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Clipping 10/03/10

Escrito por William Pedreira
10/03/2010

Edição nº 1536 quarta, 10 de março de 2010
Fechamento: 09:00


Edição número 1536 quarta-feira, 10 de março de 2010

 

 
Fechamento: 09h00

 

Veículos Pesquisados:


Clipping CUT é um trabalho diário de captação de notícias realizado pela equipe da

Secretaria Nacional de Comunicação da CUT. Críticas e sugestões com

Leonardo Severo (leonardo@cut.org.br)

Isaías Dalle (isaias@cut.org.br)

Paula Brandão (paula.imprensa@cut.org.br)

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William Pedreira (estagio.imprensa@cut.org.br)

Secretária de Comunicação: Rosane Bertotti (rosanebertotti@cut.org.br)





O Estado de S.Paulo



PT diz que vai processar 'Estado', 'Veja' e Blat (Nacional)
 
O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, emitiu nota ontem para protestar contra o que classificou de "escalada de ataques mentirosos" da imprensa por conta das revelações do caso Bancoop e anunciar que acionará judicialmente o Estado em virtude do editorial publicado na edição de ontem. Dutra informa que igualmente processará a revista Veja, por reportagem sobre o escândalo que circulou na edição desta semana.

"Também representaremos no Conselho Nacional do Ministério Público contra o promotor José Carlos Blat, fonte primária de onde brotam as mentiras, as ilações, as acusações sem prova e o evidente interesse em usar a imprensa para se promover às custas de acusações desprovidas de qualquer base jurídica ou factual", afirma o presidente petista em sua nota.

Dutra diz que "é com perplexidade e absoluta indignação que o Partido dos Trabalhadores vem acompanhando a escalada de ataques mentirosos por parte de órgãos da imprensa a partir de matéria sensacionalista publicada na última edição da revista Veja".

Segundo ele, "o mais absurdo desses ataques" se deu na terça-feira, quando o Estado publicou o editorial intitulado O partido da bandidagem: "Extrapolando todos os limites da luta política e da civilidade sem qualquer elemento que sustente sua tese." Dutra conclui, dizendo que o PT "buscará, pelas vias institucionais, a devida reparação judicial".


Lula faz defesa de Justiça cubana e compara preso político a criminoso
Presidente brasileiro rejeita recurso da greve de fome no mesmo dia em que dissidentes apelam por mediação

AP e Afp (Internacional)

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, pediu ontem respeito às determinações da Justiça cubana nos casos relacionados à detenção de opositores e comparou os presos políticos da ilha a criminosos comuns. As declarações foram feitas no dia em que um grupo de dissidentes do regime comunista pediu a Lula que interceda pela libertação de 20 presos políticos. Entre os dissidentes que fizeram o apelo está o jornalista Guillermo Fariñas, há 13 dias em greve de fome para chamar atenção para o problema.

"Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano, de prender as pessoas em função da lei de Cuba, assim como quero que respeitem o Brasil", disse Lula em entrevista à agência de notícias Associated Press.

"Gostaria que não houvesse (a detenção de presos políticos), mas não posso questionar as razões pelas quais Cuba os deteve, como tampouco quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil", acrescentou.

O presidente brasileiro também contestou o método usado por dissidentes cubanos para pressionar o governo: parar de se alimentar. Em fevereiro, o preso político cubano Orlando Zapata Tamayo morreu após passar 85 dias em greve de fome. A morte do preso político - a primeira na ilha em 40 anos - coincidiu com a chegada de Lula a Havana, mas o brasileiro silenciou sobre o episódio.

"Greve de fome não pode ser utilizada como um pretexto de direitos humanos para libertar pessoas", afirmou o líder brasileiro. "Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem libertação." Lula lembrou que, quando era líder sindical, fez greve de fome contra a ditadura militar (1964-1985), mas classificou a prática como "insanidade".

Para o cientista político José Augusto Guilhon de Albuquerque, da USP, o apoio de Lula ao sistema judiciário cubano é incoerente com medidas tomadas por seu governo recentemente. "Lula diz que não se pode contestar as decisões da Justiça cubana, mas seu governo não se importou em contestar a Justiça da Itália, se opondo à extradição de Cesare Battisti. E se opôs à decisão da Justiça hondurenha sobre o afastamento de Manuel Zelaya", afirmou Guilhon ao Estado. Ele diz que também não faz sentido o presidente comparar presos políticos com criminosos comuns: "Lula, como ex-preso político, sabe muito bem a diferença."

Em 2003, Cuba prendeu 75 dissidentes, entre jornalistas e membros de ONGs. Na época, as prisões causaram comoção internacional. Desde então, alguns presos políticos que estavam mal de saúde foram soltos, mas só deste grupo mais de 50 ainda estão nos insalubres centros de detenção da ilha.


Colômbia dá início à campanha presidencial
Sem Uribe, partido governista escolhe ex-ministro para eleição

Renata Miranda (Internacional)

A designação do ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos como candidato do Partido da U, de Álvaro Uribe, na noite de segunda-feira deu a largada para a corrida presidencial na Colômbia, que escolherá em 30 de maio seu próximo líder. Uma assembleia extraordinária da legenda decidiu pela indicação de Santos que, durante um comício em Bogotá, disse que se sentia "honrado" e prometeu defender o legado de Uribe.

"Temos a tarefa de construir sobre o progresso obtido pelo governo do presidente Uribe", afirmou Santos, que agradeceu a confiança depositada nele pelo líder colombiano.

A escolha do ex-ministro para representar o partido governista nas eleições foi feita após a Corte Constitucional rejeitar uma lei que convocava um referendo sobre a segunda reeleição do presidente, fechando as portas para um terceiro mandato de Uribe. "A candidatura de Santos não foi nenhuma surpresa porque já era esperado que ele assumisse o posto caso Uribe não pudesse concorrer", afirmou ao Estado, por telefone, o cientista político Alejo Vargas, da Universidade Nacional.

Santos - que disse estar confiante de que vencerá a eleição em primeiro turno - é o candidato mais popular do país no momento graças às operações que comandou contra a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), prendendo importantes chefes rebeldes e libertando reféns. Durante o discurso após sua nomeação, o ex-ministro garantiu que não descansará até erradicar totalmente a violência "narcoterrorista" do país.

De acordo com analistas, porém, apesar de contar com altos índices de aprovação, a vitória de Santos não é garantida. "Ele deve passar para o segundo turno com facilidade, mas depois o cenário político fica incerto por causa das inúmeras possibilidades de coalizões entre os partidos", disse Vargas.

Santos afirmou que pretende dar continuidade à política de segurança democrática, implementada por Uribe para combater grupos rebeldes e o tráfico de drogas no país. O candidato ainda disse que pretende ir além, ampliando a "prosperidade democrática".

NARCOTRÁFICO
O diretor da Fundação Segurança e Democracia, Alfredo Rangel, acredita que, na área de segurança, qualquer um dos candidatos - até mesmo os de oposição - devem dar continuidade às políticas de Uribe para combater o narcotráfico. "Alguns setores da oposição reconheceram os êxitos do programa do presidente e indicaram que seguiriam pelo mesmo caminho, fazendo apenas alguns ajustes", disse Rangel.

Já Vargas acredita que, caso Santos saia vitorioso, o governo pode retomar as negociações com as Farc para libertação de reféns e até mesmo uma possível desmobilização.

Santos, de 58 anos, é membro da família que controla o El Tiempo, o principal jornal da Colômbia. Primo do atual vice-presidente, Francisco Santos, o ex-ministro chegou a ser jornalista depois de se estudar nos EUA, mas entrou para a política em 1991.


Bancos não reduzem juros, aponta Procon (Economia)
Taxas se mantiveram as mesmas na maioria das instituições pesquisadas

Levantamento feito pela Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor do Estado de São Paulo (Procon-SP), órgão vinculado à Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania do Estado, mostra que as taxas de juros cobradas pelos bancos no empréstimo pessoal e no cheque especial se mantiveram inalteradas no início de março, na comparação com fevereiro.

A pesquisa inclui dez instituições financeiras: Banco do Brasil (BB), Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Nossa Caixa, Real, Safra, Santander e Unibanco.

O levantamento, feito dia 2, já é o quinto consecutivo sem indício de queda de juros nos empréstimos pessoais. No caso do cheque especial, é o terceiro mês sem alteração.

No empréstimo pessoal, a taxa média cobrada pelos bancos se manteve em 5,17% ao mês para os contratos de 12 meses, mesma taxa de fevereiro. A única alteração de taxa de um mês para outro foi a do Bradesco, que elevou os juros cobrados nas operações de empréstimo pessoal de 5,34% para 5,37% ao mês, acréscimo de 0,03 ponto porcentual.

A maior taxa cobrada para operações de empréstimo pessoal é do Itaú e do Unibanco, 5,86% ao mês. Na outra ponta está a Caixa, com 4,39%.

No cheque especial, a taxa média dos bancos pesquisados manteve-se em 8,79% ao mês. O Safra está no topo do ranking do Procon, 12,30% de juros ao mês. A Caixa é a que cobra a menor taxa também no cheque especial, com 4,39%.

Em janeiro, o Comitê de Política Monetária do Banco Central tomou a decisão de manter a taxa básica de juros (Selic) em 8,75% ao ano, patamar inalterado desde julho. A tendência, segundo os analistas, é de elevação da taxa Selic nos próximos meses, diante da perspectiva de elevação da taxa de inflação.


IBGE prevê segunda maior safra da história

Jacqueline Farid (Economia)

As boas condições climáticas e o aumento dos investimentos em insumos agrícolas estão garantindo sucessivas elevações nas projeções para a safra 2010. Ontem, o IBGE divulgou estimativa de colheita de 145,1 milhões de toneladas este ano, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de fevereiro. A expectativa é 1,2% maior do que a apresentada no mês anterior e, se confirmada, garantirá uma produção agrícola 8,5% maior do que a registrada no ano passado, de 133,8 milhões de toneladas.

A área a ser colhida na safra atual, de 47,9 milhões de hectares, registra um aumento de 1,5% ante a safra anterior (47,2 milhões de hectares). O gerente de agricultura do instituto, Mauro Andreazzi, avalia que este ano está bem mais favorável para o setor agrícola do que 2009. "Ano passado tivemos crise econômica, incertezas e queda de preços, o que tornou o cenário desfavorável para os produtores agrícolas, mas este ano, com melhoria do clima e mais confiança, com mais investimentos, teremos uma safra bem melhor", observou.

O uso de mais insumos e maquinário garante um aumento da produtividade, com expansão da safra. O milho, por exemplo, que terá redução de área plantada de 4,1% nesta safra ante a anterior, terá um aumento na colheita estimado em 2,6%. "Apesar da redução de área que ocorreu por causa dos preços desfavoráveis para o produto, o aumento do rendimento vai garantir a alta da safra do milho", disse.

