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Clipping 09/03/10

Escrito por William Pedreira
09/03/2010

Edição nº 1535 terça, 09 de março de 2010
Fechamento: 08:55


Edição número 1535 terça-feira, 09 de março de 2010

 

 
Fechamento: 08h55

 

Veículos Pesquisados:

 

Clipping CUT é um trabalho diário de captação de notícias realizado pela equipe da

Secretaria Nacional de Comunicação da CUT. Críticas e sugestões com

Leonardo Severo (leonardo@cut.org.br)

Isaías Dalle (isaias@cut.org.br)

Paula Brandão (paula.imprensa@cut.org.br)

Luiz Carvalho (luiz@cut.org.br)

William Pedreira (estagio.imprensa@cut.org.br)

Secretária de Comunicação: Rosane Bertotti (rosanebertotti@cut.org.br)





O Estado de S.Paulo



Ciro diz que quer Planalto, mas foca SP
Deputado lista problemas para justificar oposição a tucano

Moacir Assunção (Nacional)
 
Embora negue que vá ser candidato ao governo de São Paulo, conforme deseja o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) tem um discurso pronto para a ocasião. Ciro, que esteve ontem no Programa do Ratinho, do SBT, enumerou as críticas que faria ao PSDB, que dirige o Estado há 16 anos, caso aceitasse a candidatura - hipótese que vê como "remotíssima".

O deputado do PSB, que é pré-candidato à Presidência, listou problemas como o trânsito em São Paulo, as enchentes e a greve dos professores para justificar a oposição ao governo de José Serra.

"Com o trânsito, o trabalhador está fazendo uma terceira jornada e isso vai piorar cada vez mais", comentou. "Com relação às enchentes, as manchetes são as mesmas de 2005 e as pessoas também são as mesmas, um exemplo é o atual secretário de Educação do governo, Paulo Renato Souza, que foi ministro da mesma pasta."

VAIVÉM
Mesmo insistindo que não vai concorrer ao governo do Estado, o deputado negou-se a descartar de vez a candidatura. "Na vida, fora a morte, tudo pode mudar", analisou. "Se eu transferi o meu título para São Paulo, deixei essa possibilidade em aberto", disse.

Até junho, Ciro promete definir a candidatura. Voltou a negar, entretanto, que o presidente Lula lhe tenha pedido para desistir do pleito presidencial. "Ele jamais faria isso", afirmou.

 
Crise afeta cinquentenário de Brasília, que terá comemoração mais modesta

Rafael Moraes Moura (Nacional)

Os 50 anos de Brasília serão comemorados com uma festa menor que a originalmente concebida, sem atrações estrangeiras - e com um dos principais cartões-postais da cidade, a Catedral, ainda em obras. O anúncio oficial da programação será feito hoje. Entre as atrações confirmadas pelo governo do Distrito Federal estão os grupos NX Zero, Bruno & Marrone e Paralamas do Sucesso. O governo do DF pretende desembolsar até R$ 10 milhões pelo evento, metade do prometido inicialmente pelo governador afastado José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), preso desde 11 de fevereiro na Superintendência da Polícia Federal. Os organizadores prometem uma festa mais enxuta na Esplanada dos Ministérios e buscam apoio da iniciativa privada para reduzir custos.

Os preparativos foram prejudicados pela crise do "mensalão do DEM". O Comitê Executivo dos 50 anos de Brasília era presidido por Paulo Octávio (sem partido, ex-DEM), o vice que assumiu o governo após a prisão de Arruda e acabou renunciando. Há duas semanas, o atual governador em exercício, Wilson Lima (PR), encontrou-se com integrantes do comitê e prometeu analisar a proposta para a festa.

"Uma cidade que comemorou 47, 48, 49 anos, como não vai comemorar os 50 anos?", questionou o secretário de Cultura, Silvestre Gorgulho. "O Brasil tem de distinguir Brasília da política."

O Palácio do Planalto, que no momento passa por restauração, deverá ser entregue no dia 21 de abril para o aniversário de 50 anos, informou a Secretaria de Imprensa da Presidência. Já a Catedral ficará pronta só em junho. Segundo a Secretaria de Obras do DF, o cronograma está dentro do previsto. A Catedral deve abrir para visitação no dia do cinquentenário, mesmo precisando de ajustes finais de acabamento.
 

Governo anuncia hoje propostas para marco regulatório da mineração

Leonardo Goy (Economia)

As propostas para o novo marco regulatório da mineração, que o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, anunciará hoje, às 15 horas, deverão incluir mudanças bem menos drásticas e polêmicas do que as que vinham sendo comentadas nos últimos meses pelo próprio ministro.

Segundo uma fonte do governo, o modelo a ser apresentado nesta terça-feira não deverá trazer, por exemplo, a criação de uma nova estatal para atuar na produção de fertilizantes, tampouco o aumento dos royalties cobrados do setor mineral.

Ao longo dos últimos meses, em mais de uma ocasião Lobão acenou com mudanças nos royalties, que poderiam ser compensadas com a redução de outros impostos. Mas, segundo duas fontes, uma do governo e outra da iniciativa privada, os Ministérios de Minas e Energia e da Fazenda não chegaram a um consenso e é por isso que nenhuma medida que onere ou desonere o setor deverá ser anunciada hoje.

Em entrevista recente à Agência Estado, Lobão chegou a dizer que seria criada uma taxa para iniciar a produção de cada jazida e também uma participação a ser paga ao governo. A fonte governamental, entretanto, disse que esses temas não devem estar no pacote a ser divulgado.

A estatal também deve ficar de fora. O próprio Lobão já havia anteriormente confirmado que havia estudos para a criação de uma empresa que atuaria no setor de fertilizantes. A nova empresa era um pleito do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, mas a medida foi amplamente criticada pela iniciativa privada e pela oposição.

A avaliação feita por técnicos do Ministério de Minas e Energia é que a maior parte das reservas de matérias-primas de fertilizantes já foi concedida para outras empresas, incluindo a Petrobrás e, por isso, não haveria jazidas suficientes para alimentar uma nova companhia.


MAIS RIGOR
O que Lobão deve anunciar hoje são medidas para aumentar o rigor da concessão de lavras. O governo quer evitar a especulação do setor. Uma expressão recorrente usada por técnicos do governo é que há investidores que "sentam em cima" da concessão, esperando que ela valorize para revendê-la, sem produzir. Para evitar isso, o novo marco deverá, por exemplo, proibir a concessão de jazidas a pessoas físicas.

Além disso, será estabelecido um prazo de 35 anos para a exploração das novas reservas. Hoje, não há um limite fixado para a exploração, o que permite a especulação.

Já no caso da pesquisa, o prazo vai passar de três para cinco anos, com a diferença de que doravante serão limitados os casos em que o prazo poderá ser prorrogado.

Para regular o setor, o governo vai extinguir o atual Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), responsável pela entrega das autorizações, e substituí-lo pela Agência Nacional de Mineração, que deverá usar a sigla ANM.

O quadro funcional do DNPM será transferido para a nova agência, num processo semelhante ao que levou à transformação do extinto Departamento de Aviação Civil (DAC) na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).


Investimento da Petrobrás deve ficar 37% além do previsto no ano
Previsão é de que o valor atinja a casa dos R$ 85 bilhões, segundo a ministra Dilma Rousseff

Kelly Lima (Economia)

Os investimentos da Petrobrás em 2010 podem ficar na casa dos R$ 85 bilhões, disse ontem a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que preside o conselho de administração da estatal. O volume é 37% maior do que a média anual prevista no plano de negócios da companhia, anunciado no ano passado. O documento, que está sendo revisado, projeta aporte de US$ 174,4 bilhões entre 2009 e 2013.

Ao fim do terceiro trimestre do ano passado, o diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, havia afirmado que já em 2009 os investimentos totais seriam superados. O volume investido no ano passado será conhecido no balanço financeiro da companhia, que deve ser divulgado no dia 19.

O valor do investimento foi citado pela ministra em comentário sobre o crescimento da empresa ao longo dos últimos anos. "Eu tive a honra de ser convidada pelo presidente Lula para ser a presidente do conselho da companhia desde meu primeiro dia no governo e pude acompanhar essa evolução. A Petrobrás não estava bem colocada e saltou para a segunda colocação no mundo", comentou Dilma, em discurso durante evento para a assinatura de contratos para a realização de obras no Complexo Petroquímico do Rio (Comperj).

