Edição número 1591 sexta-feira,
21 de maio de 2010
Fechamento: 08h50
Veículos Pesquisados:
Clipping CUT é um trabalho diário de captação de
notícias realizado pela equipe da
Secretaria Nacional de Comunicação da CUT. Críticas e
sugestões com
Leonardo Severo (leonardo@cut.org.br)
Isaías Dalle (isaias@cut.org.br)
Paula Brandão (paula.imprensa@cut.org.br)
Luiz Carvalho (luiz@cut.org.br)
William Pedreira (william@cut.org.br)
Secretária de Comunicação: Rosane Bertotti (rosanebertotti@cut.org.br)
O Estado
de S.Paulo
Em
negociação com PDT, PT adia nome de vice em SP
Gustavo Porto (Política)
Representantes
do PT de São Paulo passaram o início da semana em conversas com o PDT na
tentativa de evitar uma crise com o aliado no Estado. Os pedetistas não
gostaram do lançamento do nome do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) como
pré-candidato a vice-governador na chapa de Aloizio Mercadante, cargo que lhes
havia sido prometido pelo PT. Após negociações, aparentemente a paz voltou
entre os aliados, mas a escolha do vice foi postergada.
"Está
tudo tranquilo, pacificado e repito que sempre coube ao PDT a definição do nome
do vice, o que não vai acontecer agora", disse Edinho Silva, presidente
estadual do PT, sem detalhar as negociações. "Para que ter pressa se temos
até 26 junho para definir o nome do vice?", indagou. Na semana passada, no
entanto, o presidente do PT paulista falava em uma definição rápida para os
principais cargos da chapa ao governo, formada por, até agora, 11 partidos de
oposição ao PSDB no Estado.
A
reportagem apurou que foi grande o descontentamento de uma ala do PT e de
praticamente o PDT inteiro de São Paulo por terem tomado conhecimento, pela
imprensa, do convite feito a Suplicy pelo coordenador da campanha de
Mercadante, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza. Na segunda-feira, o PDT
boicotou a reunião da frente partidária ocorrida em São Paulo.
Pesquisa
Ontem,
dirigentes do PT foram a Brasília discutir a aliança e, à noite, Edinho
preferia comemorar o desempenho de Mercadante na pesquisa Vox Populi divulgada
pela TV Bandeirantes a falar sobre as conversas com o PDT. Os números apontam o
senador petista com 19% nas intenções de voto, ainda bem atrás do candidato do
PSDB, o ex-governador Geraldo Alckmin, com 51% dos votos, mas à frente do
deputado federal Celso Russomanno (PP), com 12%, e de Paulo Skaf (PSB), com 2%.
"A
avaliação do partido é que o senador Aloizio Mercadante vai crescer ainda mais
como decorrência da consolidação do nome dele como candidato, mas a jornada é
longa", afirmou o presidente do PT de São Paulo.
Partido
com ex-verdes apoiará Dilma Rousseff em MG
O Livre é formado
por ex-integrantes do PV que deixaram o partido no fim do ano passado após o
ingresso da senadora Marina Silva
Eduardo Kattah (Política)
Um
grupo político baseado numa dissidência do PV realizará um encontro em Belo
Horizonte no próximo sábado, 22, para formalizar apoio à presidenciável do PT,
Dilma Rousseff. Anunciado como um partido político em processo de legalização,
o Livre é formado por ex-verdes - que deixaram o partido no fim do ano passado
após o ingresso da senadora e pré-candidata à Presidência, Marina Silva - e
militantes diversos.
O
ato na Câmara Municipal da capital mineira está sendo tratado como o primeiro
encontro nacional da futura agremiação. Os dissidentes já se reuniram com o
presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, e solicitaram um assento na
coordenação da campanha presidencial da pré-candidata do partido. O presidente
do PT-MG, deputado federal Reginaldo Lopes, foi convidado para participar do
encontro.
Para
Anderson Pomar, ex-integrante do PV, o apoio a Dilma é um "viés
natural", já que o grupo conta também com ex-militantes de partidos de
esquerda e centro-esquerda. Em 2008, o grupo dissidente tentou emplacar o atual
ministro da Cultura, Juca Ferreira, na presidência do PV, mas foi derrotado.
Segundo
Pomar, cerca de 250 militantes deixaram o partido no fim de 2009 descontentes
com uma revisão programática após a filiação de Marina e seu grupo.
O
Livre defende bandeiras polêmicas como a descriminalização da maconha e do
aborto, a união civil entre pessoas do mesmo sexo, entre outras. "Quando a
Marina entrou no partido a gente sentiu que haveria uma reforma programática e
algumas discussões que a gente colocava como pontuais para o Partido Verde
acabaram saindo de pauta ou foram jogadas para debaixo do tapete", disse
Pomar.
André
Fernandes Gomes de Souza, secretário de Comunicação do grupo, disse que já
foram recolhidas cerca de 70 mil assinaturas para o registro do novo partido
junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São necessárias quase 500 mil
assinaturas. De acordo com Souza, o Livre - cuja sigla significa Liberdade,
Igualdade, Verdade, Responsabilidade e Educação - já possui representação em 15
estados. A legenda espera participar com candidatos nas eleições de 2012.
Multipartidarismo
O
presidente do PV-MG, Ronaldo Vasconcelos, minimizou a importância do ato em
Belo Horizonte. "Eu não chamaria nem de dissidência, mas de alguns
ex-membros do PV. Isso não nos preocupa", disse. "Sou democrata por
excelência, mas acho que o Brasil já não vive nem um pluripartidarismo e sim um
multipartidarismo. Não vejo a necessidade de mais partidos."
Espanha
anuncia corte de gastos de € 15 bilhões
Medidas incluem
redução dos salários do funcionalismo público e congelamento de pensões e
aposentadorias
AP (Economia)
O
governo espanhol anunciou que irá reduzir os gastos públicos em € 15,25 bilhões
(US$ 18,81 bilhões) nos próximos dois anos numa tentativa de reduzir o déficit
do país.
A
vice-primeira-ministra espanhola, Maria Teresa Fernandes de la Vega,
afirmou que as medidas, que incluem a redução dos salários dos servidores
públicos em 5% a partir de junho, foram aprovadas pelo governo nesta
quinta-feira, 20.
Trabalhadores
com salário abaixo de € 949 (US$ 1.170) não enfrentarão o corte, mas pensões e
aposentadorias sofrerão congelamento em 2011, disse a ministra de Finanças,
Elena Salgado.
As
medidas ainda precisam da aprovação do Parlamento. Segundo a ministra de
Finanças, os cortes de despesas são necessários para que o elevado déficit
espanhol volte ao limite exigido pela União Europeia, de 3% do PIB, até 2013.
Portugal
corta 1,9% em gastos nos quatro primeiros meses do ano
Receita com
impostos subiu 2,2% no mesmo período, levando a um redução de 298,1 milhões de
euros no déficit do orçamento federal
Álvaro Campos e
Gustavo Nicoletta
(Economia)
O
governo federal de Portugal reduziu seus gastos totais nos quatro primeiros
meses de 2010 em 1,9%, em comparação com o mesmo período do ano passado,
informou nesta quinta-feira o Ministério das Finanças do país.
A
receita com impostos subiu 2,2% no mesmo período, levando a um redução de 298,1
milhões de euros no déficit do orçamento federal, que ficou em 4,56 bilhões de
euros. O valor do déficit exclui os gastos dos governos regionais e locais e
com o sistema de segurança social.
A
receita com os impostos de valor agregado (VAT, em inglês) subiu 14,8% nos
quatro primeiros meses, para 3,7 bilhões de euros, enquanto a receita com os
impostos de renda caiu 20,1%, para 2,2 bilhões de euros.
Espanha
O
governo da Espanha aprovou medidas que preveem cortes salariais no setor
público e o congelamento de pensões, afirmou a vice-primeira-ministra
espanhola, Maria Teresa Fernandez de la Vega, durante uma entrevista coletiva.
No
início desse mês, os líderes da União Europeia anunciaram, em conjunto com o
Fundo Monetário Internacional, um plano de € 750 bilhões para conter as
preocupações dos investidores com a situação fiscal de alguns membros da zona
do euro. Em troca, foi solicitado aos países do bloco que possuem um elevado
déficit orçamentário, como Espanha e Grécia, que adotassem novas medidas de
austeridade fiscal.
As
informações são da Dow Jones.
Brasil
tem poucos servidores públicos, mas despesa é alta, diz OCDE
De acordo com
estudo, grupo representa 12% do total de empregados do País, ante uma média de
22% entre os membros da OCDE
Renato Andrade (Economia)
O
Brasil tem poucos funcionários públicos na comparação com outros países, mas as
despesas com esse grupo de servidores é maior do que a média gasta pelos 31
países que integram a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
De
acordo com estudo da entidade internacional divulgado nesta quinta-feira, 20,
os servidores públicos representam 12% do número total de empregos no País,
enquanto a média da OCDE é de 22%. O número brasileiro engloba os funcionários
dos governos federal, estadual e municipal, além das pessoas que trabalham em
empresas estatais.
Na
comparação de despesas, entretanto, o Brasil gasta mais para manter esse
pequeno grupo do que o verificado nos outros países. Enquanto no País os gastos
com servidores representam 12% do Produto Interno Bruto (PIB), a média dos
países-membros da OCDE é de 11%.
"O
desafio colocado é que precisamos ter resultados mais significativos. Hoje o
governo paga bem, mas precisa entregar para a sociedade um produto
melhor", disse Francisco Gaetani, secretário-executivo adjunto do
Ministério do Planejamento.
Para
Luiz Alberto dos Santos, sub-chefe de Análise e Acompanhamento de Políticas
Públicas Governamentais da Casa Civil, é preciso tomar cuidado com as
comparações incluídas no estudo, principalmente no caso das despesas.
"Destes 12%, pelo menos um terço é gasto com aposentado que não é coberto
com contribuição corrente e em outros países esse tipo de despesa não consta da
folha de pagamento, o que faz uma enorme diferença", disse.
Os
dados do estudo são defasados. A análise sobre o número de servidores públicos
considera informações de 2005, enquanto as despesas foram calculadas com base
em dados de 2006. Boa parte dos reajustes salariais promovidos pelo governo
federal foi feita depois deste período.
Além
de fazer uma radiografia sobre o número de servidores e os custos envolvidos
para mantê-los, o estudo sugere um pacote de mudanças visando aprimorar o
sistema de avaliação dos funcionários públicos e reestruturar o sistema salarial
do setor. "É recomendável que o governo aumente as pressões para a busca
de eficiência na gestão da força de trabalho", afirmam os técnicos da OCDE
no relatório.
Uma
das sugestões apresentadas é reorganizar os grupos e carreiras de servidores e
melhorar as estruturas de incentivo, com mais mecanismos para encorajar o
desempenho. "O papel do Congresso em estabelecer os detalhes dos níveis de
remuneração e alterações destes níveis por carreira poderia ser modificado para
que os salários se tornem uma questão mais técnica e gerencial e menos sujeitas
à força dos lobbies", afirma a OCDE no documento de 337 páginas.
Folha de
S.Paulo
Para
evitar desgaste, Lula cogita reajuste a aposentados
Presidente se
divide entre sancionar aumento de 7,7% ou enviar nova MP ao Congresso
Setor econômico pressiona presidente a negar reajuste, mas a área política teme
desgaste; Lula deve vetar fim de fator previdenciário
Fábio Amato e
Simone Iglesias
(Brasil)
O presidente Lula vetará o fim do fator previdenciário, aprovado anteontem pelo
Senado. Quanto ao reajuste de 7,7% para os aposentados que ganham mais de um
salário mínimo, a Folha apurou que a decisão ainda não foi tomada.
O presidente poderá sancionar o aumento, mesmo que não concorde com o índice,
para que o desgaste com veto não recaia sobre o Executivo.
Há ainda uma alternativa intermediária na mesa do presidente: vetar o
percentual e mandar para o Congresso uma medida provisória instituindo aumento
de 7%.
Segundo um interlocutor próximo a Lula, "não será surpresa" se ele
optar pela sanção, apesar de considerar que será uma decisão
"dolorosa" pelo impacto nas finanças.
Desde que o Congresso resolveu ignorar as propostas de reajuste do governo
-primeiro de 6,14% e depois de 7%-, Lula passou a acusar os parlamentares de
tentar tirar proveito eleitoral com o reajuste acima do que é possível pelos
estudos feitos pela área econômica.
