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23/07/2012
Diferentemente do quadro nacional, onde a reforma agrária anda a passos de tartaruga, os trabalhadores e trabalhadoras rurais da região oeste do Pará comprovaram na prática que a insistência e a luta contra a concentração fundiária brasileira, buscando a redistribuição de terras, resultam em importantes avanços.
Hoje, cerca de 70% das terras do oeste paraense são destinadas a reforma agrária. Especificamente na região de Santarém, apesar da falta de apoio governamental, a organização e a luta permanente dos trabalhadores e trabalhadoras rurais têm consolidado ao longo do tempo assentamentos responsáveis pela mudança na vida da população local.
Estes assentamentos são divididos da seguinte maneira: quatro títulos individuais, sete coletivos e a reserva extrativista Tapajós-Arapiuns. A produção da agricultura familiar é voltada ao cultivo de frutas (cupuaçu, açaí, castanha), farinha de mandioca e criação de galinha.
De acordo com levantamento feito pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), o primeiro ano de mandato da presidenta Dilma obteve o pior desempenho em termos de assentamento de famílias se levado em consideração os números dos últimos 17 anos. Acrescenta-se a esta realidade, o fato do governo destinar a maior parte dos seus recursos ao agronegócio, cujo modelo é extremamente concentrador, sem produzir empregos e alimentos saudáveis.
“Queremos que o governo federal ratifique os títulos de concessão dos assentamentos em Santarém, porque hoje, apenas com os decretos, vivemos uma situação de instabilidade. Mas a rotatividade na direção da superintendência do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) dificulta ainda mais este processo e mostra que a questão da reforma agrária é hoje uma política secundária no governo Dilma”, lamenta Manoel Edivaldo, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém.
Raimundo de Lima Mesquita, atual presidente do Sindicato, afirma que apesar das conquistas, a população local ainda sofre com a ausência de políticas públicas como saúde, educação, infraestrutura. “Entendemos que com o crescimento da população, os próximos 10 anos serão marcados pelo acirramento da disputa pela terra, principalmente por conta das obras de infraestrutura que estão sendo realizadas na região que servem basicamente aos interesses dos latifundiários, como por exemplo, o corredor de exportação”, descreve.
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