Ela destacou diretamente a conduta do presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli (ausente no evento), como fundamental para que esse salto ocorresse. "Isso não aconteceu nem por acaso nem por sorte. A posição de política firme do presidente da Petrobrás definiu que a companhia primeiro ia contratar no Brasil todas as máquinas que pudesse. Uma plataforma custa mais de US$ 2 bilhões. Esses US$ 2 bilhões eram contratados lá fora, e com eles todos os empregos que poderiam ser gerados aqui."

PRÉ-SAL
Se confirmados os planos de investimentos de R$ 85 bilhões para este ano e considerando esse valor como média anual para o Plano de Negócios da companhia para 2010-2014, os atuais US$ 174,4 bilhões teriam um salto de 35%, para algo em torno de US$ 230 bilhões. No mercado, é praticamente consenso que o novo plano da companhia vai abrigar investimentos superiores a US$ 200 bilhões para um período de cinco anos.

Além dos investimentos superiores a US$ 60 bilhões nas refinarias que serão construídas no Rio de Janeiro e no Nordeste, o novo plano também deverá elevar significativamente o volume de investimentos destinados ao pré-sal. Os valores ainda não têm nenhuma estimativa de analistas. Pelo atual plano, há uma projeção de US$ 111 bilhões até 2020.

O novo plano de investimentos da Petrobrás seria divulgado até o fim do primeiro trimestre, mas a estatal aguarda a aprovação do novo marco regulatório no Congresso Nacional. Agora, a companhia trabalha com o primeiro semestre como prazo, já que espera também uma melhor definição sobre o seu processo de capitalização.

Segundo afirmou recentemente o diretor financeiro da empresa, se a capitalização ocorrer até meados do ano, a Petrobrás não precisará tomar o financiamento de R$ 20 bilhões disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para cumprir seu programa de investimentos.


 

Folha de S.Paulo


Para defender candidata, Lula ataca imprensa (Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou ontem a imprensa ao defender a presença da ministra Dilma Rousseff, pré-candidata à Presidência, na inauguração de hospital que não recebeu verba do governo federal.

Para o petista, "a imprensa brasileira não gosta de falar de obras inauguradas". "Ou seja, coisa boa não interessa, o que interessa é desgraça."

Dilma foi no domingo à inauguração do Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti. Em discurso ontem na Rocinha, na zona sul do Rio, Lula disse que o Estado só construiu o hospital porque o governo federal o apoia em outras áreas.

"Fizemos parceria, sobrou dinheiro para o Sérgio [Cabral, governador] fazer hospital", disse. O Planalto divulgou nota dizendo que a compra de medicamento e material, de R$ 80 milhões anuais, será compartilhada.

Lula e Dilma inauguraram Complexo de Atendimento à Saúde e centro esportivo na favela. Ele disse que os moradores não eram tratados com "dignidade". "Na Rocinha deve ter algum bandido. Mas quem disse que não tem em Copacabana?"


Cuba diz rejeitar "chantagem" e "pressão" por jejum de opositor (Mundo)

O regime cubano não "aceitará pressões nem chantagens" no caso do dissidente em greve de fome Guillermo Fariñas, 48, disse ontem o jornal estatal "Granma", em sua primeira menção ao jejum -que hoje completa 14 dias- do opositor.

Para o jornal, que fala em nome do regime castrista, a consequência da greve de fome "será de inteira responsabilidade" do dissidente, que faz jejum para pedir a libertação de 26 presos políticos doentes e para honrar o também opositor Orlando Zapata Tamayo, morto no dia 23 após 85 dias de greve de fome. O caso Zapata elevou a pressão externa sobre a ilha.

O "Granma" criticou a mídia estrangeira por dar "atenção à mentira" de Fariñas, que por sua vez disse que o jornal tenta "desacreditar" sua imagem. Segundo Fariñas, Havana pediu a Madri que o levasse a solo espanhol, o que fontes diplomáticas disseram que a Espanha está disposta a fazer. Fariñas disse que se nega a deixar Cuba.


Brasil é único que recua em comércio exterior, diz ONU (Dinheiro)

O Brasil é a única grande economia cujo comércio exterior continuou despencando nos últimos meses, destaca relatório divulgado pela Organização Mundial do Comércio com a Unctad (braço da ONU para comércio e desenvolvimento).

O texto não se estende sobre as causas do movimento, mas o gráfico mostra as exportações e importações em dezembro pouco acima dos US$ 10 bilhões cada uma, contra mais de US$ 20 bilhões em exportações e mais de US$ 17 bilhões em importações em julho de 2008.

Segundo o levantamento, o comércio global voltou a crescer após cair estimados 12% em 2009, com um avanço de 4,8% em volume de novembro para dezembro.


Investimento em mineração recua em 2009
Requerimentos para pesquisa, 1º passo para explorar nova área e indicativo da disposição do setor privado em investir, caem 47%

Setor privado e governo atribuem queda à crise e negam relação com novo modelo para a mineração, que deve ser anunciado hoje

Humberto Medina (Dinheiro)

Às vésperas do anúncio do novo modelo para a mineração, o setor teve queda de 47,1% na quantidade de requerimentos de pesquisa em 2009. O requerimento é o primeiro passo para explorar uma nova área e um bom indicativo da disposição do setor privado de investir.

Os números do Ministério de Minas e Energia também indicam redução no faturamento global de mineração e metalurgia, que caiu 17,6%, passando de US$ 125 bilhões para US$ 103 bilhões no ano passado.

Tanto o governo como o setor privado apontam a crise mundial como explicação para os números ruins. A avaliação, com base no comportamento da indústria no final de 2009 e no início deste ano, é que está havendo recuperação.

"O setor vinha em um ritmo de crescimento sustentável desde o início do século, até a queda no ano passado", afirma Fernando Lins, diretor do Departamento de Tecnologia e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia. Ele ressaltou que os números do ministério são preliminares e poderão ter ajustes.

Para Lins, a queda de faturamento e a redução no número de requerimentos estão diretamente relacionados à crise. "Houve redução de demanda, e mineração é uma atividade que requer muito investimento."

De acordo com ele, não há relação direta entre o fato de o governo ter anunciado que iria modificar o marco legal do setor, que deve ser divulgado hoje, e a redução abrupta na quantidade de requerimentos de pesquisa.

Para Antônio Lannes, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), a razão para a piora do desempenho do setor no ano passado também é a crise financeira mundial.

Ele avalia, no entanto, que já há sinais de melhora. "Os primeiros meses deste ano já demonstram recuperação." Segundo Lannes, o plano de recuperação da economia chinesa, com investimentos pesados em infraestrutura, foi fundamental para reativar a demanda.

A metalurgia, atividade de manufatura dos minérios, que gera produtos com maior valor agregado, foi mais afetada do que a mineração. A produção de aço caiu 21,3%, e a de ferro-gusa foi reduzida quase à metade (queda de 47%). A mineração de ferro, por outro lado, teve queda menor, de 7%.

Contramão
Nem toda a mineração foi afetada negativamente pela crise mundial. A produção de ouro, por exemplo, cresceu 5,5% (foi de 54 para 57 toneladas). "Isso acontece porque, em tempos de crise e instabilidade, o ouro passa a ser um investimento procurado", diz Lannes.

Outro setor que não foi atingido pela crise é o de agregados (areia e brita, principalmente). Fortemente ligado à construção civil, esse setor teve bom desempenho. "Houve as obras do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] e agora haverá Copa e Olimpíada. Esse segmento não verá crise tão cedo", afirmou o executivo.

A produção de areia e de brita aumentou 8%. A argila para cerâmica também faz parte desse setor, mas a produção caiu 2%.


Cai diferença de jornada entre homens e mulheres, diz IBGE
Mesmo com avanço da escolaridade, diferença de renda persiste em cerca de 30%

Pedro Soares (Dinheiro)

Cada vez mais presentes no mercado de trabalho, as mulheres já cumprem uma jornada semanal média pouco menor do que a dos homens, embora seu rendimento tenha correspondido a apenas 72,3% do masculino no ano passado.

Elas se ocupavam, em média, 38,9 horas semanais, somente 4,6 horas semanais a menos do que os homens -essa diferença era de 5,2 horas em 2003.

Tal perfil é retratado pelo estudo "Mulher no Mercado de Trabalho: Perguntas e Respostas", divulgado ontem pelo IBGE, no Dia Internacional da Mulher, e feito com base na Pesquisa Mensal de Emprego.

Apesar de mais escolarizadas, as mulheres ganham menos do que os homens e tal situação pouco mudou ao longo dos últimos anos. Em 2003, a renda média delas representava 70,8% do rendimento masculino. Em 2009, o rendimento do trabalho das mulheres foi de R$ 1.097,93, inferior ao dos homens -R$ 1.518,31.

