Edição número 1534 segunda-feira,
08 de março de 2010
Fechamento: 08h45
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O Estado
de S.Paulo
'TV
Lula' lança canal internacional para brasileiros no exterior
Acusada de fazer
propaganda do governo no País, emissora deverá começar a transmissão para
África em julho
Wilson Tosta (Nacional)
A TV Brasil, emissora operada pela estatal Empresa Brasil de Comunicação (EBC),
lançará ainda este ano um canal internacional voltado para parte dos cerca de 3
milhões de brasileiros que vivem no exterior. Apelidada de "TV Lula"
por oposicionistas, que a acusam de fazer propaganda do governo federal, a
estação quer inicialmente atingir brasileiros que vivem em outros países da
América Latina, EUA, África e Península Ibérica. A ideia é substituir o Canal Integración,
que será extinto, por uma programação por assinatura exclusivamente em língua
portuguesa, transmitida por cabo.
"O Canal Integración serviu muito à ideia de integração latino-americana,
mas já cumpriu o seu papel", diz a presidente da EBC, Tereza Cruvinel.
Segundo ela, há uma "enorme demanda" de emigrantes brasileiros por um
canal de TV a preços baixos no exterior. As redes Globo e Record já disputam o
público emigrante brasileiro, mas há reclamações na comunidade com relação às
tarifas cobradas. "O Brasil virou um país de emigração. Já foram
realizadas duas conferências de emigrados. Na última, no Rio, comparecemos, e o
assunto canal internacional foi mais palpitante."
O novo canal está sendo montado por uma equipe chefiada pela jornalista
Marilena Chiarelli e usará o New Skies, mesmo satélite atualmente utilizado
pelo Integración, por isso, a empresa
avalia que não terá custo adicional nesse item, de pouco menos de R$ 500 mil
anuais. A transmissão começará até julho, pela África, onde a EBC está mais
perto de fechar acordo para distribuição de programação. A empresa escolhida, a
Multi-Choice, atinge 90% do continente e pode colocar a emissora nos Palops
(Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), como Angola e Moçambique. "A
TV a cabo está chegando à África, é uma boa oportunidade", diz Tereza.
Para os EUA, há negociações para distribuir o novo canal com a empresa Dish
Network; para a América Latina, com a DirectTV; e para a Península Ibérica, com
o grupo Prisa, que edita o jornal espanhol El País. Todas essas regiões já são
cobertas pela órbita seguida pelo New Skies. Outras áreas, como o resto da
Europa continental, o Reino Unido e o Oriente, ficarão para depois, devido a
questões técnicas e financeiras. No Japão, país com uma grande comunidade
brasileira, a primeira negociação empacou no alto preço que o transmissor local
queria cobrar pelo serviço de distribuição.
A programação terá de sofrer alterações para ser adaptada aos fusos horários
locais e porque há, na grade atual, programas de outras emissoras, licenciados
exclusivamente para transmissão no País.
Na semana passada, a EBC foi acusada de gravar depoimentos de ministros em
suposto tom eleitoral, para exibição no Blog do Planalto. A empresa respondeu
afirmando ter prestado serviço à Secretaria de Comunicação da Presidência da
República e dizendo não haver ilegalidade no episódio.
ORÇAMENTO
A TV Brasil Internacional é um dos projetos de expansão da EBC para 2010,
quando terá um Orçamento de R$ 453 milhões, o maior de sua curta história,
iniciada em dezembro de 2007. Proibida de veicular publicidade comercial, a
estatal é sustentada por verbas que recebe diretamente da União, por dinheiro
de patrocínios culturais (em 2009, chegou a receber dinheiro da Vale do Rio Doce),
recursos por prestação de serviços a entidades federais e, este ano, espera
receber ainda R$ 116 milhões da Contribuição para a Comunicação Pública,
prevista na lei que criou a empresa, mas contestada na Justiça por empresas de
telecomunicação.
Outros projetos são previstos para 2010 pela EBC, que aprovou seu Plano de
Trabalho em seu Conselho Curador no início do ano. Um é a criação de uma rede
de rádios públicas, reunindo as oito emissoras federais e estações dos governos
estaduais, com possibilidade de transmitir um jornal radiofônico nacional.
Outro é a expansão de atividades da TV Brasil, incluindo a criação de gerências
executivas no Nordeste (São Luís), Centro-Oeste (Brasília), Norte (já tem
escritório em Manaus) e no Sul (Porto Alegre). A emissora, além de mudar seu
correspondente na África de Angola para Moçambique, mandará profissionais
permanentes para Washington, nos EUA, e Buenos Aires, na Argentina. Tem ainda a
meta de ampliar sua transmissão diária de 20 para 24 horas.
A televisão estatal também quer ampliar suas transmissões na Região Sul, onde
enfrenta dificuldades que se refletem em audiência de 6%, abaixo da média
nacional de 10% apontada em pesquisa DataFolha no ano passado. A governadora do
Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), veta a participação da TV Educativa
gaúcha na rede nacional de TVs públicas, por considerá-la instrumento político
do governo federal. Prefere pagar por programação produzida pela TV Cultura,
emissora estadual de São Paulo, a receber o material gratuito da TV Brasil.
A EBC, que comprou por R$ 400 mil o prédio onde fica a TV gaúcha, vai instalar
lá sua sede no Estado, com repetidoras em Porto Alegre e em outras quatro
cidades gaúchas para levar o seu sinal aos gaúchos. A EBC ofereceu ao governo
estadual a oportunidade de manter lá a emissora estadual, pelo mesmo aluguel.
Universalização
da internet banda larga fica para o próximo governo
Para especialistas
do setor e técnicos da própria equipe de Lula, é difícil colocar o plano em
prática neste ano
Gerusa Marques (Economia)
A temperatura do debate é alta e a pressão política do governo é forte, mas a
oferta de internet via banda larga País afora, como quer o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, é uma promessa eleitoral com tantas etapas para cumprir
que só no governo do sucessor pode virar realidade. Para técnicos e
especialistas do setor, mesmo que o governo consiga definir no próximo mês as
diretrizes, não há como colocar em prática neste ano o Plano Nacional de Banda
Larga. O mais provável é que o Planalto faça o lançamento de um protocolo de
intenções, que pode ser usado como bandeira política na campanha eleitoral.
"É muito difícil que o plano seja executado este ano, a não ser que seja algo
absolutamente marginal, nada relevante", avalia um técnico do governo. O
maior problema, para uma fonte da iniciativa privada, foi o governo ter
atrelado a necessidade de expandir a banda larga à discussão para revitalizar a
Telebrás, empresa que deverá administrar e operar o plano.
O secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do
Planejamento, Rogério Santanna, reconhece que não há tempo hábil para o plano
ser executado pelo governo Lula, mas pondera que algumas medidas podem ser
tomadas, com impactos ainda neste ano. "Certamente podemos ter o
estabelecimento das linhas de ação para a empresa gestora do plano e fazer
ações de caráter organizativo caso a Telebrás seja escolhida como
gestora", diz.
A reativação da estatal, que teve as subsidiárias privatizadas em 1998, é
defendida por Lula. A decisão sobre a reativação da velha estatal será tomada
em abril, quando o presidente voltará a se reunir com os ministros para bater o
martelo sobre o lançamento oficial do plano.