Ontem, ele voltou a questionar a atitude do Congresso. "Tem gente que acha
que ganha voto fazendo isso, quando, na verdade, se o povo compreender o que
significa isso, essas pessoas podem até não ganhar o tanto de voto que pensam
que vão ganhar", disse.
Em seguida, Lula afirmou que, como presidente, tem que agir com
responsabilidade para
não quebrar o governo.
Pressão
O presidente está sendo pressionado pelos ministros Guido Mantega (Fazenda) e
Paulo Bernardo (Planejamento) a não sancionar o aumento, porque o reajuste
sufocaria ainda mais as finanças públicas.
A área política do governo, no entanto, defende que o percentual aprovado seja
sancionado para evitar desgaste por um problema que não foi criado pelo
governo, mas que recairá sobre o presidente.
O aumento atinge 8,3 milhões de aposentados e pensionistas. O total da folha de
pagamento ao ano para eles é de R$ 135,2 bilhões.
Se Lula sancionar os 7,7% aprovados pelo Senado, o impacto anual nas contas
chegará a R$ 8,5 bilhões. O aumento é retroativo a janeiro.
Quem
rejeita acordo com o Irã quer inimigos, diz Lula
Brasileiro afirma
que o trato com o Irã responde a exigências de potências e que espera que elas
agora façam sua parte
Chanceler da França revela que sanções já têm apoio de 12 dos 15 países do
Conselho de Segurança; pela 1ª vez, Irã admite chance de um recuo
Fábio Amato e
Simone Iglesias
(Mundo)
Após ver o acordo nuclear entre Brasil, Irã e Turquia ser recebido com
ceticismo pela comunidade internacional, liderada pelos EUA, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva disse ontem que aqueles que não aceitam os termos do
entendimento anunciado o fazem porque precisam ter um inimigo.
Ele afirmou que sua ida ao Irã para discutir um acordo com o presidente Mahmoud
Ahmadinejad foi uma contribuição ao multilateralismo que tem de ser levada em
consideração por todas as nações.
"É muito engraçado que algumas pessoas não gostaram que o Irã aceitasse a
proposta, porque tem gente que não sabe fazer política se não tiver o inimigo,
e sou daqueles que só sabem fazer política construindo amigos", disse
Lula, em discurso na 13ª Marcha dos Prefeitos.
"Fomos ao Irã e conseguimos fazer aquilo que o Conselho de Segurança [da
ONU] queria que fosse feito há seis meses."
O Conselho de Segurança, porém, se prepara desde terça para votar novas sanções
a Teerã. Ontem, o chanceler francês, Bernard Kouchner, anunciou que a resolução
para novas punições já tem o apoio de 12 dos 15 membros do conselho.
Os únicos a resistir são justamente Brasil e Turquia, além do Líbano, país onde
a milícia xiita Hizbollah, ligada ao Irã, integra o governo.
Segundo Kouchner, "a partir do início de junho, o texto será discutido,
melhorado e, eventualmente, votado". Para a aprovação, são precisos apenas
nove votos, além de nenhum veto dos cinco membros permanentes -condição já
garantida pelo endosso da Rússia e da China à proposta em discussão.
Ontem, pela primeira vez, uma autoridade iraniana falou na possibilidade de
cancelar o acordo com Brasil e Turquia para o envio de 1.200 quilos de seu
urânio ao exterior.
"Se aprovarem uma nova resolução contra o Irã, não nos sentiremos
obrigados a respeitar o acordo de Teerã e cancelaremos o envio de urânio ao
exterior", disse o vice-presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Reza
Bahonar.
O acordo prevê que o Irã envie parte de seu estoque de urânio para a Turquia em
até um mês após sua aprovação pela AIEA (agência atômica da ONU) e a devolução
de 120 kg do material processado a 20%, nível próprio para uso medicinal, em no
máximo um ano.
O trato é variação de proposta feita pela AIEA ao Irã em outubro, com a
diferença de que, segundo o plano original, o destino do urânio seria a Rússia.
As potências alegam, porém, que hoje os 1.200 kg representam fração menor do
estoque iraniano de urânio do que há sete meses, e que, com o combustível
remanescente, Teerã ainda poderia fazer a bomba.
Críticas
Lula se mostrou ontem irritado com a repercussão negativa do acordo. "O
Brasil não tem que pedir licença a ninguém para conversar com quem quer que seja,
porque nós temos maioridade e temos competência para isso."
Afirmou ainda que fica "triste" porque o Brasil não consegue superar
complexo de inferioridade e reclamou da "elite política" que escreve
artigos e colunas nos jornais criticando sua interferência nas discussões de
paz no Oriente Médio.
"Temos uma parte da nossa elite política que escreve colunas e fica
dizendo "por que o Brasil tinha que se meter?"."
Lula evocou a negociação que conduziu pela libertação de Clotilde Reiss,
professora francesa detida desde os protestos pós-reeleição de Ahmadinejad, em
junho de 2009.
"Discutir [com o Irã] não foi tarefa fácil. Estamos discutindo há quatro
meses com o Irã para a francesa ser solta. Ninguém sabia, até que ela foi
libertada. Não precisa fazer política pela imprensa. Para a imprensa, você
anuncia o resultado."
"A verdade nua e crua é a seguinte: o Irã, que era vendido para todo mundo
como se fosse o demônio, e que não queria negociar, resolveu sentar à mesa de
negociação. Eu quero ver se os outros vão cumprir aquilo que queriam que o Irã
fizesse."
Brasileiro
trabalha até dia 28 apenas para pagar tributos
Marcos Cézari (Dinheiro)
Os
brasileiros terão de trabalhar até a sexta-feira da próxima semana, dia 28
deste mês, apenas para cumprir suas obrigações tributárias com os fiscos
federal, estaduais e municipais.
Serão 148 dias de trabalho no ano, um dia a mais do que os trabalhados em 2009
e o mesmo número de 2008.
O cálculo faz parte do estudo sobre os dias trabalhados para pagar tributos,
divulgado ontem pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário).
Segundo o estudo, hoje os brasileiros trabalham quase o dobro do que
trabalhavam na década de 1970 (76 dias) apenas para os fiscos.
Os brasileiros estão entre os que mais pagam tributos no mundo, perdendo apenas
para os suecos (185 dias) e os franceses (149 dias). Os espanhóis (137), os
norte-americanos (102), os argentinos (97), os chilenos (92) e os mexicanos
(91) trabalham menos do que os brasileiros.
Com base no estudo, o IBPT diz que 40,54% da renda bruta dos contribuintes
estará comprometida neste ano com tributos.
Nesses 148 dias, os três fiscos arrecadarão quase R$ 500 bilhões -ontem, o
Impostômetro (painel na capital paulista que registra, em tempo real, a carga
tributária no país) já marcava mais de R$ 460 bilhões.
Os 148 dias foram calculados para o rendimento médio mensal. Para a baixa renda
(até R$ 3.000), são 141 dias trabalho (de 1º de janeiro até hoje). Para a média
renda (R$ 3.000 a R$ 10 mil), são 157 dias, ou seja, até 6 de junho. Para a
renda alta (mais de R$ 10 mil), serão 152 dias -até 1º de junho.
O IBPT também calculou quanto os brasileiros comprometeram de sua renda bruta
para pagar tributos sobre a renda, o patrimônio e o consumo. Na média, 40,54%
da renda de cada cidadão estará comprometida neste ano com os três níveis de
governo. Em 2009, foram 40,15%, e, em 2008, 40,51%.
Proporção
de pobres cai para 23% no Brasil
Segundo estudo,
percentual era de 33% há quatro anos; Sudeste está entre as regiões mais
favorecidas
Antônio
Gois (Dinheiro)
O
percentual de pobres caiu de maneira sustentável no Brasil entre 2004 e 2008 e,
mesmo com a crise financeira internacional, o movimento provavelmente não foi
interrompido em 2009, de acordo com a economista Sonia Rocha, do Instituto de
Estudos do Trabalho e Sociedade.
Ela apresentou ontem, no 22º Fórum Nacional, um estudo com base em dados da
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE, que mostra que a
proporção de pobres no país caiu de 33,2% para 22,9% no período pesquisado.
O movimento contribuiu para a redução da desigualdade, mas teve impactos
diferentes nas regiões brasileiras. No Sudeste, por exemplo, a queda no número
de pobres foi de 35%, enquanto no Nordeste esse percentual foi de 27%.
A economista explica que o Sudeste, particularmente São Paulo, beneficiou-se
mais do crescimento da renda no período, pois o principal fator que motivou
isso foi a melhoria do mercado de trabalho e o aumento do salário mínimo.
Ela destaca que esse era um fato esperado, pois os grandes centros tendem a se
beneficiar mais rápido do crescimento econômico, mas que contribui para
aumentar a desigualdade entre regiões.
O trabalho mostra também que as famílias mais pobres foram as mais beneficiadas
pelo crescimento.
No caso apenas desse grupo, o peso das transferências de renda no orçamento
total familiar aumentou de 10% para 18%, o que mostra que programas como o
Bolsa Família ou o Benefício de Prestação Continuada tiveram papel importante
na redução da pobreza.
Isso não significa, diz ela, que a melhoria da situação financeira dos pobres
se deu apenas por causa dessas transferências. O peso da renda do trabalho
ainda representa 71% do orçamento familiar desse grupo. O que o dado mostra é
que as transferências cresceram em ritmo superior aos salários e às demais
rendas do trabalho.
Como os dados consolidados de 2009 só serão divulgados em setembro, ainda não é
possível saber se o movimento de redução da pobreza continuou mesmo durante a
crise.
Ela, porém, aposta que a queda deve ter continuado, já que houve melhoria do
salário mínimo, aumento das transferências de renda, e a crise, no período de
coleta da pesquisa do IBGE (setembro), já havia passado por sua pior fase.
Senado
dos EUA aprova reforma financeira (Dinheiro)
O
Senado americano aprovou ontem, por 59 votos a 39, um conjunto de medidas que
visa reformar o sistema financeiro e impedir os excessos de Wall Street -que a
Casa Branca considera responsáveis pela crise de 2008.
O projeto também prevê a remodelação de agências federais e dá mais poderes ao
Fed (BC dos EUA).
O texto ainda precisa ser "fundido" ao que foi aprovado, em dezembro,
pela Câmara. Só depois o pacote final irá para a sanção do presidente Barack
Obama. Analistas estimam que isso deverá ocorrer no próximo mês.
A principal diferença entre os projetos é que, no Senado, o texto prevê forçar
grandes bancos a dividir seus negócios com derivativos mais lucrativos em
subsidiárias separadas.
O texto aprovado ontem prevê, entre outras ações, restringir empréstimos
abusivos e assegurar que empresas problemáticas, não importa o tamanho, possam
ser liquidadas sem custo ao contribuinte.
"O setor tem tentado acabar com essa reforma, com hordas de lobistas e
milhões em publicidade... Hoje, é justo dizer que esses esforços
falharam", disse ontem Obama.
Valor
Econômico
Como
Lula deu a volta por cima
Cristiano Romero e
Raymundo Costa
O
pior momento político do presidente Lula, em quase oito anos de mandato,
ocorreu no dia 11 de agosto de 2005, quando o publicitário Duda Mendonça,
instigado pelo senador Antônio Carlos Magalhães, deu um depoimento-bomba à CPI
dos Correios. No testemunho, Duda associou a campanha presidencial de 2002 a
crimes eleitorais e financeiros revelados no escândalo do mensalão.
Foi
ACM quem convenceu Duda a contar "toda a verdade" à CPI dos Correios,
uma das três criadas pelo Congresso em 2005 para apurar o mensalão, que eclodiu
há exatos cinco anos. Duda não fora convocado pela CPI para depor. Em 11 de
agosto, no entanto, após várias conversas com ACM, o publicitário decidiu ir à
comissão. Antes, pediu proteção.
Num
depoimento de quase dez horas de duração, Duda confessou ter recebido R$ 15,5
milhões do PT em 2003, em recursos de caixa 2, como pagamento da campanha
presidencial do ano anterior. Do total, R$ 10,5 milhões foram depositados numa
conta no exterior.
O
depoimento levou a crise do mensalão para dentro do Palácio do Planalto e
derrubou a popularidade do presidente ao nível mais baixo desde que assumiu o
cargo - 28%, segundo as pesquisas do Datafolha em outubro e dezembro de 2005,
índice impensável para o Lula de hoje em dia (de acordo com pesquisa de abril,
o presidente é aprovado por 73% da população).