Se confirmada a projeção do IBGE, a produção total só perderá em volume, na história do País, para a safra de 2008, que atingiu 146 milhões de toneladas. Andreazzi admite que novas revisões para cima nas projeções para a safra deste ano poderão ocorrer nos próximos meses, mas adiantou que, para que a colheita deste ano possa superar o recorde anterior, terão de ocorrer expansões significativas em culturas como trigo e milho na segunda safra. "Um aumento na safra desses produtos vai depender de preços e condições climáticos, é preciso esperar", observou.

Estrela da produção agrícola nacional, a soja vai ampliar ainda mais a participação no total a ser colhido no País este ano, para 46%, contra 42% na safra anterior.


Plano de banda larga só em 2011, admite governo
Este ano, serão feitos apenas testes em algumas cidades

Gerusa Marques (Economia)

Apesar de ter virado uma promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e uma bandeira eleitoral assumida pela candidata do PT à sucessão no Planalto, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), o governo admitiu ontem que o Plano Nacional de Banda Larga não sai do papel neste ano - quando muito, serão feitos testes com um projeto-piloto. Ao longo de 2010, admitiu o ministro Franklin Martins (Comunicação da Presidência) em audiência pública no Senado, serão definidas as "diretrizes" do plano.

O anúncio solene das intenções do governo - o que é chamado de plano da banda larga - foi confirmado para a primeira quinzena de abril, quando serão lançadas as "diretrizes para a massificação da internet rápida no Brasil". Os critérios de implantação do programa, porém, só serão definidos depois, por um fórum de discussão que será formado por representantes do governo, da iniciativa privada e da sociedade civil.

Antes de expandir a banda larga para todo o País, o governo fará uma espécie de projeto-piloto para testar o plano em cerca de 300 cidades.

"É evidente que o Plano Nacional de Banda Larga não será realizado neste ano. Só um louco acharia que, até o fim do ano, nós teremos banda larga em todo o País. Você vai é discutir um plano que permita avançar neste ano e nos próximos anos", disse Martins. Especialistas ouvidos pela Agência Estado já consideravam as dificuldades que o governo enfrentará para colocar em prática o programa, que depende da solução de questões jurídicas, técnicas e financeiras.

CINCO ANOS
O assessor especial da Presidência da República, Cezar Alvarez, que coordena o grupo de estudos sobre o plano, explicou que os municípios que farão parte do projeto-piloto deverão refletir as diversas realidades do Brasil. As cidades, segundo ele, ainda não foram escolhidas, mas vão desde pequenos municípios a grandes centros urbanos, de lugares ainda não atendidos pela internet rápida a locais onde os serviços já são prestados, mas têm uma população carente que não pode contratá-los.

Nesta fase de testes, serão atendidos municípios por onde já passam as redes de fibras ópticas das estatais, nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. A escolha das cidades será feita pelo fórum de discussão, que vem sendo chamado Mesa Brasil Digital. O fórum também definirá quem participará do programa, os planos de ações, os instrumentos de acompanhamento, os investimentos e as parcerias. "O que vai chegar, como chegar e com quem chegar, a mesa dirá", afirmou Alvarez.

No anúncio do plano, segundo ele, estarão definidas as diretrizes do programa e as políticas públicas nas áreas tributária, financeira, industrial e tecnológica. "Os objetivos para 2010 são de criar um ambiente para ver como funcionam as parcerias", afirmou Alvarez, ressaltando que o programa como um todo pode levar até cinco anos para ser implantado.

O secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, um dos idealizadores do programa, disse que as estimativas iniciais apontam custos de R$ 1 bilhão para o projeto-piloto.

As diretrizes do plano de banda larga deverão ser fechadas em reunião, no início de abril, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e vários ministros envolvidos na discussão. A expectativa é de que também nesta reunião seja batido o martelo sobre a reativação da Telebrás, para administrar as redes de fibras ópticas das estatais.


Professores afirmam não acreditar na eficácia da greve
Paralisação em SP por reajuste teve baixa adesão; sindicato contesta

Luciana Alvarez

Descrença na eficácia de greves, desconfiança nas razões dos sindicatos e temor de perder rendimentos foram apontados por professores como motivos de eles não aderirem à greve da rede estadual de educação, que entrou ontem no segundo dia com baixa adesão.

Há mais de 20 anos no magistério, Regina Ferreira acredita que a paralisação só prejudica os alunos. "No passado participei de greves, mas até hoje se luta pelas mesmas coisas", disse. "As reivindicações são justas, mas a greve não resolve."

A professora da capital A.L.S. descreve a situação em sala de aula como "terrível", mas ainda assim preferiu não aderir. "Como é ano eleitoral, todos se questionam se o fundo não é político, e o movimento fica desmoralizado", afirmou.

Para muitos docentes, manter-se no trabalho tem motivações práticas, como poder prestar a prova de promoção por mérito, da qual só participam os que tiverem poucas faltas.

"Sou favorável à greve, mas só vamos aderir se todos da escola aderirem", disse Tathiana Cristina Anísio, professora em Birigui. A decisão em sua escola sai hoje. "O que percebo entre os colegas é o medo das consequências, como desconto de salário, não concorrer ao bônus. O professor fica amarrado."

A professora Silvia Avlasevicius gostaria de entrar em greve, mas está "amarrada" pelo período probatório de três anos. "A gente perde o direito à greve", reclamou. Segundo ela, o professorado sofre pressão contra a paralisação de muitas partes - da direção da escola, dos pais e da própria consciência de sua missão. "Isso faz com que a gente vá trabalhar mesmo sem condições", afirmou.

A Secretaria da Educação informou ontem que as escolas estão funcionando normalmente e 1% dos professores entraram em greve. Já o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp), ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), contesta o número e alega que ontem 55% da categoria havia aderido à paralisação no Estado.




Folha de S.Paulo


Editoriais

Queda de braço


COM A GREVE iniciada por parcela dos professores da rede estadual paulista, mais uma vez a população se vê refém do embate entre governo tucano e Apeoesp, o sindicato da categoria, filiado à CUT. Para sorte das famílias que dependem do ensino oficial, a adesão está baixa -embora o confronto ainda possa escalar.
Um dos expedientes cavilosos da Apeoesp é marcar assembleias para a avenida Paulista no final da tarde, como fará depois de amanhã. Uma forma de chantagear o governo e chamar a atenção, mesmo que implique parar a área central da cidade e prejudicar milhares de motoristas e passageiros de ônibus.


O eixo central da greve é um irreal pedido de reajuste salarial imediato de 34,3%. Os salários de fato são muito baixos (R$ 1.834 a R$ 3.181), para uma profissão com tanta responsabilidade na capacitação da força de trabalho do Estado e do país.


O governo José Serra se dispôs a elevar o teto a R$ 6.270, mas condicionando-o a avaliações que a Apeoesp rejeita como "discriminação".


Situação parecida se observa no caso dos professores temporários. É uma aberração que 43% do corpo docente se ache nessa condição incompatível com a urgente melhora do medíocre ensino paulista. A Secretaria da Educação abriu concurso, mas só para 10% das cerca de 100 mil vagas, e instituiu uma prova classificatória para selecionar docentes temporários.


A Apeoesp, claro, abomina a prova, alegando que estudantes e professores não habilitados estão substituindo mestres experientes. Na prática, defende os incapazes de passar num exame sobre aquilo que deveriam ensinar aos alunos. Nada a estranhar, vindo de um sindicato que também advoga a restauração do "direito" de multiplicar faltas sob a desculpa de tratar da saúde.



FERNANDO RODRIGUES

Hipocrisia eleitoral

BRASÍLIA - Lula, Dilma Rousseff e vários aliados governistas participaram de uma festa em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, na segunda-feira, no Rio. O evento teve o indefectível patrocínio chapa-branca da Caixa Econômica Federal e da Petrobras.

No meio da badalação, a ex-senadora e hoje secretária de Assistência Social do governo fluminense, Benedita da Silva, fez um pedido explícito de apoio para a candidatura de Dilma Rousseff a presidente.


Segundo relato do repórter Chico Otavio, a frase de Benedita foi: "Não podemos perder este momento. Eu quero uma presidenta do Brasil. E o seu nome é Dilma Rousseff". Em resumo: 1) era um evento pago com o dinheiro público; 2) Lula e Dilma estavam lá; 3) uma política petista pediu apoio para a candidatura governista.


Para completar, foram distribuídos leques de papel. Eram peças publicitárias ilustradas. De um lado, o desenho de uma moeda com o rosto de Lula e a inscrição "ele é o cara!".


Do outro lado, outra moeda com a imagem de Dilma e a frase "ela é a coroa!". O mimo era assinado por um sindicato filiado à CUT.


Ontem, o governo já havia alinhavado argumentos para se defender.


A Petrobras e a CEF não sabiam que o evento poderia ter cunho eleitoral. O leque foi produzido por uma entidade autônoma. Lula e Dilma não foram lá pedir votos.
Esse tipo de comportamento dissimulado só existe por causa de uma combinação nefanda entre uma lei anacrônica (fixando prazos para campanhas) e a hipocrisia geral dos políticos. É conveniente negar em público reais intenções com a desculpa de que a lei proíbe.


Essa anomalia só acabará quando o Supremo Tribunal Federal um dia for provocado e concluir pela inconstitucionalidade da lei que impede um cidadão de fazer campanha a qualquer tempo e época, sem usar recursos públicos -o que não é o caso atual do PT.



Câmara flexibiliza registro de candidato "ficha-suja"
Proposta de relator é tornar inelegíveis apenas os que forem condenados por colegiado

Projeto de iniciativa popular previa a inelegibilidade para condenados em 1ª ou única instância; texto foi assinado por 1,5 milhão de pessoas


Maria Clara Cabral
(Brasil)

Relatório sobre o projeto de iniciativa popular que proíbe a candidatura dos políticos "fichas-sujas" será apresentado hoje na comissão especial da Câmara com um texto mais flexível. A proposta do relator, deputado Índio da Costa (DEM-RJ), é tornar inelegíveis condenados por um colegiado.


O projeto original, apresentado em 2009 com 1,5 milhão de assinaturas, previa a inelegibilidade para os condenados em primeira ou única instância ou para aqueles que tivessem contra si denúncia recebida por órgão judicial colegiado.


Pela proposta original, se um único juiz condenasse prefeito ou vereador, por exemplo, eles não poderiam se candidatar.


Com a mudança, porém, estes podem ser condenados pelo primeiro juiz e continuar concorrendo. Só perdem o direito quando forem condenados por um colegiado na segunda instância. Deputados e senadores são julgados diretamente no STF (Supremo Tribunal Federal), em decisão única.


A pressão de congressistas de todos os partidos, no entanto, fez o relator flexibilizar o texto. "Foi a opinião da maioria, achamos que assim tem mais chance de ser aprovado", disse. Segundo ele, os crimes em questão são os dolosos, como enriquecimento ilícito, tráfico de drogas, crimes contra a dignidade sexual, entre outros.


O texto a ser apresentado hoje na comissão ainda pode sofrer modificações antes de seguir para o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP). A ideia é que a redação final seja votada no plenário em abril. Depois, ele ainda precisa seguir para o Senado.


