Edição número 1599 quarta-feira,
02 de junho de 2010
Fechamento: 09h00
Veículos Pesquisados:
Clipping CUT é um trabalho diário de captação de
notícias realizado pela equipe da
Secretaria Nacional de Comunicação da CUT. Críticas e
sugestões com
Leonardo Severo (leonardo@cut.org.br)
Isaías Dalle (isaias@cut.org.br)
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William Pedreira (william@cut.org.br)
Secretária de Comunicação: Rosane Bertotti (rosanebertotti@cut.org.br)
O Estado
de S.Paulo
O
neopeleguismo (Editorial)
Ao
se colocarem a serviço direto, sem disfarces, da candidatura de Dilma Rousseff
à Presidência da República, a infração legal menos grave que as centrais
sindicais cometeram foi a "antecipação" da campanha presidencial, até
porque nem a Força Sindical nem a CUT foram as primeiras a fazê-lo. Mais grave foi a debochada
afronta que o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força,
lançou à Justiça Eleitoral, ao afirmar que de nada adiantaria ser processado de
novo - já teve quatro processos e duas condenações -, pois "continuaria a
falar". E falou, tanto para dizer que não se pode deixar "esse
sujeito" (referindo-se ao candidato tucano José Serra) se tornar
presidente da República, porque ele "vai tirar os direitos do
trabalhador", "vai mexer no Fundo de Garantia, nas férias, na
licença-maternidade", como para defender a continuidade do governo Lula,
com a eleição de Dilma Rousseff.
Deixe-se
de lado a falta de compostura e as agressões destemperadas do
deputado-sindicalista Paulinho ao candidato Serra. Talvez essa tenha sido a
forma que ele encontrou para superar as vaias com que foi recebido na
assembleia da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), composta por CUT, UNE, MST e outras
entidades, e da qual a Força Sindical não faz parte. E, no entanto, a
legislação proíbe, expressamente, a participação de sindicatos em campanhas
eleitorais. E a reunião da CMS era apenas uma preparação para a Conferência
Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), realizada terça-feira pelas cinco
centrais sindicais (Força, CUT,
CTB, CGTB e Nova Central), com o objetivo de, a pretexto de apresentar pautas
reivindicatórias aos presidenciáveis, apoiar a candidata oficialista à
Presidência da República - em mais um desrespeito flagrante à legislação
eleitoral.
A
participação aberta de entidades sindicais na campanha eleitoral é apenas uma
consequência do total atrelamento do sindicalismo ao Estado, consumado no
governo do ex-sindicalista Lula. O peleguismo nascido do Estado Novo getulista
e que pareceu definitivamente extinto com a renovação do movimento sindical
ocorrida no ABC paulista, conduzida pelo líder metalúrgico Luiz Inácio Lula da
Silva, voltou agora sob a forma aperfeiçoada do chamado neopeleguismo de
cooptação. Explica bem esse fenômeno o cientista político Rubens Figueiredo
que, em entrevista ao Estado (1.º/6), classificou o Brasil como um raro exemplo
de país capitalista onde o sindicalismo está a favor do Estado.
Recorda
Figueiredo que, durante o processo de redemocratização, os sindicatos
representaram uma força importante de resistência da sociedade e estavam
afastados do Estado. Com a ascensão do PT e de Lula ao poder, houve um processo
de cooptação, principalmente, das Centrais Sindicais pelo Estado, que passou a
destinar-lhes polpudas quantias de dinheiro. "Mesmo centrais que antes
dificilmente se alinhavam, como a CUT e a Força Sindical, que lá atrás era chamada de pelega, hoje
se alinham na defesa do governo. E, do ponto de vista de ocupação do Estado, há
uma quantidade imensa de ex-sindicalistas e até de sindicalistas em atividade
que fazem parte dos órgãos de direção do Estado", arremata o cientista
político.
Estamos,
pois, em plena "República sindicalista" - não a sonhada por João
Goulart nem a inspirada por ideologias, mas uma com motivações mais vulgares,
argentárias e de compadrio. "Os quadros que o PT foi buscar para
administrar o Brasil vieram dos sindicatos. E esses sindicatos ocupam hoje
postos-chave, por exemplo, nos fundos de pensão, que são as instituições
econômicas com maior liquidez no Brasil. Eles movimentam volume expressivo de
dinheiro. Então, houve a ascensão do sindicalismo aos núcleos de decisão do Estado",
analisa Rubens Figueiredo.
O
problema do atrelamento do sindicalismo ao Estado é que um regime desse tipo,
cujo exemplo clássico é o corporativismo fascista, bem cedo se torna
incompatível com o Estado Democrático de Direito. E isso começa pelo desprezo
às leis e à Justiça - aquilo que o Paulinho da Força não se cansa de fazer.
Centrais
gastam R$ 800 mil do imposto sindical para pedir voto contra Serra
Valor foi usado
para pagar evento realizado ontem no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, com
objetivo de aprovar Agenda da Classe Trabalhadora e pregar a continuidade do
governo Lula; das 30 mil pessoas esperadas, apenas metade compareceu
Roberto
Almeida (Brasil)
Cinco
centrais sindicais - Força, CUT,
CGTB, CTB e Nova Central - pregaram ontem, na assembleia da Conferência
Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), em São Paulo, a continuidade do
governo Lula e alertaram para um "retrocesso", em clara referência ao
pré-candidato tucano à Presidência, José Serra.
O
evento, pago pelo imposto sindical, que desconta um dia de salário ao ano de
todos os trabalhadores com carteira assinada, custou pelo menos R$ 800 mil,
segundo o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força
Sindical.
O
objetivo, cumprido, era o de aprovar a Agenda da Classe Trabalhadora, que será
entregue aos três presidenciáveis. São quase 300 demandas a serem cumpridas
pelo vencedor das eleições.
Ao
todo, R$ 135 mil foram empenhados para o aluguel do Estádio do Pacaembu e R$ 35
mil para o pagamento da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo para
coordenar o trânsito. O restante - R$ 630 mil - foi para a infraestrutura, como
palco, som e transporte de militantes.
De
acordo com o deputado, somente a Força Sindical pagou 500 passagens de avião
para dirigentes virem das regiões Norte e Nordeste do País. As demais centrais
também admitiram ter pago por transporte aéreo. A CUT disse que não divulgaria dados e valores de
logística.
Mesmo
com o investimento pesado das centrais para um megaevento, o público foi apenas
a metade do esperado. Segundo a Guarda Civil Metropolitana, 15 mil compareceram,
metade dos 30 mil esperados.
A
reserva inicial, de acordo com as centrais, era de 13 mil lugares para
militantes da CUT e
11 mil para os da Força. Os demais seriam divididos em blocos menores entre as
outras três centrais. No entanto, o Pacaembu teve uma manhã e um início de
tarde com muitos lugares vazios.
Microfone
aberto. Os militantes e dirigentes sindicais, vindos de todos os Estados do
País, receberam lanches na porta do estádio e ouviram dezenas de discursos de
sindicalistas - a maioria para evitar o "retrocesso", alguns citando
nominalmente a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e outros em
defesa aberta da pré-candidata petista Dilma Rousseff.
O
presidente do PT paulista, Edinho Silva, assumiu o microfone falando "em
nome do companheiro José Eduardo Dutra", presidente do PT nacional.
Delineou o cenário eleitoral, com rasgados elogios a Lula, e disse que "é
preciso avançar ainda mais e aprofundar as mudanças do governo".
"O
Brasil não pode ter retrocesso", afirmou, em referência ao governo tucano.
"Não pode conviver novamente com o desmanche do Estado. Não pode conviver
novamente com a submissão de seus interesses. Se vamos avançar ou não, isso
cabe a cada um de nós."
Empenhado
na campanha do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) ao Palácio dos Bandeirantes,
Edinho afirmou ainda que "é preciso fazer no Estado de São Paulo o mesmo
que o presidente Lula fez no Brasil". "É hora de os trabalhadores
mais uma vez mostrarem sua força. O avanço só depende de nós", finalizou.
Esvaziamento.
O que era para ser o ápice da Conclat - a aprovação da Agenda do Trabalhador,
documento chave do evento - acabou de maneira esvaziada. Boa parte do público
já havia deixado o Estádio do Pacaembu antes mesmo dos discursos dos
presidentes das centrais.
"Companheiros,
acho que hoje, embora muita gente já saiu do estádio, nós temos que comemorar
aqui esta unidade", afirmou Paulinho, na abertura de seu discurso, já no
início da tarde.
A
fala do presidente da Força foi "mais mansa" - como ele mesmo definiu
-, em comparação à do dia anterior, em que aplicou uma saraivada de golpes em
Serra diante de uma plateia composta por movimentos sociais, no centro de São
Paulo. E saiu admitindo uma multa eleitoral.
Dessa
vez, Paulinho concentrou seus esforços "nas vitórias do trabalhador"
e "nas negociações com o presidente Lula". "Essa conferência tem
um objetivo muito claro de entregá-la (a Agenda da Classe Trabalhadora) aos
candidatos à Presidência. Dizia a grande imprensa nacional que iríamos fazer aqui
um dia de política. Estamos hoje aprovando uma pauta, de um modelo de Brasil
que nós queremos", esquivou-se Paulinho, para em seguida cantar o Hino à
Bandeira.
Artur Henrique, presidente da CUT, que
disse antes de discursar que "manteria a língua afiada", foi mais
incisivo. "O maior desafio é não permitir o retrocesso, que nós tenhamos
em nosso País a volta daqueles que foram, os responsáveis pela crise",
discursou, citando FHC.
Raio
- x
A
estrutura da Agenda da Classe Trabalhadora
6
eixos estratégicos
Distribuição
de renda e mercado interno
Valorização
do trabalho e inclusão social
Estado
e desenvolvimento ambiental
Democracia
e participação popular
Soberania
e integração nacional
Sindicalismo
e negociação coletiva
290
propostas
(As
principais)
Descriminalizar
o aborto
Aumentar
o valor dos benefícios sociais
Implantar
o imposto sobre grandes fortunas e heranças
Extinguir
o fator previdenciário
Garantir
que os recursos do pré-sal sejam usados na área social
Dar
a trabalhadores participação em agências reguladoras
Fazer
a reforma política
Dar
direito irrestrito de greve a servidores públicos
Reduzir
a jornada de trabalho para 40 horas semanais
UGT,
por influência do PPS, fica ausente da festa
Marcelo Rehder (Brasil)
As
divergências político-partidárias dentro das centrais sindicais impediram que a
Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), realizada ontem no
Estádio do Pacaembu, na capital paulista, se transformasse em um ato explícito
pró Dilma Rousseff, a pré-candidata do governo Lula à Presidência da República.
Embora os organizadores tenham festejado a unidade das centrais, o movimento
não foi unânime.
Sob
a alegação de que a Conclat seria usada como palanque para fazer campanha em
favor da pré-candidata do governo, militantes do PPS e do DEM na União Geral
dos Trabalhadores (UGT), presidida por Ricardo Patah, articularam e conseguiram
evitar que a central participasse do evento.
Para
desespero da direção da UGT, a corrente que apoia a candidatura do tucano José
Serra saiu vitoriosa de uma plenária que decidiu pela não participação da
central na conferência. Foi a única baixa entre as seis centrais reconhecidas
pelo Ministério do Trabalho.
Mas
as divisões começaram com a posição da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que
insistia na ida do presidente Lula e de Dilma Rousseff ao evento. A CUT trabalhou por isso
até o fim, mas as divergências entra as centrais acabaram por minar a
articulação do presidente
da entidade, Arthur
Henrique.
"Nem
na Força Sindical havia unidade para trazer a Dilma", disse o presidente da
central, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. "A CUT recuou dessa posição e conseguimos fazer um
evento puramente sindical".
Para
Artur Henrique, da CUT, o fato de a UGT ter ficado
de fora não significa que houve racha no movimento sindical. "Somos cinco
centrais que reunidas representamos 95% dos trabalhadores associados. A UGT
representa só 5%".
O presidente da CUT também afirmou que
a unanimidade do movimento sindical não quer o retrocesso, referindo-se à volta
do PSDB ao governo federal. "Agora, quem vai ser apoiado pelas centrais, cada
uma tem autonomia e vai discutir nas suas instâncias".
Sobrou
até para o prefeito Gilberto Kassab (DEM), aliado político de Serra. Sindicalistas
se queixaram de que o prefeito havia prometido não cobrar nada pelo uso do
Pacaembu, mas no final tiveram de pagar R$ 130 mil.