Nos
últimos três meses, o Valor conversou com os principais personagens da crise do
mensalão para investigar por que a oposição desistiu de levar adiante a
proposta de impeachment, que passou a ter "prova material", segundo
avaliação de integrantes do próprio governo, após o depoimento de Duda; como o
presidente Lula atuou politicamente no seu pior momento; que fatos passaram ao
largo das três CPIs; quem foram e como atuaram os "bombeiros" da
crise.
Além
da participação decisiva de ACM para o depoimento de Duda, novos fatos vieram à
tona, como a proposta de renúncia ao cargo e à candidatura em 2006 feita a Lula
por aliados; a tentativa de Delúbio Soares, então tesoureiro do PT, de
beneficiar um banco estrangeiro em troca de auxílio financeiro ao partido; a
peregrinação do empresário Marcos Valério, apontado pelas CPIs como o operador
do mensalão, no Banco Central (BC), para tentar mudar a lei de liquidação
bancária.
A
apuração revela que o governo acreditou mais na possibilidade de impeachment do
que a oposição. Mostra, ainda, como o governo Lula mudou de rumo após aquela crise,
dando mais poder ao movimento sindical.
Durante
a crise, um grupo de assessores e ministros, batizado de "Grupo das
8", referência ao horário em que eles se encontravam toda manhã, se
reunia, numa sala contígua ao gabinete presidencial, para monitorar as CPIs e
bolar estratégias de reação. O grupo era formado por Gilberto Carvalho (chefe
de gabinete) e os então ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Márcio Thomaz
Bastos (Justiça), Ciro Gomes (Integração Nacional), Tarso Genro (CDES), Jaques
Wagner (Coordenação Política) e Antônio Palocci (Fazenda).
O impeachment bate
à porta
O
governo Lula balançou no dia 11 de agosto de 2005, quando Duda Mendonça deu seu
depoimento à CPI. No dia seguinte, após longo e calculado período de
alheamento, Lula e o governo passaram a tratar o impeachment como uma ameaça
concreta.
A
corte de Lula compreendera exatamente a gravidade das confissões feitas por
Duda. Além dos participantes habituais do Grupo das 8, apareceram na Granja do
Torto outros auxiliares da copa e cozinha de Lula, como Clara Ant (assessora
especial e tomadora oficial de notas nas reuniões), Marco Aurélio Garcia
(assessor internacional) e o sempre discreto ministro Luiz Dulci
(secretário-geral da Presidência), o encarregado, no Palácio do Planalto, de manter
a sintonia fina com os movimentos sociais.
Lula
não mediu palavras: o depoimento de Duda fora "um desastre" e era
"evidente" que o publicitário havia se acertado com a oposição. O
presidente estava certo. Duda fora convencido pelo senador pefelista Antônio
Carlos Magalhães (morto em 2007) a contar "toda a verdade" à CPI.
ACM
afastara-se do governo após as eleições municipais de 2004. Lula e o oligarca
baiano haviam se aproximado em 2002, nas eleições presidenciais, e selaram a
união em convescote na casa de praia de Duda, em Salvador. No ano seguinte,
José Dirceu, então ministro-chefe da Casa Civil, ajudara o senador a se
desvencilhar da acusação de ter mandado "grampear" metade da Bahia.
Dois anos depois, a disputa pela prefeitura de Salvador, um feudo carlista,
novamente colocou ACM e Lula em rota de colisão.
Senador negociou
com Duda
O
publicitário, que costumava dizer que na Bahia nunca havia feito campanha
contra o senador, tinha interesse em conversar com o deputado ACM Neto, um
ponta de lança da oposição na CPI dos Correios. ACM colocou o neto na linha com
Duda no dia 9 de agosto, uma terça-feira. A preocupação do publicitário, até
aquele momento, era com o depoimento na CPI de sua sócia Zilmar da Silveira,
agendado para o dia 11.
Na
quarta-feira, dia 10, Duda deu outro telefonema a ACM Neto. Durante a conversa,
deixou o deputado com a impressão de que poderia ir à CPI. Perguntou-lhe, por
exemplo, se receberia um tratamento hostil.
Na
madrugada do dia 11, Duda acordou ACM para informá-lo de que iria à comissão.
Mais uma vez, pediu apenas que, pelo menos na Bahia, onde vive sua família, ele
tivesse um "tratamento digno". Antes do telefonema, gastou horas
definindo com dois renomados advogados paulistas - Antônio Cláudio Mariz de
Oliveira e Pedro Dallari - a estratégia do depoimento.
Eram
aproximadamente 5h30 da manhã de quinta-feira quando o telefone de ACM Neto
tocou. Do outro lado da linha, seu avô deu a notícia: Duda estaria sentado ao
lado de Zilmar no banco de testemunhas.
ACM
Neto não perdeu tempo. Naquele dia chegou mais cedo à CPI, para articular o
depoimento-surpresa de Duda com os membros mais destacados da comissão, como os
deputados Eduardo Paes e Osmar Serraglio e a senadora Heloisa Helena. Conversou
também com o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral, e tratou de regimento
com um especialista - o deputado Arnaldo Faria de Sá. O objetivo era evitar que
os governistas da comissão contestassem o depoimento de Duda com base no
regimento interno. Com isso, estavam criadas as condições para o publicitário
depor.
A
iniciativa de procurar ACM foi do publicitário, mas o senador aproveitou a
chance para articular o pior momento do governo na CPI. Atormentado, Duda
julgava-se o responsável "por tudo isso". A ACM Neto, nos bastidores
da CPI, disse que queria falar "toda a verdade", pois só assim se
sentiria "liberto". Revelou ainda que não queria ver Zilmar na CPI
como "boi de piranha".
"Vocês não me
conhecem"
O
clima era de funeral no dia 12 de agosto de 2005, uma sexta-feira. Para os principais
integrantes do Grupo das 8, a crise havia chegado ao gabinete do presidente da
República. Agora não havia mais como Lula continuar a fazer de conta que a
crise não era com ele, como fizera até então.
Poucos
dias depois, ainda no calor provocado por Duda, ao fim das reuniões da manhã no
Palácio do Planalto, Lula chamou um auxiliar direto à sua sala e disse:
"Foram lá ontem à noite falar comigo", contou o presidente. Segundo
Lula, para propor que ele renunciasse publicamente à campanha pela reeleição no
ano seguinte. Esse gesto diminuiria o ímpeto da oposição em levar adiante um
processo de impeachment.
"Esses
caras são gozados. Eles não conhecem a minha ligação com o povo. Isso não vai
acontecer! Vou ganhar a eleição desses filhos da mãe!", disse em seguida
um Lula indignado. O assessor, atônito, dirigiu-se a alguns dos integrantes do
Grupo das 8 e deu seu testemunho: "Não sei quem foi lá ontem, mas o cara
não gostou da sugestão não".
Esta
é uma das passagens mais nebulosas da história do mensalão. Dois dos três
personagens que estiveram com Lula naquela noite desmentem categoricamente que
tenham proposto ao presidente a renúncia à disputa eleitoral em 2006. Um deles
admite, apenas, que Lula pode ter entendido dessa forma o tom da conversa.
Agravando um clima que já parecia insuportável, um ministro levara ao
conhecimento do presidente, naquele dia, uma pesquisa (um "tracking"
telefônico) feita logo após o depoimento de Duda, mostrando nova queda na sua
popularidade.
Numa
primeira versão da história, contada com rigor de detalhes por um assessor de
Lula logo após os acontecimentos, Dilma foi ao presidente, acompanhada de
Palocci, para lhe dizer que, depois do que Duda contou ao Congresso, seu
governo tinha chegado ao fim da linha e que o melhor a fazer naquele momento
seria renunciar, não ao direito de se candidatar à reeleição, mas à própria
Presidência. Ao gesto ousado de Dilma, Lula teria reagido com um riso contido e
a frase: "Vocês não me conhecem".
Mais
recentemente, uma nova versão do episódio, disseminada pelo próprio Lula entre
assessores, fala apenas em renúncia à candidatura. A conversa teria ocorrido na
Granja do Torto. O temor do impeachment era muito forte dentro do Grupo das 8,
mas a iniciativa de verbalizá-lo ao chefe teria sido tomada por Palocci, Thomaz
Bastos e Dilma sem consultar os outros integrantes do grupo.
Ao
mesmo tempo em que reagia, irritado, à sugestão de desistência da candidatura,
o próprio Lula alimentava essa possibilidade, possivelmente para testar seus
aliados. É um velho hábito. Em 1998, quando julgava que tinha poucas chances de
derrotar Fernando Henrique Cardoso nas urnas, Lula aventou a ideia de fazer
prévias para a escolha do candidato do PT. Imediatamente, três postulantes se
apresentaram, entusiasmados: Tarso Genro, Eduardo Suplicy e Cristovam Buarque.
A partir dali, Lula ficou sabendo quem eram os interessados em disputar sua
hegemonia no partido.
O flerte com
Palocci e Ciro
No
pior momento da crise, o presidente deu uma missão a Gilberto Carvalho:
convocar Palocci para uma conversa urgente, na Granja do Torto. Antes, orientou
o chefe de gabinete a estimular o ministro a lançar sua candidatura à
Presidência em 2006. "Se prepara! Você vai ser o candidato. Eu não quero
ser candidato", disse Lula a um incrédulo Palocci. "Só vou ser
candidato se a gente não conseguir reverter essa crise porque, aí, eu vou pro
pau com esses caras", acrescentou o presidente.
O
então ministro da Fazenda reagiu negativamente. "Não tem hipótese de o
senhor não ser candidato. No dia em que anunciar que não é candidato, aí o
nosso buraco aumenta", argumentou Palocci. O raciocínio era que a renúncia
à candidatura em 2006 enfraqueceria ainda mais o presidente. Lula decidiu,
então, lançar outra carta.
"Se
você não for candidato, vou chamar o Ciro, mas eu acho que tem que ser
você", disse Lula. "Presidente, se o senhor achar que é isso, procure
o Ciro, mas eu acho que é errado", insistiu Palocci. Carvalho ajudou a
reforçar o suposto plano de Lula. "Estão surgindo os dois nomes, mas nós
preferimos você", disse ele a Palocci, que, uma vez mais, rejeitou a
sedução.
Numa
viagem oficial a países africanos, pouco depois, Lula levou o então ministro
Ciro Gomes na comitiva. O objetivo não foi outro senão fustigar a vontade de
Ciro de ser presidente. Nos meses seguintes, à medida que foi se recuperando da
crise, não tocou mais no assunto. "Ele queria que eu fosse o candidato no
lugar dele", contou Ciro a amigos, dias mais tarde.
A
oposição ficou fora desse jogo. Não propôs, em nenhum momento, um acordo com
Lula em torno da eleição de 2006. O único a defender publicamente a ideia da
não reeleição foi Fernando Henrique. Ele achava que, se Lula declarasse naquele
momento que não seria candidato, voltaria a ter "respeitabilidade" e,
eventualmente, até poderia se candidatar. Lula reagiu enfurecido à sugestão.
"Se eles estão pensando que vão me tirar daqui no tapetão, nem pensar! Vou
pra rua", afirmou ele numa reunião.
Preocupados
com o andamento da crise, que, depois de Duda, chegara às cercanias do Palácio
do Planalto, três figuras eminentes da República - um deputado do PT, um
ministro do Supremo Tribunal Federal e um funcionário público do alto escalão -
decidiriam procurar, separadamente, Thomaz Bastos.
Um
dos três sugeriu que o presidente mandasse uma proposta ao Congresso,
instituindo o mandato de cinco anos e eliminando a possibilidade de reeleição.
Um outro propôs que Lula fizesse um pronunciamento à nação, no qual diria que
estava abrindo mão da candidatura à reeleição. O terceiro foi pelo mesmo caminho.
Os três tinham em comum a avaliação de que Lula só pacificaria o país, naquele
momento, se desistisse de se candidatar no ano seguinte.
Lula contra-ataca
O
depoimento de Duda foi uma enorme surpresa para Lula e seus principais
auxiliares. Mas, ao contrário do que o presidente deixava transparecer em
público, havia muito que o Palácio do Planalto se preparava para o pior. Além
do Grupo das 8, armou-se também no Congresso um "bunker" para
monitorar permanentemente o trabalho das três CPIs (a dos Correios, a do
mensalão e a dos Bingos, também conhecida como "CPI do Fim do Mundo"
por tratar de vários temas, entre eles, o assassinato do prefeito petista Celso
Daniel). Emissários de Lula mantinham abertos, ainda, os canais com a oposição.