Isso ocorre mesmo com o nível maior de qualificação da força de trabalho feminina, segundo o IBGE, e as razões são principalmente culturais.

Pelos dados da pesquisa, 61,2% tinham 11 anos ou mais de estudo, acima dos 53,2% dos homens. Isso é reflexo do fato de que as mulheres, em geral, passam mais tempo na escola.

Nem mesmo conforme avança a escolaridade as diferenças se diluem. Considerando um grupo com a mesma escolaridade e do mesmo grupamento de atividade, a distância entre os rendimentos persiste na mesma faixa dos 30%.

Segundo o IBGE, a renda da população masculina era superior à feminina mesmo para quem tinha curso superior.

De acordo com a pesquisa, 59,8% das mais de 1 milhão de mulheres desempregadas nas seis principais regiões metropolitanas do país tinham mais de 11 anos de estudo. Em 2003, o percentual era menor: 44,7%.

Ocupações
Os dados mostram ainda que as mulheres estão mais inseridas e são a maioria apenas na administração pública (por causa dos serviços de saúde e educação, onde têm presença forte) e nos serviços domésticos -nessa categoria, representavam 94,5% do total.

Nas demais atividades econômicas, elas são minoria: indústria, comércio, serviços prestados às empresas, outros serviços e construção civil -nesse caso, 94,9% dos trabalhadores são homens.




Valor Econômico


Inflação sobe no atacado com forte pressão nos insumos industriais

João Villaverde

A inflação no atacado alcançou, em fevereiro, o terreno positivo no acumulado em 12 meses. Até janeiro, o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP?DI) acumulava queda de 0,23%, mas, com a elevação de 1,09% verificada em fevereiro, o acumulado em 12 meses passou a 0,77%. A alta de fevereiro praticamente repetiu o registrado no primeiro mês do ano - 1,01%. Puxado por alta nos preços agrícolas, principalmente nos insumos para produção industrial, os fabricantes aproveitaram os primeiros meses do ano para recompor margens perdidas na crise.

Dentre os índices calculados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) para o atacado, o IGP-DI é o que capta o movimento mensal, uma vez que seu período de coleta vai do primeiro ao último dia do mês - diferentemente do IGP-M, que registra a variação entre o dia 20 de um mês e o dia 10 do mês seguinte. Assim, no primeiro bimestre, a alta de preços no atacado foi de 2,1% - revertendo, assim, a deflação histórica registrada em 2009, de -1,73%. Sustentados por uma atividade que se acelera, os reajustes de preços, no entanto, não devem manter o mesmo ritmo. Para analistas consultados pelo Valor, é "altamente improvável" que os valores verificados em janeiro e fevereiro sejam repetidos ao longo do ano.       O começo de 2010 concentrou, além das pressões sazonais em custos com material escolar, alta nos preços das commodities - cujo preço é negociado internacionalmente -, desvalorização cambial e manutenção do mercado interno aquecido. Assim, segundo os analistas, a necessidade reprimida, por parte dos produtores nacionais, de repor parte dos preços que desabaram no auge da crise mundial, ganhou espaço para acontecer. "Além disso, todo começo de ano ocorre aquele fenômeno gregoriano, quando o vendedor aumenta um pouquinho o preço simplesmente porque o ano mudou. É uma espécie de resquício da memória inflacionária em menor escala", avalia Fabio Silveira, economista da RC Consultores.

O dado que serve como termômetro para a recuperação da atividade econômica, avalia Salomão Quadros, coordenador de análises econômicas da FGV, é o subgrupo materiais para manufatura. Neste item, diz Quadros, estão alocados os insumos que a indústria utiliza para produzir. Agrupa desde farinha de trigo até produtos siderúrgicos, passando por ácidos usados para produzir fertilizantes e fios de fibras artificiais. Em fevereiro, esse subgrupo acusou alta de 2,8%, vindo de uma alta já expressiva em janeiro, quando registrou 2,1%.

"O resultado no período é simbólico, porque até novembro o índice estava no negativo", diz Quadros. Em novembro do ano passado, o preço de materiais para manufatura havia recuado -0,16% e, em dezembro, apresentara tênue melhora, com alta de 0,12%.

O ácido sulfúrico, utilizado na produção de fertilizantes, teve alta de 41,8% no mês passado e, no bimestre, acumula alta de 61,3%. "Uma alta forte, mas que ainda não recuperou as perdas registradas em 2009", afirma Quadros. No acumulado em 12 meses, o preço do aço sulfúrico ainda apresenta queda de 5,5%. Da mesma forma, a placa de aço, outro insumo muito requerido na construção civil, indústria automobilística e de eletrodomésticos, viu seu preço de uma tonelada saltar de R$ 422 para R$ 503, entre janeiro e fevereiro.

O câmbio teve papel importante nesse processo, avaliam os economistas. No ano passado, quando o dólar passou de R$ 2,33 a R$ 1,74, não havia muito espaço para reajustes de preços, uma vez que o importado ficou 25,3% mais barato, apenas com a valorização cambial. No começo deste ano, no entanto, houve desvalorização - o dólar chegou a valer R$ 1,87, no início de fevereiro. "A desvalorização deu espaço para maior recomposição de preços, porque a demanda interna não cessou", diz Silveira, para quem "essa alta mensal, no atacado e no varejo, não vai continuar ocorrendo".

O economista cita o caso do álcool, que pressionou os IGPs e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), entre o fim de 2009 e o começo deste ano. "Nos 30 dias entre o início de fevereiro e a semana passada, o álcool anidro caiu 15% e o hidratado perdeu 19%", diz Silveira. "É um sinal de que mesmo problemas de safra, no caso, de cana-de-açúcar, estão sendo resolvidos conforme a safra de 2010 é despejada no mercado."


Diferença salarial cresce em cargo de nível superior

Completar o nível superior não garante às mulheres a equiparação salarial aos homens. Pelo contrário, revela estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado ontem, Dia Internacional da Mulher. A diferença salarial para os homens aumenta no grupamento de mulheres com mais anos de estudo. "A escolaridade de nível superior não aproxima os rendimentos recebidos por homens e mulheres. Pelo contrário, a diferença acentua-se", informa o estudo "Mulher no mercado de trabalho: Perguntas e respostas", feito com base na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) de 2009.

No setor comercial, por exemplo, a diferença de rendimento para a escolaridade de 11 anos ou mais de estudo é de R$ 616,80 a favor dos homens. Já na comparação entre empregados com nível superior, a diferença vai a R$ 1.653,70.

No geral, a diferença entre salários de homens e mulheres recuou em 2009. Em média, o rendimento da mulher é de R$ 1.087,93, o equivalente a 72,3% dos R$ 1.518,31 recebidos pelos homens. Na comparação com os dados de 2008, houve leve redução nessa diferença, já que as trabalhadoras recebiam 70,8% do rendimento dos homens naquele ano.

As mulheres inseridas no mercado de trabalho são mais qualificadas do que os homens. Do total de mulheres ocupadas, 19,6% têm nível superior completo. Entre os homens, a proporção é menor, não passando dos 14,2%. Com o ensino médio completo, eram 61,2% das trabalhadoras. Entre os homens, essa proporção é de 53,2%.


Vaccari vai denunciar promotor

Paulo de Tarso Lyra e Cristiane Agostine

O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, vai denunciar o promotor João Carlos Blat na corregedoria do Ministério Público do Estado de São Paulo. O procurador acusou o petista de desviar mais de R$ 30 milhões quando presidia a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), inclusive com saques em dinheiro, o que teria lesado associados da cooperativa. Vaccari e a cúpula do PT desafiam o promotor a provar os desvios.

A ofensiva de Vaccari foi acertada com a direção do PT. Para que a denúncia do promotor não respingue na candidata do partido à Presidência, ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), integrantes da equipe de campanha apressaram-se a deixar claro, ontem, que Vaccari é tesoureiro apenas do PT. O tesoureiro da campanha de Dilma será outro, a ser definido mais à frente.

Ontem, o tesoureiro do PT ligou para o presidente do partido, José Eduardo Dutra, e para o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), para acertar a representação. A direção da Bancoop estuda ações judiciais contra Blat. Não está descartada a possibilidade de o PT agir da mesma maneira.

Vaccarezza ameaçou renunciar ao mandato de deputado, caso Blat prove que houve desvios de recursos da Bancoop durante a gestão de Vaccari: "Espero que ele faça o mesmo se não provar nada." O líder disse que , ao assumir a Bancoop, Vaccari fez um acordo com o Ministério Público para auxiliar nas investigações sofridas pela cooperativa. O petista afirmou ser impossível o saque em dinheiro dos recursos movimentados pela Bancoop. "A cooperativa utilizava cheques de transferência bancária específicos para não pagar CPMF, que não podem ser descontados diretamente no caixa", disse.