'Lula,
fora da Presidência, seria mais poderoso que nunca'
Entrevista: Leôncio
Martins Rodrigues, professor titular aposentado da USP e da Unicamp
Guilherme Scarance (Política)
A cooptação de entidades sindicais faz parte
dos esquemas populistas, diz Leôncio Martins Rodrigues, autor de Destino do
Sindicalismo e professor titular aposentado da USP e da Unicamp. "Basta lembrar
Getúlio e Perón", afirma o cientista político, lembrando que, no Brasil, nos
quadros desse corporativismo criado pela Constituição de 1988, "o Estado
sustenta os sindicatos". Ele cita um cenário em que a formação de uma só
entidade sindical gigante poderia ter no presidente Lula "o grande chefe".
No ano passado,
apenas a CUT
embolsou R$ 26,7 milhões originários da partilha do imposto sindical. Como o
sr. vê o fato de as centrais, cada vez mais cooptadas pelo governo por meio de
repasses oficiais, reunirem uma multidão para um ato com forte conotação
político-eleitoral?
A
intensa e ampla cooptação de chefias e entidades sindicais por parte do governo
não é uma novidade na história política do nosso e de outros países. Faz parte
dos esquemas populistas. Basta lembrar Getúlio e Perón. Sindicalismo e política
estão sempre próximos. Mas há várias diferenças nesse conúbio. Nos países
centrais, frequentemente, eram os sindicatos que financiavam os partidos. O
caso do Partido Trabalhista Britânico, criado pela Trade Union Congress
(central sindical britânica) é um dos mais paradigmáticos. Os sindicatos
sobrevivem pela cotização de seus membros. No Brasil, nos quadros desse
corporativismo sui-generis criado pela Constituição de 1988, na aparência, o
Estado sustenta os sindicatos. Na realidade, legaliza a retirada compulsória
dos salários dos trabalhadores do mercado formal de trabalho (sindicalizados ou
não) e os repassa às chefias dos sindicatos únicos, quer dizer, a entidades sem
concorrência que tem o monopólio da representação. Como o modelo do sindicato
único permanece, há uma diferença essencial com relação a outros países: se os
sindicatos corporativos vivem da contribuição de todos os empregados de
diferentes ideologias, devem representar a todos. Não são sindicatos
ideológicos e, portanto, formalmente, não podem apoiar candidatos, participar
das disputas partidárias porque arrecadam dinheiro de trabalhadores de variadas
posições políticas.
Como o sr. vê a
união de CUT e
Força em torno da candidatura Dilma? Essa reedição da Conclat tem conotação
ideológica ou visa simplesmente a garantir a continuidade dos repasses, das
vantagens e da interlocução com o governo federal?
Uma
vez que a Força Sindical e a CUT
foram adversários históricos, é óbvio que a aproximação entre elas não tem nada
de programático ou ideológico. Essa afirmação vale para as outras centrais que
eram rivais da CUT.
É visível o esforço de seus dirigentes - alguns que já estiveram próximos do
PSDB - para se legitimarem perante o PT e serem bem-aceitos pelos cutistas. A
forte distribuição proporcional de recursos para todas elas e a ideia da
recriação da Conclat fazem pensar num amplo movimento, que poderia ir mais além
da "simples" eleição da Dilma e que terminaria na formação de uma só entidade
sindical gigante. Lula, já fora da Presidência da República, seria o grande
chefe, mais poderoso do que nunca, capaz de cortar qualquer pretensão de
independência que sua candidata possa imaginar que teria, caso seja eleita.
Seria uma espécie de Perón vindo das classes baixas.
Senado
aprova reestruturação de carreira de servidores
Carol
Pires (Política)
A
quatro meses das eleições, os senadores aprovaram nesta terça-feira, em votação
simbólica, a Medida Provisória (MP) 479 que reestrutura 27 carreiras do
funcionalismo público.
O
texto original do governo previa impacto de R$ 31,7 milhões aos cofres públicos
anualmente com a aprovação do projeto. A proposta sofreu alterações na Câmara
dos Deputados e, da forma como foi aprovada, pode ter impacto de R$ 1,9 bilhão
por ano nas contas públicas.
O
líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), informou, no entanto, que o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva deve vetar parte do texto e o custo anual dos
reajustes ficará em R$ 35 milhões. Jucá não informou quais partes serão
vetadas.
Apesar
de a votação ter sido simbólica, sem abertura do painel para votação
individual, o senador Álvaro Dias (PR), vice-líder do PSDB, pediu que o voto
dele fosse registrado como contra.
O
senador tucano alertou para o fato de a relatora, deputada Gorete Pereira
(PR-CE), ter acatado 45 emendas integralmente e 18 parcialmente, transformando
cargos, estendendo gratificações, aumentando salários e incorporando carreiras.
Apenas uma das emendas, segundo apontou o senador Álvaro Dias, teria impacto de
R$ 1,8 bilhão por ano. Esta emenda transfere os servidores analistas da Receita
Previdenciária para a categoria de auditores da Receita Federal, mas deve ser
vetada pelo presidente Lula, segundo Jucá.
A
categoria será incluída, ao invés disto, no quadro do Ministério da Fazenda.
Por causa de um erro ocorrido na votação da Câmara dos Deputados, ambas as
possibilidades - de inclusão no quadro de funcionários da Receita ou no quadro
do Ministério da Fazenda - foram aprovadas no texto. Para corrigir o erro, é
preciso apenas que o presidente vete a primeira possibilidade.
Previ
pode investir mais em infraestrutura, diz novo dirigente
'Queremos ser
atores principais e não coadjuvantes no desenvolvimento do país', disse Flores
Reuters (Economia)
O
maior fundo de pensão da América Latina, Previ, dos funcionários do Banco do
Brasil, poderá aumentar seus investimentos em infraestrutura se isso for
interesse do País e ao mesmo tempo atender as regras de governança corporativa
da entidade, afirmou o novo presidente Ricardo Flores, que toma posse nesta terça-feira.
Sem
se preocupar com possíveis usos da Previ pelo governo por entender que a
entidade está blindada por uma governança corporativa madura, Flores disse que
projetos para a Copa em 2014 e para as Olimpíadas de 2016 podem ser analisados
como qualquer outro investimento que seja proposto à entidade.
"Queremos
ser atores principais e não coadjuvantes no desenvolvimento do país",
disse Flores a jornalistas horas antes de tomar posse. "Se isso for
interesse do país e desde que atenda aos requisitos, não vejo como excludentes
(os projetos estruturantes)", completou.
Na
véspera, a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff,
comentou em evento em São Paulo que fundos de pensão poderiam ter uma
participação maior no setor de infraestrutura do país ao citar diversificação
das fontes de financiamento da economia para além do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Sem
a presença da imprensa, o ex-presidente da Previ, Sérgio Rosa, passa
oficialmente o bilionário caixa de R$ 142 bilhões da Previ para Flores e a nova
diretoria em cerimônia no final desta tarde no Rio de Janeiro.
Junto
com Flores tomam posse os dois diretores indicados pelo Banco do Brasil e os
dois eleitos pelos participantes do fundo. Apenas um diretor, de Seguridade,
José Ricardo Sasseron, permaneceu da antiga diretoria. Marco Geovanne Tobias da
Silva, que ocupava a gerência geral de Relações com Investidores do BB assume a
diretoria de Participações no lugar de Joílson Ferreira prometendo dar maior visibilidade
ao fundo.
"Vamos
dar maior transparência, como foi feito com o banco, queremos fazer mais
reuniões com o mercado", disse Silva, lembrando que atualmente a Previ tem
apenas uma reunião anual na Apimec.
A
entidade ganhou mais fôlego para investimentos no ano passado, depois que o
governo resolveu aumentar de 50% para 70% o limite das aplicações em renda
variável. Mesmo assim, Flores e sua diretoria terão que lidar com casos
polêmicos como o desinvestimento a ser feito na Vale, para que a Previ possa se
adequar à regra de não concentrar mais de 10% do patrimônio do fundo em uma
única empresa. Atualmente a Vale é o maior investimento da Previ, com peso em
torno dos 20 por cento do seu patrimônio. "Isso ainda não foi
avaliado", afirmou.
Conselho da Vale
Flores
não decidiu também se vai assumir o cargo de presidente do Conselho de
Administração da Vale. Argumentando que o mandato de Sérgio Rosa vai até 2011,
Flores deu sinais de que vai esperar a decisão do ex-dirigente.
"Esse
assunto ainda não foi tratado (o conselho da Vale). Existe um mandato e este
mandato está em curso até maio de 2011", disse Flores. "Isso tem um
rito próprio, ele (Rosa) pode pedir para sair, renunciar. Tem que ter
assembléia de acionistas", explicou o executivo que preferiu generalizar o
assunto.
"Não
pretendemos mudar as coisas no sentido de mudar por mudar, queremos olhar o
processo de maneira geral e manter aquilo que está maduro e aperfeiçoar o que
puder", explicou, referindo-se também às suas outras participações em
empresas. Outras questões delicadas, como o superávit de mais de 40 bilhões de
reais da entidade que poderá ou não ser distribuído aos beneficiários, assim
como possíveis mudanças nas participações da Previ no setor elétrico (CPFL e
Neoenergia) serão avaliadas com calma, disse Flores. Funcionário de carreira,
Flores está no banco há 32 anos.
Folha de
S.Paulo
Centrais
gastam R$ 800 mil em ato para criticar o PSDB
Presidentes da CUT e da
Força rejeitam "retrocesso" e pedem continuidade
Cerca de 10 mil pessoas, diz a PM, foram a evento de 5 centrais sindicais, que
receberam em maio R$ 70,2 mi da União
Fernando Gallo (Poder)
Cinco centrais sindicais gastaram pelo menos R$ 800 mil num evento realizado no
estádio do Pacaembu, em São Paulo, no qual reproduziram o slogan adotado pelo
PT na campanha eleitoral deste ano -o de que "é preciso impedir o
retrocesso".
O evento organizado por CUT
(Central Única dos Trabalhadores), Força Sindical, CTB (Central dos
Trabalhadores do Brasil), Nova Central e CGBT (Central Geral dos Trabalhadores
do Brasil) reuniu 10 mil pessoas.
O objetivo era fazer uma agenda de propostas que o movimento sindical quer
entregar aos candidatos à Presidência. Mas os líderes adotaram um tom eleitoral
e o discurso repetido por petistas contra o governo tucano de Fernando Henrique
Cardoso.
"Nossa maior responsabilidade é não permitir o retrocesso, a volta
daqueles que implementaram as políticas neoliberais durante a década de
90", afirmou o presidente
da CUT, Artur
Henrique.
"Uma assembleia como esta, se fosse feita na década de 90, era para falar
contra privatizações, demissões, propostas da gestão Fernando Henrique
Cardoso", disse.
O presidente da Força Sindical, deputado federal Paulo Pereira da Silva
(PDT-SP), que na segunda criticou o pré-candidato do PSDB, José Serra, e
defendeu Dilma Rousseff (PT), ontem fez apologia do governo Lula.
"Nós temos que dizer aos trabalhadores que o projeto do presidente Lula
tem que continuar, porque esse é um projeto que deu certo."
Ligada ao PT, a CUT
apoiará formalmente Dilma tão logo a candidatura seja anunciada. A Força optará
pela neutralidade, embora Paulinho apoie a eleição de Dilma.
O presidente da Força disse que cerca de R$ 800 mil foram gastos com a
estrutura do evento (aluguel do estádio, trânsito, palco). Os gastos serão
repartidos entre as centrais, que esperavam 30 mil pessoas no estádio.
No mês passado, as cinco centrais receberam R$ 70,2 milhões da União por meio
do imposto sindical.
Lula
diz que fará campanha na porta da Volks (Poder)
O
presidente Lula afirmou que vai fazer campanha "na porta da fábrica da
Volkswagen", num sinal de que terá papel ativo a partir do início oficial
da campanha eleitoral da petista Dilma Rousseff.
"Não é proibido um presidente fazer campanha quando a campanha
começar", disse Lula, negou que vá tirar licença.
Afirmou ainda que tem de "dar exemplo". Lula recebeu quatro multas
por propaganda antecipada.
Falta
de mão de obra faz salário subir
Com escassez de
trabalhadores qualificados, empresas pagam até 20% acima da média nacional,
revela pesquisa
Fenômeno afeta mais
os setores que fizeram grandes investimentos, como os de mineração, extração de
óleo e gás
Claudia Rolli (Mercado)
A escassez de mão de obra qualificada já "inflaciona" os salários,
principalmente nas empresas dos setores de mineração e petróleo.
