhadores do Estado, com exceção de Camaçari, cidade onde a negociação está em curso. Em 2009, o ganho real foi de cerca de 2%.

Mesmo algumas das categorias que negociaram os reajustes salariais no final do ano passado aumentaram os ganhos com a melhora nas perspectivas para a economia do país.

Em novembro, o sindicato dos trabalhadores da indústria têxtil de São Paulo conquistou 2,1% de aumento acima da inflação. Na data-base de 2008, o reajuste real foi de 1,7%. Os trabalhadores na indústria paulista do vidro também elevaram o ganho real. Em dezembro de 2009, conseguiram 1,72% acima da inflação, ante aumento real de 1,30% no ano anterior.




O Globo


CUT, Força e PT estimulam greves em São Paulo

Soraya Aggege - 05/03/10

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), ganhou nesta sexta-feira novos itens na lista de problemas que têm cercado sua pré-candidatura à Presidência. Os professores da rede estadual decidiram paralisar as escolas a partir de segunda-feira. Pela manhã, em várias cidades do estado, os docentes já tinham aderido à greve.

Os servidores da saúde também fizeram uma passeata pela manhã e entraram em "estado de greve". Os policiais também ameaçam com paralisações. Os movimentos dos servidores, que têm sua data-base em março, são apoiados pelas centrais sindicais, como CUT e Força Sindical, que fecharam uma plataforma eleitoral contra a eleição do tucano e favor do PT.

- Nossa greve é salarial. Não adianta o PSDB tentar colocar o bode na sala. Não temos motivação eleitoral alguma. Queremos aumento salarial e avisamos há dois meses que se não dessem reajuste, a categoria entraria em greve - disse Maria Izabel Azevedo Noronha, presidente da Apeoesp, o sindicato dos professores paulistas, tradicional aliado do PT e da CUT. Até as 19h30m, o secretário de Educação, Paulo Renato Costa Souza, não tinha se pronunciado sobre a greve.

Na assembleia dos professores na Praça da República, no entanto, os cartazes não esconderam o momento político. "Governador, quer entrar na presidência? Faz a provinha" e "Governador vampiro", diziam. Vestida com uma toga, a professora Minervina de Almeida Prado da Cruz, reclamava que Serra tem deixado muitos professores sem sala de aula, sem reajustes salariais e os alunos em más condições:

- Serra engana e destroi - gritava.
 
Os cerca de 215 mil professores paulistas reivindicam 34,3% de aumento. O piso de professor de 1a. a 4a. séries é de R$ 785,50 e chega a R$ 958,53 com as gratificações. Em fim de carreira, pela mesma jornada, o salário chega a R$ 1.153,21. O professor de educação básica e ensino médio, por 24 horas semanais de jornada, tem um piso de R$ 909,32, chega a R$ 1.100,92 com as gratificações e pode encerrar a carreira com R$ 1.326,27, segundo a Apeoesp.

De acordo com a Apeoesp, nesta sexta-feira cerca de 60% das 215 mil escolas paulistas já paralisaram suas atividades. Na segunda-feira, os professores foram orientados a irem para as escolas convencer aqueles que ainda não aderiram à paralisação.

Protesto na Saúde
Nesta sexta-feira, cerca de 300 servidores da rede de saúde fizeram uma passeata em São Paulo. Além de reajustes, eles reclamam que Serra estaria promovendo um sucateamento do sistema em todo o estado. Os servidores reclamam que as terceirizações no sistema prejudicam servidores e pacientes. A categoria decidiu adotar o estado de greve e se prepara para montar um calendário com as paralisações.

O protesto durou cerca de três horas. A concentração começou em frente à Secretaria de Estado da Saúde, junto ao Metrô Clínicas, na Zona Oeste. Dali, o grupo partiu em direção à Avenida Paulista e encerrou o protesto na Rua Bela Cintra, na Bela Vista, em frente ao prédio da Secretaria de Gestão Pública.


 


Agência Brasil


Reforma agrária depende de mobilização social, avalia pesquisador

Daniel Mello - 06/03/10

São Paulo - Estudo realizado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), chamado Data Luta, aponta a influência da atuação dos movimentos sociais no número de novos assentamentos criados nos últimos anos. O levantamento é do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária da instituição.