Em seu texto, Índio da Costa também diz que políticos que renunciarem ao cargo para se livrar de denúncias em qualquer fase do processo perdem o direito de se candidatar. Atualmente, um deputado ou um senador, por exemplo, só perde seus direitos políticos se renunciar após a instalação do processo no Conselho de Ética.


A nova versão tem o apoio do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, idealizador da proposta. Francisco Whitaker, um dos coordenadores, diz que está trabalhando nas mudanças com o relator.


"Concordamos com uma coisa possível de ser aprovada. Achamos melhor fazer assim, pois concordamos com os argumentos de que a decisão em colegiado resguarda qualquer tipo de perseguição", disse.


Índio da Costa defende que as mudanças sejam válidas já para outubro.

Mesmo com a flexibilização, ainda há congressistas que são contra a proposta. O deputado José Genoino (PT-SP), por exemplo, diz que a proposta é inconstitucional.



Previdência suspende seguro contra acidentes
Medida só vale para 7.000 empresas que entraram com recurso no órgão

Empresas contestam cálculo que elevou as alíquotas; governo diz que pagamento será retroativo após análise interna dos recursos

Julianna Sofia (Dinheiro)

Pressionado pelos empresários, o governo suspendeu a cobrança do novo seguro de acidentes de trabalho para mais de 7.000 empresas que contestaram administrativamente os cálculos feitos pelo Ministério da Previdência. A suspensão valerá até que os processos sejam examinados pelo ministério, o que pode levar meses.


Desde janeiro, entraram em vigor as mudanças no seguro de acidentes de trabalho e o primeiro recolhimento dos novos valores ocorreu no último dia 20. Mas várias empresas entraram com ações judiciais e recursos administrativos por divergências com a Previdência.


A principal mudança no seguro foi a criação do FAP (Fator Acidentário de Prevenção). O mecanismo reduz ou aumenta as alíquotas já descontadas das empresas, que são de 1%, 2% e 3%, de acordo com a atividade econômica e o grau de exposição do trabalhador a riscos.

O objetivo do fator é punir empregadores que apresentam maior número de acidentes de trabalho e premiar os que reduzem as ocorrências. De acordo com a Previdência, 952.561 empresas estão sujeitas ao FAP, mas apenas 72.628 pagarão mais pelo seguro.


Em 2009, o governo arrecadou R$ 8 bilhões com o seguro de acidentes de trabalho, mas gastou R$ 14 bilhões com o pagamento de benefícios por incapacidade. As novas regras, diz o ministério, não visam elevar a receita com o seguro.


A CNI (Confederação Nacional da Indústria) rebate os argumentos da Previdência e calcula que as novas regras aumentarão os encargos sobre a folha de pagamento de 600 mil empresas. Isso porque, além de instituir o FAP, a Previdência reenquadrou vários setores em novas alíquotas.


Para a CNI, haverá aumento de 60% na arrecadação do seguro, o que representará um ônus adicional de R$ 5 bilhões por ano às empresas. A CNI vem pressionando o governo a rever as regras, pois considera a metodologia problemática, e os cálculos, equivocados.


O diretor do Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Previdência, Remígio Todeschini, diz que a suspensão da cobrança será integral e alcançará só as empresas que entraram com recursos no órgão. O prazo para contestação administrativa já foi encerrado. "Estamos fechando o número; não deve passar de 7.500 empresas."

Segundo ele, a maior parte dos recursos deverá ser derrubada administrativamente, e as empresas terão de recolher as alíquotas retroativamente. "A contestação refere-se só a dados previdenciários, não é para questionar a metodologia. A suspensão tem um efeito apenas protelatório", disse.


A CNI diz que, embora o prazo para os processos administrativos tenha expirado, as empresas ainda podem recorrer ao Judiciário, que também vem concedendo suspensão da cobrança. E o volume de ações deve crescer na Justiça porque só agora as empresas sentiram no bolso a cobrança. "A suspensão foi uma primeira medida, mas insuficiente", disse Francisco Gadelha, diretor da CNI.



Vigência já foi adiada várias vezes (Dinheiro)

Em meio à resistência dos empresários e problemas metodológicos e operacionais, o Ministério da Previdência Social adiou por mais de uma vez a entrada em vigor do FAP.

Inicialmente, a previsão era que o mecanismo vigorasse a partir de janeiro de 2008. Foi prorrogado para janeiro de 2009 e novamente adiado para o início de 2010.


Além da CNI, o setor financeiro pressionava contra a vigência das novas regras, temendo aumento de alíquotas devido ao alto índice de doenças ocupacionais entre os bancários. Por trás das idas e vindas do governo havia o receio de que o funcionamento do FAP provocasse muitas ações no Judiciário.


O governo chegou a criar, em 2008, comissão para discutir mudanças no modelo definido na época. A avaliação da Previdência era que o debate da comissão poderia garantir ao governo as condições para estabelecer um marco legal mais seguro.



FGTS dá "perda" de R$ 2,84 bi a trabalhadores só neste mês

Marcos Cézari

A forma de correção das contas do FGTS (TR mais juros de 3% ao ano) continua dando prejuízo aos trabalhadores. Hoje, quando será creditada a correção mensal, os trabalhadores perderão R$ 2,842 bilhões referentes a fevereiro. Desde 10 de dezembro de 2002, as perdas já somam R$ 61,54 bilhões.

O cálculo das perdas foi feito pela ONG Instituto FGTS Fácil com base na diferença entre a inflação de 0,78% pelo IPCA de fevereiro e a TR de janeiro (0%). Embora a correção das contas do FGTS seja feita conforme prevê a legislação, ela acarreta pesadas perdas aos trabalhadores uma vez que não há nem a reposição da inflação. Hoje, por exemplo, para que os trabalhadores não perdessem nada, a correção teria de ser de 1,0285% -a inflação de 0,78% mais os juros de 0,2466%.


Em 2009, o FGTS teve a menor rentabilidade da sua história -foram 3,90%, ante o IPCA de 4,31%. Segundo Mario Avelino, presidente do instituto, essas perdas são um "confisco legal", porque a correção segue a legislação.




Valor Econômico


Construção civil mantém otimismo para 2010

De olho no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), a ser anunciado ao fim deste mês, que ampliará obras de infraestrutura em geral e o programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida", os empresários da construção civil seguem com percepção bastante otimista sobre o aumento da atividade em 2010. 

De acordo com a Sondagem da Construção Civil, novo indicador que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) passou a divulgar, mensalmente este ano, o indicador de expectativa para os próximos seis meses situou-se em 68,4 pontos em fevereiro. Embora tenha apresentado ligeiro recuo ante os 70,6% da média de janeiro deste ano, o índice se encontra bem acima dos 50 pontos, linha divisória para as percepções negativas e positivas.

De acordo com pesquisa feita pela CNI, as grandes empresas reduziram o entusiasmo demonstrado em janeiro - a expectativa no primeiro mês do ano foi 78,8 pontos e passou para 70,1 pontos em fevereiro. Entre os proprietários das pequenas e médias construtoras, o otimismo cresceu. Nas pequenas, o indicador subiu de 63,2 pontos para 65 pontos e nas médias, de 69,3 pontos para 69,5 pontos.

Realizado entre os dias 1º e 24 de fevereiro com 335 empresas (192 pequenas, 106 médias e 37 grandes), o levantamento captou também o desempenho da construção civil em janeiro. O nível de atividade nas grandes empresas da indústria da construção civil apresentou "estabilidade elevada" em janeiro, com 0,5 ponto acima da linha divisória de desempenho, que é de 50 pontos, Em dezembro a atividade havia alcançado 53,7 pontos.

Para o economista da CNI responsável pela sondagem, Renato da Fonseca, "a estabilidade se deu em patamar elevado" , pois acima dos 50 pontos "denota que o nível de atividade em janeiro está próximo ao usual para o mês." Com relação às pequenas empresas, a atividade efetiva no mês de janeiro "denota que está próxima do usual para o mês", de acordo com o documento. Os empresários do setor estão "bastante otimistas, mesmo com a verificação de redução no índice de expectativa do nível de atividade", conforme a CNI.

A pesquisa constatou "alto otimismo" dos empresários, em relação a novos empreendimentos e à execução de serviços nos próximos meses. As previsões de compra de matérias-primas também foram elevadas. O desempenho efetivo de fevereiro será divulgado no fim deste mês.


São Bernardo prepara 'tombamento' de Lula

Marli Olmos

Wanderley Salatiel conheceu Luiz Inácio Lula da Silva em 1979 quando, aos 17 anos, trabalhava num bar em frente ao estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. Hoje, aos 49 anos, presidente do diretório municipal do PT em São Bernardo do Campo, Salatiel conseguiu evitar que uma pizzaria se instalasse no segundo andar do prédio e agora tenta agendar o dia em que o presidente da República poderá ir até à sede estampar suas mãos nas paredes que ajudou a erguer. A nove meses do fim do mandato presidencial, sem a perspectiva de novas lideranças sindicais da região ingressarem no topo da política nacional, o reduto petista do ABC prepara um tombamento de Lula em vida.

O tombamento começou pelo estádio de Vila Euclides, agora chamado de 1º de Maio. Foi na assembleia dos 100 mil metalúrgicos ali reunidos em abril de 1979 que Lula projetou-se para a política. O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), anunciou o plano de criar ali o Museu do Trabalho. O prédio foi tombado provisoriamente pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de São Bernardo em 2002.

Um poster de mais de quatro metros de comprimento cobre toda a parede da sala onde trabalha Salatiel. Lembrança da última campanha presidencial. O retrato gigante com o sorriso de Lula, que abre os braços para uma criança erguida por um soldado, foi usado num caminhão de som. Assim que o material de propaganda começou a ser retirado, o dirigente decidiu levar o cartaz ao partido.

A casa que abriga o diretório do PT recebeu melhorias recentemente. Para acomodar as visitas, foram colocados sofás vermelhos no saguão de entrada. As paredes e janelas ganharam tinta nova nas cores branca e vermelha. A reforma só preservou os buracos de bala de revólver na porta de ferro lateral - herança dos tempos de intervenção militar. O dirigente guarda um filme em que Lula aparece ajudando a despejar cimento durante a construção.

A próxima parada do circuito São Bernardo de Lula é o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Com muitas salas e um auditório, o prédio de três andares deixou de ser funcional, segundo o presidente, Sérgio Nobre. Ao contrário dos anos de ditadura, a agenda da entidade inclui muitas negociações com as empresas e um novo formato de representação dos trabalhadores, com dezenas de comitês. Mas, por uma questão histórica, ninguém ousa mexer no edifício.

Aos seus amigos de São Bernardo, Lula tem dito que uma das primeiras coisas que pretende fazer quando deixar Brasília é descansar no sítio que possui à margem da represa Billings. A expectativa dos amigos no ABC é que Lula, vez ou outra, retome a rotina de churrascos e jogos de bola no sítio. Os amigos dizem que o presidente é bom cozinheiro e esperam que ele retome o hábito de cozinhar coelho.