Pesquisa feita com 175 mil profissionais que trabalham em áreas operacionais,
gerenciais e no alto escalão de empresas de 20 ramos econômicos mostra que os
setores de mineração, extração de óleo e gás pagam 20% acima da média nacional.
Em segundo lugar aparecem empatados os setores automobilístico, de autopeças,
de fabricação de computadores e de eletricidade, pagando 13% acima da média.
"Com a crise, o setor industrial teve forte retração e engavetou projetos.
Passado o susto, os investimentos que estão sendo anunciados superam os que
vinham sendo feitos antes da crise. E isso tem forte impacto no mercado de
trabalho", diz Lucio Tezzotto, gerente de atendimento da Catho Online.
Só os planos de investimento da indústria e do setor de infraestrutura para o período
de 2010 a 2013 somam R$ 859 bilhões, segundo levantamento do BNDES.
O principal destaque é o setor de petróleo e gás, que, devido ao pré-sal,
pretende investir R$ 340 bilhões.
TENDÊNCIA DE ALTA
Com
mais recursos sendo investidos e profissionais em número insuficiente para
suprir as necessidades das empresas, a tendência é os salários continuarem em
alta.
Marcelo Ferrari, diretor de negócios da consultoria Mercer, acredita que mesmo
as empresas que investiram em formação e treinamento terão dificuldades para
reter seus profissionais neste ano.
Ele diz que o país não formou, durante os anos 80 e 90, por exemplo,
engenheiros de mineração -profissionais disputados hoje no mercado.
"Sumiram do mercado de trabalho. E agora são necessários cinco anos para
formar esses profissionais."
Para compensar a escassez de mão de obra qualificada, empresas que faturam
entre US$ 100 milhões e US$ 1 bilhão têm investido entre 0,2% e 0,5% do
faturamento em qualificação.
Em 2009, a Petrobras investiu R$ 115,9 milhões em programas de desenvolvimento
de funcionários de níveis técnico e superior, diz Lairton Correa, gerente de
efetivo de RH da Petrobras.
"Sempre há disputa no mercado. Mas ter política de RH, com plano de
cargos, salários e benefícios, ajuda a segurar o empregado."
Na Petrobras, a taxa média de desligamento por ano é de 1,3%. O tempo médio na
empresa é de 15 anos.
Fernanda Ramos, gerente de RH da Ford, diz que a empresa também tem investido
em torno de R$ 3,2 milhões ao ano para preparar principalmente engenheiros de
produção. No setor automobilístico, os salários pagos a esses profissionais
estão entre R$ 4.000 e R$ 7.000.
"Temos feito convênios com universidades, principalmente na BA [onde está
o centro de desenvolvimento de produtos], e desenvolvido cursos em parceria
para suprir as necessidades locais."
Consumo
de classes C, D e E crescerá 7% ao ano até 2012
Estudo da
Fecomercio diz que ritmo de crescimento de consumo de emergentes é o dobro das
classes A e B
Gastos com
habitação vivem expansão e há novas prioridades; regiões Norte e Nordeste
lideram expansão
Claudia Rolli (Opinião)
O
consumo de produtos e serviços nas classes C, D e E deve crescer em um ritmo
que é o dobro do esperado para as classes A e B, segundo estudo feito pela
Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo).
A projeção considera que o crescimento do consumo das famílias de faixas de
renda até dez salários mínimos (R$ 5.100) deve se manter entre 7% e 8% ao ano
no período de 2010 a 2013.
Entre as famílias com renda superior a dez mínimos, o ritmo de expansão do
consumo deve ser de 4% ao ano até 2013. Os cálculos levam em conta previsões de
crescimento do PIB.
A dinâmica do consumo na classe média tem passado por mudanças nos últimos anos
e deve se sofisticar cada vez mais, avalia Fabio Pina, economista da
Fecomercio.
A alimentação representa 17% nas despesas de todas as famílias, que chegaram a
R$ 93,2 bilhões, segundo dados do IBGE atualizados para 2006. Nas classes C e
D, esse peso é maior -chega a 23% e 27%, respectivamente.
Cerca de 30% das despesas totais das famílias foram destinadas para a habitação
-os gastos com esse item em todas as faixas de renda chegaram a R$ 27,8
bilhões.
MUDANÇA DE CONSUMO
"Esses
padrões devem mudar nos próximos anos, tanto por região como por itens de
consumo. O consumo nas regiões Norte e Nordeste deve crescer mais
proporcionalmente do que no Sul e no Sudeste. Mas haverá uma mudança
significativa no que se consome", diz Pina.
"O consumo de arroz e feijão não vai mudar. Mas itens como habitação devem
ter ganho de espaço entre as famílias, especialmente as de menor renda, que têm
mais acesso a crédito e podem se beneficiar de empreendimentos mais
econômicos."
Para a Fecomercio, mantido o ritmo de expansão de consumo das famílias, a
questão que deve ser debatida é como se pretende sustentar esse crescimento. O
estudo projeta que o consumo das famílias pode atingir R$ 2,42 trilhões até
2013 e R$ 3,29 trilhões em 2020.
"Como a tendência é de os gastos do governo e os investimentos privados
crescerem acima do PIB, pode haver deficit internacional, já que o país terá de
recorrer a financiamento externo para se financiar ou haverá aumento da
inflação."
Governo
cede e modifica regra sobre prevenção de acidentes
Com mudança,
empresa com menos acidentes é beneficiada
Lorenna Rodrigues (Mercado)
O governo cedeu às pressões dos empresários e anunciou mudanças nas regras de
cálculo do Seguro Acidente de Trabalho (SAT).
A partir de setembro, as empresas que não registraram nenhum tipo de acidente
nos últimos dois anos terão a alíquota do seguro reduzida pela metade.
A medida, aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social, beneficiará
cerca de 350 mil empresas.
"Não há nada de recuo, o que tem são avanços, estamos aperfeiçoando o
modelo. Essa construção tem o objetivo de proteger a saúde do
trabalhador", afirmou o ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas.
A modificação veio depois de uma batalha travada na Justiça por empresas e
sindicatos que não concordam com a nova metodologia adotada pela Previdência
desde janeiro deste ano para determinar o valor do seguro.
Sobre alíquotas de 1%, 2% e 3% incide um multiplicador, chamado de FAP (Fator
Acidentário de Prevenção), que pode desde reduzir pela metade e até dobrar o
valor final a ser pago, calculado em relação à folha de pagamento de cada
empresa.
A promessa do governo era beneficiar as empresas com menores acidentes de
trabalho e penalizar aquelas com índices elevados, mas, segundo os empresários,
mesmo aquelas sem registro de acidentes estavam pagando alíquotas mais altas.
"É como se tudo isso tivesse um caráter arrecadatório, como se a questão
fosse tirar mais dinheiro das empresas", diz o presidente da CNI
(Confederação Nacional da Indústria), deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE).
Segundo Monteiro, o que se está agora evidenciando é que as empresas serão
menos oneradas, em um ambiente que as estimule a prevenir acidentes.
Valor
Econômico
Governo
pode rever cortes, diz Lula
Fernando Taquari
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou ontem que o governo pode rever o
corte de R$ 10 bilhões no Orçamento da União. Uma revisão, segundo ele, está
condicionada à expectativa de crescimento da arrecadação nos próximos meses.
"Nós trabalhamos com a possibilidade de que vai melhorar a arrecadação e,
melhorando a arrecadação, a gente vai repor a possibilidade de os ministérios
gastarem todo o dinheiro que for disponibilizado", afirmou Lula durante
evento na Volkswagen, em São Bernardo do Campo.
O
presidente enfatizou que os ministros estão conscientes de que a proposta
orçamentária está sujeita ao nível de arrecadação. O começo de ano fraco,
avaliou Lula, levou ao corte de R$ 10 bilhões. "O ministro da Fazenda
(Guido Mantega) queria um corte maior. É muito, mas disse que eu não brinco com
a economia brasileira. Chegamos onde chegamos com muita seriedade",
frisou.
"Estamos
tranquilos com a situação econômica do país. Obviamente estamos com olho na
crise europeia. Ela é muito grave. Eles estão demorando para tomar decisões.
Vamos pedir a Deus que eles decidam logo, porque nós precisamos de
tranquilidade. Queremos que a Europa volte a consumir, porque a Europa é um
grande importador de produtos brasileiros."
Durante
o evento, ele também condenou o ataque de Israel contra um comboio de ajuda
humanitária aos palestinos. "O diálogo é a melhor forma de resolver os
conflitos, e não atirando, como Israel atirou ontem, em um barco turco que ia
levar comida para Faixa de Gaza, um barco que estava em águas
internacionais", declarou.
Mercadante
escolhe major Olímpio, do PDT, para vice
Ana Paula Grabois
A
coligação que sustenta a pré-candidatura de Aloizio Mercadante, do PT, ao
governo de São Paulo bateu o martelo e decidiu que o vice será o policial
militar Sérgio Olímpio Gomes, deputado estadual no primeiro mandato pelo PDT.
Com 29 anos de carreira na polícia, o deputado terá como função atrair o
eleitorado mais conservador de São Paulo com um discurso pela melhoria da
segurança pública.
Opositor
dos governos tucanos no Estado, o major Olímpio, como é conhecido, vai focar os
problemas na área ocorridos durante a gestão do concorrente do PSDB ao Palácio
Bandeirantes, Geraldo Alckmin. Quando foi governador, Alckmin enfrentou, por
exemplo, ataques organizados pela facção criminosa PCC.
A
decisão da chapa deve sair no dia 12, quando a coligação de 12 partidos em
torno da chapa encabeçada por Mercadante será formalizada. Ainda existem,
contudo, pressões do PR. "É natural que nessa fase os nomes sejam
colocados pelos partidos, que exigem espaço, mas o momento é de tranquilidade
para a nossa aliança", disse o presidente estadual do PT, Edinho Silva.
Uma das saídas mais prováveis é oferecer a vaga de suplente da pré-candidata
Marta Suplicy ao Senado a Antônio Carlos Rodrigues, presidente da Câmara
Municipal de São Paulo.
Para
a escolha do major Olímpio pesou a pressão do PDT, que não abre mão de ter a
vaga de vice na chapa estadual. O PDT quer ampliar o leque de temas para
defender em São Paulo além da redução da jornada de trabalho para 40 horas
semanais. Por isso, a legenda enxerga no major a figura certa para encampar o
tema da segurança. O presidente estadual do PDT, Paulo Pereira da Silva, o
Paulinho, disse que o nome do major é a última sugestão do partido.
"Esperamos que o PT aceite", afirmou o também presidente da Força
Sindical. Segundo Paulinho, a segurança pública é atualmente o maior problema
de São Paulo. "O major Olímpio não é apenas um policial. É um professor da
área, tem formação", disse Paulinho.
Para
o PT, a presença do major é importante porque o discurso do endurecimento da
política de segurança contra o crime não combina com o perfil de Mercadante.
"É um discurso conservador que não cabe na boca de Mercadante e que pode
ajudar eleitoralmente", disse um dirigente petista.
O
major Olímpio é um dos líderes do movimento do funcionalismo estadual da área
da segurança e defende aumento salarial aos policiais e a reestruturação do
setor. É coautor de "Insegurança Pública e Privada - Basta de
Hipocrisia". Segundo a editora do livro, os autores mostram a
"dimensão do problema da criminalidade no país" e "a necessidade
de medidas concretas urgentes". Também discutem questões como a unificação
das polícias, a carreira policial, a segurança privada, a ineficiência do
judiciário e o sistema prisional.
O
deputado tentou abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para
investigar suspeita de superfaturamento nos contratos de fornecedores dos
presídios paulistas, mas não conseguiu o número suficiente de assinaturas.
Aprovou lei na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para unificar o
telefone do disque-denúncia no Estado, mas recebeu veto do então governador,
José Serra.
Ex-presidente
da Associação Paulista dos Oficiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo,
o Olímpio é também, segundo informações obtidas no site da Alesp, bacharel em
ciências jurídicas e sociais, jornalista, professor de educação física, técnico
em defesa pessoal e instrutor de tiro. Elegeu-se com 52,3 mil votos em 2006.
Antes, concorreu em duas eleições sem sucesso. Em 2002, candidatou-se a
deputado federal. Dois anos depois, concorreu ao cargo de vereador de São
Paulo.