Se essa reunião for conclusiva, uma das primeiras medidas será a edição de um
decreto presidencial instituindo o plano de banda larga. Minuta do documento
circulou em Brasília no início do ano e colocava a Telebrás na liderança do
processo.
Após formalizada a decisão de reativar a estatal, serão necessários dois meses
para reconstituir a empresa e contratar ou requisitar funcionários. A estatal
tem 200 empregados cedidos à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Para voltar a operar, a Telebrás ressuscitada tem de realizar assembleia de
acionistas, enviar comunicado à Comissão de Valores Mobiliários e cumprir
compromissos junto ao mercado financeiro, por ter ações da Bolsa.
A ressurreição da empresa é um processo complexo. Será necessário licitar a
compra de equipamentos para a revitalização das fibras de propriedade das
estatais de energia elétrica. Essas fibras, usadas para a montagem da rede de
banda larga, são as que estão em poder da Eletronet, empresa que decretou
autofalência, tem dívidas de credores cobradas na justiça e a pendência
jurídica sobre a apropriação das fibras pela Eletrobrás.
DENÚNCIAS
O cronograma traçado pelos técnicos dependerá da superação desses problemas e
do constrangimento criado com a divulgação de denúncias de envolvimento do ex-ministro
José Dirceu nos negócios da empresa. Ele prestou consultoria à Star Overseas
Venture, empresa sediada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas de
propriedade do empresário Nelson dos Santos, que é dona de parte da Eletronet.
Mesmo que a licitação de compra dos equipamentos seja realizada em tempo
recorde e que não haja contestação judicial, todo o processo deve durar ao
menos três meses, sendo concluído em setembro. A entrega de equipamentos e
montagem dos componentes eletrônicos nas redes de fibras ópticas se prolongaria
até dezembro.
Com as fibras funcionando, a estatal pode começar a atuar no atacado, ofertando
capacidade de transmissão de dados para outros operadores, como pequenos
provedores de internet, que forneceriam os serviços para o consumidor. Mas,
para operar, mesmo no atacado, é preciso autorização da Anatel, processo que
não é imediato.
Se o governo optar por atender também ao consumidor final, para cumprir a
promessa de chegar com a banda larga onde as grandes operadoras não querem,
terá de construir a capilaridade da rede, para ligar a espinha dorsal formada
pelas fibras das centrais elétricas até as cidades, e das cidades até a casa de
cada cliente. Não há estimativa de quanto tempo a construção da rede pode
levar. As empresas privadas, por exemplo, começaram o trabalho de ramificação
da rede principal até a sede dos municípios em 2008 e devem concluí-lo no fim
do ano.
Mulheres
detêm 44% dos planos de previdência
Há cinco anos, a
participação das mulheres era de apenas 35%
Roberta Scrivano (Economia)
"Como
toda mulher, eu adoro consumir e, para controlar os gastos e conseguir poupar,
decidi fazer um plano de previdência que debita um valor mensal automaticamente
da minha conta". A solução é da pedagoga Ellen Bernardo, de 35 anos, que
adquiriu um plano de previdência privada há dois anos.
Mãe de dois filhos, Vítor, de seis anos, e Luís Felipe, de três, Ellen conta
que decidiu aderir ao plano de poupar quando seu marido pediu o divórcio.
"Vi que eu precisava pensar no meu futuro e não só no do meu casamento e
de meus filhos", diz.
Números da Federação Nacional da Previdência Privada e Vida (Fenaprevi)
comprovam que, assim como ocorreu com Ellen, o interesse feminino em planejar o
futuro cresce a cada ano. Hoje, 44% dos 13 milhões de planos de previdência
privada ativos no País são de mulheres. Em 2000, dos cerca de 5 milhões de
planos, 35% eram do público feminino.
"A tendência é ter cada vez mais mulheres na previdência, sobretudo se
levarmos em conta que hoje, segundo o IBGE, 35% dos lares brasileiros são
sustentados pelas senhoras", prevê Renato Russo, vice-presidente da
Fenaprevi.
A consolidação econômica feminina também é apontada por outros especialistas
como o fator que tende a impulsionar a participação delas no mercado de
previdência complementar. "Cada vez mais as mulheres têm a sua própria
renda. Isso, somado ao fato de elas serem organizadas e comprometidas,
naturalmente aumentará o interesse em poupar", acredita Dora Ramos,
diretora da assessoria contábil Fharos.
A expectativa de o público feminino atuar cada vez mais na administração
financeira fez o Santander criar o Projeto Mulher. "Entre os produtos
voltados ao público feminino, temos a Previ Mulher, que é o carro-chefe",
conta Sinara Figueiredo, superintende de investimentos do banco.
Entre os bancos de varejo (como Itaú Unibanco, Bradesco, HSBC, Banco do
Brasil), o Santander é o único que tem planos de previdência direcionados
exclusivamente às mulheres.
As aplicações mensais, que terão condições especiais em março (mês do dia da
mulher) na Previ Mulher, são de no mínimo R$ 100, com taxa de carregamento de
2% e de administração também de 2% sobre o valor investido.
Na Brasilprev, uma das maiores companhias de previdência privada e que trabalha
sob a bandeira do Banco do Brasil, dos 1,19 milhão de clientes da empresa, 43%
são do sexo feminino. Outros números da empresa indicam que o público feminino
adquire planos de previdência complementar mais cedo do que os homens.
"Das nossas clientes mulheres, 44% têm até 30 anos. Da clientela
masculina, esse porcentual cai para 37%", conta José Eduardo Vaz
Guimarães, diretor de operações e produtos da Brasilprev. Para o executivo,
essa diferença revela a maior consciência delas sobre a necessidade do
planejamento financeiro de longo prazo.
Vaz Guimarães ressalta, porém, que o valor mensal de recursos apostados pela
mulher é de R$ 190. Por outro lado, os homens aportam, em média, R$ 236.
Russo, da Fenaprevi, esclarece que o perfil das mulheres investidoras ainda é,
em sua maioria, conservador. "Isso explica o investimento menor ao
mês."
PERFIL CONSERVADOR
Hoje,
43% dos investimentos de risco no mercado nacional são feitos por mulheres,
segundo números da Fenaprevi. Em 2005, esse porcentual era de apenas 17%.
"A mulher está aprendendo a investir e deve se tornar cada vez mais
arrojada nas finanças", diz Dora. Ela afirma que ainda há uma certa
timidez entre as mulheres para iniciar aplicações mais agressivas. "Este
ainda é um mercado masculino, por isso, muitas vezes as mulheres ficam
constrangidas em iniciar aplicações e tirar dúvidas."
Carolina de Mola, diretora das áreas de Vida e Previdência da SulAmérica,
destaca que a mulher é responsável em "prover a segurança familiar",
fato que também pesa na hora de escolher o tipo de investimento que ela fará.
"Portanto, longo prazo e conservadorismo ainda são características fortes
no tipo de aporte feminino."
QUANTO INVESTIR?
Para
decidir quanto investir por mês em um planejamento de longo prazo,
especialistas em finanças pessoais indicam que, em primeiro lugar, seja
elaborado um plano de negócios. "Deve-se somar todos os gastos pessoais,
como prestações, contas, cartões de crédito, gasolina, lazer e, assim, se
planejar com o salário que receberá no mês", explica Dora Ramos.
