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Clipping 21/05/10

Escrito por William Pedreira
21/05/2010

Edição nº 1591 sexta, 21 de maio de 2010
Fechamento: 08:50


Edição número 1591 sexta-feira, 21 de maio de 2010

 

Fechamento: 08h50

 

Veículos Pesquisados:


Clipping CUT é um trabalho diário de captação de notícias realizado pela equipe da

Secretaria Nacional de Comunicação da CUT. Críticas e sugestões com

Leonardo Severo (leonardo@cut.org.br)

Isaías Dalle (isaias@cut.org.br)

Paula Brandão (paula.imprensa@cut.org.br)

Luiz Carvalho (luiz@cut.org.br)

William Pedreira (william@cut.org.br)

Secretária de Comunicação: Rosane Bertotti (rosanebertotti@cut.org.br)






O Estado de S.Paulo



Em negociação com PDT, PT adia nome de vice em SP

Gustavo Porto (Política)

Representantes do PT de São Paulo passaram o início da semana em conversas com o PDT na tentativa de evitar uma crise com o aliado no Estado. Os pedetistas não gostaram do lançamento do nome do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) como pré-candidato a vice-governador na chapa de Aloizio Mercadante, cargo que lhes havia sido prometido pelo PT. Após negociações, aparentemente a paz voltou entre os aliados, mas a escolha do vice foi postergada.

"Está tudo tranquilo, pacificado e repito que sempre coube ao PDT a definição do nome do vice, o que não vai acontecer agora", disse Edinho Silva, presidente estadual do PT, sem detalhar as negociações. "Para que ter pressa se temos até 26 junho para definir o nome do vice?", indagou. Na semana passada, no entanto, o presidente do PT paulista falava em uma definição rápida para os principais cargos da chapa ao governo, formada por, até agora, 11 partidos de oposição ao PSDB no Estado.

A reportagem apurou que foi grande o descontentamento de uma ala do PT e de praticamente o PDT inteiro de São Paulo por terem tomado conhecimento, pela imprensa, do convite feito a Suplicy pelo coordenador da campanha de Mercadante, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza. Na segunda-feira, o PDT boicotou a reunião da frente partidária ocorrida em São Paulo.

Pesquisa
Ontem, dirigentes do PT foram a Brasília discutir a aliança e, à noite, Edinho preferia comemorar o desempenho de Mercadante na pesquisa Vox Populi divulgada pela TV Bandeirantes a falar sobre as conversas com o PDT. Os números apontam o senador petista com 19% nas intenções de voto, ainda bem atrás do candidato do PSDB, o ex-governador Geraldo Alckmin, com 51% dos votos, mas à frente do deputado federal Celso Russomanno (PP), com 12%, e de Paulo Skaf (PSB), com 2%.

"A avaliação do partido é que o senador Aloizio Mercadante vai crescer ainda mais como decorrência da consolidação do nome dele como candidato, mas a jornada é longa", afirmou o presidente do PT de São Paulo.


Partido com ex-verdes apoiará Dilma Rousseff em MG
O Livre é formado por ex-integrantes do PV que deixaram o partido no fim do ano passado após o ingresso da senadora Marina Silva

Eduardo Kattah (Política)

Um grupo político baseado numa dissidência do PV realizará um encontro em Belo Horizonte no próximo sábado, 22, para formalizar apoio à presidenciável do PT, Dilma Rousseff. Anunciado como um partido político em processo de legalização, o Livre é formado por ex-verdes - que deixaram o partido no fim do ano passado após o ingresso da senadora e pré-candidata à Presidência, Marina Silva - e militantes diversos.

O ato na Câmara Municipal da capital mineira está sendo tratado como o primeiro encontro nacional da futura agremiação. Os dissidentes já se reuniram com o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, e solicitaram um assento na coordenação da campanha presidencial da pré-candidata do partido. O presidente do PT-MG, deputado federal Reginaldo Lopes, foi convidado para participar do encontro.

Para Anderson Pomar, ex-integrante do PV, o apoio a Dilma é um "viés natural", já que o grupo conta também com ex-militantes de partidos de esquerda e centro-esquerda. Em 2008, o grupo dissidente tentou emplacar o atual ministro da Cultura, Juca Ferreira, na presidência do PV, mas foi derrotado.

Segundo Pomar, cerca de 250 militantes deixaram o partido no fim de 2009 descontentes com uma revisão programática após a filiação de Marina e seu grupo.

O Livre defende bandeiras polêmicas como a descriminalização da maconha e do aborto, a união civil entre pessoas do mesmo sexo, entre outras. "Quando a Marina entrou no partido a gente sentiu que haveria uma reforma programática e algumas discussões que a gente colocava como pontuais para o Partido Verde acabaram saindo de pauta ou foram jogadas para debaixo do tapete", disse Pomar.

André Fernandes Gomes de Souza, secretário de Comunicação do grupo, disse que já foram recolhidas cerca de 70 mil assinaturas para o registro do novo partido junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São necessárias quase 500 mil assinaturas. De acordo com Souza, o Livre - cuja sigla significa Liberdade, Igualdade, Verdade, Responsabilidade e Educação - já possui representação em 15 estados. A legenda espera participar com candidatos nas eleições de 2012.

Multipartidarismo
O presidente do PV-MG, Ronaldo Vasconcelos, minimizou a importância do ato em Belo Horizonte. "Eu não chamaria nem de dissidência, mas de alguns ex-membros do PV. Isso não nos preocupa", disse. "Sou democrata por excelência, mas acho que o Brasil já não vive nem um pluripartidarismo e sim um multipartidarismo. Não vejo a necessidade de mais partidos."


Espanha anuncia corte de gastos de € 15 bilhões
Medidas incluem redução dos salários do funcionalismo público e congelamento de pensões e aposentadorias

AP (Economia)

O governo espanhol anunciou que irá reduzir os gastos públicos em € 15,25 bilhões (US$ 18,81 bilhões) nos próximos dois anos numa tentativa de reduzir o déficit do país.

A vice-primeira-ministra espanhola, Maria Teresa Fernandes de la Vega, afirmou que as medidas, que incluem a redução dos salários dos servidores públicos em 5% a partir de junho, foram aprovadas pelo governo nesta quinta-feira, 20.

Trabalhadores com salário abaixo de € 949 (US$ 1.170) não enfrentarão o corte, mas pensões e aposentadorias sofrerão congelamento em 2011, disse a ministra de Finanças, Elena Salgado.

As medidas ainda precisam da aprovação do Parlamento. Segundo a ministra de Finanças, os cortes de despesas são necessários para que o elevado déficit espanhol volte ao limite exigido pela União Europeia, de 3% do PIB, até 2013.


Portugal corta 1,9% em gastos nos quatro primeiros meses do ano
Receita com impostos subiu 2,2% no mesmo período, levando a um redução de 298,1 milhões de euros no déficit do orçamento federal

Álvaro Campos e Gustavo Nicoletta (Economia)

O governo federal de Portugal reduziu seus gastos totais nos quatro primeiros meses de 2010 em 1,9%, em comparação com o mesmo período do ano passado, informou nesta quinta-feira o Ministério das Finanças do país.

A receita com impostos subiu 2,2% no mesmo período, levando a um redução de 298,1 milhões de euros no déficit do orçamento federal, que ficou em 4,56 bilhões de euros. O valor do déficit exclui os gastos dos governos regionais e locais e com o sistema de segurança social.

A receita com os impostos de valor agregado (VAT, em inglês) subiu 14,8% nos quatro primeiros meses, para 3,7 bilhões de euros, enquanto a receita com os impostos de renda caiu 20,1%, para 2,2 bilhões de euros.

Espanha
O governo da Espanha aprovou medidas que preveem cortes salariais no setor público e o congelamento de pensões, afirmou a vice-primeira-ministra espanhola, Maria Teresa Fernandez de la Vega, durante uma entrevista coletiva.

No início desse mês, os líderes da União Europeia anunciaram, em conjunto com o Fundo Monetário Internacional, um plano de € 750 bilhões para conter as preocupações dos investidores com a situação fiscal de alguns membros da zona do euro. Em troca, foi solicitado aos países do bloco que possuem um elevado déficit orçamentário, como Espanha e Grécia, que adotassem novas medidas de austeridade fiscal.

As informações são da Dow Jones. 


Brasil tem poucos servidores públicos, mas despesa é alta, diz OCDE
De acordo com estudo, grupo representa 12% do total de empregados do País, ante uma média de 22% entre os membros da OCDE

Renato Andrade (Economia)

O Brasil tem poucos funcionários públicos na comparação com outros países, mas as despesas com esse grupo de servidores é maior do que a média gasta pelos 31 países que integram a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).


De acordo com estudo da entidade internacional divulgado nesta quinta-feira, 20, os servidores públicos representam 12% do número total de empregos no País, enquanto a média da OCDE é de 22%. O número brasileiro engloba os funcionários dos governos federal, estadual e municipal, além das pessoas que trabalham em empresas estatais.

Na comparação de despesas, entretanto, o Brasil gasta mais para manter esse pequeno grupo do que o verificado nos outros países. Enquanto no País os gastos com servidores representam 12% do Produto Interno Bruto (PIB), a média dos países-membros da OCDE é de 11%.

"O desafio colocado é que precisamos ter resultados mais significativos. Hoje o governo paga bem, mas precisa entregar para a sociedade um produto melhor", disse Francisco Gaetani, secretário-executivo adjunto do Ministério do Planejamento.

Para Luiz Alberto dos Santos, sub-chefe de Análise e Acompanhamento de Políticas Públicas Governamentais da Casa Civil, é preciso tomar cuidado com as comparações incluídas no estudo, principalmente no caso das despesas. "Destes 12%, pelo menos um terço é gasto com aposentado que não é coberto com contribuição corrente e em outros países esse tipo de despesa não consta da folha de pagamento, o que faz uma enorme diferença", disse.

Os dados do estudo são defasados. A análise sobre o número de servidores públicos considera informações de 2005, enquanto as despesas foram calculadas com base em dados de 2006. Boa parte dos reajustes salariais promovidos pelo governo federal foi feita depois deste período.

Além de fazer uma radiografia sobre o número de servidores e os custos envolvidos para mantê-los, o estudo sugere um pacote de mudanças visando aprimorar o sistema de avaliação dos funcionários públicos e reestruturar o sistema salarial do setor. "É recomendável que o governo aumente as pressões para a busca de eficiência na gestão da força de trabalho", afirmam os técnicos da OCDE no relatório.

Uma das sugestões apresentadas é reorganizar os grupos e carreiras de servidores e melhorar as estruturas de incentivo, com mais mecanismos para encorajar o desempenho. "O papel do Congresso em estabelecer os detalhes dos níveis de remuneração e alterações destes níveis por carreira poderia ser modificado para que os salários se tornem uma questão mais técnica e gerencial e menos sujeitas à força dos lobbies", afirma a OCDE no documento de 337 páginas.
 

 

Folha de S.Paulo


Para evitar desgaste, Lula cogita reajuste a aposentados
Presidente se divide entre sancionar aumento de 7,7% ou enviar nova MP ao Congresso

Setor econômico pressiona presidente a negar reajuste, mas a área política teme desgaste; Lula deve vetar fim de fator previdenciário

Fábio Amato e Simone Iglesias (Brasil)

O presidente Lula vetará o fim do fator previdenciário, aprovado anteontem pelo Senado. Quanto ao reajuste de 7,7% para os aposentados que ganham mais de um salário mínimo, a Folha apurou que a decisão ainda não foi tomada.

O presidente poderá sancionar o aumento, mesmo que não concorde com o índice, para que o desgaste com veto não recaia sobre o Executivo.

Há ainda uma alternativa intermediária na mesa do presidente: vetar o percentual e mandar para o Congresso uma medida provisória instituindo aumento de 7%.

Segundo um interlocutor próximo a Lula, "não será surpresa" se ele optar pela sanção, apesar de considerar que será uma decisão "dolorosa" pelo impacto nas finanças.

