Twitter Facebook YouTube Flickr Orkut Conexão Sindical

CUT NACIONAL > CLIPPING > CLIPPING 12/03/10

Clipping 12/03/10

Escrito por William Pedreira
12/03/2010

Edição nº 1538 sexta, 12 de março de 2010
Fechamento: 08:45


Edição número 1538 sexta-feira, 12 de março de 2010

 

 
Fechamento: 08h45

 


Veículos Pesquisados:

 

 

Clipping CUT é um trabalho diário de captação de notícias realizado pela equipe da

Secretaria Nacional de Comunicação da CUT. Críticas e sugestões com

Leonardo Severo (leonardo@cut.org.br)

Isaías Dalle (isaias@cut.org.br)

Paula Brandão (paula.imprensa@cut.org.br)

Luiz Carvalho (luiz@cut.org.br)

William Pedreira (estagio.imprensa@cut.org.br)

Secretária de Comunicação: Rosane Bertotti (rosanebertotti@cut.org.br)




O Estado de S.Paulo



Terremoto de 6,9 graus ofusca posse de Piñera e volta a assustar chilenos
Comboio presidencial desfilava pelas mesmas ruas nas quais a população fugia após alerta de tsunami
 
João Paulo Charleaux (Internacional)

Uma nova onda de tremores voltou a atingir o Chile momentos antes de o presidente eleito, Sebastián Piñera, tomar posse ontem diante do Congresso, na cidade portuária de Valparaíso. O terremoto espalhou pânico novamente no país, 12 dias após um sismo de 8,8 graus na escala Richter matar cerca de 500 pessoas. Nervosas, autoridades que assistiam à discreta cerimônia de posse de Piñera - que contou com apenas sete chefes de Estado - olhavam para o teto do Congresso temendo o pior.

O tremor mais intenso registrado na onda de ontem teria alcançado 6,9 graus na escala Richter. Moradores da costa chilena abandonaram suas casas em busca de regiões mais altas, temendo um tsunami - como ocorreu logo após o terremoto do dia 27. A Marinha chegou a emitir um alerta contra a tragédia iminente, mas o revogou em seguida.

Em Santiago, moradores abandonaram escritórios e permaneceram nas ruas. Empresas de exploração de cobre e refino de petróleo - dois principais setores da economia chilena - escaparam ilesas, segundo comunicados do governo.

"É hora de começar o trabalho", disse Piñera no fim de seu discurso de posse. O novo presidente deu ontem início ao primeiro governo democrático de direita dos últimos 50 anos no Chile, rompendo pela primeira vez a hegemonia que a coalização de esquerda, Concertação, manteve desde a volta da democracia, em 1990. Piñera recebeu o cargo das mãos da primeira mulher a presidir o Chile, Michelle Bachelet, que concluiu seu mandato com 84% de aprovação, mas não conseguiu reeleger seu sucessor, Eduardo Frei.

Após a posse, Piñera desfilou em um Ford Galaxie preto e conversível por Valparaíso. Moradores tentavam abandonar a cidade litorânea pelas mesmas vias por onde passava o comboio presidencial. O novo presidente viajou depois a Constitución, uma das cidades mais afetadas pelo terremoto seguido de tsunami, ocorrido há 12 dias.

AUSÊNCIAS
Tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quanto seu colega venezuelano, Hugo Chávez, faltaram à cerimônia, em Santiago. Lula havia sido o primeiro líder estrangeiro a visitar o Chile após o terremoto. Na ocasião, o presidente brasileiro reuniu-se com Bachelet e com Piñera, e considerou que a visita dispensava sua presença na cerimônia de ontem. Chávez - com quem Piñera já teve divergências públicas, antes mesmo de assumir - não deu explicações.

Na semana passada, o senador de direita Sergio Romero, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, minimizou, em entrevista ao Estado, a ausência de Lula. "Não acredito que o presidente brasileiro se aproveitaria de uma situação como essas para enviar mensagens políticas ocultas a Piñera", disse.

Para Andrés Palma, que foi ministro do Planejamento do ex-presidente chileno Ricardo Lagos, "Chile e Brasil terão papel fundamental para controlar os dois extremos políticos da região: de um lado, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, que pode ser contido por Piñera, e de outro o presidente Chávez, que ouve Lula nas horas mais tensas".


PIB caiu 0,2% em 2009, mas já cresce como antes da crise global
Economia teve o pior resultado desde 1992, puxado por queda recorde da indústria e dos investimentos

Fernando Dantas (Economia)

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu 0,2% em 2009, no pior resultado desde 1992 (governo Collor), quando houve recuo de 0,5%. O PIB do último trimestre do ano passado, no entanto, cresceu 2% em relação ao trimestre anterior (8,2% anualizado), descontadas as influências sazonais.

A economia, na verdade, já retomou um ritmo que é, no mínimo, equivalente ao dos três primeiros trimestres de 2008, quando o crescimento em 12 meses estava em torno de 6,5%. O nível absoluto do PIB já quase encostou no do terceiro trimestre de 2008, que corresponde ao ponto mais alto jamais alcançado. Os dados do PIB foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O mau desempenho em 2009 foi puxado por dramáticas quedas na indústria e nos investimentos, de respectivamente 5,5% e 9,9%. Diretamente ligados à grande crise global deflagrada em setembro de 2008, esses resultados são os piores desde o início da atual série do PIB, em 1996. Na indústria, o pior desempenho em 2009 foi justamente o do coração do setor, a indústria de transformação, que recuou 7%.

"Os números de 2009 devem-se a uma pancada muito forte, mas que já está superada, com essa recuperação muito rápida", comentou o economista Samuel Pessôa, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio.

O resultado brasileiro do ano passado, na realidade, representa mais uma estagnação do que uma queda, já que está muito próximo a zero. Numa comparação global de países de economia relevante, o Brasil figura entre os de performance menos ruim. Em valores, o PIB do Brasil em 2009 registrou R$ 3,143 trilhões.

Apesar do PIB decepcionante de 2009, o consumo das famílias continuou a crescer, registrando expansão de 4,1%. Isso significa uma quebra na aceleração entre 2004 e 2008, período no qual o indicador subiu em ritmo crescente de 3,8% até 7%. Ainda assim, como nota Pessôa, o crescimento do consumo das famílias de 4,1% fez com que a população sentisse os efeitos da crise de forma muito atenuada: "É o que explica a manutenção em alta da popularidade do governo".

Também ligado ao bom ritmo do consumo das famílias, o setor de serviços sobressaiu-se em 2009, sendo o único que apresentou variação positiva, com crescimento de 2,6%. O maior destaque nos serviços foi o segmento de intermediação financeira, que inclui crédito bancário, seguros, planos de saúde e previdência complementar, que cresceu 6,5%.

A agropecuária teve recuo de 5,2% no ano passado, prejudicada pela queda na produção de lavouras importantes. Houve quedas ainda na pecuária e na exploração florestal. Rebeca Palis, gerente de Contas Trimestrais do IBGE, nota que a agropecuária caiu em todos os trimestres de 2009, comparados a iguais períodos de 2008. "Todas as lavouras sofreram bastante no ano passado, não só pela crise mas também por causa das chuvas", comentou Rebeca.

O IBGE também anunciou ontem revisões em quatro dos três trimestres anteriores ao último de 2009 - exatamente o período que compreende a crise global, desde a quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008. A revisão mostra um PIB que cai mais no primeiro momento, mas também se recupera mais velozmente.

Assim, o resultado (sempre na comparação com o trimestre anterior, em base dessazonalizada) do último trimestre de 2008 passou de queda de 2,9% para 3,5%; o do primeiro trimestre de 2009 manteve-se em queda de 0,9%; o crescimento no segundo trimestre do ano passado aumentou de 1,1% para 1,4%; e o do terceiro trimestre subiu de 1,3% para 1,7%.

Rebeca explicou que não houve nenhuma revisão dos dados em si, mas que essas mudanças decorrem do método de dessazonalização, que sempre acarreta mudanças quando novo resultado trimestral é divulgado.

Na realidade, o mercado já esperava que houvesse revisões, e acertou em cheio o resultado do PIB de 2009, com a mediana das projeções colhidas pela Agência Estado batendo exatamente em recuo de 0,2%.


