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Clipping 02/06/10

Escrito por William Pedreira
02/06/2010

Edição nº 1599 quarta, 02 de junho de 2010
Fechamento: 09:00


Edição número 1599 quarta-feira, 02 de junho de 2010

 

Fechamento: 09h00

 

Veículos Pesquisados:

 

Clipping CUT é um trabalho diário de captação de notícias realizado pela equipe da

Secretaria Nacional de Comunicação da CUT. Críticas e sugestões com

Leonardo Severo (leonardo@cut.org.br)

Isaías Dalle (isaias@cut.org.br)

Paula Brandão (paula.imprensa@cut.org.br)

Luiz Carvalho (luiz@cut.org.br)

William Pedreira (william@cut.org.br)

Secretária de Comunicação: Rosane Bertotti (rosanebertotti@cut.org.br)




O Estado de S.Paulo



O neopeleguismo (Editorial)

Ao se colocarem a serviço direto, sem disfarces, da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República, a infração legal menos grave que as centrais sindicais cometeram foi a "antecipação" da campanha presidencial, até porque nem a Força Sindical nem a CUT foram as primeiras a fazê-lo. Mais grave foi a debochada afronta que o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, lançou à Justiça Eleitoral, ao afirmar que de nada adiantaria ser processado de novo - já teve quatro processos e duas condenações -, pois "continuaria a falar". E falou, tanto para dizer que não se pode deixar "esse sujeito" (referindo-se ao candidato tucano José Serra) se tornar presidente da República, porque ele "vai tirar os direitos do trabalhador", "vai mexer no Fundo de Garantia, nas férias, na licença-maternidade", como para defender a continuidade do governo Lula, com a eleição de Dilma Rousseff.

Deixe-se de lado a falta de compostura e as agressões destemperadas do deputado-sindicalista Paulinho ao candidato Serra. Talvez essa tenha sido a forma que ele encontrou para superar as vaias com que foi recebido na assembleia da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), composta por CUT, UNE, MST e outras entidades, e da qual a Força Sindical não faz parte. E, no entanto, a legislação proíbe, expressamente, a participação de sindicatos em campanhas eleitorais. E a reunião da CMS era apenas uma preparação para a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), realizada terça-feira pelas cinco centrais sindicais (Força, CUT, CTB, CGTB e Nova Central), com o objetivo de, a pretexto de apresentar pautas reivindicatórias aos presidenciáveis, apoiar a candidata oficialista à Presidência da República - em mais um desrespeito flagrante à legislação eleitoral.

A participação aberta de entidades sindicais na campanha eleitoral é apenas uma consequência do total atrelamento do sindicalismo ao Estado, consumado no governo do ex-sindicalista Lula. O peleguismo nascido do Estado Novo getulista e que pareceu definitivamente extinto com a renovação do movimento sindical ocorrida no ABC paulista, conduzida pelo líder metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, voltou agora sob a forma aperfeiçoada do chamado neopeleguismo de cooptação. Explica bem esse fenômeno o cientista político Rubens Figueiredo que, em entrevista ao Estado (1.º/6), classificou o Brasil como um raro exemplo de país capitalista onde o sindicalismo está a favor do Estado.

Recorda Figueiredo que, durante o processo de redemocratização, os sindicatos representaram uma força importante de resistência da sociedade e estavam afastados do Estado. Com a ascensão do PT e de Lula ao poder, houve um processo de cooptação, principalmente, das Centrais Sindicais pelo Estado, que passou a destinar-lhes polpudas quantias de dinheiro. "Mesmo centrais que antes dificilmente se alinhavam, como a CUT e a Força Sindical, que lá atrás era chamada de pelega, hoje se alinham na defesa do governo. E, do ponto de vista de ocupação do Estado, há uma quantidade imensa de ex-sindicalistas e até de sindicalistas em atividade que fazem parte dos órgãos de direção do Estado", arremata o cientista político.

Estamos, pois, em plena "República sindicalista" - não a sonhada por João Goulart nem a inspirada por ideologias, mas uma com motivações mais vulgares, argentárias e de compadrio. "Os quadros que o PT foi buscar para administrar o Brasil vieram dos sindicatos. E esses sindicatos ocupam hoje postos-chave, por exemplo, nos fundos de pensão, que são as instituições econômicas com maior liquidez no Brasil. Eles movimentam volume expressivo de dinheiro. Então, houve a ascensão do sindicalismo aos núcleos de decisão do Estado", analisa Rubens Figueiredo.

O problema do atrelamento do sindicalismo ao Estado é que um regime desse tipo, cujo exemplo clássico é o corporativismo fascista, bem cedo se torna incompatível com o Estado Democrático de Direito. E isso começa pelo desprezo às leis e à Justiça - aquilo que o Paulinho da Força não se cansa de fazer.


Centrais gastam R$ 800 mil do imposto sindical para pedir voto contra Serra
Valor foi usado para pagar evento realizado ontem no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, com objetivo de aprovar Agenda da Classe Trabalhadora e pregar a continuidade do governo Lula; das 30 mil pessoas esperadas, apenas metade compareceu

Roberto Almeida (Brasil)

Cinco centrais sindicais - Força, CUT, CGTB, CTB e Nova Central - pregaram ontem, na assembleia da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), em São Paulo, a continuidade do governo Lula e alertaram para um "retrocesso", em clara referência ao pré-candidato tucano à Presidência, José Serra.

O evento, pago pelo imposto sindical, que desconta um dia de salário ao ano de todos os trabalhadores com carteira assinada, custou pelo menos R$ 800 mil, segundo o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical.

O objetivo, cumprido, era o de aprovar a Agenda da Classe Trabalhadora, que será entregue aos três presidenciáveis. São quase 300 demandas a serem cumpridas pelo vencedor das eleições.

Ao todo, R$ 135 mil foram empenhados para o aluguel do Estádio do Pacaembu e R$ 35 mil para o pagamento da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo para coordenar o trânsito. O restante - R$ 630 mil - foi para a infraestrutura, como palco, som e transporte de militantes.

De acordo com o deputado, somente a Força Sindical pagou 500 passagens de avião para dirigentes virem das regiões Norte e Nordeste do País. As demais centrais também admitiram ter pago por transporte aéreo. A CUT disse que não divulgaria dados e valores de logística.

Mesmo com o investimento pesado das centrais para um megaevento, o público foi apenas a metade do esperado. Segundo a Guarda Civil Metropolitana, 15 mil compareceram, metade dos 30 mil esperados.

A reserva inicial, de acordo com as centrais, era de 13 mil lugares para militantes da CUT e 11 mil para os da Força. Os demais seriam divididos em blocos menores entre as outras três centrais. No entanto, o Pacaembu teve uma manhã e um início de tarde com muitos lugares vazios.

Microfone aberto. Os militantes e dirigentes sindicais, vindos de todos os Estados do País, receberam lanches na porta do estádio e ouviram dezenas de discursos de sindicalistas - a maioria para evitar o "retrocesso", alguns citando nominalmente a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e outros em defesa aberta da pré-candidata petista Dilma Rousseff.

O presidente do PT paulista, Edinho Silva, assumiu o microfone falando "em nome do companheiro José Eduardo Dutra", presidente do PT nacional. Delineou o cenário eleitoral, com rasgados elogios a Lula, e disse que "é preciso avançar ainda mais e aprofundar as mudanças do governo".

"O Brasil não pode ter retrocesso", afirmou, em referência ao governo tucano. "Não pode conviver novamente com o desmanche do Estado. Não pode conviver novamente com a submissão de seus interesses. Se vamos avançar ou não, isso cabe a cada um de nós."

Empenhado na campanha do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) ao Palácio dos Bandeirantes, Edinho afirmou ainda que "é preciso fazer no Estado de São Paulo o mesmo que o presidente Lula fez no Brasil". "É hora de os trabalhadores mais uma vez mostrarem sua força. O avanço só depende de nós", finalizou.

Esvaziamento. O que era para ser o ápice da Conclat - a aprovação da Agenda do Trabalhador, documento chave do evento - acabou de maneira esvaziada. Boa parte do público já havia deixado o Estádio do Pacaembu antes mesmo dos discursos dos presidentes das centrais.

"Companheiros, acho que hoje, embora muita gente já saiu do estádio, nós temos que comemorar aqui esta unidade", afirmou Paulinho, na abertura de seu discurso, já no início da tarde.

A fala do presidente da Força foi "mais mansa" - como ele mesmo definiu -, em comparação à do dia anterior, em que aplicou uma saraivada de golpes em Serra diante de uma plateia composta por movimentos sociais, no centro de São Paulo. E saiu admitindo uma multa eleitoral.

Dessa vez, Paulinho concentrou seus esforços "nas vitórias do trabalhador" e "nas negociações com o presidente Lula". "Essa conferência tem um objetivo muito claro de entregá-la (a Agenda da Classe Trabalhadora) aos candidatos à Presidência. Dizia a grande imprensa nacional que iríamos fazer aqui um dia de política. Estamos hoje aprovando uma pauta, de um modelo de Brasil que nós queremos", esquivou-se Paulinho, para em seguida cantar o Hino à Bandeira.

Artur Henrique, presidente da CUT, que disse antes de discursar que "manteria a língua afiada", foi mais incisivo. "O maior desafio é não permitir o retrocesso, que nós tenhamos em nosso País a volta daqueles que foram, os responsáveis pela crise", discursou, citando FHC.

Raio - x
A estrutura da Agenda da Classe Trabalhadora
6 eixos estratégicos
Distribuição de renda e mercado interno
Valorização do trabalho e inclusão social
Estado e desenvolvimento ambiental
Democracia e participação popular
Soberania e integração nacional
Sindicalismo e negociação coletiva

290 propostas
(As principais)
Descriminalizar o aborto
Aumentar o valor dos benefícios sociais
Implantar o imposto sobre grandes fortunas e heranças
Extinguir o fator previdenciário
Garantir que os recursos do pré-sal sejam usados na área social
Dar a trabalhadores participação em agências reguladoras
Fazer a reforma política
Dar direito irrestrito de greve a servidores públicos
Reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais


UGT, por influência do PPS, fica ausente da festa

Marcelo Rehder (Brasil)

As divergências político-partidárias dentro das centrais sindicais impediram que a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), realizada ontem no Estádio do Pacaembu, na capital paulista, se transformasse em um ato explícito pró Dilma Rousseff, a pré-candidata do governo Lula à Presidência da República. Embora os organizadores tenham festejado a unidade das centrais, o movimento não foi unânime.

Sob a alegação de que a Conclat seria usada como palanque para fazer campanha em favor da pré-candidata do governo, militantes do PPS e do DEM na União Geral dos Trabalhadores (UGT), presidida por Ricardo Patah, articularam e conseguiram evitar que a central participasse do evento.

Para desespero da direção da UGT, a corrente que apoia a candidatura do tucano José Serra saiu vitoriosa de uma plenária que decidiu pela não participação da central na conferência. Foi a única baixa entre as seis centrais reconhecidas pelo Ministério do Trabalho.

Mas as divisões começaram com a posição da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que insistia na ida do presidente Lula e de Dilma Rousseff ao evento. A CUT trabalhou por isso até o fim, mas as divergências entra as centrais acabaram por minar a articulação do presidente da entidade, Arthur Henrique.

"Nem na Força Sindical havia unidade para trazer a Dilma", disse o presidente da central, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. "A CUT recuou dessa posição e conseguimos fazer um evento puramente sindical".

Para Artur Henrique, da CUT, o fato de a UGT ter ficado de fora não significa que houve racha no movimento sindical. "Somos cinco centrais que reunidas representamos 95% dos trabalhadores associados. A UGT representa só 5%".

O presidente da CUT também afirmou que a unanimidade do movimento sindical não quer o retrocesso, referindo-se à volta do PSDB ao governo federal. "Agora, quem vai ser apoiado pelas centrais, cada uma tem autonomia e vai discutir nas suas instâncias".