Desde que o Congresso resolveu ignorar as propostas de reajuste do governo -primeiro de 6,14% e depois de 7%-, Lula passou a acusar os parlamentares de tentar tirar proveito eleitoral com o reajuste acima do que é possível pelos estudos feitos pela área econômica.

Ontem, ele voltou a questionar a atitude do Congresso. "Tem gente que acha que ganha voto fazendo isso, quando, na verdade, se o povo compreender o que significa isso, essas pessoas podem até não ganhar o tanto de voto que pensam que vão ganhar", disse.

Em seguida, Lula afirmou que, como presidente, tem que agir com responsabilidade para não quebrar o governo.

Pressão
O presidente está sendo pressionado pelos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Paulo Bernardo (Planejamento) a não sancionar o aumento, porque o reajuste sufocaria ainda mais as finanças públicas.

A área política do governo, no entanto, defende que o percentual aprovado seja sancionado para evitar desgaste por um problema que não foi criado pelo governo, mas que recairá sobre o presidente.

O aumento atinge 8,3 milhões de aposentados e pensionistas. O total da folha de pagamento ao ano para eles é de R$ 135,2 bilhões.

Se Lula sancionar os 7,7% aprovados pelo Senado, o impacto anual nas contas chegará a R$ 8,5 bilhões. O aumento é retroativo a janeiro.


Quem rejeita acordo com o Irã quer inimigos, diz Lula
Brasileiro afirma que o trato com o Irã responde a exigências de potências e que espera que elas agora façam sua parte

Chanceler da França revela que sanções já têm apoio de 12 dos 15 países do Conselho de Segurança; pela 1ª vez, Irã admite chance de um recuo

Fábio Amato e Simone Iglesias (Mundo)

Após ver o acordo nuclear entre Brasil, Irã e Turquia ser recebido com ceticismo pela comunidade internacional, liderada pelos EUA, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que aqueles que não aceitam os termos do entendimento anunciado o fazem porque precisam ter um inimigo.


Ele afirmou que sua ida ao Irã para discutir um acordo com o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi uma contribuição ao multilateralismo que tem de ser levada em consideração por todas as nações.

"É muito engraçado que algumas pessoas não gostaram que o Irã aceitasse a proposta, porque tem gente que não sabe fazer política se não tiver o inimigo, e sou daqueles que só sabem fazer política construindo amigos", disse Lula, em discurso na 13ª Marcha dos Prefeitos.

"Fomos ao Irã e conseguimos fazer aquilo que o Conselho de Segurança [da ONU] queria que fosse feito há seis meses."

O Conselho de Segurança, porém, se prepara desde terça para votar novas sanções a Teerã. Ontem, o chanceler francês, Bernard Kouchner, anunciou que a resolução para novas punições já tem o apoio de 12 dos 15 membros do conselho.

Os únicos a resistir são justamente Brasil e Turquia, além do Líbano, país onde a milícia xiita Hizbollah, ligada ao Irã, integra o governo.

Segundo Kouchner, "a partir do início de junho, o texto será discutido, melhorado e, eventualmente, votado". Para a aprovação, são precisos apenas nove votos, além de nenhum veto dos cinco membros permanentes -condição já garantida pelo endosso da Rússia e da China à proposta em discussão.

Ontem, pela primeira vez, uma autoridade iraniana falou na possibilidade de cancelar o acordo com Brasil e Turquia para o envio de 1.200 quilos de seu urânio ao exterior.

"Se aprovarem uma nova resolução contra o Irã, não nos sentiremos obrigados a respeitar o acordo de Teerã e cancelaremos o envio de urânio ao exterior", disse o vice-presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Reza Bahonar.

O acordo prevê que o Irã envie parte de seu estoque de urânio para a Turquia em até um mês após sua aprovação pela AIEA (agência atômica da ONU) e a devolução de 120 kg do material processado a 20%, nível próprio para uso medicinal, em no máximo um ano.

O trato é variação de proposta feita pela AIEA ao Irã em outubro, com a diferença de que, segundo o plano original, o destino do urânio seria a Rússia.

As potências alegam, porém, que hoje os 1.200 kg representam fração menor do estoque iraniano de urânio do que há sete meses, e que, com o combustível remanescente, Teerã ainda poderia fazer a bomba.

Críticas
Lula se mostrou ontem irritado com a repercussão negativa do acordo. "O Brasil não tem que pedir licença a ninguém para conversar com quem quer que seja, porque nós temos maioridade e temos competência para isso."

Afirmou ainda que fica "triste" porque o Brasil não consegue superar complexo de inferioridade e reclamou da "elite política" que escreve artigos e colunas nos jornais criticando sua interferência nas discussões de paz no Oriente Médio.

"Temos uma parte da nossa elite política que escreve colunas e fica dizendo "por que o Brasil tinha que se meter?"."

Lula evocou a negociação que conduziu pela libertação de Clotilde Reiss, professora francesa detida desde os protestos pós-reeleição de Ahmadinejad, em junho de 2009.

"Discutir [com o Irã] não foi tarefa fácil. Estamos discutindo há quatro meses com o Irã para a francesa ser solta. Ninguém sabia, até que ela foi libertada. Não precisa fazer política pela imprensa. Para a imprensa, você anuncia o resultado."

"A verdade nua e crua é a seguinte: o Irã, que era vendido para todo mundo como se fosse o demônio, e que não queria negociar, resolveu sentar à mesa de negociação. Eu quero ver se os outros vão cumprir aquilo que queriam que o Irã fizesse."


Brasileiro trabalha até dia 28 apenas para pagar tributos

Marcos Cézari (Dinheiro)

Os brasileiros terão de trabalhar até a sexta-feira da próxima semana, dia 28 deste mês, apenas para cumprir suas obrigações tributárias com os fiscos federal, estaduais e municipais.

Serão 148 dias de trabalho no ano, um dia a mais do que os trabalhados em 2009 e o mesmo número de 2008.

O cálculo faz parte do estudo sobre os dias trabalhados para pagar tributos, divulgado ontem pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário).

Segundo o estudo, hoje os brasileiros trabalham quase o dobro do que trabalhavam na década de 1970 (76 dias) apenas para os fiscos.

Os brasileiros estão entre os que mais pagam tributos no mundo, perdendo apenas para os suecos (185 dias) e os franceses (149 dias). Os espanhóis (137), os norte-americanos (102), os argentinos (97), os chilenos (92) e os mexicanos (91) trabalham menos do que os brasileiros.

Com base no estudo, o IBPT diz que 40,54% da renda bruta dos contribuintes estará comprometida neste ano com tributos.

Nesses 148 dias, os três fiscos arrecadarão quase R$ 500 bilhões -ontem, o Impostômetro (painel na capital paulista que registra, em tempo real, a carga tributária no país) já marcava mais de R$ 460 bilhões.

Os 148 dias foram calculados para o rendimento médio mensal. Para a baixa renda (até R$ 3.000), são 141 dias trabalho (de 1º de janeiro até hoje). Para a média renda (R$ 3.000 a R$ 10 mil), são 157 dias, ou seja, até 6 de junho. Para a renda alta (mais de R$ 10 mil), serão 152 dias -até 1º de junho.

O IBPT também calculou quanto os brasileiros comprometeram de sua renda bruta para pagar tributos sobre a renda, o patrimônio e o consumo. Na média, 40,54% da renda de cada cidadão estará comprometida neste ano com os três níveis de governo. Em 2009, foram 40,15%, e, em 2008, 40,51%.


Proporção de pobres cai para 23% no Brasil
Segundo estudo, percentual era de 33% há quatro anos; Sudeste está entre as regiões mais favorecidas

Antônio Gois (Dinheiro)

O percentual de pobres caiu de maneira sustentável no Brasil entre 2004 e 2008 e, mesmo com a crise financeira internacional, o movimento provavelmente não foi interrompido em 2009, de acordo com a economista Sonia Rocha, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade.

Ela apresentou ontem, no 22º Fórum Nacional, um estudo com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE, que mostra que a proporção de pobres no país caiu de 33,2% para 22,9% no período pesquisado.

O movimento contribuiu para a redução da desigualdade, mas teve impactos diferentes nas regiões brasileiras. No Sudeste, por exemplo, a queda no número de pobres foi de 35%, enquanto no Nordeste esse percentual foi de 27%.

A economista explica que o Sudeste, particularmente São Paulo, beneficiou-se mais do crescimento da renda no período, pois o principal fator que motivou isso foi a melhoria do mercado de trabalho e o aumento do salário mínimo.

Ela destaca que esse era um fato esperado, pois os grandes centros tendem a se beneficiar mais rápido do crescimento econômico, mas que contribui para aumentar a desigualdade entre regiões.

O trabalho mostra também que as famílias mais pobres foram as mais beneficiadas pelo crescimento.

No caso apenas desse grupo, o peso das transferências de renda no orçamento total familiar aumentou de 10% para 18%, o que mostra que programas como o Bolsa Família ou o Benefício de Prestação Continuada tiveram papel importante na redução da pobreza.

Isso não significa, diz ela, que a melhoria da situação financeira dos pobres se deu apenas por causa dessas transferências. O peso da renda do trabalho ainda representa 71% do orçamento familiar desse grupo. O que o dado mostra é que as transferências cresceram em ritmo superior aos salários e às demais rendas do trabalho.

Como os dados consolidados de 2009 só serão divulgados em setembro, ainda não é possível saber se o movimento de redução da pobreza continuou mesmo durante a crise.

Ela, porém, aposta que a queda deve ter continuado, já que houve melhoria do salário mínimo, aumento das transferências de renda, e a crise, no período de coleta da pesquisa do IBGE (setembro), já havia passado por sua pior fase.


Senado dos EUA aprova reforma financeira (Dinheiro)

O Senado americano aprovou ontem, por 59 votos a 39, um conjunto de medidas que visa reformar o sistema financeiro e impedir os excessos de Wall Street -que a Casa Branca considera responsáveis pela crise de 2008.


O projeto também prevê a remodelação de agências federais e dá mais poderes ao Fed (BC dos EUA).

O texto ainda precisa ser "fundido" ao que foi aprovado, em dezembro, pela Câmara. Só depois o pacote final irá para a sanção do presidente Barack Obama. Analistas estimam que isso deverá ocorrer no próximo mês.

A principal diferença entre os projetos é que, no Senado, o texto prevê forçar grandes bancos a dividir seus negócios com derivativos mais lucrativos em subsidiárias separadas.

O texto aprovado ontem prevê, entre outras ações, restringir empréstimos abusivos e assegurar que empresas problemáticas, não importa o tamanho, possam ser liquidadas sem custo ao contribuinte.

"O setor tem tentado acabar com essa reforma, com hordas de lobistas e milhões em publicidade... Hoje, é justo dizer que esses esforços falharam", disse ontem Obama.




Valor Econômico


Como Lula deu a volta por cima

Cristiano Romero e Raymundo Costa

O pior momento político do presidente Lula, em quase oito anos de mandato, ocorreu no dia 11 de agosto de 2005, quando o publicitário Duda Mendonça, instigado pelo senador Antônio Carlos Magalhães, deu um depoimento-bomba à CPI dos Correios. No testemunho, Duda associou a campanha presidencial de 2002 a crimes eleitorais e financeiros revelados no escândalo do mensalão.

Foi ACM quem convenceu Duda a contar "toda a verdade" à CPI dos Correios, uma das três criadas pelo Congresso em 2005 para apurar o mensalão, que eclodiu há exatos cinco anos. Duda não fora convocado pela CPI para depor. Em 11 de agosto, no entanto, após várias conversas com ACM, o publicitário decidiu ir à comissão. Antes, pediu proteção.

Num depoimento de quase dez horas de duração, Duda confessou ter recebido R$ 15,5 milhões do PT em 2003, em recursos de caixa 2, como pagamento da campanha presidencial do ano anterior. Do total, R$ 10,5 milhões foram depositados numa conta no exterior.