Lula
não tinha ilusões: a oposição "mexeria com o impeachment", como
afirmou no dia seguinte ao depoimento, em reunião na Granja Torto. Alguns
auxiliares temiam que ele se deixasse abater, mas o presidente não demonstrou a
menor disposição de cair sem briga. Dizia que o PT, um partido com base social,
não era o PRN, a legenda de aluguel usada por Fernando Collor de Mello para se
eleger em 1989. "Nós vamos pra rua defender o mandato que o povo nos
deu", disse.
O
presidente em pessoa conversou com José Lopes Feijó, dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e da Central Única dos Trabalhadores
(CUT), para armar manifestações de rua em defesa do governo.
Essa
era a faceta beligerante da reação. A outra, de entendimento com a oposição,
particularmente com FHC, prosperava por meio de conversas dos ministros Márcio
Thomaz Bastos, que teve um papel destacado nessa costura, e Antônio Palocci e
do deputado Aldo Rebelo, do PC do B, que atuou tanto como ministro da
articulação política quanto na condição de presidente da Câmara, cargo que
ocupou a partir do fim de setembro de 2005. Foram conversas decisivas para
conter o ímpeto belicista da oposição, mas não tiveram consequência para uma
aproximação entre PT e PSDB após a crise.
Na
verdade, a oposição sempre teve dúvidas sobre a conveniência de propor o
impeachment do presidente. Seria o segundo em pouco mais de dez anos - Collor
foi impedido em 1992. Os oposicionistas temiam a pecha de golpistas. Avaliaram,
também, que não tinham rua nem votos e, por isso, não revelavam a mesma
disposição para o impeachment que Lula demonstrava ter para se manter no cargo
que perseguira durante 13 anos.
Havia
no Palácio do Planalto a percepção de que FHC tinha ascendência sobre o PSDB. E
de fato era do ex-presidente o discurso mais bem articulado das oposições,
moderado diante do que efetivamente achava da situação.
O
que no Planalto se achava ser o elemento que a oposição precisava para propor o
impeachment, para FHC o depoimento de Duda fora muito além: o publicitário dera
a prova material para a Justiça anular a eleição de 2002 e empossar José Serra,
o segundo colocado na disputa. Algo como o Tribunal Superior Eleitoral fez
recentemente ao anular a eleição de Jackson Lago para o governo do Maranhão e
mandar empossar Roseana Sarney, a segunda colocada. Apesar disso, o
ex-presidente também estava convencido de que Lula reagiria ao impeachment com
o discurso de classe - "o primeiro trabalhador a chegar à Presidência da
República ia ser degolado pela elite" - e de que isso poderia dividir o
país.
"Eles estão na
lona!"
A
conversa de FHC com Thomaz Bastos foi um embate entre dois mestres na arte da
boa política. O ministro era a pessoa certa para a incursão exploratória de
Lula. O advogado ajudara em campanhas eleitorais de FHC, mas, embora não fossem
muito próximos, os pais deles - José Diogo Bastos e Leônidas Cardoso, ambos
deputados nos anos 1950 - foram amigos. Thomaz Bastos confidenciou ao
ex-presidente que informara Lula sobre aquele encontro, mas em nenhum momento
disse que o presidente lhe pedira para procurá-lo.
A
constatação de FHC foi rápida: "Eles [Lula, o PT e o governo] estão na
lona".
Thomaz
Bastos perscrutou como FHC estava vendo "as coisas". Uma conversa de
"cerca-Lourenço", como contaria depois o ex-presidente aos tucanos.
Na prática, o que Thomaz Bastos queria saber era se a oposição iria para o
impeachment. FHC entendeu o recado e disse: "O impeachment é um ato
político, o jurídico é outra coisa. Você vai para o tribunal. O ato político
você tem que ter força para ganhar, não é ter a razão".
FHC
contou para Thomaz Bastos o dilema que rondava a oposição: a CPI dos Correios
reunira elementos até para a Justiça anular a eleição. Este era o aspecto
legal. Politicamente, a situação era outra: a oposição não tinha força para
votar o impeachment. E se tentasse, especulava FHC, dividiria o país. "E
eu tenho horror [da divisão] porque vi isso muitas vezes - do Chile de Salvador
Allende à Venezuela de Hugo Chávez", disse ao ministro.
A
conversa se estendeu por quase três horas. Já na rua, Thomaz Bastos se deu
conta de que FHC não assumira nenhum compromisso contra o impeachment. Também
constatou a veracidade da fama de pão-duro que carrega o ex-presidente: num
dado momento, percebendo que seu marido nada oferecera à visita, Dona Ruth serviu
café e água e deixou os dois conversando madrugada adentro.
"Rua não tem
regimento interno"
"Nós
não queremos fazer o impeachment do presidente. Para nós, basta o impeachment
moral do Lula, para ele chegar às eleições sem condições de concorrer",
disse Fernando Henrique a outro representante do governo, Aldo Rebelo. Na
ocasião, Aldo pensou: "É do jogo".
O
PSDB queria tirar Lula do poder na eleição e não por meio do impeachment,
processo que, àquela altura, o governo denunciava como sendo "golpe da
oposição". Ao se despedir do ex-presidente, no entanto, Rebelo achou
prudente fazer uma advertência: "Rua não tem regimento interno". Uma
frase que só confirmou os piores temores de FHC sobre o risco de divisão do
país embutido na empreitada do impeachment.
Já
Palocci procurou FHC para manifestar preocupação com o que chamou de
"repercussões sistêmicas" da CPI dos Bingos. "Olha, Palocci, não
estou no dia a dia do Senado, do PSDB, não estou no telefone dando ordens. O
pessoal pensa que eu faço isso. Não. Eu não sei como é que o PSDB vai se
comportar. Não há interesse em botar fogo no mercado", respondeu FHC.
O
ex-presidente não se comprometeu com os emissários governistas, mas atuou para
manter a oposição com os pés no chão. "O problema é o seguinte: temos força?"
[para o impeachment], perguntou a Arthur Virgílio, líder tucano no Senado, e a
Tasso Jereissati, então presidente do PSDB. Em seguida, contou a história de
Josef Stalin, quando o líder comunista russo foi confrontado com o poder da
Igreja Católica na reunião dos líderes aliados, no pós-guerra: "Quantas
divisões tem o papa?"
A
oposição ameaçava, foram apresentadas 30 proposições de impeachment, mas o fato
é que os oposicionistas não tinham votos para derrubar Lula. Esteve próxima de
tê-los, como se pode depreender da eleição de Aldo Rebelo para a presidência da
Câmara, após a queda de Severino Cavalcanti no chamado escândalo do mensalinho,
que por quase um mês desviou as atenções e ajudou a esfriar o debate do
impeachment.
A
presidência da Câmara era uma posição estratégica: cabe a ela dar início ou
mandar arquivar todos os pedidos de abertura de processo de impeachment.
Severino era um aliado do Planalto. E o PFL teve atuação também decisiva na
investigação que levou à denúncia de que Severino recebia propina de um
concessionário de serviços da Câmara.
A
eleição para a substituição de Severino foi duríssima. No primeiro turno, houve
empate em 182 votos entre Aldo e o candidato do PFL, José Thomaz Nonô. No
segundo, o governo ganhou por 258 a 243. A eleição de um pefelista, naquele
momento, poderia ter mudado o curso da história.
Deixa sangrar
Sem
votos no Congresso e sem apoio nas ruas, a oposição se consumia também em
dúvidas. Na avaliação de PSDB e PFL, o PT cometera um erro de cálculo político
em 1992, ao apostar todas as fichas no impeachment de Fernando Collor - se
tivesse mantido o ex-presidente no cargo, mas enfraquecido, provavelmente Lula
seria o presidente da República já nas eleições de 1994.
Consumado
o impeachment de Collor, o vice-presidente Itamar Franco assumiu e fez um
governo de coalizão, do qual só o PT não participou. Após os meses iniciais de
hesitação, quando teve quatro ministros da Fazenda, o novo governo decretou o
Plano Real, fundamental para FHC derrotar Lula no primeiro turno da eleição de
1994.
Empunhando
a bandeira "institucional" durante o mensalão, FHC foi chave nas
negociações para evitar o impeachment de Lula. Mas ele não esteve sozinho.
Parte de PSDB e do PFL seguia a mesma bússola: a oposição não deveria tomar a
iniciativa do impeachment, mas, por outro lado, deixaria correr as
investigações nas CPIs. Era a tese do sangramento de Lula.
Àquela
altura, faltava pouco mais de um ano para as eleições de 2006. Com maior ou
menor grau de blindagem do presidente, o sangramento foi a linha dominante na
oposição, do senador Tasso Jereissati ao pefelista Jorge Bornhausen. E também a
trilha seguida pelos ex-governadores de São Paulo e Minas Gerais -
respectivamente, José Serra e Aécio Neves.
O
enterro do impeachment ocorreu numa reunião burocrática de líderes da oposição
na segunda-feira seguinte ao depoimento de Duda. Os partidos avaliaram que
havia elemento material para o enquadramento jurídico de Lula, mas faltavam
votos no plenário e apoio das ruas. Simples assim. "Não há clima político
para o impedimento e o pedido, se houver, tem de vir da sociedade",
declarou, depois da reunião, o senador Arthur Virgílio.
Apenas
um representante do tucanato - Luiz Carlos Bresser-Pereira, ex-ministro de FHC
- foi a público, em artigo na "Folha de S.Paulo", defender
abertamente o impeachment de Lula. "Estamos ante a maior crise moral da
história brasileira", escreveu Bresser-Pereira. Ironicamente, em 2007, no
segundo mandato de Lula, ele foi nomeado para integrar o "conselho de
orientação" de um órgão do governo - o Ipea.
Cadáveres
insepultos
A
crise do mensalão já corria solta quando Lula decidiu enviar um emissário para
conversar com Delúbio Soares, tesoureiro do PT. Ele queria entender o tamanho
do enredo em que o partido se metera. "Gilbertinho, vai a São Paulo e
conversa com o Delúbio. Eu quero saber que encrenca é essa", ordenou Lula
ao chefe de gabinete.
Numa
sala do diretório nacional do PT em São Paulo, Delúbio explicou que o partido
fez muitas despesas na campanha eleitoral de 2002. Com uma franqueza que
assustou o interlocutor, disse que esperava a ajuda do governo em "algumas
operações" e que esse auxílio nunca veio. Diante disso, foi obrigado a
buscar outras fontes de financiamento, o que acabou levando-o a conhecer o empresário
Marcos Valério.
Uma
dessas operações, só agora revelada, chegou ao Palácio do Planalto, mas foi
abortada pelo ministro Palocci e pelo presidente do Banco Central, Henrique
Meirelles. O plano era levantar a liquidação bancária do Banco Econômico, que
sofreu intervenção do BC em 1995. Os beneficiários do negócio seriam o antigo
controlador do Econômico - Ângelo Calmon de Sá - e o banco português Espírito
Santo.
A
contrapartida da operação seria a concessão de um auxílio financeiro do
Espírito Santo ao PT. "Presidente, isso aí é cadeia! Não vamos fazer um
negócio desse de jeito nenhum", disse um ministro durante reunião para
tratar do assunto. Sem pestanejar, Lula mandou encerrar o assunto ali mesmo.
Antes de chegar à cúpula, no entanto, o tema, que não dizia respeito apenas ao
espólio do Banco Econômico, mas também ao de outros bancos sob intervenção do
BC, correu meses dentro do governo.
Os
bancos liquidados na primeira fase do Plano Real, quando a queda abrupta da
inflação subtraiu grande parte das receitas que eles apuravam com a perda
diária de valor da moeda nacional, tornaram-se cadáveres insepultos. As
intervenções começavam, mas nunca terminavam. Os ex-controladores dos bancos
sempre alegaram que, concluída a liquidação, eles teriam dinheiro a receber do
BC. Este, por sua vez, sustenta que isso é fantasia, uma vez que a União
injetou bilhões de reais nas instituições para honrar compromissos com os
correntistas e cobrir outros buracos.