A estratégia do PT de desqualificar a denúncia do promotor Blat passa também pela declaração de que Vaccari não será o tesoureiro da campanha de Dilma. Depois do escândalo do mensalão, o PT decidiu separar a gestão financeira do partido das finanças da campanha presidencial. Em 2006, o ex-prefeito de Diadema (SP) José Fillipi Júnior foi o responsável pelas tesouraria da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para a campanha de Dilma ainda não está definido o tesoureiro. Fillipi foi cogitado, mas está estudando nos Estados Unidos e só deverá voltar ao Brasil no meio do ano. Ele deve concorrer à Câmara.

O tesoureiro da campanha será divulgado depois da formação do grupo que coordenará a candidatura Dilma. Até o fim do mês serão escolhidos os principais nomes da direção da campanha, articulados pelo ex-ministro e deputado Antonio Palocci, pelo ex-prefeito Fernando Pimentel, pelo presidente do PT e pela pré-candidata.

Dirigentes do PT prestaram solidariedade ao tesoureiro e saíram em defesa de Vaccari. "Não há nada de consistente na denúncia", reclamou Gleber Naime. "Ele é muito importante dentro do PT e nada em relação a ele nos preocupa", comentou. O presidente do partido negou uma eventual substituição de Vaccari. "Não existe absolutamente nada de novo no Ministério Público em relação a esse assunto. Não vamos crucificar um companheiro com base em informações antigas", disse José Eduardo Dutra.

O nome de Vaccari foi sugerido pela tendência majoritária Construindo um Novo Brasil. Ex-presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Vaccari é ligado ao ex-ministro Luiz Gushiken e ao ex-presidente do PT Ricardo Berzoini. Ele integrou a direção da CUT nacional e de São Paulo. Durante o processo de escolha do novo tesoureiro, a denúncia foi debatida dentro do PT, mas a análise era de que não havia elementos para descredenciar Vaccari. "Ele foi dirigente do sindicato dos bancários, da CUT e é uma pessoa com autoridade para falar em nome do partido, tanto internamente quanto externamente", disse Vaccarezza.

Coordenador da campanha de Marta Suplicy à Prefeitura de São Paulo em 2008, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) afirmou que está aberta a temporada de denúncias para atingir a candidatura Dilma. "Na primeira semana, apresentaram o lobby do Zé (José) Dirceu pela Eletronet. Depois, tentaram envolver o Fernando Pimentel (ex-prefeito de Belo Horizonte) no suposto mensalão. Agora, ressuscitam o caso Bancoop", reclamou Zarattini.

O PSDB tentará explorar a denúncia em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de São Paulo. O pedido de investigação de supostas fraudes praticadas contra mutuários da Bancoop foi articulado e protocolado em 2008 pelos deputados tucanos Bruno Covas e Samuel Moreira, mas, pelo regimento da Casa, ainda não pode ser instalada. Na Assembleia paulista as CPIs são criadas de acordo com a ordem cronológica em que foram protocoladas e há mais dois pedidos de investigação na frente da CPI da Bancoop. O governo pretende dar celeridade às investigações envolvendo o tesoureiro do PT e quer abrir a comissão no próximo mês.




Jornal da Tarde


Greve não afeta aulas na capital
Sindicato dos professores acredita que movimento ganhará força durante a semana

Luciana Alvarez

Poucos professores de escolas estaduais paulistas aderiam à greve aprovada na sexta-feira pela assembleia geral dos sindicatos da categoria. A reportagem percorreu ontem 16 colégios da capital e todos estavam tendo aulas normalmente, apesar de faltas pontuais de alguns docentes. Escolas como a Marina Cintra e Paulo Macalão foram mais atingidas pelas faltas e funcionaram apenas parcialmente, mas não fecharam.

No interior, duas das 80 escolas de Sorocaba não funcionaram, e os alunos tiveram de voltar para suas casas. Em Ribeirão Preto, os grevistas preferiram avisar aos estudantes sobre o movimento e prometem parar a partir de hoje.


Segundo a Secretaria de Educação, a rede está operando normalmente, com alguns casos isolados de paralisação, e menos de 1% dos 220 mil professores aderiram ao movimento. Em nota, a secretaria diz que a baixa adesão comprovaria que "a tentativa de greve é um movimento político".


O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) informou que a adesão varia de 10% a 60% do corpo docente, dependendo da região. "O importante é que em toda a rede temos algum índice de mobilização", disse a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Noronha. "A tendência é que a adesão aumente durante a semana."


Muitos professores estão descontentes com as políticas da gestão atual, mas preferiram trabalhar. "Terminei meu doutorado e tudo que recebi foi R$ 40", reclama uma professora que pediu para não ser identificada.



 

O Globo


Comando da campanha de Dilma reafirma que Vaccari não será seu tesoureiro

Maria Lima e Cristiane Jungblut

BRASÍLIA - O comando da campanha da pré-candidata petista, Dilma Rousseff, pretende tirar a ministra da linha de tiro do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, confirmando a estratégia de nomear um secretário de finanças exclusivo para sua campanha. Essa ideia já tinha sido anunciada durante o 4º Congresso Nacional do PT, quando foi lançada a pré-candidatura petista. Com o estouro do escândalo que liga Vaccari a desvios milionários na Bancoop, foi colocada em prática uma blindagem do tesoureiro, mas o anúncio do escolhido para cuidar das finanças de Dilma pode demorar um pouco.

Um dos nomes pensados foi o de José Di Filipe, que foi o tesoureiro da campanha de reeleição do presidente Lula em 2006. Mas como ele é candidato a deputado, outros nomes estão sendo sondados.

- Não tem nada a ver com o Vaccari. Isso é bateção de lata que não vai dar samba. Mas vamos repetir o modelo que deu certo em 2006. O captador de recursos da campanha de Dilma vai trabalhar somente nos quatro meses da campanha. O Vaccari é o secretário de finanças do partido. Não vão misturar as coisas - explicou o ex-tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, que passou o cargo a Vaccari há duas semanas.

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, disse que não vai correr para escolher esse nome, porque a captação para a campanha só é permitida a partir de julho. Mas nega que haja uma preocupação de não deixar respingar o caso Bancoop em Dilma.

- A gente já sabia do caso desse procurador do Ministério Público e era previsível que voltasse agora na campanha. A Capa da Veja foi para vincular o caso a Dilma, dizendo que Vaccari será seu tesoureiro, e não será. Não estamos preocupados com isso - disse Dutra.

O PT armou uma estratégia de ataque para blindar o novo tesoureiro. O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), criticou duramente o Ministério Público de São Paulo, afirmando que o promotor não falou a verdade ao fazer as denúncias contra Vaccari. Irritado, Vaccarezza desafiou o promotor José Carlos Blat a provar que houve saques de R$ 100 milhões feitos por Vaccari nas contas da Bancoop. Desde domingo, o próprio Vaccari vem conversando com os demais dirigentes do partido. A intenção de Vaccari, segundo dirigentes petistas, é apresentar queixa contra Blat na Corregedoria do Ministério Público.

- Não é verdade que houve saque pessoal ou da Bancoop no valor de R$ 100 milhões. Desafio o promotor a pedir informações ao Coaf (órgão federal que controla as movimentações financeiras) e liberar para todo o país. Não é verdade o que o Ministério Público falou. Se não houver (esses saques), ele vai ficar desmoralizado. O PT não correu risco (ao escolher Vaccari como tesoureiro). O Vaccari é um sindicalista que foi da CUT, tem tradição política e no movimento sindical. Estamos tranquilos em relação a ele - disse Vaccarezza, prometendo "renunciar" caso encontrem algo contra Vaccari.

Segundo o líder do governo, foi o próprio Vaccari que, ao assumir o comando da Bancoop, entrou em contato com o Ministério Público e fazer um acordo, denunciando erros anteriores, como o mecanismo de "espelhamento de notas". Ele disse ainda que as transferências que ocorreram foram de recursos de contas específicas de cada sede da Bancoop para a conta principal.

Para Vaccarezza, as denúncias são vazias e questionou as motivações do promotor.

O líder do governo - que participa das reuniões do comando de campanha da Dilma _ disse que já estava certado que a campanha de Dilma terá um outro tesoureiro - assim como fez Lula em 2006, mas disse que o nome ainda não está fechado.