Carolina salienta que é preciso pôr no papel todos os gastos diários.
"Nada pode escapar, nem o cafezinho", frisa a diretora da Sul
América.
Após a soma dos gastos, é preciso fazer a subtração com o valor total líquido
da renda mensal. Depois disso, pode-se definir quanto será aplicado.
Russo, da Fenaprevi, sugere ainda que o plano de previdência seja colocado no
débito automático para que não haja chance de a mulher esquecer de efetuar o
pagamento ou gastar o dinheiro que deve ser aplicado. Dora concorda. "É
como se você estivesse pagando uma dívida com a sua felicidade no futuro",
ilustra a especialista em finanças.
Folha de
S.Paulo
Planalto
paga pesquisa sobre trunfos eleitorais de Dilma
Estudos de R$ 2 mi
medem popularidade de programas associados à ministra, como PAC
Relatórios apontam que população desconhece vitrines; PAC tem caráter abstrato
e não foi alvo de publicidade, diz Secom
Marta Salomon (Brasil)
O Palácio do Planalto pagou R$ 2 milhões por pesquisas que aferem a
popularidade de programas de governo e, em especial, de ações às quais a imagem
da pré-candidata petista, Dilma Rousseff, está mais associada. Relatórios
traçados por um especialista em comportamento eleitoral indicam "patamares
elevados de desconhecimento" de vitrines do governo, como o PAC (Programa
de Aceleração do Crescimento) e o pré-sal.
Os estudos foram iniciados em 2009, sob encomenda da Secretaria de Comunicação
da Presidência. Os resultados são estratégicos para delinear a plataforma
eleitoral da ministra da Casa Civil. A Folha teve acesso aos questionários e
relatórios das pesquisas após reclamar formalmente o direito de acesso a dados
públicos.
"Eu diria que sempre é um subsídio, é claro", afirmou o
diretor-presidente do Instituto Meta, Flávio Eduardo Silveira, sobre a
contribuição das pesquisas para a tática de Dilma.
O sociólogo avalia que falta ao PAC uma identidade mais próxima da população,
como ocorre no caso do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, por
exemplo, também objeto das pesquisas. "Fica algo muito abstrato",
disse.
Essa palavra é a mesma usada pelo secretário-executivo da Secom, Ottoni
Fernandes Júnior, ao tentar justificar o desconhecimento do PAC: "É um
programa que tem caráter abstrato e não estava no centro da publicidade
institucional".
A lembrança da propaganda oficial do PAC foi considerada "escassa" em
relatório de pesquisa qualitativa de maio, que recorreu a entrevistas mais
aprofundadas. Essa pesquisa detectou "forte desconfiança",
principalmente entre os mais ricos, em relação ao programa.
Programa eleitoreiro
Alguns
participantes sugeriram que o PAC era eleitoreiro. "De certa forma, ele está
usando o PAC para eleger a Dilma", relata o Instituto Meta, na única vez
em que o nome da pré-candidata aparece nos questionários ou relatórios de
análise.
O relatório de novembro diz que, entre os que já tinham ouvido falar do
programa (menos de metade dos entrevistados), mais de 70% não conhecem suas
obras. O dado "indicou a manutenção de patamares elevados de
desconhecimento".
Percentual semelhante da população manifestou conhecer o programa que pretende
financiar um milhão de moradias até o fim do ano para famílias com renda de até
R$ 4.900.
O mais recente relatório diz que a avaliação positiva do governo se concentra
nas famílias com renda de até dois salários mínimos e nas regiões Norte e
Nordeste. A avaliação tanto de Lula como do governo cai à medida em que aumenta
a renda.
O motivo que mais pesou na avaliação negativa foi a corrupção. O relatório de
novembro atribuiu o fato à crise no Senado, "em função do apoio público do
presidente Lula a Sarney, principal alvo das denúncias".
O responsável pelo levantamento arrisca palpites sobre a candidatura Dilma e
diz crer em uma disputa acirrada. "Não se sabe ao certo o teto do
crescimento [de Dilma] e isso vai depender de vários fatores, como a
transferência de votos de Lula", disse Flávio Silveira.
Vaccarezza
defende tesoureiro do PT e critica quebra de sigilo
Phillip Dânton (Brasil)
O
líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), rebateu ontem
o pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal apresentado pelo promotor José
Carlos Blat, do Ministério Público de São Paulo, contra João Vaccari Neto,
tesoureiro do PT. Ele será o responsável pelas finanças da campanha da ministra
Dilma Rousseff à Presidência.
Vaccari Neto, presidente licenciado da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos
Bancários de São Paulo), é acusado de envolvimento no suposto esquema de desvio
de verba da entidade. Segundo Vaccarezza, a ação faz parte de uma
"articulação política mal engendrada".
Segundo reportagem da revista "Veja" desta semana, foram analisadas
mais de 8.000 páginas de documentos do processo que envolve o desvio de
recursos. A conclusão é que a direção da Bancoop girou R$ 31 milhões em cheques
para a própria entidade para não revelar o destino do dinheiro.
O petista disse estranhar o fato de o PSDB ter entrado com pedido de CPI na
Assembleia Legislativa de São Paulo antes da denúncia ser apresentada pelo
promotor.
Em nota divulgada ontem em seu site, a Bancoop chamou a reportagem de
"fantasiosa".
Filiais
brasileiras salvam balanço de multinacionais
Operações no país
compensaram resultado fraco das companhias nos EUA e na Europa
Nos casos de Unilever e Nestlé, país passou a ser o 2º maior mercado, atrás
apenas dos EUA; Fiat já vende mais no Brasil do que na Itália
Mariana Barbosa
(Dinheiro)
O Brasil é a grande estrela da atual safra de balanços das multinacionais
-referente ao ano de 2009. Com a estagnação ou a retração das economias da
Europa e dos Estados Unidos, a força do mercado interno brasileiro, sobretudo a
partir do segundo semestre, contribuiu para melhorar o desempenho das
companhias nos mais diversos setores.
Com vendas de R$ 11,5 bilhões no ano passado, a Unilever Brasil subiu no
ranking da multinacional e alcançou a segunda posição, atrás apenas dos Estados
Unidos. Em 2004, o Brasil era a sétima subsidiária em faturamento. De acordo
com o vice-presidente corporativo, Luiz Carlos Dutra, o desempenho é resultado
da decisão da companhia de manter os investimentos, apesar da crise global.
"Fizemos mais de 60 inovações, investimos na expansão da fábrica de sabão
em pó no Nordeste e ampliamos a presença na mídia", diz Dutra.
Manter o ritmo de investimentos e ganhar mercado em ano de crise também foi a
estratégia da Nestlé Brasil, que em 2009 se transformou no segundo principal
mercado para a multinacional suíça, com vendas de R$ 15,5 bilhões. O país
galgou duas posições no ranking de faturamento, superando Alemanha e França e
ficando atrás apenas dos EUA.
Enquanto as vendas da Nestlé na Europa cresceram apenas 1,2%, nas Américas a
alta foi de 4,8% -sendo que no Brasil, isoladamente, o crescimento foi de 10%.
"O Brasil é uma prioridade para a Nestlé", afirmou o presidente da
Nestlé Brasil, Ivan Zurita, durante inauguração de uma nova fábrica em
Carazinho (RS).