O depoimento levou a crise do mensalão para dentro do Palácio do Planalto e derrubou a popularidade do presidente ao nível mais baixo desde que assumiu o cargo - 28%, segundo as pesquisas do Datafolha em outubro e dezembro de 2005, índice impensável para o Lula de hoje em dia (de acordo com pesquisa de abril, o presidente é aprovado por 73% da população).

Nos últimos três meses, o Valor conversou com os principais personagens da crise do mensalão para investigar por que a oposição desistiu de levar adiante a proposta de impeachment, que passou a ter "prova material", segundo avaliação de integrantes do próprio governo, após o depoimento de Duda; como o presidente Lula atuou politicamente no seu pior momento; que fatos passaram ao largo das três CPIs; quem foram e como atuaram os "bombeiros" da crise.

Além da participação decisiva de ACM para o depoimento de Duda, novos fatos vieram à tona, como a proposta de renúncia ao cargo e à candidatura em 2006 feita a Lula por aliados; a tentativa de Delúbio Soares, então tesoureiro do PT, de beneficiar um banco estrangeiro em troca de auxílio financeiro ao partido; a peregrinação do empresário Marcos Valério, apontado pelas CPIs como o operador do mensalão, no Banco Central (BC), para tentar mudar a lei de liquidação bancária.

A apuração revela que o governo acreditou mais na possibilidade de impeachment do que a oposição. Mostra, ainda, como o governo Lula mudou de rumo após aquela crise, dando mais poder ao movimento sindical.

Durante a crise, um grupo de assessores e ministros, batizado de "Grupo das 8", referência ao horário em que eles se encontravam toda manhã, se reunia, numa sala contígua ao gabinete presidencial, para monitorar as CPIs e bolar estratégias de reação. O grupo era formado por Gilberto Carvalho (chefe de gabinete) e os então ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Márcio Thomaz Bastos (Justiça), Ciro Gomes (Integração Nacional), Tarso Genro (CDES), Jaques Wagner (Coordenação Política) e Antônio Palocci (Fazenda).

O impeachment bate à porta
O governo Lula balançou no dia 11 de agosto de 2005, quando Duda Mendonça deu seu depoimento à CPI. No dia seguinte, após longo e calculado período de alheamento, Lula e o governo passaram a tratar o impeachment como uma ameaça concreta.

A corte de Lula compreendera exatamente a gravidade das confissões feitas por Duda. Além dos participantes habituais do Grupo das 8, apareceram na Granja do Torto outros auxiliares da copa e cozinha de Lula, como Clara Ant (assessora especial e tomadora oficial de notas nas reuniões), Marco Aurélio Garcia (assessor internacional) e o sempre discreto ministro Luiz Dulci (secretário-geral da Presidência), o encarregado, no Palácio do Planalto, de manter a sintonia fina com os movimentos sociais.

Lula não mediu palavras: o depoimento de Duda fora "um desastre" e era "evidente" que o publicitário havia se acertado com a oposição. O presidente estava certo. Duda fora convencido pelo senador pefelista Antônio Carlos Magalhães (morto em 2007) a contar "toda a verdade" à CPI.

ACM afastara-se do governo após as eleições municipais de 2004. Lula e o oligarca baiano haviam se aproximado em 2002, nas eleições presidenciais, e selaram a união em convescote na casa de praia de Duda, em Salvador. No ano seguinte, José Dirceu, então ministro-chefe da Casa Civil, ajudara o senador a se desvencilhar da acusação de ter mandado "grampear" metade da Bahia. Dois anos depois, a disputa pela prefeitura de Salvador, um feudo carlista, novamente colocou ACM e Lula em rota de colisão.

Senador negociou com Duda
O publicitário, que costumava dizer que na Bahia nunca havia feito campanha contra o senador, tinha interesse em conversar com o deputado ACM Neto, um ponta de lança da oposição na CPI dos Correios. ACM colocou o neto na linha com Duda no dia 9 de agosto, uma terça-feira. A preocupação do publicitário, até aquele momento, era com o depoimento na CPI de sua sócia Zilmar da Silveira, agendado para o dia 11.

Na quarta-feira, dia 10, Duda deu outro telefonema a ACM Neto. Durante a conversa, deixou o deputado com a impressão de que poderia ir à CPI. Perguntou-lhe, por exemplo, se receberia um tratamento hostil.

Na madrugada do dia 11, Duda acordou ACM para informá-lo de que iria à comissão. Mais uma vez, pediu apenas que, pelo menos na Bahia, onde vive sua família, ele tivesse um "tratamento digno". Antes do telefonema, gastou horas definindo com dois renomados advogados paulistas - Antônio Cláudio Mariz de Oliveira e Pedro Dallari - a estratégia do depoimento.

Eram aproximadamente 5h30 da manhã de quinta-feira quando o telefone de ACM Neto tocou. Do outro lado da linha, seu avô deu a notícia: Duda estaria sentado ao lado de Zilmar no banco de testemunhas.

ACM Neto não perdeu tempo. Naquele dia chegou mais cedo à CPI, para articular o depoimento-surpresa de Duda com os membros mais destacados da comissão, como os deputados Eduardo Paes e Osmar Serraglio e a senadora Heloisa Helena. Conversou também com o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral, e tratou de regimento com um especialista - o deputado Arnaldo Faria de Sá. O objetivo era evitar que os governistas da comissão contestassem o depoimento de Duda com base no regimento interno. Com isso, estavam criadas as condições para o publicitário depor.

A iniciativa de procurar ACM foi do publicitário, mas o senador aproveitou a chance para articular o pior momento do governo na CPI. Atormentado, Duda julgava-se o responsável "por tudo isso". A ACM Neto, nos bastidores da CPI, disse que queria falar "toda a verdade", pois só assim se sentiria "liberto". Revelou ainda que não queria ver Zilmar na CPI como "boi de piranha".

"Vocês não me conhecem"
O clima era de funeral no dia 12 de agosto de 2005, uma sexta-feira. Para os principais integrantes do Grupo das 8, a crise havia chegado ao gabinete do presidente da República. Agora não havia mais como Lula continuar a fazer de conta que a crise não era com ele, como fizera até então.

Poucos dias depois, ainda no calor provocado por Duda, ao fim das reuniões da manhã no Palácio do Planalto, Lula chamou um auxiliar direto à sua sala e disse: "Foram lá ontem à noite falar comigo", contou o presidente. Segundo Lula, para propor que ele renunciasse publicamente à campanha pela reeleição no ano seguinte. Esse gesto diminuiria o ímpeto da oposição em levar adiante um processo de impeachment.

"Esses caras são gozados. Eles não conhecem a minha ligação com o povo. Isso não vai acontecer! Vou ganhar a eleição desses filhos da mãe!", disse em seguida um Lula indignado. O assessor, atônito, dirigiu-se a alguns dos integrantes do Grupo das 8 e deu seu testemunho: "Não sei quem foi lá ontem, mas o cara não gostou da sugestão não".

Esta é uma das passagens mais nebulosas da história do mensalão. Dois dos três personagens que estiveram com Lula naquela noite desmentem categoricamente que tenham proposto ao presidente a renúncia à disputa eleitoral em 2006. Um deles admite, apenas, que Lula pode ter entendido dessa forma o tom da conversa. Agravando um clima que já parecia insuportável, um ministro levara ao conhecimento do presidente, naquele dia, uma pesquisa (um "tracking" telefônico) feita logo após o depoimento de Duda, mostrando nova queda na sua popularidade.

Numa primeira versão da história, contada com rigor de detalhes por um assessor de Lula logo após os acontecimentos, Dilma foi ao presidente, acompanhada de Palocci, para lhe dizer que, depois do que Duda contou ao Congresso, seu governo tinha chegado ao fim da linha e que o melhor a fazer naquele momento seria renunciar, não ao direito de se candidatar à reeleição, mas à própria Presidência. Ao gesto ousado de Dilma, Lula teria reagido com um riso contido e a frase: "Vocês não me conhecem".

Mais recentemente, uma nova versão do episódio, disseminada pelo próprio Lula entre assessores, fala apenas em renúncia à candidatura. A conversa teria ocorrido na Granja do Torto. O temor do impeachment era muito forte dentro do Grupo das 8, mas a iniciativa de verbalizá-lo ao chefe teria sido tomada por Palocci, Thomaz Bastos e Dilma sem consultar os outros integrantes do grupo.

Ao mesmo tempo em que reagia, irritado, à sugestão de desistência da candidatura, o próprio Lula alimentava essa possibilidade, possivelmente para testar seus aliados. É um velho hábito. Em 1998, quando julgava que tinha poucas chances de derrotar Fernando Henrique Cardoso nas urnas, Lula aventou a ideia de fazer prévias para a escolha do candidato do PT. Imediatamente, três postulantes se apresentaram, entusiasmados: Tarso Genro, Eduardo Suplicy e Cristovam Buarque. A partir dali, Lula ficou sabendo quem eram os interessados em disputar sua hegemonia no partido.

O flerte com Palocci e Ciro
No pior momento da crise, o presidente deu uma missão a Gilberto Carvalho: convocar Palocci para uma conversa urgente, na Granja do Torto. Antes, orientou o chefe de gabinete a estimular o ministro a lançar sua candidatura à Presidência em 2006. "Se prepara! Você vai ser o candidato. Eu não quero ser candidato", disse Lula a um incrédulo Palocci. "Só vou ser candidato se a gente não conseguir reverter essa crise porque, aí, eu vou pro pau com esses caras", acrescentou o presidente.

O então ministro da Fazenda reagiu negativamente. "Não tem hipótese de o senhor não ser candidato. No dia em que anunciar que não é candidato, aí o nosso buraco aumenta", argumentou Palocci. O raciocínio era que a renúncia à candidatura em 2006 enfraqueceria ainda mais o presidente. Lula decidiu, então, lançar outra carta.

"Se você não for candidato, vou chamar o Ciro, mas eu acho que tem que ser você", disse Lula. "Presidente, se o senhor achar que é isso, procure o Ciro, mas eu acho que é errado", insistiu Palocci. Carvalho ajudou a reforçar o suposto plano de Lula. "Estão surgindo os dois nomes, mas nós preferimos você", disse ele a Palocci, que, uma vez mais, rejeitou a sedução.

Numa viagem oficial a países africanos, pouco depois, Lula levou o então ministro Ciro Gomes na comitiva. O objetivo não foi outro senão fustigar a vontade de Ciro de ser presidente. Nos meses seguintes, à medida que foi se recuperando da crise, não tocou mais no assunto. "Ele queria que eu fosse o candidato no lugar dele", contou Ciro a amigos, dias mais tarde.

A oposição ficou fora desse jogo. Não propôs, em nenhum momento, um acordo com Lula em torno da eleição de 2006. O único a defender publicamente a ideia da não reeleição foi Fernando Henrique. Ele achava que, se Lula declarasse naquele momento que não seria candidato, voltaria a ter "respeitabilidade" e, eventualmente, até poderia se candidatar. Lula reagiu enfurecido à sugestão. "Se eles estão pensando que vão me tirar daqui no tapetão, nem pensar! Vou pra rua", afirmou ele numa reunião.

Preocupados com o andamento da crise, que, depois de Duda, chegara às cercanias do Palácio do Planalto, três figuras eminentes da República - um deputado do PT, um ministro do Supremo Tribunal Federal e um funcionário público do alto escalão - decidiriam procurar, separadamente, Thomaz Bastos.

Um dos três sugeriu que o presidente mandasse uma proposta ao Congresso, instituindo o mandato de cinco anos e eliminando a possibilidade de reeleição. Um outro propôs que Lula fizesse um pronunciamento à nação, no qual diria que estava abrindo mão da candidatura à reeleição. O terceiro foi pelo mesmo caminho. Os três tinham em comum a avaliação de que Lula só pacificaria o país, naquele momento, se desistisse de se candidatar no ano seguinte.