PIB do Brasil em 2009 foi um dos melhores do G-20
Desempenho brasileiro fica abaixo, porém, de outros países emergentes, como Argentina, China, Índia, Indonésia e Coreia do Sul

Andrei Netto (Economia)

Mesmo com o desempenho negativo, marcado pelo recuo de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB), a economia brasileira teve um dos melhores desempenhos do Ocidente em 2009, se comparado com os demais membros do G-20. Entre as maiores economias da América Latina, só a Argentina, que cresceu 0,9%, foi melhor. Austrália e os asiáticos China, Índia, Indonésia e Coreia do Sul também tiveram desempenhos positivos, provando a boa resistência da região à crise financeira.

A comparação é baseada em dados parciais coletados pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) em institutos estatísticos das 20 maiores economias. Pelo ranking - que difere nos porcentuais, mas não nas tendências reveladas pela classificação apresentada ontem pelo Banco Central -, o PIB brasileiro é o sétimo melhor do G-20.

Pela ordem da OCDE, em 2009 a China apresentou o melhor desempenho, com 8,7%, seguida por Índia (5,6%), Indonésia (4,5%), Austrália (2,7%) e Coreia do Sul (0,2%).

A seguir, estaria a Argentina, que segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (Indec) teria crescido 0,9% em 2009. Diversos institutos independentes, entretanto, estimam que o desempenho real da economia argentina teria oscilado entre -1,5% e -4% no ano passado.

Seguindo a lista, já aparece o Brasil e seu PIB de -0,2%, o primeiro país com desempenho negativo. Pior do que a economia brasileira foram África do Sul (-1,8%), França (-2,2%), Estados Unidos (-2,4%), Canadá (-2,6%) e o trio europeu Alemanha, Itália e Reino Unido, cujas estimativas indicam retrações de 5%.

Completam a lista a Turquia (-5,8%), o México (-6,5%) e a Rússia (-7,9%), este último o único dos países dos Brics a ter registrado desempenho pior que o do Brasil.

Holanda, Espanha, Polônia e Bélgica, todos membros convidados do G-20, também tiveram desempenhos inferiores ao brasileiro. À BBC Brasil, o diretor regional para a América Latina da Economist Intelligence Unit (EIU), Justine Thody, lembrou que o País não perderá - nem ganhará - posições no ranking mundial de maiores economias, mantendo-se na nona posição.

"Os mercados de capitais relativamente profundos do Brasil, bancos muito bem capitalizados e parceiros comerciais diversificados permitirão que o País continue a ganhar com a crescente demanda na Ásia e em outras regiões emergentes", analisou Thody.

Mesmo que as lições da recessão devam servir para prevenir novos choques econômicos, a OCDE propôs ontem, em Paris, que as economias que sofreram desaceleração passem da gestão da crise à ação em áreas como emprego, concorrência e arrecadação de impostos.

"Os países emergentes estão crescendo mais rapidamente do que a maior parte dos países da OCDE. Estamos satisfeitos pelo que eles têm feito pela economia global", afirmou Pier Carlo Padoan, economista-chefe da OCDE, um dos autores do relatório "Objetivo: Crescimento".

"Mas esses países ainda estão em um período de transição, e precisam realizar reformas de mercado que possam garantir crescimento sustentável, como ocorreu em outros membros da OCDE no passado." Segundo Padoan, o País precisa seguir na via das reformas econômicas se quiser garantir sustentabilidade em médio e longo prazos.

"Em países como o Brasil, a reforma tributária poderia acelerar o crescimento e torná-lo mais sustentável, também do ponto de vista fiscal", acrescentou.


Mantega já prevê alta acima de 5,7%
Projeção oficial da Fazenda é de expansão de 5,2% este ano, mas ministro acha que País pode superar o índice

Fabio Graner e Renata Veríssimo (Economia)

Depois do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, foi a vez de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, pôr um viés de alta na projeção do governo para o crescimento da economia em 2010. Na entrevista coletiva em que comentou os números do PIB do ano passado, Mantega previu que o Brasil crescerá acima de 5,7% este ano. Pouco depois, porém, fez uma confusão de números. Falou em crescimento de 5% a 5,5%, com mais chances de ficar no topo do intervalo, mas também reiterou a projeção oficial da Fazenda, de expansão de 5,2%.

Questionado sobre qual seria o número com que a Fazenda trabalha, Mantega argumentou que não há exatidão nas projeções. "Ninguém consegue acertar com precisão absoluta. O importante é saber: Está crescendo? Está crescendo fortemente e de forma sustentável. Se der em torno de 5,5%, está excelente. Agora, se for 5,6%, 5,7%, ou 5,4%, do ponto de vista econômico é mais ou menos a mesma coisa." Vale lembrar que uma diferença de 0,2 ponto porcentual do PIB representa algo em torno de R$ 6 bilhões.

Em relação ao resultado do PIB de 2009, que caiu 0,2% ante 2008, Mantega classificou o desempenho brasileiro de "bom" e de "razoável", diante do fato de que a maioria teve quedas muito maiores. Mas o ministro preferiu concentrar sua análise no quarto trimestre. Mantega disse que o País fechou 2009 com "chave de ouro", crescendo abaixo apenas de quatro países do G-20 - o grupo dos 20 mais ricos do mundo.

Segundo ele, a indústria e os investimentos puxaram a expansão do PIB no fim do ano passado. Ele afirmou que a indústria tem capacidade ociosa e pode crescer 7% ou 8% em 2010. "Insisto que o crescimento brasileiro é sustentável."

JUROS
Apesar de satisfeita com o desempenho do PIB no quarto trimestre, a Fazenda avalia que os dados reforçam a tese de que não há superaquecimento da economia. Por isso, não haveria necessidade de alta dos juros.

Segundo uma fonte da equipe econômica, a expansão é "moderada", raciocínio apoiado na alta de 4,3% no quarto trimestre comparada com igual período de 2008. "Para quem acha que o PIB vai crescer na casa de 6%, o número mostra que precisa ocorrer aceleração mais forte", disse a fonte.


Gol fecha 2009 com lucro de R$ 890 milhões

Michelly Chaves Teixeira (Economia)

A Gol Linhas Aéreas fechou 2009 com um lucro líquido de R$ 890,8 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 1,2 bilhão apresentado no ano anterior. A receita operacional líquida, porém, recuou 5,9% no ano passado, ficando em R$ 6,02 bilhões. A geração de caixa medida pelo Ebitda saltou 1.424%, para R$ 556,1 milhões. Além da redução de 13,6% nos custos e despesas operacionais, que somaram R$ 5,6 bilhões em 2009, contribuiu para a melhora no resultado a variação cambial, que trouxe um ganho de R$ 710,7 milhões em 2009, ante uma perda de R$ 757,5 em 2008.

Para o presidente da Gol, Constantino de Oliveira Junior, os resultados foram estimulados pelo aumento da demanda interna e externa. E ele se mostra confiante com relação ao potencial do mercado brasileiro. "O Brasil conta com mais de 100 milhões de pessoas com renda disponível para adquirir passagens aéreas. Porém, menos de 16 milhões utilizam esse transporte, o que torna o Brasil um dos países com maior potencial de crescimento do setor aéreo."

FRETAMENTO
Apesar do aumento de 40,29% da demanda de seus clientes por voos internacionais em fevereiro, a Gol descarta retomar as rotas regulares de longo curso. Em vez disso, Constantino Júnior disse que nos próximos 15 dias deverá fechar contratos de fretamento de aeronaves Boeing 767. "Há bastante demanda por voos charter e estamos em fase final de negociação", disse. A empresa tem hoje três aviões parados.




Folha de S.Paulo


No Brasil, filha de Che apoia Havana e ironiza greve de fome de dissidente morto
 
Matheus Magenta (Mundo)

A pediatra cubana Aleida Guevara March, filha do líder revolucionário Ernesto Che Guevara, afirmou ontem em Salvador que os dissidentes políticos detidos em Cuba que fazem greve de fome são "delinquentes comuns" e criticou os grupos de direitos humanos que pedem a libertação deles.


As críticas de Aleida foram feitas em palestra promovida pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) num auditório da Universidade Federal da Bahia.
Para a pediatra, os grevistas são "personagens criados pela mídia para caluniar Cuba" e recebem dinheiro de empresários dos EUA e da Europa que são "contrários à Revolução Cubana".


"Normalmente um preso faz greve de fome para conseguir sua liberdade. Mas este queria TV, telefone e cozinha. Isso é absurdo, ele deveria ter sido tratado por psiquiatras. Não era um preso político", disse ela, em referência a Orlando Zapata Tamayo, que morreu em fevereiro após 85 dias de greve de fome.