Apesar de a Nestlé ter registrado uma queda de 42% no lucro líquido, o
resultado, turbinado pela performance nas Américas e na Ásia, ficou acima das
expectativas dos analistas.
Na AB Inbev, maior cervejaria do mundo, a contribuição do Brasil foi ainda mais
crucial. Enquanto no mundo todo as vendas de cerveja caíram 0,8% no ano
passado, no Brasil a empresa vendeu 9,9% mais. A Ambev, que é controlada pela
AB Inbev e produz as marcas Brahma e Skol, respondeu por 30,8% do Ebitda [lucro
antes de juros, impostos, depreciação e amortização] do grupo, que foi de US$
13 bilhões em 2009.
O estímulo às vendas de carros com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados)
fez do Brasil um dos únicos países a registrar crescimento nesse setor no
mundo: 11,4%. E, pela primeira vez na história, as vendas da Fiat no Brasil
superaram a da matriz. Foram 737 mil unidades, contra 722 mil na Itália. Há dez
anos, o mercado brasileiro era metade do italiano.
"A contribuição do Brasil foi bastante expressiva e em 2010 deverá ser
ainda maior, considerando que este será um ano ainda muito difícil na
Europa", disse, na semana passada, o presidente mundial do grupo Fiat, Sergio
Marchionne, que veio ao Brasil para inaugurar uma fábrica de máquinas agrícolas
em Sorocaba.
Para a Portugal Telecom, o Brasil também já superou a matriz. No ano passado,
51,1% do resultado da companhia teve origem no Brasil. A PT é dona de 50% da Vivo.
No último trimestre de 2009, as vendas da PT cresceram 18% no Brasil, para
905,3 milhões, enquanto em Portugal elas caíram 3,4%, para 846,7 milhões.
Na rede varejista francesa Casino, controladora do Grupo Pão de Açúcar,
enquanto na matriz as vendas recuaram 3,8%, na América do Sul cresceram 5,7%. O
desempenho nas vendas foi puxado por "uma excelente performance" no
Brasil. O crescimento sobre mesmas lojas no Grupo Pão de Açúcar foi de 12,7%.
Remessas
Apesar de o Brasil contribuir para salvar os balanços de multinacionais, as
empresas estrangeiras remeteram 30% menos lucros e dividendos às matrizes em
2009, na comparação com 2008. Dados do Banco Central mostram que essas empresas
enviaram US$ 17,7 bilhões no ano passado. Em 2008, foram US$ 25,3 bilhões.
"Houve um recuo por conta do baixo crescimento em 2009, mas a expectativa
para 2010, com a economia crescendo mais de 5%, é de retomar o patamar de 2008
e até superá-lo", afirma Luís Afonso Lima, presidente da Sobeet (Sociedade
Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais). Para este ano, o BC estima
remessas de US$ 30,2 bilhões.
Semana
trará indicadores de inflação e PIB do país
Investidores ficam
atentos aos papéis da Petrobras
Paula Nunes
(Dinheiro)
O mercado fechou a última semana otimista e registrando altas nas principais
Bolsas de Valores do mundo. Esse bom humor deve prevalecer durante os próximos
dias, visto que eles não virão recheados de indicadores impactantes.
No Brasil, a inflação continua em foco. Desta vez impulsionada pela expectativa
de crescimento robusto do país, percepção que já levou economistas a apostarem
em uma alta do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano maior que a projeção
oficial, de 4,5%. Grande parte dos analistas projeta que a expansão pode
atingir facilmente os 5%. A economia aquecida tende a pressionar os níveis de
capacidade instalada da indústria e, por consequência, refletir em alta
inflacionária.
Porém, o comportamento do consumidor dará pistas sobre a desaceleração da
inflação pelo gasto das famílias, e as pressões sazonais devem se refletir cada
vez menos na elevação desses índices. "Estamos notando um arrefecimento no
sistema de preços, uma espécie de trégua", diz Celso Grisi, presidente do
Instituto de Pesquisa Fractal.
Os investidores ficarão atentos hoje ao IPC semanal medido pela FGV (Fundação
Getulio Vargas). Ele sai juntamente com o IGP-DI, indicador de preços que
reflete mais os reajustes no atacado, com tendência de alta, porque já começa a
refletir futuras pressões previamente anunciadas. Uma delas é o reajuste do
preço do minério de ferro, que levará, por consequência, a altas nos preços do
aço e seus derivados, impactando toda a indústria. A primeira prévia do IGP-M
será divulgada na quarta-feira.
Dados do varejo sairão na quinta-feira e devem refletir os efeitos sazonais nas
compras. De qualquer maneira, analistas econômicos afirmam que o comércio tende
a crescer ao longo dos próximos meses.
A atenção dos investidores ao movimento das ações preferenciais da Petrobras na
BM&FBovespa deve continuar. Os papéis da estatal subiram 1,73% na última
sexta-feira e, segundo os analistas, tendem a permanecer em alta nos próximos
dias, período em que o projeto de lei que permite o uso do FGTS (Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço) na capitalização da companhia estiver tramitando
no Senado.
A elevação da taxa de juros é o maior alvo de especulações entre os
economistas. Uns apostam que a subida da taxa Selic, hoje em 8,75%, deve
começar agora em março, na próxima reunião do Copom. Outros já defendem que,
com a produção industrial ainda com espaço para crescer, o Banco Central pode
postergar para o final do segundo trimestre o ciclo de alta do índice.
Os resultados do PIB do quarto trimestre saem na próxima quinta-feira e a
expectativa de especialistas é que aponte um crescimento de 2,2% em relação ao
trimestre anterior.
Internacional
A Grécia continua preocupando o mercado. Embora seu impacto no curto prazo não
tenha sido suficiente para derrubar as Bolsas, persiste grande incômodo com o
dilema europeu. "O recuo da União Europeia em relação ao auxílio grego põe
em questão a solidez da moeda europeia", observa o economista Celso Grisi.
Dos EUA virão poucos dados na semana, com destaque para os resultados do
Orçamento do Tesouro e as vendas no varejo, que devem apresentar queda. Sairão
ainda informações de pedidos de seguro-desemprego. "É bem provável que o
consumo se recupere nos próximos períodos, embora o norte-americano ainda
esteja com medo de gastar", diz Grisi.
Valor
Econômico
Importações
mantêm trajetória de alta no início do ano
Sergio Lamucci
O
volume de importações segue em alta forte no começo de 2010, dando continuidade
à trajetória de expansão que ganhou fôlego na segunda metade do ano passado.
Impulsionado pela recuperação da economia e pelo dólar ainda barato, o
crescimento das compras externas é mais expressivo nos setores de bens
intermediários (insumos como produtos químicos, aço, borracha e plástico), bens
duráveis (como automóveis e eletroeletrônicos) e bens de capital.
Em
janeiro, o volume de importações de intermediários cresceu 3,5% em relação a
dezembro, enquanto o de duráveis subiu 5,1% e o de bens de capital, 4,6%, na
série ajustada pela LCA Consultores, com base em dados da Fundação Centro de
Estudos de Comércio Exterior (Funcex). A expectativa de empresários e
economistas é que a alta continue nos próximos meses, embora possa haver algum
arrefecimento no ritmo de expansão, especialmente se confirmada a moderação na
velocidade de crescimento da economia sugerida pelos indicadores dos últimos
meses, como aponta o economista Douglas Uemura, da LCA.