Lula contra-ataca
O depoimento de Duda foi uma enorme surpresa para Lula e seus principais auxiliares. Mas, ao contrário do que o presidente deixava transparecer em público, havia muito que o Palácio do Planalto se preparava para o pior. Além do Grupo das 8, armou-se também no Congresso um "bunker" para monitorar permanentemente o trabalho das três CPIs (a dos Correios, a do mensalão e a dos Bingos, também conhecida como "CPI do Fim do Mundo" por tratar de vários temas, entre eles, o assassinato do prefeito petista Celso Daniel). Emissários de Lula mantinham abertos, ainda, os canais com a oposição.

Lula não tinha ilusões: a oposição "mexeria com o impeachment", como afirmou no dia seguinte ao depoimento, em reunião na Granja Torto. Alguns auxiliares temiam que ele se deixasse abater, mas o presidente não demonstrou a menor disposição de cair sem briga. Dizia que o PT, um partido com base social, não era o PRN, a legenda de aluguel usada por Fernando Collor de Mello para se eleger em 1989. "Nós vamos pra rua defender o mandato que o povo nos deu", disse.

O presidente em pessoa conversou com José Lopes Feijó, dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), para armar manifestações de rua em defesa do governo.

Essa era a faceta beligerante da reação. A outra, de entendimento com a oposição, particularmente com FHC, prosperava por meio de conversas dos ministros Márcio Thomaz Bastos, que teve um papel destacado nessa costura, e Antônio Palocci e do deputado Aldo Rebelo, do PC do B, que atuou tanto como ministro da articulação política quanto na condição de presidente da Câmara, cargo que ocupou a partir do fim de setembro de 2005. Foram conversas decisivas para conter o ímpeto belicista da oposição, mas não tiveram consequência para uma aproximação entre PT e PSDB após a crise.

Na verdade, a oposição sempre teve dúvidas sobre a conveniência de propor o impeachment do presidente. Seria o segundo em pouco mais de dez anos - Collor foi impedido em 1992. Os oposicionistas temiam a pecha de golpistas. Avaliaram, também, que não tinham rua nem votos e, por isso, não revelavam a mesma disposição para o impeachment que Lula demonstrava ter para se manter no cargo que perseguira durante 13 anos.

Havia no Palácio do Planalto a percepção de que FHC tinha ascendência sobre o PSDB. E de fato era do ex-presidente o discurso mais bem articulado das oposições, moderado diante do que efetivamente achava da situação.

O que no Planalto se achava ser o elemento que a oposição precisava para propor o impeachment, para FHC o depoimento de Duda fora muito além: o publicitário dera a prova material para a Justiça anular a eleição de 2002 e empossar José Serra, o segundo colocado na disputa. Algo como o Tribunal Superior Eleitoral fez recentemente ao anular a eleição de Jackson Lago para o governo do Maranhão e mandar empossar Roseana Sarney, a segunda colocada. Apesar disso, o ex-presidente também estava convencido de que Lula reagiria ao impeachment com o discurso de classe - "o primeiro trabalhador a chegar à Presidência da República ia ser degolado pela elite" - e de que isso poderia dividir o país.

"Eles estão na lona!"
A conversa de FHC com Thomaz Bastos foi um embate entre dois mestres na arte da boa política. O ministro era a pessoa certa para a incursão exploratória de Lula. O advogado ajudara em campanhas eleitorais de FHC, mas, embora não fossem muito próximos, os pais deles - José Diogo Bastos e Leônidas Cardoso, ambos deputados nos anos 1950 - foram amigos. Thomaz Bastos confidenciou ao ex-presidente que informara Lula sobre aquele encontro, mas em nenhum momento disse que o presidente lhe pedira para procurá-lo.

A constatação de FHC foi rápida: "Eles [Lula, o PT e o governo] estão na lona".

Thomaz Bastos perscrutou como FHC estava vendo "as coisas". Uma conversa de "cerca-Lourenço", como contaria depois o ex-presidente aos tucanos. Na prática, o que Thomaz Bastos queria saber era se a oposição iria para o impeachment. FHC entendeu o recado e disse: "O impeachment é um ato político, o jurídico é outra coisa. Você vai para o tribunal. O ato político você tem que ter força para ganhar, não é ter a razão".

FHC contou para Thomaz Bastos o dilema que rondava a oposição: a CPI dos Correios reunira elementos até para a Justiça anular a eleição. Este era o aspecto legal. Politicamente, a situação era outra: a oposição não tinha força para votar o impeachment. E se tentasse, especulava FHC, dividiria o país. "E eu tenho horror [da divisão] porque vi isso muitas vezes - do Chile de Salvador Allende à Venezuela de Hugo Chávez", disse ao ministro.

A conversa se estendeu por quase três horas. Já na rua, Thomaz Bastos se deu conta de que FHC não assumira nenhum compromisso contra o impeachment. Também constatou a veracidade da fama de pão-duro que carrega o ex-presidente: num dado momento, percebendo que seu marido nada oferecera à visita, Dona Ruth serviu café e água e deixou os dois conversando madrugada adentro.

"Rua não tem regimento interno"
"Nós não queremos fazer o impeachment do presidente. Para nós, basta o impeachment moral do Lula, para ele chegar às eleições sem condições de concorrer", disse Fernando Henrique a outro representante do governo, Aldo Rebelo. Na ocasião, Aldo pensou: "É do jogo".

O PSDB queria tirar Lula do poder na eleição e não por meio do impeachment, processo que, àquela altura, o governo denunciava como sendo "golpe da oposição". Ao se despedir do ex-presidente, no entanto, Rebelo achou prudente fazer uma advertência: "Rua não tem regimento interno". Uma frase que só confirmou os piores temores de FHC sobre o risco de divisão do país embutido na empreitada do impeachment.

Já Palocci procurou FHC para manifestar preocupação com o que chamou de "repercussões sistêmicas" da CPI dos Bingos. "Olha, Palocci, não estou no dia a dia do Senado, do PSDB, não estou no telefone dando ordens. O pessoal pensa que eu faço isso. Não. Eu não sei como é que o PSDB vai se comportar. Não há interesse em botar fogo no mercado", respondeu FHC.

O ex-presidente não se comprometeu com os emissários governistas, mas atuou para manter a oposição com os pés no chão. "O problema é o seguinte: temos força?" [para o impeachment], perguntou a Arthur Virgílio, líder tucano no Senado, e a Tasso Jereissati, então presidente do PSDB. Em seguida, contou a história de Josef Stalin, quando o líder comunista russo foi confrontado com o poder da Igreja Católica na reunião dos líderes aliados, no pós-guerra: "Quantas divisões tem o papa?"

A oposição ameaçava, foram apresentadas 30 proposições de impeachment, mas o fato é que os oposicionistas não tinham votos para derrubar Lula. Esteve próxima de tê-los, como se pode depreender da eleição de Aldo Rebelo para a presidência da Câmara, após a queda de Severino Cavalcanti no chamado escândalo do mensalinho, que por quase um mês desviou as atenções e ajudou a esfriar o debate do impeachment.

A presidência da Câmara era uma posição estratégica: cabe a ela dar início ou mandar arquivar todos os pedidos de abertura de processo de impeachment. Severino era um aliado do Planalto. E o PFL teve atuação também decisiva na investigação que levou à denúncia de que Severino recebia propina de um concessionário de serviços da Câmara.

A eleição para a substituição de Severino foi duríssima. No primeiro turno, houve empate em 182 votos entre Aldo e o candidato do PFL, José Thomaz Nonô. No segundo, o governo ganhou por 258 a 243. A eleição de um pefelista, naquele momento, poderia ter mudado o curso da história.

Deixa sangrar
Sem votos no Congresso e sem apoio nas ruas, a oposição se consumia também em dúvidas. Na avaliação de PSDB e PFL, o PT cometera um erro de cálculo político em 1992, ao apostar todas as fichas no impeachment de Fernando Collor - se tivesse mantido o ex-presidente no cargo, mas enfraquecido, provavelmente Lula seria o presidente da República já nas eleições de 1994.

Consumado o impeachment de Collor, o vice-presidente Itamar Franco assumiu e fez um governo de coalizão, do qual só o PT não participou. Após os meses iniciais de hesitação, quando teve quatro ministros da Fazenda, o novo governo decretou o Plano Real, fundamental para FHC derrotar Lula no primeiro turno da eleição de 1994.

Empunhando a bandeira "institucional" durante o mensalão, FHC foi chave nas negociações para evitar o impeachment de Lula. Mas ele não esteve sozinho. Parte de PSDB e do PFL seguia a mesma bússola: a oposição não deveria tomar a iniciativa do impeachment, mas, por outro lado, deixaria correr as investigações nas CPIs. Era a tese do sangramento de Lula.

Àquela altura, faltava pouco mais de um ano para as eleições de 2006. Com maior ou menor grau de blindagem do presidente, o sangramento foi a linha dominante na oposição, do senador Tasso Jereissati ao pefelista Jorge Bornhausen. E também a trilha seguida pelos ex-governadores de São Paulo e Minas Gerais - respectivamente, José Serra e Aécio Neves.

O enterro do impeachment ocorreu numa reunião burocrática de líderes da oposição na segunda-feira seguinte ao depoimento de Duda. Os partidos avaliaram que havia elemento material para o enquadramento jurídico de Lula, mas faltavam votos no plenário e apoio das ruas. Simples assim. "Não há clima político para o impedimento e o pedido, se houver, tem de vir da sociedade", declarou, depois da reunião, o senador Arthur Virgílio.

Apenas um representante do tucanato - Luiz Carlos Bresser-Pereira, ex-ministro de FHC - foi a público, em artigo na "Folha de S.Paulo", defender abertamente o impeachment de Lula. "Estamos ante a maior crise moral da história brasileira", escreveu Bresser-Pereira. Ironicamente, em 2007, no segundo mandato de Lula, ele foi nomeado para integrar o "conselho de orientação" de um órgão do governo - o Ipea.

Cadáveres insepultos
A crise do mensalão já corria solta quando Lula decidiu enviar um emissário para conversar com Delúbio Soares, tesoureiro do PT. Ele queria entender o tamanho do enredo em que o partido se metera. "Gilbertinho, vai a São Paulo e conversa com o Delúbio. Eu quero saber que encrenca é essa", ordenou Lula ao chefe de gabinete.

Numa sala do diretório nacional do PT em São Paulo, Delúbio explicou que o partido fez muitas despesas na campanha eleitoral de 2002. Com uma franqueza que assustou o interlocutor, disse que esperava a ajuda do governo em "algumas operações" e que esse auxílio nunca veio. Diante disso, foi obrigado a buscar outras fontes de financiamento, o que acabou levando-o a conhecer o empresário Marcos Valério.

Uma dessas operações, só agora revelada, chegou ao Palácio do Planalto, mas foi abortada pelo ministro Palocci e pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O plano era levantar a liquidação bancária do Banco Econômico, que sofreu intervenção do BC em 1995. Os beneficiários do negócio seriam o antigo controlador do Econômico - Ângelo Calmon de Sá - e o banco português Espírito Santo.

A contrapartida da operação seria a concessão de um auxílio financeiro do Espírito Santo ao PT. "Presidente, isso aí é cadeia! Não vamos fazer um negócio desse de jeito nenhum", disse um ministro durante reunião para tratar do assunto. Sem pestanejar, Lula mandou encerrar o assunto ali mesmo. Antes de chegar à cúpula, no entanto, o tema, que não dizia respeito apenas ao espólio do Banco Econômico, mas também ao de outros bancos sob intervenção do BC, correu meses dentro do governo.

Os bancos liquidados na primeira fase do Plano Real, quando a queda abrupta da inflação subtraiu grande parte das receitas que eles apuravam com a perda diária de valor da moeda nacional, tornaram-se cadáveres insepultos. As intervenções começavam, mas nunca terminavam. Os ex-controladores dos bancos sempre alegaram que, concluída a liquidação, eles teriam dinheiro a receber do BC. Este, por sua vez, sustenta que isso é fantasia, uma vez que a União injetou bilhões de reais nas instituições para honrar compromissos com os correntistas e cobrir outros buracos.