Aleida também reclamou de grupos de defesa dos direitos humanos que demandam a libertação de quase 30 oposicionistas -reivindicação, por exemplo, do dissidente Guillermo Fariñas, atualmente em greve de fome.


Ela citou o caso de uma epidemia de dengue na década de 1980 que matou 101 crianças em Cuba, que, segundo ela, foi causada por agentes da CIA (inteligência dos EUA).


"Que associação de direitos humanos fez algo pelo povo cubano contra aquele e outros crimes? E com que direito eles agora criticam algo sobre a soberania de Cuba?", perguntou.



Economia se recupera no final de 2009
PIB ficou estagnado no ano passado, com queda de 0,2%, mas avançou 2% no quarto trimestre na comparação com o 3º

Consumo, estimulado por desonerações e crédito, atenuou a crise; queda no investimento e na indústria segurou a economia


Pedro Soares e Samantha Lima (Dinheiro)

A crise global restringiu investimentos, reduziu exportações, abalou a indústria e desacelerou o consumo em 2009.

A turbulência empurrou a economia brasileira para perto da estagnação: o Produto Interno Bruto (a medida da produção e da renda nacional) registrou variação negativa de 0,2% no ano passado, a primeira contração desde 1992.


Naquele ano, o país vivia ainda sob a hiperinflação de mais de 20% ao mês e se via às voltas com o impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello -evitado pela renúncia do mandatário.


Embora tenha vindo com sinal negativo, o resultado de 2009 é encarado mais como de interrupção do crescimento do que de encolhimento, pelo IBGE. "Variações entre mais meio ponto e menos meio ponto são equivalentes a zero", afirmou Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do IBGE, ao anunciar o PIB.


A avaliação é compartilhada por analistas. "O fato econômico relevante é que houve estagnação. Essencialmente, a economia em 2009 foi igual à de 2008, ou seja, um ano perdido", disse o economista Armando Castelar, analista da Gávea Investimentos.


Desde o fim do ano passado, o cenário mudou: a economia está aquecida e cresce atualmente num ritmo entre 5% e 6% anuais, segundo especialistas. "Esse crescimento para 2010 está dado até por conta da fraca base de comparação", avaliou Sérgio Vale, economista da MB Associados.


Já no quarto trimestre, o PIB avançou 2% na comparação livre de influências sazonais com o terceiro trimestre. Ante o mesmo período de 2009, o crescimento foi de 4,3%.


Para este ano, está prevista uma forte recuperação da indústria -que teve queda recorde de 5,5% em 2009, a maior da nova série do PIB, iniciada em 1996- e dos investimentos -com retração de 9,9%, também a mais expressiva da nova série.


Olhando para o retrovisor, a economia padeceu em 2009 com a redução extrema do crédito, a fraca demanda mundial e o menor otimismo de empresários -e de consumidores, em menor escala.


Consumo
Medidas como a desoneração de tributos em artigos como carros, geladeiras, fogões e móveis e a expansão do crédito em bancos públicos conseguiram atenuar esses efeitos e impulsionar o consumo das famílias -que cresceu 4,1%, o menor nível desde 2004 (3,8%).


Foi esse consumo, mesmo abaixo da média recente, que impediu uma freada mais forte da economia. O governo também ampliou gastos como forma de fazer política anticíclica: seu consumo aumentou 3,7% em 2009.


Sob a ótica da produção, o setor de serviços, menos sujeito às crises e embalado pelo consumo interno, avançou 2,6% em 2009 e atenuou a queda do PIB.


A crise travou também o comércio exterior do país: as exportações recuaram 10,3%. As importações cederam com mais intensidade: 11,4%. Desse modo, o país teve a primeira contribuição positiva do setor externo para a economia desde 2005, com acréscimo de 0,1 ponto percentual.


Indústria e investimentos

Já a queda da indústria foi tão forte que o setor perdeu peso no PIB: de 27,3% em 2008 para 25,4% em 2009. O mesmo ocorreu com os investimentos -cuja taxa como proporção do PIB cedeu de 18,7% em 2008 para 16,7% em 2009.

No sentido inverso, serviços e consumo das famílias ganharam participação na economia do país.


Para 2010, a indústria e os investimentos devem liderar o crescimento, em boa medida graças à enfraquecida base de comparação.


Nem mesmo a prevista alta da taxa básica de juros, dizem especialistas, vai abortar o crescimento deste ano -seus efeitos, preveem, serão mais notados em 2011.


"O consumo ainda deve permanecer forte, mas não vai sustentar o nível do último trimestre, quando tivemos antecipação de consumo por conta da expectativa do fim dos incentivos fiscais. Permanece elevado, porém, porque vem sustentado por uma classe média emergente, que quer consumir e que não teve a renda abalada pela crise", avalia Bernardo Wjuniski, economista da Tendências Consultoria.



Sob Lula, país cresceu mais que nos anos FHC

Pedro Soares e Samantha Lima (Dinheiro)

No embate numérico dos PIBs, o crescimento médio da economia durante o período do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) supera o exibido nos anos sob governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) -mesmo com a estagnação econômica de 2009.

No primeiro mandato de FHC (1995-1998), o crescimento médio da economia foi de 2,5% ao ano. O último ano do período teve expansão nula, quase equivalente ao índice registrado em 2009 (-0,2%), segundo dados do IBGE.


Naquele período, a média de crescimento da economia mundial por ano estava em 3,4%, segundo dados do Fundo Monetário Internacional.


Nos quatro anos seguintes, 1999 a 2002, a expansão média anual foi de 2,2% -os maiores impactos foram o racionamento, em 2001 (com PIB de 1,3%), e a crise cambial de 2002 (PIB de 2,7%).


Nesse intervalo, o mundo crescia a 3,4%, segundo o FMI.


Nos primeiros quatro anos de Lula, de 2003 a 2006, a economia cresceu, em média, 3,5% -com destaque para a expansão de 5,7% em 2004. Enquanto isso, o mundo cresceu 4,5% por ano, em média, de acordo com o FMI.


Na média dos três anos decorridos no segundo mandato de Lula, o PIB brasileiro teve expansão de 3,7%. Foi o primeiro mandato em que a economia brasileira superou a expansão mundial, abatida pela crise -que emitiu os primeiros sinais em 2007 e avançou em 2008 (com a quebra do banco Lehman Brothers nos EUA) e 2009. Nesse triênio, a economia mundial deverá ter crescimento de 2,3%, segundo dados do FMI com base em projeções para 2009.


Para o economista Bernardo Wjuniski, da Tendências Consultoria, a comparação não pode desconsiderar as conjunturas brasileira e mundial.


"Fernando Henrique teve que fazer reformas estruturais que deram a Lula condições para que tivesse boa média e avançasse em programas sociais. Não é historicamente justo creditar apenas a Lula o crescimento recente. Ele se beneficiou também da conjuntura externa, antes da crise. Mas seus méritos são inegáveis, porque ele manteve a estabilidade e criou uma nova classe média", afirma Wjuniski.


Economia começa o ano em ritmo forte
Produção industrial cresceu 16% em janeiro; em fevereiro, consumo de energia e produção de carros tiveram também forte alta

Dinamismo da economia é sentido no uso da capacidade instalada das fábricas, que está agora no nível mais alto desde outubro de 2008


Fátima Fernandes e Claudia Rolli (Dinheiro)

Alguns setores da economia começam 2010 em "ritmo chinês". Em janeiro, a produção industrial cresceu 16% ante igual período do ano passado. E, em fevereiro, o consumo de energia subiu 12,1%; a produção de carros, 23,9%, e o fluxo de caminhões nas estradas, 11,9% ante igual mês de 2009.


É fato que a comparação é com um período em que o país estava sob forte influência da crise mundial. Mas essas taxas de crescimento são tão altas que permitem aos economistas prever forte expansão da economia para este ano.


O dinamismo da economia é verificado ainda nas pesquisas de confiança de empresários e de consumidores, nas vendas do comércio e no uso da capacidade instalada das fábricas, que chegou a 84% em fevereiro deste ano, o nível mais alto desde outubro de 2008.


É resultado, segundo economistas, da queda dos juros, da expansão da oferta de crédito e de prazos de financiamento para pessoas físicas e jurídicas.


Somam-se a isso a redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para eletrodomésticos, carros, móveis e material de construção. Este é também ano de Copa do Mundo, quando cresce a demanda por televisores, DVDs e aparelhos de som, e de eleições, quando o governo gasta mais e, com isso, aumenta a demanda de setores da economia.