Sobrou até para o prefeito Gilberto Kassab (DEM), aliado político de Serra. Sindicalistas se queixaram de que o prefeito havia prometido não cobrar nada pelo uso do Pacaembu, mas no final tiveram de pagar R$ 130 mil.


'Lula, fora da Presidência, seria mais poderoso que nunca'
Entrevista: Leôncio Martins Rodrigues, professor titular aposentado da USP e da Unicamp

Guilherme Scarance (Política)

A cooptação de entidades sindicais faz parte dos esquemas populistas, diz Leôncio Martins Rodrigues, autor de Destino do Sindicalismo e professor titular aposentado da USP e da Unicamp. "Basta lembrar Getúlio e Perón", afirma o cientista político, lembrando que, no Brasil, nos quadros desse corporativismo criado pela Constituição de 1988, "o Estado sustenta os sindicatos". Ele cita um cenário em que a formação de uma só entidade sindical gigante poderia ter no presidente Lula "o grande chefe".

No ano passado, apenas a CUT embolsou R$ 26,7 milhões originários da partilha do imposto sindical. Como o sr. vê o fato de as centrais, cada vez mais cooptadas pelo governo por meio de repasses oficiais, reunirem uma multidão para um ato com forte conotação político-eleitoral?
A intensa e ampla cooptação de chefias e entidades sindicais por parte do governo não é uma novidade na história política do nosso e de outros países. Faz parte dos esquemas populistas. Basta lembrar Getúlio e Perón. Sindicalismo e política estão sempre próximos. Mas há várias diferenças nesse conúbio. Nos países centrais, frequentemente, eram os sindicatos que financiavam os partidos. O caso do Partido Trabalhista Britânico, criado pela Trade Union Congress (central sindical britânica) é um dos mais paradigmáticos. Os sindicatos sobrevivem pela cotização de seus membros. No Brasil, nos quadros desse corporativismo sui-generis criado pela Constituição de 1988, na aparência, o Estado sustenta os sindicatos. Na realidade, legaliza a retirada compulsória dos salários dos trabalhadores do mercado formal de trabalho (sindicalizados ou não) e os repassa às chefias dos sindicatos únicos, quer dizer, a entidades sem concorrência que tem o monopólio da representação. Como o modelo do sindicato único permanece, há uma diferença essencial com relação a outros países: se os sindicatos corporativos vivem da contribuição de todos os empregados de diferentes ideologias, devem representar a todos. Não são sindicatos ideológicos e, portanto, formalmente, não podem apoiar candidatos, participar das disputas partidárias porque arrecadam dinheiro de trabalhadores de variadas posições políticas.

Como o sr. vê a união de CUT e Força em torno da candidatura Dilma? Essa reedição da Conclat tem conotação ideológica ou visa simplesmente a garantir a continuidade dos repasses, das vantagens e da interlocução com o governo federal?
Uma vez que a Força Sindical e a CUT foram adversários históricos, é óbvio que a aproximação entre elas não tem nada de programático ou ideológico. Essa afirmação vale para as outras centrais que eram rivais da CUT. É visível o esforço de seus dirigentes - alguns que já estiveram próximos do PSDB - para se legitimarem perante o PT e serem bem-aceitos pelos cutistas. A forte distribuição proporcional de recursos para todas elas e a ideia da recriação da Conclat fazem pensar num amplo movimento, que poderia ir mais além da "simples" eleição da Dilma e que terminaria na formação de uma só entidade sindical gigante. Lula, já fora da Presidência da República, seria o grande chefe, mais poderoso do que nunca, capaz de cortar qualquer pretensão de independência que sua candidata possa imaginar que teria, caso seja eleita. Seria uma espécie de Perón vindo das classes baixas.


Senado aprova reestruturação de carreira de servidores

Carol Pires (Política)

A quatro meses das eleições, os senadores aprovaram nesta terça-feira, em votação simbólica, a Medida Provisória (MP) 479 que reestrutura 27 carreiras do funcionalismo público.

O texto original do governo previa impacto de R$ 31,7 milhões aos cofres públicos anualmente com a aprovação do projeto. A proposta sofreu alterações na Câmara dos Deputados e, da forma como foi aprovada, pode ter impacto de R$ 1,9 bilhão por ano nas contas públicas.

O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), informou, no entanto, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve vetar parte do texto e o custo anual dos reajustes ficará em R$ 35 milhões. Jucá não informou quais partes serão vetadas.

Apesar de a votação ter sido simbólica, sem abertura do painel para votação individual, o senador Álvaro Dias (PR), vice-líder do PSDB, pediu que o voto dele fosse registrado como contra.

O senador tucano alertou para o fato de a relatora, deputada Gorete Pereira (PR-CE), ter acatado 45 emendas integralmente e 18 parcialmente, transformando cargos, estendendo gratificações, aumentando salários e incorporando carreiras. Apenas uma das emendas, segundo apontou o senador Álvaro Dias, teria impacto de R$ 1,8 bilhão por ano. Esta emenda transfere os servidores analistas da Receita Previdenciária para a categoria de auditores da Receita Federal, mas deve ser vetada pelo presidente Lula, segundo Jucá.

A categoria será incluída, ao invés disto, no quadro do Ministério da Fazenda. Por causa de um erro ocorrido na votação da Câmara dos Deputados, ambas as possibilidades - de inclusão no quadro de funcionários da Receita ou no quadro do Ministério da Fazenda - foram aprovadas no texto. Para corrigir o erro, é preciso apenas que o presidente vete a primeira possibilidade.


Previ pode investir mais em infraestrutura, diz novo dirigente
'Queremos ser atores principais e não coadjuvantes no desenvolvimento do país', disse Flores

Reuters (Economia)

O maior fundo de pensão da América Latina, Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, poderá aumentar seus investimentos em infraestrutura se isso for interesse do País e ao mesmo tempo atender as regras de governança corporativa da entidade, afirmou o novo presidente Ricardo Flores, que toma posse nesta terça-feira.

Sem se preocupar com possíveis usos da Previ pelo governo por entender que a entidade está blindada por uma governança corporativa madura, Flores disse que projetos para a Copa em 2014 e para as Olimpíadas de 2016 podem ser analisados como qualquer outro investimento que seja proposto à entidade.

"Queremos ser atores principais e não coadjuvantes no desenvolvimento do país", disse Flores a jornalistas horas antes de tomar posse. "Se isso for interesse do país e desde que atenda aos requisitos, não vejo como excludentes (os projetos estruturantes)", completou.

Na véspera, a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, comentou em evento em São Paulo que fundos de pensão poderiam ter uma participação maior no setor de infraestrutura do país ao citar diversificação das fontes de financiamento da economia para além do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Sem a presença da imprensa, o ex-presidente da Previ, Sérgio Rosa, passa oficialmente o bilionário caixa de R$ 142 bilhões da Previ para Flores e a nova diretoria em cerimônia no final desta tarde no Rio de Janeiro.

Junto com Flores tomam posse os dois diretores indicados pelo Banco do Brasil e os dois eleitos pelos participantes do fundo. Apenas um diretor, de Seguridade, José Ricardo Sasseron, permaneceu da antiga diretoria. Marco Geovanne Tobias da Silva, que ocupava a gerência geral de Relações com Investidores do BB assume a diretoria de Participações no lugar de Joílson Ferreira prometendo dar maior visibilidade ao fundo.

"Vamos dar maior transparência, como foi feito com o banco, queremos fazer mais reuniões com o mercado", disse Silva, lembrando que atualmente a Previ tem apenas uma reunião anual na Apimec.

A entidade ganhou mais fôlego para investimentos no ano passado, depois que o governo resolveu aumentar de 50% para 70% o limite das aplicações em renda variável. Mesmo assim, Flores e sua diretoria terão que lidar com casos polêmicos como o desinvestimento a ser feito na Vale, para que a Previ possa se adequar à regra de não concentrar mais de 10% do patrimônio do fundo em uma única empresa. Atualmente a Vale é o maior investimento da Previ, com peso em torno dos 20 por cento do seu patrimônio. "Isso ainda não foi avaliado", afirmou.

Conselho da Vale
Flores não decidiu também se vai assumir o cargo de presidente do Conselho de Administração da Vale. Argumentando que o mandato de Sérgio Rosa vai até 2011, Flores deu sinais de que vai esperar a decisão do ex-dirigente.

"Esse assunto ainda não foi tratado (o conselho da Vale). Existe um mandato e este mandato está em curso até maio de 2011", disse Flores. "Isso tem um rito próprio, ele (Rosa) pode pedir para sair, renunciar. Tem que ter assembléia de acionistas", explicou o executivo que preferiu generalizar o assunto.

"Não pretendemos mudar as coisas no sentido de mudar por mudar, queremos olhar o processo de maneira geral e manter aquilo que está maduro e aperfeiçoar o que puder", explicou, referindo-se também às suas outras participações em empresas. Outras questões delicadas, como o superávit de mais de 40 bilhões de reais da entidade que poderá ou não ser distribuído aos beneficiários, assim como possíveis mudanças nas participações da Previ no setor elétrico (CPFL e Neoenergia) serão avaliadas com calma, disse Flores. Funcionário de carreira, Flores está no banco há 32 anos.




Folha de S.Paulo


Centrais gastam R$ 800 mil em ato para criticar o PSDB
Presidentes da CUT e da Força rejeitam "retrocesso" e pedem continuidade

Cerca de 10 mil pessoas, diz a PM, foram a evento de 5 centrais sindicais, que receberam em maio R$ 70,2 mi da União

Fernando Gallo (Poder)

Cinco centrais sindicais gastaram pelo menos R$ 800 mil num evento realizado no estádio do Pacaembu, em São Paulo, no qual reproduziram o slogan adotado pelo PT na campanha eleitoral deste ano -o de que "é preciso impedir o retrocesso".
O evento organizado por CUT (Central Única dos Trabalhadores), Força Sindical, CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil), Nova Central e CGBT (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil) reuniu 10 mil pessoas.

O objetivo era fazer uma agenda de propostas que o movimento sindical quer entregar aos candidatos à Presidência. Mas os líderes adotaram um tom eleitoral e o discurso repetido por petistas contra o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso.

"Nossa maior responsabilidade é não permitir o retrocesso, a volta daqueles que implementaram as políticas neoliberais durante a década de 90", afirmou o presidente da CUT, Artur Henrique.

"Uma assembleia como esta, se fosse feita na década de 90, era para falar contra privatizações, demissões, propostas da gestão Fernando Henrique Cardoso", disse.
O presidente da Força Sindical, deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), que na segunda criticou o pré-candidato do PSDB, José Serra, e defendeu Dilma Rousseff (PT), ontem fez apologia do governo Lula.

"Nós temos que dizer aos trabalhadores que o projeto do presidente Lula tem que continuar, porque esse é um projeto que deu certo."

Ligada ao PT, a CUT apoiará formalmente Dilma tão logo a candidatura seja anunciada. A Força optará pela neutralidade, embora Paulinho apoie a eleição de Dilma.

O presidente da Força disse que cerca de R$ 800 mil foram gastos com a estrutura do evento (aluguel do estádio, trânsito, palco). Os gastos serão repartidos entre as centrais, que esperavam 30 mil pessoas no estádio.

No mês passado, as cinco centrais receberam R$ 70,2 milhões da União por meio do imposto sindical.


Lula diz que fará campanha na porta da Volks (Poder)

O presidente Lula afirmou que vai fazer campanha "na porta da fábrica da Volkswagen", num sinal de que terá papel ativo a partir do início oficial da campanha eleitoral da petista Dilma Rousseff.

"Não é proibido um presidente fazer campanha quando a campanha começar", disse Lula, negou que vá tirar licença.