No início do governo Lula, banqueiros cassados pelo BC fizeram intenso lobby em Brasília para amolecer o coração da autoridade bancária. Em 2004, conseguiram, por exemplo, que a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado criasse uma subcomissão para tratar exclusivamente das intervenções. Durante os debates, acusou-se o Banco Central de abuso de poder. Depois, tentou-se limitar legalmente o prazo do processo de liquidação, mas a proposta nunca foi adiante.

Em outra frente, Marcos Valério, apontado pela CPI dos Correios como o operador do mensalão, começou a circular com grande desembaraço dentro do governo, representando os interesses do Banco Rural, que, como revelou a comissão, fez empréstimos para salvar o PT da bancarrota. Detentor de 22% do capital do Banco Mercantil de Pernambuco, também liquidado em 1995, o Rural queria uma solução rápida para a intervenção, de forma que, ao fim da operação, pudesse assumir o espólio do banco.

As visitas de Valério ao BC
Valério não economizou visitas à sede do Banco Central, em Brasília. Esteve lá 14 vezes, segundo registros da instituição. Na primeira ocasião, foi informado das restrições legais para o levantamento de liquidação bancária nos moldes exigidos pelos ex-banqueiros. Não satisfeito, contratou um advogado para instruí-lo na elaboração de um projeto que alterasse a lei que rege as intervenções do BC.

O empresário dizia, nos gabinetes de Brasília, que atuava com o conhecimento do então ministro José Dirceu. De fato, ele tinha trânsito livre. No início de 2005, por exemplo, levou o presidente do Banco Espírito Santo, Ricardo Espírito Santo, para uma audiência na Casa Civil com Dirceu. Os laços foram estreitados. Em fevereiro deste ano, por exemplo, o executivo depôs, na Justiça Federal em São Paulo, como testemunha de defesa do ex-ministro no inquérito do mensalão.

Nas andanças pela capital federal, Valério esbarrou num funcionário de carreira do BC - Gustavo Matos do Vale, diretor de Liquidações e Controle de Operações do Crédito Rural. Num dos encontros com Vale, Valério levou-lhe uma proposta de medida provisória que alterava a legislação de liquidação bancária.

Educadamente, o diretor do BC explicou-lhe que, como haveria impacto na Lei de Responsabilidade Fiscal, qualquer mudança teria que ser feita por meio de um projeto de lei complementar. Valério reagiu de forma colérica às ponderações de Vale. Achou que o diretor do BC estava caçoando dele. Afinal, os dois já tinham conversado várias vezes sobre o tema. Funcionário público há 26 anos, Matos do Vale sabia, desde a primeira visita de Valério, que, para seu próprio bem, não deveria levar a sério a prosa do interlocutor.

Nem todo mundo pensava assim em Brasília. A pressão para levantar a liquidação de bancos falidos era tão forte que Henrique Meirelles decidiu fazer uma proposta insólita ao ministro Palocci - a mudança do BC para a Fazenda da diretoria que cuida desse assunto. Palocci argumentou que, se Meirelles estava se sentindo coagido e se isso estava lhe causando um problema de "sustentabilidade", ele poderia analisar a mudança, embora não a considerasse necessária. O ministro temia que a transferência aumentasse ainda mais o interesse da classe política pelo tema.

Meirelles estava reticente. Quando começou a dizer "não" aos pedidos de suspensão das intervenções bancárias, um jornalista o procurou. "Olha, dr. Meirelles, vem aí onda de denúncias contra o senhor", disse o interlocutor. Meirelles quis saber o porquê e ouviu que era por causa dos bancos. Nos dias seguintes, apareceram na imprensa as primeiras denúncias.

O próprio Palocci foi alvo de pressões. Certa vez, estiveram em seu gabinete representantes de três gerações da família Monteiro, principal acionista do Banco Mercantil de Pernambuco. Entre eles, Armando Monteiro Filho, ex-ministro do governo João Goulart e amigo de longa data do presidente Lula, e Armando Monteiro Neto, deputado do PTB e presidente da Confederação Nacional da Indústria. Na ocasião, Palocci foi a Lula para explicar o que estava acontecendo. "Não quero nem ver", desconversou o presidente.

Da conversa com os Monteiro, ficou na memória de uma testemunha a palavra usada pelo deputado durante argumentação em defesa do fim da intervenção no Mercantil de Pernambuco: "anatocismo" (a capitalização de juros acumulados por não terem sido liquidados no vencimento). Apesar da pressão, "a família Monteiro foi institucional", assegurou Palocci em relato feito ao presidente Lula na ocasião.

Por meio de sua assessoria, o Banco Espírito Santo confirma que, "em 2001 ou 2002", foi procurado por Calmon de Sá. O ex-banqueiro, segundo a assessoria, queria que o banco português intermediasse, no mercado, a venda de títulos do Econômico. Ocorre que os títulos jamais foram liberados pelo BC. Afinal, o banco estava sob intervenção. Daí o suposto interesse no fim da liquidação. O banco português nega ter cogitado dar auxílio financeiro ao PT, informação confirmada por mais de um personagem ouvido pelo Valor.

Quando Lula chorou
Durante toda a crise do mensalão, apenas um fato levou o presidente Lula às lágrimas: a entrada, no governo, de dois antigos companheiros do movimento sindical - Luiz Marinho, então presidente da Central Única dos Trabalhadores, que assumiu o Ministério do Trabalho; e Paulo Vannuchi, que se tornou titular da Secretaria de Direitos Humanos. Os dois embarcaram no pior momento de Lula. O primeiro, em julho de 2005; o segundo, em dezembro daquele ano.

Marinho, que hoje é prefeito de São Bernardo do Campo (SP), era considerado pelo próprio Lula o seu sucessor no movimento sindical. O presidente trata-o por filho. Vannuchi tem fortes vínculos com o sindicalismo e a esquerda católica. A presença dos dois no governo ajudou Lula a se reaproximar da sua antiga base social, que, em meados de 2005, andava um tanto decepcionada com os rumos de sua gestão, especialmente na área econômica, a mais bem-sucedida.

Durante conversa com Thomaz Bastos, Lula chorou ao lembrar que Marinho e Vannuchi encararam o desafio de entrar para o governo naquela situação. Sua popularidade estava no patamar mais baixo de toda sua trajetória na Presidência da República. O índice daqueles que consideravam seu governo "ruim" ou "péssimo" também era recorde - 29% em dezembro de 2005.

A inflexão de Lula foi calculada. Como achou que tinha perdido apoio das elites, que na sua visão estavam interessadas em apeá-lo do poder, o presidente concluiu que chegara a hora de fazer acenos em direção a antigos apoiadores. Ao colocar Marinho no Trabalho, iniciou um processo de forte recuperação do salário mínimo, até então evitado por causa dos impactos negativos nas contas da previdência social.

No segundo mandato, Lula aprofundou a inflexão, passando a conceder aumentos salariais generosos ao funcionalismo público, categoria com a qual havia rompido parcialmente em 2003 ao propor a reforma da previdência. No pós-mensalão, o presidente manteve o tripé da política econômica herdado de FHC - superávit primário, metas para inflação e câmbio flutuante -, mas desistiu de regulamentar aquela reforma e também de propor novas mudanças constitucionais. Trouxe, finalmente, o PMDB para o governo e montou no Congresso uma espécie de frente anti-impeachment, composta de 14 partidos, da esquerda à direita.

Na nova fase do governo, Lula deu força à ideia de uma "República Sindicalista". De alguma maneira, fez o que se dizia que o presidente João Goulart (1961-1964) quisera implantar 40 anos antes e que provocou a sua queda. Os sindicalistas passaram a se sobrepor no PT e no governo, em detrimento dos outros grupos fundadores do partido - a esquerda católica, os ex-guerrilheiros e os intelectuais.

"Põe no cofre, Gilberto"

Além do Grupo das 8, durante a crise foi montado um "bunker" na liderança do PT na Câmara, no qual o deputado e advogado Luiz Eduardo Greenhalgh monitorava os depoimentos nas CPIs, ao mesmo tempo em que enchia caixas e mais caixas com denúncias contra os adversários de Lula.

Os parlamentares do "bunker" registraram que havia algo de errado na movimentação de Duda, mas foi tranquilizado pelo Grupo das 8 - que também participava das reuniões dos congressistas - sobre a lealdade do publicitário.

No domingo anterior ao depoimento de Duda, houve uma reunião no apartamento de Greenhalgh para acertar a agenda de trabalho da semana nas CPIs. "Gente, eu estou preocupado. Quem é que está controlando o Duda?", perguntou o deputado. José Dirceu tomou a iniciativa de responder: "Pode ficar tranquilo. O Duda está sob controle". Ciro Gomes, que também estava presente, esgueirou-se até a beira do sofá: "Estou de acordo. O Duda está sob controle, tem mantido contato".

Estavam todos enganados. Duda não só foi à CPI, como deu à oposição o elo que havia entre a eleição do presidente e a contabilidade fraudulenta do PT. Durante toda a crise, Lula tentou separar uma coisa da outra. O próprio Grupo das 8 tem origem numa ordem do presidente para tentar desvincular inteiramente o governo do escândalo. "Não quero reunião na hora do expediente (a partir das 9h), não quero encontrar ninguém conversando sobre isso quando eu chegar ao palácio", advertira Lula.

No apartamento de Greenhalgh, a extensão da crise era medida pelo consumo de bebida e comida. Havia dias em que Jaques Wagner enxugava sozinho uma garrafa de uísque. Bebia também rum e vinho, mas sempre manteve a compostura e a língua afiada. O nacionalista Aldo Rebelo preferia cachaça.

Lula recebeu de Greenhalgh, advogado das causas mais importantes do PT, a famosa "lista de Furnas", matriz do processo que mais tarde levaria o carimbo de "mensalão do PSDB". O PT, enfim, fazia prevalecer a tese segundo a qual eram "todos iguais". O presidente conferiu cada nome da lista, de cima até embaixo. Em seguida chamou Gilberto Carvalho e ordenou: "Põe no cofre, Gilberto. Põe no cofre".


Governo revê para R$ 9,2 bilhões queda da receita este ano

Ribamar Oliveira

O corte adicional de R$ 10 bilhões nos gastos públicos, que foi apresentado na semana passada como uma ajuda voluntária do governo ao Banco Central para evitar o superaquecimento da economia, decorreu, na verdade, da queda de R$ 9,2 bilhões na previsão da receita líquida para este ano.

Como a estimativa da arrecadação caiu, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) determina que as despesas sejam reduzidas na mesma proporção. Esta é a explicação que consta do relatório de avaliação de receitas e despesas do segundo bimestre, encaminhado ontem pelo Ministério do Planejamento ao Congresso Nacional.

Quando fez a avaliação do primeiro bimestre, em março, o governo estimou que a sua receita total (excluída a arrecadação previdenciária) ficaria em R$ 646,6 bilhões em 2010. Na avaliação do segundo bimestre, divulgada ontem, o governo reestimou a receita total para R$ 637,2 bilhões - queda de R$ 9,4 bilhões. Depois de retirar as transferências para Estados e municípios, a queda da arrecadação líquida foi de R$ 9,2 bilhões.

A reestimativa da arrecadação foi necessária, segundo o relatório, porque houve um decréscimo de R$ 2,9 bilhões, registrado nos meses de março e abril, nas receitas administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), em comparação com a primeira avaliação bimestral. Essa queda está concentrada no Imposto de Renda, na Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

O relatório informa ainda que, nas demais receitas primárias do governo, "há expectativa de decréscimo em relação ao montante estimado na primeira avaliação bimestral, da ordem de R$ 6,5 bilhões, concentrada nas receitas com dividendos e outras", que não especifica.

A revisão da previsão de receita do governo federal para este ano, que consta do relatório de avaliação do segundo bimestre, é oposta à previsão otimista feita terça-feira pelo secretário da Receita, Otacílio Cartaxo. Ao divulgar o resultado de abril, o melhor para o mês, Cartaxo afirmou que a Receita vai obter recordes sucessivos de arrecadação até o fim deste ano e apostou que a receita administrada terá desempenho em 2010 muito melhor do que nos anos pré-crise.