"O conjunto de medidas adotadas no ano passado permitiu que a economia retomasse o ritmo de atividade no segundo semestre e entrasse em 2010 com velocidade forte de crescimento. A indústria cresce em ritmo chinês, e a economia, em boa medida, depende do dinamismo da indústria", afirma Fábio Silveira, sócio-diretor da RC Consultores.


O crescimento do PIB no quarto trimestre de 2009 (de 2% ante o terceiro trimestre de 2009 e de 4,3% ante o quarto trimestre de 2008) mostra, segundo Silveira, a recuperação da economia, puxada pela indústria e pelo setor de serviços. "Essa inércia vai ser transferida para este primeiro trimestre."


Se não houver agravamento da crise externa, o país reúne hoje todas as condições para ter bom desempenho econômico neste ano, segundo economistas ouvidos pela Folha.
A produção industrial, segundo estimativa de economistas, deve crescer entre 6,5% e 7% neste ano, depois de cair 7,4% no ano passado. As vendas no comércio devem subir 8,5% neste ano (no ano passado cresceram 5,9%), e o PIB, 5%, após cair 0,2% em 2009.


O que deve puxar o crescimento da economia neste primeiro trimestre são, principalmente, a indústria, o setor de serviços e o da construção civil.


"A construção civil terá crescimento expressivo não só neste ano mas nesta década. O que justifica essa expansão são os investimentos feitos na construção residencial e nas obras de infraestrutura que estão sendo e que serão executadas", afirma Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.


Outro setor que deve manter resultado positivo neste primeiro trimestre é o comércio. "O consumidor está mais confiante: o desemprego [está] em queda, e a renda, em crescimento. A combinação desses fatores deve estimular o comércio a crescer ainda mais neste ano", afirma Altamiro Carvalho, economista da Fecomercio SP.


Só em janeiro as vendas do comércio varejista cresceram 10,4% ante igual mês do ano passado, segundo dados divulgados ontem pelo IBGE.


O maior destaque foi para a venda de móveis e eletrodomésticos -cresceu 7,9% em janeiro, depois de ter recuado entre novembro e dezembro.





Valor Econômico


Investimento cresce o triplo do consumo no 4º tri de 2009

Sérgio Lamucci, João Villaverde e Rafael Rosas

O consumo das famílias mostrou pequena desaceleração no ritmo de crescimento no quarto trimestre de 2009, registrando alta de 1,9% sobre o terceiro, feito o ajuste sazonal, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dentro da pesquisa referente ao comportamento do Produto Interno Bruto (PIB).

A ligeira perda de fôlego da demanda foi acompanhada de um forte ritmo de alta do investimento - 6,6%. Mesmo assim, essa benéfica combinação de crescimento não deve ser suficiente para que o Banco Central (BC) adie o aumento dos juros - a maioria dos analistas espera que a alta ocorra este mês ou, no máximo, em abril. Um dos riscos de 2010 é o "atraso" da oferta em relação à demanda.

No acumulado de 2009, a economia brasileira encolheu 0,2%, puxada para baixo pela retração de 9,9% do investimento e de 5,5% da indústria. O consumo das famílias serviu como um amortecedor importante para a atividade no ano em que o mundo passou pela maior crise desde os anos 30. Para 2010, as apostas se concentram em uma alta entre 5,5% e 6%, tarefa facilitada pelo forte ritmo de crescimento do fim do ano passado. Pelos dados do IBGE, se a economia não crescer nada em relação ao nível do fim de 2009, o PIB terá alta de 2,7% - o chamado "carry over".

No terceiro trimestre de 2009, o consumo das famílias chegou a apontar um ritmo explosivo - cresceu 2,4% em relação ao segundo trimestre, um número que indicava uma taxa de 10% ao ano, se fosse projetada para 12 meses. Com a alta mais modesta do quarto trimestre, a taxa anual recuou para 8,2%. A melhor notícia do PIB no quarto trimestre, porém, foi o crescimento de 6,6% do investimento, confirmando a aposta firme das empresas na expansão da capacidade produtiva. O PIB total do quarto trimestre teve alta de 2% em relação ao trimestre anterior.

O economista Júlio Callegari, do J.P. Morgan, diz que a economia brasileira mostrou uma expansão robusta no quarto trimestre, observando que o nível do PIB superou - em 0,66% - o patamar alcançado antes do agravamento da crise, no terceiro trimestre de 2008. "Com isso, ficou para trás a fase em que a economia estava se recuperando do tombo sofrido depois da crise", afirma ele, para quem isso significa que não há grande ociosidade de recursos na economia. A alta forte das vendas no varejo em janeiro, de 2,7% em relação a dezembro, feito o ajuste sazonal, confirma que a demanda segue forte, segundo Callegari. Ele espera alta de juros já na próxima semana, mas mesmo assim projeta alta do PIB de 6,2% no ano, com expansão de 17,7% no investimento e de 7% no consumo das famílias.

O economista Juan Jensen, da Tendências Consultoria Integrada, também avalia que o consumo das famílias seguiu em alta bastante forte no quarto trimestre, apesar deste indicador ter crescido a um ritmo inferior ao do PIB total pela primeira vez desde o terceiro trimestre de 2007. "Um ritmo de 1,9% por trimestre, ou quase 8% em termos anualizados, não é sustentável", afirma ele, que espera alta dos juros em abril, especialmente pela piora das expectativas de inflação.

Os investimentos, crescendo três vezes mais que o consumo das famílias, de acordo com os dados do IBGE, estão "atrasados", segundo Fernando de Paula Rocha, sócio da JGP Gestão de Recursos. Para Rocha, os empresários somente voltaram a investir quando perceberam que a demanda estava forte e iria durar. "As empresas viram que o consumo disparou e passaram a correr atrás", avalia. Em 2010, diz Rocha, o BC deve atentar para o descompasso entre oferta e demanda, que deve levar a inflação a estourar o centro da meta de 4,5% perseguida pelo BC. A JGP estima que a inflação deve fechar 2010 em 5,5%, mas, segundo Rocha, "com chances maiores de bater em 6% que recuar a 5%".

O economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, tem uma visão mais benigna da trajetória da economia, com uma moderação do ritmo de crescimento que permitirá ao BC elevar os juros apenas em junho. Ele acredita que a desaceleração do consumo das famílias continuará nos próximos meses, principalmente por conta da antecipação das compras de bens duráveis ocorrida nos trimestres anteriores, quando o consumidor aproveitou a redução das alíquotas do IPI de veículos e eletrodomésticos da linha branca.

Para Borges, a alta das importações deve aliviar pressões inflacionárias na indústria. "Ainda há uma ociosidade residual que permite à economia crescer por mais um tempo acima do seu ritmo potencial [aquele que não gera pressões inflacionárias]". A maturação dos investimentos, para os quais ele projeta alta na casa de 20% neste ano, também ajuda nesse sentido, ao aumentar a capacidade produtiva da economia.

Para Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, o hiato da economia se fechou entre o fim de 2009 e os primeiros meses deste ano, e mesmo o avanço dos investimentos verificados no período não é suficiente para dar conta da demanda. São duas consequências, diz Goldfajn, "as importações aumentam fortemente, para suprir a oferta interna, e, por outro lado, o BC terá de operar mais cedo para conter pressões inflacionárias". O Itaú Unibanco, que previa 2% de elevação no PIB do quarto trimestre, projeta que haverá déficit de US$ 2 bilhões na balança comercial em 2010. Goldfajn, que foi diretor do BC entre 2000 e 2003, acredita, também, que o Banco Central começará a elevar os juros já na semana que vem.


Indústria contrata, mas 180 mil vagas continuam fechadas

O emprego na indústria paulista começou o ano em recuperação, mas ainda falta um longo caminho para atingir o nível de ocupação registrado antes do início da crise financeira, em setembro de 2008. De acordo com dados divulgados pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o setor apresenta um déficit de 180 mil vagas entre o último trimestre de 2008 e fevereiro deste ano.

"Ainda temos um longo caminho para recuperar o emprego", afirmou ontem Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas da Fiesp. A previsão da instituição é que o número de vagas na indústria paulista feche o ano em alta de 6,2%, o que representaria a criação de cerca de 140 mil postos.