Segundo a pesquisa, coordenada pelo professor de história Clifford Andrew Welch, em 2008 foram assentadas 7.496 famílias em 118 assentamentos, em 2007 foram 14.532 famílias em 186 assentamentos. Os números mostram uma redução expressiva em comparação aos 757 novos assentamentos criados em 2005, ano que teve o maior número de famílias assentadas desde 1985, com 89.738 famílias.

A criação de assentamentos acompanha, segundo o estudo, o ritmo das ocupações de terra organizadas pelos movimentos sociais. Em 2004, foram mais de 111 mil famílias em 662 ações, enquanto em 2008 foram apenas 26 mil famílias em 261 ocupações.

Para Welch, a pressão exercida pelos movimentos sociais é vital para a continuidade do processo de reforma agrária no país. "Como a história mostra, de 80% a 90% desses assentamentos são produto da mobilização dos movimentos sociais. O sucesso da reforma agrária apresenta grandes desafios com qualquer diminuição na organização, na mobilização, na quantidade e no tamanho das ocupações no futuro."

Para o professor da Unesp, as ocupações de terra deverão continuar sendo a principal ferramenta de luta dos movimentos sociais. "Para mim, é impossível imaginar os movimentos abandonando a ocupação como uma ferramenta na luta pela terra. Mas os movimentos estão procurando outras maneiras de mobilizar", ressaltou Welch.

A avaliação do professor é confirmada pelo coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Batista de Oliveira. De acordo com ele, "a ocupação de terra, infelizmente, ainda é a única forma de pressionar o Estado [pela reforma agrária]".

O professor do departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) Ariovaldo Umbelino relaciona a redução da força das ações dos movimentos sociais com as parcerias firmadas com o governo federal. "Muitos movimentos sociais fizeram acordo com o governo para não fazer pressão política, receberam recursos", afirmou o especialista em questão agrária.

Esse tipo de aporte acaba modificando a natureza dos movimentos sociais, na avaliação do presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária, Plínio de Arruda Sampaio.

"Você joga R$ 150 milhões em uma entidade para ela fazer assistência técnica, dar assessoria de comercialização, para dar curso. Vira uma ONG [organização não governamental] paraestatal. Perde a combatividade. Só administrar isso supõe um monte de gente que já não é líder de massa, é um funcionário que está realizando os registros compatíveis com uma prestadora de serviços", destacou.

As parcerias podem não ser a questão determinante para a redução da mobilização dos movimentos, na opinião de Clifford Welch. "Programas como o Bolsa Família têm tirado um pouco a base dos movimentos sociais na luta pela reforma agrária. Outros [pesquisadores] dizem que o governo está assentando as pessoas, conseguindo responder em parte à reforma agrária e luta pela terra", ponderou.

Para o coordenador nacional do MST, os convênios com o governo não comprometem a atuação dos grupos que atuam em favor da reforma agrária. "O movimento, mesmo mantendo suas parcerias, tendo alguns avanços, mantém sua autonomia em relação ao governo e ao Estado."

De acordo com ele, o MST está insatisfeito com a falta de avanços do governo na reforma agrária e irá ampliar a sua mobilização. "As ações do governo federal estão diminuindo, o número de famílias assentadas está diminuindo", disse Oliveira.


 

Terra


Força Sindical inaugura nova sede em SP em clima de campanha

Hermano Freitas - 07/03/10

A Força Sindical inaugurou na manhã deste domingo, no bairro da Liberdade, centro de São Paulo, a sua nova sede, distante apenas uma quadra da antiga. Mesmo sem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff - que chegaram a ter a suas presença confirmadas pela Força mas não compareceram - o clima da solenidade foi de campanha presidencial.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos, cumprimentou os presentes com um "Bom Dilma", fazendo um trocadilho entre o tradicional "bom-dia" e o nome da ministra Dilma, pré-candidata do PT ao governo federal.

Santos aproveitou a ocasião para alfinetar "setores da imprensa" que, segundo ele, se oporiam à organização dos trabalhadores. "Apesar de vocês, construímos essa sede com dinheiro do imposto sindical", disse Santos, citando a música Apesar de você, clássico de Chico Buarque.