A avaliação do segundo bimestre foi feita, segundo o relatório, com base em um crescimento de 5,5% da economia em 2010, o que talvez explique parte da contradição. Em sua entrevista, Cartaxo disse que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil apresentará um crescimento de, no mínimo, 6% este ano. Quando mais crescer a economia, maior será a arrecadação. A maioria dos economistas já trabalha com perspectiva de expansão do PIB entre 6,5% e 7%. Alguns acreditam em crescimento de 7,5%.

Por isso, o corte anunciado ontem pelo governo pode ser meramente para atender um dispositivo da lei e será revertido, ao longo do ano, com a melhoria da arrecadação em decorrência de um maior crescimento econômico. Esta, pelo menos, tem sido a prática registrada até agora, pois o governo sempre inicia cada exercício financeiro com uma previsão para a receita da União abaixo do que ela efetivamente ocorrerá.

Do corte total de R$ 10 bilhões, anunciado ontem, R$ 2,4 bilhões se referem a reestimativas de algumas despesas obrigatórias. O governo espera, por exemplo, gastar R$ 1,46 bilhão a menos com o pagamento de pessoal e encargos sociais do que estimou na avaliação do primeiro bimestre. Espera também reduzir em R$ 1,4 bilhão os gastos com subsídios e R$ 337,1 milhões das aplicações dos fundos de desenvolvimento da Amazônia e do Nordeste. Ao mesmo tempo, prevê ampliar em R$ 800 milhões o apoio aos Estados e municípios.

O corte nos limites de empenho do Orçamento e na movimentação financeira do Tesouro será de R$ 7,6 bilhões, sendo R$ 7,49 bilhões nas despesas do Executivo, R$ 24,4 milhões no Legislativo, R$ 88,9 milhões no Judiciário e R$ 11,7 milhões no Ministério Público.




Diário do Grande ABC


Sindema protesta, mas aceita reajuste da prefeitura

Elaine Granconato

Mesmo com diversas críticas à proposta, o Sindema (Sindicato dos Funcionários Públicos) de Diadema aceitou o reajuste de 5,72% proposto pela prefeitura da cidade, após assembleia da categoria realizada na noite desta quinta-feira. Das cerca de 100 pessoas presentes ao encontro, aproximadamente cinco posicionaram-se contra a proposta.

Portanto, os servidores receberão, além do aumento, válido a partir de 1º de dezembro, um abono de 50% no valor de seus vencimentos. O abono será limitado a R$ 2 mil, variando de R$ 350 a R$ 2 mil. Este valor será pago em sete cotas, com pagamento previsto para acontecer em três vezes.

Foi uma negociação de cerca de dois meses entre sindicato e prefeitura. No início, a administração municipal endureceu; com isso, foram feitas mobilizações, paralisações temporárias e uma grave de 24 horas no dia 15 de abril.

A proposta aceita pelos servidores hoje é a terceira apresentada para a categoria. A partir da segunda quinzena de junho, começa a ser discutido o plano de cargos e carreiras do funcionalismo e do magistério.

A prefeitura informou em nota, no início da noite, que as horas não trabalhadas em função da paralisação da categoria "deverão ser repostas de acordo com as diretrizes definidas pela Secretaria de Gestão de Pessoas e em conformidade com as necessidades de cada secretaria".


 

 

Correio Braziliense


CUT defende participação da sociedade nas decisões do Copom sobre juros

O representante da diretoria da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Adeilson Telles, questionou nesta quinta-feira (20/5) a composição do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e sugeriu a inclusão de representantes de diversos segmentos sociais no órgão.

Composto por membros da diretoria colegiada do Banco Central com objetivo de estabelecer a taxa básica de juros e contribuir para o combate da inflação, a instituição poderia receber contribuições da sociedade, sugeriu Telles, ao defender a ampliação da participação social nas decisões de governos.


"O Copom que decide todos os meses a taxa de juros que influencia toda a nossa vida, todos os setores da economia. Por que uma dúzia de iluminados, dos quais eu sei que a maioria de nós não sabe nem o nome, decidem a taxa de juros?", questionou, durante debate no Fórum Nacional, evento do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), no Rio de Janeiro.


"Por que não criar espaços para representação do setor produtivo da sociedade, dos empresários, dos trabalhadores, da sociedade civil organizada? Por que há de ser um debate do tipo papal, no qual [o Copom] se reúne e ninguém sabe qual o debate, qual avaliação foi feita", completou.


A realização de conferências nacionais e a criação de conselhos com a participação da sociedade foram destacadas por Telles como importantes espaços de contribuição social para as políticas públicas, nos últimos anos. O diretor lembrou, no entanto, que estes mecanismos não foram "institucionalizados pelo Estado".


"A participação do cidadão não pode ser sazonal, de dois em dois anos. O cidadão tem que participar plenamente da vida do país. Por isso, consideramos que foi uma avanço a instituição de mecanismos de participação cidadã, mas esses espaços ainda estão limitados", criticou.


A ampliação de mecanismos de participação com a institucionalização das conferências nacionais é uma das três diretrizes da Jornada de Desenvolvimento, uma plataforma da CUT para o desenvolvimento do país.


Com 60 páginas, o documento inclui também a valorização do trabalho e a consolidação da "igualdade, distribuição de renda e inclusão social", por meio de sugestões nas áreas de educação, emprego, comunicação, infraestutura urbana, mobilidade e desenvolvimento regional.



 

Diário Catarinense


Na Capital, estado de greve

Os servidores municipais da Capital decidiram manter o estado de greve da categoria. Ontem, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis (Sintrasem), 90% dos trabalhadores dos postos de saúde, escolas e creches paralisaram as atividades para a realização de uma assembleia. Ficou definido que, durante o próximo mês, os servidores vão tentar voltar à mesa de negociações com a prefeitura, para discutir alguns pontos da proposta que ainda não foram aceitos pela categoria.




Agência Brasil


CUT defende participação da sociedade nas decisões do Copom sobre juros

Isabela Vieira

Rio de Janeiro - O representante da diretoria da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Adeilson Telles, questionou hoje (20) a composição do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e sugeriu a inclusão de representantes de diversos segmentos sociais no órgão.

Composto por membros da diretoria colegiada do Banco Central com objetivo de estabelecer a taxa básica de juros e contribuir para o combate da inflação, a instituição poderia receber contribuições da sociedade, sugeriu Telles, ao defender a ampliação da participação social nas decisões de governos.


"O Copom que decide todos os meses a taxa de juros que influencia toda a nossa vida, todos os setores da economia. Por que uma dúzia de iluminados, dos quais eu sei que a maioria de nós não sabe nem o nome, decidem a taxa de juros?", questionou, durante debate no Fórum Nacional, evento do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), no Rio de Janeiro.


"Por que não criar espaços para representação do setor produtivo da sociedade, dos empresários, dos trabalhadores, da sociedade civil organizada? Por que há de ser um debate do tipo papal, no qual [o Copom] se reúne e ninguém sabe qual o debate, qual avaliação foi feita", completou.


A realização de conferências nacionais e a criação de conselhos com a participação da sociedade foram destacadas por Telles como importantes espaços de contribuição social para as políticas públicas, nos últimos anos. O diretor lembrou, no entanto, que estes mecanismos não foram "institucionalizados pelo Estado".


"A participação do cidadão não pode ser sazonal, de dois em dois anos. O cidadão tem que participar plenamente da vida do país. Por isso, consideramos que foi uma avanço a instituição de mecanismos de participação cidadã, mas esses espaços ainda estão limitados", criticou.


A ampliação de mecanismos de participação com a institucionalização das conferências nacionais é uma das três diretrizes da Jornada de Desenvolvimento, uma plataforma da CUT para o desenvolvimento do país.


Com 60 páginas, o documento inclui também a valorização do trabalho e a consolidação da "igualdade, distribuição de renda e inclusão social", por meio de sugestões nas áreas de educação, emprego, comunicação, infraestutura urbana, mobilidade e desenvolvimento regional.



Presidente indica que vetará fim do fator previdenciário

Yara Aquino

Brasília - Ao falar ontem (20) sobre aprovação do fator previdenciário pelo Congresso Nacional, durante o encerramento da Marca a Brasília em Defesa dos Municípios, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que é preciso agir com responsabilidade. De acordo com ele, há quem pense que vai ganhar votos [nas eleições deste ano] com a aprovação da medida.

"Vocês viram agora com a votação do fato previdenciário. Tem gente que acha que ganha votos fazendo isso. Na verdade, se o povo compreender o que significa isso, essas pessoas podem não ganhar o tanto de votos que esperam", afirmou.

Segundo Lula, é preciso responsabilidade com os gastos para que não se quebre os cofres públicos. "Eu como presidente da República e vocês como prefeitos, a gente tem que agir com a maior responsabilidade, porque se a gente quebrar a prefeitura, o estado, quebrar o governo, a gente não recupera em um curto prazo de tempo".

O fator previdenciário foi aprovado no dia 19 pelo Senado, a exemplo do que já havia ocorrido na Câmara. Após a votação, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), disse que Lula vetaria o fim do fator previdenciário.

O fator previdenciário foi aprovado durante o governo Fernando Henrique Cardoso para evitar aposentadorias precoces e reduzir o déficit da Previdência. O cálculo leva em conta o tempo de contribuição, a idade do trabalhador e a expectativa de vida do brasileiro.


Chávez diz que acordo com o Irã foi uma vitória dos países do Sul

Renata Giraldi

Brasília - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, classificou ontem (20) o acordo para a troca do urânio iraniano como uma vitória dos países do Sul contra os Estados Unidos. Ele afirmou que presta seu "apoio incondicional" ao acordo. A reação dele ocorre no mesmo momento que é confirmada a visita a Caracas do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad que ocorrerá nos próximos meses.


As informações são da imprensa oficial da Venezuela, a Agência Bolivariana de Notícias (ABN). Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores informou a opinião de Chávez sobre o acordo.


"Da mesma forma, o presidente Chávez saudou o papel positivo desempenhado pelo Brasil e Turquia, países amantes da paz, que ocupam assentos não-permanentes no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, na busca e celebração do acordo, chamando-o de vitória nações do Sul sobre a agenda de agressão e afronta solicitado pelo império Estados Unidos", diz o documento.


No último dia 17, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Ahmadinejad, além do primeiro-ministro da Turquia, Tyyiq Erdogan, negociaram o acordo, em Teerã. Pelo documento, o governo iraniano enviará o urânio enriquecido a 3,5% para ser depositado na Turquia. Em troca, no prazo de até um ano, receberá urânio enriquecido a 20%. A ideia é que a iniciativa afaste as suspeitas sobre o programa nuclear do Irã e evite a imposição de punições contra o país.


Os Estados Unidos manifestaram dúvidas sobre os objetivos pacíficos do programa nuclear do Irã e por isso defendem a aprovação de sanções econômicas por parte do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra os iranianos.


Em reunião, realizada na última terça-feira (18), o governo norte-americano apresentou aos demais membros permanentes do conselho um esboço de resolução estabelecendo sanções.

A aprovação das sanções depende do voto favorável dos cinco países que ocupam assento permanente e de mais quatro membros que ocupam cargos rotativos dos 15 integrantes do conselho.


Presidente do Ipea descarta superaquecimento da economia brasileira

Alana Gandra

Rio de Janeiro - O presidente do Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, disse ontem (20), em entrevista no Fórum Nacional, no Rio de Janeiro, que a situação atual no Brasil não configura um superaquecimento de toda a economia. Admitiu, porém, que pode estar havendo um aquecimento em alguns segmentos. Citou, como exemplo, o setor da construção civil. Há carência de mão de obra, afirmou.

Não há, contudo, segundo ele, sinais de que o crescimento da economia seria incontrolável. Para Pochmann, as medidas tomadas até agora indicam que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) se manterá em um padrão adequado. A previsão do Ipea é que o PIB crescerá este ano entre 5,5% e 6,5%.