Afirmou ainda que tem de "dar exemplo". Lula recebeu quatro multas por propaganda antecipada.


Falta de mão de obra faz salário subir
Com escassez de trabalhadores qualificados, empresas pagam até 20% acima da média nacional, revela pesquisa

Fenômeno afeta mais os setores que fizeram grandes investimentos, como os de mineração, extração de óleo e gás

Claudia Rolli (Mercado)

A escassez de mão de obra qualificada já "inflaciona" os salários, principalmente nas empresas dos setores de mineração e petróleo.

Pesquisa feita com 175 mil profissionais que trabalham em áreas operacionais, gerenciais e no alto escalão de empresas de 20 ramos econômicos mostra que os setores de mineração, extração de óleo e gás pagam 20% acima da média nacional.

Em segundo lugar aparecem empatados os setores automobilístico, de autopeças, de fabricação de computadores e de eletricidade, pagando 13% acima da média.

"Com a crise, o setor industrial teve forte retração e engavetou projetos. Passado o susto, os investimentos que estão sendo anunciados superam os que vinham sendo feitos antes da crise. E isso tem forte impacto no mercado de trabalho", diz Lucio Tezzotto, gerente de atendimento da Catho Online.

Só os planos de investimento da indústria e do setor de infraestrutura para o período de 2010 a 2013 somam R$ 859 bilhões, segundo levantamento do BNDES.
O principal destaque é o setor de petróleo e gás, que, devido ao pré-sal, pretende investir R$ 340 bilhões.

TENDÊNCIA DE ALTA
Com mais recursos sendo investidos e profissionais em número insuficiente para suprir as necessidades das empresas, a tendência é os salários continuarem em alta.

Marcelo Ferrari, diretor de negócios da consultoria Mercer, acredita que mesmo as empresas que investiram em formação e treinamento terão dificuldades para reter seus profissionais neste ano.

Ele diz que o país não formou, durante os anos 80 e 90, por exemplo, engenheiros de mineração -profissionais disputados hoje no mercado. "Sumiram do mercado de trabalho. E agora são necessários cinco anos para formar esses profissionais."

Para compensar a escassez de mão de obra qualificada, empresas que faturam entre US$ 100 milhões e US$ 1 bilhão têm investido entre 0,2% e 0,5% do faturamento em qualificação.

Em 2009, a Petrobras investiu R$ 115,9 milhões em programas de desenvolvimento de funcionários de níveis técnico e superior, diz Lairton Correa, gerente de efetivo de RH da Petrobras.

"Sempre há disputa no mercado. Mas ter política de RH, com plano de cargos, salários e benefícios, ajuda a segurar o empregado."

Na Petrobras, a taxa média de desligamento por ano é de 1,3%. O tempo médio na empresa é de 15 anos.

Fernanda Ramos, gerente de RH da Ford, diz que a empresa também tem investido em torno de R$ 3,2 milhões ao ano para preparar principalmente engenheiros de produção. No setor automobilístico, os salários pagos a esses profissionais estão entre R$ 4.000 e R$ 7.000.

"Temos feito convênios com universidades, principalmente na BA [onde está o centro de desenvolvimento de produtos], e desenvolvido cursos em parceria para suprir as necessidades locais."


Consumo de classes C, D e E crescerá 7% ao ano até 2012
Estudo da Fecomercio diz que ritmo de crescimento de consumo de emergentes é o dobro das classes A e B

Gastos com habitação vivem expansão e há novas prioridades; regiões Norte e Nordeste lideram expansão

Claudia Rolli (Opinião)

O consumo de produtos e serviços nas classes C, D e E deve crescer em um ritmo que é o dobro do esperado para as classes A e B, segundo estudo feito pela Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo).

A projeção considera que o crescimento do consumo das famílias de faixas de renda até dez salários mínimos (R$ 5.100) deve se manter entre 7% e 8% ao ano no período de 2010 a 2013.

Entre as famílias com renda superior a dez mínimos, o ritmo de expansão do consumo deve ser de 4% ao ano até 2013. Os cálculos levam em conta previsões de crescimento do PIB.

A dinâmica do consumo na classe média tem passado por mudanças nos últimos anos e deve se sofisticar cada vez mais, avalia Fabio Pina, economista da Fecomercio.

A alimentação representa 17% nas despesas de todas as famílias, que chegaram a R$ 93,2 bilhões, segundo dados do IBGE atualizados para 2006. Nas classes C e D, esse peso é maior -chega a 23% e 27%, respectivamente.

Cerca de 30% das despesas totais das famílias foram destinadas para a habitação -os gastos com esse item em todas as faixas de renda chegaram a R$ 27,8 bilhões.

MUDANÇA DE CONSUMO
"Esses padrões devem mudar nos próximos anos, tanto por região como por itens de consumo. O consumo nas regiões Norte e Nordeste deve crescer mais proporcionalmente do que no Sul e no Sudeste. Mas haverá uma mudança significativa no que se consome", diz Pina.

"O consumo de arroz e feijão não vai mudar. Mas itens como habitação devem ter ganho de espaço entre as famílias, especialmente as de menor renda, que têm mais acesso a crédito e podem se beneficiar de empreendimentos mais econômicos."

Para a Fecomercio, mantido o ritmo de expansão de consumo das famílias, a questão que deve ser debatida é como se pretende sustentar esse crescimento. O estudo projeta que o consumo das famílias pode atingir R$ 2,42 trilhões até 2013 e R$ 3,29 trilhões em 2020.

"Como a tendência é de os gastos do governo e os investimentos privados crescerem acima do PIB, pode haver deficit internacional, já que o país terá de recorrer a financiamento externo para se financiar ou haverá aumento da inflação."


Governo cede e modifica regra sobre prevenção de acidentes
Com mudança, empresa com menos acidentes é beneficiada

Lorenna Rodrigues (Mercado)

O governo cedeu às pressões dos empresários e anunciou mudanças nas regras de cálculo do Seguro Acidente de Trabalho (SAT).

A partir de setembro, as empresas que não registraram nenhum tipo de acidente nos últimos dois anos terão a alíquota do seguro reduzida pela metade.
A medida, aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social, beneficiará cerca de 350 mil empresas.

"Não há nada de recuo, o que tem são avanços, estamos aperfeiçoando o modelo. Essa construção tem o objetivo de proteger a saúde do trabalhador", afirmou o ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas.

A modificação veio depois de uma batalha travada na Justiça por empresas e sindicatos que não concordam com a nova metodologia adotada pela Previdência desde janeiro deste ano para determinar o valor do seguro.

Sobre alíquotas de 1%, 2% e 3% incide um multiplicador, chamado de FAP (Fator Acidentário de Prevenção), que pode desde reduzir pela metade e até dobrar o valor final a ser pago, calculado em relação à folha de pagamento de cada empresa.

A promessa do governo era beneficiar as empresas com menores acidentes de trabalho e penalizar aquelas com índices elevados, mas, segundo os empresários, mesmo aquelas sem registro de acidentes estavam pagando alíquotas mais altas.

"É como se tudo isso tivesse um caráter arrecadatório, como se a questão fosse tirar mais dinheiro das empresas", diz o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE).

Segundo Monteiro, o que se está agora evidenciando é que as empresas serão menos oneradas, em um ambiente que as estimule a prevenir acidentes.




Valor Econômico


Governo pode rever cortes, diz Lula

Fernando Taquari

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou ontem que o governo pode rever o corte de R$ 10 bilhões no Orçamento da União. Uma revisão, segundo ele, está condicionada à expectativa de crescimento da arrecadação nos próximos meses. "Nós trabalhamos com a possibilidade de que vai melhorar a arrecadação e, melhorando a arrecadação, a gente vai repor a possibilidade de os ministérios gastarem todo o dinheiro que for disponibilizado", afirmou Lula durante evento na Volkswagen, em São Bernardo do Campo.

O presidente enfatizou que os ministros estão conscientes de que a proposta orçamentária está sujeita ao nível de arrecadação. O começo de ano fraco, avaliou Lula, levou ao corte de R$ 10 bilhões. "O ministro da Fazenda (Guido Mantega) queria um corte maior. É muito, mas disse que eu não brinco com a economia brasileira. Chegamos onde chegamos com muita seriedade", frisou.

"Estamos tranquilos com a situação econômica do país. Obviamente estamos com olho na crise europeia. Ela é muito grave. Eles estão demorando para tomar decisões. Vamos pedir a Deus que eles decidam logo, porque nós precisamos de tranquilidade. Queremos que a Europa volte a consumir, porque a Europa é um grande importador de produtos brasileiros."

Durante o evento, ele também condenou o ataque de Israel contra um comboio de ajuda humanitária aos palestinos. "O diálogo é a melhor forma de resolver os conflitos, e não atirando, como Israel atirou ontem, em um barco turco que ia levar comida para Faixa de Gaza, um barco que estava em águas internacionais", declarou.


Mercadante escolhe major Olímpio, do PDT, para vice

Ana Paula Grabois

A coligação que sustenta a pré-candidatura de Aloizio Mercadante, do PT, ao governo de São Paulo bateu o martelo e decidiu que o vice será o policial militar Sérgio Olímpio Gomes, deputado estadual no primeiro mandato pelo PDT. Com 29 anos de carreira na polícia, o deputado terá como função atrair o eleitorado mais conservador de São Paulo com um discurso pela melhoria da segurança pública.

Opositor dos governos tucanos no Estado, o major Olímpio, como é conhecido, vai focar os problemas na área ocorridos durante a gestão do concorrente do PSDB ao Palácio Bandeirantes, Geraldo Alckmin. Quando foi governador, Alckmin enfrentou, por exemplo, ataques organizados pela facção criminosa PCC.

A decisão da chapa deve sair no dia 12, quando a coligação de 12 partidos em torno da chapa encabeçada por Mercadante será formalizada. Ainda existem, contudo, pressões do PR. "É natural que nessa fase os nomes sejam colocados pelos partidos, que exigem espaço, mas o momento é de tranquilidade para a nossa aliança", disse o presidente estadual do PT, Edinho Silva. Uma das saídas mais prováveis é oferecer a vaga de suplente da pré-candidata Marta Suplicy ao Senado a Antônio Carlos Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de São Paulo.

Para a escolha do major Olímpio pesou a pressão do PDT, que não abre mão de ter a vaga de vice na chapa estadual. O PDT quer ampliar o leque de temas para defender em São Paulo além da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Por isso, a legenda enxerga no major a figura certa para encampar o tema da segurança. O presidente estadual do PDT, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, disse que o nome do major é a última sugestão do partido. "Esperamos que o PT aceite", afirmou o também presidente da Força Sindical. Segundo Paulinho, a segurança pública é atualmente o maior problema de São Paulo. "O major Olímpio não é apenas um policial. É um professor da área, tem formação", disse Paulinho.

Para o PT, a presença do major é importante porque o discurso do endurecimento da política de segurança contra o crime não combina com o perfil de Mercadante. "É um discurso conservador que não cabe na boca de Mercadante e que pode ajudar eleitoralmente", disse um dirigente petista.

O major Olímpio é um dos líderes do movimento do funcionalismo estadual da área da segurança e defende aumento salarial aos policiais e a reestruturação do setor. É coautor de "Insegurança Pública e Privada - Basta de Hipocrisia". Segundo a editora do livro, os autores mostram a "dimensão do problema da criminalidade no país" e "a necessidade de medidas concretas urgentes". Também discutem questões como a unificação das polícias, a carreira policial, a segurança privada, a ineficiência do judiciário e o sistema prisional.

O deputado tentou abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar suspeita de superfaturamento nos contratos de fornecedores dos presídios paulistas, mas não conseguiu o número suficiente de assinaturas. Aprovou lei na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para unificar o telefone do disque-denúncia no Estado, mas recebeu veto do então governador, José Serra.