A manutenção do imposto sindical, a redução da jornada de trabalho para 40 horas e a eleição da sucessora de Lula para o Planalto também estiveram entre as bandeiras levantadas pelos líderes dos trabalhadores.

Segundo o deputado federal e presidente da Força Sindical nacional, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), que foi chamado de "companheiro" durante a cerimônia, garantiu uma reunião nacional das centrais sindicais no estádio do Pacaembu, de propriedade da prefeitura. Segundo Paulinho, será elaborado na ocasião um documento único para ser apresentado aos candidatos à Presidência da República.




Vermelho

Amor, aborto e Dia Internacional da Mulher
A reação da direita à proposta de descriminalização do aborto, contida na terceira edição do Programa Nacional de Direitos Humanos, deve ser objeto de reflexão nesta segunda feira, 8 de março.

Gilson Caroni Filho
- 07/03/10

A celebração do centenário da declaração do Dia Internacional da Mulher não pode passar ao largo de bandeiras caras ao movimento feminista que, nas últimas três décadas, lutou pelo direito da mulher de deliberar sobre seu corpo, sua vida e o permanente questionamento da divisão sexual no trabalho e na vida cotidiana.

A questão de fundo, por trás da gritaria dos setores conservadores e da sua grande imprensa, é a apropriação sistemática do corpo feminino por uma ideologia autoritária que se julga no direito de legislar para a mulher, negando a ela qualquer protagonismo. Sem contar a falácia da defesa do "livre-arbítrio" que seduz parcelas expressivas da classe média, sempre contando com discursos inversamente proporcionais aos seus atos cotidianos. Argumentar, simplesmente, que não cabe ao Estado programar políticas públicas sobre o que deve ser decisão privada das famílias, é incorrer em três erros fundamentais.

Em primeiro lugar, tal visão supostamente esclarecida, coloca a família como uma instituição à parte da sociedade, sem levar em conta seu papel na reprodução, organização e manutenção da força de trabalho, já fartamente regulamentado pelo Estado, através do Código Civil e da proibição do aborto. Admite, em última instância, que cabe à estrutura familiar - leia-se à mulher - a responsabilidade não só pela reprodução, mas também pela educação, alimentação e saúde dos filhos. E é nesse ponto que se juntam "liberais", reacionários e a Igreja Católica.


Ao fechar os olhos às diferenças econômicas que obrigam grande parte das mulheres pobres a recorrer a procedimentos abortivos arriscados ao invés de ter assistência médica devida, os arautos da criminalização, alimentam a linha de montagem da saúde que só prospera a partir de um aparelho reprodutor lesado em "açougues" sem qualquer estrutura de atendimento. Por tudo, bem diferentes das clínicas caras a que recorrem suas congêneres mais abastadas.


Os que atacaram o ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, por defender uma "bandeira feminista", fingem ignorar um fato que é de conhecimento internacional: em todos os países onde o aborto foi descriminalizado a redução do número de casos foi enorme.


O acesso a uma clínica-ginecológica obstétrica normal inscreve a mulher em um programa de controle da reprodução. Ao invés do risco cirúrgico, a orientação clínica prestada por consultórios legalizados de interrupção voluntária da gravidez. Uma mudança que faz toda a diferença quando o valor maior é a integridade do ser humano.

Lutar pela vida é querer que o Estado se responsabilize pelo atendimento à saúde das mulheres nas diferentes fases da vida. Que coloque à disposição de todas elas o conhecimento e acesso a métodos de contracepção, ampliando o número e a qualidade dos postos de saúde. A opção por não ter filhos deve vir acompanhada por investimentos que facilitem a opção pela maternidade desejada.


Planejamento familiar significa, antes de qualquer coisa, condições reais de alternativas que não existem numa conjuntura de preconceito, exploração econômica, racismo, e onde o aborto é considerado um ato criminoso. Se, por volta dos anos 1970, a luta feminista era tratada pela Academia e pelos meios de comunicação como ideologia importada, há um bom tempo ela é reconhecida como expressão social interna da sociedade brasileira.