No
início do governo Lula, banqueiros cassados pelo BC fizeram intenso lobby em
Brasília para amolecer o coração da autoridade bancária. Em 2004, conseguiram,
por exemplo, que a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado criasse uma
subcomissão para tratar exclusivamente das intervenções. Durante os debates,
acusou-se o Banco Central de abuso de poder. Depois, tentou-se limitar
legalmente o prazo do processo de liquidação, mas a proposta nunca foi adiante.
Em
outra frente, Marcos Valério, apontado pela CPI dos Correios como o operador do
mensalão, começou a circular com grande desembaraço dentro do governo,
representando os interesses do Banco Rural, que, como revelou a comissão, fez
empréstimos para salvar o PT da bancarrota. Detentor de 22% do capital do Banco
Mercantil de Pernambuco, também liquidado em 1995, o Rural queria uma solução
rápida para a intervenção, de forma que, ao fim da operação, pudesse assumir o
espólio do banco.
As visitas de
Valério ao BC
Valério
não economizou visitas à sede do Banco Central, em Brasília. Esteve lá 14
vezes, segundo registros da instituição. Na primeira ocasião, foi informado das
restrições legais para o levantamento de liquidação bancária nos moldes
exigidos pelos ex-banqueiros. Não satisfeito, contratou um advogado para
instruí-lo na elaboração de um projeto que alterasse a lei que rege as
intervenções do BC.
O
empresário dizia, nos gabinetes de Brasília, que atuava com o conhecimento do
então ministro José Dirceu. De fato, ele tinha trânsito livre. No início de
2005, por exemplo, levou o presidente do Banco Espírito Santo, Ricardo Espírito
Santo, para uma audiência na Casa Civil com Dirceu. Os laços foram estreitados.
Em fevereiro deste ano, por exemplo, o executivo depôs, na Justiça Federal em
São Paulo, como testemunha de defesa do ex-ministro no inquérito do mensalão.
Nas
andanças pela capital federal, Valério esbarrou num funcionário de carreira do
BC - Gustavo Matos do Vale, diretor de Liquidações e Controle de Operações do
Crédito Rural. Num dos encontros com Vale, Valério levou-lhe uma proposta de
medida provisória que alterava a legislação de liquidação bancária.
Educadamente,
o diretor do BC explicou-lhe que, como haveria impacto na Lei de
Responsabilidade Fiscal, qualquer mudança teria que ser feita por meio de um
projeto de lei complementar. Valério reagiu de forma colérica às ponderações de
Vale. Achou que o diretor do BC estava caçoando dele. Afinal, os dois já tinham
conversado várias vezes sobre o tema. Funcionário público há 26 anos, Matos do
Vale sabia, desde a primeira visita de Valério, que, para seu próprio bem, não
deveria levar a sério a prosa do interlocutor.
Nem
todo mundo pensava assim em Brasília. A pressão para levantar a liquidação de
bancos falidos era tão forte que Henrique Meirelles decidiu fazer uma proposta
insólita ao ministro Palocci - a mudança do BC para a Fazenda da diretoria que
cuida desse assunto. Palocci argumentou que, se Meirelles estava se sentindo
coagido e se isso estava lhe causando um problema de
"sustentabilidade", ele poderia analisar a mudança, embora não a
considerasse necessária. O ministro temia que a transferência aumentasse ainda
mais o interesse da classe política pelo tema.
Meirelles
estava reticente. Quando começou a dizer "não" aos pedidos de
suspensão das intervenções bancárias, um jornalista o procurou. "Olha, dr.
Meirelles, vem aí onda de denúncias contra o senhor", disse o
interlocutor. Meirelles quis saber o porquê e ouviu que era por causa dos
bancos. Nos dias seguintes, apareceram na imprensa as primeiras denúncias.
O
próprio Palocci foi alvo de pressões. Certa vez, estiveram em seu gabinete
representantes de três gerações da família Monteiro, principal acionista do
Banco Mercantil de Pernambuco. Entre eles, Armando Monteiro Filho, ex-ministro
do governo João Goulart e amigo de longa data do presidente Lula, e Armando Monteiro
Neto, deputado do PTB e presidente da Confederação Nacional da Indústria. Na
ocasião, Palocci foi a Lula para explicar o que estava acontecendo. "Não
quero nem ver", desconversou o presidente.
Da
conversa com os Monteiro, ficou na memória de uma testemunha a palavra usada
pelo deputado durante argumentação em defesa do fim da intervenção no Mercantil
de Pernambuco: "anatocismo" (a capitalização de juros acumulados por
não terem sido liquidados no vencimento). Apesar da pressão, "a família
Monteiro foi institucional", assegurou Palocci em relato feito ao
presidente Lula na ocasião.
Por
meio de sua assessoria, o Banco Espírito Santo confirma que, "em 2001 ou
2002", foi procurado por Calmon de Sá. O ex-banqueiro, segundo a
assessoria, queria que o banco português intermediasse, no mercado, a venda de
títulos do Econômico. Ocorre que os títulos jamais foram liberados pelo BC.
Afinal, o banco estava sob intervenção. Daí o suposto interesse no fim da
liquidação. O banco português nega ter cogitado dar auxílio financeiro ao PT,
informação confirmada por mais de um personagem ouvido pelo Valor.
Quando Lula chorou
Durante
toda a crise do mensalão, apenas um fato levou o presidente Lula às lágrimas: a
entrada, no governo, de dois antigos companheiros do movimento sindical - Luiz
Marinho, então presidente da Central
Única dos Trabalhadores, que assumiu o Ministério do Trabalho; e Paulo
Vannuchi, que se tornou titular da Secretaria de Direitos Humanos. Os dois
embarcaram no pior momento de Lula. O primeiro, em julho de 2005; o segundo, em
dezembro daquele ano.
Marinho,
que hoje é prefeito de São Bernardo do Campo (SP), era considerado pelo próprio
Lula o seu sucessor no movimento sindical. O presidente trata-o por filho.
Vannuchi tem fortes vínculos com o sindicalismo e a esquerda católica. A
presença dos dois no governo ajudou Lula a se reaproximar da sua antiga base
social, que, em meados de 2005, andava um tanto decepcionada com os rumos de
sua gestão, especialmente na área econômica, a mais bem-sucedida.
Durante
conversa com Thomaz Bastos, Lula chorou ao lembrar que Marinho e Vannuchi
encararam o desafio de entrar para o governo naquela situação. Sua popularidade
estava no patamar mais baixo de toda sua trajetória na Presidência da
República. O índice daqueles que consideravam seu governo "ruim" ou
"péssimo" também era recorde - 29% em dezembro de 2005.
A
inflexão de Lula foi calculada. Como achou que tinha perdido apoio das elites,
que na sua visão estavam interessadas em apeá-lo do poder, o presidente concluiu
que chegara a hora de fazer acenos em direção a antigos apoiadores. Ao colocar
Marinho no Trabalho, iniciou um processo de forte recuperação do salário
mínimo, até então evitado por causa dos impactos negativos nas contas da
previdência social.
No
segundo mandato, Lula aprofundou a inflexão, passando a conceder aumentos
salariais generosos ao funcionalismo público, categoria com a qual havia
rompido parcialmente em 2003 ao propor a reforma da previdência. No
pós-mensalão, o presidente manteve o tripé da política econômica herdado de FHC
- superávit primário, metas para inflação e câmbio flutuante -, mas desistiu de
regulamentar aquela reforma e também de propor novas mudanças constitucionais.
Trouxe, finalmente, o PMDB para o governo e montou no Congresso uma espécie de
frente anti-impeachment, composta de 14 partidos, da esquerda à direita.
Na
nova fase do governo, Lula deu força à ideia de uma "República
Sindicalista". De alguma maneira, fez o que se dizia que o presidente João
Goulart (1961-1964) quisera implantar 40 anos antes e que provocou a sua queda.
Os sindicalistas passaram a se sobrepor no PT e no governo, em detrimento dos
outros grupos fundadores do partido - a esquerda católica, os ex-guerrilheiros
e os intelectuais.
"Põe
no cofre, Gilberto"
Além
do Grupo das 8, durante a crise foi montado um "bunker" na liderança
do PT na Câmara, no qual o deputado e advogado Luiz Eduardo Greenhalgh
monitorava os depoimentos nas CPIs, ao mesmo tempo em que enchia caixas e mais
caixas com denúncias contra os adversários de Lula.
Os
parlamentares do "bunker" registraram que havia algo de errado na
movimentação de Duda, mas foi tranquilizado pelo Grupo das 8 - que também
participava das reuniões dos congressistas - sobre a lealdade do publicitário.
No
domingo anterior ao depoimento de Duda, houve uma reunião no apartamento de
Greenhalgh para acertar a agenda de trabalho da semana nas CPIs. "Gente,
eu estou preocupado. Quem é que está controlando o Duda?", perguntou o
deputado. José Dirceu tomou a iniciativa de responder: "Pode ficar
tranquilo. O Duda está sob controle". Ciro Gomes, que também estava
presente, esgueirou-se até a beira do sofá: "Estou de acordo. O Duda está
sob controle, tem mantido contato".
Estavam
todos enganados. Duda não só foi à CPI, como deu à oposição o elo que havia
entre a eleição do presidente e a contabilidade fraudulenta do PT. Durante toda
a crise, Lula tentou separar uma coisa da outra. O próprio Grupo das 8 tem
origem numa ordem do presidente para tentar desvincular inteiramente o governo
do escândalo. "Não quero reunião na hora do expediente (a partir das 9h),
não quero encontrar ninguém conversando sobre isso quando eu chegar ao
palácio", advertira Lula.
No
apartamento de Greenhalgh, a extensão da crise era medida pelo consumo de
bebida e comida. Havia dias em que Jaques Wagner enxugava sozinho uma garrafa
de uísque. Bebia também rum e vinho, mas sempre manteve a compostura e a língua
afiada. O nacionalista Aldo Rebelo preferia cachaça.
Lula
recebeu de Greenhalgh, advogado das causas mais importantes do PT, a famosa
"lista de Furnas", matriz do processo que mais tarde levaria o
carimbo de "mensalão do PSDB". O PT, enfim, fazia prevalecer a tese
segundo a qual eram "todos iguais". O presidente conferiu cada nome
da lista, de cima até embaixo. Em seguida chamou Gilberto Carvalho e ordenou:
"Põe no cofre, Gilberto. Põe no cofre".
Governo
revê para R$ 9,2 bilhões queda da receita este ano
Ribamar Oliveira
O
corte adicional de R$ 10 bilhões nos gastos públicos, que foi apresentado na
semana passada como uma ajuda voluntária do governo ao Banco Central para
evitar o superaquecimento da economia, decorreu, na verdade, da queda de R$ 9,2
bilhões na previsão da receita líquida para este ano.
Como
a estimativa da arrecadação caiu, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)
determina que as despesas sejam reduzidas na mesma proporção. Esta é a
explicação que consta do relatório de avaliação de receitas e despesas do
segundo bimestre, encaminhado ontem pelo Ministério do Planejamento ao
Congresso Nacional.
Quando
fez a avaliação do primeiro bimestre, em março, o governo estimou que a sua
receita total (excluída a arrecadação previdenciária) ficaria em R$ 646,6
bilhões em 2010. Na avaliação do segundo bimestre, divulgada ontem, o governo
reestimou a receita total para R$ 637,2 bilhões - queda de R$ 9,4 bilhões.
Depois de retirar as transferências para Estados e municípios, a queda da
arrecadação líquida foi de R$ 9,2 bilhões.
A
reestimativa da arrecadação foi necessária, segundo o relatório, porque houve
um decréscimo de R$ 2,9 bilhões, registrado nos meses de março e abril, nas
receitas administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), em
comparação com a primeira avaliação bimestral. Essa queda está concentrada no
Imposto de Renda, na Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social
(Cofins) e na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
O
relatório informa ainda que, nas demais receitas primárias do governo, "há
expectativa de decréscimo em relação ao montante estimado na primeira avaliação
bimestral, da ordem de R$ 6,5 bilhões, concentrada nas receitas com dividendos
e outras", que não especifica.
A
revisão da previsão de receita do governo federal para este ano, que consta do
relatório de avaliação do segundo bimestre, é oposta à previsão otimista feita
terça-feira pelo secretário da Receita, Otacílio Cartaxo. Ao divulgar o
resultado de abril, o melhor para o mês, Cartaxo afirmou que a Receita vai
obter recordes sucessivos de arrecadação até o fim deste ano e apostou que a
receita administrada terá desempenho em 2010 muito melhor do que nos anos
pré-crise.