Ex-presidente da Associação Paulista dos Oficiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo, o Olímpio é também, segundo informações obtidas no site da Alesp, bacharel em ciências jurídicas e sociais, jornalista, professor de educação física, técnico em defesa pessoal e instrutor de tiro. Elegeu-se com 52,3 mil votos em 2006. Antes, concorreu em duas eleições sem sucesso. Em 2002, candidatou-se a deputado federal. Dois anos depois, concorreu ao cargo de vereador de São Paulo.


Conclat aprova pauta eleitoral em Pacaembu lotado, mas sem empolgação

João Villaverde

"Que evento é este?", perguntou o taxista que levava o repórter ao Estádio do Pacaembu, em São Paulo, na manhã de ontem. Tratava-se da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), promovida por cinco das seis centrais sindicais reconhecidas pelo governo. Ao saber disso, o taxista retrucou: "Espero que declarem voto no Serra, para justificar esse trânsito. Mas eles estão todos com o Lula, né?"

Sua pergunta, embasada, provavelmente, pelos eventos recentes envolvendo as cúpulas sindicais e o presidente da República - em São Bernardo do Campo, em abril, e nas festas de 1º de Maio, quando houve apoio explícito à pré-candidata do governo, Dilma Rousseff - estava no ar, ontem. A única central a não participar, a União Geral dos Trabalhadores (UGT), temia que o evento se transformasse num palanque pró-Lula e pró-Dilma. "É um evento sindical de cunho político porque aprovamos um documento único que será entregue a todos os pré-candidatos presidenciais. Mas não definimos posição", disse Artur Henrique, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Segundo Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical e deputado federal (PDT), foram distribuídos 33 mil ingressos aos sindicatos das cinco centrais. Nas catracas, no entanto, passaram pouco mais de 23 mil. O dia de frio - 12°C, na zona oeste - e intermitente chuva fina não era convidativo e, segundo um dirigente sindical que estava no palco, "o fato de fecharmos uma pauta conjunta, em tempos de otimismo no movimento, sem gerar conflitos e sem eleger um inimigo tangível", disse, em alusão ao "inimigo" do evento - o neoliberalismo. "Então fica mais difícil empolgar mesmo", afirmou.

Pouco antes das 13h, quatro horas depois da abertura dos portões do Pacaembu, os trabalhadores começaram a deixar o estádio. Quando aprovada, às 14h, a "Agenda da classe trabalhadora", que clama pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, pelo direito irrestrito de greve para servidores públicos, extinção do fator previdenciário e outros pontos consensuais no movimento sindical, o estádio contava com menos de 10 mil trabalhadores.

As palavras de ordem contra o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, frequentes nos outros dois eventos com participação unida das centrais - o 10 de abril, no sindicato dos metalúrgicos do ABC, e o 1º de Maio - não vieram na intensidade que se imaginava. Melquíades Araújo, vice-presidente da Força Sindical, filiado ao PSDB e um dos coordenadores das campanhas de Geraldo Alckmin e Serra no meio sindical, falou ao Valor, nos bastidores, enquanto o evento não começava, que "era inevitável que os dirigentes, quando pegassem o microfone, atacassem o PSDB e defendessem Lula". Para ele e Antônio Ramalho, presidente do sindicato dos trabalhadores da construção civil de São Paulo, também vice-presidente da Força e também filiado ao PSDB, seria "difícil conter a empolgação do pessoal". Não precisaram.

O evento ficou focado nas conquistas das centrais durante o governo Lula. Mas os líderes sindicais não defenderam voto em Dilma, que teve o nome citado apenas quatro vezes ao microfone, que circulou entre duas dezenas de líderes sindicais, presidentes de partidos e dirigentes de movimentos sociais. O nome de Serra não foi mencionado.

No início dos anos 1990, o movimento que se convencionou chamar de "novo sindicalismo" ganhou poder no Estado, quando o então presidente Fernando Collor definiu como seu ministro do Trabalho o sindicalista Antônio Rogério Magri, ligado à Força Sindical, fundada por Luiz Antônio Medeiros, expoente do "novo sindicalismo", que se sustentava na negociação com empresários e governos, enquanto o sindicalismo tradicional, simbolizado pela CUT, se caracterizaria pelo distanciamento.

O "novo sindicalismo" foi esquecido tão logo Collor sofreu o impeachment, em dezembro de 1992. Prefeita de São Paulo no mesmo período, Luiza Erundina (PSB), afirmou ao Valor, ontem, que "o movimento sindical demorou a entender que só conquistaria seus desejos se estivesse unido". O "novo sindicalismo", então, foi moldado nos últimos anos.

No governo Lula, o antigo dissidente Medeiros foi secretário executivo do Ministério do Trabalho, ao mesmo tempo em que o ex-presidente da CUT, Luiz Marinho, era o ministro. As centrais passaram a receber uma fatia da contribuição sindical - de 2008 para cá embolsaram R$ 146,5 milhões.

Na Conclat original, realizada em 1981, o movimento se uniu para demandar liberdade de expressão, numa crítica direta ao regime militar. Um dos organizadores da assembleia de 1981, Hugo Perez, estava ontem no Pacaembu. Vestia, sobre a camisa e sob o paletó, a mesma camiseta amarela que usou, 29 anos atrás, quando dividiu bancada com Lula. Perez estava sentado, atrás do palco, assistindo a transmissão pela TV. Como o público, que deixou o estádio mais cedo, Perez estava contente com as conquistas recentes, mas pouco entusiasmado com o que via.

O "novo sindicalismo" está no Estado, é ouvido e ganha força nele, mas perde o apelo.




O Globo


Sindicalistas pedem continuidade do governo Lula em evento que custou R$ 800 mil

Leila Suwwan

SÃO PAULO - Líderes das centrais sindicais foram cautelosos e evitaram citar nomes, mas a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, realizada pela CUT, Força Sindical, CTB, CGTB e Nova Central nesta terça-feira no Estádio do Pacaembu, pregou a continuidade do governo Lula e a luta contra o retrocesso. No ato, foram aprovadas por aclamação o manifesto político e a "agenda do trabalhador", um conjunto de propostas do setor que serão entregues aos pré-candidatos na disputa presidencial deste ano. Sindicalistas de todo o país vieram em caravanas de ônibus ao evento, que custou cerca de R$ 800 mil e reuniu, segundo organizadores 30 mil pessoas.

- É um ano político e nós trabalhadores temos que ter posição. Temos que dizer aos trabalhadores que o projeto do presidente Lula tem que continuar. Mas para não ser taxado de fazer campanha aqui hoje, quero cantar um hino - disse o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força.

Artur Henrique, presidente da CUT, disse que o maior desafio deste momento é impedir o retrocesso:

- Temos que, em alto e bom som, impedir o retrocesso e continuar caminhando no processo de mudanças e avançar no projeto de desenvolvimento.

Diversos sindicalistas e políticos da base aliada fizeram discursos e alguns citaram a pré-candidata Dilma Rousseff (PT), cuja participação no evento chegou a ser cogitada. Apenas uma central sindical, a UGT, abandonou a conferência, devido às preocupações com o tom eleitoreiro do evento.
 

 

Diário de S.Paulo


Centrais sindicais querem redução da jornada
Conferência aprova documento, com 249 propostas, que será levado aos pré-candidatos à Presidência

Fabiano Nunes

Reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais, inibir as demissões em massa e até dar orientações sobre o que fazer com os recursos provenientes do pré-sal. Esses são alguns pontos que foram aprovados nesta terça-feira (01) durante a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), pela Força Sindical e por outras três centrais sindicais, e realizada no estádio do Pacaembu, na Zona Oeste de São Paulo.

O evento reuniu cerca de 20 mil pessoas, segundo os organizadores do encontro. Essa é a primeira reunião das centrais sindicais desde 1981, quando cinco mil pessoas estiveram em Praia Grande, no litoral Sul de
São Paulo.


A reunião teve o objetivo de aprovar o documento, com um total de 249 propostas, que visa garantir e ampliar os direitos dos trabalhadores.


A Agenda da Classe Trabalhadora pede para ampliar e estimular a fabricação de remédios genéricos e a diminuição da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução dos salários. "Segundo estudo do Dieese, a redução da jornada de trabalho sem a redução de salários, poderá gerar cerca de 2,4 milhões de postos de trabalho com qualidade e carteira assinada", disse Adi dos Santos Lima, presidente da CUT-SP.


O documento também exige a manutenção do processo de valorização do salário-mínimo, além de uma reforma tributária. A proposta será entregue aos pré-candidatos à Presidência nos próximos dias.


Salário-mínimo
Durante o evento promovido pelas centrais sindicais, o Dieese apresentou o livro "Salário-Mínimo - Instrumento de combate à desigualdade", que conta os 70 anos de história do piso nacional. Segundo o estudo, o valor de hoje (de R$ 510) está muito distante do que é determinado pela Constituição e deveria ser algo em torno de R$ 2.257.


"O salário-mínimo, quando foi constituído em 1940, levava em consideração a cesta básica para uma pessoa, que é composta atualmente por 13 produtos. A partir desse modelo, pegamos o valor da cesta básica e multiplicamos por três, que representaria uma família com dois adultos e duas crianças e chegamos a este valor", explicou o economista do Dieese Frederico Luiz Barbosa.

O estudo conclui que a política de valorização do salário-mínimo -  reajuste pela inflação mais variação do PIB - , foi eficiente para manter um ganho real do piso.



 

Diário do Grande ABC


Centrais sindicais reúnem milhares no Pacaembu

As centrais Força Sindical, CUT (Central Única dos Trabalhadores), CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil), Nova Central e CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil) reuniram cerca de 22 mil trabalhadores e sindicalistas durante a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, realizada nesta terça-feira no Estádio do Pacaembu, em São Paulo.

O objetivo do evento foi debater e aprovar um documento com propostas políticas e econômicas que os trabalhadores querem ver implementadas no Brasil nos próximos quatro anos. Posteriormente, a carta será entregue aos candidatos à Presidência da República.


"Nosso maior desafio é não permitir o retrocesso, a volta daqueles que implementaram as políticas neoliberais na década de noventa", afirmou o presidente da CUT, Artur Henrique.


 
 

Diário Catarinense


Sindicatos aprovam pedidos

Em clima de campanha eleitoral, milhares de sindicalistas se reuniram no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, para discutir e aprovar um documento com as reivindicações da classe trabalhadora.

Embora parte dos presentes defenda a isenção partidária como forma de preservar a autonomia sindical em relação a governos, as manifestações de apoio ao governo Lula e à pré-candidata petista Dilma Rousseff deram a tônica do encontro.


Organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat) ocorreu 29 anos após a histórica assembleia unificada que, em 1981, reuniu, pela primeira vez, os principais sindicatos em luta pela redemocratização do país.


Segundo o presidente da CUT, Artur Henrique, o texto aprovado ao fim do evento será apresentado a todos os candidatos à Presidência.

 

 

Jornal do Comércio


Votação do reajuste do Mínimo Regional é adiada
Empresários já aceitam 6,9%; trabalhadores recuam a 9,6%

Samir Oliveira

Foi adiada mais uma vez a votação do projeto de lei enviado pelo Executivo que estabelece reajuste de 6,9% ao salário-mínimo regional. Desde o dia 18 de maio, quando a matéria chegou à Assembleia Legislativa, deputados negociam com empresários e trabalhadores um índice que atenda às reivindicações das duas partes.

Na reunião de ontem, as centrais sindicais sinalizaram que aceitam um aumento de 9,6% - menor que os 14% defendido anteriormente. O critério imposto é de que o percentual deve ficar acima do concedido ao salário-mínimo nacional (9,2%).

Do outro lado, as federações empresariais já reconhecem que não conseguirão manter os 3,54% propostos e que, nesse contexto, os 6,9% enviados pelo governo são a melhor alternativa.