Conclat
aprova pauta eleitoral em Pacaembu lotado, mas sem empolgação
João Villaverde
"Que
evento é este?", perguntou o taxista que levava o repórter ao Estádio do
Pacaembu, em São Paulo, na manhã de ontem. Tratava-se da Conferência Nacional
da Classe Trabalhadora (Conclat), promovida por cinco das seis centrais sindicais
reconhecidas pelo governo. Ao saber disso, o taxista retrucou: "Espero que
declarem voto no Serra, para justificar esse trânsito. Mas eles estão todos com
o Lula, né?"
Sua pergunta, embasada, provavelmente, pelos eventos recentes envolvendo as cúpulas
sindicais e o presidente da República - em São Bernardo do Campo, em abril, e
nas festas de 1º de Maio, quando houve apoio explícito à pré-candidata do
governo, Dilma Rousseff - estava no ar, ontem. A única central a não
participar, a União Geral dos Trabalhadores (UGT), temia que o evento se
transformasse num palanque pró-Lula e pró-Dilma. "É um evento sindical de
cunho político porque aprovamos um documento único que será entregue a todos os
pré-candidatos presidenciais. Mas não definimos posição", disse Artur Henrique, presidente da Central Única dos
Trabalhadores (CUT).
Segundo
Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical e deputado
federal (PDT), foram distribuídos 33 mil ingressos aos sindicatos das cinco
centrais. Nas catracas, no entanto, passaram pouco mais de 23 mil. O dia de
frio - 12°C, na zona oeste - e intermitente chuva fina não era convidativo e,
segundo um dirigente sindical que estava no palco, "o fato de fecharmos
uma pauta conjunta, em tempos de otimismo no movimento, sem gerar conflitos e
sem eleger um inimigo tangível", disse, em alusão ao "inimigo"
do evento - o neoliberalismo. "Então fica mais difícil empolgar
mesmo", afirmou.
Pouco
antes das 13h, quatro horas depois da abertura dos portões do Pacaembu, os trabalhadores
começaram a deixar o estádio. Quando aprovada, às 14h, a "Agenda da classe
trabalhadora", que clama pela redução da jornada de trabalho para 40 horas
semanais, pelo direito irrestrito de greve para servidores públicos, extinção
do fator previdenciário e outros pontos consensuais no movimento sindical, o
estádio contava com menos de 10 mil trabalhadores.
As
palavras de ordem contra o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra,
frequentes nos outros dois eventos com participação unida das centrais - o 10
de abril, no sindicato dos metalúrgicos do ABC, e o 1º de Maio - não vieram na
intensidade que se imaginava. Melquíades Araújo, vice-presidente da Força
Sindical, filiado ao PSDB e um dos coordenadores das campanhas de Geraldo
Alckmin e Serra no meio sindical, falou ao Valor, nos bastidores, enquanto o
evento não começava, que "era inevitável que os dirigentes, quando
pegassem o microfone, atacassem o PSDB e defendessem Lula". Para ele e
Antônio Ramalho, presidente do sindicato dos trabalhadores da construção civil
de São Paulo, também vice-presidente da Força e também filiado ao PSDB, seria
"difícil conter a empolgação do pessoal". Não precisaram.
O
evento ficou focado nas conquistas das centrais durante o governo Lula. Mas os
líderes sindicais não defenderam voto em Dilma, que teve o nome citado apenas
quatro vezes ao microfone, que circulou entre duas dezenas de líderes
sindicais, presidentes de partidos e dirigentes de movimentos sociais. O nome
de Serra não foi mencionado.
No
início dos anos 1990, o movimento que se convencionou chamar de "novo
sindicalismo" ganhou poder no Estado, quando o então presidente Fernando
Collor definiu como seu ministro do Trabalho o sindicalista Antônio Rogério
Magri, ligado à Força Sindical, fundada por Luiz Antônio Medeiros, expoente do
"novo sindicalismo", que se sustentava na negociação com empresários
e governos, enquanto o sindicalismo tradicional, simbolizado pela CUT, se caracterizaria
pelo distanciamento.
O
"novo sindicalismo" foi esquecido tão logo Collor sofreu o
impeachment, em dezembro de 1992. Prefeita de São Paulo no mesmo período, Luiza
Erundina (PSB), afirmou ao Valor, ontem, que "o movimento sindical demorou
a entender que só conquistaria seus desejos se estivesse unido". O "novo
sindicalismo", então, foi moldado nos últimos anos.
No
governo Lula, o antigo dissidente Medeiros foi secretário executivo do
Ministério do Trabalho, ao mesmo tempo em que o ex-presidente da CUT, Luiz Marinho, era o
ministro. As centrais passaram a receber uma fatia da contribuição sindical -
de 2008 para cá embolsaram R$ 146,5 milhões.
Na
Conclat original, realizada em 1981, o movimento se uniu para demandar
liberdade de expressão, numa crítica direta ao regime militar. Um dos
organizadores da assembleia de 1981, Hugo Perez, estava ontem no Pacaembu.
Vestia, sobre a camisa e sob o paletó, a mesma camiseta amarela que usou, 29
anos atrás, quando dividiu bancada com Lula. Perez estava sentado, atrás do
palco, assistindo a transmissão pela TV. Como o público, que deixou o estádio
mais cedo, Perez estava contente com as conquistas recentes, mas pouco
entusiasmado com o que via.
O
"novo sindicalismo" está no Estado, é ouvido e ganha força nele, mas
perde o apelo.
O Globo
Sindicalistas
pedem continuidade do governo Lula em evento que custou R$ 800 mil
Leila Suwwan
SÃO
PAULO - Líderes das centrais sindicais foram cautelosos e evitaram citar nomes,
mas a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, realizada pela CUT, Força Sindical, CTB,
CGTB e Nova Central nesta terça-feira no Estádio do Pacaembu, pregou a
continuidade do governo Lula e a luta contra o retrocesso. No ato, foram
aprovadas por aclamação o manifesto político e a "agenda do
trabalhador", um conjunto de propostas do setor que serão entregues aos
pré-candidatos na disputa presidencial deste ano. Sindicalistas de todo o país
vieram em caravanas de ônibus ao evento, que custou cerca de R$ 800 mil e
reuniu, segundo organizadores 30 mil pessoas.
-
É um ano político e nós trabalhadores temos que ter posição. Temos que dizer
aos trabalhadores que o projeto do presidente Lula tem que continuar. Mas para
não ser taxado de fazer campanha aqui hoje, quero cantar um hino - disse o
deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força.
Já
Artur Henrique, presidente da CUT, disse
que o maior desafio deste momento é impedir o retrocesso:
-
Temos que, em alto e bom som, impedir o retrocesso e continuar caminhando no
processo de mudanças e avançar no projeto de desenvolvimento.
Diversos
sindicalistas e políticos da base aliada fizeram discursos e alguns citaram a
pré-candidata Dilma Rousseff (PT), cuja participação no evento chegou a ser
cogitada. Apenas uma central sindical, a UGT, abandonou a conferência, devido
às preocupações com o tom eleitoreiro do evento.
Diário de
S.Paulo
Centrais
sindicais querem redução da jornada
Conferência aprova
documento, com 249 propostas, que será levado aos pré-candidatos à Presidência
Fabiano Nunes
Reduzir
a jornada de trabalho para 40 horas semanais, inibir as demissões em massa e
até dar orientações sobre o que fazer com os recursos provenientes do pré-sal.
Esses são alguns pontos que foram aprovados nesta terça-feira (01) durante
a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), organizada pela Central Única dos Trabalhadores
(CUT), pela Força Sindical e por outras três centrais sindicais, e
realizada no estádio do Pacaembu, na Zona Oeste de São Paulo.
O evento reuniu cerca de 20 mil pessoas, segundo os organizadores do encontro.
Essa é a primeira reunião das centrais sindicais desde 1981, quando cinco mil
pessoas estiveram em Praia Grande, no litoral Sul de
São Paulo.
A reunião teve o objetivo de aprovar o documento, com um total de 249
propostas, que visa garantir e ampliar os direitos dos trabalhadores.
A Agenda da Classe Trabalhadora pede para ampliar e estimular a fabricação de
remédios genéricos e a diminuição da jornada de trabalho para 40 horas
semanais, sem redução dos salários. "Segundo estudo do Dieese, a redução da
jornada de trabalho sem a redução de salários, poderá gerar cerca de 2,4
milhões de postos de trabalho com qualidade e carteira assinada", disse Adi dos
Santos Lima, presidente da CUT-SP.
O documento também exige a manutenção do processo de valorização do
salário-mínimo, além de uma reforma tributária. A proposta será entregue
aos pré-candidatos à Presidência nos próximos dias.
Salário-mínimo
Durante o evento promovido pelas centrais sindicais, o Dieese apresentou o
livro "Salário-Mínimo - Instrumento de combate à desigualdade", que conta os 70
anos de história do piso nacional. Segundo o estudo, o valor de hoje (de R$
510) está muito distante do que é determinado pela Constituição e deveria ser
algo em torno de R$ 2.257.
"O salário-mínimo, quando foi constituído em 1940, levava em consideração a
cesta básica para uma pessoa, que é composta atualmente por 13 produtos. A
partir desse modelo, pegamos o valor da cesta básica e multiplicamos por três,
que representaria uma família com dois adultos e duas crianças e chegamos a
este valor", explicou o economista do Dieese Frederico Luiz Barbosa.
O estudo conclui que a política de valorização do salário-mínimo - reajuste
pela inflação mais variação do PIB - , foi eficiente para manter um ganho real
do piso.
Diário do
Grande ABC
Centrais
sindicais reúnem milhares no Pacaembu
As
centrais Força Sindical, CUT
(Central Única dos Trabalhadores), CTB (Central dos Trabalhadores do
Brasil), Nova Central e CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil)
reuniram cerca de 22 mil trabalhadores e sindicalistas durante a Conferência
Nacional da Classe Trabalhadora, realizada nesta terça-feira no Estádio do
Pacaembu, em São Paulo.
O objetivo do evento foi debater e aprovar um documento com propostas políticas
e econômicas que os trabalhadores querem ver implementadas no Brasil nos
próximos quatro anos. Posteriormente, a carta será entregue aos candidatos à
Presidência da República.
"Nosso maior desafio é não permitir o retrocesso, a volta daqueles que
implementaram as políticas neoliberais na década de noventa", afirmou o presidente da CUT, Artur Henrique.
Diário
Catarinense
Sindicatos
aprovam pedidos
Em
clima de campanha eleitoral, milhares de sindicalistas se reuniram no Estádio
do Pacaembu, em São Paulo, para discutir e aprovar um documento com as
reivindicações da classe trabalhadora.
Embora parte dos presentes defenda a isenção partidária como forma de preservar
a autonomia sindical em relação a governos, as manifestações de apoio ao
governo Lula e à pré-candidata petista Dilma Rousseff deram a tônica do
encontro.
Organizada pela Central
Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, Central Geral dos
Trabalhadores do Brasil (CGTB), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do
Brasil (CTB) e Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), a Conferência
Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat) ocorreu 29 anos após a histórica
assembleia unificada que, em 1981, reuniu, pela primeira vez, os principais
sindicatos em luta pela redemocratização do país.
Segundo o presidente da
CUT, Artur Henrique,
o texto aprovado ao fim do evento será apresentado a todos os candidatos à
Presidência.
Jornal do
Comércio
Votação
do reajuste do Mínimo Regional é adiada
Empresários já
aceitam 6,9%; trabalhadores recuam a 9,6%
Samir Oliveira
Foi
adiada mais uma vez a votação do projeto de lei enviado pelo Executivo que
estabelece reajuste de 6,9% ao salário-mínimo regional. Desde o dia 18 de maio,
quando a matéria chegou à Assembleia Legislativa, deputados negociam com
empresários e trabalhadores um índice que atenda às reivindicações das duas
partes.
Na
reunião de ontem, as centrais sindicais sinalizaram que aceitam um aumento de
9,6% - menor que os 14% defendido anteriormente. O critério imposto é de que o
percentual deve ficar acima do concedido ao salário-mínimo nacional (9,2%).
Do
outro lado, as federações empresariais já reconhecem que não conseguirão manter
os 3,54% propostos e que, nesse contexto, os 6,9% enviados pelo governo são a melhor
alternativa.
"Os
trabalhadores tiveram que recuar, mas os empresários ainda defendem a extinção
do piso", critica o dirigente da Central Única dos Trabalhadores no Estado (CUT-RS),
Celso Woyciechowski.
Para
o presidente da Fiergs, Paulo Tigre, que participou ontem do encontro com as
entidades sindicais, a existência do piso gaúcho tira competitividade do setor
privado no Estado. "O próprio índice mandado pelo governo é alto dentro da
nossa realidade, já estamos em um limite", avalia.