A
avaliação do segundo bimestre foi feita, segundo o relatório, com base em um
crescimento de 5,5% da economia em 2010, o que talvez explique parte da
contradição. Em sua entrevista, Cartaxo disse que o Produto Interno Bruto (PIB)
do Brasil apresentará um crescimento de, no mínimo, 6% este ano. Quando mais
crescer a economia, maior será a arrecadação. A maioria dos economistas já
trabalha com perspectiva de expansão do PIB entre 6,5% e 7%. Alguns acreditam
em crescimento de 7,5%.
Por
isso, o corte anunciado ontem pelo governo pode ser meramente para atender um
dispositivo da lei e será revertido, ao longo do ano, com a melhoria da
arrecadação em decorrência de um maior crescimento econômico. Esta, pelo menos,
tem sido a prática registrada até agora, pois o governo sempre inicia cada
exercício financeiro com uma previsão para a receita da União abaixo do que ela
efetivamente ocorrerá.
Do
corte total de R$ 10 bilhões, anunciado ontem, R$ 2,4 bilhões se referem a
reestimativas de algumas despesas obrigatórias. O governo espera, por exemplo,
gastar R$ 1,46 bilhão a menos com o pagamento de pessoal e encargos sociais do
que estimou na avaliação do primeiro bimestre. Espera também reduzir em R$ 1,4
bilhão os gastos com subsídios e R$ 337,1 milhões das aplicações dos fundos de
desenvolvimento da Amazônia e do Nordeste. Ao mesmo tempo, prevê ampliar em R$
800 milhões o apoio aos Estados e municípios.
O
corte nos limites de empenho do Orçamento e na movimentação financeira do
Tesouro será de R$ 7,6 bilhões, sendo R$ 7,49 bilhões nas despesas do
Executivo, R$ 24,4 milhões no Legislativo, R$ 88,9 milhões no Judiciário e R$
11,7 milhões no Ministério Público.
Diário do
Grande ABC
Sindema protesta, mas aceita reajuste da prefeitura
Elaine
Granconato
Mesmo
com diversas críticas à proposta, o Sindema (Sindicato dos Funcionários Públicos) de Diadema aceitou
o reajuste de 5,72% proposto pela prefeitura da cidade, após assembleia da
categoria realizada na noite desta quinta-feira. Das cerca de 100 pessoas
presentes ao encontro, aproximadamente cinco posicionaram-se contra a proposta.
Portanto,
os servidores receberão, além do aumento, válido a partir de 1º de dezembro, um
abono de 50% no valor de seus vencimentos. O abono será limitado a R$ 2 mil,
variando de R$ 350 a R$ 2 mil. Este valor será pago em sete cotas, com
pagamento previsto para acontecer em três vezes.
Foi
uma negociação de cerca de dois meses entre sindicato e prefeitura. No início,
a administração municipal endureceu; com isso, foram feitas mobilizações,
paralisações temporárias e uma grave de 24 horas no dia 15 de abril.
A
proposta aceita pelos servidores hoje é a terceira apresentada para a
categoria. A partir da segunda quinzena de junho, começa a ser discutido o
plano de cargos e carreiras do funcionalismo e do magistério.
A prefeitura informou em nota, no início da noite, que as horas não trabalhadas
em função da paralisação da categoria "deverão ser repostas de acordo com
as diretrizes definidas pela Secretaria de Gestão de Pessoas e em conformidade
com as necessidades de cada secretaria".
Correio
Braziliense
CUT defende participação da sociedade nas decisões do
Copom sobre juros
O representante da
diretoria da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Adeilson Telles,
questionou nesta quinta-feira (20/5) a composição do Comitê de Política
Monetária (Copom) do Banco Central e sugeriu a inclusão de representantes de
diversos segmentos sociais no órgão.
Composto por membros da diretoria colegiada do Banco Central com objetivo de
estabelecer a taxa básica de juros e contribuir para o combate da inflação, a
instituição poderia receber contribuições da sociedade, sugeriu Telles, ao defender a
ampliação da participação social nas decisões de governos.
"O Copom que decide todos os meses a taxa de juros que influencia toda a nossa
vida, todos os setores da economia. Por que uma dúzia de iluminados, dos quais
eu sei que a maioria de nós não sabe nem o nome, decidem a taxa de juros?",
questionou, durante debate no Fórum Nacional, evento do Instituto Nacional de
Altos Estudos (Inae), no Rio de Janeiro.
"Por que não criar espaços para representação do setor produtivo da sociedade,
dos empresários, dos trabalhadores, da sociedade civil organizada? Por que há
de ser um debate do tipo papal, no qual [o Copom] se reúne e ninguém sabe qual
o debate, qual avaliação foi feita", completou.
A realização de conferências nacionais e a criação de conselhos com a
participação da sociedade foram destacadas por Telles como importantes espaços de contribuição
social para as políticas públicas, nos últimos anos. O diretor lembrou, no
entanto, que estes mecanismos não foram "institucionalizados pelo Estado".
"A participação do cidadão não pode ser sazonal, de dois em dois anos. O
cidadão tem que participar plenamente da vida do país. Por isso, consideramos
que foi uma avanço a instituição de mecanismos de participação cidadã, mas
esses espaços ainda estão limitados", criticou.
A ampliação de mecanismos de participação com a institucionalização das
conferências nacionais é uma das três diretrizes da Jornada de Desenvolvimento,
uma plataforma da CUT
para o desenvolvimento do país.
Com 60 páginas, o documento inclui também a valorização do trabalho e a
consolidação da "igualdade, distribuição de renda e inclusão social", por meio
de sugestões nas áreas de educação, emprego, comunicação, infraestutura urbana,
mobilidade e desenvolvimento regional.
Diário
Catarinense
Na
Capital, estado de greve
Os
servidores municipais da Capital decidiram manter o estado de greve da
categoria. Ontem, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de
Florianópolis (Sintrasem), 90% dos trabalhadores dos postos de saúde,
escolas e creches paralisaram as atividades para a realização de uma
assembleia. Ficou definido que, durante o próximo mês, os servidores vão tentar
voltar à mesa de negociações com a prefeitura, para discutir alguns pontos da
proposta que ainda não foram aceitos pela categoria.
Agência
Brasil
CUT defende participação da sociedade nas decisões do
Copom sobre juros
Isabela Vieira
Rio de Janeiro - O representante
da diretoria da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Adeilson Telles,
questionou hoje (20) a composição do Comitê de Política Monetária (Copom) do
Banco Central e sugeriu a inclusão de representantes de diversos segmentos
sociais no órgão.
Composto por membros da diretoria colegiada do Banco Central com objetivo de
estabelecer a taxa básica de juros e contribuir para o combate da inflação, a
instituição poderia receber contribuições da sociedade, sugeriu Telles, ao defender a
ampliação da participação social nas decisões de governos.
"O Copom que decide todos os meses a taxa de juros que influencia toda a nossa
vida, todos os setores da economia. Por que uma dúzia de iluminados, dos quais
eu sei que a maioria de nós não sabe nem o nome, decidem a taxa de juros?",
questionou, durante debate no Fórum Nacional, evento do Instituto Nacional de
Altos Estudos (Inae), no Rio de Janeiro.
"Por que não criar espaços para representação do setor produtivo da sociedade,
dos empresários, dos trabalhadores, da sociedade civil organizada? Por que há
de ser um debate do tipo papal, no qual [o Copom] se reúne e ninguém sabe qual
o debate, qual avaliação foi feita", completou.
A realização de conferências nacionais e a criação de conselhos com a
participação da sociedade foram destacadas por Telles como importantes espaços de contribuição
social para as políticas públicas, nos últimos anos. O diretor lembrou, no
entanto, que estes mecanismos não foram "institucionalizados pelo Estado".
"A participação do cidadão não pode ser sazonal, de dois em dois anos. O
cidadão tem que participar plenamente da vida do país. Por isso, consideramos
que foi uma avanço a instituição de mecanismos de participação cidadã, mas
esses espaços ainda estão limitados", criticou.
A ampliação de mecanismos de participação com a institucionalização das
conferências nacionais é uma das três diretrizes da Jornada de Desenvolvimento,
uma plataforma da CUT
para o desenvolvimento do país.
Com 60 páginas, o documento inclui também a valorização do trabalho e a
consolidação da "igualdade, distribuição de renda e inclusão social", por meio
de sugestões nas áreas de educação, emprego, comunicação, infraestutura urbana,
mobilidade e desenvolvimento regional.
Presidente indica
que vetará fim do fator previdenciário
Yara Aquino
Brasília
- Ao falar ontem (20) sobre aprovação do fator previdenciário pelo Congresso
Nacional, durante o encerramento da Marca a Brasília em Defesa dos Municípios,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que é preciso agir com
responsabilidade. De acordo com ele, há quem pense que vai ganhar votos [nas
eleições deste ano] com a aprovação da medida.
"Vocês
viram agora com a votação do fato previdenciário. Tem gente que acha que ganha
votos fazendo isso. Na verdade, se o povo compreender o que significa isso,
essas pessoas podem não ganhar o tanto de votos que esperam", afirmou.
Segundo
Lula, é preciso responsabilidade com os gastos para que não se quebre os cofres
públicos. "Eu como presidente da República e vocês como prefeitos, a gente tem
que agir com a maior responsabilidade, porque se a gente quebrar a prefeitura,
o estado, quebrar o governo, a gente não recupera em um curto prazo de tempo".
O
fator previdenciário foi aprovado no dia 19 pelo Senado, a exemplo do que já
havia ocorrido na Câmara. Após a votação, o líder do governo no Senado, Romero
Jucá (RR), disse que Lula vetaria o fim do fator previdenciário.
O
fator previdenciário foi aprovado durante o governo Fernando Henrique Cardoso
para evitar aposentadorias precoces e reduzir o déficit da Previdência. O
cálculo leva em conta o tempo de contribuição, a idade do trabalhador e a
expectativa de vida do brasileiro.
Chávez
diz que acordo com o Irã foi uma vitória dos países do Sul
Renata Giraldi
Brasília - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, classificou ontem (20) o
acordo para a troca do urânio iraniano como uma vitória dos países do Sul
contra os Estados Unidos. Ele afirmou que presta seu "apoio incondicional" ao
acordo. A reação dele ocorre no mesmo momento que é confirmada a visita a
Caracas do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad que ocorrerá nos próximos
meses.
As informações são da imprensa oficial da Venezuela, a Agência Bolivariana de
Notícias (ABN). Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores informou
a opinião de Chávez sobre o acordo.
"Da mesma forma, o presidente Chávez saudou o papel positivo desempenhado pelo
Brasil e Turquia, países amantes da paz, que ocupam assentos não-permanentes no
Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, na busca e celebração
do acordo, chamando-o de vitória nações do Sul sobre a agenda de agressão e
afronta solicitado pelo império Estados Unidos", diz o documento.
No último dia 17, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Ahmadinejad, além do
primeiro-ministro da Turquia, Tyyiq Erdogan, negociaram o acordo, em Teerã.
Pelo documento, o governo iraniano enviará o urânio enriquecido a 3,5% para ser
depositado na Turquia. Em troca, no prazo de até um ano, receberá urânio
enriquecido a 20%. A ideia é que a iniciativa afaste as suspeitas sobre o
programa nuclear do Irã e evite a imposição de punições contra o país.
Os Estados Unidos manifestaram dúvidas sobre os objetivos pacíficos do programa
nuclear do Irã e por isso defendem a aprovação de sanções econômicas por parte
do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra os iranianos.
Em
reunião, realizada na última terça-feira (18), o governo norte-americano
apresentou aos demais membros permanentes do conselho um esboço de resolução
estabelecendo sanções.
A aprovação das sanções depende do voto favorável dos cinco países que ocupam
assento permanente e de mais quatro membros que ocupam cargos rotativos dos 15
integrantes do conselho.
Presidente do Ipea descarta
superaquecimento da economia brasileira
Alana Gandra
Rio
de Janeiro - O presidente do Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea),
Marcio Pochmann, disse ontem (20), em entrevista no Fórum Nacional, no Rio de
Janeiro, que a situação atual no Brasil não configura um superaquecimento de
toda a economia. Admitiu, porém, que pode estar havendo um aquecimento em
alguns segmentos. Citou, como exemplo, o setor da construção civil. Há carência
de mão de obra, afirmou.
Não
há, contudo, segundo ele, sinais de que o crescimento da economia seria
incontrolável. Para Pochmann, as medidas tomadas até agora indicam que o
crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) se manterá em um padrão adequado. A
previsão do Ipea é que o PIB crescerá este ano entre 5,5% e 6,5%.