"Os trabalhadores tiveram que recuar, mas os empresários ainda defendem a extinção do piso", critica o dirigente da Central Única dos Trabalhadores no Estado (CUT-RS), Celso Woyciechowski.

Para o presidente da Fiergs, Paulo Tigre, que participou ontem do encontro com as entidades sindicais, a existência do piso gaúcho tira competitividade do setor privado no Estado. "O próprio índice mandado pelo governo é alto dentro da nossa realidade, já estamos em um limite", avalia.

O presidente do Parlamento, deputado Giovani Cherini (PDT), considera que das duas posições existentes, 9,6% e 6,9%, pode emergir um valor alternativo. "Vejo a possibilidade de uma terceira posição. Alguns deputados falam em 7,7%", palpita. Ele acredita que na próxima terça-feira os parlamentares darão acordo para a votação.

O líder do governo na Assembleia, Adilson Troca (PSDB), alerta que é necessário prever os impactos que um reajuste muito alto causaria à economia. "Quem emprega diz que se o salário for muito alto, haverá desemprego. Devemos ter esse cuidado", observa, acrescentando que o pequeno comerciante muitas vezes não tem condições de pagar aumentos muito elevados.

O líder do PT, deputado Elvino Bohn Gass, é categórico ao afirmar que a bancada petista só dará acordo para votação se os deputados concordarem em aumentar os 6,9% propostos pelo governo. "Queremos elevar esse índice. Com um salário melhor, as pessoas compram mais, e o comércio acaba ganhando", interpreta.

O deputado Raul Carrion (PCdoB) acredita que o assunto será resolvido no plenário, na próxima terça-feira. "Não acredito que alguém permitirá que o projeto seja postergado indefinidamente. Isso só prejudica os trabalhadores", argumenta.

Carrion aposta que os parlamentares darão acordo na reunião de líderes e que o índice final será definido durante a votação. "Não havendo entendimento entre trabalho e capital, buscaremos a alternativa mais próxima possível."




Agência Brasil


Movimentos sociais lançam projeto nacional de lutas para 2011

Bruno Bocchini

São Paulo - A Coordenação Nacional dos Movimentos Sociais (CMS) - composta por 27 entidades - aprovou no dia 31 um projeto nacional que irá guiar o movimentos sociais nos próximos semestres. Uma das decisões do grupo é aumentar as manifestações populares em 2011, independentemente de quem ocupará a Presidência da República.

"Os movimentos têm a convicção que só com a ampliação das manifestações, das passeatas, das greves e das marchas, que a gente vai conseguir ver implementado esse conjunto de proposições que consta no projeto Brasil. Seja qual for o presidente eleito, a gente sabe que vai precisar ter mais pressão do povo nas ruas pra que esse projeto seja implementado", disse a coordenadora dos movimentos sociais, Lúcia Stumpf.


O texto aprovado pelas entidades, entre elas a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Marcha Mundial das Mulheres e a Ação Cidadania, será entregue como pauta aos pré-candidatos à Presidência da República.


O documento, dividido em cinco partes (soberania nacional, desenvolvimento, democracia, mais direitos ao povo e solidariedade), defende mudanças na política econômica do país, como a de conceder mais incentivo à produção e à geração de emprego. Os movimentos sociais pedem também a mobilização pela "democratização" do Conselho Monetário Nacional do Banco Central.


O texto ressalta a defesa da reforma agrária, a priorização da agricultura camponesa e familiar e a garantia de crédito ao pequeno produtor. As entidades decidiram também apoiar a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução dos salários.


A reforma política, o financiamento público das campanhas parlamentares, a fidelidade partidária, estão presentes entre as demandas dos movimentos sociais. Foram relacionadas ainda o fim do caráter revisor do Senado e o aumento da realização de plebiscitos. Também entrou na pauta, a defesa de uma política externa independente, que busque a paz; a destinação dos recursos do pré-sal em benefício dos brasileiros e a retirada das bases militares estrangerias da América Latina e do Caribe.



Sindicatos aprovam propostas para apresentar a presidenciáveis

Alex Rodrigues

São Paulo - Em clima de campanha eleitoral, milhares de sindicalistas se reuniram ontem (1º), no estádio do Pacaembu, em São Paulo, para discutir e aprovar um documento com as principais reivindicações e propostas da classe trabalhadora. Embora parte dos presentes defenda a isenção partidária como forma de preservar a autonomia sindical em relação a governos, as manifestações de apoio ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva e à pré-candidata petista Dilma Rousseff deram a tônica do encontro. 

 
Organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat) ocorreu 29 anos após a histórica assembleia unificada que, em 1981, que reuniu, pela primeira vez, os principais sindicatos brasileiros em luta pela redemocratização do país.


Segundo o presidente da CUT, Artur Henrique, o texto aprovado ao fim do evento será apresentado a todos os candidatos à Presidência da República, de quem os sindicalistas cobrarão o compromisso com a pauta apresentada. Segundo Henrique, a intenção é interferir no processo eleitoral por meio das sugestões dos trabalhadores e, posteriormente, cobrar do próximo governo a sua implementação.


Para Henrique, a união das cinco centrais em torno de um objetivo comum é um sinal da maturidade do movimento. "Percebemos que se continuarmos lutando entre nós não vamos conseguir nada. A assembleia mostra a maturidade do movimento sindical para construir a unidade quando esta é do interesse da classe trabalhadora, mesmo com as diferenças de concepções e de práticas que continuam existindo entre as centrais".


Discutida ao longo de quase seis meses pelos dirigentes sindicais, a agenda conjunta das entidades está dividida em seis eixos considerados estratégicos: crescimento econômico com distribuição de renda e fortalecimento do mercado interno; valorização do trabalho decente com igualdade e inclusão social; valorização do papel do Estado como promotor do desenvolvimento socioeconômico e ambiental; democracia com efetiva participação popular; soberania e integração internacional e garantia dos direitos sindicais e das negociações coletivas.


Cada eixo é dividido em vários tópicos que vão da defesa da jornada de trabalho de 40 horas semanais ao estabelecimento de limites às grandes propriedades rurais e à atualização dos índices de produtividade no campo, passando pelas reivindicações de universalização do ensino público e dos serviços de saúde, reformas tributária e política, fim das terceirizações e do fator previdenciário, entre outros pontos.



Sindicalistas elogiam governo Lula e Dilma durante evento em SP

Alex Rodrigues

São Paulo - Promovida com o objetivo de aprovar as principais reivindicações e propostas da classe trabalhadora para os candidatos à Presidência da República, a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat) se tornou uma manifestação de apoio à pré-candidata petista Dilma Rousseff e de rechaço à pré-candidatura de José Serra (PSDB).


Durante o evento que reuniu milhares de pessoas ontem (1º) no estádio do Pacaembu, em São Paulo, representantes sindicais, lideranças de movimentos sociais e parlamentares afinados com as bandeiras petistas louvaram os avanços obtidos durante os últimos sete anos e meio e criticaram a gestão tucana do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.


Já em seu manifesto conjunto, as cinco entidades organizadoras da assembléia unificada Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST) reforçam a necessidade de a classe trabalhadora se unir para defender as conquistas dos últimos anos.

"A eleição de outubro, marcada pela disputa entre distintos projetos políticos, é uma singular oportunidade para selarmos compromissos com o avanço das transformações necessárias à construção de um país igualitário e democrático. Por isso é  fundamental elegermos candidatos comprometidos com as bandeiras da classe trabalhadora", destaca o manifesto.


Logo ao chegarem ao estádio, o presidente da CUT, Artur Henrique, e da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, manifestaram aos jornalistas seu apoio a Dilma.


"Cada Central tem autonomia para discutir quem irá apoiar, mas sem dúvida seria um retrocesso a volta do PSDB e do DEM à Presidência da República", declarou Henrique. "Esse pessoal com certeza vai mexer com os direitos dos trabalhadores", completou Paulinho.


Multado duas vezes por fazer propaganda política antecipada e com mais duas notificações que ainda serão julgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Paulinho disse ter o direito e a "obrigação" de manifestar o que acredita ser o melhor para a classe trabalhadora.


"Essa é minha opinião e acho que, como cidadão e como deputado, eu tenho que continuar falando isso", afirmou o parlamentar. "Acho que o TSE tem que inibir que os candidatos façam propaganda antecipada, mas eu não sou candidato e sim alguém que defende o que acha melhor para os trabalhadores do Brasil".



Produção industrial cai 0,7% em abril

Riomar Trindade

Rio de Janeiro - A produção da indústria brasileira apresentou queda de 0,7% em abril em relação a março deste ano, na série livre de influências sazonais, após acumular ganho de 6,4% nos últimos quatro meses que registraram crescimento. Na comparação com abril do ano passado, a produção industrial registrou expansão de 17,4%, a quinta taxa positiva consecutiva de dois dígitos nesse tipo de comparação.


De acordo com dados da Pesquisa Industrial Mensal Produção Física - Brasil, divulgados hoje (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no primeiro quadrimestre de 2010, a expansão é de 18%, e no acumulado nos últimos 12 meses, em trajetória ascendente desde outubro do ano passado, o indicador saiu de -0,3%, em março, para 2,3% em abril. Foi o primeiro índice positivo do acumulado de 12 meses desde janeiro de 2009 (1,0%).

Na passagem de março para abril, dos ramos industriais analisados, 12 apresentaram queda e 14 tiveram expansão na produção. Entre os que registraram recuo, os principais impactos negativos vieram de bebidas (-11,0%), celulose e papel (-6,1%), outros produtos químicos (-3,5%), máquinas para escritório e equipamentos de informática (-11,3%) e veículos automotores (-1,7%). No mês passado, esses setores haviam registrado crescimento de 7,8%, 7,4%, 1,9%, 14,3% e 10,6%, respectivamente.

Entre as atividades que aumentaram a produção, o desempenho de maior importância para o resultado global veio de refino de petróleo e produção de álcool (12,8%), recuperando o recuo de 9,1% do mês anterior, que havia sido influenciado pelas paralisações ocorridas em unidades produtivas do setor. Outro destaque é o comportamento positivo dos ramos de alimentos (1,5%), outros equipamentos de transporte (4,9%), indústrias extrativas (1,9%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (4,1%) e metalurgia básica (1,7%).

Na comparação com abril de 2009, o setor industrial avançou 17,4%, ritmo próximo ao observado no primeiro trimestre do ano (18,2%), ambas as comparações com igual período do ano anterior. Para esses resultados de dois dígitos, além da baixa base de comparação, decorrente dos efeitos da crise econômica internacional, o IBGE ressalta o incremento no ritmo produtivo nos primeiros meses do ano.

Nessa base de comparação, segundo o instituto, o índice de abril foi sustentado pelo crescimento registrado em 25 das 27 atividades e 73% dos produtos pesquisados. Entre os setores, as maiores influências positivas sobre a taxa global vieram de veículos automotores (32,2%) e de máquinas e equipamentos (47,8%), ambos impulsionados pelos índices positivos em mais de 80% dos produtos investigados . Também merecem destaque os avanços de dois dígitos verificados em metalurgia básica (30,7%), outros produtos químicos (16,8%), produtos de metal (31,4%) e indústrias extrativas (17,4%).

Nesses ramos de atividade, entre os destaques estão automóveis e caminhões, refrigeradores, herbicidas, tintas e vernizes para construção, partes e peças para bens de capital e minérios de ferro. Em contrapartida, as duas atividades que mostraram queda na produção ante abril de 2009 foram fumo (-19,6%) e outros equipamentos de transporte (-2,1%), pressionados pela menor fabricação de fumo processado, no primeiro ramo, e aviões, no segundo.