O sítio de Lula fica em Estoril, no Riacho Grande, um distrito ao sul da área urbana que, além da represa, reune os bairros rurais de São Bernardo do Campo. Cercado de muito verde, em meio à Mata Atlântica, na Serra do Mar, o refúgio do presidente fica na mesma rua do clube de campo do sindicato dos metalúrgicos.

A altura do mato à entrada do terreno - pequeno, segundo contam - revela que há tempos a família Lula da Silva não passa por lá. Uma placa suspensa sobre o portão de madeira anuncia o nome do sítio: "Los Fubangos". Ideia dos filhos do presidente, fubango é gíria usada por jovens que querem se referir a uma pessoa mal arrumada ou sem dinheiro.

O acesso é no início da Estrada Velha de Santos. Para quem segue pela via Anchieta, sentido Baixada Santista, "Los Fubangos" fica numa região logo após a ponte que passa por cima da represa, do lado esquerdo. No lado direito está a prainha, onde há bares e restaurantes, inclusive um flutuante, que no passado era um destino chique de casais de namorados. Esses estabelecimentos ainda funcionam, mas o Riacho Grande perdeu o glamour. Deteriorou-se. Falta estrutura para receber visitantes e há até pouco tempo os moradores reclamavam da falta de iluminação.

A prefeitura tem planos de revigorar a região. O governo federal vai dar uma mão. Em meados de dezembro, o Ministério do Turismo liberou R$ 10 milhões para revitalizar a prainha e o Estoril. O projeto prevê desde redes de água e esgoto, até a construção de quiosques, deques, ciclovia e reforma de um antigo teleférico.

Segundo o secretário de Desenvolvimento e Turismo de São Bernardo, Jefferson da Conceição, ex-economista do Dieese, a atual administração entende que é preciso resgatar a vocação turística de Riacho Grande. Isso servirá, segundo ele, para montar estrutura de turismo voltada aos que visitam a região a negócios. Apesar de abrigar diversas multinacionais, a cidade nunca teve rede de hoteis de alto padrão. O secretário está em busca também de parceiros para instalar um museu do automóvel.

O sítio de Lula é vizinho ao do prefeito, Luiz Marinho. O presidente animou-se a comprar terreno por lá depois que Marinho e dois amigos metalúrgicos haviam comprado um, em parceria. Um dos sócios do imóvel era o atual deputado federal Vicente Paulo da Silva. Vicentinho e o outro colega venderam suas partes para Marinho, que agora está prestes a morar no sítio de Riacho Grande.

Em seu gabinete, no último andar do enorme edifício no Paço Municipal, Marinho reclama da infiltração de água, cada vez mais comum. O paço inunda a cada temporal e, segundo diz, só não há goteiras no gabinete do prefeito. O único, ironiza, que recebeu manutenção das últimas administrações, comandadas por PTB, PSB e PSDB.

O PT e muitas das suas lideranças nasceram do movimento sindical de São Bernardo. Mas não se pode dizer que a cidade, com mais de 800 mil habitantes, é um reduto do partido. Ao contrário de Mauá, por exemplo, também no ABC, onde Lula sempre venceu nas eleições presidenciais.

Em São Bernardo, o PT só ganhou as eleições municipais em 1988 e 2008. Um dos amigos mais próximos de Lula, Marinho nunca escondeu o desejo de administrar a cidade. Mas permaneceu no cargo de presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) quando Lula assumiu o primeiro mandato de presidente da República. De lá saiu para assumir o Ministério do Trabalho e depois, o da Previdência. A presença de Marinho numa central poderosa com muitas facções a manteve sob controle no início do governo.

Marinho almeja a reeleição. Isso o levou a abortar a ideia de ser candidato ao governo estadual nas próximas eleições. Ele tem planos de reurbanização da periferia - "que parecia campo de concentração". Para isso, espera obter ajuda de linhas de financiamento dos governos federal e estadual. Sobre a sua mesa estão os desenhos das plantas dos projetos que mais o entusiasmam: a construção de várias unidades de CEU (Centro Educacional Unificado), criado por Marta Suplicy em São Paulo.

A administração petista enfrenta forte oposição. Marinho só conseguiu maioria na Câmara Municipal graças a uma aliança com o DEM, principal opositor do governo Lula. O vereador Admir Ferro (PSDB), líder da oposição, diz que os primeiros meses da administração petista foram "bastante conturbados". Ferro, o vereador mais votado, repete discurso comum dos opositores do PT no ABC: "Quem ganhou a eleição em São Bernardo foi Lula e não Marinho". Para ele, Lula continuará a agir como o principal cabo eleitoral do PT quando deixar a Presidência.

A iminência do término do mandato presidencial provoca sentimentos antagônicos entre as lideranças operárias em São Bernardo do Campo. O retorno do líder ao reduto causa euforia e muita expectativa por um lado, mas um sentimento de vazio por outro. Pela primeira vez desde que o Partido dos Trabalhadores começou a disputar eleições, em 1982, Luiz Inácio Lula da Silva não está no páreo. O ABC ainda não tem um trabalhador candidato a substituto de Lula. Mas o sindicalismo não quer perder espaço no poder. Há poucos dias, durante um congresso, os dirigentes dos metalúrgicos da CUT decidiram que o movimento sindical deve continuar interferindo na política nacional.

"Primeiro, vamos nos alinhar com a candidatura de Dilma", diz o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT, Carlos Aberto Grana. Além disso, os metalúrgicos decidiram fortalecer a presença dos sindicalistas na vida política. "Para que esse projeto não fique em oito anos", diz.

A maior parte dos sindicalistas e políticos alinhados com o PT que atuam no ABC hoje era formada por jovens operários quando Lula despontou na política sindical. E vieram, assim como ele, de outras regiões do país.

É o caso do presidente do diretório, Wanderley Salatiel. Ele abandonou a vida de cortador de cana em Sertãozinho, da região de Ribeirão Preto (SP), para procurar trabalho em São Paulo. E assim como Lula, chegou na carroceria de um caminhão. Arrumou emprego no bar do tio, aquele de onde assistia Lula discursar na Vila Euclides. Começou a carreira sindical numa fábrica de produtos de higiene, base dos químicos do ABC.

Foi nessa mesma época que, um dia, enquanto jogava bilhar no sindicato, Lula recebeu a visita de um jovem desconhecido, que foi pedir ajuda numa greve. Era Carlos Alberto Grana, hoje presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos. Grana conhecia o movimento sindical do ABC desde os 14 anos porque participava de uma organização chamada Juventude Operária Católica. Logo que entrou na Brosol, extinta fabricante de carburadores de Ribeirão Pires, o metalúrgico recém-formado no Senai ajudou a organizar uma greve. Mas garante que a empresa só aceitou negociar depois que Lula apareceu no carro de som.

Assim como Lula, Grana, passou mais tempo da vida trabalhando como militante do que como metalúrgico. Nas próximas eleições, ele se candidatará a uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo. O dirigente contesta a tese de que as fábricas deixaram de formar lideranças políticas. Garante que surgirá muita gente preparada para a política entre os 2 milhões de trabalhadores que formam a base de metalúrgicos no Brasil. Para um cenário mais próximo, Grana aposta as fichas em Luiz Marinho.

Para Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, os sindicalistas hoje estão prontos para atuar de uma forma diferente da época de Lula. Ele lembra que naqueles tempos era preciso fazer greves de pelo menos 40 dias porque somente a partir disso, o estoque de matéria-prima e peças terminava.

A globalização trouxe o desafio do trabalho sem estoques, o que antecipou o diálogo com os empresários. "Criamos em São Bernardo a negociação permanente", afirma. Nobre diz que a agenda do sindicato hoje é outra. Enquanto nos tempos de ditadura o movimento sindical se concentrava na briga por melhores condições dentro das fábricas e havia conflito por qualquer coisa, hoje os desafios são outros. "A agenda mudou", diz. "Agora há uma nova realidade econômica e política no país e, por isso, os sindicatos precisam estar preparados para questões como o enfrentamento da crise, o desenvolvimento regional e relações internacionais", completa.

Para Ademir Médici, pesquisador do ABC, os metalúrgicos se elitizaram. Ele lembra que muitas empresas, como a Volkswagen, que ameaçavam deixar a região, decidiram permanecer e aproveitar a especialização da mão-de-obra local.

Os lulistas do ABC aguardam o fim do mandato presidencial com grande expectativa. Seu reduto espera que, com a experiência do Planalto na bagagem, Lula continue de alguma forma engajado em movimentos populares. Essa legião de seguidores já está informada de que o presidente provavelmente se dividirá entre São Bernardo e missões internacionais em países em desenvolvimento.

Para o professor Luiz Roberto Alves, pesquisador da Universidade de São Paulo e coordenador da cátedra de gestão de cidades, no ABC, os admiradores de Lula já se conformaram em não tê-lo mais por perto porque entendem que ele é alguém construído a partir da história deles. "É o povo pobre que saiu de regiões como o Nordeste para trabalhar nas fábricas do ABC e que cresceu ouvindo a mãe contar as histórias de que pobres quase sempre perdem, mas pode haver uma esperança", afirma.

O Sindicato dos Metalúrgicos o aguarda o presidente para participar do segundo congresso da mulher metalúrgica, no fim deste mês. O primeiro foi no mandato de Lula como dirigente, em 1978. A confederação dos metalúrgicos já o aclamou presidente de honra. E, no diretório do PT, Salatiel ainda tem esperanças de que o presidente tenha tempo para ajudá-lo a organizar o partido na cidade.

Ele gostaria de preparar uma grande festa "de volta às origens". Pensou numa fila de pessoas de mãos dadas à entrada da cidade. Difícil saber, no entanto, qual entrada, já que São Bernardo do Campo faz divisa com São Paulo, Santo André, São Caetano do Sul, Diadema e Cubatão.

A vizinhança do apartamento da Avenida Prestes Maia também está na expectativa. O administrador de empresas Carlos Borges, que mora no quarto andar, petista e escorpiano como Lula, é fã do presidente. Mas ele já presenciou a cena de vizinhos erguendo faixas com "fora, Lula", em épocas de eleição. Nathali Requena, que mora nas redondeza, já se cansou do ruído dos geradores dos carros de televisão. Ela diz que não imagina Lula circulando pelo bairro com tranquilidade mesmo depois de deixar a Presidência.

Mas não é apenas a base política que espera ansiosamente pelo fim do mandato presidencial. Num modesto e agradável Restaurante do bairro Assunção, o ex-metalúrgico Juno Rodrigues Silva, o Gigio, já se prepara para servir a chuleta preferida de Lula como nos bons tempos: com o cliente sentado na mesa número 1 ou na número 2, como ele costumava fazer.