Responsável
por quase 60% da pauta de importações do país, as compras de bens
intermediários começaram a se recuperar no segundo trimestre de 2009, ganhando
força a partir de julho. Entre abril de 2009 e janeiro deste ano, o volume
importado de insumos cresceu 45,4%, na média móvel de três meses, conceito
usado para suavizar oscilações mensais. O indicador até janeiro é a média nos
meses de novembro, dezembro e janeiro. Um dos destaques são as importações de
produtos químicos, que no período subiram 45%, segundo a média trimestral.
O
gerente de comércio exterior da Associação Brasileira da Indústria Química
(Abiquim), Renato Endres, diz que a força das importações no começo do ano
surpreendeu o setor. Segundo dados da Abiquim, em janeiro, o volume importado
subiu 66,4% sobre o mesmo mês de 2009. A base de comparação é fraca, por causa
do impacto da crise no início do ano passado, mas ainda assim a alta é
significativa. Endres acredita que, neste ano, importações e exportações
voltarão ao patamar de 2008, tanto em valor como em volume. No caso do volume importado,
isso significa alta de 27,4% em relação a 2009.
O
economista-chefe da Funcex, Fernando Ribeiro, diz que as compras externas de
bens intermediários respondem principalmente ao aquecimento da atividade na
indústria. As importações de insumos costumam crescer em média três vezes mais
do que o ritmo de expansão da produção industrial. Se a indústria crescer de 8%
a 10% neste ano, as compras de intermediários tendem a aumentar de 24% a 30%.
"O câmbio tem algum efeito para elevar as importações de intermediários,
mas o que predomina é a atividade."
As
importações de bens de capital, que respondem por algo como 15% da pauta de
compras externas do país, demoraram um pouco mais para ganhar força. A reação
mais firme se deu apenas no terceiro trimestre do ano passado. Entre agosto de
2009 e janeiro deste ano, o volume importado subiu 16,7%, na média móvel de
três meses.
O
presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos
Industriais (Abimei), Thomas Lee, não esconde a satisfação com o desempenho
recente do setor. As empresas do segmento, segundo ele, fizeram compras
expressivas neste começo do ano, com o objetivo de ter estoque suficiente para
atender a forte demanda que se desenha para os próximos meses. Lee diz que as
importações em janeiro e fevereiro cresceram de "cinco a seis vezes"
em relação ao mesmo período de 2009. "Mas a alta fica distorcida, porque a
base de comparação era muito baixa, por causa da crise." Ele espera
expansão de 50% neste ano, depois da queda de 50% registrada em 2009. Ele
destaca a demanda expressiva da indústria automobilística e do setor agrícola.
Na
Trumpf, que traz para o Brasil máquinas fabricadas pelo grupo na Alemanha,
Áustria e EUA, o ano começou de modo promissor. Em janeiro e fevereiro, o
volume de vendas foi expressivo, chegando a cerca de dois terços do nível
observado nos meses de 2007 e 2008, anos de forte atividade e com alta
expressiva do investimento. Em janeiro de 2009, no auge do impacto da crise, a
empresa, que tem como um de seus grandes diferenciais máquinas de corte a
laser, de alta tecnologia, não vendeu nenhuma máquina. "A máxima de que os
negócios no Brasil só começam depois do Carnaval não valeu neste ano", diz
o gerente de vendas e marketing da Trumpf, Walter Mello. Para março, ele
acredita em vendas 50% superiores às registradas nos dois primeiros meses do
ano, o que significa voltar aos melhores momentos de 2007 e 2008.
A
alta mais expressiva de compras externas é a de bens duráveis, que viu a média
móvel de três meses subir 77,2% entre abril de 2009 e janeiro deste ano. O peso
desses produtos na pauta de importações, porém, é pequeno, de cerca de 5%.
Ribeiro diz que, no caso dos duráveis, o câmbio têm influência bem mais
significativa do que nos intermediários ou de capital. Na casa de R$ 1,80, o
dólar continua favorável às compras externas. Os automóveis são item importante
na importação de duráveis. As compras de veículos, reboques e carrocerias
cresceram 52,8% entre abril de 2009 e janeiro deste ano, na média móvel trimestral.
Os
números recentes não levaram Ribeiro a mudar as projeções para as importações
neste ano. Ele estima alta de 25% do valor das compras externas sobre 2009, dos
quais 23% devido ao aumento do volume importado. No caso das exportações, a
elevação deve ser de 10%, prevê Ribeiro, dos quais algo como 5% explicados pelo
volume. Para ele, o saldo comercial deve cair de US$ 25,3 bilhões em 2009 para
US$ 8 bilhões neste ano.
Professores
ameaçam parar em SP
Professores
da rede estadual de ensino devem iniciar hoje uma greve por melhores salários.
A presidente do Sindicato
dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp),
Maria Isabel Azevedo Noronha, afirmou que os professores comparecerão nas
escolas para orientar os pais de alunos, mas não darão aula.
A
decisão sobre a paralisação foi tomada por entidades que representam os
professores reunidas na sexta-feira, em uma assembleia realizada na praça da
República (região central de SP), que reuniu aproximadamente 5 mil pessoas. A
principal reivindicação dos professores, segundo Maria Isabel, é um aumento
salarial de 34,3%.
De
acordo com os organizadores, a manifestação foi motivada pela proposta do
governador José Serra (PSDB) de incorporar gratificações ao salário dos
professores. Pelos cálculos do sindicato, com esse projeto o reajuste salarial
da categoria ficaria entre 0,27% - para professores até a 4ª série do ensino
fundamental - e 0,59%.
A
Secretaria de Estado da Educação divulgou nota também na sexta-feira
classificando a greve como uma "decisão política" e afirmando que a
pauta de reivindicação da Apeoesp
é "inimiga da melhoria da qualidade da educação de São Paulo", uma
vez que seria contra provas de reavaliação de professores, e "só prejudica
o ensino público e é contrária aos próprios interesses dos professores".
"Esse
não é o ponto central dessa paralisação, estamos lutando por aumento de
salário. O que prejudica o ensino público é a política do governo"´, disse
Maria Isabel. A dirigente sindical Ela afirmou que o sindicato está orientando
os professores a não baterem ponto ao chegar nas escolas amanhã. Os professores
devem ficar nas escolas apenas orientando a comunidade sobre os motivos da
greve.
As
entidades de classe dos professores marcaram para o dia 12 mais uma assembleia
para decidir se a paralisação continuará na próxima semana. Não está descartada
para depois do encontro uma manifestação na avenida Paulista.
Centrais
sindicais desistem de buscar candidato único
João Villaverde
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva não foi, nem a ministra-chefe da Casa
Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência, e a inauguração da
nova sede da Força Sindical, em São Paulo, foi marcada pela decisão de que as
seis centrais sindicais terão liberdade para apoiar diferentes candidatos nas
eleições presidenciais deste ano. Assim, a ideia antes consensual, aprovada em
reunião entre CUT,
Força, UGT, NCST, CTB e CGTB em janeiro, de que as seis entidades apoiariam o
mesmo candidato, foi por água abaixo.