A projeção, portanto, prevê que o setor só recuperaria os níveis pré-crise no início de 2011. "Dentro dessa previsão, já teremos recuperado bastante no fim ano, mas ainda restaria um pequeno ajuste", disse Francini.

Em fevereiro, a indústria de São Paulo registrou a criação de 23 mil vagas (0,81%), apresentando o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica, em 2006. A tendência, de acordo com os pesquisadores da Fiesp, é de continuidade da alta nos próximos meses.

Francini afirmou que a elevação do nível de emprego da indústria no mês passado foi puxada por uma antecipação do início das operações nas usinas de cana-de-açúcar, para produzir álcool e açúcar, o que traz uma antecipação das contratações.

"Isso não é habitual, em fevereiro do ano passado, por exemplo, esse aumento não ocorreu", disse o diretor da Fiesp. De acordo com o Francini, o avanço tecnológico do setor permite que as usinas fiquem o menor tempo possível paradas.

Só os setores de açúcar e álcool foram responsáveis pela geração de 7.089 vagas no mês passado. E essa contribuição positiva, de acordo com a avaliação de Francini, deve se manter nos meses de março e abril.


Lula promete empenho em impasses regionais com PMDB

Raquel Ulhôa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu empenho pessoal para a solução dos problemas pendentes entre PT e PMDB nos Estados, até o fim de abril. A intenção é tentar dissipar conflitos nos locais onde ainda há chance de aliança entre os dois aliados e, onde não for possível, definir um padrão de procedimentos de campanha que garanta tratamento "igualitário" entre os parceiros.

O compromisso foi feito ontem por Lula em conversa com os presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP) e da Câmara dos Deputados, Michel Temer (SP), presidente nacional do PMDB. Da reunião, também participaram o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), 3º vice-presidente do PMDB, e o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais).

O presidente prometeu ainda que o partido será chamado a dar a palavra final no nome escolhido para substituir os quatro ministros do PMDB que irão deixar os cargos no fim do mês, porque precisam se desincompatibilizar para disputar as eleições de outubro. "Em princípio", segundo Jucá, os substitutos serão os secretários-executivos. O PMDB também quis a garantia de preservação do espaço que tem hoje nos quatro ministérios do partido cujos titulares sairão porque são candidatos.

São eles: Hélio Costa (Comunicações), pré-candidato a governador de Minas Gerais, Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), pré-candidato a governador da Bahia, Edison Lobão (Minas e Energia), que disputará o Senado, e Reinhold Stephanes (Agricultura), concorrente a deputado federal.

"O que é do PMDB continua com o PMDB. A linha é a da continuidade. A escolha (do substituto) será do ministro, com chancela do partido e indicação do presidente da República", afirmou o líder do governo, após o encontro com Lula.

O presidente assumiu o compromisso de reunir-se semanalmente com dirigentes do PMDB para fazer uma avaliação do quadro político nos Estados. Além disso, em cerca de dez dias terá reunião com dirigentes dos dois partidos para tratar do assunto. Já está definido que não haverá acordo entre PT e PMDB na Bahia e, provavelmente, no Mato Grosso do Sul. Em outros, o PMDB quer que Lula interceda para facilitar a solução de conflitos que estão dificultando a reedição da aliança. É o caso do Pará, do Ceará, de Minas Gerais e de Goiás.

A aliança deve ser firmada em definitivo em junho, quando o PMDB realiza convenção nacional para anunciar o nome do vice-presidente que vai disputar a Presidência da República na chapa da ministra Dilma Rousseff.

"O presidente vai entrar nessa conversa final. Toda semana vamos sentar com ele para fazer a avaliação do quadro político", disse Jucá. A orientação é que PT e PMDB estejam juntos onde for possível e, onde não for, que seja definida uma "relação de igualdade e respeito" de Lula e Dilma em relação aos dois partidos.




Jornal da Tarde


Apeoesp mantém ato na Paulista
Alerta do MP não muda planos do sindicato, que já foi condenado uma vez por prejudicar trânsito

Bruno Ribeiro e Monica Pestana

Apesar de um alerta do Ministério Público Estadual de que, caso interrompa o trânsito na cidade, terá de pagar indenização, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) decidiu manter a manifestação marcada para hoje, às 14h, no vão livre do Masp, na Avenida Paulista. A categoria está em greve desde segunda-feira e reivindica 34% de reajuste salarial (leia mais abaixo).

Segundo o MPE, em um caso parecido, ocorrido em 2005, a Apeoesp foi condenada a pagar R$ 1,5 milhão por danos materiais e morais à cidade. O temor é que, do vão livre, os manifestantes interrompam o trânsito da avenida, o que, de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), "gerará transtornos ao transporte público, ao trânsito de veículos e ao de pedestres, bem como, acarretará restrição a acessibilidade dos inúmeros hospitais existentes na região, dificultando o deslocamento de ambulâncias com emergências e usuários em geral dessas instituições".

O promotor José Carlos de Freitas, que recebeu um pedido de providências da CET, disse que não pode proibir os professores de fazerem a reunião, "que é um direito constitucional de todo cidadão". Mas falou que, baseado no volume extra de trânsito, pode calcular o número de cidadãos que foram atingidos pelo congestionamento e calcular uma média de prejuízos morais e materiais.


Ainda de acordo com o promotor, a Apeoesp tem imóveis penhorados, que devem ir a leilão, para pagar a indenização pela manifestação de 2005. O promotor disse que enviaria, ainda ontem, um e-mail à Apeoesp lembrando das condenações anteriores (também há uma em 2008, cujo processo não terminou) e pedindo que o trânsito não seja bloqueado.


Sobre o alerta do MP, a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha, disse que discutiria apenas as reivindicações da categoria. "Não estou discutindo CET", disse, ao se negar a falar sobre os problemas no trânsito.


Faltas
Os professores que aderiram ao movimento terão suas faltas anotadas e os dias descontados, o que implica no corte da pontuação de bônus por desempenho.

A assiduidade do professor está relacionada, de acordo com a Secretaria de Estado da Educação, ao direito de participar do programa de bônus e também do programa Valorização pelo Mérito.


O programa conta com medidas que permitem o professor aumentar o salário. São cinco faixas previstas para professores, diretores e supervisores que passam por processos seletivos compostos pelo exame de promoção de professores, feito anualmente, e análise da vida funcional do servidor.



Zona leste tem maior adesão, diz sindicato 

Escolas estaduais da zona leste da capital são as que apresentam o maior número de professores em greve, segundo levantamento do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) feito no quarto dia do movimento, iniciado na segunda-feira.

A reportagem esteve ontem na E.E. Salvador Allende, localizada no conjunto habitacional José Bonifácio, zonal leste, e apurou que não houve aulas em nenhum período. No entanto, a Secretaria de Estado da Educação nega e diz que a paralisação foi parcial.


Também na zona leste, a E.E. Salim Farah Maluf, com alguns períodos afetados pelas adesões dos professores, decidiu afixar uma lista de docentes em greve na porta de entrada para orientar os alunos.





Agência Brasil


Adesão à greve de professores de São Paulo cresce, diz sindicato

Ivy Farias

São Paulo - Os professores da rede estadual de São Paulo continuam em greve. A paralisação teve início na segunda-feira (8) e, segundo o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), continua sendo ampliada. "O movimento de greve não é automático e está recebendo adesões aos poucos", diz o sindicato por meio da assessoria.

A maior expectativa, de acordo com a Apeoesp, é para hoje (12), quando uma assembleia será realizada no vão livre do Masp.

"A partir de hoje a paralisação representará 100%", disse uma professora que preferiu não se identificar. Segundo ela, na escola em que trabalha, a Oscar Thompson (zona sul da capital), os professores estão fazendo revezamento. "Uns vêm um dia, os outros vêm no outro. Nossa paralisação é gradual, é o começo do movimento", afirmou.

Em nota, a Secretaria Estadual de Educação afirmou que apenas 1% dos professores da rede estadual está em greve e voltou a reiterar que "as escolas estaduais funcionam normalmente".

Ainda de acordo com a nota, os grevistas terão desconto salarial relativo à faltas e vão perder o bônus por resultados e o programa de valorização de metas.

"O governo está dizendo que não existe greve, mas nesta escola há", contou outro professor que preferiu não se identificar. Na escola em que leciona, a Caetano de Campos (zona sul da capital), os corredores estavam vazios e apenas quatro professoras, de um total aproximado de 80, estavam dando aula. "Eles dizem que estamos reclamando de barriga cheia, mas só nós sabemos das nossas necessidades", disse.