Gigio passou os dois mandatos levando o prato do presidente para o prédio da Avenida Prestes Maia, em boa parte das vezes em que ele passava pela cidade. Chegou ao requinte de enviar a carne crua, já temperada, até Brasília. Por isso, ele diz não se incomodar se a próxima missão de Lula for novamente longe do restaurante -"Eu mando a chuleta onde ele estiver".

A chuleta do Gigio pesa 850 gramas. O prato completo, que acompanha arroz, feijão, fritas e salada de alface, tomate, cebola, presunto e mussarela, custa R$ 45. O Gigio's, nome do estabelecimento que só funciona no horário do almoço, oferece outras opções. Mas a chuleta é a preferida da clientela - formada por executivos da região e políticos "da esquerda e da direita", segundo ele. Diariamente saem, em média, 25 a 30 chuletas.

Fã inveterado do presidente, Gigio montou uma galeria de fotos antigas dos tempos sindicais e uma, mais atual, ao seu lado. O caprichado salão com capacidade para 120 pessoas começou pequenino, há 22 anos. Depois de perder o emprego na fábrica e não se dar bem na política, o metalúrgico decidiu vender uma casa e comprar um bar velho. "Deus e Nossa Senhora vão te ajudar", disse Lula quando o amigo revelou os planos. Quem sugeriu a chuleta foi um camioneiro de passagem. O prato caiu no gosto graças a um bom açougue na mesma rua e ao tempero de Dona Divina, a esposa, que comanda a cozinha.

Os amigos de Lula no ABC têm um certo receio de falar com jornalistas. Gigio lembra um deles que "aprontou" depois de visitar o restaurante em busca de fotos que mostrassem o presidente da República tomando bebida alcóolica. Era Larry Rohter, o repórter do "New York Times" que chegou a ter o visto brasileiro suspenso depois de escrever, há seis anos, a polêmica reportagem sobre a suspeita de que o presidente consumiria bebida alcoólica além do razoável.

Essa é também a preocupação de Rosa Kido, a dona do bar vizinho do sindicato dos metalúrgicos. Descendente de japoneses, ela se instalou por ali em 1968 e não gosta nem de lembrar dos tempos da intervenção militar. Rosa estabeleceu uma relação especial com o passado sindical e se diz orgulhosa por conhecer políticos famosos que hoje ainda passam por lá. Desconfiada, ela vai logo dizendo que quando ia no bar, Lula só tomava guaraná e comia pastel - "E, de vez em quando um Domecq".

Entre os dois mandatos, Getúlio Vargas se refugiou numa fazenda em sua terra natal, São Borja (RS). Ninguém consegue imaginar um cenário semelhante com Lula em São Bernardo. Para o professor Luiz Roberto Alves, Getúlio, construiu "um mito que desaparecia nos intervalos de poder". Com Lula, pode ser diferente. "A liderança de Lula excede a do presidente. Se ele conseguir retornar à base sem a mitificação, terá dado um passo importante na história", diz.




Diário Catarinense


Profissionais são contra o ato médico

Profissionais e estudantes da área da saúde participaram de manifestações, ontem, em Florianópolis, Lages e Chapecó contra o Projeto de Lei 268/2002, que altera a regulamentação da profissão de médico. O projeto tramita no Senado.

De acordo com os manifestantes, o projeto, conhecido como ato médico, interfere na atuação de outros profissionais da saúde.


- Nós somos favoráveis à regulamentação, mas não da forma como está elaborada. Com esse projeto, as pessoas teriam que passar sempre pelo diagnóstico de um médico antes de ser encaminhadas para outros profissionais e a prescrição de medicamentos seria feita exclusivamente por médicos. Para dar um exemplo bem simples, uma enfermeira não poderia aplicar uma vacina sem uma prescrição - disse o presidente do Conselho Regional de Psicologia, Celso Tondin.


Outro ponto questionado por Tondin é o trecho do projeto que determina que os serviços da área devem ser chefiados apenas por médicos:


- A saúde é essencialmente multiprofissional. Esse projeto, na nossa opinião, fere os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), que preserva o atendimento integral à população.


Conselhos discutem o assunto com senadora

Em Florianópolis, profissionais e estudantes de Psicologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Farmácia, Enfermagem, Serviço Social, Nutrição e Educação Física participaram da passeata. Eles se concentraram no Largo da Alfândega e caminharam por diversas ruas, distribuindo panfletos contra o ato médico.

O assessor da senadora Ideli Salvatti (PT-SC), Cláudio Schuster, que recebeu uma carta dos manifestantes, pedindo a não aprovação do projeto, avisou que a senadora confirmou uma reunião com os presidentes dos conselhos profissionais para hoje, às 13h, no gabinete de Florianópolis.


O mesmo pedido foi encaminhado para os senadores Raimundo Colombo (DEM-SC) e Neuto de Conto (PMDB-SC). A manifestação contra o ato médico ocorreu em outros 18 estados do país.



 

Gazeta do Povo


Entidades cobram mais segurança para homossexuais no Brasil
Relatório aponta que Curitiba foi a cidade onde mais aconteceram homicídios contra homossexuais em 2009

Adriano Kotsan
 
Entidades que representam a comunidade homossexual brasileira cobram mais vigor das autoridades para o esclarecimento de crimes cometidos contra lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis no país (LBGT). De acordo com o relatório divulgado na segunda-feira (8) pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), em 2009 aconteceram 198 assassinatos contra homossexuais. Curitiba lidera a lista com o maior número de casos, 14 homicídios.

Paraná e Bahia, 25 mortes cada um, são os estados onde mais homossexuais foram assassinados em 2009. "Durante 10 anos foram assassinados 200 pessoas homossexuais no Paraná inteiro", disse Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

Após a divulgação do relatório, Toni Reis enviou uma solicitação ao ministro da Justiça, Tarso Genro, e ao ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi,, pedindo que seja feito um grupo de trabalho com a participação de ativistas homossexuais, técnicos da Secretaria Nacional de Segurança Pública e representantes das Secretarias de Segurança Pública dos estados e municípios para discutir estratégias de segurança para os homossexuais.

Também foi enviado um ofício à deputada federal Iriny Lopes (PT-ES), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. "Queremos que seja feita uma Audiência Pública sobre o assassinato de homossexuais no Brasil", disse Toni Reis.

Segundo Reis, ainda existe muito preconceito e discriminação com a comunidade homossexual. "Sabemos que a sociedade é violenta e que vários heterossexuais também foram assassinados, mas mortes por homofobia acabam ficando meio de lado. Ainda existe muita homofobia institucional", afirmou.

Reis reconhece que alguns homossexuais acabam entrando em um grupo de risco. "Travestis saem de casa e entram na prostituição. Acabam se envolvendo com drogas por falta de oportunidades", declarou. O presidente da ABGLT afirmou que o grande problema no Brasil é a questão da impunidade. "Apenas 2% dos casos de homicídios contra homossexuais são resolvidos no país", disse.

Toni Reis explicou que no Paraná está havendo avanços e que o governo está aberto para o diálogo com a comunidade homossexual. "Vamos trabalhar com os candidatos durante a campanha para que assumam compromissos para diminuir os crimes contra homossexuais", definiu.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), que informou que estava finalizando um levantamento para se pronunciar sobre o caso.


 

Agência Brasil


Dilma defende que todas as empresas privadas adotem a licença-maternidade de seis meses

Priscilla Mazenotti

Brasília - A ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, defendeu ontem (9) no Congresso Nacional a licença-maternidade de seis meses no serviço privado. A determinação já é obrigatória para o serviço público e opcional para empresas privadas que fazem parte do Programa Empresa Cidadã.

"Acatamos a lei da senadora Patrícia Saboya [PDT-CE] que torna obrigatória no serviço público a licença-maternidade de seis meses e lutamos para que as empresas também acatem essa medida", afirmou em sessão plenária em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, comemorado na segunda (8).

Dilma Rousseff contou que será avó em setembro e afirmou que sabe o quanto a maternidade traz de compreensão às mulheres. "Acho lastimável que essa mesma maternidade possa ser usada para desqualificar profissionalmente as mulheres", acrescentou.

"A luta das mulheres brasileiras na sociedade, na família e no trabalho tem sido secular. Temos plena consciência hoje de que não nascemos para sermos discriminadas. Nascemos para ter os mesmos direitos, oportunidades para receber tratamento igual na vida, na família, na sociedade e no mundo do trabalho, para viver plenamente", completou.

A proposta de emenda à Constituição que determina a licença-maternidade de seis meses no serviço privado está pronta para votação no plenário da Câmara. A proposta também concede o mesmo período de licença para mulheres que adotarem crianças ou adolescentes.


Governo pretende começar a implantar Plano Geral de Banda Larga neste ano

Roberta Lopes

Brasília - O Plano Geral de Banda Larga, que está em elaboração pelo governo, não será implementado totalmente neste ano. Segundo o ministro da Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto, Franklin Martins, "o plano é para 2014".

Durante audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, o ministro disse que "o plano está sendo concebido para ir até 2014 e é evidente que não será todo realizado este ano. É evidente que parte dele será feito este ano."

De acordo com ele, o de banda larga não pode ficar restrito a apenas alguns segmentos da sociedade."A banda larga não é luxo. Banda larga é feito alfabetização. Todo mundo tem que ter, todo mundo tem que ter acesso a informação, aos conteúdos, às trocas que existem na banda larga."

Martins disse ainda que o governo vai usar as redes de fibra óptica que pertencem à Telebrás. Isso, assinalou, poderá ser usado para "aumentar a competição, derrubar preços e fazer com que os serviços fiquem mais baratos na ponta".

O coordenador do Plano Geral de Banda Larga, Cezar Alvarez, disse que o proposta deverá ser apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na primeira quinzena de abril. "No final do mês, será ser instalada a mesa permanente que coordenará a execução do projeto."


Estados Unidos não apresentaram proposta para impedir retaliação comercial, diz Miguel Jorge

Wellton Máximo

Brasília - Os Estados Unidos não apresentaram nenhuma proposta que faça o Brasil desistir das retaliações comerciais autorizadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) ou mesmo amenizá-las, disse ontem (9) o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. Após reunião com o secretário de Comércio norte-americano, Gary Locke, o ministro afirmou que o Brasil ainda espera uma posição oficial do governo do presidente Barack Obama.

"Não houve proposta, até porque esta não era uma reunião de negociação. Estamos esperando por uma negociação que até agora não aconteceu, mas isso tem de vir da parte deles", declarou Miguel Jorge. O encontro também teve a presença da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Miguel Jorge criticou, ainda, o fato de os Estados Unidos não terem enviado representantes do Departamento de Estado, equivalente ao Ministério das Relações Exteriores brasileiro, para liderar a negociação. Segundo ele, o secretário de Comércio norte-americano não é a pessoa mais indicada para conduzir o processo.

"Eles não são as pessoas com as quais o Brasil negociaria. É como eu estar negociando um acordo diplomático com outros países, mas não sou eu quem negocia [acordos diplomáticos]. Quem faz isso é o ministro das Relações Exteriores", comparou Miguel Jorge. O encontro de hoje, afirmou, discutiu apenas acordos sobre bitributação e de cooperação em energia elétrica.