Repensar o pacto doméstico, atenuando a dupla jornada e reivindicar, como faz a CUT, a "ratificação da Convenção 156 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) - atualmente aguardando votação na Câmara dos Deputados -, que determina a equidade de tratamento e oportunidades para os trabalhadores dos dois sexos com responsabilidades familiares, e a ampliação das licenças maternidade e paternidade para seis meses" são maneiras explícitas de declarar amor às mulheres.


Como explica em entrevista ao Portal Mundo do Trabalho a secretária nacional da Mulher Trabalhadora da Central Única dos Trabalhadores, Rosane Silva, "um dos argumentos para não contratar ou não promover nossas companheiras é que ficamos muito tempo fora da empresa devido à licença-maternidade". É a lei do valor redefinindo o significado da Lei do Ventre Livre.


Reconhecer o valor da mulher é lutar ao lado dela por conquistas legais e pela implementação de políticas públicas que respondam satisfatoriamente a reivindicações seculares. Avançar com propostas globais, estruturais é acariciar uma síntese de múltiplas gerações. Convém mandar flores.


 

Rondoniadinamica.com


Arrecadação cresce 250% enquanto servidores acumulam perda salarial em 25%, diz CUT - 06/03/10

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) divulga dados comprovando que em sete anos de mandato do governador Ivo Cassol, de janeiro de 2003 a dezembro de 2009, a arrecadação teve um aumento extraordinário de 250,33%, saindo de R$ 662.379,783 no ano de 2002 para R$ 2.320.541.766 em 2009. É importante ressaltar que no mesmo período a inflação medida pelo INPC do IBGE foi de apenas 47,50%, representando um enorme aumento real nas receitas do Estado. Veja a arrecadação anual, além do percentual de aumento a cada ano e o crescimento acumulado na tabela abaixo: 

ANO

ARRECADAÇÃO

% ANUAL

% ACUMULADO

2002

662.379.783

 

 

2003

944.169.917

 42,54%

42,54%

2004

1.174.699.567

 24,42%

77,35%

2005

1.411.262.494

 20,14%

113,06%

2006

1.519.639.609

   7,68%

129,42%

2007

1.704.535.778

 12,17%

157,34%

2008

2.143.634.298

 25,76%

223,63%

2009

2.320.541.766

   8,25%

250,33%

 

 

 

 

 

 

 

 

Desde o início do primeiro mandato de Ivo Cassol, em janeiro de 2003, até fevereiro de 2010, a inflação medida pelo INPC do IBGE foi de 49,84%; sendo que neste mesmo período houve apenas três reajustes: de 10% em abril de 2004, 5% em abril de 2006 e 4% em duas parcelas em fevereiro e maio de 2008. Com isso, os servidores acumulam uma perda inflacionária de 24,74%, apenas no mandato de Cassol.

Arrecadação cresce mais 8% em janeiro e fevereiro 2010

A arrecadação continua crescendo este ano, pois o valor arrecadado em janeiro e fevereiro de 2009 foi de 345.828.335, enquanto que nos dois primeiros meses de 2010 a arrecadação totalizou 370.734.281; ou seja, um aumento de 8% sobre o mesmo período do ano anterior.

A não reposição de perdas e implantação de PCCs é má vontade de Cassol.
 
Para o presidente da CUT, Itamar Ferreira, o governador Ivo Cassol só não repõe todas as perdas acumuladas, durante o mandato dele, que são de aproximadamente 25% e não implanta os Planos de Carreiras Cargos e Salários da saúde, DETRAN e outros devido a uma crônica má-vontade para com os servidores públicos de Rondônia.


O sindicalista ressalta que o enorme crescimento da arrecadação, de mais de 250% em sete anos, possibilitou um equilíbrio fiscal invejável para qualquer outra unidade da Federação; onde o comprometimento da folha de pagamento em relação à arrecadação é de pouco mais de 30%; enquanto a Lei de Responsabilidade Fiscal estabelece um limite máximo de 49% ou um limite de 46%, chamado de prudencial. Se Cassol concedesse a reposição das perdas do governo dele e implantasse todos os PCCs, mesmo assim, a folha de pagamento não chegaria nem em 40% da arrecadação.