- Se a Justiça for célere e a aposta verdadeira, o Líder do Governo não cumpre o mandato até o final do ano - ironizou o líder do PSDB, deputado João Almeida (BA).

No Senado o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) leu em plenário depoimento do bancário aposentado Oscar Costa, dado a revista Veja, contando como foi lesado pela Bancoop. Diagnosticado com câncer de pulmão, Oscar usou as economias para pagar um apartamento da cooperativa, mas nunca conseguiu receber o imóvel. Dias pediu providências providências para a responsabilização civil e criminal dos envolvidos no escândalo da Bancoop.


 

Agência Brasil


Professores da rede estadual de SP estão em greve por tempo indeterminado, diz sindicato

Ivy Farias

São Paulo - Professores da rede estadual de São Paulo estão em greve por tempo indeterminado, informou o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do estado. De acordo com boletim enviado à imprensa pelo sindicato, a greve foi aprovada em assembleia na última sexta-feira (5).


De acordo com o texto, a categoria reivindica reajuste salarial imediato de 34,3%, incorporação de todas as gratificações, plano de carreiras e concurso público. Segundo o comunicado, uma nova assembleia deverá ser realizada no dia 12 no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Em carta aberta à população, a diretoria do sindicato informou que 100 mil professores (cerca de 48% do total) são temporários e defendeu a realização de concursos públicos.

"Estamos em greve por tempo indeterminado, até que o governo negocie conosco o atendimento de nossas reivindicações em busca da melhoria da escola pública".

A Secretaria Estadual de Educação afirmou que ainda não foi informada sobre a greve e que não tem conhecimento de paralisação em nenhuma escola.


Camex libera lista de produtos que Brasil vai sobretaxar para retaliar subsídio americano ao algodão

Daniel Lima

Brasília - A lista de produtos e serviços que será usada pelo Brasil como forma de retaliar os EUA por subsídios ilegais dados aos produtores americanos de algodão foi liberada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex). A relação dos produtos está no Diário Oficial da União e inclui arenque, um tipo de peixe, peras, cerejas e batatas, além de trigo e automóveis.

Também foram incluídas na lista gomas de mascar sem açúcar, águas-de-colônia, xampus e pasta de dente. O maior peso, no entanto, poderá mesmo ser na importação do trigo, cuja tarifa, embora passe de 10% para 30%, e em tese poderia afetar a população de menor poder aquisitivo.

Mas a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Lytha Spíndola, descarta esse problema porque o Brasil conta hoje com mercados alternativos para a compra de trigo.

"Esse assunto foi estudado com o Ministério da Agricultura e examinada a necessidade de importação do Brasil. Nós temos uma produção interna, que aumentou e temos fornecedores como a Argentina, o Uruguai e o Canadá, além de outros mercados", disse.

O valor total da retaliação chega a US$ 591 milhões. Outros US$ 238 milhões serão aplicados nos setores de propriedade intelectual e serviços, mas a decisão sobre a forma de adotar essas medidas deve ser definida até o dia 23 de março.

A retaliação tem prazo de 30 dias para ser aplicada e as novas alíquotas do Imposto de Importação para as mercadorias escolhidas pela Camex têm vigência de um ano.

No ano passado, a Organização Mundial do Comércio (OMC) autorizou o governo brasileiro a retaliar os Estados Unidos em até US$ 829 milhões depois de uma ação do Brasil contra subsídios proibidos pelas regras da organização, mas concedidos pelos Estados Unidos a seus produtores de algodão.

No início de fevereiro, a lista já havia sido aprovada, mas precisava de ajustes técnicos. Inicialmente, o valor da lista chega a US$ 560 milhões. O restante será usado à retaliação em serviços e propriedade intelectual, que poderá ser usada se o Brasil julgar necessário.

O diretor do Departamento de Economia do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Carlos Márcio Cozendey, explicou que o governo resolveu incluir outros setores, além do agrícola, para despertar interesse de industriais norte-americanos que não se beneficiam do algodão, de modo a pressionar o Congresso daquele país.

"O industrial americano vai se perguntar porque está sendo retaliado, perdendo mercado no Brasil para defender uma política do setor de algodão que prejudica vários países em desenvolvimento e os da África?", disse.

O governo brasileiro espera o cumprimento do governo americano das medidas. O prazo de 30 dias também indica que o diálogo não está fechado, segundo Cozendey. Por isso, ele espera que no ano que vem não seja necessário a criação de uma nova lista de bens e serviços para manter a retaliação.


Homens tomam conta de passeata pelo direito das mulheres em São Paulo

Ivy Farias

São Paulo - Foi em Copenhague, na Dinamarca, que a Internacional Comunista decidiu, durante uma reunião com 100 mulheres de 17 países, a importância de criar um dia para chamar a atenção para o cumprimento dos direitos das mulheres.

Cem anos depois, o movimento feminista ganhou adeptos do sexo masculino, ontem (8), nas ruas de São Paulo, que participaram, ao lado de mulheres, em passeata em homenagem a elas.

Há mais de 30 anos participando das passeatas e manifestações no dia 8 de março, o médico e vereador de São Paulo Jamil Murad foi ao Largo do Patriarca, no centro de São Paulo, para defender os direitos das mulheres.

"A luta pelos direitos e emancipação da mulher faz justiça não apenas para elas como para toda a sociedade, que fica melhor quando há igualdade entre os gêneros", afirmou. Para Murad, não é possível que haja um Brasil melhor sem "que a mulher tenha um papel de destaque".

Na passeata, estava também o balconista de farmácia Laercio Severino da Silva. "A mulher é especial e o homem não vive sem ela. Por isso, acho que todas têm direito à saúde e ao respeito", disse.

Silva contou que está cuidando do seu filho de 3 anos sozinho porque a mulher teve que viajar para cuidar da mãe. "Homem não consegue dar conta de lavar roupa, criar filhos e ainda trabalhar. Hoje que estou nesta situação, vejo como as mulheres são importantes", relatou.

O secretário de Formação Política do Sindicato dos Trabalhadores das Autarquias de Fiscalização do Exercício Profissional e Entidades Coligadas no Estado de São Paulo (Sinsexpro), Paulo Rogério Prado, foi à passeata representar as trabalhadoras do seu sindicato e aproveitou para homenagear todas as mulheres. "Se não fosse por uma mulher, eu não estaria aqui."

Prado disse que sua presença na manifestação foi uma forma de lutar por um futuro melhor para suas duas filhas. "Estou plantando uma sociedade melhor, mais justa e igualitária para elas."

O estudante de direito Danilo Queiroz contou que, na faculdade, ao ter contato com representantes do movimento feminista, passou a entender "questões que não são óbvias para nós, homens". "De fato, a mulher é tratada como um objeto e é oprimida por esta sociedade machista", afirmou.

Para o estudante, uma forma de resolver os problemas que as mulheres enfrentam é a conscientização dos homens. "Acredito que haveria redução da violência doméstica se os homens fossem conscientizados que as mulheres precisam ser respeitadas", avaliou.

Mãe e filho foram à passeata com camisetas da União Brasileira das Mulheres para se manifestar favoráveis à igualdade de direitos entre homens e mulheres. A dona de casa Jozelma Araujo dos Santos levou o filho Paulo Tadeu dos Santos Junior, de apenas 10 anos, para mostrar a ele o quanto é importante a questão. "Eu acho que é meu dever, como mulher e mãe, ensinar os meus filhos de que homens e mulheres são iguais".

Ela disse que faz questão de ensinar ao filho que as mulheres devem ser respeitadas desde cedo. "Eu quero quebrar esta cultura machista através da educação que dou para o meu filho, quero que ele cresça aprendendo que cada um tem o seu espaço", afirmou.

No princípio, o marido de Jozelma era contra o menino participar da vida doméstica, ajudando em afazeres como lavar a louça ou arrumar a cama. "Ele [o marido] foi criado com outros valores, mas, depois, entendeu que o mundo mudou e, hoje, ele mesmo fala pro Junior ajudar em casa e não crescer com a mesma mentalidade", disse.

Para ela, a consciência dos homens mudaria o cenário da passeata no Largo do Patriarca. "A gente não precisa de tanta mulher, precisa do apoio dos homens e que eles passem a nos respeitar." No que depender de Jozelma, os próximos 8 de março seriam comemorados no "Largo da Matriarca", e não do Patriarca.


Estado reconhece direitos de mulheres vítimas da ditadura

Luciana Lima

Brasília - O Dia Internacional da Mulher teve um significado diferente para 15 mulheres que tiveram seus processos de anistiadas julgados ontem (8) na sessão especial da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. A sessão foi marcada por emoções fortes, lembranças das torturas, dos estupros e do terror sofrido pelas mulheres que se colocaram contrárias ao regime ditatorial (1964-1985).

