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02/02/2012
Imaginem um amigo seu te convidar para um almoço na casa dele para conversar sobre a vida e tratar de projetos e negócios em parceria. Você aceita e no dia e hora marcados está lá. Só que você, em vez de conversar sobre os assuntos combinados, prefere deitar falação crítica sobre o modo como seu amigo ganha a vida, como cria os filhos ou como se veste. Pois foi mais ou menos este o comportamento que os jornalões e a Globo cobraram da presidenta Dilma em sua visita a Cuba. Mais uma vez se deram mal. Primeiro porque a presidenta é educada e sabe se comportar na casa dos outros. Depois, porque o princípio da não ingerência nos assuntos internos de outros países é uma espécie de ponto de honra da diplomacia brasileira.
Chega a ser constrangedor o papel a que submetem os que vendem sua pena para os barões da mídia brasileira. Em nome de uma fidelidade canina ao jornalismo partidarizado e medíocre imposto por seus patrões, é negado ao leitor um mínimo de informações relevantes sobre a teia complexa de interesses imbricados que move as relações entre os países, que vão da solidariedade às trocas comerciais, das parcerias e convênios a acordos de cooperação, das políticas de integração à atuação em organismos multilaterais, da criação de blocos a alinhamentos de natureza geopolítica.
Achar que a presidenta desembarcaria em solo cubano para cobrar respeito aos direitos humanos na Ilha é coisa de quem já traz de baixo do braço a chamada matéria-tese, aquela em que o repórter ignora fatos e evidências com a obsessão de corroborar a tese que o seu editor precisa emplacar sobre pau e pedra, custe o que custar. Podiam ter dormido sem essa. Ou melhor, sem essas.
Perguntada sobre a situação dos direitos humanos em Cuba, Dilma citou a prisão americana de Guantánamo e ensinou que a importância do assunto requer que ele seja tratado de forma multilateral. Lembrou que todos, inclusive o Brasil, têm telhado de vidro ( Pinheirinho e Cracolândia que o digam) e se negou a usar a bandeira dos direitos humanos como arma de combate ideológico. "Não temos preconceito de nenhuma ordem. essa é uma característica que não é do meu governo, não é só do presidente Lula. É uma característica do Brasil", fulminou.
Talvez seja oportuno informar aos desavisados da imprensa brasileira que a presidenta foi à Havana cuidar de assuntos importantes para os dois países, tais como a instalação de empresas farmacêuticas brasileiras na Ilha, parcerias com empresas públicas cubanas para produção de remédios, o Porto de Mariel, (empreendimento da Odebrecht com financiamento do governo brasileiro) e o incremento da compra de alimentos brasileiros por Cuba. O Brasil também reafirmou seu compromisso de continuar lutando pelo fim do bloqueio econômico criminoso a Cuba.
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