Na Escola Oscar Thompson, as professoras fizeram outras reivindicações, além do aumento de 34,3% pedido pelo sindicato. Elas pedem a incorporação das gratificações, a elaboração de um plano de carreiras e a realização de concurso público.

"A educação está no limite, não é apenas a falta de salário, é a falta de estrutura, de material didático para os alunos", disse uma das professoras.

Outra professora reclamou da postura do governo classificando-a como "propaganda enganosa". "Não existe isso que há dois professores na sala de aula."

Em nota, a Secretaria Estadual de Educação afirmou que a folha de pagamentos cresceu de R$ 7,8 bilhões para R$ 10,4 bilhões, um crescimento de 33% entre 2005 e 2009.

Na Escola Gomes Cardim, uma professora que preferiu não se identificar informou que não há movimento de greve e que as aulas estão sendo ministradas normalmente.

A Apeoesp informou que ainda não tem um balanço sobre o total de professores que aderiram à paralisação. De acordo com o sindicato, as informações até o momento têm sido passadas por professores grevistas de forma voluntária.


Dieese prevê retomada dos investimentos econômicos em 2010

Lisiane Wandscheer

Brasília - O diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, prevê para este ano uma retomada dos investimentos no país. Ele destacou que o equilíbrio macroeconômico se dá "quando ocorre a retomada do investimento na frente do consumo".

Lúcio disse que o crescimento de 7,7% do consumo no ano passado deverá ter continuidade este ano. O aumento do consumo foi apontado nos dados sobre o Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país), divulgados ontem (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"O Brasil foi recolocado como um mercado de consumo de massa. A tendência é que neste ano tenhamos um crescimento econômico de 5% e a geração de 2 milhões de empregos com carteira assinada. Com o incremento do emprego deve aumentar o consumo", afirmou o economista.

Para ele, os dados do PIB são positivos e refletem um crescimento econômico continuado, que foi interrompido em 2008, com a crise financeira mundial. "O Brasil diminuiu sua atividade econômica, mas foi menor do que aconteceu em outros países", disse ele, referindo-se à queda de 0,2% do PIB brasileiro, menor que a de grandes economias, como a dos Estados Unidos, do Japão, da Grã-Bretanha e da Itália.

De acordo com o economista, o aumento do salário mínimo foi um dos fatores que contribuíram para a elevação do consumo. "Os assalariados passaram a ter um incremento real do ganhos, que repercutiu também nos benefícios dos aposentados e nas transferências sociais."

Lúcio destacou que o crescimento nas regiões Norte e Nordeste é maior que no Sul e no Sudeste, em função de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família. "Os trabalhadores, mais pobres, a base da pirâmide salarial, passaram a consumir. Eles antes estavam excluídos", ressaltou.


Implantação da Lei Maria da Penha é mais difícil no meio rural, aponta Contag

Gilberto Costa
 
Brasília - A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) divulgou uma pesquisa inédita sobre a violência contra as mulheres no campo. De acordo com dados coletados durante a 4ª Plenária Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais, realizada em novembro de 2008 em Luziânia (GO), município próximo a Brasília, 55% das mulheres já sofreram algum tipo de violência como agressão física, psicológica ou sexual.

A pesquisa foi feita com cerca de 530 mulheres que atuam no movimento sindical dos trabalhadores e trabalhadoras rurais. De acordo com o estudo, 37,6% das mulheres foram ameaçadas de morte, 11,9% sofreram estupro marital e 4,3% foram mantidas em cárcere privado. Mais de 63% das agressões contra as mulheres foram cometidas pelos próprios maridos.

As formas de violência verificadas contra a mulher são passíveis de punição conforme estabelece a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.349, de agosto de 2006). No entanto, a lei criada para coibir a agressão doméstica e familiar contra as mulheres tem implementação mais difícil no meio rural, assinala Carmen Foro, secretária das Mulheres da Contag.

Segundo ela, a implantação da lei é mais difícil na zona rural por causa do atendimento às mulheres. "Não é possível se efetivar na prática a lei quando não há informação suficiente, quando não tem serviço, quando não tem capacitação dos agentes para compreender melhor a efetivação das leis", ressaltou salientando que o ambiente rural é mais conservador.

Ainda de acordo com a pesquisa da Contag, 81,5% das respondentes têm renda própria (a maioria até um salário mínimo) e 61,2% são chefes de família. Mais de um quarto das entrevistadas tem o ensino médio completo e 57,6% são casadas.

As mulheres se queixaram inclusive de violência ocorrida no interior do movimento social: 49% declararam "ter conhecimento de casos de violência no movimento sindical dos trabalhadores e trabalhadoras rurais"; 33,3% declararam "ter sofrido violência em eventos e atividades do movimento", tais como cantadas e piadas ofensivas, humilhação e até violência sexual; 22,7% afirmaram que "já ocorreram casos de violência no seu sindicato".

Segundo as entrevistadas, a principal forma de reação foi enfrentar o agressor (38,2%) e fazer denúncia (22,2%). Mais de um quarto das entrevistadas, porém, admitiu ter ficado calada. Em caso de denúncia, 22,8% das mulheres reclamam que nenhuma providência foi tomada. Setenta por cento das mulheres recomendam que o movimento divulgue a Lei Maria da Penha.

A secretária das Mulheres da Contag, Carmen Foro, disse que em casos de agressão as vítimas devem fazer denúncias à polícia e ao movimento, e buscar apoio em redes pessoais de solidariedade. A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) mantém o Disque 180 para a Central de Atendimento à Mulher.


Lula diz que governo continuará investindo em cultura em estados com poucas fontes de captação de recursos
 
Luciana Lima
 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, na abertura da 2ª Conferência Nacional de Cultura, que o governo vai continuar priorizando investimentos em estados que não têm tantas fontes para captação de recursos, como Rio de Janeiro e São Paulo.

"Imaginem o quanto o Gilberto Gil e o Juca Ferreira apanharam quando decidiram priorizar os estados que não têm possuem dinheiro", disse Lula. "Nós descobrimos que onde há dinheiro, há muita cultura, mas que também há muita cultura onde não há dinheiro."

Lula chegou a brincar com os conferencistas que reivindicavam o aumento do percentual de recursos para a cultura, insinuando que a decisão sobre a assunto passará a depender da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

"O pessoal da PEC 150 poderia ter levantado a faixa quando a Dilma estava falando. É importante atentar para o momento certo de levantar as faixas. Isso também é cultura", disse Lula, referindo-se à proposta de emenda à Constituição que vincula 2% das receitas da União, 1,5% das receitas estaduais e 1% das receitas dos municípios para investimentos em cultura.

O presidente atacou ainda editorais de jornais, que, segundo ele, seriam escritos "por falsos democratas'. Lula exemplificou citando editorais da época da criação da Petrobras, que eram contrários à exploração de petróleo no Brasil. "É que no Brasil a gente tem mania de pequenez. É sempre aquela coisa de segunda classe."


Conferência Nacional de Cultura inicia debates

Brasília - Começam hoje (12), no Centro de Convenções Brasil 21, em Brasília, os debates da 2ª Conferência Nacional de Cultura para traçar um marco regulatório do setor. Das 8h30 às 10h, será realizado o primeiro debate que vai discutir cultura, diversidade, cidadania e desenvolvimento e que será dividido em cinco eixos: produção simbólica e diversidade cultural, cultura, cidade e cidadania, cultura e desenvolvimento sustentável, cultura e economia criativa, gestão e institucionalidade da cultura.


Das 14h30 às 16h30, haverá diversas mesas-redondas simultâneas, com a participação do antropólogo Tião Rocha, do cantor Zeca Baleiro, do assessor especial da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Jorge Antônio Menna Duarte, do secretário de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura, Célio Turino, do professor da Fundação Getulio Vargas Manoel Pereira dos Santos, e da secretária municipal de Cultura do Rio, Jandira Feghali.

Também serão discutidas propostas sobre cultura e desenvolvimento sustentável, cultura e economia criativa, gestão e institucionalidade da cultura, entre outros temas. Às 17h, os diversos grupos interagem e apresentam suas metodologias de trabalho.

Às 19h, começa a programação cultural com shows, exposições e peças de teatro.




Agência Estado


Professores em greve mantêm assembleia em SP

Professores e funcionários da rede estadual de ensino de São Paulo decidiram manter o local previsto para a realização da assembleia da categoria na sexta-feira, na Avenida Paulista, apesar da recomendação contrária da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). A manifestação está marcada para começar às 14h, com concentração no vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo).