"Ser anistiada lavou a minha alma", disse Celeste Fon, ao receber a decisão. Funcionária concursada do Banespa, ela foi presa junto com o pai e o irmão no final dos anos 1960. Na empresa foi perseguida, vigiada pelo regime, impedida de ter contato com outras colegas do banco, mesmo após a anistia de 1979.

Maria Alice Albuquerque Saboya também foi anistiada. Antes da proclamação, ela leu e entregou à Comissão de Anistia uma carta endereçada aos jovens, contando o que passou nos anos de ditadura e no exílio. Maria Alice foi presa aos 20 anos, junto com o marido, acusada de contribuir para formação de um partido político contrário ao regime. Foi torturada e viu colegas sendo torturados.

"É muito pior ver tortura que ser torturada. Tenho gravada em minha memória a vez de um prisioneiro que pedia: 'Pelo amor de Deus, me matem', disse Maria Alice. Ela divulgou uma carta aos jovens pedindo para que eles lutem em defesa do Plano Nacional de Direitos Humanos, proposta do governo que prevê a criação da Comissão da Verdade para apurar os crimes cometidos pelo Estado durante a ditadura.

"Essa história não é minha, essa história não é nossa. É a história de um país que precisa ser contada para que aprendamos com ela", afirmou.

Para a psicóloga fluminense Vitória Lúcia Martins Pamplona, sua anistia significou "uma vitória simbólica de todas as mulheres". "Que não se repita jamais o que aconteceu conosco durante a repressão", disse Vitória, que foi demitida da Infraero, presa e torturada na década de 1970.

Além de Vitória, Celeste e Maria Alice, mais 12 mulheres foram declaradas anistiadas políticas e receberam desculpas do governo brasileiro. Esta foi a terceira vez que a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça homenageou as mulheres no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

Também tiveram seus direitos de anistiadas reconhecidos pelo Estado: Ana Lima Carmo Montenegro, Celeste Fon, Maria Cândida Raizer Cardinalli Perez, Isa Mariano Macedo, Maria Beatriz de Albuquerque David, Maria da Glória Lung, Denise Fraenkel Kose, Vera Lúcia Marão Sandroni, Elizabel Maria da Paixão Couto,, Vera Lucia Carneiro Vital Brazil, Vitória Lúcia Martins Pamplona Monteiro, Maria Inêz da Silva, Maria Albertina Gomes Bernaccio, e Helena Sumiko Hirata. 


Câmara pode votar regime de partilha do pré-sal

Brasília - O plenário da Câmara pode votar hoje (9) o projeto sobre o regime de partilha e a distribuição de royalties do petróleo do pré-sal. A sessão está marcada para as 16h.

Para concluir a análise desse projeto, os deputados precisam votar um recurso contra a decisão do presidente da Câmara, Michel Temer, de não admitir emenda apresentada pelos deputados Humberto Souto (PPS-MG) e Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) por falta de assinaturas de apoio. A emenda determina que os royalties e a participação especial devidos pela exploração do petróleo (do pré-sal ou não) sejam distribuídos de acordo com os critérios dos fundos de participação dos estados (FPE) e dos municípios (FPM).

Também consta da pauta de votação o projeto de lei que estabelece piso salarial para os policiais e bombeiros dos estados, a PEC dos Cartórios e o projeto que estipula a presença de pelo menos uma mulher nas mesas diretoras da Câmara e do Senado e nas comissões.




Agência Estado


Manifestação marca Dia Internacional da Mulher em BH

Eduardo Kattah

BELO HORIZONTE - Mulheres da Via Campesina e de movimentos urbanos participaram hoje de uma marcha na região central de Belo Horizonte como parte da manifestação nacional pelo Dia Internacional da Mulher. As representantes femininas acamparam no sábado numa praça em frente à Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Na entrada principal, cerca de 500 mulheres, segundo os organizadores, fizeram palestras e participaram de estudos de formação política.

Ônibus de várias regiões do Estado trouxeram as militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), do Movimento dos Pequenos Agricultores (MAP) e de outros. Na capital, as militantes se juntaram a integrantes de movimentos urbanos, como as Brigadas Populares, de luta pela moradia; a Marcha Mundial de Mulheres e a Assembleia Popular.

De acordo com Ana Penido, representante da Via Campesina, a concentração tinha o objetivo de denunciar a violência contra a mulher e a tentativa de "setores da mídia" de "criminalização dos movimentos sociais". "A gente também vem denunciar que esse modelo do agronegócio, da forma como está estruturado e com a relação que se desenvolve com as indústrias multinacionais, com o agrotóxico, com os transgênicos, está acabando com a soberania alimentar (dos pequenos agricultores do País)."


No início da tarde, as mulheres recolheram as lonas e parte do grupo participou de uma passeata organizada por sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) até a Praça Sete, no centro de Belo Horizonte. Um pequeno grupo se concentrou no local e as manifestantes se revezaram no microfone.


Uma representante do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas acusou o governo estadual de abdicar das políticas de inclusão social no Estado. Outra militante exigiu a retirada das tropas do Brasil do Haiti, acusando os militares brasileiros de praticar abuso sexual contra as haitianas. Não foram registrados incidentes.


 

Terra


Dilma: Brasil está preparado para ter uma mulher presidente

Mariana Canedo

RIO - Nesta segunda-feira, em evento de comemoração do Dia Internacional da Mulher, no Rio de Janeiro, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que o País está preparado para ter uma mulher na Presidência da República. "O Brasil está preparado e as mulheres também estão preparadas para serem representadas. Nossa história política mostra que o País sempre esteve preparado, mas agora está muito mais", disse.

Também presente no evento, na Estação da Leopoldina, no centro da capital fluminense, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a questão é um desafio. "Uma sociedade machista como a nossa não está totalmente preparada para ver uma mulher prefeita, governadora ou presidente. O desafio, portanto, não é só político, é biológico", disse. "Se a mulher é capaz de parir um político, por que não seria capaz de parir uma administração mais competente?", afirmou.

A ministra falou sobre os planos para a segunda edição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). "Nossa decisão é de dar muita importância às creches no PAC II. Vamos incluir no programa mais de 5 mil creches espalhadas pelo Brasil, de acordo com a proposta que vamos deixar para o próximo governo", disse.

"Nosso governo entende a questão da mulher não como um drama individual mas como uma questão de Estado", afirmou Dilma. Sobre a presença feminina no mercado de trabalho, a ministra disse que "o fato de termos filhos não pode ser fator de discriminação". "Não queremos mais ser invisíveis", disse.

Cápsula do tempo
No começo do evento, um documento de intenção de construir o Memorial da Mulher Brasileira foi assinado pela secretária especial de Políticas para a Mulher, Nilcea Freire. Um dossiê sobre a atual situação da mulher no País foi guardado em uma cápsula do tempo, que deve ser aberta em 50 anos. O objeto será guardado no Arquivo Nacional.

A ministra Dilma ressaltou o trabalho de Nilcea na secretaria. "A lei Maria da Penha foi uma grande conquista, cuja maior importância é o respeito à vítima", disse.

O presidente parabenizou a secretária que, segundo ele, tinha a pretensão de concorrer a deputada federal. Lula pediu que ela continuasse na secretaria.


Manifestos marcam Dia da Mulher no centro do RJ

O Dia Internacional da Mulher foi lembrado com protestos na manhã desta segunda-feira, 8 de março, no centro do Rio de Janeiro (RJ). As manifestações chamaram a atenção de quem passou pelo Largo da Carioca e pela Cinelândia.

Um ato público reuniu mulheres da Central Única dos Trabalhadores (CUT), participantes do Fórum Feminista, da Marcha Mundial das Mulheres e de movimentos sociais no Largo da Carioca. "Entre as reivindicações, elas pediam a diminuição da carga horária de trabalho para as mulheres", conta o carioca José Carlos Pereira de Carvalho. Segundo a CUT, a ação estava programada para acontecer entre as 10h e as 14h.

Na praça Floriano, na Cinelândia, as "Mães de Acari" lembraram os 20 anos do ocorrido em 26 de julho de 1990, quando 11 pessoas, sete com idade inferior a 18 anos, foram sequestradas em um sítio no bairro Suruí, em Magé (RJ) e desapareceram. O grupo pendurou faixas cobrando a justiça no caso.