A
Central Única dos
Trabalhadores (CUT) tem posição fechada para a campanha presidencial - o presidente da CUT, Artur Henrique, iniciou
seu discurso ontem pela manhã com um "Bom Dilma" - mas centrais como
a Força Sindical e a União Geral dos Trabalhadores (UGT) lidam com disputas
internas. Na UGT, segundo Marcos Afonso de Oliveira, secretário de comunicação
da entidade, há em sindicatos importantes ligados à central "forte
influência" do PPS, partido que faz oposição ao governo federal. O
presidente da Força, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, declara voto em Dilma,
mas o primeiro vice-presidente, Melquíades Araújo, é filiado ao PSDB.
"A
Força tem gente de vários partidos. A grande maioria vai apoiar a Dilma, mas
nosso vice-presidente, por exemplo, vai votar no candidato do PSDB", disse
Paulinho. Ele não acredita que o atual governador de São Paulo, José Serra
(PSDB), será candidato. "O Serra ainda não anunciou a candidatura porque
tem dúvidas. Vai ser muito difícil alguém ganhar da Dilma, que é a minha
candidata", afirma. O presidente da Força, que também é deputado federal
pelo PDT, pertenceu, como vice-presidente, à chapa de Ciro Gomes nas eleições
de 2002, e em 2006 apoiou Geraldo Alckmin (PSDB) para presidente.
No
evento que inaugurou a sede da Força, os presidentes das seis centrais
reconhecidas pelo Ministério do Trabalho fizeram coro pela manutenção do
repasse do imposto sindical. A contribuição, cobrada de todo trabalhador
sindicalizado, passou a ser, desde 2008, repartida com as centrais. Nos últimos
dois anos, foram repassados R$ 146,6 milhões às centrais. A sede inaugurada
ontem foi a décima lançada no Estado de São Paulo desde 2008, e os custos de
compra e reforma, segundo informou a Força, foram de R$ 6 milhões. "Nós
levantamos essa sede", diz Paulinho, "com dinheiro do imposto
sindical". Segundo o dirigente, a entidade não cobra mais mensalidade dos
sindicatos ligados à central. "A Força hoje vive do imposto
sindical", afirmou.
Como
informou o Valor na sexta-feira, inaugurar sedes foi o principal fim dado pela
Força ao dinheiro repassado pelo governo. Ontem, líderes de centrais menores
afirmaram que pretendem seguir o mesmo rumo. "Em um ano e meio também
vamos comprar nossa sede", afirmou Wagner Gomes, presidente da Central dos
Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), entidade que recebe o
equivalente a um quinto do dinheiro da Força - no ano passado, a CTB recebeu R$
4,6 milhões do governo, enquanto a Força levou R$ 22,6 milhões. Todos os
dirigentes se disseram "confiantes" em relação à votação no Supremo
Tribunal Federal (STF) que definirá se esses repasses são constitucionais.
O Globo
PT
acusa Ministério Público de agir de forma partidária na investigação da Bancoop
Leila Suwwan
O
deputado federal Cândido Vaccarezza (PT-SP), líder do governo na Câmara, acusou
neste domingo o Ministério Público Estadual de São Paulo de agir de forma
"criminosa" e "partidária" na investigação do esquema da
Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop). Na quinta, o
promotor José Carlos Blat pediu a quebra do sigilo bancário de João Vaccari Neto
, dirigente licenciado da Bancoop e atual tesoureiro do PT, suspeito de
envolvimento no suposto desvio de recursos da entidade, que teria abastecido
campanhas do PT desde 2002.
-
É uma ação criminosa do promotor Blat. Criminosa porque tem um fundamento de
perseguição política e de campanha partidária - disse Vaccarezza neste domingo
pela manhã na inauguração da nova sede da Força Sindical, em São Paulo. Segundo
o líder do governo, não foi coincidência a veiculação da denúncia de
envolvimento pessoal de Vaccari na revista "Veja" um dia depois de o
PSDB iniciar a coleta de assinaturas para a instalação de uma CPI da Bancoop na
Assembléia Legislativa de São Paulo.
Blat
rejeitou as acusações e disse que atua em defesa das três mil famílias que
teriam sido lesadas pelo suposto esquema da Bancoop.
-
Eu lamento que as pessoas estejam falando a meu respeito. Eu não pertenço a
partido político, não sou filiado nem candidato. Meu trabalho prossegue,
independentemente de qualquer ataque. Estou acostumado com isso e não me abalo
- disse o promotor, que espera resposta sobre a quebra de sigilo bancário de
Vaccari a partir de segunda-feira.
Agência Brasil
Desigualdade
ainda pesa contra as mulheres no mercado de trabalho
Gilberto Costa
Brasília
- A segunda década do século 21 começa para as mulheres como terminou o século
passado. Elas trabalham mais e ganham menos, ainda que sejam mais qualificadas
do que os homens. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego
mostram que, no mercado formal, as mulheres de todos os níveis de escolaridade
ganham menos do que os homens com o mesmo grau de formação.
Entre
os analfabetos, a renda média mensal em 31 de dezembro de 2008 era de R$ 614,80
para os homens, enquanto para as mulheres trabalhadoras ficava em R$ 506,95.
Esse
fenômeno se verifica entre os trabalhadores com formação em nível superior. A
média salarial para esse grau de instrução, à época, era de R$ 3.461,82. No
caso dos homens, essa renda subiria para R$ 4.623,98. Se o assalariado fosse
mulher, o salário seria de R$ 2.656,47.
Para
o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, professor titular da Escola Nacional de
Ciências Estatísticas, ligada ao Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), existe no mercado de trabalho uma espécie de "segregação
ocupacional" na qual as mulheres estão em posições de menor prestígio,
formalização e proteção social.
A
socióloga Eva Blay, ex-senadora (PSDB-SP) e professora titular aposentada da
Universidade de São Paulo (USP), assinala que as mulheres estão subindo
lentamente na hierarquia dos postos do mercado de trabalho. Ela aponta que as
relações de trabalho ainda são marcadas pelo machismo. "O mercado resiste em
contratar uma mulher por medo de que ela não consiga se impor aos demais
trabalhadores homens."
Segundo
a acadêmica, ainda pesa contra as mulheres preconceitos como a falsa ideia de
que elas faltam mais ao serviço do que os homens.
Além
do trabalho fora de casa, as mulheres precisam se dedicar a atividades não
remuneradas, como os afazeres domésticos. Segundo dados do IBGE referentes a
2007, as mulheres de 10 anos de idade ou mais se dedicavam 22,3 horas semanais
aos afazeres domésticos contra 5,2 horas dos homens.
"Estamos
muito longe de ter uma cultura em que marido e mulher cooperem com esses
afazeres", lamenta Neuma Aguiar, professora de sociologia da Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG).
"A
gente é invisibilizada. Parece que lavar e consertar roupa, preparar comida ou
cuidar da pessoa doente estão descoladas da produção da riqueza, mas não
estão", critica Fátima Lucena, professora do Departamento de Serviço Social da
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
"Participamos
da produção da riqueza, mas na hora da distribuição perdemos muito mais do que
os homens", lamenta. Fátima Lucena, no entanto, faz uma autocrítica: "A mulher
não é somente vítima, mas também construtora das relações sociais".
A
socióloga Marlise Matos, chefe do Departamento de Sociologia da UFMG, concorda.
