CUT NACIONAL > LISTAR NOTÍCIAS > AGÊNCIA DE NOTÍCIAS > INVESTIMENTO ESTATAL NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS DOS EUA É O MENOR EM 25 ANOS
31/07/2012
O investimento de Estados e municípios nas universidades públicas norte-americanas em 2011 foi o menor dos últimos 25 anos, aponta estudo dos Funcionários Executivos da Educação Superior Estatal dos EUA. Conforme o levantamento, os estados aplicam em média 6.290 dólares por estudante matriculado numa instituição pública, contra 8.025 dólares em 1986.
Como nos Estados Unidos mesmo as universidades públicas são pagas, os cortes nos investimentos têm alavancado o valor das mensalidades e aumentado o endividamento dos estudantes depois de formados, que chega em média a 28.700 dólares por aluno.
A matrícula e outros custos nas universidades públicas com cursos de quatro anos aumentaram mais de 70% em média durante a última década. Tais custos eram de 4.790 dólares em 2002 e passaram para 8.240 em 2012.
Entre tantos exemplos trágicos apontados pela Associação Norte-americana de Professores Universitários estão as universidades estatais de Ohio e Pensilvânia, que passaram a receber do Estado menos de 7% do seu orçamento. A Universidade de Nova Hampshire teve o seu financiamento cortado pela metade em 2011 e 2012, recebendo atualmente 7% do estado, contra 32% de 20 anos atrás. O caso da Universidade de Michigan é ainda pior, recebeu meros 4,5% de seu orçamento.
Na prática, os crescentes cortes nos investimentos têm significado, além dos aumentos sucessivos nas mensalidades, mais alunos por sala de aula, com professores temporários, precarizados, com salários bem arrochados. Enquanto em 1975, 45% do professorado universitário era de tempo integral, em 2009 já eram menos de 25%, impactando negativamente a qualidade do ensino.
Um dos expedientes utilizados pelos jovens para continuar estudando é ampliar o tempo de permanência na universidade, fazendo um ano adicional, pagando mensalidades menores por mais tempo. “Na realidade, é deprimente”, desabafou Alicia Halberg, de 22 anos, que precisou pedir 8 mil dólares emprestados para continuar estudando depois que a matrícula subiu 20% na Universidade de Washington. Alicia denuncia que a maioria de seus amigos precisaram cursar um ano a mais, porque o dinheiro não alcançava para que se graduassem em quatro anos.
“Como o Estado não nos financia de forma adequada, temos que buscar recursos em outras partes”, declarou a vice-reitora de Administração de Matrículas da Universidade de Missouri, Ann Korschgen, frisando que há um empenho neste momento em atrair estudantes do Brasil, China, Índia e Arábia Saudita.
Conteúdo Relacionado
Movimentos Sociais de Santa Catarina levam 5 mil às ruas de Florianópolis