Na noite de ontem, a CET pediu ao Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo) que a ação fosse feita em outro lugar porque a ocupação total ou parcial de faixas e das calçadas da Paulista "gerará transtornos intransponíveis ao transporte público".

Os profissionais entraram em greve para reivindicar 34,3% de reajuste salarial e incorporação de todas as gratificações, extensiva aos aposentados. Segundo a Apeoesp, o movimento grevista alcançou 60% de adesão em todo o Estado.

Na última sexta-feira cerca de dois mil professores e funcionários da rede estadual de ensino aprovaram a greve por tempo indeterminado.

 
 

Guiaglobal.com.br


Desenvolvimento sustentável exige presença do Estado, diz Sachs

Reunidos em debate, membros do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) defendem que o modelo de crescimento econômico nacional deve enfrentar as questões sociais para promover sustentabilidade. Para Ignacy Sachs, um instrumento para garantir o desenvolvimento sustentável e que deve ser retomado é o planejamento de longo prazo estatal, de modo a integrar as diversas políticas públicas. O contexto para isto é favorável, justifica, já que depois de deflagrada a última a crise econômica, a crença na autoregulação do mercado está abalada.

Não é possível falar em preservação do meio ambiente sem resolver as questões sociais pendentes no Brasil. Essa foi a diretriz defendida pelo presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos, e reiterada pela maioria dos debatedores no painel Energia, Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável realizado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), orgão consultivo do governo federal, no Instituto Vitae Civilis, em São Paulo na manhã de terça-feira (9). O evento reuniu intelectuais, representantes dos trabalhadores e empresários, além do governo, para debater como concatenar crescimento econômico com preservação ambiental e justiça social.

"Um dos perigos a evitar neste campo é fazer do meio ambiente a bola da vez e usar como pretexto para postergar a problemática social. Enfrentamos um duplo desafio, o ambiental e o social. Não temos direito de pensar soluções que se façam sem tratar de maneira simultânea os dois objetivos", afirmou o diretor do Centro de Pesquisas do Brasil Contemporâneo na Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais na Universidade de Paris, Ignacy Sachs.


Na busca do novo modelo de produção e consumo, a questão do emprego se coloca no centro do debate, para o presidente da CUT. "Emprego decente e com dignidade. Essa é uma ação importante para buscar um desenvolvimento sustentável. Temos agenda colocada e reiteramos a necessidade de implementar as contrapartidas no Brasil". Entre elas, ele cita critérios para seleção de financiados por bancos públicos: "não pode emprestar para empresas que não se comprometam com emprego, questão ambiental, investimento em ciência e tecnologia, etc", defendeu.


"Hoje, 27% dos jovens entre 15 e 24 anos estão fora da escola e sem emprego no Brasil", lembrou Ladislau Dowbor, docente da pós-graduação da PUC e do grupo Crises e Oportunidades. Para ele, é inaceitável que o trabalho digno seja negado aos cidadãos, algo ainda comum no Brasil. E, assim como o presidente da CUT, o professor defendeu a regulamentação de 40 horas semanais de trabalho. "Há mais de 1 bilhão de pessoas vivendo na miséria no mundo e ninguém fala em crise nesta área", complementa.


Parâmetros para transformação

Um instrumento para garantir o desenvolvimento sustentável e que deve ser retomado é o planejamento de longo prazo estatal, de modo a integrar as diversas políticas públicas. Para Sachs, o contexto para isto é favorável, já que depois de deflagrada a última a crise econômica, a crença na autoregulação do mercado está abalada. Ele explica, porém, que é preciso construir tais planos de maneira democrática, ouvindo trabalhadores, empresários e sociedade civil organizada.

A organização social necessária para cada um dos projetos de sustentabilidade alcançarem seus objetivos deve ser também uma preocupação constante, ponderou Sachs. Como exemplo, citou o estímulo à produção de biocombustível, que deveria ser feita via agricultura familiar e não em latifúndios. Sua opinião foi compartilhada pelo presidente da CUT, que aproveitou para questionar a produção à partir da soja: "O que aconteceu com o projeto inicial?", indagou.

As propostas necessárias para a estruturação da sociedade desejada, porém, só serão colocadas em prática quando os representantes do povo deixarem de defender os interesses dos financiadores de campanha eleitoral ante o público, conforme lembrou Oded Grajew, conselheiro do CDES e presidente emérito do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. "É só olhar os financiadores, não apenas no Brasil, e ver as conseqüências em termos de decisões políticas. Falar em financiamento público de campanha é um desafio, geraria compromisso com a população e com as futuras gerações".


Realidade e agenda

O fato de o Brasil já ter, em certa medida, uma matriz energética limpa pode ser uma vantagem, mas que pode ser um risco, avalia Ricardo Abramovai, professor titular do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo e do grupo Crises e Oportunidades: o país se acomodar e perder o bonde da história. "A China constrói uma usina térmica por semana, mas os dirigentes estão conscientes de que rumam contra o rochedo e sinalizam no sentido das inovações tecnologias. No Brasil, o governo não vê problema em colocar milhares de carros a mais nas ruas". Para ele, este tipo de sinalização é perigosa e pode desconectar o país do que há de mais avançado no plano mundial.

A produção de álcool combustível no Brasil, por exemplo, ainda requer ajustes, lembrou. Hoje, citou, "a indústria sucroalcooleira usa fertilizantes químicos em excesso e contamina o lençol freático. Além disso, é preocupante e a expansão da área plantada de cana-de-açúcar no cerrado".


A estratégia de crescimento a qualquer custo no presente, postergando medidas para reduzir as emissões de gás carbônico, também foi questionada por Branca Bastos Americano, diretora do departamento de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente: "talvez esta estratégia não seja a mais interessante".


Ela pediu atenção de todos para a definição dos critérios e da regulamentação do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC), que capitará recursos para apoio a projetos ou estudos e financiamento de empreendimentos que visem à mitigação da mudança do clima e à adaptação aos seus efeitos.


Igualmente citada entre as boas iniciativas que devem nortear a agenda para conter as mudanças climáticas está a Lei 12.187, promulgada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que institui a Política Nacional sobre Mudanças do Clima (PNMC), além da Carta Aberta ao Brasil sobre Mudanças Climáticas, assinada por algumas das maiores empresas do país comprometidas com a sustentabilidade. "Nossa agenda deve partir daí", defendeu Grajew.


Representante dos empresários da construção e também conselheiro, Paulo Simão argumentou que é preciso investir em novas tecnologias e na atualização de padrões de edificação aprovados. Para ele, é fundamental criar um ambiente em todo o Brasil para que este debate incida nas mais de 130 mil empresas do ramo espalhadas pelo território nacional.



 

Oriobranco.net


1ª marcha dos trabalhadores do Acre

Gislaine Vidal

Com representação de mais de 15 sindicatos, a CUT, Central Única dos Trabalhadores e a CTB, Central dos trabalhadores do Brasil, conseguiu reunir cerca de 2 mil pessoas na primeira marcha dos trabalhadores do Acre. Segundo a presidente da CUT no Estado, Rosana Nascimento a pauta de reivindicações é extensa mas o foco está em garantir principalmente na Câmara e Senado, aprovação de projetos de lei de interesse dos trabalhadores que ainda estão em tramitação.


Entre a pauta de reivindicações, cobranças no âmbito Estadual e Federal: Política de valorização do Salário mínimo; Pagamento dos precatórios alimentícios; acordos coletivos com garantia de emprego e redução de jornada de trabalho entre outros. Exigências, que segundo Marcelo Jucá, presidente da CTB, só podem ser conquistados com manifestações em conjunto com sindicatos e trabalhadores.

A primeira marcha dos trabalhadores do Acre iniciou na Praça da Revolução, em seguida ganhou as avenida Marechal Deodoro e Avenida Brasil, com parada de 30 min em frente ao escritório do Governo. Depois a marcha seguiu para Assembléia Legislativa, onde uma comissão foi recebida pelo presidente da Mesa diretora, Edivaldo Magalhães. No âmbito Estadual, uma das reivindicações apresentadas ao governo, foi sobre o ganho real de 15% aos servidores públicos. A categoria saiu com resposta parcialmente satisfatória: o aumento linear poderá ser negociado, mas com análise de categoria por categoria.