Pochmann acredita que o Brasil se encontra em recuperação após a crise internacional de 2008. "Essa recuperação é adequada e vem acompanhada, inclusive, da ampliação de investimentos, que é a maior preocupação que se tem em relação ao problema inflacionário".

Para ele, não há justificativa para a adoção de uma política monetária mais contracionista no país. "Ainda mais porque, do ponto de vista fiscal, há a intenção já declarada [do governo] de fazer corte nos gastos correntes". Disse que a política monetária deve estar atenta para as repercussões da taxa de juros no médio e longo prazos. "Porque há uma defasagem de seis a sete meses em que o impacto dos juros acaba influindo em determinados aspectos da área social".

A política fiscal dá mais possibilidade de se fazer ajustes imediatos, explicou, "contraindo e até liberando, à medida em que vão sendo avaliados os diversos setores econômicos".

Em relação à inflação, considerou natural uma elevação dos índices no primeiro semestre do ano. "O impacto é sazonal e podemos nos adequar no segundo semestre". Não haveria necessidade de atuar de forma mais radical pelo lado dos juros, reiterou.

Apesar de a economia brasileira se mostrar bem preparada, o presidente do Ipea reconheceu que essa segunda fase da crise internacional terá reflexos no país, sobretudo sobre as exportações.


Desmatamento na Amazônia cai 50% em relação ao ano passado

Brasília - O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou ontem (20) que houve queda de 50% no desmatamento na Amazônia, em relação ao ano passado, quando as taxas de 12,9 mil quilômetros quadrados caíram para 7,4 mil.

Segundo o órgão, sete municípios que entraram no monitoramento no mesmo período registraram redução significativa de aproximadamente 70%. Em contrapartida, durante as fiscalizações foi identificado aumento de retirada de árvores em pequenas regiões, ou seja, fora das florestas.

De acordo com o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, "os números são algo não imaginado há dois anos. Isso demonstra que o trabalho de monitoramento é importante não só para o Brasil, mas para o mundo". Segundo o ministro, o problema dos pequenos desmatamentos deve ser fiscalizado e trabalhados em parceria entre os governos estaduais e federais.


A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, comemorou os resultados obtidos, mas disse que é preciso olhar para a frente e buscar políticas mais eficazes para a região. Segundo a ministra, "é preciso pensar na Amazônia, não só em lugar de preservação ou de combate ao desmatamento. É preciso enxergá-la num quadro de desenvolvimento econômico-social".


Apesar dos avanços, a ministra reclamou que ainda existem situações que não deveriam mais acontecer quando se trata do desmatamento no país. Ela exemplificou com os casos de retirada de árvores em reservas ambientais e de assentamentos agrários.


Todos os números foram apresentados durante o 7º Seminário Técnico Científico de Análise dos Dados do Desmatamento da Amazônia que começou ontem (20) em Brasília e segue até hoje (21), com debates relacionados não só à preservação do bioma da Amazônia, mas também de outros biomas como o do cerrado e o da Caatinga.



 

Terra


CUT defende participação da sociedade nas decisões do Copom

O representante da diretoria da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Adeilson Telles, questionou nesta quinta-feira a composição do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) e sugeriu a inclusão de representantes de diversos segmentos sociais no órgão.

Composto por membros da diretoria colegiada do Banco Central com objetivo de estabelecer a taxa básica de juros e contribuir para o combate da inflação, a instituição poderia receber contribuições da sociedade, sugeriu Telles, ao defender a ampliação da participação social nas decisões de governos.

"O Copom que decide todos os meses a taxa de juros que influencia toda a nossa vida, todos os setores da economia. Por que uma dúzia de iluminados, dos quais eu sei que a maioria de nós não sabe nem o nome, decidem a taxa de juros?", questionou, durante debate no Fórum Nacional, evento do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), no Rio de Janeiro.

"Por que não criar espaços para representação do setor produtivo da sociedade, dos empresários, dos trabalhadores, da sociedade civil organizada? Por que há de ser um debate do tipo papal, no qual [o Copom] se reúne e ninguém sabe qual o debate, qual avaliação foi feita", completou.

A realização de conferências nacionais e a criação de conselhos com a participação da sociedade foram destacadas por Telles como importantes espaços de contribuição social para as políticas públicas, nos últimos anos. O diretor lembrou, no entanto, que estes mecanismos não foram "institucionalizados pelo Estado".

"A participação do cidadão não pode ser sazonal, de dois em dois anos. O cidadão tem que participar plenamente da vida do País. Por isso, consideramos que foi uma avanço a instituição de mecanismos de participação cidadã, mas esses espaços ainda estão limitados", disse.

A ampliação de mecanismos de participação com a institucionalização das conferências nacionais é uma das três diretrizes da Jornada de Desenvolvimento, uma plataforma da CUT para o desenvolvimento do País.

Com 60 páginas, o documento inclui também a valorização do trabalho e a consolidação da "igualdade, distribuição de renda e inclusão social", por meio de sugestões nas áreas de educação, emprego, comunicação, infraestutura urbana, mobilidade e desenvolvimento regional.
 

 

G1


Manifestação complica o trânsito no Centro do Rio
Cerca de 12 guardas auxiliam os motoristas no local.  Manifestantes estão na Avenida República do Chile.

Uma passeata complica o trânsito no Centro do Rio, no fim da tarde desta quinta-feira (20). A passeata foi organizada pela CUT, mas o motivo do protesto não foi informado.

De acordo com a Guarda Municipal, os manifestantes passaram pela Avenida Rio Branco e se encaminharam para a Avenida República do Chile.

Segundo a GM, 12 guardas auxiliam os motoristas no local. Os manifestantes não ocupam as pistas da avenida e se concentram em frente a Petrobrás.

Ainda no Centro, segundo a CET- Rio, o trânsito está congestionado na Avenida Presidente Vargas, na altura da Central, no sentido Praça da Bandeira. Motoristas também enfrentam tráfego intenso na Rua Visconde do Rio Branco, altura da Praça Tiradentes.

De acordo com a CET- Rio, o trânsito está intenso na Avenida Presidente Antônio Carlos e na Avenida Perimetral, na altura da Praça Mauá. 


 

R7


Rodoviários começam greve na próxima quarta-feira em Salvador
Motoristas e cobradores pedem reajuste salarial de 10%

Os motoristas e cobradores rodoviários de Salvador decidiram por unanimidade entrar em greve a partir da próxima quarta-feira (26), em assembleia realizada nesta quinta-feira (20). Os trabalhadores pedem reajuste salarial de 10%.

De acordo com o presidente da CUT Bahia (Central Única dos Trabalhadores), Martiniano Costa, os rodoviários esperam fechar acordo com os empresários até a próxima terça-feira (25). Caso o acordo não ocorra, a proposta da greve é que uma frota mínima de 30% dos ônibus circule pela cidade.


Além do reajuste salarial, os rodoviários também pedem aumento de 30% no valor do vale-refeição e pagamento do benefício durante o período de férias.





Vermelho


Direita brasileira é enxotada da manifestação pró-Cuba

A direita brasileira escolheu o dia 20 de Maio, esta quinta-feira, para fazer uma manifestação contrária ao regime de Cuba, mas foram surpreendidos com uma manifestação favorável a ilha. Os cinco manifestantes de direita, liderados pelo deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), foram enxotados pela dezenas de manifestadores que foram prestar solidariedade à Cuba.

Para isso contaram com a ajuda de policiais militares que impediram os atos de agressão ensaiados pelos "ianques", como foram chamados pelos manifestantes: "Fora ianques". Eles ainda insistiram nas provocações, passando de carro em frente à Embaixada de Cuba em Brasília, onde se realizava o ato.

Após o encerramento do evento, que durou duas horas de discursos, gritos de palavras de ordem e agitação de bandeiras e exibição de faixas, os manifestantes foram recebidos pelo embaixador cubano, Carlos Zamora, nos jardins da embaixada. Ele quis agradecer pessoalmente ao que considerou " demonstração de carinho e solidariedade para com a revolução cubana e o que ela significa para todo o mundo."

A exemplo dos manifestantes, Zamora encerrou sua fala com as palavras de ordem: "A luta de Cuba é a luta do povo"; "Liberdade para os cinco", "Abaixo o imperialismo"; "Viva José Martí", "Viva Fidel Castro". E foi acompanhado ainda nas palavras de "vivas" à "Eterna amizade do povo de Cuba e do povo do Brasil", encerrando com "Patria ou Muerte".


Vaias e vivas

Na chegada do grupo de Aleluia, que carregava fotos de presos em Cuba, o vice-presidente do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz), Paulo Guimarães, que estava discursando no carro de som, calou-se para acompanhar a movimentação de chegada e retirada deles, que durou poucos minutos. E depois comemorou: "Foram embora com o rabo entre as pernas, porque não tem inserção social, não tem apoio popular."

"Vaias para eles e vivas para Cuba", gritavam os manifestantes à saída do grupo de Aleluia.

Após a saída do grupo, os manifestantes se revezaram ao microfone para apresentarem palavras de apoio e solidariedade. Guimarães voltou a falar "para prestar solidariedade e apoio a esse povo que tem uma história que honra a humanidade. Esse ato demonstra a representatividade da luta do povo cubano que está centrada no entendimento e solidariedade", disse.


Campanha midiática

Os manifestantes, a exemplo da coordenadora do Núcleo de Estudos de Cuba (NesCuba) da Universidade de Brasília (UnB), María Auxiliadora César, também se posicionaram contra a campanha midiática das grandes potências que tentam desacreditar a revolução cubana diante do mundo. "Cuba soube resistir porque tem um povo bravo e existem grupos no mundo inteiro que a apoiam, como esse que está aqui agora em Brasília."

"Na base de mentiras e calúnias, transformam delinqüentes comuns em "presos políticos", transformam mercenários pagos pelos cofres do Pentágono em "dissidentes", premiam blogueiros vulgares como se fossem jornalistas e escritores. O centro desta campanha esta na Casa Branca, com o apoio de governos e parlamentares reacionários da União Européia. No Brasil, a campanha é protagonizada pela mídia conservadora e uma minoria de direitistas no Congresso Nacional", diz o texto distribuído entre os manifestantes.


Graça Sousa, secretária de mulheres da CUT, disse que os movimentos sociais estão alertas para a ofensiva do capitalismo contra a revolução cubana que, a despeito do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, comemora 50 anos. E destacou as principais bandeiras de luta do regime cubano que conta com o apoio e solidariedade dos povos da América Latina: o fim do bloqueio, a devolução do território de Guatanamo e a libertação dos cinco cubanos presos nos Estados Unidos.

Tilden Santiago, que foi embaixador de Cuba no primeiro Governo Lula, falou sobre a alegria de participar do ato, destacando que a mesma alegria devem sentir Fidel e Raul Castro ao tomar conhecimento de que o povo trabalhador brasileiro defende a revolução.

"A democracia avança na América Latina e avança a resistência dos cubanos que deram suor e sangue contra o imperialismo", discursou, acrescentando que "se hoje nós temos governos à esquerda em toda a América Latina - Bolívia, Venezuela, Equador e no Brasil -, nós devemos a resistência permanente da revolução cubana, que é a vanguarda do sistema socialista na América Latina."


"De pé, nunca de joelhos"

O ato contou com a participação de representantes de outros países e de cubanos. Tirso Sainz, da Associação Nacional de Cubanos Residentes no Brasil (ANCREB) agradeceu a presença dos brasileiros, bolivianos e equatorianos, destacando que "a revolução cubana tem em seu povo a principal força."

O coordenador do MST da Bolívia, Silvestre Saisari, disse que a presença da Bolívia no ato em apoio à Cuba representa a confiança na luta dos trabalhadores para construir uma pátria livre. Ele encerrou suas palavras breves, como a maioria dos oradores, puxando palavras de ordem: "Cuba de pé, nunca de joelhos."