Lula ressalta papel da mulher no trabalho durante formatura de beneficiários do Bolsa Família

Flávia Albuquerque

São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou ontem (1º) algumas conquistas femininas no mercado de trabalho, durante a cerimônia de formatura de 1.592 beneficiários do Bolsa Família que receberam qualificação profissional por meio do Programa Próximo Passo. Segundo ele, é extraordinário o fato de 80% dos formandos serem mulheres.

"Isso significa que a mulher já não se contenta mais em ficar em casa esperando o marido trabalhar e trazer o dinheirinho para casa, que a mulher está conquistando sua independência e que está conquistando o mercado de trabalho de verdade", disse diante da plateia no Clube Atlético Juventus, no bairro da Moóca, zona leste da capital. O presidente disse que percebeu que grande parte das pessoas que receberam o diploma já são casadas ou têm filho. Os formandos são dos municípios paulistas de São Paulo, Ferraz de Vasconcelos, Itapevi, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande e São Vicente.

O presidente afirmou que, em geral, as mulheres que trabalham em casa não têm o esforço valorizado e que o trabalho doméstico, muitas vezes, é mais pesado que o feito em uma fábrica. "As mulheres estão querendo trabalhar. Querem ter uma profissão para terem autonomia e independência. Nenhuma mulher hoje quer ficar dependendo do salário do marido."

Lula disse que as mulheres atualmente querem respeito e o direito de escolher viver com um homem por gostarem e não por dependerem dele para sobreviver. "É por isso que aprender uma profissão é muito importante. Quando vocês chegarem em casa depois de um dia de trabalho, se o marido for legal, ele vai ajudar nas tarefas domésticas. Mulher e homem querem ser tratados em igualdade de posições. Os dois precisam viver em harmonia e parceria."

Segundo ele, as mulheres podem fazer qualquer trabalho que o homem faça e, em alguns casos, apresentam mais competência e dedicação do que o homem. "O Brasil ficou 20 anos sem a economia crescer e assim não gerava oportunidade de trabalho. O Brasil está crescendo e vamos fechar o ano criando 14 milhões de emprego com carteira profissional assinada. O governo tem muitas obras para fazer e há muita coisa para acontecer."


O presidente afirmou que é preciso que as pessoas da localidade onde as obras do governo são realizadas trabalhem nessas obras tanto para auxiliar os trabalhadores quanto os empregadores. "Cada projeto habitacional do bairro temos que chamar gente daquele bairro. Vamos fazer o cadastramento dos homens e mulheres daquela vila para que eles não precisem pegar ônibus para ir trabalhar e ter mais tempo para voltar para casa e conviver com a família."



 

Agência Estado


Centrais sindicais declaram guerra contra Serra

O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, presidente da Força Sindical, e Artur Henrique, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), partiram para o ataque contra o pré-candidato tucano José Serra e devem repetir a dose no principal evento do sindicalismo brasileiro deste ano, marcado para hoje em São Paulo. São esperadas 30 mil pessoas no Estádio do Pacaembu para a assembleia da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat).

O encontro, reedição da reunião de 1981 que marcou a união do sindicalismo no País pela redemocratização, vai reunir cinco centrais - Força, CUT, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e Nova Central. Dessa vez, porém, a união é pela continuidade do governo Luiz Inácio Lula da Silva elegendo a petista Dilma Rousseff.

O "aquecimento" para a Conclat aconteceu ontem na assembleia da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), composta por CUT, União Nacional dos Estudantes (UNE), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e outras 25 entidades ligadas ao movimento negro, LGBT (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e trangêneros), entre outros.

Paulinho chegou a ser vaiado quando subiu no palco da quadra do Sindicato dos Bancários, no centro da capital paulista. A Força Sindical, entidade que preside, não faz parte da CMS. Mesmo assim, o deputado empunhou o microfone e assumiu a artilharia contra Serra, indiferente à Lei Eleitoral e às punições por campanha antecipada.

Ataques
No bombardeio sobre a candidatura tucana, Paulinho - que tratou o pré-candidato a todo momento como "sujeito" - disse que Serra, se eleito, "vai tirar os direitos do trabalhador". "Vai mexer no Fundo de Garantia, nas férias, na licença-maternidade. Por isso, temos de enfrentá-lo na rua para ganhar dele aqui em São Paulo", afirmou.

"Se a gente não falar fica aí esse sujeito tentando ganhar a eleição. Eu estou falando, e vou falar o nome. Nós não podemos deixar esse José Serra ganhar as eleições. Nós estamos falando e não tem jeito. Eles podem processar e nós vamos falar", atacou o deputado pedetista, para uma plateia de 2 mil militantes.

Paulinho já foi processado quatro vezes por campanha antecipada e foi punido em duas, com multa total de R$ 15 mil. "Por quê? Porque estamos falando a verdade", justificou. Na saída do evento, perguntado sobre a possibilidade de uma nova multa, admitiu: "É, tomei mais uma hoje." Em relação ao Conclat, contemporizou. "Amanhã (hoje) vamos baixar o tom."


Para tucano, centrais perderam 'capacidade de isenção'

"Eles são discípulos do Lula, seguidores do Lula, tanto que as centrais foram beneficiadas com recursos do imposto sindical. São assalariadas do governo", reagiu o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) ao posicionamento dos presidentes da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, e da Central única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, que ontem partiram para o ataque contra o pré-candidato tucano José Serra. De acordo com Madeira, é "lamentável" que, por sua relação simbiótica com o PT, os sindicalistas tenham "perdido a capacidade de isenção".

"Eles não sabem separar a política das entidades representativas de segmentos do trabalho. Acho lamentável que eles tenham perdido a capacidade de isenção, de separar a política das entidades representativas de segmentos do trabalho", disse. O deputado atribui aos dirigentes sindicais uma "desonestidade intelectual" pelos ataques diretos à campanha tucana, especialmente por afirmar que Serra "tiraria os direitos do trabalhador".




R7


Centrais sindicais pedem votos para Dilma em evento
Sindicalistas fizeram assembleia para definir reivindicações aos presidenciáveis

José Henrique Lopes

A CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a Força Sindical aproveitaram a Assembleia Nacional dos Movimentos Sociais, nesta segunda-feira (31) em São Paulo, para pedir votos para a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. O encontro, convocado pela CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais), que se declara neutra, foi realizado na quadra do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, presidente da Força, fez duras críticas ao pré-candidato do PSDB, José Serra, e exaltou feitos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Ao discursar, Paulinho, que participou do evento como convidado e chegou a ser vaiado quando foi anunciado, disse que as eleições deste ano colocarão em jogo dois projetos para o país.


- Esse é um ano muito importante. Vamos ter de decidir se vamos continuar com esse projeto do presidente Lula, que começa a desenvolver e fazer o Brasil aparecer no mundo inteiro, ou vamos para outro projeto. E por isso os movimentos sociais e os trabalhadores são importantes.


O deputado foi irônico ao dizer que, por se referir abertamente à pré-candidata do PT, seria multado.


- Eu já tomei quatro processos e as centrais sindicais, também. [...] Eu tomei quatro, perdi dois, cada um com R$ 7,5 mil de multa. Por que? Porque estamos falando a verdade. Porque se a gente não falar fica aí esse sujeito [José Serra] tentando ganhar a eleição.


Paulinho chegou a dizer que, caso o PSDB chegue à Presidência, a sociedade brasileira poderá viver um "conflito". O deputado criticou o tratamento dado pelo governo de São Paulo às greves realizadas pelos professores da rede estadual e pelos policiais civis e em vários momentos se referiu ao tucano como "esse sujeito".

- Nós não podemos deixar esse José Serra ganhar as eleições. Os professores foram para a greve e vocês viram como o governo de São Paulo tratou? Como é que esse sujeito vai ser presidente da República? Vamos ter um conflito na sociedade brasileira com esse sujeito lá. Para impedir que aconteça a gente tem de derrotá-lo para aprender a tratar trabalhador.

Paulinho também se referiu ao crescimento de Dilma nas pesquisas, o que atribuiu à presença da pré-candidata e do presidente Lula em eventos como as festas do Dia do Trabalho, em 1º de maio, e em inserções partidárias do PT na televisão e no rádio.

- Aqui em São Paulo a diferença da Dilma para o Serra era de 19 pontos. Em um mês, baixamos para sete. Hoje tenho certeza que a Dilma já passou o Serra aqui. Por isso temos de enfrentá-lo na rua para ganhar dele aqui em São Paulo. Por isso é importante, com a unidade dos trabalhadores, dos movimentos sociais, para a gente manter o projeto do presidente Lula e eleger a Dilma presidente do Brasil.


Também em tom de campanha, o presidente da CUT, Arthur Henrique da Silva Santos, iniciou sua intervenção cumprimentando os presentes com um jogo de palavras usando o nome da pré-candidata petista: "Bom, Dilma" [Bom dia].


A exemplo de Paulinho, ele pediu votos para a pré-candidata do PT e criticou a oposição por entrar com representações na Justiça eleitoral pedindo multas para o PT por propaganda antecipada.


- O que eles estão tentando fazer é inviabilizar a candidatura democrático-popular no tapetão do Judiciário.


Como exemplo, Santos mencionou a crise do mensalão, ocorrida em 2005, como uma "tentativa de golpe" contra o governo Lula. O presidente da CUT fez uma comparação entre as gestões do PT e do PSDB, que segundo ele quer retornar ao Planalto para continuar com a política de privatizações. Ele se referiu ao governo do PSDB em São Paulo como "o governo PPPP: privatizações, presídios, pedágios e porrada nos movimentos sociais e nos professores".


Santos ainda criticou a criminalização dos movimentos sociais e defendeu a sequência de projetos como o Bolsa Família e o Luz Para Todos, do governo Lula.


- Estamos precisando de uma... [em referência a Dilma]... De uma... De uma mulher na Presidência para dar continuidade aos projetos sociais.


Pauta
A Assembleia Nacional dos Movimentos Sociais foi convocada para aprovar uma pauta de reivindicações que será levada aos candidatos. O documento reúne um amplo leque de demandas, que vão da reforma agrária à criação do Estado palestino. A CMS também pede a aprovação do fim do fator previdenciário e do reajuste de 7,7% para os aposentados, temas que aguardam a sanção do presidente Lula, e defende a democratização dos meios de comunicação.


O projeto ainda critica a autonomia do Banco Central e defende um regime para a exploração do petróleo do pré-sal totalmente estatal. A CMS é formada por 28 entidades, entre eles UNE (União Nacional dos Estudantes), MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e CUT.



Mais de 20 mil trabalhadores lutam por redução de jornada e aumento das aposentadorias
Maiores sindicatos do país aprovam documento com propostas ao próximo presidente

Ao menos 20 mil trabalhadores e pessoas ligadas aos cinco maiores grupos sindicais do país se reuniram nesta terça-feira (1º) no estádio do Pacaembu, em São Paulo. O motivo era fazer coro às principais reivindicações dos sindicalistas: a redução da jornada de trabalho de 44h para 40h semanais, o repasse mais justo dos lucros das empresas, o reajuste das aposentadorias de 7,7% e o fim do fator previdenciário.

Segundo o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, no encontro deve ser aprovado um documento com cerca de 250 reivindicações dos trabalhadores. O projeto deve ser entregue ao próximo presidente da República, após a eleição de outubro.

- Esse documento não é partidário, mas uma reivindicação dos trabalhadores. Qualquer um que saia vencedor [da eleição presidencial] vai ter que avaliar.

Participaram da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora a Força Sindical, a CUT (Central Única dos Trabalhadores), a CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil), a Nova Central e a CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil).

As propostas são divididas no documento em cinco grandes áreas, que vão da distribuição de renda e do crescimento do mercado interno, até desenvolvimento sustentável, integração nacional, política externa e direitos sindicais.
 
Entre outras medidas, os sindicatos defendem a ampliação dos programas de habitação para a baixa renda, a universalização da educação infantil e o acesso às creches públicas, o estímulo da produção de genéricos, o fornecimento de saneamento básico e água potável a todos os brasileiros entre outras medidas das áreas de educação, saúde, habitação, infraestrutura e transferência de renda.