"Homens e mulheres são socializados em uma cultura tradicional, conservadora,
patriarcal, machista. Esse é o caldo cultural que não é privilégio dos homens.
Há um ciclo de retroalimentações do qual as mulheres têm responsabilidade
porque não quebram", avalia.
Aplicação
da Lei Maria da Penha esbarra em desigualdades regionais
Lisiane Wandscheer
Brasília - Apesar de já estar em vigor há mais de três anos, a Lei Maria da
Penha ainda enfrenta dificuldades de aplicação devido a desigualdades
regionais. É o que pretende mostrar um estudo coordenado pelo Observatório Lei
Maria da Penha, ligado à Universidade Federal da Bahia. A pesquisa irá traçar
um diagnóstico sobre a aplicação da lei em 26 capitais brasileiras e no
Distrito Federal.
"Queremos
contribuir para que a lei seja implementada de maneira efetiva. Nosso relatório
revelará as desigualdades regionais que impedem a implementação total da lei",
afirmou Márcia Gomes, coordenadora do estudo.
O
levantamento é realizado por um consórcio formado por 12 organizações não
governamentais e instituições de pesquisa brasileiras e avalia como as
delegacias especiais e juizados (criados após a Lei Maria da Penha) estão
funcionando.
A
maior parte dos juizados especiais de violência doméstica e familiar contra a
mulher está na Região Sudeste do país. No Norte e Nordeste, seis capitais ainda
não têm o órgão.
"Não
há juizados em Aracaju, João Pessoa, Teresina, Palmas, Boa Vista e Porto Velho.
Nestes locais os casos ainda são encaminhados para as varas criminais",
destacou a pesquisadora.
Na
primeira fase da pesquisa, concluída em 2009, foram analisadas cinco cidades,
uma de cada região - Belém, Brasília, Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
Os principais problemas encontrados foram a falta de estrutura, de capacitação
dos policiais que fazem o atendimento às vítimas e a inexistência de
sistematização dos dados sobre as ocorrências de agressão.
A
segunda fase da pesquisa deve ser concluída até o início do segundo semestre
deste ano.
A
Lei 11.340/2006 considera a violência doméstica e familiar contra a mulher uma
violação aos direitos humanos. Ela prevê, além de medidas punitivas aos
agressores, proteção à integridade física e assistência jurídica, social e
psicológica à vítima.
O
nome da lei foi uma homenagem à biofarmacêutica cearense Maria da Penha Maia
Fernandes, que ficou tetraplégica em função das agressões sofridas pelo marido.
Após anos de luta na Justiça, em 1998 o caso foi encaminhado à Comissão
Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos
(OEA). Em 2001, o Brasil foi condenado por negligência e omissão e obrigado a
pagar indenização a Maria da Penha.
Para
ONU, Lei Maria da Penha é uma das mais avançadas do mundo
Lisiane Wandscheer
Brasília
- A Lei Maria da Penha, que tornou mais rigorosas as penas contra crimes de
violência doméstica, é considerada pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações
Unidas para a Mulher (Unifem) uma das três leis mais avançadas do mundo, entre
90 países que têm legislação sobre o tema.
Em
vigor desde 2006, a lei trouxe várias conquistas, entre elas facilitou a
tramitação das ocorrências de violência doméstica e familiar contra mulheres
com a criação de juizados e varas especializadas. A primeira foi criada em
Cuiabá, onde atualmente existem duas varas, cada uma com cerca de 5 mil
processos em tramitação.
Segundo
a juíza Ana Cristina Silva Mendes, da 1ª Vara de Cuiabá, a implantação da lei aumentou
o registro de ocorrências.
"As
pessoas estão convencidas de que dá resultado, que não acaba em cesta básica.
Hoje se prende por ameaça, antes que vire homicídio. Bater em mulher era
cultural. Estamos mudando essa cultura", afirmou a juíza.
Já
a promotora de Justiça e coordenadora do Núcleo de Gênero Pró-Mulher do
Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MDFT), Laís Cerqueira,
destaca que a Lei Maria da Penha esbarra no aspecto punitivo.
"A
sociedade ainda não consegue ver a violência doméstica como um ato de violação
aos direitos humanos. Temos uma legislação avançada. Garante-se a proteção, mas
há dificuldades no aspecto punitivo. Existe resistência em se punir o homem
como autor da violência", destacou.
A
mulher vítima de agressão deve se dirigir a uma Delegacia Especial para
Mulheres (Deam). Após o registro, a delegacia tem 48 horas para encaminhar a
ocorrência ao juizado ou à vara especial que terá prazo igual para analisar e
julgar o caso.
Segundo
a promotora, hoje as mulheres podem registrar ocorrências policias de forma
tranquila e pedir medida de proteção, como o afastamento do marido do lar, a
proibição de contato e da visita aos filhos e a perda do porte de arma.
Entretanto, em alguns casos, os prazos de tramitação da ocorrência não são
cumpridos e muitas mulheres desistem da acusação.
"Na
prática esse pedido [de medidas de proteção] não é avaliado pelo juiz sem ter
uma audiência com a mulher, para verificar qual o tipo de agressão, se é
realmente necessário tirar o homem de casa. Isso, na minha avaliação, já é uma
violação à lei", argumentou.
A
promotora considera um retrocesso a decisão sobre a Lei Maria da Penha tomada
no dia 24 de fevereiro pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). A determinação
é de que o Ministério Público só poderá propor ação penal nos casos de lesões
corporais leves com a presença da vítima.
"A
alegação é de que sendo uma lesão leve, como olho roxo ou braço quebrado com
recuperação em menos de 30 dias, o Ministério Público não pode agir independentemente
da vontade da vítima, pois estaria interferindo na autonomia da mulher e talvez
impedindo uma reconciliação", criticou Laís Cerqueira.
O
Ministério Público do Distrito Federal pretende ir ao Supremo Tribunal Federal
contra a decisão.
Petrobras
firma contratos para implementação do Complexo Petroquímico do Rio
Nielmar de Oliveira
Rio -
A Petrobras firma hoje (8) em Itaboraí, na região metropolitana do Rio, mais
quatro contratos para a implementação do Complexo Petroquímico do estado
(Comperj). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da cerimônia.
Os
contratos destinam-se à construção das unidades de Destilação Atmosférica a
Vácuo e Hidrocraqueamento Catalítico do complexo. Será firmado ainda um aditivo
contratual com a Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae), além de um acordo
de cooperação entre os ministérios das Cidades e de Minas e Energia, o Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Caixa Econômica
Federal (CEF) e a própria companhia.
A
empresa esclareceu que o contrato com a Cedae é para a construção de uma
adutora pela Petrobras, tendo como contrapartida o fornecimento de água tratada
para as obras do Complexo Petroquímico. Segundo o diretor de Abastecimento e
Refino da companhia, Paulo Roberto Costa, o convênio envolve investimentos de
R$ 56 milhões. "Com a obra concluída, o suprimento de água potável será
disponibilizado para a região de Itaboraí", disse Costa.
Paulo
Costa disse que o acordo de cooperação tem como objetivo "viabilizar a atuação
dos participantes, de forma articulada, para o planejamento, detalhamento e
coordenação de ações e investimentos voltados à promoção do desenvolvimento,
com inclusão social e responsabilidade socioambiental, no âmbito das
administrações municipais do Consórcio Intermunicipal da Região Leste
Fluminense (Conleste)".