De acordo com o ministro, Gary Locke afirmou que uma guerra comercial com o Brasil não interessa aos Estados Unidos. Miguel Jorge, no entanto, garantiu que o Brasil não abrirá mão das retaliações comerciais caso não haja uma contraproposta do governo norte-americano. "Uma guerra comercial não interessa ao Brasil, assim como não interessa a ninguém. Estamos prontos a negociar quando formos chamados", disse o ministro.

Na segunda (8), o governo brasileiro divulgou uma lista de produtos norte-americanos que terão o Imposto de Importação reajustado para retaliar subsídios concedidos pelos Estados Unidos aos produtores de algodão. A sanção foi autorizada pela OMC em novembro. Desde então, o Brasil elaborava a relação de itens que passarão a pagar mais para entrar no país.

Pela lista, a retaliação em produtos poderá chegar a US$ 591 milhões. A OMC também autorizou o Brasil a preparar uma lista com retaliações em propriedade intelectual. Com a medida, o Brasil poderá quebrar patentes, além de usar marcas e direitos autorais sem autorização, como forma de complementar a retaliação aos Estados Unidos.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, a lista de retaliação de propriedade intelectual será apresentada em 23 de março aos sete ministros que compõem a Câmara de Comércio Exterior (Camex). Depois disso, a relação irá a consulta pública.


Professores da UnB entram em greve um dia após o início das aulas

Amanda Cieglinnki

Brasília - Os professores da Universidade de Brasília (UnB) decidiram ontem (9) entrar em greve após assembleia que reuniu cerca de 200 docentes. Com isso, interrompe-se o semestre que havia começado na segunda (8). Os técnicos também vão se reunir na próxima semana para decidir se aderem à paralisação.

O objetivo da greve é assegurar o pagamento da Unidade de Referência de Preços (URP), cujo corte foi determinado pelo Ministério do Planejamento no ano passado. De acordo com a UnB, a URP representa cerca de 26,05% dos salários de professores e técnicos "que, desde o final do ano passado, convivem com incertezas sobre seus vencimentos".

Segundo o ministério, a URP não é uma gratificação, mas um índice econômico criado em 1987 para reajuste de preços e salários. Uma auditoria da Secretaria de Recursos Humanos da pasta apontou irregularidades nessa movimentação financeira, incluindo a extensão do benefício a servidores contratados recentemente.

A UnB alega que o pagamento é garantido por medida judicial e por isso é realizado mediante rubrica específica no Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (Siape). Em nota entregue ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o reitor da UnB, José Geraldo, diz que a decisão do ministério contraria liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a favor da instituição e "gera instabilidade na comunidade acadêmica".

De acordo com o Ministério do Planejamento, a assessoria jurídica da pasta está elaborando um parecer conclusivo sobre o pagamento da URP e as negociações com a universidade vão continuar.


Diferenças regionais, culturais e de renda inibem crescimento do país, diz ministro
 
Stênio Ribeiro

Brasília - As disparidades regionais, culturais, econômicas, de renda e de gênero constituem um grande desafio na tentativa de fazer com que as pessoas participem do esforço coletivo na promoção de mudanças no país.


A afirmação foi feita pelo ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Samuel Pinheiro Guimarães, em palestra cujo tema foi A Visão Estratégica de País, no seminário de lançamento do programa Brasilianas.org, realizado ontem (9) na Câmara dos Deputados. O programa, que é conduzido pelo jornalista Luís Nassif, estreou na segunda (8), na TV Brasil.

O ministro citou, com base em sua experiência como embaixador de carreira, que o Brasil tem vulnerabilidades de ordem política, econômica, militar e tecnológica, que contribuem para inibir o crescimento do país. Ele destacou que, no entanto, "o problema se reduziu em parte, na área econômica, com o acúmulo de reservas". Ontem, as reservas internacionais brasileiras somavam US$ 242,1 bilhões.

Na mesma linha do ministro, o economista Ricardo Carneiro, professor da Universidade de Campinas (Unicamp), enfatizou que a crise da dívida externa brasileira "enfraqueceu o Estado e as forças produtivas do país" durante décadas. Para ele, o país retrocedeu em questões relativas à infraestrutura por ter privatizado setores típicos de Estado.

Em sua palestra "O Investimento no Desenvolvimento", o professor da Unicamp ressaltou que falta empenho da iniciativa privada em investir mais no país, deixando a grande carga de investimentos para o governo e foi o pagamento da dívida, segundo ele, que tirou, em grande medida, a capacidade de investimento do poder público.

Ele advertiu que a capacidade de investimento pode minguar novamente, porque "estamos comprometendo o futuro com gastos públicos maiores do que podemos" e também porque o país não conseguiu resolver ainda a questão da instabilidade monetária, que acarreta sérios prejuízos para o setor produtivo e para as exportações brasileiras.




Agência Estado


'Cooperados que tinham de pagar não quiseram', diz Vaccari
Segundo tesoureiro do PT, valores iniciais da Bancoop eram estimativas que tiveram de ser corrigidas

Clarissa Oliveira

SÃO PAULO - Apontado pelo Ministério Público Estadual de São paulo como responsável por um esquema de desvio de recursos na Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), o novo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, diz que houve apenas um "desequilíbrio financeiro" e nega que o dinheiro tenha ido para campanhas eleitorais de seu partido. Em entrevista exclusiva ao 'Estado', Vaccari responsabiliza os próprios cooperados por não terem conseguido as chaves dos imóveis adquiridos por meio da cooperativa.

De acordo com ele, os valores apresentados no ato da compra não passavam de "estimativas", que tiveram de ser corrigidas em decorrência de "erros orçamentários". "O que existe é uma briga entre sócios. Uma cooperativa é uma sociedade de pessoas. E alguns sócios não querem cumprir o que eles combinaram."

Como o sr. reage às conclusões do promotor José Carlos Blat, do Ministério Público Estadual?
Vocês continuam insistindo no erro. Não há R$ 100 milhões de rombo.

Então, como o sr. explica os quase três anos de investigação?
Para você ter uma ideia, ele em nenhum momento cita que teve acordo com a Bancoop. Temos um acordo judicial, transitado com o juiz, onde ele exclui a gente. De qualquer forma, há uma diferença entre um gestor financeiro e um diretor financeiro. Lá, o Luizinho (Luiz Malheiro, ex-presidente da Bancoop) optou pelo modelo de gestores. Me colocou como gestor financeiro, mas eu não assinava nada. Eu só cobrava dele que não podia dar problema.

O sr. não assinava os balanços?
Nada, nunca tive que assinar nada. Nem balanço. Só comecei a assinar quando virei presidente, quando Luizinho morreu num acidente. Eu podia renunciar, mas decidimos fazer um mandato tampão. Quando elegemos a direção, houve uma assembleia com mais de 120 cooperados, que não estavam acostumados com isso. Perguntaram qual era nosso plano de trabalho e dissemos que teríamos democracia, transparência e participação. Era nosso slogan. Houve cooperados que foram até lá, gostaram da cooperativa. Fizemos uma auditoria contábil e uma de engenharia. Para quê de engenharia? Para ver se estava tudo bem. Aí os engenheiros disseram: 'Tem problema nos preços. É muito baixo. Com esse preço que vocês puseram, vocês não constroem'. A auditoria contábil mostrou que estava desorganizado. Então, organize. Contratamos a Trevisan e agora outra empresa audita nossos balanços. Estou dizendo isso, mas você não vai escrever uma linha. Porque não é a linha do seu jornal. Você não vai escrever nada disso, vai continuar com essa bobagem de R$ 100 milhões. Aí, nós apuramos prédio a prédio e chamamos os cooperados por escrito, empreendimento a empreendimento. Dissemos a eles: 'os preços estão errados. Não se constrói com esse preço'.

Então, alguém apenas errou na primeira avaliação?
Foi um problema de custo.

Mas de quem foi esse erro?
Dos engenheiros. Muitas vezes não se fez o cálculo correto. Não é que faltava 20% em todos os empreendimentos. Em alguns, faltava R$ 3 mil. Em outros, faltava R$ 50 mil.

O sr. explica esse problema todo com famílias que não conseguiram seus imóveis por um erro orçamentário? São os cooperados que estão falando.
Nós chamamos os cooperados e dissemos a eles: 'Amigos, com esse dinheiro dá para fazer duas torres, não três. Auditem para verificar'. Alguns fizeram isso e estão tocando a vida. Outros fizeram e não concordaram com o resultado. Houve dois que enrolaram a gente. Disseram, vocês vão fazer (a auditoria), depois a gente soma e divide. Conferiram, acharam erros usuais de construção civil, nada desse escândalo que o promotor diz que tem. Só que faltava dinheiro. Então, esse dinheiro não entrou. Aí, o cara pega o termo de adesão - cooperativa não faz contrato - e lá dentro tem todas as regrinhas, inclusive a de que eles têm de pagar eventuais diferenças de preços. Mas eles dizem: 'Ah, você tem que construir por esse preço que você falou'. Mas isso é estimativa de custo.

Os cooperados, segundo o sr., não concordaram em acertar essa estimativa de custo?
Muitos não tentaram pagar. Aí, pegamos as obras prontas, fizemos o cálculo de quanto foi gasto na obra e colocamos a documentação à disposição dos cooperados para que eles auditassem. Está tudo por escrito. Já contamos essa história dez vezes. Seu jornal nunca quis escrever. Esse promotor faz essa apologia o tempo todo. Por que ele não propõe ação na Justiça? Porque não tem provas.

Mas foi o próprio irmão de Luiz Malheiro que denunciou a existência de pagamentos para o PT.
Se ele fez pagamentos ao PT, deve ter sido para alguém. Ele deve ter algum documento. O Hélio Malheiro é um picareta. Eu só o conheci quando o irmão dele morreu. E nós o demitimos por má prestação de serviço. Ele e o Andy (Roberto, ex-segurança da Bancoop), que espelhava notas. Isso tudo nós entregamos ao promotor, inclusive as notas espelhadas pelo Andy. Nós fizemos todo o processo de saneamento. Esse promotor quer sacanear comigo, porque sou petista, sou tesoureiro do PT. É uma ação eleitoreira, a mando do PSDB. Tanto é que não teve nenhum processo e só agora ele pede para quebrar meu sigilo bancário. Só agora. Eu não tenho problema nenhum com meu sigilo bancário.

O sr. não tem preocupação?
Eu vou reagir politicamente e ele que vá fazer gracinhas com as negas dele. Acabou o dinheiro, paramos as obras. Tem um empreendimento na Paulista do qual somos credores, R$ 1,5 milhão que gastamos a mais. Aí gritavam. Então, obra parada. No dia que pagarem, continua. Os cooperados tinham que pagar, alguns deles não quiseram. Outros quiseram. Os que quiseram, concluíram a obra e estão tranquilos. Concluímos algumas obras com recursos de terceiros, com o chamado Empréstimo Solidário. Se esse promotor quisesse saber quem sacou dinheiro, não ficava somando cheques de operação interbancária. Ele está somando isso e dizendo que é rombo. Não é. Por que ele não vai ao Bradesco e pede ao banco que informe quem sacou? O Bradesco tem. Está tudo lá.