Segundo os sindicalistas, a conferência desta terça é um "momento histórico". Este é o primeiro evento do tipo desde 1981, quando cerca de 5.000 pessoas se encontraram na Praia Grande (litoral de SP) para debater propostas dos trabalhadores.

Os sindicalistas esperavam ao menos 30 mil pessoas no Pacaembu nesta terça, mas a chuva fina que caiu em quase toda a manhã afastou muita gente. Ao menos 600 ônibus, com trabalhadores de todos os Estados, passaram por lá .


Presidente do PT em São Paulo evita pedir votos para Dilma, mas destaca liderança das mulheres
Petista evitou falar o nome da pré-candidata, mas defendeu continuidade do governo

José Henrique Lopes


Cinco centrais sindicais realizam nesta terça-feira (1º) da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, em São Paulo, onde foi aprovado um documento com as reivindicações que seráo apresentadas aos três principais pré-candidatos à Presidência.

Sem citar o nome da petista Dilma Rousseff, o presidente do diretório estadual do PT em São Paulo, Edinho Silva, destacou a importância do "protagonismo" das mulheres, e defendeu a continuidade do governo Lula.

- É preciso avançar ainda mais. Aprofundar as mudanças do governo Lula. É preciso que a gente possa governar esse país para que todas as mulheres tenham direitos respeitados, para que todas as mulheres sejam protagonistas.

Edinho evitou pedir votos diretamente para a ex-ministra da Casa Civil e para o pré-candidato do PT ao governo paulista, Aloizio Mercadante, após o DEM entrar com quatro representações contra o partido no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por propaganda antecipada durante os eventos sindicais do Dia do Trabalho.

Além do líder petista, o evento - que ocorre desde as 10h no estádio do Pacaembu, na zona oeste - atraiu outros políticos da base aliada de Dilma, como o deputado estadual Major Olímpio (PDT) - indicado para ser vice de Mercadante - a deputada federal Luiza Erundina (PSB), entre outros.

Ontem,  o deputado federal Paulinho da Força (PDT) fez campanha abertamente para a ex-ministra e atacou o pré-candidato do PSDB, José Serra, durante a Assembleia Nacional dos Movimentos Sociais.

A expectativa dos organizadores é reunir cerca de 30 mil trabalhadores na conferência de hoje. Participam a CUT, a Força Sindical, a CTB, a CGTB e a Nova Central. Militantes do MST e da UNE (União Nacional dos Estudantes) também estiveram presentes.
 

 

G1


Centrais sindicais aprovam agenda comum com propostas a candidatos
Segundo a CUT, evento reuniu 22 mil no Estádio do Pacaembu, em SP. Dirigentes de principais centrais, CUT e Força, apoiam candidatura do PT.

Trabalhadores ligados a cinco centrais sindicais - CUT, Força Sindical, CTB, Nova Central e CGTB -, aprovaram nesta terça-feira (1º), em São Paulo, um documento único chamado de "Agenda da Classe Trabalhadora" a ser entregue aos candidatos à Presidência da República após a oficialização das candidaturas - as convenções partidárias para definição dos candidatos ocorrerão neste mês.

Entre as propostas estão redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais; legislação para inibir as demissões em massa, nos moldes da convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT); e assento para trabalhadores e empresários no Conselho Monetário Nacional, órgão que estabelece a política monetária no país.

Segundo a CUT, o evento reuniu na Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat) cerca de 22 mil pessoas de todo o país no Estádio do Pacaembu. Foi a primeira reunião das centrais desde 1981. A primeira Conclat ocorreu em agosto de 1981 na Praia Grande (SP) e reuniu cerca de 5 mil pessoas.

Em entrevista ao G1 antes do evento, a Força Sindical negou que o evento fosse em prol de candidaturas específicas, embora o presidente da entidade, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, tenha se manifestado a favor da candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff (PT).

"O mais importante desse evento é que conseguimos fazê-lo (juntar as centrais). Discutimos um documento único que amanhã será aperfeiçoado com propostas de governo que queremos entregar para os candidatos. (...) Na Força Sindical, a maioria dos militantes vai apoiar a Dilma. Mas das nove pessoas que vão falar [no evento], duas são do PSDB. A Força não vai decidir apoiar ninguém. Mas particularmente as pessoas vão apoiar, individualmente", afirmou o deputado e presidente da Força.

A Central Única de Trabalhadores (CUT), ao contrário da Força, afirmou que o posicionamento político da entidade não será escondido.

A CUT tem uma visão muito clara, de que é preciso manter a independência das centrais e por isso queremos intervir nas eleições. O pior a fazer é ficar em cima do muro." Arthur Henrique Silva, presidente da CUT

"Na CUT fizemos esse debate e ainda não nos posicionamos porque as candidaturas não são oficiais. Nosso objetivo é impedir o retrocesso, que para a CUT é o retorno do PSDB, DEM e PPS. Impedir o retrocesso e a falta de diálogo com o movimento sindical, como o que vimos nos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso. (...) A CUT tem uma visão muito clara, de que é preciso manter a independência das centrais e por isso queremos intervir nas eleições. O pior a fazer é ficar em cima do muro", afirmou o presidente da CUT, Arthur Henrique Silva.

O presidente da CUT disse ainda que, apesar do posicionamento, todos os candidatos receberão a agenda dos trabalhadores. Ele afirmou que ainda não foi definido quando, mas a entrega deve ocorrer individualmente aos candidatos após oficialização das candidaturas nas convenções partidárias. "Tem um principal elemento que é ser uma pauta, uma agenda que vai servir para pressionar o próximo governo para continuar o processo que está acontecendo."

De acordo com Arthur Henrique, o documento foi feito após resoluções aprovadas em cada uma das centrais em seus congressos. Nos últimos três meses, o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) juntou as informações e coordenou reuniões entre os representantes das centrais.




Site do PT


Assembléia Nacional das centrais aprova Agenda da Classe Trabalhadora

Com a presença de mais de 22 mil trabalhadores e trabalhadoras de todo o Brasil, a Assembleia Nacional da Classe Trabalhadora, realizada por cinco centrais sindicais, aprovou nesta terça-feira (1) a Agenda da Classe Trabalhadora, documento unificado das centrais sindicais com propostas políticas e econômicas que os trabalhadores querem ver implementadas no Brasil no próximo período.

"Nosso maior desafio é não permitir o retrocesso, a volta daqueles que implementaram as políticas neoliberais na década de noventa", disse Artur Henrique, presidente da CUT antes de abrir a votação da proposta.


 

Rede Brasil Atual


Centrais olham para o futuro sem esquecer governo tucano
Conferência reúne 22 mil pessoas e aprova 249 propostas para apresentar aos pré-candidatos à Presidência da República 

João Peres e Suzana Vier 

São Paulo - As cinco centrais sindicais que organizaram a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora aprovaram, no início da tarde desta terça-feira (1º), no estádio do Pacaembu, as reivindicações que serão levadas aos pré-candidatos à Presidência da República. São 249 propostas, divididas em seis eixos.

Mas além de olhar para o futuro, os 22 mil participantes da Conferência - segundo os organizadores - também defenderam o governo Lula e lembraram do passado. Nem tanto pelo 1º Conclat, em 1981, ainda sob ditadura, mas principalmente pela década de 1990, com o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2002) e o modelo neoliberal implantado no período.

Para o presidente da CUT, Artur Henrique, a união das centrais é histórica. "Agora os trabalhadores participam e são ouvidos pelo governo e por isso conquistamos itens como a valorização do salário mínimo e redução na tabela do imposto de renda. O governo anterior e o de São Paulo têm visões preconceituosas do movimento sindical. Éramos recebidos com a polícia e a tropa de choque", critica.

"É tempo de democracia, em que os trabalhadores podem se reunir neste estádio para defender os mesmos pontos de vista e a mesma plataforma", disse o presidente nacional do PCdoB, Renato Rebelo.

No mesmo tom, a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) ressaltou o bom momento dos trabalhadores, que agora podem influenciar nas decisões políticas. Ela considera que é o momento de refletir sobre a continuidade do atual modelo ou a volta do modelo anterior. "A história do PSDB em São Paulo e no Brasil nunca ajudou os setores populares. Hoje estamos exatamente contra essas forças conservadoras, alinhadas com o capital", destacou.

O secretário de Relações Internacionais da CUT, João Felicio, comparou a mudança de postura internacional em relação aos sindicatos brasileiros. "Antes éramos chamados a outros países para falar sobre o neoliberalismo. Agora, falamos das conquistas dos trabalhadores e da nossa participação na vida política." Para ele, no próximo governo será necessário caminhar para uma redução mais forte das desigualdades salariais.

"O atual governo foi positivo ao dar espaço aos movimento sociais", elogiou o integrante da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues. "Não há como comparar os dois governos. O anterior foi o da repressão, foi o que há de pior na politica neoliberal", acusou.

No entanto, João Paulo também não poupou o governo Lula. Para isso, pondera, basta indicar que os investimentos destinados ao agronegócio são seis vezes maiores que os dedicados à agricultura familiar. "Um tema que temos chamado atenção é para a compra de terras por estrangeiros. Em área de fronteira, isso representa um risco para a nossa soberania", disse, cobrando do próximo governo desapropriações de latifúncios improdutivos e aumento na distribuição do crédito para pequenos produtores.

Além da CUT, Força Sindical e CTB, a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST) também organizaram o evento. A única das centrais reconhecidas que fica de fora é a União Geral dos Trabalhadores (UGT), por ter dirigentes ligados ao DEM e ao PPS - aliados da pré-candidatura de José Serra (PSDB) - em seus quadros e não ter posição unitária para a eleição presidencial.

O documento a ser apresentado aos pré-candidatos tem, em linhas gerais, as mesmas bases defendidas nos discursos feitos no Pacaembu: de que houve conquistas, mas é preciso seguir avançando. Embora as centrais tenham definido apoio à pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, todos os concorrentes das eleições presidenciais de outubro receberão as propostas. "Esse documento não é partidário, mas uma reivindicação dos trabalhadores. Qualquer um que saia vencedor vai ter que avaliar", afirmou Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical.

O dia
O evento no Pacaembu começou pela manhã com uma leve garoa. Dezenas de ônibus vieram de várias partes do país trazendo trabalhadores de milhares de sindicatos - a organização estima que 5 mil organizações estavam representadas. Aos poucos os trabalhadores foram chegando ao estádio e se acomodando nas arquibancadas, já que o gramado estava com acesso restrito.

Um palco foi montado em frente ao chamado Tobogã. Durante toda a manhã, representantes dos trabalhadores ressaltaram as principais bandeiras para os próximos anos e as conquistas dos últimos tempos. A CUT levou a maior delegação, tomando conta da arquibancada do setor laranja do estádio.


Dirigentes sindicais apontam monopólio da mídia como risco para Dilma
José Lope Feijóo, da CUT, defende ampliação no número de veículos de comunicação como forma de dar voz a outros setores da sociedade

João Peres

São Paulo - Dirigentes sindicais participantes da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora apontam o monopólio da mídia como arma do pré-candidato José Serra (PSDB), para tentar impedir a vitória da pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff.

João Felício, secretário de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), lamenta que a gestão Lula, com mais de 80% de aprovação popular, seja tão desprezada pela mídia. Ele considera que isso é fruto da concentração da comunicação na mão de poucas famílias (Civita - Abril, Mesquita - Estado, Frias - Folha, Marinho - Organizações Globo), um quadro que precisa ser revertido para dar voz a toda a sociedade.

"Se você analisar bem o papel que a mídia tem cumprido nos últimos anos, é um papel que não contribui para a consolidação da democracia. Temos apenas uma classe que se expressa através dos grandes veículos de comunicação. Nós, que somos a classe trabalhadora, não temos o direito de expressão", lamenta.