O
presidente do Parlamento, deputado Giovani Cherini (PDT), considera que das
duas posições existentes, 9,6% e 6,9%, pode emergir um valor alternativo.
"Vejo a possibilidade de uma terceira posição. Alguns deputados falam em
7,7%", palpita. Ele acredita que na próxima terça-feira os parlamentares
darão acordo para a votação.
O
líder do governo na Assembleia, Adilson Troca (PSDB), alerta que é necessário
prever os impactos que um reajuste muito alto causaria à economia. "Quem
emprega diz que se o salário for muito alto, haverá desemprego. Devemos ter
esse cuidado", observa, acrescentando que o pequeno comerciante muitas
vezes não tem condições de pagar aumentos muito elevados.
O
líder do PT, deputado Elvino Bohn Gass, é categórico ao afirmar que a bancada
petista só dará acordo para votação se os deputados concordarem em aumentar os
6,9% propostos pelo governo. "Queremos elevar esse índice. Com um salário
melhor, as pessoas compram mais, e o comércio acaba ganhando", interpreta.
O
deputado Raul Carrion (PCdoB) acredita que o assunto será resolvido no
plenário, na próxima terça-feira. "Não acredito que alguém permitirá que o
projeto seja postergado indefinidamente. Isso só prejudica os
trabalhadores", argumenta.
Carrion
aposta que os parlamentares darão acordo na reunião de líderes e que o índice
final será definido durante a votação. "Não havendo entendimento entre
trabalho e capital, buscaremos a alternativa mais próxima possível."
Agência
Brasil
Movimentos
sociais lançam projeto nacional de lutas para 2011
Bruno Bocchini
São Paulo - A Coordenação Nacional dos Movimentos Sociais (CMS) - composta por
27 entidades - aprovou no dia 31 um projeto nacional que irá guiar o movimentos
sociais nos próximos semestres. Uma das decisões do grupo é aumentar as
manifestações populares em 2011, independentemente de quem ocupará a
Presidência da República.
"Os movimentos têm a convicção que só com a ampliação das manifestações, das
passeatas, das greves e das marchas, que a gente vai conseguir ver implementado
esse conjunto de proposições que consta no projeto Brasil. Seja qual for o
presidente eleito, a gente sabe que vai precisar ter mais pressão do povo nas
ruas pra que esse projeto seja implementado", disse a coordenadora dos
movimentos sociais, Lúcia Stumpf.
O texto aprovado pelas entidades, entre elas a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Marcha
Mundial das Mulheres e a Ação Cidadania, será entregue como pauta aos
pré-candidatos à Presidência da República.
O documento, dividido em cinco partes (soberania nacional, desenvolvimento,
democracia, mais direitos ao povo e solidariedade), defende mudanças na
política econômica do país, como a de conceder mais incentivo à produção e à
geração de emprego. Os movimentos sociais pedem também a mobilização pela
"democratização" do Conselho Monetário Nacional do Banco Central.
O texto ressalta a defesa da reforma agrária, a priorização da agricultura
camponesa e familiar e a garantia de crédito ao pequeno produtor. As entidades
decidiram também apoiar a redução da jornada de trabalho para 40 horas
semanais, sem redução dos salários.
A reforma política, o financiamento público das campanhas parlamentares, a
fidelidade partidária, estão presentes entre as demandas dos movimentos
sociais. Foram relacionadas ainda o fim do caráter revisor do Senado e o
aumento da realização de plebiscitos. Também entrou na pauta, a defesa de uma
política externa independente, que busque a paz; a destinação dos recursos do
pré-sal em benefício dos brasileiros e a retirada das bases militares
estrangerias da América Latina e do Caribe.
Sindicatos
aprovam propostas para apresentar a presidenciáveis
Alex Rodrigues
São Paulo - Em clima de campanha eleitoral, milhares de sindicalistas se
reuniram ontem (1º), no estádio do Pacaembu, em São Paulo, para discutir e
aprovar um documento com as principais reivindicações e propostas da classe
trabalhadora. Embora parte dos presentes defenda a isenção partidária como
forma de preservar a autonomia sindical em relação a governos, as manifestações
de apoio ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva e à pré-candidata petista
Dilma Rousseff deram a tônica do encontro.
Organizada pela Central Única
dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, Central Geral dos Trabalhadores
do Brasil (CGTB), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e
Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), a Conferência Nacional da
Classe Trabalhadora (Conclat) ocorreu 29 anos após a histórica assembleia
unificada que, em 1981, que reuniu, pela primeira vez, os principais sindicatos
brasileiros em luta pela redemocratização do país.
Segundo o presidente da
CUT, Artur Henrique,
o texto aprovado ao fim do evento será apresentado a todos os candidatos à
Presidência da República, de quem os sindicalistas cobrarão o compromisso com a
pauta apresentada. Segundo Henrique,
a intenção é interferir no processo eleitoral por meio das sugestões dos
trabalhadores e, posteriormente, cobrar do próximo governo a sua implementação.
Para Henrique, a
união das cinco centrais em torno de um objetivo comum é um sinal da maturidade
do movimento. "Percebemos que se continuarmos lutando entre nós não vamos
conseguir nada. A assembleia mostra a maturidade do movimento sindical para
construir a unidade quando esta é do interesse da classe trabalhadora, mesmo
com as diferenças de concepções e de práticas que continuam existindo entre as
centrais".
Discutida ao longo de quase seis meses pelos dirigentes sindicais, a agenda
conjunta das entidades está dividida em seis eixos considerados estratégicos:
crescimento econômico com distribuição de renda e fortalecimento do mercado
interno; valorização do trabalho decente com igualdade e inclusão social;
valorização do papel do Estado como promotor do desenvolvimento socioeconômico
e ambiental; democracia com efetiva participação popular; soberania e
integração internacional e garantia dos direitos sindicais e das negociações
coletivas.
Cada eixo é dividido em vários tópicos que vão da defesa da jornada de trabalho
de 40 horas semanais ao estabelecimento de limites às grandes propriedades
rurais e à atualização dos índices de produtividade no campo, passando pelas
reivindicações de universalização do ensino público e dos serviços de saúde,
reformas tributária e política, fim das terceirizações e do fator
previdenciário, entre outros pontos.
Sindicalistas
elogiam governo Lula e Dilma durante evento em SP
Alex Rodrigues
São Paulo - Promovida com o objetivo de aprovar as principais reivindicações e
propostas da classe trabalhadora para os candidatos à Presidência da República,
a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat) se tornou uma
manifestação de apoio à pré-candidata petista Dilma Rousseff e de rechaço à
pré-candidatura de José Serra (PSDB).
Durante o evento que reuniu milhares de pessoas ontem (1º) no estádio do
Pacaembu, em São Paulo, representantes sindicais, lideranças de movimentos
sociais e parlamentares afinados com as bandeiras petistas louvaram os avanços
obtidos durante os últimos sete anos e meio e criticaram a gestão tucana do
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Já em seu manifesto conjunto, as cinco entidades organizadoras da assembléia
unificada Central Única
dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, Central Geral dos Trabalhadores
do Brasil (CGTB), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e
Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST) reforçam a necessidade de a
classe trabalhadora se unir para defender as conquistas dos últimos anos.
"A eleição de outubro, marcada pela disputa entre distintos projetos políticos,
é uma singular oportunidade para selarmos compromissos com o avanço das
transformações necessárias à construção de um país igualitário e democrático.
Por isso é fundamental elegermos candidatos comprometidos com as
bandeiras da classe trabalhadora", destaca o manifesto.
Logo ao chegarem ao estádio, o presidente da CUT, Artur Henrique, e da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da
Silva, o Paulinho da Força, manifestaram aos jornalistas seu apoio a Dilma.
"Cada Central tem autonomia para discutir quem irá apoiar, mas sem dúvida seria
um retrocesso a volta do PSDB e do DEM à Presidência da República", declarou
Henrique. "Esse pessoal com certeza vai mexer com os direitos dos
trabalhadores", completou Paulinho.
Multado duas vezes por fazer propaganda política antecipada e com mais duas
notificações que ainda serão julgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE),
Paulinho disse ter o direito e a "obrigação" de manifestar o que acredita ser o
melhor para a classe trabalhadora.
"Essa é minha opinião e acho que, como cidadão e como deputado, eu tenho que
continuar falando isso", afirmou o parlamentar. "Acho que o TSE tem que inibir
que os candidatos façam propaganda antecipada, mas eu não sou candidato e sim
alguém que defende o que acha melhor para os trabalhadores do Brasil".
Produção
industrial cai 0,7% em abril
Riomar Trindade
Rio de Janeiro - A produção da indústria brasileira apresentou queda de 0,7% em
abril em relação a março deste ano, na série livre de influências sazonais,
após acumular ganho de 6,4% nos últimos quatro meses que registraram
crescimento. Na comparação com abril do ano passado, a produção industrial
registrou expansão de 17,4%, a quinta taxa positiva consecutiva de dois dígitos
nesse tipo de comparação.
De
acordo com dados da Pesquisa Industrial Mensal Produção Física - Brasil,
divulgados hoje (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), no primeiro quadrimestre de 2010, a expansão é de 18%, e no acumulado
nos últimos 12 meses, em trajetória ascendente desde outubro do ano passado, o
indicador saiu de -0,3%, em março, para 2,3% em abril. Foi o primeiro índice
positivo do acumulado de 12 meses desde janeiro de 2009 (1,0%).
Na
passagem de março para abril, dos ramos industriais analisados, 12 apresentaram
queda e 14 tiveram expansão na produção. Entre os que registraram recuo, os
principais impactos negativos vieram de bebidas (-11,0%), celulose e papel
(-6,1%), outros produtos químicos (-3,5%), máquinas para escritório e
equipamentos de informática (-11,3%) e veículos automotores (-1,7%). No mês
passado, esses setores haviam registrado crescimento de 7,8%, 7,4%, 1,9%, 14,3%
e 10,6%, respectivamente.
Entre
as atividades que aumentaram a produção, o desempenho de maior importância para
o resultado global veio de refino de petróleo e produção de álcool (12,8%),
recuperando o recuo de 9,1% do mês anterior, que havia sido influenciado pelas
paralisações ocorridas em unidades produtivas do setor. Outro destaque é o
comportamento positivo dos ramos de alimentos (1,5%), outros equipamentos de
transporte (4,9%), indústrias extrativas (1,9%), material eletrônico e
equipamentos de comunicações (4,1%) e metalurgia básica (1,7%).
Na
comparação com abril de 2009, o setor industrial avançou 17,4%, ritmo próximo
ao observado no primeiro trimestre do ano (18,2%), ambas as comparações com
igual período do ano anterior. Para esses resultados de dois dígitos, além da
baixa base de comparação, decorrente dos efeitos da crise econômica
internacional, o IBGE ressalta o incremento no ritmo produtivo nos primeiros
meses do ano.
Nessa
base de comparação, segundo o instituto, o índice de abril foi sustentado pelo
crescimento registrado em 25 das 27 atividades e 73% dos produtos pesquisados.
Entre os setores, as maiores influências positivas sobre a taxa global vieram
de veículos automotores (32,2%) e de máquinas e equipamentos (47,8%), ambos
impulsionados pelos índices positivos em mais de 80% dos produtos investigados
. Também merecem destaque os avanços de dois dígitos verificados em metalurgia
básica (30,7%), outros produtos químicos (16,8%), produtos de metal (31,4%) e
indústrias extrativas (17,4%).
Nesses
ramos de atividade, entre os destaques estão automóveis e caminhões,
refrigeradores, herbicidas, tintas e vernizes para construção, partes e peças
para bens de capital e minérios de ferro. Em contrapartida, as duas atividades
que mostraram queda na produção ante abril de 2009 foram fumo (-19,6%) e outros
equipamentos de transporte (-2,1%), pressionados pela menor fabricação de fumo
processado, no primeiro ramo, e aviões, no segundo.
Lula
ressalta papel da mulher no trabalho durante formatura de beneficiários do
Bolsa Família
Flávia Albuquerque
São
Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou ontem (1º) algumas
conquistas femininas no mercado de trabalho, durante a cerimônia de formatura
de 1.592 beneficiários do Bolsa Família que receberam qualificação profissional
por meio do Programa Próximo Passo. Segundo ele, é extraordinário o fato de 80%
dos formandos serem mulheres.