Comemoração
Às 18h desta segunda-feira, a escadaria da Câmara Municipal do Rio de Janeiro será palco do show Mulheres do Samba. Acompanhada do grupo Samba com Atitude, a cantora Dorina apresentará um repertório com grandes nomes da música brasileira. O evento será promovido pela Câmara em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.


 

Agência Diap


Agenda Política: empatada, Adin do DEM retorna à pauta do STF
Dos quatros votos faltantes, a tendência é que dois sejam favoráveis à Adin e dois favoráveis às centrais sindicais. A votação conclusiva poderá acontecer, nesta quarta-feira (10), no STF

Com o "voto-vista" do ministro Eros Grau contra a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) 4067, que discute a legalidade da destinação da contribuição sindical para as centrais sindicais, a matéria retorna à pauta do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (10).

Agora, a votação está empatada em três votos favoráveis à Adin e três contrários. Ainda faltam votar quatro ministros: Gilmar Mendes (presidente), Ellen Gracie, Carlos Britto e Celso de Mello. O ministro José Antonio Dias Toffoli está impedido de votar, pois se posicionou contrário à Adin quando era advogado-geral da União.

Na avaliação do DIAP, dos quatro votos faltantes, apenas um será favorável às centrais. Os outros três, pelo perfil conservador desses ministros, serão contrários às entidades. Vamos aguardar.

Veja, a seguir, a previsão dos principais acontecimentos políticos desta semana:

Segunda-feira (8)
- Presidente Lula inaugura 20% das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) na favela da Rocinha, zona sul do Rio, o que equivale a R$ 42 milhões de um total de R$ 231,2 milhões prometidos para a comunidade.

- PSDB faz, a partir das 15 horas, na sede do diretório estadual da legenda em São Paulo, a primeira grande reunião para discutir as estratégias e o planejamento que serão adotados na campanha presidencial deste ano.

- Divulgação do IGP-DI de fevereiro.

- Camex divulga lista de produtos americanos que podem sofrer retaliações comerciais por conta dos incentivos concedidos pelo governo dos EUA ao algodão.

Terça-feira (9)
- Câmara tenta concluir votação de projeto de lei que trata do regime de partilha na exploração do petróleo do pré-sal.

- Câmara deve encaminhar para análise do Senado o projeto de lei que trata da capitalização da Petrobras (pré-sal).

- Reunião do Conselho Diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) discute edital da usina hidrelétrica de Belo Monte.

Quarta-feira (10)
- Presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB/SP) se reúne com líderes partidários para propor que seja acelerado o ritmo de votações na Casa, a partir da definição de uma pauta de prioridades para este semestre.

- Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara realiza audiência pública sobre as perspectivas energéticas da indústria brasileira no cenário de crise comercial. Foram convidados o diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner, o presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres, Ricardo Lima, e o presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau.

- Supremo Tribunal Federal (STF) julga Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) 4067, que questiona o repasse de 10% da arrecadação da contribuição sindical às centrais sindicais. Também pode ser julgada adin da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) contra dispositivos da Lei Complementar 87/96 que regulamenta a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A entidade quer excluir a incidência do ICMS sobre a prestação de serviço de transportes rodoviários interestadual, intermunicipal e internacional de passageiros.

- Guido Westerwelle, ministro das Relações Exteriores alemão, faz visita oficial ao Brasil e discute Irã.

- Departamento do Tesouro dos EUA divulga contas do governo relativo a fevereiro.

Quinta-feira (11)
- Reunião da Executiva Nacional do PV, em Brasília, para discutir lançamento de candidaturas próprias nos estados com o objetivo de fortalecer Marina Silva na disputa à Presidência República.

- Último dia para os senadores apresentarem emenda ao projeto de lei que cria a Petrosal (PLC 309/09).

- IBGE divulga PIB de 2009.

- IBGE divulga resultado das vendas do varejo em janeiro.

- Sebastián Piñera, presidente eleito do Chile, toma posse.

- Departamento de Comércio dos EUA divulga déficit comercial relativo ao mês de janeiro.




Dci.com.br


Com horas extras não pagas Brasil perde 1 milhão de empregos

SÃO PAULO - Com os 20,3 bilhões de horas extras que as empresas deixam de pagar, o Brasil perde por ano a geração de quase 1 milhão de empregos. A estimativa é da Secretaria de Inspeção do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), baseada nos dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS).

Já o montante sonegado ao FGTS é R$ 1,6 bilhão por conta do não-pagamento dessas horas extras, enquanto o valor que não é pago à Previdência Social pela empresas atinge R$ 4,1 bilhões, conforme aponta o mesmo levantamento do MTE.


Os resultados foram apresentados na última quarta-feira (3) em uma reunião coordenada pala secretária de Inspeção do Trabalho do MTE. Os presidentes e diretores da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).

Segundo cálculos do Dieese, se as horas extras fossem diminuídas, haveria uma contribuição maior para a geração de novas vagas no mercado de trabalho, criando mais 1,2 milhão de novos empregos. A medida se associa à campanha feita pela CUT e demais centrais sindicais pela redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem redução de salário, que, conforme estudos do Dieese, levará à criação de cerca de 2,2 milhões de novos postos de trabalho no país.



 

Pa.gov.br


Caminhada reafirma nas ruas de Belém a luta pelos direitos da mulher

Uma caminhada pelos direitos das mulheres, organizada pela Coordenadoria de Promoção dos Direitos da Mulher (CPDM) e pelo Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (CEDM), reuniu nesta segunda-feira (8) dezenas de pessoas em apoio às ações e manifestações referentes ao Dia Internacional da Mulher, com a participação de representantes da União Brasileira das Mulheres (UBM), Central Única dos Trabalhadores (CUT/Pará), Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) e Fundação Papa João XXIII (Funpapa).

O Arraial do Pavulagem acompanhou a manifestação desde a concentração, na Escadinha da Estação das Docas, até a Assembléia Legislativa. Foi entregue um documento solicitando audiência pública com as parlamentares para tratar das pautas referentes à aprovação do fundo para o Conselho dos Direitos da Mulher, além da garantia de capacitação às profissionais da área da segurança pública e um maior orçamento público para as políticas destinadas aos direitos das mulheres.

Coordenador de dança e representante do Arraial do Pavulagem, Max Soares avalia que as mulheres estão cada vez mais ativas e presentes. "Eu atuo com muitas mulheres,  coordenadoras de dança, instrutoras e dançarinas, e todas são bastante capacitadas. É a mulher mostrando, de uma vez por todas, que somos todos iguais".

A representante da União Brasileira das Mulheres (UBN), Socorro Pereira, fez uma síntese das conquistas femininas no País. "Conseguimos a aprovação da lei que garante a licença maternidade com duração de seis meses a todas as gestantes e adotantes brasileiras. Além de diversos outros projetos em andamento, como a diminuição da jornada de trabalho para todas as gestantes, sem que haja diminuição de salário", ressalta Socorro.

 
 

Gazetaweb.globo.com


Movimentos sociais celebram o Dia Internacional da Mulher
Em Maceió, trabalhadores rurais sem terra realizaram ato no Calçadão do Comércio

Os movimentos sociais de Alagoas realizaram, nesta segunda-feira, 08, várias atividades celebrando a passagem do Dia Internacional de Lutas das Mulheres, com ações nas principais cidades do Estado. A Via Campesina, organização que reúne os principais movimentos de luta pela terra, realizou, durante toda a semana, a "Jornada Nacional de Mulheres Camponesas na Luta Contra o Agronegócio e Contra a Violência: por Reforma Agrária e Soberania Alimentar".

Em Maceió, as movimentações organizadas pela Marcha Mundial das Mulheres (MMM) e Central Única dos Trabalhadores (CUT) teve início às 14 horas, no Calçadão do Comércio, reunindo cerca de 500 trabalhadoras do meio rural, mobilizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O acampamento das trabalhadoras do MST foi erguido na praça dos Martírios, em frente ao Palácio República dos Palmares, ficando ali instalado para as atividades da semana.

Em Arapiraca, maior cidade do interior do Estado, cerca de 350 trabalhadores da Via Campesina (MST, Movimento de Pequenos Agricultores - MPA e Movimento de Mulheres Camponesas - MMC) realizaram ato na manhã desta segunda, na Praça Marques, região central daquela cidade. O ato mobilizou a opinião pública de Arapiraca sobre a implementação da Vale Verde, empresa de capital canadense pertencente à Aura Gold Minerals, que está previamente licenciada para explorar, para fins privados, as cerca de 200 milhões de toneladas de minério de ferro, cobre e ouro na região Agreste.