A equatoriana Loyda Olivo, da Via Campesina internacional, lembrou, em sua fala que "quem está contra Cuba está contra a América Latina." E teve as palavras reforças por Rosângela Piovizani, do movimento de mulher camponesas, que destacou: "Cuba é uma referência para nós e tudo que significa de país livre do imperialismo". Ao final, ela animou o público com as palavras de ordem: "Globalizemos a luta". Em resposta, os manifestantes diziam: "Globalizemos a esperança."

Roseli Maria de Sousa, da Via Campesina Brasil, resumiu sua fala à condução de uma representação. Ela pediu que os manifestantes se voltassem para a frente da embaixada e para o reconhecimento da revolução socialista com gritos de "vivas" à Cuba, à população cubana e aos trabalhadores e trabalhadoras que combatem o imperialismo. "É a Via Campesina na luta em defesa do socialismo e contra o imperialismo", afirmou.


Lutas antigas e atuais

O embaixador Zamora, sob o sol forte de meio-dia, conversou com os manifestantes ao final do ato. Ele reforçou as lutas atuais do povo cubano, como a recuperação do território de Guatanamo, que serve como um posto de tortura dos Estados Unidos e que é mantido pela força; o fim do bloqueio econômico, que condena o povo cubano a penúria e que persiste, apesar de ser considerado pelos tratados e a comunidade internacional como elementos de genocídio; e a libertação dos cinco heróis cubanos, que lutaramcontra o terrorismo dos Estados Unidos em nosso território e que estão cumprindo pena nas prisões dos Estados Unidos - presos injustamente e sem julgamento.

Zamora destacou que estas questões são ignoradas pela mídia internacional, que se cala sobre elas e que, enquanto elas existirem, Cuba não pode manter relação adequada com os Estados Unidos e nem o mundo poderia.


O diplomata também lembrou que a data de  de maio é "cara" para o povo cubano, porque marca a morte do herói cubano José Martí, líder da guerra pela independência de Cuba.


Em 19 de maio de 1895, no comando de um pequeno contingente de patriotas cubanos, após um encontro inesperado com tropas espanholas nas proximidades do vilarejo de Dos Ríos, José Martí é atingido e vem a falecer em seguida. Seu corpo, mutilado pelos soldados espanhóis, é exibido à população e posteriormente sepultado na cidade de Santiago de Cuba, em 27 de maio do mesmo ano."Um feito que nós cubanos levamos no coração", disse o diplomata.


Sobre o dia 20 de maio, o diplomata disse que representa "um dia nefasto na história de Cuba". Naquela data, "Cuba caiu nas garras do império norte-americano, que interveio na guerra contra a Espanha, ocupou militarmente a ilha e estabeleceu o que se conheceu pela primeira vez na história da humanidade como neocolonialismo."


 

Uai.com.br


Justiça aumenta multa e bloqueia conta de sindicato dos professores

Mateus Castanha

O embate entre professores da rede estadual e governo de Minas ganhou mais um capítulo. Nesta quinta-feira, o desembargador Alvim Soares, relator substituto na ação movida pelo Estado, decidiu aumentar a multa em decorrência da paralisação da categoria de R$ 10 mil para 30 mil por dia, limitada a R$ 900 mil.

Além disso, a Justiça também bloqueou a conta bancária do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) junto ao Banco Central, para o pagamento de R$ 130 mil, referentes ao período entre 7 e 19 de maio.

No início da noite, o sindicato dos professores divulgou uma nota sobre a decisão. Segundo a categoria, a fonte de recursos do Sind-UTE é exclusivamente composta pela contribuição voluntária dos servidores associados e a intenção do governo seria dificultar a organização da categoria. "O Governo insiste numa estratégia de judicializar um conflito que não será resolvido pela imposição, mas por uma justa negociação que modifique os baixos salários praticados em Minas Gerais" finaliza a nota do Sind-UTE.

Sem acordo
O impasse ganhou força na última terça-feira, quando a categoria optou, em assembleia, praticamente por unanimidade, pela manutenção da greve, que já dura 43 dias. O governo reagiu rápido e anunciou a criação de uma comissão para analisar as reivindicações da categoria. No entanto, sem a participação do Sind-UTE. Além disso, a secretária de Educação, Vanessa Guimarães, falou pela primeira vez sobre possíveis demissões dos grevistas, provocando revolta  entre os professores.
 

 

Faxaju.com.br


Deso não será privatizada, diz Gualberto

O deputado estadual Francisco Gualberto (PT), líder do governo na Assembleia Legislativa, foi à tribuna nesta quinta-feira para tranqüilizar a sociedade sergipana e principalmente os servidores da Companhia de Esgoto e Saneamento do Estado (Deso) em relação a uma propagada privatização da empresa. O assunto havia sido explorado pela oposição depois que o sindicato dos servidores da Deso divulgou nota oficial combatendo a política de terceirização na empresa estatal.

"Posso garantir: enquanto Marcelo Déda for governador do Estado, nenhum setor público será privatizado. As insinuações são sempre feitas, inclusive com o Banese, mas no nosso governo isso não acontecerá jamais", disse Gualberto, alegando entender perfeitamente a posição dos sindicalistas. "Essa é uma política que os sindicatos ligados à CUT fazem em todos os setores, seja no Estado ou na União. E esse combate às terceirizações nós também fazemos. Mas isso é diferente de dizer que existe um documento sigiloso que trate da privatização da Deso".

Francisco Gualberto, que já presidiu a Central Única dos Trabalhadores em Sergipe, acha normal o combate às terceirizações, justamente porque substituem trabalhadores concursados por contratados. "Mas quero afirmar que privatização não faz parte do programa de governo do Partido dos Trabalhadores, nem muito menos do ideário do nosso governo", frisou o parlamentar. "Pelo contrário. Este programa de privatização está contido no pensamento do PSDB e do DEM, que são os nossos adversários".
 

 

Blog do Emir Sader


Quem representa perigo para a paz mundial?

Lula tinha afirmado que um país que possui armas nucleares não tem condições morais para exigir que outros não tenham. Da mesma forma que afirmou que a mediação dos EUA no conflito entre Israel e Palestina não tinha promovido a paz, porque os EUA possuem interesses diretamente vinculados a Israel, não possuindo credenciais para mediar o conflito com um mínimo de objetividade.

O acordo logrado com o Irã confirma esse critério. O Brasil e a Turquia, membros atuais do Conselho de Segurança, aderentes ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, países do Sul do mundo, puderam obter com o Irã o acordo que a Agência da ONU pede. No entanto, os EUA - tomados de surpresa, porque não acreditavam (e torciam para) que o acordo pudesse ser obtido, agora apelam para o argumento de que "Não acreditamos na palavra dele", quando o que buscava era exatamente uma palavra e um esquema de apoio. Obtidos, inviabilizariam as sanções que os EUA querem impor.


A atitude dos EUA é a mesma que tiveram no ataque ao Iraque. Queriam provas de armamento de destruição em massa, não obtiveram, alegaram que sim, havia, com isso passaram por cima do Conselho de Segurança da ONU, junto com a Grã Bretanha atacaram e destruíram a mais antiga civilização da história (foram destruídos os lugares históricos e sagrados, mas protegidas as torres de petróleo - o objetivo real da ocupação).


Quem representa perigo para a paz mundial? O Irã, que talvez pudesse vir a construir armamento nuclear, mas que não ocupa nenhum outro país? Ou os EUA, único país na história que usou a bomba atômica - contra Hiroshima e Nagasaki -, possui um arsenal de todo tipo de armamento que representa a metade de todo o armamento existente no mundo? Que atualmente ocupam o Iraque e o Afeganistão, que tem uma história de invasões, ocupações, desembarques militares, amplamente conhecida?


Que desrespeitou o Conselho de Segurança da ONU e atacou o Iraque, apoiado em acusações que não se confirmaram? Que possui bases militares em mais de 10 países em todo o mundo? Ou Israel, que possui armamento nuclear, ameaça constantemente atacar o Irã e ocupa os territórios que devem, segundo a ONU, ser destinados ao Estado Palestino?

 

 

Blog do Altamiro Borges


Paulo Nogueira e o macartismo da Folha

Preparando-se para a guerra eleitoral, a mídia demotucano já iniciou a "limpeza ideológica" nas suas redações. Na semana passada, o Grupo Abriu demitiu o editor da National Geographic do Brasil, Felipe Milanez, que criticou no seu twitter as distorções grosseiras da revista Veja. Agora, é a Folha de S.Paulo que dispensa o economista Paulo Nogueira Batista Junior, atual diretor do Brasil no FMI e um dos poucos colunistas que ainda justifica a leitura deste pasquim golpista.

O argumento usado é risível. A famíglia Frias alegou que "sua coluna é das mais longevas", só não explicou porque outros antigos colunistas nunca foram molestados. Paulo Nogueira sempre foi um ácido crítico das políticas neoliberais de desmonte do Estado e da nação. Ele nunca deu tréguas aos tucanos colonizados, com seu "complexo de vira-lata". Na luta de idéias em curso na batalha eleitoral, o economista seria um estorvo para José Serra, o candidato do Grupo Folha.


Relembrando as perseguições de 2006
Para disfarçar a sua política macartista de "caça às bruxas", a Folha anunciou um novo plantel de colunistas, que inclui o Antonio Palocci. Com isso, ela tenta preservar a falsa imagem de "jornal pluralista". Mas, como ironiza o jornalista Paulo Henrique Amorim, a jogada é rasteira. "Antônio Malloci, ex-ministro da Fazenda, como se sabe é um notável tucano que eventualmente milita no PT. Paulo Nogueira Batista Junior era um dos últimos vestígios de talento que a Folha exibia... A Folha, com um novo conjunto de ‘colonistas', aproxima-se cada vez mais da treva sem fim".

O clima de perseguição ideológica nas redações da mídia "privada" não é novidade. Na sucessão presidencial de 2006, ele também produziu suas vítimas, entre elas o jornalista Rodrigo Vianna, que não aceitou as baixarias da TV Globo na cobertura da campanha. Franklin Martins e Tereza Cruvinel também sentiram o ódio do "senhor das trevas" das Organizações Globo, Ali Kamel. Nos jornais e revistas, a perseguição fascistóide silenciou vários outros jornalistas.


A quem serve a liberdade de expressão?

Como afirma o professor Venício A. de Lima, estes episódios revelam "a hipocrisia geral que envolve as posições públicas dos donos da mídia sobre liberdade de expressão e liberdade de imprensa... As relações de trabalho nas redações brasileiras, é sabido, são hierárquicas e autoritárias. Jornalistas e editores são considerados, pelos patrões, como ocupando ‘cargos de confiança' e devedores de lealdade incondicional". Caso tentem manter a ética no seu trabalho jornalístico, eles são demitidos sumariamente.

Com a aproximação da eleição presidencial de outubro, o clima tende a se deteriorar ainda mais nas redações, comprovando a falsidade do discurso dos donos da mídia e das suas entidades - como Abert, Aner e ANJ - sobre a "ameaça autoritária" do governo Lula contra a liberdade de imprensa. "Episódios como este nos obrigam a perguntar, uma vez mais, para quem é a liberdade de expressão que a grande mídia defende?", conclui o professor Venício A. de Lima.


 

 

Rádio Web - Jornal Brasil Atual


Aposentados torcem para que Lula não vete reajuste

Em votação simbólica e relâmpago nesta quarta-feira, o Senado aprovou a medida provisória que reajusta em 7,7% as aposentadorias acima do salário mínimo e também o fim do fator previdenciário. O acordo entre as lideranças manteve o texto como ele veio da Câmara dos Deputados. O projeto segue agora para a sanção presidencial. O prazo final para a sanção termina no dia 1º de junho. Epitácio Luiz Epaminondas, presidente do Sintapi-CUT, comemora a decisão dos senadores. Luizão informa também que a CUT e o Sindicato dos Aposentados querem garantir que o presidente Lula não vete o aumento e o fim do fator previdenciário. Para ouvir acesse:

http://bit.ly/9OsW1f






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