"Isso
significa que a mulher já não se contenta mais em ficar em casa esperando o
marido trabalhar e trazer o dinheirinho para casa, que a mulher está
conquistando sua independência e que está conquistando o mercado de trabalho de
verdade", disse diante da plateia no Clube Atlético Juventus, no bairro da
Moóca, zona leste da capital. O presidente disse que percebeu que grande parte
das pessoas que receberam o diploma já são casadas ou têm filho. Os formandos
são dos municípios paulistas de São Paulo, Ferraz de Vasconcelos, Itapevi,
Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande e São Vicente.
O
presidente afirmou que, em geral, as mulheres que trabalham em casa não têm o
esforço valorizado e que o trabalho doméstico, muitas vezes, é mais pesado que
o feito em uma fábrica. "As mulheres estão querendo trabalhar. Querem ter uma
profissão para terem autonomia e independência. Nenhuma mulher hoje quer ficar
dependendo do salário do marido."
Lula disse que as mulheres atualmente querem respeito e o direito de escolher
viver com um homem por gostarem e não por dependerem dele para sobreviver. "É
por isso que aprender uma profissão é muito importante. Quando vocês chegarem
em casa depois de um dia de trabalho, se o marido for legal, ele vai ajudar nas
tarefas domésticas. Mulher e homem querem ser tratados em igualdade de
posições. Os dois precisam viver em harmonia e parceria."
Segundo ele, as mulheres podem fazer qualquer trabalho que o homem faça e, em
alguns casos, apresentam mais competência e dedicação do que o homem. "O Brasil
ficou 20 anos sem a economia crescer e assim não gerava oportunidade de
trabalho. O Brasil está crescendo e vamos fechar o ano criando 14 milhões de
emprego com carteira profissional assinada. O governo tem muitas obras para
fazer e há muita coisa para acontecer."
O presidente afirmou que é preciso que as pessoas da localidade onde as obras
do governo são realizadas trabalhem nessas obras tanto para auxiliar os
trabalhadores quanto os empregadores. "Cada projeto habitacional do bairro
temos que chamar gente daquele bairro. Vamos fazer o cadastramento dos homens e
mulheres daquela vila para que eles não precisem pegar ônibus para ir trabalhar
e ter mais tempo para voltar para casa e conviver com a família."
Agência
Estado
Centrais
sindicais declaram guerra contra Serra
O
deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, presidente da
Força Sindical, e Artur
Henrique, presidente
da Central Única dos Trabalhadores (CUT), partiram para o ataque contra
o pré-candidato tucano José Serra e devem repetir a dose no principal evento do
sindicalismo brasileiro deste ano, marcado para hoje em São Paulo. São esperadas
30 mil pessoas no Estádio do Pacaembu para a assembleia da Conferência Nacional
da Classe Trabalhadora (Conclat).
O
encontro, reedição da reunião de 1981 que marcou a união do sindicalismo no
País pela redemocratização, vai reunir cinco centrais - Força, CUT, Central dos
Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Central Geral dos Trabalhadores
do Brasil (CGTB) e Nova Central. Dessa vez, porém, a união é pela continuidade
do governo Luiz Inácio Lula da Silva elegendo a petista Dilma Rousseff.
O
"aquecimento" para a Conclat aconteceu ontem na assembleia da
Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), composta por CUT, União Nacional dos Estudantes (UNE),
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e outras 25 entidades
ligadas ao movimento negro, LGBT (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e
trangêneros), entre outros.
Paulinho
chegou a ser vaiado quando subiu no palco da quadra do Sindicato dos Bancários,
no centro da capital paulista. A Força Sindical, entidade que preside, não faz
parte da CMS. Mesmo assim, o deputado empunhou o microfone e assumiu a
artilharia contra Serra, indiferente à Lei Eleitoral e às punições por campanha
antecipada.
Ataques
No
bombardeio sobre a candidatura tucana, Paulinho - que tratou o pré-candidato a
todo momento como "sujeito" - disse que Serra, se eleito, "vai
tirar os direitos do trabalhador". "Vai mexer no Fundo de Garantia,
nas férias, na licença-maternidade. Por isso, temos de enfrentá-lo na rua para
ganhar dele aqui em São Paulo", afirmou.
"Se
a gente não falar fica aí esse sujeito tentando ganhar a eleição. Eu estou
falando, e vou falar o nome. Nós não podemos deixar esse José Serra ganhar as
eleições. Nós estamos falando e não tem jeito. Eles podem processar e nós vamos
falar", atacou o deputado pedetista, para uma plateia de 2 mil militantes.
Paulinho
já foi processado quatro vezes por campanha antecipada e foi punido em duas,
com multa total de R$ 15 mil. "Por quê? Porque estamos falando a
verdade", justificou. Na saída do evento, perguntado sobre a possibilidade
de uma nova multa, admitiu: "É, tomei mais uma hoje." Em relação ao
Conclat, contemporizou. "Amanhã (hoje) vamos baixar o tom."
Para
tucano, centrais perderam 'capacidade de isenção'
"Eles
são discípulos do Lula, seguidores do Lula, tanto que as centrais foram
beneficiadas com recursos do imposto sindical. São assalariadas do
governo", reagiu o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) ao posicionamento dos presidentes da Força
Sindical, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, e da Central única dos
Trabalhadores (CUT), Artur
Henrique, que ontem partiram para o ataque contra o pré-candidato tucano
José Serra. De acordo com Madeira, é "lamentável" que, por sua
relação simbiótica com o PT, os sindicalistas tenham "perdido a capacidade
de isenção".
"Eles
não sabem separar a política das entidades representativas de segmentos do
trabalho. Acho lamentável que eles tenham perdido a capacidade de isenção, de
separar a política das entidades representativas de segmentos do
trabalho", disse. O deputado atribui aos dirigentes sindicais uma
"desonestidade intelectual" pelos ataques diretos à campanha tucana,
especialmente por afirmar que Serra "tiraria os direitos do trabalhador".
R7
Centrais
sindicais pedem votos para Dilma em evento
Sindicalistas
fizeram assembleia para definir reivindicações aos presidenciáveis
José Henrique Lopes
A
CUT (Central Única dos
Trabalhadores) e a Força Sindical aproveitaram a Assembleia Nacional dos
Movimentos Sociais, nesta segunda-feira (31) em São Paulo, para pedir votos
para a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. O encontro, convocado
pela CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais), que se declara neutra, foi
realizado na quadra do Sindicato dos Bancários de São Paulo.
O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, presidente da Força,
fez duras críticas ao pré-candidato do PSDB, José Serra, e exaltou feitos do
governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao discursar, Paulinho, que participou do evento como convidado e chegou a ser
vaiado quando foi anunciado, disse que as eleições deste ano colocarão em jogo
dois projetos para o país.
- Esse é um ano muito importante. Vamos ter de decidir se vamos continuar com
esse projeto do presidente Lula, que começa a desenvolver e fazer o Brasil
aparecer no mundo inteiro, ou vamos para outro projeto. E por isso os
movimentos sociais e os trabalhadores são importantes.
O deputado foi irônico ao dizer que, por se referir abertamente à pré-candidata
do PT, seria multado.
- Eu já tomei quatro processos e as centrais sindicais, também. [...] Eu tomei
quatro, perdi dois, cada um com R$ 7,5 mil de multa. Por que? Porque estamos
falando a verdade. Porque se a gente não falar fica aí esse sujeito [José
Serra] tentando ganhar a eleição.
Paulinho
chegou a dizer que, caso o PSDB chegue à Presidência, a sociedade brasileira
poderá viver um "conflito". O deputado criticou o tratamento dado
pelo governo de São Paulo às greves realizadas pelos professores da rede
estadual e pelos policiais civis e em vários momentos se referiu ao tucano como
"esse sujeito".
- Nós não podemos deixar esse José Serra ganhar as eleições. Os professores
foram para a greve e vocês viram como o governo de São Paulo tratou? Como é que
esse sujeito vai ser presidente da República? Vamos ter um conflito na
sociedade brasileira com esse sujeito lá. Para impedir que aconteça a gente tem
de derrotá-lo para aprender a tratar trabalhador.
Paulinho também se referiu ao crescimento de Dilma nas pesquisas, o que
atribuiu à presença da pré-candidata e do presidente Lula em eventos como as
festas do Dia do Trabalho, em 1º de maio, e em inserções partidárias do PT na
televisão e no rádio.
- Aqui em São Paulo a diferença da Dilma para o Serra era de 19 pontos. Em um
mês, baixamos para sete. Hoje tenho certeza que a Dilma já passou o Serra aqui.
Por isso temos de enfrentá-lo na rua para ganhar dele aqui em São Paulo. Por
isso é importante, com a unidade dos trabalhadores, dos movimentos sociais,
para a gente manter o projeto do presidente Lula e eleger a Dilma presidente do
Brasil.
Também em tom de campanha, o presidente
da CUT, Arthur
Henrique da Silva Santos, iniciou sua intervenção cumprimentando os
presentes com um jogo de palavras usando o nome da pré-candidata petista:
"Bom, Dilma" [Bom dia].
A exemplo de Paulinho, ele pediu votos para a pré-candidata do PT e criticou a
oposição por entrar com representações na Justiça eleitoral pedindo multas para
o PT por propaganda antecipada.
- O que eles estão tentando fazer é inviabilizar a candidatura
democrático-popular no tapetão do Judiciário.
Como exemplo, Santos
mencionou a crise do mensalão, ocorrida em 2005, como uma "tentativa de
golpe" contra o governo Lula. O presidente da CUT fez uma comparação entre as gestões do PT e do
PSDB, que segundo ele quer retornar ao Planalto para continuar com a política
de privatizações. Ele se referiu ao governo do PSDB em São Paulo como "o
governo PPPP: privatizações, presídios, pedágios e porrada nos movimentos
sociais e nos professores".
Santos ainda
criticou a criminalização dos movimentos sociais e defendeu a sequência de
projetos como o Bolsa Família e o Luz Para Todos, do governo Lula.
- Estamos precisando de uma... [em referência a Dilma]... De uma... De uma
mulher na Presidência para dar continuidade aos projetos sociais.
Pauta
A Assembleia Nacional dos Movimentos Sociais foi convocada para aprovar uma
pauta de reivindicações que será levada aos candidatos. O documento reúne um
amplo leque de demandas, que vão da reforma agrária à criação do Estado
palestino. A CMS também pede a aprovação do fim do fator previdenciário e do
reajuste de 7,7% para os aposentados, temas que aguardam a sanção do presidente
Lula, e defende a democratização dos meios de comunicação.
O projeto ainda critica a autonomia do Banco Central e defende um regime para a
exploração do petróleo do pré-sal totalmente estatal. A CMS é formada por 28
entidades, entre eles UNE (União Nacional dos Estudantes), MST (Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra) e CUT.
Mais
de 20 mil trabalhadores lutam por redução de jornada e aumento das
aposentadorias
Maiores sindicatos
do país aprovam documento com propostas ao próximo presidente
Ao
menos 20 mil trabalhadores e pessoas ligadas aos cinco maiores grupos sindicais
do país se reuniram nesta terça-feira (1º) no estádio do Pacaembu, em São
Paulo. O motivo era fazer coro às principais reivindicações dos sindicalistas:
a redução da jornada de trabalho de 44h para 40h semanais, o repasse mais justo
dos lucros das empresas, o reajuste das aposentadorias de 7,7% e o fim do fator
previdenciário.
Segundo
o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, no
encontro deve ser aprovado um documento com cerca de 250 reivindicações dos
trabalhadores. O projeto deve ser entregue ao próximo presidente da República,
após a eleição de outubro.
-
Esse documento não é partidário, mas uma reivindicação dos trabalhadores.
Qualquer um que saia vencedor [da eleição presidencial] vai ter que avaliar.
Participaram
da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora a Força Sindical, a CUT (Central Única dos
Trabalhadores), a CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil), a Nova
Central e a CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil).
As
propostas são divididas no documento em cinco grandes áreas, que vão da
distribuição de renda e do crescimento do mercado interno, até desenvolvimento
sustentável, integração nacional, política externa e direitos sindicais.
Entre
outras medidas, os sindicatos defendem a ampliação dos programas de habitação
para a baixa renda, a universalização da educação infantil e o acesso às
creches públicas, o estímulo da produção de genéricos, o fornecimento de
saneamento básico e água potável a todos os brasileiros entre outras medidas
das áreas de educação, saúde, habitação, infraestrutura e transferência de
renda.