Em Delmiro Gouveia, uma marcha com os trabalhadores rurais e o povo indígena Geripankó tomou as ruas do município sertanejo. A caminhada discutiu a construção do Canal do Sertão, obra que, para o MST, deve privilegiar os grandes latifundiários, 'já que seu usufruto será comercial'. Em todos os atos, na capital e no interior, o tema da "criminalização dos movimentos sociais" prevaleceu entre as discussões, devido à prisão de José Aparecido, assentado em Inhapi, em suposta repressão à reocupação da fazenda Capim. "Cido" foi transferido na noite da sexta-feira (05/03) para a delegacia de São Miguel dos Campos, a pedido da Secretaria de Defesa Social.

Segundo o MST, as atividades da "Jornada Nacional de Mulheres Camponesas na Luta Contra o Agronegócio e Contra a Violência: por Reforma Agrária e Soberania Alimentar" têm como objetivo denunciar os prejuízos para a sociedade com a manutenção do Agro-hidronegócio, questionando o modelo de desenvolvimento 'imposto pelas empresas transnacionais, pelos bancos e pelo governo à sobrevivência no campo'.


Protesto no calçadão do Centro
Com o slogan ‘Igualdade no Trabalho e na Vida', integrantes do MST se fizeram presentes no calçadão do Centro de Maceió, na tarde desta segunda-feira (08), em protesto contra as desigualdades de toda a classe feminina e trabalhadora.

De acordo com a vice-presidente da Central Única de Trabalhadores (CUT), Lenilda Lima, há 100 anos que a mulher luta para conquistar seu espaço perante o machismo discriminatório e centralizador. "A nossa bandeira de luta tem o objetivo de colocar um basta nessa cultura desenfreada, que é a ditadura masculina", protestou a vice-presidente.


A manifestação diz respeito não somente ao ‘belíssimo dia de comemoração da mulher', como Lenilda fala, mas também remete a várias lutas contra as divisões sexuais de trabalho e a uma política na qual reina a figura do homem. "Precisamos conscientizar a toda a população brasileira e não somente aos que passam por este calçadão. Áreas como política, economia e a própria inserção da figura feminina na sociedade precisam ser vistas o mais rápido possível. Mulher não é só sinônimo de beleza e glamour, mas sim de garra e ousadia", comenta enfatizando que a lembrança que deve vir à mente de todo brasileiro não é somente as centenas de mulheres operárias de uma fábrica em Nova York, que foram queimadas vivas, mas também essas mulheres socialistas que lutam pela redemocratização do país.

Lenilda Lima, que se considera integrante da marcha mundial, traz o slogan geral do movimento ‘Contra a Pobreza e a Violência Sexista' e dados do censo do IBGE de 2006 que contêm informações da participação das mulheres em vários cenários políticos. "Elas compõem 51,2% de inserção na população brasileira, 51,7% são eleitoras, 43,7% estão na população economicamente ativa, 8,7% integram a Câmara Federal, 14,8% no Senado E 11,6% na Assembleia Legislativa. O que precisamos acabar é com essa diferença de mais de 40% de participação em relação aos homens", explicou.


Segundo o assessor do MST, Rafael Soriano, ‘esse dia não é uma comemoração de embelezamento, e sim uma luta contra a criminalização dos movimentos sociais. Tem um integrante nosso, José Aparecido, preso por simplesmente mostrar sua vontade de lutar. Estamos, mais uma vez, brigando por sua liberdade'.




Alemtemporeal.com.br


Dia da Mulher é marcado com homenagens de Movimentos Sociais

Aconteceu na tarde desta segunda feira (8) uma homenagem ao dia Internacional da mulher. O evento que teve como tema "Igualdade no Trabalho e na vida" aconteceu no calçadão do comercio e reuniu e vários movimentos sócias de Alagoas que marcaram a comemoração da data feminista.

As movimentações organizadas pela Marcha Mundial das Mulheres (MMM) e Central Única dos Trabalhadores (CUT) teve início às 14 horas, no Calçadão do Comércio, reunindo cerca de 500 trabalhadoras do meio rural, mobilizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

De acordo com assessora de imprensa da CUT Emanuelle Wanderley a ideia do evento é homenagear a lutas das mulheres, destacar a bandeira de cada movimento na conquista de seus direitos e acordar a sociedade para a realidade, afirma.

Segundo a coordenadora geral da Macha Mundial das Mulheres Andreia Malta, "Estamos Comemorando e reivindicando a continuação dos direitos, pois estamos em um momento de luta, de reflexão, e de avançarmos nas nossas conquistas", relata.

 


Infonet.com.br

Movimentos sociais fazem marcha em prol do Dia Internacional da Mulher
Ato marca o início de movimento que unificará 45 organizações e movimentos sociais que lutarão por avanços de causas femininas

Mesmo centenário, o Dia Internacional da Mulher ainda é uma data marcada por manifestações. Na tarde desta segunda-feira, 8, aproximadamente mil mulheres de 45 organizações e movimentos sociais saíram em cortejo pelas principais avenidas do centro da capital, na 10º Marcha das Mulheres. A ação marca o início do movimento homônimo, que passará a atuar no Estado unificando a luta de todos os segmentos envolvidos.
 
Apesar de a caminhada ter como marco essa data comemorativa, as manifestações se estenderão por todo o ano. De acordo com a secretária da Mulher Trabalhadora da Central Única dos Trabalhadores (CUT-SE), Maria da Conceição, dessa forma os movimentos, ao unificar suas bandeiras, terão mais transparência e os avanços ganharão força.

"Nós já tivemos muitos progressos. Hoje a mulher é mais política, mas ainda nos resta lutar por um mundo melhor para nossa família e, claro, para nós, porque também devemos aproveitar", afirma.

Os eixos a serem seguidos pelas organizações tratam, ainda, de emprego, saúde e do fim de estigmas. "Hoje a mulher tem uma dupla jornada de trabalho, pois trabalha na rua e quando chega em casa tem os afazeres domésticos. Não há uma troca de funções com os homens tampouco os direitos são idênticos", explana Conceição.
 
Violência Já a presidente da Associação Sergipana de Prostitutas, Candelária, lembrou que o combate à violência tende a ganhar força com a unificação dos movimentos. "Só se muda a situação se cobrarmos e reivindicarmos a mudança dos homens. Acabado a violência dentro de casa, inclusive, estaremos acabando com a violência nas ruas", diz.
 
Ainda de acordo com a militante, a união dessas iniciativas com o apoio dos governantes é de extrema importância para que haja uma transformação da sociedade. "Hoje nós estamos em todos os espaços, mas há muita coisa a desejar. A partir do momento que tivermos o respaldo que queremos, ganharemos mais respeito", teoriza.

 

Correiodesergipe.com


Mulheres marcham pela igualdade e respeito

Lembrando os 100 anos da criação do Dia Internacional da Mulher, em decorrência das mulheres presas e queimadas em uma fábrica em Nova York, nos Estados Unidos, por reivindicarem seus direitos, é que representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de movimentos sociais, participaram na tarde de ontem da 1ª Marcha das Mulheres, que teve como objetivo dar maior visibilidade aos movimentos sociais feministas e, desta forma, poder unificar as bandeiras propostas por estes. De acordo com a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Maria Conceição Branco, "a proposta da CUT é que essa marcha não seja somente no dia de hoje (8 de março), mas se estenda durante todo ano com várias negociações", relatou a secretária. Com carros de som e faixas, a marcha saiu da Praça da Bandeira que teve ponto de concentração rumo às principais ruas do centro da capital até chegar à Praça Fausto Cardoso. A marcha reuniu cerca de quinhentas pessoas de várias cidades do interior do Estado que clamavam por liberdade, solidariedade, igualdade e, acima de tudo, contra a violência.



 

Rádio Web - Jornal Brasil Atual


Marcha Mundial das Mulheres deixa Campinas rumo a São Paulo

Teve início nesta segunda (8) na cidade de Campinas, a 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial de Mulheres no Brasil. As manifestações marcaram o 100 anos do Dia Internacional de Luta das Mulheres. Sônia Auxiliadora, da Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, explica que a organização da Marcha espera reunir cerca de 3 mil mulheres de todos os estados brasileiros numa série de atividades que serão desenvolvidas em algumas cidades no trajeto em direção a São Paulo. Para ouvir acesse:

http://www.jornalbrasilatual.com.br/pop-player.asp?nm_caminho_audio=boletim%5Fmateria%5F2010%5F3%5F9%5F8%5F15%5F25%5F87%2Ewma&nm_audio=Marcha+Mundial+das+Mulheres+deixa+Campinas+rumo+a+S%E3o+Paulo  

 
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