José Lopez Feijóo, vice-presidente da CUT, concorda que discutir a democratização da comunicação é discutir o próprio sistema político do país. Ele defende, além da ampliação do número de veículos, que a sociedade passe a ter direito a voz dentro dos meios. "Estamos assistindo a uma mídia de pensamento único engajada num linguajar e num projeto da elite brasileira onde não há espaço para que as organizações da sociedade civil se expressem. Isso é antidemocrático", argumenta.

Em conversa recente com a Rede Brasil Atual, o sociólogo Emir Sader ressaltou que os veículos de maior penetração na sociedade estão todos alinhados aos tucanos. "Parecem intermediários viciados no diálogo entre o presidente mais popular que o Brasil já teve e a massa, a cidadania", pontuou ao falar sobre o fracasso da política de comunicação do atual governo.


Conferência teve participação de famílias de trabalhadores
Trabalhadores levaram familiares para decidir agenda dos trabalhadores para as eleições 2010

Suzana Vier
 
São Paulo - A Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, reuniu, além de militantes, trabalhadores e familiares no estádio do Pacaembu, na capital paulista. O encontro marcou a aprovação, nesta terça-feira (1º), da agenda dos trabalhadores para as eleições de 2010.

A dona de casa Maria Souza Lima e o encanador Gilmar dos Santos, de Sertãozinho (SP), decidiram levar a filha de 6 anos. "É importante lutar pelo lado do trabalhador", diz a dona de casa. A viagem de quatro horas com a criança não foi um problema. "Ela fez questão de vir conosco e já começa cedo o aprendizado", orgulha-se Maria.

De Buri (SP), os agricultores Clarice e Moisés Ribeiro levaram a filha de um ano, Taís. Eles destacam o interesse em lutar pela reforma agrária. "Ela ainda está mamando, mas nossa luta pela reforma agrária é muito importante", diz.

Selma Regina Amorim viajou por 25 horas, com o filho de 12 anos, para a conferência. Ela cita a emoção de participar de uma atividade "histórica". "Toda nossa delegação participa pela primeira vez de uma atividade como esta, que é histórica", afirma.

Crítica
Além do aspecto familiar, o momento de definição das reivindicações a serem apresentadas aos pré-candidatos à presidência da República também abriu espaço para críticas à organização do trabalho.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Alimentação Cutista (Contac) levou para o estádio uma cena inusitada, protagonizada por dois personagens: um frango que empurrava um doente em cadeira de rodas. O protesto usou símbolos da campanha contra doenças profissionais causadas pelas indústrias avícolas.

"O animal sadio empurrando o trabalhador doente mostra a realidade de 25% de trabalhadores das indústrias avícolas que estão doentes", esclarece Siderlei de Oliveira, presidente da confederação.




Tribunadonorte.com.br (Rio Grande do Norte)

Centrais sindicais pregam continuidade do governo

Cinco centrais sindicais - Força, CUT, CGTB, CTB e Nova Central - pregaram ontem, na assembleia da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), em São Paulo, a continuidade do governo Lula e alertaram para um "retrocesso", em clara referência ao pré-candidato tucano à Presidência, José Serra. O evento, pago pelo imposto sindical, que desconta um dia de salário por mês de todos os trabalhadores com carteira assinada, custou pelo menos R$ 800 mil, segundo o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical.

O objetivo, cumprido, era o de aprovar a Agenda da Classe Trabalhadora, que será entregue aos três presidenciáveis. São quase 300 demandas a serem cumpridas pelo vencedor das eleições. Ao todo, R$ 135 mil foram empenhados para o aluguel do Estádio do Pacaembu e R$ 35 mil para o pagamento da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo para coordenar o trânsito. O restante - R$ 630 mil - foi para a infraestrutura, como palco, som e transporte de militantes.


De acordo com o deputado, somente a Força Sindical pagou 500 passagens de avião para dirigentes virem das regiões Norte e Nordeste do País. As demais centrais também admitiram ter pago por transporte aéreo. A CUT disse que não divulgaria dados e valores de logística. Mesmo com o investimento pesado das centrais para um megaevento, o público foi apenas a metade do esperado. Segundo a Guarda Civil Metropolitana, 15 mil compareceram, metade dos 30 mil esperados.

A reserva inicial, de acordo com as centrais, era de 13 mil lugares para militantes da CUT e 11 mil para os da Força. Os demais seriam divididos em blocos menores entre as outras três centrais. No entanto, o Pacaembu teve uma manhã e um início de tarde com muitos lugares vazios.


Os militantes e dirigentes sindicais, vindos de todos os Estados do País, receberam lanches na porta do estádio e ouviram dezenas de discursos de sindicalistas - a maioria para evitar o "retrocesso", alguns citando nominalmente a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e outros em defesa aberta da pré-candidata petista Dilma Rousseff.


O presidente do PT paulista, Edinho Silva, assumiu o microfone falando "em nome do companheiro José Eduardo Dutra", presidente do PT nacional. Delineou o cenário eleitoral, com rasgados elogios a Lula, e disse que "é preciso avançar ainda mais e aprofundar as mudanças do governo".


"O Brasil não pode ter retrocesso", afirmou, em referência ao governo tucano. "Não pode conviver novamente com o desmanche do Estado. Não pode conviver novamente com a submissão de seus interesses. Se vamos avançar ou não, isso cabe a cada um de nós." Empenhado na campanha do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) ao Palácio dos Bandeirantes, Edinho afirmou ainda que "é preciso fazer no Estado de São Paulo o mesmo que o presidente Lula fez no Brasil".

 

 

Oamigosdopresidentelula.blogspot


Encontro de Trabalhadores aprova pauta de reivindicações e avalia governos e rumos de cada candidatura

As cinco centrais sindicais que organizaram a CONCLAT (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora) aprovaram, no início da tarde desta terça-feira (1º), no estádio do Pacaembu, as reivindicações que serão levadas aos pré-candidatos à Presidência da República. São 249 propostas, divididas em seis eixos.

Os 22 mil participantes da Conferência - segundo os organizadores - fizeram também uma avalização da conjuntura do governo Lula, do governo anterior de FHC, e dos projetos de governo que se apresentam para para 2011.


Para o presidente da CUT, Artur Henrique, a união das centrais é histórica. "Agora os trabalhadores participam e são ouvidos pelo governo e por isso conquistamos itens como a valorização do salário mínimo e redução na tabela do imposto de renda. O governo anterior e o de São Paulo têm visões preconceituosas do movimento sindical. Éramos recebidos com a polícia e a tropa de choque", critica.


A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) ressaltou o bom momento dos trabalhadores, que agora podem influenciar nas decisões políticas. Ela considera que é o momento de refletir sobre a continuidade do atual modelo ou a volta do modelo anterior. "A história do PSDB em São Paulo e no Brasil nunca ajudou os setores populares. Hoje estamos exatamente contra essas forças conservadoras, alinhadas com o capital", destacou.


"O atual governo foi positivo ao dar espaço aos movimento sociais", elogiou o integrante da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues. "Não há como comparar os dois governos. O anterior foi o da repressão, foi o que há de pior na política neoliberal", acusou. No entanto, fez críticas também ao governo Lula, quanto ao agronegócio e compra de terras por estrangeiros, cobrando do próximo governo mais desapropriações de latifúndios improdutivos e aumento na distribuição do crédito para pequenos produtores.


O documento a ser apresentado aos pré-candidatos tem, em linhas gerais, as mesmas bases defendidas nos discursos feitos no Pacaembu: de que houve conquistas, mas é preciso seguir avançando. Embora as centrais tenham definido apoio à pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, por identificar maior alinhamento com a pauta dos trabalhadores, todos os concorrentes das eleições presidenciais de outubro receberão as propostas. "Esse documento não é partidário, mas uma reivindicação dos trabalhadores. Qualquer um que saia vencedor vai ter que avaliar", afirmou Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical.



 

Brasiliaconfidencial.inf.br


Centrais unificam agenda para ampliar conquistas obtidas com Lula

Mais de 20.000 trabalhadores mobilizados pelas cinco maiores centrais sindicais aprovaram ontem, em São Paulo, uma agenda unificada de reivindicações ao próximo governo. Composta por 249 itens, a Agenda da Classe Trabalhadora será apresentada aos três principais pré-candidatos à Presidência da República - Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) -, mas os líderes das centrais reafirmaram que estarão em campanha, neste ano, contra o retorno do PSDB e do DEM (ex-PFL) ao comando do governo.

"Nosso maior desafio é não permitir o retrocesso, a volta daqueles que implementaram as políticas neoliberais na década de noventa", discursou o presidente da Central única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique.

"Vamos querer continuar avançando ou voltar a um passado de desemprego e desesperança?", perguntou ao público o líder metalúrgico Miguel Eduardo Torres, que defendeu a continuidade do projeto do Governo Lula. 

No manifesto que abre a Agenda da Classe Trabalhadora, as centrais declaram que "a eleição de outubro, marcada pela disputa entre distintos projetos políticos, é uma singular oportunidade para selarmos compromissos com o avanço das transformações necessárias à construção de um país igualitário e democrático. Por isso é fundamental elegermos candidatos comprometidos com as bandeiras da classe trabalhadora".

Em debate desde janeiro, a agenda unificada das centrais sindicais está dividida em seis eixos considerados estratégicos: crescimento econômico com distribuição de renda e fortalecimento do mercado interno; valorização do trabalho decente com igualdade e inclusão social; valorização do papel do Estado como promotor do desenvolvimento socioeconômico e ambiental; democracia com efetiva participação popular; soberania e integração internacional e garantia dos direitos sindicais e das negociações coletivas.

Os eixos incluem tópicos como a redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas; o estabelecimento de limites às grandes propriedades rurais; a atualização dos índices de produtividade; a universalização do ensino público e dos serviços de saúde; o aumento do salário mínimo; reformas agrária, tributária e política; fim das terceirizações e do fator previdenciário, entre outros pontos.

Além de exaltarem a construção da agenda unificada, os líderes sindicais comemoraram a realização da assembleia nacional - sem precedentes em quase três décadas.

"Se isso aqui acontecesse em 90, nós ainda estaríamos brigando contra o governo para impedir as privatizações", observou Antonio Neto, presidente da Confederação Geral dos Trabalhadores do Brasil.

PRESIDENTE ESPERA VOTAÇÃO IMEDIATA DA REDUÇÃO DA JORNADA
O presidente Lula afirmou ontem, em discurso a trabalhadores da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP), que encerrará o mandato com a convicção de que, em seu governo, o movimento sindical só não conquistou aquilo que ele não reivindicou. Disse também que espera ver aprovada pelo Congresso a proposta de emenda constitucional que reduz a jornada semanal de trabalho, de 44 para 40 horas.

"Eu espero que seja votada logo, logo, para que os trabalhadores possam ter mais tempo para ficar em casa, para estudar, para cuidar da família, para relaxar, para descansar. E que essa redução da jornada possa significar a possibilidade de contratação de mais trabalhadores, para que a gente possa distribuir mais renda no nosso país".
 

 

Rádio Web - Jornal Brasil Atual


Conferência aprova agenda da classe trabalhadora

CUT, CGT, FORÇA SINDICAL, NOVA CENTRAL E CTB realizaram nesta terça-feira no Pacaembu em SP, a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora. A assembléia aconteceu depois de 29 anos da 1ª Conclat, até então a principal reunião do sindicalismo brasileiro. Para ouvir acesse:

http://bit.ly/aLYXbG
 

Sucateamento do ensino público em São Paulo

Maria Izabel Noronha, presidenta da Apeoesp, fala sobre a proposta do governo de terceirizar o ensino de línguas na rede pública. Para ouvir acesse:

http://bit.ly/dhARNL


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