Pochmann
acredita que o Brasil se encontra em recuperação após a crise internacional de
2008. "Essa recuperação é adequada e vem acompanhada, inclusive, da ampliação
de investimentos, que é a maior preocupação que se tem em relação ao problema
inflacionário".
Para
ele, não há justificativa para a adoção de uma política monetária mais
contracionista no país. "Ainda mais porque, do ponto de vista fiscal, há a
intenção já declarada [do governo] de fazer corte nos gastos correntes". Disse
que a política monetária deve estar atenta para as repercussões da taxa de
juros no médio e longo prazos. "Porque há uma defasagem de seis a sete meses em
que o impacto dos juros acaba influindo em determinados aspectos da área
social".
A
política fiscal dá mais possibilidade de se fazer ajustes imediatos, explicou,
"contraindo e até liberando, à medida em que vão sendo avaliados os diversos
setores econômicos".
Em
relação à inflação, considerou natural uma elevação dos índices no primeiro
semestre do ano. "O impacto é sazonal e podemos nos adequar no segundo
semestre". Não haveria necessidade de atuar de forma mais radical pelo lado dos
juros, reiterou.
Apesar
de a economia brasileira se mostrar bem preparada, o presidente do Ipea
reconheceu que essa segunda fase da crise internacional terá reflexos no país,
sobretudo sobre as exportações.
Desmatamento
na Amazônia cai 50% em relação ao ano passado
Brasília - O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou ontem
(20) que houve queda de 50% no desmatamento na Amazônia, em relação ao ano
passado, quando as taxas de 12,9 mil quilômetros quadrados caíram para 7,4 mil.
Segundo o órgão, sete municípios que entraram no monitoramento no mesmo período
registraram redução significativa de aproximadamente 70%. Em contrapartida,
durante as fiscalizações foi identificado aumento de retirada de árvores em
pequenas regiões, ou seja, fora das florestas.
De acordo com o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, "os números
são algo não imaginado há dois anos. Isso demonstra que o trabalho de
monitoramento é importante não só para o Brasil, mas para o mundo". Segundo o
ministro, o problema dos pequenos desmatamentos deve ser fiscalizado e
trabalhados em parceria entre os governos estaduais e federais.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, comemorou os resultados
obtidos, mas disse que é preciso olhar para a frente e buscar políticas mais
eficazes para a região. Segundo a ministra, "é preciso pensar na Amazônia, não
só em lugar de preservação ou de combate ao desmatamento. É preciso enxergá-la
num quadro de desenvolvimento econômico-social".
Apesar dos avanços, a ministra reclamou que ainda existem situações que não
deveriam mais acontecer quando se trata do desmatamento no país. Ela
exemplificou com os casos de retirada de árvores em reservas ambientais e de assentamentos
agrários.
Todos os números foram apresentados durante o 7º Seminário Técnico Científico
de Análise dos Dados do Desmatamento da Amazônia que começou ontem (20) em
Brasília e segue até hoje (21), com debates relacionados não só à preservação do
bioma da Amazônia, mas também de outros biomas como o do cerrado e o da
Caatinga.
Terra
CUT defende participação da sociedade nas decisões do
Copom
O
representante da diretoria
da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Adeilson Telles, questionou nesta quinta-feira a
composição do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) e
sugeriu a inclusão de representantes de diversos segmentos sociais no órgão.
Composto
por membros da diretoria colegiada do Banco Central com objetivo de estabelecer
a taxa básica de juros e contribuir para o combate da inflação, a instituição
poderia receber contribuições da sociedade, sugeriu Telles, ao defender a ampliação da
participação social nas decisões de governos.
"O
Copom que decide todos os meses a taxa de juros que influencia toda a nossa
vida, todos os setores da economia. Por que uma dúzia de iluminados, dos quais
eu sei que a maioria de nós não sabe nem o nome, decidem a taxa de juros?",
questionou, durante debate no Fórum Nacional, evento do Instituto Nacional de
Altos Estudos (Inae), no Rio de Janeiro.
"Por
que não criar espaços para representação do setor produtivo da sociedade, dos
empresários, dos trabalhadores, da sociedade civil organizada? Por que há de
ser um debate do tipo papal, no qual [o Copom] se reúne e ninguém sabe qual o
debate, qual avaliação foi feita", completou.
A
realização de conferências nacionais e a criação de conselhos com a
participação da sociedade foram destacadas por Telles como importantes espaços de contribuição
social para as políticas públicas, nos últimos anos. O diretor lembrou, no
entanto, que estes mecanismos não foram "institucionalizados pelo
Estado".
"A
participação do cidadão não pode ser sazonal, de dois em dois anos. O cidadão
tem que participar plenamente da vida do País. Por isso, consideramos que foi
uma avanço a instituição de mecanismos de participação cidadã, mas esses
espaços ainda estão limitados", disse.
A
ampliação de mecanismos de participação com a institucionalização das
conferências nacionais é uma das três diretrizes da Jornada de Desenvolvimento,
uma plataforma da CUT
para o desenvolvimento do País.
Com
60 páginas, o documento inclui também a valorização do trabalho e a
consolidação da "igualdade, distribuição de renda e inclusão social",
por meio de sugestões nas áreas de educação, emprego, comunicação,
infraestutura urbana, mobilidade e desenvolvimento regional.
G1
Manifestação
complica o trânsito no Centro do Rio
Cerca de 12 guardas
auxiliam os motoristas no local. Manifestantes
estão na Avenida República do Chile.
Uma
passeata complica o trânsito no Centro do Rio, no fim da tarde desta quinta-feira
(20). A passeata foi organizada pela CUT, mas o motivo do protesto não foi informado.
De
acordo com a Guarda Municipal, os manifestantes passaram pela Avenida Rio
Branco e se encaminharam para a Avenida República do Chile.
Segundo
a GM, 12 guardas auxiliam os motoristas no local. Os manifestantes não ocupam
as pistas da avenida e se concentram em frente a Petrobrás.
Ainda
no Centro, segundo a CET- Rio, o trânsito está congestionado na Avenida
Presidente Vargas, na altura da Central, no sentido Praça da Bandeira.
Motoristas também enfrentam tráfego intenso na Rua Visconde do Rio Branco,
altura da Praça Tiradentes.
De
acordo com a CET- Rio, o trânsito está intenso na Avenida Presidente Antônio
Carlos e na Avenida Perimetral, na altura da Praça Mauá.
R7
Rodoviários
começam greve na próxima quarta-feira em Salvador
Motoristas e
cobradores pedem reajuste salarial de 10%
Os
motoristas e cobradores rodoviários de Salvador decidiram por unanimidade
entrar em greve a partir da próxima quarta-feira (26), em assembleia realizada
nesta quinta-feira (20). Os trabalhadores pedem reajuste salarial de 10%.
De acordo com o presidente da CUT Bahia (Central Única dos Trabalhadores), Martiniano Costa,
os rodoviários esperam fechar acordo com os empresários até a próxima
terça-feira (25). Caso o acordo não ocorra, a proposta da greve é que uma frota
mínima de 30% dos ônibus circule pela cidade.
Além do reajuste salarial, os rodoviários também pedem aumento de 30% no valor
do vale-refeição e pagamento do benefício durante o período de férias.
Vermelho
Direita
brasileira é enxotada da manifestação pró-Cuba
A
direita brasileira escolheu o dia 20 de Maio, esta quinta-feira, para fazer uma
manifestação contrária ao regime de Cuba, mas foram surpreendidos com uma
manifestação favorável a ilha. Os cinco manifestantes de direita, liderados
pelo deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), foram enxotados pela dezenas de
manifestadores que foram prestar solidariedade à Cuba.
Para
isso contaram com a ajuda de policiais militares que impediram os atos de
agressão ensaiados pelos "ianques", como foram chamados pelos manifestantes:
"Fora ianques". Eles ainda insistiram nas provocações, passando de carro em
frente à Embaixada de Cuba em Brasília, onde se realizava o ato.
Após o encerramento do evento, que durou duas horas de discursos, gritos de
palavras de ordem e agitação de bandeiras e exibição de faixas, os
manifestantes foram recebidos pelo embaixador cubano, Carlos Zamora, nos
jardins da embaixada. Ele quis agradecer pessoalmente ao que considerou "
demonstração de carinho e solidariedade para com a revolução cubana e o que ela
significa para todo o mundo."
A exemplo dos manifestantes, Zamora encerrou sua fala com as palavras de ordem:
"A luta de Cuba é a luta do povo"; "Liberdade para os cinco", "Abaixo o
imperialismo"; "Viva José Martí", "Viva Fidel Castro". E foi acompanhado ainda
nas palavras de "vivas" à "Eterna amizade do povo de Cuba e do povo do Brasil",
encerrando com "Patria ou Muerte".
Vaias e vivas
Na
chegada do grupo de Aleluia, que carregava fotos de presos em Cuba, o
vice-presidente do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e
Luta pela Paz), Paulo Guimarães, que estava discursando no carro de som,
calou-se para acompanhar a movimentação de chegada e retirada deles, que durou
poucos minutos. E depois comemorou: "Foram embora com o rabo entre as pernas,
porque não tem inserção social, não tem apoio popular."
"Vaias para eles e vivas para Cuba", gritavam os manifestantes à saída do grupo
de Aleluia.
Após a saída do grupo, os manifestantes se revezaram ao microfone para
apresentarem palavras de apoio e solidariedade. Guimarães voltou a falar "para
prestar solidariedade e apoio a esse povo que tem uma história que honra a
humanidade. Esse ato demonstra a representatividade da luta do povo cubano que
está centrada no entendimento e solidariedade", disse.
Campanha midiática
Os
manifestantes, a exemplo da coordenadora do Núcleo de Estudos de Cuba (NesCuba)
da Universidade de Brasília (UnB), María Auxiliadora César, também se
posicionaram contra a campanha midiática das grandes potências que tentam
desacreditar a revolução cubana diante do mundo. "Cuba soube resistir porque
tem um povo bravo e existem grupos no mundo inteiro que a apoiam, como esse que
está aqui agora em Brasília."
"Na base de mentiras e calúnias, transformam delinqüentes comuns em "presos
políticos", transformam mercenários pagos pelos cofres do Pentágono em
"dissidentes", premiam blogueiros vulgares como se fossem jornalistas e
escritores. O centro desta campanha esta na Casa Branca, com o apoio de
governos e parlamentares reacionários da União Européia. No Brasil, a campanha
é protagonizada pela mídia conservadora e uma minoria de direitistas no
Congresso Nacional", diz o texto distribuído entre os manifestantes.
Graça Sousa, secretária de mulheres da CUT, disse que os movimentos sociais estão alertas
para a ofensiva do capitalismo contra a revolução cubana que, a despeito do
bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, comemora 50 anos. E destacou
as principais bandeiras de luta do regime cubano que conta com o apoio e
solidariedade dos povos da América Latina: o fim do bloqueio, a devolução do
território de Guatanamo e a libertação dos cinco cubanos presos nos Estados
Unidos.
Tilden Santiago, que foi embaixador de Cuba no primeiro Governo Lula, falou
sobre a alegria de participar do ato, destacando que a mesma alegria devem
sentir Fidel e Raul Castro ao tomar conhecimento de que o povo trabalhador
brasileiro defende a revolução.
"A democracia avança na América Latina e avança a resistência dos cubanos que
deram suor e sangue contra o imperialismo", discursou, acrescentando que "se
hoje nós temos governos à esquerda em toda a América Latina - Bolívia,
Venezuela, Equador e no Brasil -, nós devemos a resistência permanente da
revolução cubana, que é a vanguarda do sistema socialista na América Latina."
"De pé, nunca de joelhos"
O
ato contou com a participação de representantes de outros países e de cubanos.
Tirso Sainz, da Associação Nacional de Cubanos Residentes no Brasil (ANCREB)
agradeceu a presença dos brasileiros, bolivianos e equatorianos, destacando que
"a revolução cubana tem em seu povo a principal força."
O coordenador do MST da Bolívia, Silvestre Saisari, disse que a presença da
Bolívia no ato em apoio à Cuba representa a confiança na luta dos trabalhadores
para construir uma pátria livre. Ele encerrou suas palavras breves, como a
maioria dos oradores, puxando palavras de ordem: "Cuba de pé, nunca de
joelhos."