Mas há indícios de que o dinheiro foi parar na campanha do PT em 2002. E não é de hoje que há um histórico de caixa 2 no PT.
Não tem caixa 2 no PT. Eu nunca tive conhecimento disso.

Chama-se 'mensalão'.
Não existe isso. Se o Blat tivesse feito uma investigação séria, não estaria dizendo tanta bobagem.

Mas o fato é que parte do dinheiro da Bancoop parece ter desaparecido.

De jeito nenhum. Nós usávamos cheques TB (transferência bancária), você não saca dinheiro - eram usados na época em que ainda tinha a CPMF. Você não saca cheque TB na boca do caixa. Não saca. Agora, se você levar um cheque normal, saca. Mas, se sacar, fica identificado quem sacou. Pergunto: por que eles não vão lá na gerência do banco para ver se a Bancoop sacou R$ 100 milhões em dinheiro lá? Não existe isso.

Como era seu relacionamento com o Luiz Malheiro?
Eu era presidente do Sindicato (dos Bancários). Tínhamos um bom relacionamento. Mas quando fizemos a auditoria de engenharia é que descobrimos que havia um problema. Teve um problema de desequilíbrio financeiro, que nós comunicamos aos cooperados. Está tudo escrito nos nossos balanços.

R$ 1,5 milhão teriam sido pagos na sua gestão à empresa do Freud Godoy.
Freud é prestador de serviços. Ele faz segurança. Nós demitimos o Andy e contratamos o Freud.

Mas o Freud não é suspeito?
Ele não tem nada suspeito, nunca foi condenado a nada. Se os jornais não gostam do Freud porque ele é assessor do Lula é um problema dos jornais. Ele tem uma empresa que presta serviços direitinho.

O sr. trocou telefonemas com Hamilton Lacerda no dia da tentativa de compra do dossiê dos 'aloprados'?
Vá lá na Polícia Federal e pegue meu depoimento. Está lá. Estamos conversando aqui, mas eu não sei o que você fez antes de chegar. E se você matou um cara na esquina? Eu sou cúmplice do seu ato? Não tem nada a ver. Nem foi o Hamilton Lacerda que ligou para mim.


Com quem o sr. falou?
O delegado da Polícia Federal não me perguntou.

Me parece uma pergunta óbvia.
Meu depoimento está lá, é público. Você está vendo como é uma engenharia política? Tentam até trazer os aloprados para a gente. O meu relacionamento com o Aloizio Mercadante (de quem é segundo suplente) é zero. É um eterno conhecido. Não fazia parte da campanha dele, não fazia nada. É uma tentativa de ilações. É serviço do PSDB.

Quem está mandando?
Acho que é o amiguinho deles promotor. Ou o próprio presidente do PSDB, ou o (José) Serra. É coisa do PSDB. Tem alguma coisa que não estou entendendo. Porque estamos dizendo as mesmas coisas há três anos. Não publicam o que a gente diz.

Mas, na sua avaliação, não parece suspeito o relacionamento da Bancoop com a Germany e outras empresas?
O que eu fiz quando era presidente? Tinha um monte de construtoras e os preços eram equivalentes. Tem construtora que processa a gente na Justiça, tem construtora que não pagou direitos dos trabalhadores e veio para nós, um monte, grande, pequena, de São Paulo, fora de São Paulo. Criamos um padrão de engenharia. Nosso desejo era até padronizar os prédios. Então, encerramos contratos. Estamos regularizando devagar. Não é fácil.

Se os problemas são tantos, por que manter a Bancoop funcionando? Afinal, ela parece criar mais problema do que solução.
De jeito nenhum. Aqueles que querem fazer as coisas da maneira certa estão fazendo. Tem que fazer direitinho. Aí, é uma boa medida de redução de custos para a construção de imóveis. Se nós falamos que é R$ 20 mil, a construtora diz que é R$ 50 mil. Nós não lançamos nenhum empreendimento nesses cinco anos. Estamos resolvendo. Alguns estavam feitos, outros estavam feitos pela metade. Se fizer certo, dá certo. Agora, a determinação do nosso sindicato é continuar fazendo produção para bancários, porque há bancários que querem comprar.
 
Quando o PT escolheu seu nome para a tesouraria, todos já sabiam que isso viria à tona. Alguns foram contra e outros até disseram que foi um pagamento por serviços prestados.
Não recebi. Não recebi pagamento.

Como foi a escolha do seu nome?
Foi um debate político, como ocorre com todo mundo. Teve gente contra, gente a favor. Tivemos de construir uma maioria. Sou bancário e a cooperativa é dos bancários. A prerrogativa de resolver esse problema foi da cooperativa, quisemos colocar tudo em ordem. Agora, o que existe é uma briga entre sócios. Uma cooperativa é uma sociedade de pessoas. E alguns sócios não querem cumprir o que eles combinaram. 'Ah, está tudo errado'. Então, audita. Nós pagamos auditoria para alguns empreendimentos. E não acharam os erros do Blat.
 
Mas o Blat não é o único. Outros organismos investigam a Bancoop.
E o que acharam? A maioria das perícias demonstraram a nossa visão ou tiveram diferenças pequenas.

Como o sr. responde à alegação de que a Bancoop foi criada com um propósito específico, de arrecadar e desviar dinheiro?
Quem faz essa acusação tem que, primeiro, provar, colocar nos autos, para nos garantir direito de defesa. A forma como as coisas têm sido feitas por alguns órgãos de imprensa e pelo promotor Blat é não permitir nosso direito de defesa.

O PSDB já prepara uma CPI na Assembleia Legislativa. Tucanos dizem que convidaram o sr. a prestar esclarecimentos e o sr. não compareceu. Agora, querem convocá-lo.

Tudo depende de como vou ser convocado. Da primeira vez, eles queriam fazer na Assembleia Legislativa um linchamento público, não queriam explicações. Nunca quiseram ouvir explicações, até porque todas as explicações nós demos. Isso tudo é uma guerra política. Por que o Blat não pediu antes a quebra do meu sigilo? Por que só pede agora, na véspera da eleição? O Ministério Público civil perguntou, pediu documentos, esclarecemos, fizemos um acordo com eles e o juiz homologou.

Por que a diferença, se a Bancoop é a mesma, o Ministério é o mesmo?

O que vocês estão fazendo para solucionar os problemas dos cooperados?
Eles têm que pagar. Se eles não pagam, não tem. Há um contrato assinado conosco, onde o preço é estimado. E eles querem transformar em Código de Defesa do Consumidor, onde o preço é fechado. Mas não foi isso o que eles assinaram. Agora, querem que entreguem sem pagar.
 
Quando o irmão do então presidente da Bancoop diz que o dinheiro ia para o PT, como fica?
Ele (Hélio Malheiro) tem que provar. O irmão dele (Luiz Malheiro) morreu. Não adianta eu apenas falar que você vende cocaína. Vou ter que provar o que eu digo.

Como o sr. enxerga o movimento do PT de manter o sr. e esse caso longe da Dilma?
Eu nunca fui próximo da Dilma. Sou militante do PT, só isso. Não frequento a Casa Civil, nem nada disso. Eu a cumprimentei uma ou duas vezes. É nossa candidata, respeito. 

O sr. faz parte do Conselho de Administração da Itaipu Binacional. Por que o sr. está lá?
Lá existem seis conselheiros, não sou só eu.

Mas quem o indicou e por quê?
Quem de direito.

Mas o que justifica sua presença nesse conselho?
Por que a perseguição comigo, só porque eu sou do PT? Só por que sou o único trabalhador, que veio dos sindicatos? Tem que indicar mais trabalhadores para os conselhos de administração. Sou representante dos sindicatos. Quando fui indicado, eu era secretário de Relações Internacionais da CUT. Qual é a característica de Itaipu? É binacional.

De uma forma ou de outra, o PT tem um histórico de irregularidade na administração de recursos e o modelo aplicado na Bancoop traz à memória o caso do mensalão.
De jeito nenhum. Pegou-se o dinheiro, usou-se na construção dos imóveis.

Nunca houve saque em dinheiro na boca do caixa, cheque circulando?
Essa informação, basta o promotor pedir ao Bradesco, que com certeza tem tudo disponível. Agora, que temos despesas operacionais, temos. O seu jornal também tem.

Como o sr. recebe o fato de alguns o compararem ao Delúbio Soares?

Pergunte a quem comparou. O que eu espero é que se conte a verdade sobre a Bancoop. O que houve foi desequilíbrio financeiro, crescimento muito acelerado. Cresceu sem o devido planejamento. Nós desativamos o que deveria ser desativado e devolvemos o dinheiro aos cooperados. Desativamos alguns conjuntos antes de colocar o primeiro tijolo. Quando o promotor faz essa agitação eleitoral, para nós se cria um grande desgaste, paralisa tudo. Mas é bom registrar que não sou mais presidente da Bancoop. Sou ex-presidente.

Quanto o sr. ganhava como presidente da Bancoop?
Está tudo registrado nos balanços, aprovado nas nossas assembleias.

Como foi o processo todo de negociação com os cooperados?
Fizemos reuniões técnicas com os cooperados, alguns empreendimentos já tinham gastado mais do que estava arrecadado, outros não tinham gastado tudo. Avisamos: 'Há um problema, os orçamentos foram feitos de forma errada. Houve desequilíbrio financeiro na elaboração do orçamento'. Colocamos os documentos à disposição deles, para que auditassem. E mais, contratem a auditoria da confiança de vocês e nós pagamos - metade, metade. A sua metade, colocamos como custo de obra. A nossa, descontamos da taxa de administração. E façam todas as verificações. O que foi encontrado é que de fato havia coisas erradas no orçamento. Oferecemos ao Ministério Público que auditasse todas as nossas obras. Foram escolhidas três obras. Chegamos a discutir o nome da empresa que faria a auditagem. Aí, o Ministério Público mandou arquivar o processo.

Mas não foi um empreendimento apenas que apresentou problema. Esse modelo problemático parece ter sido repetido prédio após prédio.
Mas alguns deram certo.




Vermelho


Altamiro Borges: Veja, Bancoop e panfletagem contra Dilma
A famíglia Civita saiu excitada do evento do Instituto Millenium, que unificou a pauta da direita midiática para a sucessão presidencial. Na mesma semana do convescote, a Veja deu a manchete garrafal: "Caiu a casa do tesoureiro do PT".

Altamiro Borges


Numa típica panfletagem, também espalhou cartazes enormes nas bancas anunciando sua "descoberta". Prova cabal de manipulação, a revista não deu capa para o "mensalão do DEM", mas para atingir a candidatura Dilma Rousseff ela promoverá "um extermínio midiático", como antecipou o novo presidente do PT, José Eduardo Dutra.