Segundo
os sindicalistas, a conferência desta terça é um "momento histórico". Este é o
primeiro evento do tipo desde 1981, quando cerca de 5.000 pessoas se
encontraram na Praia Grande (litoral de SP) para debater propostas dos
trabalhadores.
Os sindicalistas esperavam ao menos 30 mil pessoas no Pacaembu nesta terça, mas a
chuva fina que caiu em quase toda a manhã afastou muita gente. Ao menos 600
ônibus, com trabalhadores de todos os Estados, passaram por lá .
Presidente
do PT em São Paulo evita pedir votos para Dilma, mas destaca liderança das
mulheres
Petista evitou
falar o nome da pré-candidata, mas defendeu continuidade do governo
José Henrique Lopes
Cinco
centrais sindicais realizam nesta terça-feira (1º) da Conferência Nacional da
Classe Trabalhadora, em São Paulo, onde foi aprovado um documento com as
reivindicações que seráo apresentadas aos três principais pré-candidatos à
Presidência.
Sem
citar o nome da petista Dilma Rousseff, o presidente do diretório estadual do
PT em São Paulo, Edinho Silva, destacou a importância do "protagonismo" das mulheres,
e defendeu a continuidade do governo Lula.
-
É preciso avançar ainda mais. Aprofundar as mudanças do governo Lula. É preciso
que a gente possa governar esse país para que todas as mulheres tenham direitos
respeitados, para que todas as mulheres sejam protagonistas.
Edinho
evitou pedir votos diretamente para a ex-ministra da Casa Civil e para o
pré-candidato do PT ao governo paulista, Aloizio Mercadante, após o DEM entrar
com quatro representações contra o partido no TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
por propaganda antecipada durante os eventos sindicais do Dia do Trabalho.
Além
do líder petista, o evento - que ocorre desde as 10h no estádio do Pacaembu, na
zona oeste - atraiu outros políticos da base aliada de Dilma, como o deputado
estadual Major Olímpio (PDT) - indicado para ser vice de Mercadante - a
deputada federal Luiza Erundina (PSB), entre outros.
Ontem,
o deputado federal Paulinho da Força (PDT) fez campanha abertamente para a
ex-ministra e atacou o pré-candidato do PSDB, José Serra, durante a Assembleia
Nacional dos Movimentos Sociais.
A
expectativa dos organizadores é reunir cerca de 30 mil trabalhadores na
conferência de hoje. Participam a CUT, a Força Sindical, a CTB, a CGTB e a Nova Central.
Militantes do MST e da UNE (União Nacional dos Estudantes) também estiveram
presentes.
G1
Centrais
sindicais aprovam agenda comum com propostas a candidatos
Segundo a CUT, evento reuniu 22 mil
no Estádio do Pacaembu, em SP. Dirigentes de principais centrais, CUT e Força, apoiam
candidatura do PT.
Trabalhadores
ligados a cinco centrais sindicais - CUT, Força Sindical, CTB, Nova Central e CGTB -, aprovaram nesta
terça-feira (1º), em São Paulo, um documento único chamado de "Agenda da
Classe Trabalhadora" a ser entregue aos candidatos à Presidência da
República após a oficialização das candidaturas - as convenções partidárias
para definição dos candidatos ocorrerão neste mês.
Entre
as propostas estão redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais;
legislação para inibir as demissões em massa, nos moldes da convenção 158 da
Organização Internacional do Trabalho (OIT); e assento para trabalhadores e
empresários no Conselho Monetário Nacional, órgão que estabelece a política
monetária no país.
Segundo
a CUT, o evento
reuniu na Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat) cerca de 22 mil
pessoas de todo o país no Estádio do Pacaembu. Foi a primeira reunião das
centrais desde 1981. A primeira Conclat ocorreu em agosto de 1981 na Praia
Grande (SP) e reuniu cerca de 5 mil pessoas.
Em
entrevista ao G1 antes do evento, a Força Sindical negou que o evento fosse em prol
de candidaturas específicas, embora o presidente da entidade, o deputado
federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, tenha se manifestado a
favor da candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff (PT).
"O
mais importante desse evento é que conseguimos fazê-lo (juntar as centrais).
Discutimos um documento único que amanhã será aperfeiçoado com propostas de
governo que queremos entregar para os candidatos. (...) Na Força Sindical, a
maioria dos militantes vai apoiar a Dilma. Mas das nove pessoas que vão falar
[no evento], duas são do PSDB. A Força não vai decidir apoiar ninguém. Mas
particularmente as pessoas vão apoiar, individualmente", afirmou o
deputado e presidente da Força.
A
Central Única de
Trabalhadores (CUT), ao contrário da Força, afirmou que o posicionamento
político da entidade não será escondido.
A
CUT tem uma visão
muito clara, de que é preciso manter a independência das centrais e por isso
queremos intervir nas eleições. O pior a fazer é ficar em cima do muro." Arthur Henrique Silva, presidente da CUT
"Na
CUT fizemos esse
debate e ainda não nos posicionamos porque as candidaturas não são oficiais.
Nosso objetivo é impedir o retrocesso, que para a CUT é o retorno do PSDB, DEM e PPS. Impedir o
retrocesso e a falta de diálogo com o movimento sindical, como o que vimos nos
oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso. (...) A CUT tem uma visão muito clara, de que é
preciso manter a independência das centrais e por isso queremos intervir nas
eleições. O pior a fazer é ficar em cima do muro", afirmou o presidente da CUT, Arthur Henrique Silva.
O
presidente da CUT
disse ainda que, apesar do posicionamento, todos os candidatos receberão a
agenda dos trabalhadores. Ele afirmou que ainda não foi definido quando, mas a
entrega deve ocorrer individualmente aos candidatos após oficialização das
candidaturas nas convenções partidárias. "Tem um principal elemento que é
ser uma pauta, uma agenda que vai servir para pressionar o próximo governo para
continuar o processo que está acontecendo."
De
acordo com Arthur Henrique,
o documento foi feito após resoluções aprovadas em cada uma das centrais em
seus congressos. Nos últimos três meses, o Departamento Intersindical de
Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) juntou as informações e
coordenou reuniões entre os representantes das centrais.
Site do
PT
Assembléia
Nacional das centrais aprova Agenda da Classe Trabalhadora
Com
a presença de mais de 22 mil trabalhadores e trabalhadoras de todo o Brasil, a
Assembleia Nacional da Classe Trabalhadora, realizada por cinco centrais
sindicais, aprovou nesta terça-feira (1) a Agenda da Classe Trabalhadora,
documento unificado das centrais sindicais com propostas políticas e econômicas
que os trabalhadores querem ver implementadas no Brasil no próximo período.
"Nosso
maior desafio é não permitir o retrocesso, a volta daqueles que implementaram
as políticas neoliberais na década de noventa", disse Artur Henrique, presidente da CUT antes
de abrir a votação da proposta.
Rede
Brasil Atual
Centrais
olham para o futuro sem esquecer governo tucano
Conferência reúne
22 mil pessoas e aprova 249 propostas para apresentar aos pré-candidatos à
Presidência da República
João Peres e Suzana
Vier
São
Paulo - As cinco centrais sindicais que organizaram a Conferência Nacional da
Classe Trabalhadora aprovaram, no início da tarde desta terça-feira (1º), no
estádio do Pacaembu, as reivindicações que serão levadas aos pré-candidatos à
Presidência da República. São 249 propostas, divididas em seis eixos.
Mas
além de olhar para o futuro, os 22 mil participantes da Conferência - segundo
os organizadores - também defenderam o governo Lula e lembraram do
passado. Nem tanto pelo 1º Conclat, em 1981, ainda sob ditadura, mas
principalmente pela década de 1990, com o governo de Fernando Henrique Cardoso
(1995 a 2002) e o modelo neoliberal implantado no período.
Para
o presidente da CUT,
Artur Henrique, a
união das centrais é histórica. "Agora os trabalhadores participam e são
ouvidos pelo governo e por isso conquistamos itens como a valorização do
salário mínimo e redução na tabela do imposto de renda. O governo anterior e o
de São Paulo têm visões preconceituosas do movimento sindical. Éramos recebidos
com a polícia e a tropa de choque", critica.
"É
tempo de democracia, em que os trabalhadores podem se reunir neste estádio
para defender os mesmos pontos de vista e a mesma plataforma", disse o
presidente nacional do PCdoB, Renato Rebelo.
No
mesmo tom, a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) ressaltou o bom momento
dos trabalhadores, que agora podem influenciar nas decisões políticas. Ela
considera que é o momento de refletir sobre a continuidade do atual modelo ou a
volta do modelo anterior. "A história do PSDB em São Paulo e no Brasil
nunca ajudou os setores populares. Hoje estamos exatamente contra essas forças
conservadoras, alinhadas com o capital", destacou.
O
secretário de Relações
Internacionais da CUT, João Felicio, comparou a mudança de postura internacional em
relação aos sindicatos brasileiros. "Antes éramos chamados a outros países
para falar sobre o neoliberalismo. Agora, falamos das conquistas dos
trabalhadores e da nossa participação na vida política." Para ele, no
próximo governo será necessário caminhar para uma redução mais forte das
desigualdades salariais.
"O
atual governo foi positivo ao dar espaço aos movimento sociais", elogiou o
integrante da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem
Terra (MST), João Paulo Rodrigues. "Não há como comparar os dois governos.
O anterior foi o da repressão, foi o que há de pior na politica neoliberal",
acusou.
No
entanto, João Paulo também não poupou o governo Lula. Para isso, pondera,
basta indicar que os investimentos destinados ao agronegócio são seis
vezes maiores que os dedicados à agricultura familiar. "Um tema que temos
chamado atenção é para a compra de terras por estrangeiros. Em área de
fronteira, isso representa um risco para a nossa soberania", disse,
cobrando do próximo governo desapropriações de latifúncios improdutivos e
aumento na distribuição do crédito para pequenos produtores.
Além
da CUT, Força
Sindical e CTB, a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e Nova
Central Sindical dos Trabalhadores (NCST) também organizaram o evento. A única
das centrais reconhecidas que fica de fora é a União Geral dos Trabalhadores
(UGT), por ter dirigentes ligados ao DEM e ao PPS - aliados da pré-candidatura
de José Serra (PSDB) - em seus quadros e não ter posição unitária para a
eleição presidencial.
O
documento a ser apresentado aos pré-candidatos tem, em linhas gerais, as mesmas
bases defendidas nos discursos feitos no Pacaembu: de que houve conquistas, mas
é preciso seguir avançando. Embora as centrais tenham definido apoio à
pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, todos os concorrentes das eleições
presidenciais de outubro receberão as propostas. "Esse documento não é
partidário, mas uma reivindicação dos trabalhadores. Qualquer um que saia
vencedor vai ter que avaliar", afirmou Paulo Pereira da Silva,
presidente da Força Sindical.
O dia
O
evento no Pacaembu começou pela manhã com uma leve garoa. Dezenas de ônibus
vieram de várias partes do país trazendo trabalhadores de milhares de
sindicatos - a organização estima que 5 mil organizações estavam representadas.
Aos poucos os trabalhadores foram chegando ao estádio e se acomodando nas arquibancadas,
já que o gramado estava com acesso restrito.
Um
palco foi montado em frente ao chamado Tobogã. Durante toda a manhã,
representantes dos trabalhadores ressaltaram as principais bandeiras para os
próximos anos e as conquistas dos últimos tempos. A CUT levou a maior delegação, tomando conta
da arquibancada do setor laranja do estádio.
Dirigentes
sindicais apontam monopólio da mídia como risco para Dilma
José Lope Feijóo, da CUT, defende ampliação
no número de veículos de comunicação como forma de dar voz a outros setores da
sociedade
João Peres
São
Paulo - Dirigentes sindicais participantes da Conferência Nacional da Classe
Trabalhadora apontam o monopólio da mídia como arma do pré-candidato José Serra
(PSDB), para tentar impedir a vitória da pré-candidata do PT à Presidência da
República, Dilma Rousseff.
João Felício, secretário de Relações
Internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), lamenta que a
gestão Lula, com mais de 80% de aprovação popular, seja tão desprezada pela
mídia. Ele considera que isso é fruto da concentração da comunicação na mão de
poucas famílias (Civita - Abril, Mesquita - Estado, Frias - Folha, Marinho -
Organizações Globo), um quadro que precisa ser revertido para dar voz a toda a
sociedade.
"Se
você analisar bem o papel que a mídia tem cumprido nos últimos anos, é um papel
que não contribui para a consolidação da democracia. Temos apenas uma classe
que se expressa através dos grandes veículos de comunicação. Nós, que somos a
classe trabalhadora, não temos o direito de expressão", lamenta.