Clickpb.com.br


Audiência no TR: Trabalhadores e patrões não fecham acordo e movimento continua

Não houve acordo na audiência realizada no Tribunal Regional do Trabalho que tinha como objetivo pôr fim a greve dos trabalhadores na construção civil, que entrou hoje em seu quato dia. 


Realizada na tarde desta quinta-feira e presidida pelo juiz convocado Ubiratan Delgado, com a presença da procuradora do trabalho Francisca Helena Camelo, a audiência foi realizada na sede do TRT com a presença de representantes do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário (Sintricom) e do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon).


O processo será encaminhado agora para o presidente do Regional, desembargador Edvaldo de Andrade, que fará a distribuição para um relator e um revisor, além de abrir vistas ao Ministério Público do Trabalho.


Abaixo, na íntegra, a ata da sudiência:

ATA DA AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO E INSTRUÇÃO DO DISSÍDIO COLETIVO NU 006500-51.2010.5.13.0000-e, EM QUE SÃO PARTES O SINDICATO DAS INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO CIVIL DE JOÃO PESSOA (SINDUSCON), COMO SUSCITANTE, E O SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO E DO MOBILIÁRIO DE JOÃO PESSOA-PB (SINTRICOM), COMO SUSCITADO.

Aos onze dias do mês de março do ano de dois mil e dez, às quinze horas, na Sala das Sessões do Tribunal Regional do Trabalho da Décima Terceira Região, em João Pessoa, Estado da Paraíba, sob a Presidência de Sua Excelência o Senhor Juiz UBIRATAN MOREIRA DELGADO, com a presença de Sua Excelência a Senhora Dra. FRANCISCA HELENA DUARTE CAMELO, Procuradora do Trabalho da 13ª Região, foi aberta a Audiência de Conciliação e Instrução do presente Dissídio Coletivo, entre as partes acima mencionadas, com os seguintes representantes:


I - SUSCITANTE (Patronato) : Representado pelo Presidente, Sr. José Irenaldo Jordão Quintans, assistido pelo seu Advogado, Dr. José Mário Porto Júnior, OAB-PB Nº 3045, e pelo Diretor Osvaz Mangueira Filho;


II - SUSCITADO (Trabalhadores) : Representado pelo seu Presidente, Sr. Edmilsom da Silva Souza, assistido pela advogada, Dr. Marizete Pinheiro da Silva, OAB/PB nº 8298, com a presença dos Srs. Paulo Marcelo de Lima, Tesoureiro, e Gilberto Paulino de Oliveira, Representante da CUT-PB.


Aberta a audiência e relatado o processo, o Juiz Presidente dos trabalhos indagou se o Sindicato Suscitado concorda com a instauração da Instância, tendo o mesmo dito que sim. Após várias tentativas conciliatórias as partes não chegaram a nenhum acordo. O sindicato suscitante, no entanto, propôs que a greve fosse suspensa até o dia 31 de março próximo, voltando as partes a negociar estritamente as cláusulas salariais, mantendo-se todas as demais cláusulas da convenção coletiva 2008/2009.


Os representantes do suscitado apresentaram contraproposta, no sentido de que aceitariam a suspensão temporária da greve, nos termos propostos, desde que já ficasse ajustado o pagamento dos dias de paralisação. O suscitante argumentou que não poderia de antemão se comprometer com o pagamento dos dias parados, mas tal questão deveria ficar sujeita à negociação a ser entabulada enquanto suspensa a greve. Os representantes do suscitado ficaram de levar a proposta à Assembléia da categoria ainda hoje e, caso aceita, comunicará por escrito nos autos para efeito de suspensão do processo até que cheguem a um acordo ou até o final do prazo proposto pelo suscitante. Isto, no entanto, não impede o encerramento da instrução na data de hoje, bem como o prosseguimento do feito na hipótese de não aceitação da proposta de suspensão pela categoria profissional.

Em seguida, o Juiz Presidente recebeu do Suscitado a contestação, por escrito, em 04 laudas acompanhada do instrumento procuratório e 26 documentos. Dada vista à parte contrária para falar sobre os documentos ora apresentados, o advogado do suscitante disse: "Em relação aos documentos titulados 02 até 09, nada a impugnar desde que trata de documentos, alguns deles que constituem a pauta reinvindicatória e ofícios endereçados ao SINDUSCOM, comprovando a evolução da negociação ocorrida desde o seu início.


Com relação ao documento nº 10, em que pese estar titulado com Edital de Convocação, não se sabe ao certo em qual matutino foi divulgado, já que não contem a sua indicação com clareza. Aliado ao Edital de Convocação de Assembléia, segue uma ata que está a indicar como sendo documento 11 e que teria se realizado em 25/02/2010, a qual não contém qualquer assinatura, sendo portanto apócrifo. Se não bastasse teria sido nessa assembléia, de acordo, com a manifestação do suscitado, que teria ocorrido a deliberação de deflagração do movimento paredista. Ocorre, todavia, que tal ata não contém qualquer aprovação da categoria para deflagração do movimento paredista. Consta apenas que o início do movimento ocorreria no dia 08 de março corrente. Portanto, os documentos 10 e 11 trazidos com a defesa ficam impugnados quanto a forma e conteúdo.

Com relação aos documentos 13, este também fica impugnado, desde que contém uma nulidade insanável, é que de acordo com os elementos que constam nos autos, o ofício teria sido expedido em 26/02/2010, e teria sido recebido pelo suscitante em 25/02/2010, ou seja, antes de realizada a assembléia que teria, segundo o suscitado, decidido pelo movimento paredista, ora, a assembléia teria sido realizada na noite do dia 25/02 e o ofício comunicando a possível paralisação teria chegado no horário comercial ao suscitante antes da sua realização, afinal, o suscitante não tem expediente noturno. Em relação aos documentos cópias de ofícios e cópias de atas de mesa redonda, nada há a impugnar. Por fim, com relação as tabelas de salário da categoria, estas comprovam que ao longo dos últimos 06 anos, a classe obreira teria recebido reajuste salarial acima da inflação apurada nos respectivos períodos revisandos.


Por fim, com relação ao estatuto do suscitado, nada a impugnar". Por sua vez, o advogado do Suscitante requereu a juntada de uma declaração do MTE, sobre a qual foi ouvida a advogada do suscitado, a qual não apresentou impugnação. Razões finais do Suscitante e do Suscitado remissivas às peças da inicial e contestação, respectivamente. O Juiz Presidente determinou a imediata remessa dos presentes autos à Presidência deste Tribunal, nos termos do art. 114 do Regimento Interno. Encerrada a instrução.


UBIRATAN MOREIRA DELGADO

Juiz Presidente

 
 

Rádio Web - Jornal Brasil Atual


CUT critica medida de suspender a votação das PECs

O colégio de líderes da Câmara dos Deputados decidiu nesta quarta-feira (9) suspender por três semanas a votação no Plenário das Propostas de Emenda à Constituição (PECs). Segundo o presidente da Câmara, deputado Michel Temer, nesse intervalo os líderes formarão uma comissão para analisar melhor as matérias prontas para deliberação e estabelecer critérios e datas para a apreciação. Atualmente existem 420 PECs tramitando na Câmara das quais 63 estão prontas para análise do Plenário, entre elas, a que estabelece a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais. Quintino Severo, secretário geral da CUT, criticou duramente a medida. O dirigente é de opinião que o Congresso teme a pressão do período eleitoral e por isso boicota a votação de medidas importantes para os trabalhadores.  Para ouvir acesse:

http://www.jornalbrasilatual.com.br/pop-player.asp?nm_caminho_audio=informe%5Fcut%5F2010%5F3%5F12%5F7%5F34%5F19%5F88%2Ewma&nm_audio=CUT+critica+medida+de+suspender+a+vota%E7%E3o+das+PECs
  • Imprimir
  • w"E-mail"
  • Compartilhe esta noticia
  • Orkut
  • FaceBook
  • Twitter

Conteúdo Relacionado

FNDC Redes Sociais CUT Comitê Brasil em defesa das florestas e do desenvolvimento sustentável Clipping CUT Brasil Atual 2 TVT Banner Água para o Brasil

Copyright © 2002-2009 CUT Central Única dos Trabalhadores | 3.438 - Entidades Filiadas | 7.464.846 - Sócios | 22.034.145 - Representados
Rua Caetano Pinto nº 575 CEP 03041-000 Brás, São Paulo SP | Telefone (0xx11) 2108 9200 - Fax (0xx11) 2108 9310