A reportagem parece uma peça acusatória de advogados fuleiros. Desrespeitando a Constituição, que prevê a "presunção de inocência", a revista volta incorrer no crime da "presunção de culpa". João Vaccari Neto, ex-dirigente da CUT, ex-diretor da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) e atual secretário de finanças do PT, é covardemente atacado, mas sequer foi ouvido. Sua foto na capa parece a de um criminoso. Na prática, a matéria não apresenta provas e apenas requenta velhas denúncias, que pipocam na mídia desde 2005 e já foram parar até no Wikipédia.

Jornalismo antiético e eleitoreiro

João Vaccari reagiu de imediato às agressões. Em nota, ele esclareceu: "1- Presidi a Bancoop de 2005 até a semana passada, quando me desliguei para assumir as minhas funções de secretário de Finanças e Planejamento do PT; 2- Nunca houve nenhum tipo de acusação contra mim e não respondo a nenhum processo, civil ou criminal; 3- Em relação à investigação da Bancoop, sempre nos colocamos à disposição das autoridades, agindo com total transparência; 4- Repudio o tipo de jornalismo antiético praticado por Veja, que diz ter passado seis meses ‘investigando' o caso e em nenhum momento procurou ouvir a mim ou a Bancoop".

A atual direção da cooperativa também divulgou nota. "A Bancoop não foi ouvida em momento algum pelos jornalistas responsáveis pela matéria da revista Veja, em clara violação ao princípio elementar da ética jornalística; a matéria tem nítida finalidade política, já que ela não agrega nenhuma novidade às acusações efetuadas no passado e devidamente rebatidas pela Bancoop". A nota presta esclarecimentos sobre os processos movidos contra a cooperativa, que até hoje não resultaram em medidas judiciais, e relata os empreendimentos imobiliários da cooperativa.

O promotor Blat sob suspeita

As explicações do novo secretário de finanças do PT e da diretoria da Bancoop não mereceram espaço na revista. A Veja preferiu dar ouvidos ao sinistro promotor José Carlos Blat, que afirma de forma leviana: "A Bancoop é hoje uma organização criminosa cuja função principal é captar recursos para o caixa dois do PT e que ajudou a financiar a campanha de Lula à Presidência em 2002". Na busca de holofotes, ele não comprova o que afirma e exacerba nas suas funções legais.

Para desgastar Dilma Rousseff, a revista até arquivou antigas denúncias contra o promotor. Blat respondeu a processo no Ministério Público, acusado de tentar se livrar de multas do Detran e de proteger corruptos do Grupo de Ação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Em 2004, ele inclusive foi afastado de suas funções no Gaeco. Na ocasião, a própria Corregedoria do Ministério Público afirmou ter encontrado vários indícios de crimes graves contra Blat.

Pretensões políticas e jogo sujo

A principal fonte da Veja foi acusada de proteger o contrabandista chinês Law Kin Chong. Em 2002, quando atuou na força-tarefa antipirataria, ele teria focado as investigações nos pequenos contrabandistas, livrando o chefe da máfia. Uma advogada do contrabandista visitava Blat periodicamente no Gaeco.

A Corregedoria descobriu ainda que Blat morou num apartamento de Alfredo Parisi, que já foi condenado por bancar o jogo do bicho. Antes de se tornar promotor, ele foi sócio do filho de Ivo Noal, outro banqueiro do bicho, numa loja de conveniência.


Sobre Blat ainda pesam as seguintes suspeitas: usar veículos e pessoal do Gaeco para interesses pessoais; negociar com um delegado a liberação de seu pai, que teria sido preso em flagrante por armazenar bens roubados; abuso de autoridade, truculência e suspeita de enriquecimento ilícito. Os bens do promotor também entraram na mira da Corregedoria. Segundo os depoimentos, Blat comprou numa só tacada dois carros importados e blindados. A Justiça de São Paulo arquivou várias destas denúncias, mas as suspeitas ainda recaem sobre o "inimigo público do PT".

Como se nota, o promotor é uma figura muito estranha. Numa recente entrevista à revista Veja, ele revelou seus próximos passos, que confirmam suas aspirações políticas. "Eu me desiludi com o Ministério Público. Estou pensando em me candidatar a deputado". Apesar das suspeitas que pesam sobre Blat, a revista deu destaque às suas insinuações contra o secretário do PT, mas sem ouvir o acusado. Pura covardia! A manipulação faz parte do jogo sujo para a batalha sucessória.



 

Conjur.com.br


STF decide se Centrais receberão contribuição

O Supremo Tribunal Federal retoma, nesta quarta-feira (10/3), o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade que discute a legalidade da destinação da contribuição sindical para as centrais sindicais. Até agora, três ministros votaram contra e três foram favoráveis às Centrais Sindicais. O ministro Dias Toffoli está impedido de votar porque opinou no processo como advogado-geral da União. Na ocasião, ele sustentou a legalidade da legislação impugnada na ação e argumentou que não há dispositivo constitucional que vede a criação de centrais por entidades sindicais.

A ADI é movida pelo Partido Democratas (DEM), que alega que os recursos da contribuição sindical têm finalidade específica, "expressamente constitucional", sendo vedada a sua utilização para o custeio de atividades que extrapolem os limites da respectiva categoria profissional. O DEM afirma que o repasse determinado pela Lei 11.648/2008 desvia recursos para as centrais, que não têm como finalidade precípua a defesa de interesses de uma ou outra categoria, sendo por isso manifestamente inconstitucional.

O relator do processo é o ministro Joaquim Barbosa, que julgou a ADI procedente. Em seu voto, o ministro disse que as Centrais Sindicais podem até exercer papel importante em negociações de interesse dos trabalhadores, mas não fazem parte da estrutura sindical e "não podem substituir as entidades sindicais nas hipóteses em que a Constituição ou a lei obrigam ou permitem o envolvimento de tais entes (os sindicatos) na salvaguarda dos interesses dos trabalhadores". Assim, conforme o ministro, "as centrais sindicais não podem ser sujeito ativo ou destinatário de receita arrecadada com tributo destinado a custear atividades nas quais as entidades sindicais não podem ser substituídas".

O ministro Ricardo Lewandowski acompanhou o relator e observou que as centrais não integram o modelo de representação de uma determinada categoria sindical e que a unicidade sindical preconizada pela Constituição não autoriza as centrais sindicais a exercer funções específicas dos sindicatos e, portanto, de receber a contribuição sindical. No mesmo sentido se pronunciou o ministro Cezar Peluso.

O ministro Marco Aurélio, que abriu a divergência, sustentou que as centrais têm representação efetiva. A CUT, por exemplo, tem 1.670 sindicatos filiados. Segundo ele, a contribuição sindical não precisa, obrigatoriamente, ficar no âmbito das entidades sindicais. Nesse sentido, ele observou que, anteriormente, 20% de sua arrecadação eram destinados ao governo. A ministra Cármen Lúcia votou pelo provimento parcial da ADI, mas pelo cabimento da destinação de parte da contribuição sindical às centrais.

O julgamento foi interrompido em julho de 2009, quando o ministro Eros Grau pediu vista do processo. Na sessão do último dia 3 de março, Eros Grau seguiu a linha da ministra Cármen Lúcia e votou contra o ponto principal da ADI. Para o ministro, as centrais cumprem função ideológica e política, voltada para os interesses do trabalho, além dos particularismos. Neste ponto o ministro Eros Grau acompanhou o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa.

Quanto à destinação da contribuição, o ministro decidiu acompanhar a divergência aberta pelo ministro Marco Aurélio, que reconheceu a legalidade desta destinação. Em seu voto, Eros Grau diz que o sujeito passivo da "contribuição sindical" não é o sindicalizado, mas qualquer empregado, trabalhador autônomo, profissional liberal ou empregador, conforme prevê a Consolidação das Leis Trabalhistas, em seu artigo 580. Com informações da Assessoria do Supremo

 
 

Bahiaoticias.com.br


CUT pressiona por prisão de Edésio Dantas

A Central Única de Trabalhadores (CUT) encaminhou nesta terça-feira (9) uma carta ao secretário de Segurança Pública da Bahia, César Nunes, em que cobra agilidade na prisão do secretário de Governo e Comunicação de Porto Seguro, Edésio Ferreira Lima Dantas. Foragido desde o dia 1° de março, ele é apontado como o mandante do assassinato dos professores sindicalistas Álvaro Henrique Santos, 28 anos, e Elisney Pereira, 31 anos, em setembro do ano passado. "Diante da gravidade dos fatos ocorridos e do sentimento de impunidade que paira no movimento sindical e na opinião pública, a Central entende que é inadmissível que desavenças entre poderes públicos enfraqueçam o trabalho até aqui desenvolvido. Para a CUT, é de extrema importância, nesse momento, que a Polícia Civil intensifique as buscas pelo criminoso citado que faça cumprir o que determina a lei", diz trecho do documento assinado pelo presidente da entidade, Martiniano Costa. O secretario também é acusado de encomendar a morte do traficante Antônio Marcos Carvalho, o "Pequeno", e do pistoleiro Rodrigo Santos Ramos, conhecido como "Terceiro", que teriam sido contratados para executar o professor Álvaro Henrique.



 


Gazetaweb.globo.com


Lenilda Lima assume presidência do PT municipal
Posse da nova diretoria acontece na próxima sexta-feira no Sindicato dos Bancários

A ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinteal) e também vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Lenilda Lima, toma posse nesta sexta-feira (12) como presidente municipal do Partido dos Trabalhadores (PT).

Lenilda afirma que o evento será reforçado com a comemoração do centenário do PT e o dia da posse será uma simbologia diante dos avanços e conquistas da mulher. "Na ocasião vamos invocar os cem anos do partido e a força feminina. O momento político é o referencial, onde temos uma mulher que pela competência, pelas lutas conquistou espaços e será a candidata a Presidência da República.

Lenilda lembra a responsabilidade e se diz honrada em presidir o PT municipal. "Maceió é o maior colégio eleitoral do partido e tenho de me sentir lisonjeada assumindo a presidência. Então o dia da nossa posse será um dia coroado, onde faremos retrospectivas de muitas lembranças importantes. No mais é trabalhar"- conclui Lenilda Lima.


A posse da nova diretoria está programada para as 19h, no auditório do Sindicato dos Bancários, no Centro, em Maceió, com a presença de autoridades estaduais.


 


Rádio Web - Jornal Brasil Atual


Carlos Ramiro, vice-presidente da CUT-SP e coordenador do Fórum das Entidades Representantes do Funcionalismo Estadual fala sobre os servidores e a reação à política unilateral adotada pelo governo Serra. Para ouvir acesse:

http://www.jornalbrasilatual.com.br/pop-player.asp?nm_caminho_audio=especial%5F2010%5F3%5F10%5F8%5F39%5F10%5F21%2Ewma&nm_audio=Frente+pela+Erradica%E7%E3o+do+Trabalho+Escravo+no+Brasil+ser%E1+lan%E7ada+hoje    



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