Itamar chama a atenção para o impacto extremamente positivo que a transposição de servidores para os quadros da União terá sobre o equilíbrio econômico-financeiro das contas do Estado. "Não há qualquer justificativa para o tratamento implacável dispensado pelo governador e a resposta dos servidores deverá ser uma grande mobilização neste início de ano", conclama o presidente da Central Sindical.

 

 

Gazetaderibeirao.com.br


CUT discute pedágios e jornada - 06/03/10

O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) estadual, Adi Santos Lima, esteve em Ribeirão Preto para transmitir a agenda de março da central. Representantes de alguns sindicatos participaram de uma reunião junto com Lima na sede da CUT na cidade. Segundo ele, na última semana deste mês acontecerá uma mobilização em Ribeirão contra o número de pedágios na região. A intenção é que além da região de Ribeirão, outras 17 também participem. Na cidade, uma audiência pública na Câmara será convocada e há a possibilidade de o movimento ir para as ruas. "Estamos estudando quais serão as atividades, mas é possível que aconteça uma passeata", disse Lima. Ele acredita que o número de pedágios e os preços cobrados vão além do necessário para manter as estradas e diz que é obrigação do Estado acompanhar a situação. Além dos pedágios, Lima também quer discutir sobre o avanço do agronegócio. "Não sou contra o agronegócio, mas acho que o Estado não deve deixar a monocultura tomar conta das produções, como vem acontecendo." Lima disse que as mobilizações têm início porque há dificuldade em conversar com o governo do Estado. "Não conseguimos dialogar com o governador porque ele não recebe os movimentos sociais." De acordo com ele, o atual modelo de administração vem asfixiando os trabalhadores com as privatizações e terceirizações.


 


Paraná-online.com.br


Marcha na capital homenageia a mulher
 
Mara Andrich - 07/03/10

Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, que é amanhã, vários movimentos se reuniram para fazer uma grande caminhada, ontem pela manhã, em Curitiba. O evento fez parte da Marcha Mundial da Mulher (MMM), que está ocorrendo em cerca de 50 países até o dia 18.

A ideia é lembrar dos diversos problemas aos quais as mulheres são submetidas, como a violência, o salário menor do que o dos homens, a dificuldade de acesso à creches para os filhos, entre outros. Com camisetas de cor lilás - que era a cor dos guarda-pós das operárias há 100 anos, quando iniciou a comemoração no dia 8 de março -, o grupo saiu da Praça Santos Andrade, no centro, e foi até a Boca Maldita.


"É um ato de comemoração de todos os movimentos e de reivindicação das nossas lutas", observa Regina Cruz, da Secretaria das Mulheres da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Paraná e da Marcha Mundial das Mulheres (MMM). Para ela, o problema mais sério a ser enfrentado é a violência contra a mulher. "Por mais que tenha sido criada a Lei Maria da Penha, a situação ainda é difícil e a luta contra isso precisa ser intensificada. A cada 15 segundos uma mulher é agredida no Brasil", afirma Regina.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato) e uma das representantes da MMM, Marlei Fernandes de Carvalho, acredita que a violência contra a mulher ainda é um dos pontos que precisa de mais atenção. Porém, ela acredita que todas as políticas públicas estão relacionadas e, sendo assim, um problema leva a outro. "Muitas mulheres sofrem agressões, e muitas também se submetem a viver com determinada pessoa por conta das dificuldades financeiras. Então aí temos a questão econômica junto com a violência", lembrou Marlei. Para ela, uma das maneiras mais efetivas de demonstrar a insatisfação é ir às ruas. "Nós temos que gritar. Se não expressarmos o que sentimos não haverá transformação na sociedade", alerta.


Show
Amanhã, o show Faces de Mulher vai ocorrer no Guairinha, às 20h. Na ocasião, as cantoras Janaina Fellini, Raquel Santanna, Simone Magalhães, Clarice Mendes, Maria Isabel Corrêa e Zezé Chagas apresentarão o trajeto feminino ao longo das transformações e da consolidação de sua presença na música paranaense e brasileira. Além da música, o público também poderá conferir as esculturas da artista plástica Graciela Scandurra, que farão parte do local. O valor do ingresso é de R$ 5 (estudantes) e R$ 10 (público geral).



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