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Curuguaty: Justiça, terra e liberdade

Curuguaty: Justiça, terra e liberdade

Escrito por: João Felício Presidente da Confederação Sindical Internacional (CSI) Publicado em: 06/06/2017 Publicado em: 06/06/2017

No próximo dia 15 de junho todos os amantes da liberdade do planeta se somarão ao povo paraguaio para recordar os cinco anos do massacre de Curuguaty, em Marina Kue, onde foram assassinadas 17 pessoas. Nesta data, 324 policiais fortemente armados com fuzis, bombas de gás, cavalo e helicóptero, foram deslocados para cumprir uma arbitrária decisão judicial, feita sob encomenda do grande latifundiário Blas Riquelme. O objetivo: desalojar à força 60 trabalhadores rurais - metade deles mulheres, crianças e idosos - que se encontravam numa terra pública, destinada à reforma agrária.

Quando representantes das forças repressivas e dos sem-terra iniciavam a dialogar, tiros de precisão, disparados à distância,  calaram com balas as falas. O “confronto” - que deixou seis policiais e 11 sem-terras mortos - envolveu tropas de elite treinadas pela CIA e pelo exército dos Estados Unidos e os seus sangrentos desdobramentos, pela própria ação dos conglomerados privados de comunicação manipulados pela oposição de direita, provocaram a queda do presidente Fernando Lugo uma semana depois.

Vale lembrar que Lugo se propunha a empreender uma reforma agrária que, mesmo tímida, representava uma grave ameaça aos que mandam e desmandam num país em que 2% da população concentram 78% das terras cultiváveis. Mais terrível ainda é lembrar que enquanto mais de 700 mil paraguaios passam fome (10% da população)´, um terço da população é afetada pela desnutrição - com as taxas de pobreza extrema sendo três vezes mais altas entre as comunidades indígenas e rurais -, 94% das terras são destinadas à exportação, como a soja transgênica, abastecendo 60 milhões de pessoas pelo mundo. Isso tudo praticamente sem pagar nenhum imposto, fazendo com que o Estado acabe sendo inviabilizado por uma das mais baixas cargas tributárias do mundo.

É completamente inadmissível que, passada meia década, 11 camponeses e camponesas, após terem sido julgados sem provas, sejam submetidos a penas de até 35 anos de prisão, incluindo cinco anos de cárcere que já cumpriram. O fato é que os disparos não foram feitos pelos sem-terra, que são vítimas. Suas poucas armas apreendidas – destinadas à caça de pequenos animas – não foram sequer disparadas. A prova de parafina também comprovou que eles não efetuaram qualquer disparo.

Também não foram investigadas nem uma única das execuções extrajudiciais em Curuguaty, nem as torturas e nem as tentativas de desaparição forçada, todas fartamente denunciadas e documentadas.

Tantas e tão visíveis irregularidades, que se multiplicaram ao longo do processo judicial, foram condenadas por inúmeras organizações internacionais de direitos humanos, incluindo os principais órgãos das Nações Unidas.

Mais do que nunca, é hora de fazer deste 15 de junho um marco de resistência, levantando bem alto a bandeira de luta por “justiça, terra e liberdade” no Paraguai.




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