A equatoriana Loyda Olivo, da Via Campesina internacional, lembrou, em sua fala
que "quem está contra Cuba está contra a América Latina." E teve as palavras
reforças por Rosângela Piovizani, do movimento de mulher camponesas, que
destacou: "Cuba é uma referência para nós e tudo que significa de país livre do
imperialismo". Ao final, ela animou o público com as palavras de ordem: "Globalizemos
a luta". Em resposta, os manifestantes diziam: "Globalizemos a esperança."
Roseli Maria de Sousa, da Via Campesina Brasil, resumiu sua fala à condução de
uma representação. Ela pediu que os manifestantes se voltassem para a frente da
embaixada e para o reconhecimento da revolução socialista com gritos de "vivas"
à Cuba, à população cubana e aos trabalhadores e trabalhadoras que combatem o
imperialismo. "É a Via Campesina na luta em defesa do socialismo e contra o
imperialismo", afirmou.
Lutas antigas e atuais
O
embaixador Zamora, sob o sol forte de meio-dia, conversou com os manifestantes
ao final do ato. Ele reforçou as lutas atuais do povo cubano, como a
recuperação do território de Guatanamo, que serve como um posto de tortura dos
Estados Unidos e que é mantido pela força; o fim do bloqueio econômico, que
condena o povo cubano a penúria e que persiste, apesar de ser considerado pelos
tratados e a comunidade internacional como elementos de genocídio; e a
libertação dos cinco heróis cubanos, que lutaramcontra o terrorismo dos Estados
Unidos em nosso território e que estão cumprindo pena nas prisões dos Estados
Unidos - presos injustamente e sem julgamento.
Zamora destacou que estas questões são ignoradas pela mídia internacional, que
se cala sobre elas e que, enquanto elas existirem, Cuba não pode manter relação
adequada com os Estados Unidos e nem o mundo poderia.
O diplomata também lembrou que a data de de maio é "cara" para o povo
cubano, porque marca a morte do herói cubano José Martí, líder da guerra pela
independência de Cuba.
Em 19 de maio de 1895, no comando de um pequeno contingente de patriotas
cubanos, após um encontro inesperado com tropas espanholas nas proximidades do
vilarejo de Dos Ríos, José Martí é atingido e vem a falecer em seguida. Seu
corpo, mutilado pelos soldados espanhóis, é exibido à população e
posteriormente sepultado na cidade de Santiago de Cuba, em 27 de maio do mesmo
ano."Um feito que nós cubanos levamos no coração", disse o diplomata.
Sobre o dia 20 de maio, o diplomata disse que representa "um dia nefasto
na história de Cuba". Naquela data, "Cuba caiu nas garras do império
norte-americano, que interveio na guerra contra a Espanha, ocupou militarmente
a ilha e estabeleceu o que se conheceu pela primeira vez na história da
humanidade como neocolonialismo."
Uai.com.br
Justiça
aumenta multa e bloqueia conta de sindicato dos professores
Mateus Castanha
O
embate entre professores da rede estadual e governo de Minas ganhou mais um
capítulo. Nesta quinta-feira, o desembargador Alvim Soares, relator substituto
na ação movida pelo Estado, decidiu aumentar a multa em decorrência da
paralisação da categoria de R$ 10 mil para 30 mil por dia, limitada a R$ 900
mil.
Além
disso, a Justiça também bloqueou a conta bancária do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de
Minas Gerais (Sind-UTE/MG) junto ao Banco Central, para o pagamento de
R$ 130 mil, referentes ao período entre 7 e 19 de maio.
No
início da noite, o sindicato dos professores divulgou uma nota sobre a decisão.
Segundo a categoria, a fonte de recursos do Sind-UTE é exclusivamente composta pela
contribuição voluntária dos servidores associados e a intenção do governo seria
dificultar a organização da categoria. "O Governo insiste numa estratégia de
judicializar um conflito que não será resolvido pela imposição, mas por uma
justa negociação que modifique os baixos salários praticados em Minas
Gerais" finaliza a nota do Sind-UTE.
Sem acordo
O
impasse ganhou força na última terça-feira, quando a categoria optou, em
assembleia, praticamente por unanimidade, pela manutenção da greve, que já dura
43 dias. O governo reagiu rápido e anunciou a criação de uma comissão para
analisar as reivindicações da categoria. No entanto, sem a participação do Sind-UTE. Além disso, a
secretária de Educação, Vanessa Guimarães, falou pela primeira vez sobre
possíveis demissões dos grevistas, provocando revolta entre os
professores.
Faxaju.com.br
Deso
não será privatizada, diz Gualberto
O
deputado estadual Francisco Gualberto (PT), líder do governo na Assembleia
Legislativa, foi à tribuna nesta quinta-feira para tranqüilizar a sociedade
sergipana e principalmente os servidores da Companhia de Esgoto e Saneamento do
Estado (Deso) em relação a uma propagada privatização da empresa. O assunto
havia sido explorado pela oposição depois que o sindicato dos servidores da
Deso divulgou nota oficial combatendo a política de terceirização na empresa
estatal.
"Posso
garantir: enquanto Marcelo Déda for governador do Estado, nenhum setor público
será privatizado. As insinuações são sempre feitas, inclusive com o Banese, mas
no nosso governo isso não acontecerá jamais", disse Gualberto, alegando
entender perfeitamente a posição dos sindicalistas. "Essa é uma política que os
sindicatos ligados à CUT
fazem em todos os setores, seja no Estado ou na União. E esse combate às
terceirizações nós também fazemos. Mas isso é diferente de dizer que existe um
documento sigiloso que trate da privatização da Deso".
Francisco
Gualberto, que já presidiu a Central Única dos Trabalhadores em Sergipe, acha
normal o combate às terceirizações, justamente porque substituem trabalhadores
concursados por contratados. "Mas quero afirmar que privatização não faz parte
do programa de governo do Partido dos Trabalhadores, nem muito menos do ideário
do nosso governo", frisou o parlamentar. "Pelo contrário. Este programa de
privatização está contido no pensamento do PSDB e do DEM, que são os nossos
adversários".
Blog do
Emir Sader
Quem
representa perigo para a paz mundial?
Lula
tinha afirmado que um país que possui armas nucleares não tem condições morais
para exigir que outros não tenham. Da mesma forma que afirmou que a mediação
dos EUA no conflito entre Israel e Palestina não tinha promovido a paz, porque
os EUA possuem interesses diretamente vinculados a Israel, não possuindo
credenciais para mediar o conflito com um mínimo de objetividade.
O acordo logrado com o Irã confirma esse critério. O Brasil e a Turquia,
membros atuais do Conselho de Segurança, aderentes ao Tratado de Não
Proliferação de Armas Nucleares, países do Sul do mundo, puderam obter com o
Irã o acordo que a Agência da ONU pede. No entanto, os EUA - tomados de
surpresa, porque não acreditavam (e torciam para) que o acordo pudesse ser
obtido, agora apelam para o argumento de que "Não acreditamos na palavra dele",
quando o que buscava era exatamente uma palavra e um esquema de apoio. Obtidos,
inviabilizariam as sanções que os EUA querem impor.
A atitude dos EUA é a mesma que tiveram no ataque ao Iraque. Queriam provas de
armamento de destruição em massa, não obtiveram, alegaram que sim, havia, com
isso passaram por cima do Conselho de Segurança da ONU, junto com a Grã
Bretanha atacaram e destruíram a mais antiga civilização da história (foram
destruídos os lugares históricos e sagrados, mas protegidas as torres de
petróleo - o objetivo real da ocupação).
Quem representa perigo para a paz mundial? O Irã, que talvez pudesse vir a
construir armamento nuclear, mas que não ocupa nenhum outro país? Ou os EUA,
único país na história que usou a bomba atômica - contra Hiroshima e Nagasaki
-, possui um arsenal de todo tipo de armamento que representa a metade de todo
o armamento existente no mundo? Que atualmente ocupam o Iraque e o Afeganistão,
que tem uma história de invasões, ocupações, desembarques militares, amplamente
conhecida?
Que desrespeitou o Conselho de Segurança da ONU e atacou o Iraque, apoiado em
acusações que não se confirmaram? Que possui bases militares em mais de 10
países em todo o mundo? Ou Israel, que possui armamento nuclear, ameaça
constantemente atacar o Irã e ocupa os territórios que devem, segundo a ONU,
ser destinados ao Estado Palestino?
Blog do
Altamiro Borges
Paulo
Nogueira e o macartismo da Folha
Preparando-se
para a guerra eleitoral, a mídia demotucano já iniciou a "limpeza ideológica"
nas suas redações. Na semana passada, o Grupo Abriu demitiu o editor da
National Geographic do Brasil, Felipe Milanez, que criticou no seu twitter as
distorções grosseiras da revista Veja. Agora, é a Folha de S.Paulo que dispensa
o economista Paulo Nogueira Batista Junior, atual diretor do Brasil no FMI e um
dos poucos colunistas que ainda justifica a leitura deste pasquim golpista.
O argumento usado é risível. A famíglia Frias alegou que "sua coluna é das mais
longevas", só não explicou porque outros antigos colunistas nunca foram
molestados. Paulo Nogueira sempre foi um ácido crítico das políticas
neoliberais de desmonte do Estado e da nação. Ele nunca deu tréguas aos tucanos
colonizados, com seu "complexo de vira-lata". Na luta de idéias em curso na
batalha eleitoral, o economista seria um estorvo para José Serra, o candidato
do Grupo Folha.
Relembrando as perseguições de 2006
Para
disfarçar a sua política macartista de "caça às bruxas", a Folha anunciou um
novo plantel de colunistas, que inclui o Antonio Palocci. Com isso, ela tenta
preservar a falsa imagem de "jornal pluralista". Mas, como ironiza o jornalista
Paulo Henrique Amorim, a jogada é rasteira. "Antônio Malloci, ex-ministro da Fazenda,
como se sabe é um notável tucano que eventualmente milita no PT. Paulo Nogueira
Batista Junior era um dos últimos vestígios de talento que a Folha exibia... A
Folha, com um novo conjunto de ‘colonistas', aproxima-se cada vez mais da treva
sem fim".
O clima de perseguição ideológica nas redações da mídia "privada" não é
novidade. Na sucessão presidencial de 2006, ele também produziu suas vítimas,
entre elas o jornalista Rodrigo Vianna, que não aceitou as baixarias da TV
Globo na cobertura da campanha. Franklin Martins e Tereza Cruvinel também
sentiram o ódio do "senhor das trevas" das Organizações Globo, Ali Kamel. Nos
jornais e revistas, a perseguição fascistóide silenciou vários outros
jornalistas.
A quem serve a liberdade de expressão?
Como
afirma o professor Venício A. de Lima, estes episódios revelam "a hipocrisia
geral que envolve as posições públicas dos donos da mídia sobre liberdade de
expressão e liberdade de imprensa... As relações de trabalho nas redações
brasileiras, é sabido, são hierárquicas e autoritárias. Jornalistas e editores
são considerados, pelos patrões, como ocupando ‘cargos de confiança' e
devedores de lealdade incondicional". Caso tentem manter a ética no seu
trabalho jornalístico, eles são demitidos sumariamente.
Com a aproximação da eleição presidencial de outubro, o clima tende a se
deteriorar ainda mais nas redações, comprovando a falsidade do discurso dos
donos da mídia e das suas entidades - como Abert, Aner e ANJ - sobre a "ameaça
autoritária" do governo Lula contra a liberdade de imprensa. "Episódios como
este nos obrigam a perguntar, uma vez mais, para quem é a liberdade de
expressão que a grande mídia defende?", conclui o professor Venício A. de Lima.
Rádio Web
- Jornal Brasil Atual
Aposentados torcem para que Lula não
vete reajuste
Em votação simbólica e relâmpago nesta
quarta-feira, o Senado aprovou a medida provisória que reajusta em 7,7% as
aposentadorias acima do salário mínimo e também o fim do fator previdenciário.
O acordo entre as lideranças manteve o texto como ele veio da Câmara dos
Deputados. O projeto segue agora para a sanção presidencial. O prazo final para
a sanção termina no dia 1º de junho. Epitácio Luiz Epaminondas, presidente do
Sintapi-CUT, comemora a decisão dos senadores. Luizão informa também que a CUT
e o Sindicato dos Aposentados querem garantir que o presidente Lula não vete o
aumento e o fim do fator previdenciário. Para ouvir acesse:
http://bit.ly/9OsW1f