O
acordo prevê a viabilização de projetos de infraestrutura urbana e social,
saneamento, transporte, educação e habitação. De acordo com o executivo, haverá
um plano diretor para cada município e um plano diretor regional, "que servirá
de embasamento para que o convênio tenha condição de direcionar recursos à
infraestrutura necessária", acrescentou.
Participa
ainda da assinatura dos contratos o ministro das Cidades, Marcio Fortes.
Vooz.com.br
No dia de
luta das mulheres, rosa, só se for a Luxemburgo
Marcha de Campinas a São Paulo reunirá cerca de 2 mil
mulheres por dez dias; ação faz parte de mobilização internacional
Dafne Melo
A partir do dia 8
de março, centenas de mulheres começam a marchar de Campinas (99 km de SP) a
capital paulista, em uma mobilização que pretende durar dez dias. Para muitas,
porém, a caminhada já começou.
"Já estamos em
marcha, organizando as caravanas dos Estados e toda a infra-estrutura", explica
Sônia Coelho, da Sempreviva Organização Feminista (SOF). A mobilização faz
parte da 3º Ação Internacional da Marcha Mundial de Mulheres, organização que
aglutina movimentos feministas nos cinco continentes. No Brasil, diversos
movimentos sociais e organizações se juntam à ação, como o Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a União
Nacional dos Estudantes (UNE), o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), a
Articulação do Semi-Árido (ASA) e Consulta Popular, dentro outros.
O evento tem
caráter nacional e conta com a participação de mulheres de todos os Estados
brasileiros.
Sônia explica que além
de pautar as reivindicações das mulheres, a marcha pretende ser um momento de
formação para as militantes. A caminhada acontecerá sempre pelas manhãs e pela
tarde serão organizados debates e painéis com temas relativos às lutas mais
urgentes do movimento feminista.
Pautas
Dar visibilidade
social às pautas feministas e articular movimentos de mulheres de diferentes
naturezas em torno de uma plataforma de luta comum são dois dos principais
objetivos da marcha, além da criação de espaços de formação politica.
A plataforma de
luta está centrada em quatro grandes temas: autonomia econômica das mulheres,
luta contra violência sexista, luta contra privatização da natureza e dos
serviços públicos e paz e desmilitarização. De acordo com Tatau Godinho,
militante da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), os debates e articulações em
torno dos temas serão ricos justamente por colocar em um mesmo espaço a
perspectiva que mulheres de diferentes setores - estudantil, rural, sindical,
do movimento negro, etc - têm sobre esses temas.
De acordo com Sônia
Coelho, as discussões feitas ao longo dos 10 dias devem ser sistematizadas em
um texto que deverá ser entregues para os governos federal, estaduais e
municipais. "Queremos detalhar essas reivindicações no processo da marcha",
aponta Sônia.
A organização
espera que pelo menos 2 mil mulheres marchem durante os 10 dias. Toda a
estrutura, desde a montagem e desmontagem de barracas, cozinha, organização dos
debates será elaborada somente por mulheres.
Auto-organização
Tatau Godinho,
militante da MMM, explica que o espaço de formação não se dá apenas nos
debates, mas também no próprio processo de auto-organização das mulheres na
construção da marcha. "A existência de um movimento de mulheres forte depende
de nossa capacidade de auto-organização, por isso a importância de realizar uma
marcha dessa magnitude. Temos dito às companheiras que ainda não sabem se
poderão marchar o quanto essa experiência é insubstituível".
Sônia Coelho, da
SOF, agrega que o momento também é propício para gerar solidariedade entre as
companheiras de diferentes movimentos.
A presença
masculina não é proibida durante a marcha, mas a infra-estrutura - alimentação,
banheiros, barracas, transporte de bagagem, etc - será oferecida somente às
mulheres. "A presença dos companheiros é muito bem vinda nos atos de lançamento
e de chegada que vamos organizar", diz Sônia. "Mas precisamos nos fortalecer
entre nós mesmas para enfrentar as desigualdades de gênero que existem na
sociedade e que se reproduzem dentro das organizações de diversas formas",
finaliza.
África
A 3º Ação
Internacional da MMM acontecerá durante todo o ano, mas se concentrará em dois
meses: março e outubro. Nesse primeiro mês serão feitas mobilizações nacionais
simultâneas.
Em outubro, uma
ação internacional reunirá militantes de diversos países na República
Democrática do Congo, na região da província de Sud-Kivu, que se centrará na
questão da paz e desmilitarização, denunciando a situação a que estão
submetidas as mulheres nessa região, onde a violência contra as elas têm sido
usada como arma de guerra. "Calcula-se que 70% das mulheres e adolescentes
dessa região já tenham sofrido violência sexual", protesta Sônia Coelho.
Em agosto, na
Colômbia, um encontro contra a guerra e pela paz pretende reunir lutadoras de
todo continente para discutir a militarização. Na Europa, o encontro ocorrerá
em junho, na Turquia, e na Ásia o local escolhido foi Filipinas, onde os
debates ficarão em torno da luta contra o livre comércio, instalação de bases
militares e tráfico de mulheres.
Rádio Web
- Jornal Brasil Atual
CUT
Cidadã Mulher leva 30 mil pessoas a parque de Campinas
O
Dia Internacional da Mulher chegou mais cedo para mulher, mãe e trabalhadora de
Campinas e região. Realizado neste domingo, 7 de março, o CUT Cidadã
disponibilizou gratuitamente para o campineiro uma gama de 23 serviços sociais,
debates sobre questões de igualdade da mulher e shows com grandes artistas. Adi
dos Santos Lima, presidente da CUT-SP, lembra que a Central tem uma secretaria
especialmente para as questões da mulher. Sônia Auxiliadora, secretária da Mulher
Trabalhadora da CUT-SP, pondera que a mulher trabalhadora vem ao evento de
massa porque acredita no trabalho da CUT e porque sabe que precisa bem mais do
que já conquistou. Para ouvir acesse:
http://www.jornalbrasilatual.com.br/pop-player.asp?nm_caminho_audio=boletim%5Fmateria%5F2010%5F3%5F8%5F7%5F20%5F6%5F21%2Ewma&nm_audio=Cut+Cidad%E3+Mulher+leva+30+mil+pessoas+a+parque+de+Campinas
Fundação
Seade analisa participação da mulher no mercado de trabalho
A
ocupação entre as mulheres que vivem na região metropolitana de São Paulo
sempre apresentou índices menores aos masculinos. Porém, após a crise
financeira internacional de 2008 essa diferença recuou em comparações com os
anos anteriores. O motivo dessa redução pode ser explicado pela maior intensidade
da crise no setor industrial e exportador, onde a mão-de-obra é majoritariamente
masculina. O estudo preparado pela fundação Seade também registra que a taxa de
desemprego total das mulheres diminuiu pelo sexto ano consecutivo, passando de
16,5% em 2008 para 16,2% no ano passado. Para ouvir acesse:
http://www.jornalbrasilatual.com.br/pop-player.asp?nm_caminho_audio=informe%5Fcut%5F2010%5F3%5F8%5F7%5F31%5F24%5F54%2Ewma&nm_audio=Funda%E7%E3o+Seade+analisa+participa%E7%E3o+da+mulher+no+mercado+de+trabalho