José Lopez Feijóo, vice-presidente da CUT,
concorda que discutir a democratização da comunicação é discutir o próprio
sistema político do país. Ele defende, além da ampliação do número de veículos,
que a sociedade passe a ter direito a voz dentro dos meios. "Estamos assistindo
a uma mídia de pensamento único engajada num linguajar e num projeto da elite
brasileira onde não há espaço para que as organizações da sociedade civil se
expressem. Isso é antidemocrático", argumenta.
Em
conversa recente com a Rede Brasil Atual, o sociólogo Emir Sader ressaltou que
os veículos de maior penetração na sociedade estão todos alinhados aos tucanos.
"Parecem intermediários viciados no diálogo entre o presidente mais popular que
o Brasil já teve e a massa, a cidadania", pontuou ao falar sobre o fracasso da
política de comunicação do atual governo.
Conferência
teve participação de famílias de trabalhadores
Trabalhadores
levaram familiares para decidir agenda dos trabalhadores para as eleições 2010
Suzana Vier
São
Paulo - A Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, reuniu, além de
militantes, trabalhadores e familiares no estádio do Pacaembu, na capital
paulista. O encontro marcou a aprovação, nesta terça-feira (1º), da agenda dos
trabalhadores para as eleições de 2010.
A
dona de casa Maria Souza Lima e o encanador Gilmar dos Santos, de Sertãozinho
(SP), decidiram levar a filha de 6 anos. "É importante lutar pelo lado do
trabalhador", diz a dona de casa. A viagem de quatro horas com a criança
não foi um problema. "Ela fez questão de vir conosco e já começa cedo o
aprendizado", orgulha-se Maria.
De
Buri (SP), os agricultores Clarice e Moisés Ribeiro levaram a filha de um ano,
Taís. Eles destacam o interesse em lutar pela reforma agrária. "Ela ainda
está mamando, mas nossa luta pela reforma agrária é muito importante",
diz.
Selma
Regina Amorim viajou por 25 horas, com o filho de 12 anos, para a conferência.
Ela cita a emoção de participar de uma atividade "histórica".
"Toda nossa delegação participa pela primeira vez de uma atividade como
esta, que é histórica", afirma.
Crítica
Além
do aspecto familiar, o momento de definição das reivindicações a serem
apresentadas aos pré-candidatos à presidência da República também abriu espaço
para críticas à organização do trabalho.
A
Confederação Nacional dos
Trabalhadores na Alimentação Cutista (Contac) levou para o estádio uma
cena inusitada, protagonizada por dois personagens: um frango que empurrava um
doente em cadeira de rodas. O protesto usou símbolos da campanha contra doenças
profissionais causadas pelas indústrias avícolas.
"O
animal sadio empurrando o trabalhador doente mostra a realidade de 25% de
trabalhadores das indústrias avícolas que estão doentes", esclarece
Siderlei de Oliveira, presidente da confederação.
Tribunadonorte.com.br
(Rio Grande do Norte)
Centrais sindicais pregam
continuidade do governo
Cinco
centrais sindicais - Força, CUT,
CGTB, CTB e Nova Central - pregaram ontem, na assembleia da Conferência
Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), em São Paulo, a continuidade do
governo Lula e alertaram para um "retrocesso", em clara referência ao
pré-candidato tucano à Presidência, José Serra. O evento, pago pelo imposto
sindical, que desconta um dia de salário por mês de todos os trabalhadores com
carteira assinada, custou pelo menos R$ 800 mil, segundo o deputado Paulo
Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical.
O
objetivo, cumprido, era o de aprovar a Agenda da Classe Trabalhadora, que será
entregue aos três presidenciáveis. São quase 300 demandas a serem cumpridas
pelo vencedor das eleições. Ao todo, R$ 135 mil foram empenhados para o aluguel
do Estádio do Pacaembu e R$ 35 mil para o pagamento da Companhia de Engenharia
de Tráfego de São Paulo para coordenar o trânsito. O restante - R$ 630 mil -
foi para a infraestrutura, como palco, som e transporte de militantes.
De acordo com o deputado, somente a Força Sindical pagou 500 passagens de avião
para dirigentes virem das regiões Norte e Nordeste do País. As demais centrais
também admitiram ter pago por transporte aéreo. A CUT disse que não divulgaria dados e valores de
logística. Mesmo com o investimento pesado das centrais para um megaevento, o
público foi apenas a metade do esperado. Segundo a Guarda Civil Metropolitana,
15 mil compareceram, metade dos 30 mil esperados.
A reserva inicial, de acordo com as centrais, era de 13 mil lugares para
militantes da CUT e
11 mil para os da Força. Os demais seriam divididos em blocos menores entre as
outras três centrais. No entanto, o Pacaembu teve uma manhã e um início de
tarde com muitos lugares vazios.
Os militantes e dirigentes sindicais, vindos de todos os Estados do País,
receberam lanches na porta do estádio e ouviram dezenas de discursos de
sindicalistas - a maioria para evitar o "retrocesso", alguns citando
nominalmente a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e outros em
defesa aberta da pré-candidata petista Dilma Rousseff.
O presidente do PT paulista, Edinho Silva, assumiu o microfone falando "em nome
do companheiro José Eduardo Dutra", presidente do PT nacional. Delineou o
cenário eleitoral, com rasgados elogios a Lula, e disse que "é preciso avançar
ainda mais e aprofundar as mudanças do governo".
"O Brasil não pode ter retrocesso", afirmou, em referência ao governo tucano.
"Não pode conviver novamente com o desmanche do Estado. Não pode conviver
novamente com a submissão de seus interesses. Se vamos avançar ou não, isso
cabe a cada um de nós." Empenhado na campanha do senador Aloizio Mercadante
(PT-SP) ao Palácio dos Bandeirantes, Edinho afirmou ainda que "é preciso fazer
no Estado de São Paulo o mesmo que o presidente Lula fez no Brasil".
Oamigosdopresidentelula.blogspot
Encontro
de Trabalhadores aprova pauta de reivindicações e avalia governos e rumos de
cada candidatura
As
cinco centrais sindicais que organizaram a CONCLAT (Conferência Nacional da
Classe Trabalhadora) aprovaram, no início da tarde desta terça-feira (1º), no
estádio do Pacaembu, as reivindicações que serão levadas aos pré-candidatos à
Presidência da República. São 249 propostas, divididas em seis eixos.
Os 22 mil participantes da Conferência - segundo os organizadores - fizeram
também uma avalização da conjuntura do governo Lula, do governo anterior de
FHC, e dos projetos de governo que se apresentam para para 2011.
Para o presidente da CUT,
Artur Henrique, a
união das centrais é histórica. "Agora os trabalhadores participam e são
ouvidos pelo governo e por isso conquistamos itens como a valorização do
salário mínimo e redução na tabela do imposto de renda. O governo anterior e o
de São Paulo têm visões preconceituosas do movimento sindical. Éramos recebidos
com a polícia e a tropa de choque", critica.
A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) ressaltou o bom momento dos
trabalhadores, que agora podem influenciar nas decisões políticas. Ela
considera que é o momento de refletir sobre a continuidade do atual modelo ou a
volta do modelo anterior. "A história do PSDB em São Paulo e no Brasil
nunca ajudou os setores populares. Hoje estamos exatamente contra essas forças
conservadoras, alinhadas com o capital", destacou.
"O atual governo foi positivo ao dar espaço aos movimento sociais",
elogiou o integrante da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues. "Não há como comparar os
dois governos. O anterior foi o da repressão, foi o que há de pior na política
neoliberal", acusou. No entanto, fez críticas também ao governo Lula,
quanto ao agronegócio e compra de terras por estrangeiros, cobrando do próximo
governo mais desapropriações de latifúndios improdutivos e aumento na
distribuição do crédito para pequenos produtores.
O documento a ser apresentado aos pré-candidatos tem, em linhas gerais, as
mesmas bases defendidas nos discursos feitos no Pacaembu: de que houve
conquistas, mas é preciso seguir avançando. Embora as centrais tenham definido
apoio à pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, por identificar maior alinhamento
com a pauta dos trabalhadores, todos os concorrentes das eleições presidenciais
de outubro receberão as propostas. "Esse documento não é partidário, mas
uma reivindicação dos trabalhadores. Qualquer um que saia vencedor vai ter que
avaliar", afirmou Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical.
Brasiliaconfidencial.inf.br
Centrais
unificam agenda para ampliar conquistas obtidas com Lula
Mais
de 20.000 trabalhadores mobilizados pelas cinco maiores centrais sindicais
aprovaram ontem, em São Paulo, uma agenda unificada de reivindicações ao
próximo governo. Composta por 249 itens, a Agenda da Classe Trabalhadora será
apresentada aos três principais pré-candidatos à Presidência da República -
Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) -, mas os líderes
das centrais reafirmaram que estarão em campanha, neste ano, contra o retorno
do PSDB e do DEM (ex-PFL) ao comando do governo.
"Nosso
maior desafio é não permitir o retrocesso, a volta daqueles que implementaram
as políticas neoliberais na década de noventa", discursou o presidente da Central única dos
Trabalhadores (CUT), Arthur
Henrique.
"Vamos
querer continuar avançando ou voltar a um passado de desemprego e
desesperança?", perguntou ao público o líder metalúrgico Miguel Eduardo Torres,
que defendeu a continuidade do projeto do Governo Lula.
No
manifesto que abre a Agenda da Classe Trabalhadora, as centrais declaram que "a
eleição de outubro, marcada pela disputa entre distintos projetos políticos, é
uma singular oportunidade para selarmos compromissos com o avanço das
transformações necessárias à construção de um país igualitário e democrático.
Por isso é fundamental elegermos candidatos comprometidos com as bandeiras da
classe trabalhadora".
Em
debate desde janeiro, a agenda unificada das centrais sindicais está dividida
em seis eixos considerados estratégicos: crescimento econômico com distribuição
de renda e fortalecimento do mercado interno; valorização do trabalho decente
com igualdade e inclusão social; valorização do papel do Estado como promotor
do desenvolvimento socioeconômico e ambiental; democracia com efetiva
participação popular; soberania e integração internacional e garantia dos
direitos sindicais e das negociações coletivas.
Os
eixos incluem tópicos como a redução da jornada semanal de trabalho para 40
horas; o estabelecimento de limites às grandes propriedades rurais; a
atualização dos índices de produtividade; a universalização do ensino público e
dos serviços de saúde; o aumento do salário mínimo; reformas agrária,
tributária e política; fim das terceirizações e do fator previdenciário, entre
outros pontos.
Além
de exaltarem a construção da agenda unificada, os líderes sindicais comemoraram
a realização da assembleia nacional - sem precedentes em quase três décadas.
"Se
isso aqui acontecesse em 90, nós ainda estaríamos brigando contra o governo
para impedir as privatizações", observou Antonio Neto, presidente da
Confederação Geral dos Trabalhadores do Brasil.
PRESIDENTE
ESPERA VOTAÇÃO IMEDIATA DA REDUÇÃO DA JORNADA
O
presidente Lula afirmou ontem, em discurso a trabalhadores da Volkswagen em São
Bernardo do Campo (SP), que encerrará o mandato com a convicção de que, em seu
governo, o movimento sindical só não conquistou aquilo que ele não reivindicou.
Disse também que espera ver aprovada pelo Congresso a proposta de emenda
constitucional que reduz a jornada semanal de trabalho, de 44 para 40 horas.
"Eu
espero que seja votada logo, logo, para que os trabalhadores possam ter mais
tempo para ficar em casa, para estudar, para cuidar da família, para relaxar,
para descansar. E que essa redução da jornada possa significar a possibilidade
de contratação de mais trabalhadores, para que a gente possa distribuir mais
renda no nosso país".
Rádio Web
- Jornal Brasil Atual
Conferência
aprova agenda da classe trabalhadora
CUT, CGT, FORÇA SINDICAL, NOVA CENTRAL
E CTB realizaram nesta terça-feira no Pacaembu em SP, a Conferência Nacional da
Classe Trabalhadora. A assembléia aconteceu depois de 29 anos da 1ª Conclat,
até então a principal reunião do sindicalismo brasileiro. Para ouvir acesse:
http://bit.ly/aLYXbG
Sucateamento do ensino público em São
Paulo
Maria Izabel Noronha, presidenta da
Apeoesp, fala sobre a proposta do governo de terceirizar o ensino de línguas na
rede pública. Para ouvir acesse:
http://bit.ly/dhARNL